A difícil tarefa de ensinar o funcionamento da roda

Todos temos bons e maus clientes.

Há clientes excelentes, que solicitam, orçam*, negociam, eventualmente solicitam alterações coerentes, aprovam, e pagam.

Na verdade só deveriam existir clientes assim, afinal este é o processo correto, e qualquer desvio desta sequência é uma anomalia.

Mas da mesma forma que a decolagem e pouso seguro de milhões de aeronaves por dia não são noticiadas, os cases de sucesso entre clientes e fornecedores também não são comentados.

Um dia vou convidar alguns colegas e juntos faremos um workshop só de cases de sucesso, mas neste post vou falar dos clientes encrenca. Manja aqueles que tentam colar um adesivo escrito “idiota” na sua testa?

Todo mundo já teve (ou terá) clientes malandros, com propostas absurdas, ridículas ou simplesmente impraticáveis.

E todo mundo já ficou (ou vai ficar) com cara de interrogação, questionando se topa ou se chuta estas propostas.

Alguns designers prestaram um grandioso serviço aos seus colegas, ao criarem videos instrucionais, didáticos, quase pediátricos, para ensinar os clientes como não fazer feio na frente de seus fornecedores.

Os videos não são novidade alguma, na verdade já estão na web há um bom tempo, mas achei interessante e necessário compilar todos em um mesmo post.

Tudo com bom humor, amigavelmente, espirituosamente, mas o recado está lá, e estou certo que muita gente vai se lembrar de fatos reais, de ambos os lados do balcão.

A relação cliente / fornecedor no mundo real

Microsoft designs de iPod Package

A criação de uma placa de PARE

Quem precisa de designers? Use o creme “aumente meu logo”

Mas para não ser apenas um resmungão chato e antipático, quero compartilhar o video de Phillipe Starck, onde ele dá uma nova visão sobre o ofício de design, indo muito além do mundo corporativo.

Clique em VIEW SUBTITLES, e escolha as legendas em português, poupando-se do esforço de entender o inglês carregado de sotaque francês de Philippe Starck, em sua genial apresentação no TED Talks.

Agradeço aos colegas Erick Pasqua, Victor Marcelo e Wilson Matsumoto pelo link direto em português.

(*) Orçar, entre os bons clientes, significa: “Quanto custa?”. No jargão dos maus clientes costuma ser: “Para este trabalho eu posso pagar X”.

8 Comments

  1. Erick Pasqua
    Posted 18 de novembro de 2009 at 14:23 | Permalink

    Montalvo, eu apóio a idéia do workshop descrevendo casos de bons clientes, ou mesmo um post no seu blog. Acho que o pessoal de ilustração e design gráfico precisa muito disso, porque nesse meio existe - como vc com certeza já percebeu - um certo derrotismo do tipo “nossa vida é dura mesmo, vamos rir disso”.
    No começo é engraçado, mas a gente de tanto reclamar acostuma, isso é perigoso. Mesmo no seu blog, depois de tantos protestos contra concursos picaretas, iria ser um alívio ver um post falando de casos bem sucedidos (inclusive dos chamados “iniciantes”!)

    Legal vc ter compilado todos esses vídeos juntos, também costumo compilar tudo numa pasta aqui no pc que serve pra manter minha cabeça no lugar, nela tem todos esses vídeos, guia do ilustrador, posts de blogs…
    O do sinal de pare foi novidade pra mim, hilário! Mas a gente não pode parar por aí, na risada, tem que haver uma catarse, levar a idéia adiante. Isso parece ser o mais complicado.

    Bora desenhar no museu do ipiranga.
    Abraço.

  2. Erick Pasqua
    Posted 18 de novembro de 2009 at 15:18 | Permalink

    Achei uma versão do vídeo do Starck com legendas em português, em duas partes no Youtube.

    Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=wHCbERARJcw

    Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=NOmO6LrNqMs

  3. Posted 18 de novembro de 2009 at 17:56 | Permalink

    Olá, Montalvo!

    O vídeo do Philippe Starck é realmente muito bom.
    Já existe, inclusive, uma versão legendada no site do TED:

    http://tiny.cc/NhxEJ

    P.S - Os outros links tb são impagáveis!
    Espero que melhorem o comportamento de alguns clientes que estão por aí. : )

    Abs,
    Victor M.

  4. Posted 18 de novembro de 2009 at 18:48 | Permalink

    Montalvo!
    Maravilha de post. Deveria fazer um Guia do Cliente no formato do Guia do Ilustrador. Seria muito útil para clientes que não sabem (mas querem) “comprar” esse tipo de serviço (ilustração e design).
    Ah! O video do Phillippe Starck está legendado no site do TED. mais fácil, neh! Porque foi dificil entender um francês falando inglês! rsrs.
    Abs.

  5. Posted 18 de novembro de 2009 at 19:39 | Permalink

    Oi, Montalvo.
    De fato, seria benéfico para muitos profissionais ouvir boas histórias de vez em quando. Eu guardo com carinho no coração (e na poupança, lá no banco) os trabalhos feitos com bons clientes. Eles existem, eles pagam bem, eles respeitam nosso trabalho, e me dão forças para não sucumbir em meio a tanta malandragem. Mas são tantas histórias de sacanagens escalafobéticas, que tem muito ilustrador e designer aceitando gato por lebre porque acha que é só isso que existe no mundo. E de quebra, esses mesmos xingam quem busca alguma coisa boa no mundo, porque eles não conseguem enxergar a possibilidade de bons trabalhos em lugar nenhum. Agora, e a vontade de mandar os videos para alguns transeuntes específicos…? Hehehe…

    Abraços!

  6. Posted 18 de novembro de 2009 at 20:15 | Permalink

    Ótimo post, Montalvo.
    Eu apoio o idéia do Guia do Cliente. Quem sabe assim nosso trabalho é respeitado e nossa competência também. É uma grande tristeza pensar que estamos apenas “operando máquinas, pincéis, lápis…”, que somos apenas ferramentas e que nosso potencial criativo não é valorizado. Pior ainda, quando além dessa desvalorização toda, nos dão um preço, uma verba fechada, como se fossêmos famintos, a procura de uma migalha qualquer para poder trabalhar. Na verdade, quando permitimos que isso aconteça, estamos nos anulando como profissionais. É difícil lidar com isso, frustrante. Eu não quero pensar que sou uma “encrenqueira” porque a maioria esta fazendo do jeito errado e uns e outros por aí preferem aceitar que o mercado é assim mesmo. Eu prefiro ser a encrequeira que tem um pensamento crítico sim, a respeito do que eu faço, do quanto vale, do que acho respeitoso e profissional, do que acho das atitudes erradas dos clientes que não sabem valorizar nosso trabalho e pior ainda, dos próprios profissionais que acham que brigar por melhores condições de trabalho, criar grupos para posicionar nossa profissão, divulgar essa união e principalmente divulgar nossos direitos enquanto ilustradores, designers, diretores de arte, etc…é em vão. Nota zero para clientes sem noção e folgados e nota -0 para profissionais que se auto sabotam.
    Um abraço.

    Suelen Dias.

  7. Posted 15 de março de 2010 at 11:36 | Permalink

    Olá Pessoal!

    Parabéns por esse ótimo post.
    Me ajudou a refletir sobre vários aspectos do meu
    trabalho como webdesigner e produtor musical.
    Ah achei muito interessante o video do TED com as
    legendas. Como posso fazer isso com alguns vídeos que
    gostaria de postar com tradução em algumas linguas.
    O flash payer que utilizaram foi produzido especialmente
    ou é uma ferramenta disponibilizada?

    Muito obrigado

    Abraço a todos

  8. Posted 18 de março de 2010 at 10:07 | Permalink

    - Carlos, obrigado pelo comentário. Eu usei o http://www.overstream.net/ que é um gerador de caracteres para filmes que estão online, como no YouTube. Ele hospeda o video, dá link para embed e pode exportar os códigos de legenda para aplicar nos seus filmes do YouTube.

    Abraços e boa sorte!

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