Mais mentiras e mais verdades

As mentiras e verdades sobre o SketchJazz vieram à tona na frente de todos, feias e mal cheirosas como cadáveres de afogamento.

Este é o episódio mais triste e lamentável que eu já vi acontecer entre os ilustradores, em quase 30 anos de carreira. Pessoas que se viam quase como irmãos, lutam em praça pública como gangues de rua.

Os ilustradores se dividiram “como nunca antes, na História deste país”, e isto era tudo o que eu não queria, este é o pior dos pesadelos para mim, depois de trabalhar incansavelmente por mais de 10 anos com o único objetivo de unir estes profissionais, amigos, estudantes e curiosos.

Eu tinha dado isto como terminado, meu post anterior seria o último e definitivo sobre o assunto, onde relato os detalhes da minha participação neste imbroglio, as origens do SketchJazz e tudo o mais.

Mas o que se seguiu por parte dos meus ex-sócios foi um ato de desespero de causa, haja visto que todas as provas, evidências e testemunhais sobre a criação do evento estão a meu favor. Restou o último dos recursos, uma enxurrada de mentiras para tentar vencer esta guerra no grito, na desonestidade, na mão-grande, como era de se esperar de quem precisa assinar o alheio para se promover como artista.

Eu não teria a obrigação ou a necessidade de refutar mentiras e acusações falaciosas, mas há os que acreditam em qualquer coisa que leem, se é que leem por inteiro as imensas paredes de texto que meus detratores publicaram no Facebook, de maneira irresponsável, infundada e caluniosa.

Recebi dezenas (no plural) de mensagens solidárias, de conhecidos e desconhecidos, que enxergaram com clareza e lucidez o que não pode ser negado, mas tiveram a coragem de se manifestar. Além das boas palavras num momento extremamente crítico da minha vida profissional, uma destas pessoas é do ramo do Direito, e com sua experiência jurídica me deu bons conselhos, orientações e conforto, confirmando o que eu já sabia: minhas provas, testemunhas e evidências são contundentes e irrefutáveis.

Eu estou em solo firme, seguro e luto por uma causa justa, é o meu nome que está em jogo.

Meus detratores se debatem em areia movediça.

Eu discuto fatos, não as pessoas, seus pais, suas mães ou seus problemas pessoais.

O Joel parece não entender um conceito social dos mais básicos, e me acusa de usar uma suposta “popularidade” para criar uma “campanha difamatória”.

Em primeiro lugar, eu não tenho “popularidade”, afinal nem todos me aprovam ou concordam comigo, o que é natural e compreensível.

Sinceramente falando, eu sou extremamente impopular para muitas pessoas.

O que eu construí ao longo de 27 anos de carreira foi ”credibilidade”. Mesmo meus inimigos respeitam o meu trabalho, e por mais que me odeiem, não tem como negar o meu histórico profissional e minha contribuição com o coletivo. A credibilidade e a reputação são patrimônios que não se constróem roubando a autoria da criação alheia, mas sim com muito trabalho, respeito e defesa implacável da propriedade intelectual e zelo com o próprio nome.

Quem busca “popularidade” são os dois, a qualquer custo, mesmo que seja enterrando o nome dos outros no caminho.

Em segundo lugar, desde quando alguém consegue fazer uma “campanha difamatória” ao revelar fatos reais e verdades incontestáveis? Como eu posso difamar alguém escancarando a realidade que os meninos do SketchJazz insistem em tapar com a peneira?

Difamação, ou melhor AUTO-DIFAMAÇÃO, é o que eles fazem, com mentiras ridículas, argumentos falsos, declarações que não se sustentam, ataques pessoais, e apelações a dramas familiares que nada tem a ver com o contexto do assunto em questão. O que pode ser mais auto-difamatório do que bloquear a todos que argumentam de forma contrária ou contestam as suas falácias no Facebook?

Nada pode ser mais danoso à própria imagem do que se fechar ao diálogo inteligente, calando com um “clic” a todos que se oponham a sua pequena e infantilizada ditadura.

Não é assim que se constrói “credibilidade”, mas pode ser que isto angarie alguns gatos pingados de moral flexível para o seu cartel de “popularidade”.

É claro que pessoas com um mínimo de inteligência, bom senso, e algum fiapo de senso de justiça não se deixam iludir com este espetáculo cenográfico, mas quem disse que todo mundo tem que ser inteligente, racional e justo?

É desta forma que o Joel pretendia ser um “grande empreendedor”, com “visão corporativa” e “mentalidade administrativa”, em seus exaustivos “business plan” do SketchJazz, sempre prolixos, inconclusivos e repletos de nada?

Nem mesmo o Fabio aguentava tamanha verborragia, e o grupo esteve a um passo do fim por conta disto. Vai negar?

Tenho a impressão que Philip Kotler não ficaria muito orgulhoso dos seus métodos de gerenciamento e divulgação, mas Goebbels certamente ficaria.

Eu tenho como princípio não responder a textos apócrifos, falsas identidades, nomes fakes, e agressões baseadas em palavrões ou ofensas direcionadas a pessoa, problemas familiares e pessoalidades de foro íntimo. Considero apócrifos os textos publicados em páginas em eu tenha sido bloqueado, onde eu não tenho o acesso de leitura nem o de defesa, como é o caso das páginas do Fabio e do Joel, onde meu nome foi citado repetidas vezes.

Recurso este bastante utilizado, por sinal. Bloquear a todos os que se recusam a engolir mentiras, e mesmo os discordam de forma respeitosa do que estes dois colegas publicam tem sido uma constante, desde que isto tudo veio à tona. Mas é o meu nome, a minha reputação e a minha história pessoal e familiar que estão sendo ventiladas de forma desrespeitosa, mentirosa e aviltante por estes dois meninos. Suas bobagens, escritas pelas minhas costas, sem que eu pudesse ler ou me defender, me foram copiadas em PVT por diversos colegas.

Mentiras deslavadas podem ser encaradas de diversas formas. Podem ser sumariamente ignoradas, uma vez que não procedem, e é o que eu fiz a princípio, esperando que isto esfriasse por si, ou refutadas publicamente, como também publicamente foram espalhadas. O tom ameaçador e intimidatório que usaram me fez tomar providências, e meu advogado já tem em mãos os dados, cópias de fotos, documentos, cópias de tela, códigos de HTML, e todo o material necessário para ingressar com a minha defesa, caso isto se torme necessário. Pois vamos à elas, pontualmente:

“O cancelamento do lançamento gerou ônus e perdas às dezenas de participantes do livro do SketchJazz!. As medidas pelo ressarcimento das perdas dos lesados, e pelos danos à honra e à moral dos difamados, já estão em curso pelos canais apropriados. Como este também é um caso de bullying digital, não haverão respostas pontuais à infindável lista de mentiras e distorções.”

Parte-se do princípio que não há o que imputar como responsabilidades à uma pessoa que desconhecia por completo a publicação, onde a omissão do nome do criador do evento estava a ponto de vir à público, impressa. À isto realmente caberia recurso jurídico, se de fato viesse a ser distribuída. Eles tem sorte disto poder ter sido evitado à tempo, pois as consequências seriam ainda maiores, devido à fartura de provas, evidências, fotos e testemunhos que provam a minha autoria e presença constante na organização dos eventos, do website e do gerenciamento interno do SketchJazz durante o seu primeiro ano. Fatos são fatos, e os Juízes se baseiam neles para martelar suas decisões.

Não houve de nossa parte nenhuma declaração à revista Ilustrar ou a qualquer outro veículo de que o projeto S!J foi criado apenas por mim e pelo ilustrador Fabio P. Corazza. Nós jamais declaramos isso, seja em público ou em privado.

Sem comentários, a imagem abaixo fala por si.

O Joel já demonstrou ser um homem de fé, mas parece desconhecer o significado ou ser incapaz de praticar BOA FÉ.

Refutar cada uma das linhas mal escritas dos dois meninos seria extremamente cansativo e improdutivo, vou deixar esta tarefa para para o foro adequado, os laudos judiciais, caso isto seja mesmo necessário. Vou citar apenas mais alguns, para que fique bem clara a linha que separa os fatos dos boatos.

A idéia original do SketchJazz! surgiu no Bistecão de 28 de Maio de 2010 e é de autoria do Fabio Corazza. Ele sugeriu que visitássemos os bares e desenhássemos. E já batizou o projeto como “sketchjazz”. Eu imediatamente incentivei e promovi a idéia, pois já estava procurando algo que pudesse ser transformado em um empreendimento no meio do movimento de sketch-isso ou aquilo-craw, e nós três fizemos nossa primeira reunião informal. Dentre as várias provas deste fato há o tweet de nosso ex-sócio: 31 May 10 @mon*********ado: “Uma, entre muitas outras coisas legais do #BistecaoIlustrado foi planejar saídas nos Jazz Bares de Sampa, pra desenhar os músicos.”

Esta é outra mentira absurda, e chega a ser vergonhosa para quem escreve tal coisa. O que faz estes dois rapazes quererem tanto a autoria do alheio me estarrece. Quanta necessidade de fama, e de que forma humilhante se posicionam publicamente para colar a sua mentira, como quem cola lambe-lambes promovendo um espetáculo de rua, sobre os anúncios de outro evento legítimo.

Em primeiro lugar, não se pode clamar pela autoria da ideia de desenhar ao vivo em bares de Jazz pelo aspecto legal, já que pela legislação brasileira, ideias não são patenteáveis.  Segundo, que outras pessoas já fazem isto no mundo inteiro, inclusive na Society of Illustrators, há décadas. Terceiro, que nesta data eu já tinha feito o projeto piloto, já tinha comigo o folheto com a programação de Maio, e nem mais a cerveja que tomei sozinho, naquela noite, estava no meu corpo. A referida conversa no Bistecão foi posterior ao estudo que eu fiz do local, e as datas não me deixam mentir, nem que eu tente.

Outra coisa, não foi neste Bistecão que “surgiu a ideia”, porque isto já havia sido discutido e comentado quando os dois colegas frequentavam a minha casa, dentro do meu estúdio, nos workshops e sessões de modelo vivo, onde eu costumava contar os “causos” da Illustration Academy, e entre intermináveis horas de bate papo informal, eu comentei sobre as experiências que tive em Kansas City, no ano de 1998, onde fizemos exatamente isto, desenhar em bares de Jazz.

Os documentos das inscrições, com datas e comprovantes de pagamento, das dezenas de vezes em que os dois colegas se inscreveram nos meus workshops ainda estão comigo, e serão utilizados como evidência em Corte, se necessário.

Eu disse que gostaria de fazer algo com este formato, já que eu estava promovendo naqueles dias o SketchCrawl, que reuniu 120 pessoas no primeiro encontro, e 156 no segundo, recordes mundiais de participantes, diga-se de passagem. Não apenas este encontro, mas também o SketchCopa, SketchSampa, SketchLunch e vários outros encontros informais, como sessões de videos, jantares, passeios, etc.

Poucas semanas antes do primeiro SketchJazz eu convidei, pelo celular, diversos colegas para um recital de piano no MuBe, num domingo à tarde, inclusive os dois que eventualmente, meses depois, viriam a se tornar meus sócios. Nesta ocasião não havia absolutamente hierarquia alguma, era mais um encontro informal, entre tantos outros. Já não me lembro mais se o Joel foi naquela tarde, mas o Fabio esteve lá, entre outros.

O encontro foi bem sucedido, conversamos sobre a possibilidade de desenhar em bares de Jazz, o que me deu maior motivação para fazer o projeto piloto do SJ alguns dias depois, sozinho em Maio de 2010.

Não compreendo o que faz artistas consagrados e respeitados lutarem desta forma pela autoria do que não é seu, mas entendo o desespero dos dois em tentar manter em pé os cacos dos seus argumentos, que se despedaçaram completamente neste imbroglio.

Tornou-se uma questão de honra, e reconhecer o erro nesta altura do campeonato – mesmo sendo um ato mais adulto, digno, honroso, ético e honesto – seria uma admissão de derrota definitiva, pública, e é compreensível que cada um faça o possível e o impossível para se defender e sustentar o que se disse, mas as mentiras e atitudes que se seguiram não ajudaram em nada os meus opositores, na verdade isto só fez afundar ainda mais rapidamente o que já estava indo à pique.

“O amigo @joel_lobo deu uma ideia bacana, fazer um Jazz Crawl depois da sessão de modelo vivo de hoje. Eu fiz um Bar Crawl solo, ontem.”

O que eles alegam como “prova”, é um twit meu, onde eu credito ao Joel uma sugestão de “Jazz Crawl” depois da sessão de modelo vivo que eu conduzia naquele dia. Eram tempos onde se tuitava qualquer coisa que se fazia, algo como “meu querido diário”.

Curiosamente, neste twit eu comento que havia desenhado sozinho, num bar, na noite anterior.

Contra fatos não há argumentos.

Depois de tudo o que foi apresentado acima, é natural que as pessoas fiquem entusiasmadas e distribuam palpites, mas o tal “Jazz Crawl” não passou disto, um palpite. Não fomos a lugar nenhum naquela noite, depois da sessão de modelo vivo.

O twit, por si, não evidencia absolutamente nada, mas comprova o meu hábito de creditar os méritos a quem de direito, sempre. Ainda que seja um mero palpite.

Nunca promoveram nada do gênero até então, e do nada se viram transformar de meros convidados a organizadores do SketchJazz. É bem provável que a sensação de comando, e talvez alguma exposição pública jamais alcançada antes, tenha de fato subido às suas cabeças.

Até aí, tudo bem, é compreensível, a liderança embriaga, mas o que faz gente de bem agir como se não o fosse, apagando todos os rastros, textos, fotos, desenhos e o nome de um outro artista, em um ato covarde de vingança barata, pelas costas, continua sendo um mistério para mim.

Mas a coisa começou a tomar formas de ataque pessoal, quando ameaças veladas e mentiras tomaram contornos de calúnia e difamação, atos que são qualificados no Código Penal Brasileiro.

Um quer me calar com clorofórmio, o outro com estricnina.

Isto é grave.

“Todos os eventos”, significa 100% das vezes, sem exceção.

Fizemos mais de 50 encontros com o nome de SketchJazz no primeiro ano, dezenas de outros com nomes diversos, no mesmo período.

A afirmação “… a pessoa se esforçar para ciar inimigos, arrumar brigas em todos os eventos que participa [SIC]” é caluniosa, difamatória e sobretudo MENTIROSA.

Não há uma única pessoa que tenha estado nestes locais, que tenha presenciado uma “briga”, de quem quer que seja. Não conheci grupo mais pacífico e amigável do que este, nunca houve uma voz levantada, um desacordo, um tapa, ou mesmo um olhar que não fosse amigável. Isto é um dos maiores absurdos que eu li neste lamentável episódio, e escrito pela pessoa com quem eu mais convivi neste período, sempre em grande harmonia.

“Obrigado pela companhia, boa como sempre” – Fabio Corazza

Era com esta frase que ele se despedia, em TODAS as vezes que terminávamos um evento ilustrado. Sempre a mesma frase, em tom sincero e amigável.

Nunca troquei com ele houve uma única palavra áspera, quanto mais uma “briga”, e se ele não sabe o significado da palavra “briga”, em português, segue a definição do dicionário:

briga
f.

Luta; combate.
Disputa.
Desavença.

E a enxurrada de mentiras continua:

“O ápice do problema foi quando ele ofendeu publicamente um dos promotores responsáveis por uma das casas onde fazíamos o SketchJazz, se expressando em nome do grupo, e por conseqüência fechando uma porta que teria sido bastante útil para nós.”

O quê? Quando? Onde? Como? Quem?

Como posso ter destratado um promotor, em nome do grupo, e não me lembrar disto?

Como posso ter cometido tal fiasco sem nunca ter sido chamado de lado, e criticado ou punido imediatamente por tal ato?

Não seria uma atitude muito mais agressiva, danosa ao SketchJazz e lesiva a imagem pessoal dos dois, bloquear a promotora que os recebeu por dois anos consecutivos, em dezenas de apresentações, no Paribar Blues Festival?

O que pode fechar mais portas do que isto?

Definindo o Fabio e o Joel em uma palavra: MENTIROSOS.

A verdade não difama, e a afirmação do Fabio é mentirosa, simples assim.

As palavras do editor da publicação a este respeito são as seguintes:

Suspenso para revisão do texto, para que seja publicada a verdade.

O editor tem um patrimônio moral a zelar, uma reputação, não apenas a sua pessoal, mas a da excelente Revista Ilustrar e também como editor, e tem o dever de honrar o seu compromisso com os fatos, da maneira mais verdadeira possível.

O mesmo comprometimento ele tem com a própria publicação, porque uma vez anunciado seu lançamento, este deve ser levado a sério e publicado conforme prometido, ainda que em data posterior, devido à revisão, como acredito que será, com o devido texto, com o devido respeito aos fatos.

Este livro deverá ser o documento final que separa a verdade da mentira.

A revisão é necessária, a bem da verdade, e não ao meu favor. Ele jamais faria isto por mim, eu sou insignificante, mas a verdade tem seu valor, e é a credibilidade da publicação e da editora que estão em jogo.

Mas voltemos ao tópico deste post.

A afirmação abaixo é outra grotesca mentira. Mais do que isto, configura calúnia e difamação, e jamais poderá ser apresentada pelo Fabio em uma Corte, a não ser para argumentar em própria sua defesa, debaixo da MINHA acusação, porque estes fatos (escritos no plural), simplesmente nunca existiram:

As brigas extrapolaram para o mundo real, quando ele começou a arrumar confusão com freqüentadores de bares dos quais fazíamos os eventos.

Como assim? Enlouqueceu completamente, Fabio? Perdeu o juízo? Vai inventar um roteiro de ficção para reescrever a realidade do passado?

Quem nesta vida já me viu “arranjar confusão com frequentadores de bares”? Quem você seria capaz de comprar para testemunhar falsamente a favor de tal mentira?

Quero ver você falar isto sob juramento, em uma Corte, na frente de um Juiz! Quero olhar na sua cara e te ver gaguejar no seu perjúrio!

O crime de falso testemunho ou perjúrio está previsto no art. 342 do Código Penal:

Art. 342 – Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Alterado pela L-010.268-2001)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Estaria o Fabio se referindo ao fato de um bêbado ter se aproximado da nossa mesa, quando abaixou a cabeça a um palmo da minha cara, tentando olhar o que eu desenhava mais de perto, e em tom arrastado e com o mau hálito horrível, característico dos bêbados, gritou na minha orelha:

“Eu gosto muito dessas porra aí que vocês fazem!”.

Eu simplesmente fechei o caderno, guardei na mochila, e disse que isto não é “porra”. Ao insistir na conversa fiada, eu disse que ele estava me importunando, e que eu gostaria de assistir ao show em paz.

Isto virou piada durante meses, e mesmo o Fabio costumava contar este episódio aos amigos com graça e entusiasmo, imitando o sujeito quando ele gritava a plenos pulmões, no meio da música:

“Dessa música eu gosto!”

“Aaaai, que bonito…”

Ou seria a vez em que estivemos na Casa das Rosas, num Sarau de poesia, onde respeitamos sagradamente o silêncio, ao ouvir duas horas de sonolentas declamações, e justamente no momento das únicas duas ou três músicas que a banda executava, os mesmos poetas falavam ao berros, para serem escutados ao pé do ouvido de seus colegas literários?

Nesta ocasião eu me levantei, e a uma mulher inconveniente que falava pelos cotovelos, tagarelando mais alto que a música, pedi educadamente que respeitasse os músicos, o espetáculo a audiência, assim como nós respeitamos ao poetas em suas apresentações.

Foi isto que aconteceu, estes são os fatos, e quem esteve lá me viu fazer exatamente isto.

Agora, a acusação do Fabio é grave, novamente.

E se ele quiser levar isto à uma corte judicial, vai ter que provar o que escreveu.

Dizer que eu saí por “livre e espontânea vontade”, e que o clima entre os sócios se deteriorou, é outra mentira imunda, porque estávamos tão “deteriorados”, que fazíamos sérios planos de viajar no ano seguinte para New Orleans, e fazer uma semana de SketchJazz ininterrupta, no berço do gênero musical.

No momento em que ele me disse “Se você ficar, eu saio”, eu tomei uma atitude diplomática, cavalheiresca, e abri mão do projeto dos meus sonhos sob um ultimato seco e frio, como uma faca no pescoço. Aceitei a imposição totalmente contrariado, traído pelos melindres de um bom-moço vingativo e desleal.

Na verdade eu traí a mim mesmo, ao negar meus instintos e tentar a via diplomática num Golpe de Estado, porque se ele estava insatisfeito, cansado, infeliz e o projeto não seguia a seu contento, ele que fosse homem o suficiente para se demitir, e não me empurrar covardemente para fora do barco, por telefone, de sopetão.

O Fabio NUNCA me disse, pessoalmente, direta ou indiretamente, que haviam problemas de relacionamento ou qualquer descontentamento do grupo comigo ou vice-versa, até o dia deste ultimato. O que ele esperava? Que eu adivinhasse os seus pensamentos e me comportasse com os moldes que ele inventou, sem um diálogo, sem uma palavra trocada? Não, isto não existe, jamais seria possível mudar um comportamento, ainda mais sem o benefício de uma conversa racional e sensata, no tempo certo.

Somos indivíduos, únicos, diferentes. Humanos, com virtudes e defeitos.

Aliás, até poucas semanas antes disto tudo explodir, ele passou um dia inteiro aqui no estúdio, onde fizemos juntos o sketchbook preto, enorme, que ele usa até hoje. Se haviam pontos a serem discutidos, como isto não foi levantado em mais de 12 horas de boas conversas, risadas e informalidades, num clima excelente, de cordialidade e respeito, como sempre foi entre nós?

Sem contar o quadro encomendado por ele, que foi entregue na calçada do seu prédio, entre abraços, risadas e admiração mútua?

Como pode afirmar que o clima estava ruim, se nos tratávamos SEMPRE como grandes amigos?

Enfim, tudo o que eu fiz e disse, foi, e ainda é, assinado por Montalvo Machado, e eu sou o único responsável pelas coisas que digo e faço. O SketchJazz jamais seria afetado pelas minhas opiniões políticas, sociais ou religiosas.

Vivemos num país livre, e o que eu disse nas redes sociais eu digo para qualquer pessoa, ou na frente de câmeras ou de um Juiz.

Eu não nego as minhas palavras, porque posso sustentar cada uma delas.

É evidente que meus ex-sócios não tem o mesmo privilégio.

E em quase 30 anos de profissão, eu nunca assinei meu nome sobre a criação alheia, porque eu prefiro o anonimato, o ostracismo e o total isolamento dos meus colegas de profissão, ao nanismo moral e vexaminoso de se apossar do alheio em busca de notoriedade e fama.

O que está feito está feito, faz parte do indestrutível passado, como dizia Borges, e não tem volta.

Mesmo que eu diga que os dois são os criadores do SJ, e mesmo que eles se sintam felizes com isto, eles sabem, tanto quanto eu, que seria uma grande mentira.

Eu assoprei o castelo de cartas dos caras.

Alguns reclamarão que eu estraguei a brincadeira.

Outros notarão que todas as cartas espalhadas são ASES.

Estes são os fatos, e sobre outras pequenas mentiras e fofoquinhas eu nem vou desperdiçar meu tempo, ou o seu, elas não valem um trapo.

 

 

2 Comments

  1. Diggs
    Posted 10 de fevereiro de 2013 at 15:43 | Permalink

    Hahhahah… pô montalvo, foi mal eu nem sabia que estavamos falando de você nessa conversa. Fica na paz, quero seu mal não. :)

  2. leonardo Conceicao
    Posted 5 de março de 2013 at 19:14 | Permalink

    Puxa, que situação chata. Espero que tudo se resolva da melhor maneira possível.
    Grande abraço!

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