Caros,
Enquanto alguns tentam evitar que a profissão de ilustrador vá para o esgoto, outros enfiam a própria cabeça na privada e puxam a descarga.
O que dizer de um concurso pseudo-cultural para ilustradores, que oferece TRABALHO como prêmio?
O que dizer de muita discussão, e-mails e debates acalorados, que resultaram na Livraria da Vila cedendo à pressão e oferecendo o irrisório e risível valor de 1% sobre as vendas da publicação, a título de “melhoria” da proposta?
O que dizer de duas ilustradoras profissionais, associadas da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - participando da banca julgadora, coniventes e favoráveis com este absurdo?
Eu tenho o que dizer a este respeito: Vou participar do concurso.
O tema é “conto de fadas”, e para concorrer ao patético prêmio o infeliz tem que enviar 3 imagens originais, diferentes entre si, sem qualquer garantia que as imagens vencedoras serão publicadas, ou que ao menos os originais sejam devolvidos, a não ser que o candidato pague pelo reenvio.
Ainda há outra restrição: Somente poderão participar do Concurso apenas aqueles que não possuírem um livro publicado com ISBN, ou seja, a Livraria da Vila quer caçar novos talentos, mas eles terão que ser “virgens”, no sentido profissional da palavra.
(O concurso foi cancelado e o erro na sua elaboração foi reconhecido pelos seus criadores. Desta forma, o propósito do meu protesto deixou de existir. As imagens foram retiradas deste blog, e sem a realização do concurso, não terão necessidade de ser enviadas)
Eu sei que uma imagem vale mais que mil palavras, mas como eu sou um prolixo incurável, eu também preciso delas para me comunicar.
Este é o texto que enviei para cada um dos executivos da Livraria da Vila, do presidente aos estagiários, através deste link, com todos seus e-mails.
Caros senhores,
Este concurso “cultural” tem a intenção clara de leiloar uma série de ilustrações pelo preço mais baixo possível.
Estes pseudo-concursos são uma estratégia de marketing da pior espécie. São concorrências profissionais travestidas de “oportunidade”, criadas com a única intenção de baratear custos internos, às custas da ilusão dos menos experientes.
Como cliente da rede, eu me sinto traído, porque eu não questiono os valores cobrados pela loja, eu frequento, consumo e gasto meu dinheiro com vocês, compro livros, presentes e refeições, minha esposa e meu filho sempre tivemos prazer em estar no ambiente das lojas.
Como micro-empresário, suponho que os negócios devam estar indo bem, porque do contrário vocês estariam fechando lojas, ao invés de inaugurar novos palácios da literatura nos bairros mais caros de São Paulo.
Como profissional de ilustração, me sinto desrespeitado, e sinto que vocês também não se dão ao respeito, considerando que qualquer amador seja capaz de ilustrar uma edição literária, mediante a isca insignificante de 1% dos lucros sobre as vendas, em um concurso leonino, draconiano, muito pior que o pior dos contratos.
Atenciosamente,
Montalvo Machado
ilustrador - SP


27 Comments
Caro Montalvo,
já há muito, penso que deveria existir algum mecanismo na lei que enquadrasse esse tipo de concurso no artigo 171, que diz ser crime alguém obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
Concordo que participar ou não desses concursos é livre arbítrio, mas o foco do regulamento demonstra claramente que eles querem corromper ‘crianças e inocentes’.
Parabéns pelo texto.
Um abraço:
Morandini
Apesar de ser uma infelicidade o fato, não pude conter as gargalhadas ao ler sua singela carta aos organizadores da armadilha, digo concurso. Dedo pra eles!
Vixx…eu sou virgem/inexperiente no ramo….e quase caí nessa.
Nossa, não tinha pensado por esse lado MESMO.
A galera apelou feio…
Valew por me abrir os olhos, Montalvo
Caro Montalvo,
Aplausos de pé para seu texto de protesto contra mais um concurso aviltante.
Mandou bem, matou a pau, acertou na mosca. Foi preciso, certeiro, falou aonde dói.
Sobre a imagem que você enviou para eles, só uma palavra pode descrevê-la: genial.
Aliás peço permissão para publicá-la no meu blog, com link para o seu post no Sketcheria.
E que o seu post seja retwitado à exaustão!
O mais absurdo disso tudo, é que tem um monte de ilustradores achando que trabalhar de graça vale à pena… Afinal, terão ‘exposição’. Oras, esses concursos existem justamente porque está cheio de bobocas acreditando nessa ladainha. Quem disse que aparecer é sinônimo de sucesso na profissão?
Realmente está dificil ver uma luz no fim do túnel.
Parabéns pela atitude.
Morandini - Seria um grande benefício social se alguém conseguisse enquadrar estes concursos pilantras como artigo 171, o que eles já são, pela sua natureza ardilosa. Quem sabe um dia…
Walter - Só nos resta expor os inimigos ao ridículo, esta é a nossa única arma, e vale lembrar, ela é bem eficaz. A ex-secretária da cultura de SP, Cláudia Costin, já chorou com O Pasquim nas mãos, onde ela era o alvo da chacota.
Renata - Eu é que agradeço pelo comentário, fico feliz em poder ajudar de alguma forma.
Alessandra - Obrigado pelas palavras, era esta a intenção. A imagem é um rascunho, pode postar, mas volte para ver a final, que vou colocar no mesmo lugar, ok?
Mônica - Enquanto existir otário, esperto não passa fome. O mesmo acontece entre viciado e traficante. Eu desejo um fracasso retumbante para este concurso, mas posso quebrar a cara se algum jovem talentoso matar a pau, cavando assim um pouco mais fundo a cova da profissão destinada aos ilustradores, incluindo o vencedor do concurso.
Queiroz - Eu vejo… olha a luz no fim do túnel… corre que é o trem chegando!
Genial!
Ainda bem que o mercado tem profissionais como você. Sou seu fã e tenho seguido seu exemplo ao máximo.
Putz.
Para mim a pior parte é saber que tem dois profissionais da área ligados a SIB assinando embaixo de uma coisa dessas.
Sempre vi a Sociedade de Ilustradores do Brasil como uma espécie de porto seguro, local até de onde, eu pela minha pouca experiência no mercado, tirava referência a respeito de valores e postura profissional.
Fico sem saber o que pensar…
É desestimulante saber que tem pessoas, que deveriam ser sérias, apoiando a manutenção do mercado editorial de ilustração brasileiro como está hoje.
realmente a luz no fim do túnel é a do trem)
- Rafael, obrigado pela sua confiança, eu tenho me esforçado para cumprir a minha parte, e uma mensagem como a sua me indica que meu esforço não é em vão.
- Caetano, este é um problema sério, crônico, repetitivo, mas totalmente contornável. Outras tantas boas novidades estão acontecendo, e sinceramente, nós estávamos todos precisando delas mais do que nunca. Vamos enfrentar os problemas de cabeça erguida, confiantes que a solução, apesar de distante, é viável e chegaremos lá, talvez ainda nesta encarnação, hehe. Vamos manter o foco e também ter prazer nas nossas conquistas, que não são poucas.
Um dia daremos muitas risadas destes tempos estranhos, como sempre acontece depois que passa o medo, e o perigo não é mais iminente.
Fala, Montalvo, tudo bem?
Pena que voce seja recebido de volta ao Brasil com a noticia de tal concurso sendo divulgado.
E que bom que voce esta de volta a tempo!
Postura corajosa, rara de se ver por estas terras, e deve ser reconhecida e recomendada.
Sobre o trabalho, achei lindo: luzes e sombras se misturam a ponto de os olhos menos treinados nao conseguirem distinguir bem e mal. A inclusao de elemento erotico no universo pueril dos contos de fadas fez-se de modo ludico e jocoso. Ate me lembrou das cantigas de escarnio que denegriam a imagem dos quem mereciam em tempos medievais, quando princesas e castelos de arquitetura duvidosa povoavam a paisagem da Europa setentrional.
“The Night is Darker Before the Dawn”, diria um barbudo mago, choroso ao ler certo edital.
Enfim, belissimo desenho, principalmente por mostrar uma grande virtude do bom ilustrador: trabalho MUITO ADEQUADO A PROPOSTA!
Besteirol e falta de acentos a parte, parabens mesmo pela acidez a servico da arte.
Já mandei o meu tijolo e estou trabalhando na ilustra do dedo. >:)
Segue o e-mail que enviei para eles:
“Caro sr. Isaias,
Venho por meio deste expressar minha indignação com o I Concurso “Cultural” promovido pela Livraria da Vila.
Esse concurso, que nada mais é do que um “processo seletivo” para conseguir um trabalho de ilustração por um preço ridículo, é uma ofensa para a profissão de ilustrador, que já sofre para se sustentar no Brasil.
Quanto ao “prêmio” oferecido, talvez vocês nunca tenham tentado negociar participação de lucros com editoras. Qualquer editor do país iria recusar dizendo que existe uma possibilidade (bem grande, afinal, quantos brasileiros tem o hábito de ler?) de ENCALHAR!
E caso você tente argumentar que o artista ganhará “exposição” só digo isso: vá ao supermercado, faça uma compra bem grande (algo como R$300,00 de compras) e diga que não vai pagar, mas vai andar com as sacolas a mostra pela cidade inteira e divulgar a loja. Se você não fosse preso, seria caçoado. E com razão.
Talvez esse filminho ilustre bem o que quero dizer:
http://pioresbriefingsdomundo.blogspot.com/2009/06/mais-um-filminho.html
Sugiro que o senhor reveja as regras de seu concurso e, caso queira uma orientação, que tal tentar PAGAR o vencedor do concurso?
Sem mais,
Ana Zugaib”
Gostei do Alerta, Montalvo para mim é um ícone na área dos Ilustradores brasileiros, vem demonstrando cada vez mais sua importância no mercado e para nós novatos…
Ri demais com as artes, pretendo fazer o mesmo, desenhar contos de fadas com os dedos a mostra e mandar… tbm quero mandar meu recado ahuahuuahuahua
Ótima sua resposta, só temos a lamentar que a Livraria da Vila tenha tão pouca visão e que desrespeite desta forma os autores ilustradores. Uma pena também as moças da SIB não terem aproveitado a oportunidade pra trabalhar na formatação de um concurso que mereça a atenção, e não o repúdio, dos ilustradores. Será que elas estão ganhando algo pelo trabalho de julgamento? Duvido…
Sabe quando surgem uma daquelas idéias que julgamos ótima, que todo mundo vai gostar, vai dizer “que bacana, como nunca ninguém pensou nisso”? Pois bem, tal idéia surgiu de um papo meu com o autor Ilan Brenman: realizar um concurso para ilustradores que ainda não haviam publicado trabalhos. A Brinque-Book foi consultada e aderiu ao projeto.
Definiu-se que a editora publicaria um livro com texto do Ilan e ilustrações do vencedor, e a este caberia um valor de 1% sobre a venda daquele livro.
O que parecia tão bacana virou um pesadelo. A Livraria da Vila –que é bom ressaltar, não ganharia um único centavo com o concurso, até porque nosso objetivo era o de criar um projeto que fosse bom para todos- transformou-se em alvo de críticas, a nosso ver, no mínimo exageradas.
Podemos ter cometido erros de avaliação, de conteúdo, até de julgamento. Quem nos conhece, porém, sabe que não podemos ser acusados do que fomos e, principalmente, da forma que o fomos. Reconheço e respeito o direito de as pessoas se manifestarem e discordarem. Mas, julgo eu, há maneiras e maneiras de isso ser feito.
Tenho 55 anos e posso afirmar que nunca tive meu caráter questionado. Ou por extensão da empresa em que atuo.Não é fácil construir uma vida e ler o conteúdo que foi espalhado com a velocidade hoje permitida, inclusive a todos os nossos funcionários (que, aliás, encaminharam seus e-mails com notas de protesto ao texto e solidariedade às nossas intenções).
Mas, conforme disse ao Montalvo em resposta ao e-mail dele, ontem à noite, não tenho nenhum problema em reconhecer erros e pedir desculpas a quem ofendi –que é o que faço agora-, e informar que o Concurso de Ilustrações está cancelado.
Não desistimos da idéia. Aguardo sugestões de como devemos formatar um Concurso que cumpra adequadamente seu objetivo.
Obrigado. Abraços. Samuel Seibel.
Caro Montalvo…
Parabéns pelo manifesto (Gostei muito das imagens)!
Parabens pelo seu empenho e trabalho em prol da categoria(de além de, claro, ser um grande profissional).
Assino embaixo de suas palavras apoiando este protesto, contra esta falta de vergonha!
abraço
Eu tou passando por uma situação dessas na Folha de São Paulo! Acho um absurdo uma empresa tão grande e conceituada tratar com tanto descaso uma ilustração!
Samuel Siebel, da Livraria da Vila, escreveu para a SIB para informar que o concurso, “nos moldes em que foi proposto”, foi cancelado. Ele escreveu ainda para pedir orientação e algum debate sobre como proceder em relação ao assunto.
Eu sugiro que eles dêem 2% de direitos autorais mais uns 5 ou 6 paus para o cara ilustrar o livro. E assim poupa-se o tempo de debates.
caro montalvo….,nao pude deixar de comentar o quanto foi e fe de total infelicidade o que e esse concurso…..ridiculo e pouco….o problema e que um monte de molecada inexperiente e alguns profissionais da area e com muito talento cai nessa palhaçada …..e mesmo revoltante
Caros todos,
A leitura, a reação e os comentários de todos neste blog, inclusive a argumentação do Sr. Samuel Siebel, demonstra que o assunto foi debatido amplamente, e se chegamos a um ponto em comum, foi porque discutimos nossos problemas baseados no bom-senso e na racionalidade.
Talvez um tanto apimentado pelos meus textos, mas ainda assim dentro do contexto.
Agradeço a todos pelo interesse e pela evolução da argumentação. Mesmo discordando em certos pontos, chegamos a um meio-termo saudável, e mantivemos o debate dentro do respeito e da civilidade, o que é uma conquista por si só.
O concurso foi cancelado, e as falhas no seu planejamento foram reconhecidas.
Espero que isto sinalize o amadurecimento e evolução das relações entre contratantes e contratados, e que tenhamos todos avançado em direção à melhores relações comerciais no futuro.
Abraços a todos.
Parabéns Montalvo…
Atitude 100% apoiada!!!!
Confesso que quando soube do concurso achei o lance estranho tb. Não acredito q trabalho devia ser premiação, não mesmo. Conheço ilustradores que sustentam familia com sua profissão e acho isso realmete um problema. Mas mesmo consciente disso eu ia participar sim do concurso e antes de ser tachado de moleque imbecil ou qualquer coisa do tipo que eu li anterirormente em alguns comentarios bem inconsequentes eu vou me explicar. Alias eu queria dizer as pessoas que fazem comentarios ofensivos genéricos sem pensar para tomar um pouco mais de cuidado, já que sempre eles atingem alguem.
Tb queria dizer q de forma algumo condeno sua atitude Montalvo, pois sempre acompanho as conversas aqui no blog e realmente tiro o chapéu pra vc. Tb acho q vc tem razã nas críticas que fez.
Mas agora pq apesar de tudo eu ia participar do conscurso, mesmo não sendo um moleque imbecil. Justamente pelo fato de que não poderiam participar ilustradores com livros publicados já, encarei isso como uma forma de não desrespeitar quem já trabalha na area faz tempo, mas como fica quem ta tentando entrar na area . Faz quatro anos q tento de todos as formas entrar em contato com editoras pra mostrar meu trabalho… e faz quatro anos q não consigo nada de nada, nem q olhem meu trabalho. Das vezes q fui pessoalmente não consegui passar da recepção… e todo mundo sabe como as coisas funcionam… num adianta fazer de conta q não, mas sem contatos nada feito e eu não tenho contatos, por isso faz quatro anos q nada feito.
Confesso q tava bem de saco cheio… não achei os moldes do concurso corretos, não mesmo, não sou ingenuo assim, mas vi nisso uma chance de alguem do meio editorial ver oq eu faço e pareceu a unica coisa q eu ainda não tinha tentado. Desde q enterei na faculdade penso em ilustrar livros e confesso q sempre trabalhei pra isso. Atualmente faço freela pra marcas de roupa, oq não é muito satisfatório (nem financeiramente nem profissionalmemte).
Não pretendia ofender ninguem participando do concurso, só queria uma chance, nem esperava ganhar em hipótese alguma, só queria q vissem oq faço. Já q de outras formas eu não consegui. É foda tentar trampar num meio em q fazer social parece vir antes do trabalho. E eu não me dirijo de forma alguma á pessoas como o Montalvo ou o Alarcão q já tão no mercado faz tempo… mas realmente acho q antes devia ser diferente até pela oferta de ilustradores… acho q antes chegar na editora com portfólio embaixo do braço bastava pra ser visto… hoje as pessoas não despendem 5 minutos pra olhar dez imagens… Mas se vc conhece uma meia duzia de nomes tudo muda.
Sei lá. Sei q todo mundo tem familia e conta pra pagar e tb sei q a profissão deve ser respeitada. Tenho 23 anos, to terminando agora a faculdade e tentando começar minha familia com minha namorada q tb esta na correria de fazer ilustração. Acho q eu só queria q alguem pelo parasseolhasse oq eu faço, nem q fosse pra dizer: “moleque volta pra mecanica de usinagem q vc ganha mais”
enfim finalizando que eu me estendi por demais mesmo, acho q se queremos q a profissão seja respeitada devemos primeiro nos respeitar, as pessoas tem motivos maiores as vezes pra fazer certas coisas e sair chamando os outros de moleque boboca é uma grosseira desnecessária, além de ignorancia pura e simples. Como falar de respeito pela profissão se nem existe respeito entre os q a exercem?
Caro Henrique,
Obrigado pela longa mensagem, que li de ponta a ponta.
Este é assunto para muitas horas, de preferência ao vivo, mas vamos lá.
As editoras estão recebendo TODOS os novatos de braços abertos, inclusive a Abril, com suas centenas de publicações. Eles fizeram diversas edições do Ilustrando em Revista, com análise de portfolios de norte a sul do Brasil, à procura de novos talentos. Acharam muitos, que hoje publicam direto para eles.
A que valores eu não sei, mas publicam.
As outras editoras precisam de fornecedores, e qualquer um que estiver fazendo os contatos corretamente será recebido, ainda que seja por 10 minutos, tempo suficiente para apresentar seu trabalho.
Belíssimo trabalho, aliás. Estive no seu Flickr e adorei suas imagens.
Precisa mostrar, precisa persistir, perseverar.
Seu trabalho é excelente, para que entrar em concursos-roubadas? Quer ser explorado, trabalhar mesmo que seja de graça?
Tá errado! Está fazendo um mal para você mesmo e para seus colegas de profissão.
Aos 23 anos eu era um moleque idiota. Fui um moleque idiota aos 32, ao entrar na Abril e assinar contratos aos montes, ilustar para eles sem pensar em valores, até tomar na cabeça com republicações do meu trabalho sem qualquer pagamento. Estava no contrato, com minha assinatura. Vou reclamar para quem? Para o Papa, se quiser, porque eles estavam legalmente cobertos, o idiota fui eu em assinar qualquer coisa.
Isto foi em 2002, quando eu decidi parar de ser um moleque idiota, aos 36 anos de idade.
Quando chamo de moleques idiotas os que se inscrevem em concursos fuleiros, ou que assinam contratos leoninos nas editoras, ou que trabalham “no risco”, falo com toda a propriedade e autoridade de quem já foi um moleque idiota por muito tempo, até que aprendi a lição.
Eu tento alertar as pessoas que há um buraco adiante, porque já caí nele e já saí dele várias vezes, mas alguns não me escutam, querem ver se tem buraco mesmo, se é fundo mesmo, se dói mesmo despencar dentro dele.
Acredite, é fundo, e dói.
Se quiser conferir, vai lá, se inscreva em todos os concursos travestidos de “oportunidade”, achando que aparecer vai abrir as portas do mercado, e o sucesso virá sem esforço, só porque um pobre iludido ganhou um concurso.
Depois de perder seus direitos sobre as imagens inscritas, despediçar tempo, talento e material para se inscrever, e mesmo se vencer verá que foi usado e não conquistou nada com isto, e se tocar que teve um monte de gente que ganhou uma nota preta nas suas costas e te deixou apenas com umas migalhas e tapinhas nas costas, verá que eu tenho razão, e tudo isto seria evitado se tivesse entendido a minha mensagem logo de cara.
Mas tem gente que prefere sofrer, amargar a duras penas trilhando o próprio caminho, apenas para ter a experiência pessoal, sentir o gosto da derrota por conta própria, ao invés de escutar quem já fez tudo isto antes.
Certas coisas nunca mudam, meu caro:
Não há atalhos no mercado.
Não existe almoço grátis.
Nenhum contratante é bonzinho, ingênuo ou inocente nesta selva.
Seu trabalho é de um profissional de qualidade, você é talentoso, tem um senso de design e uma personalidade que muitos não alcançaram depois de uma vida inteira, e a única coisa que está faltando é contato físico, olho no olho, com seus futuros clientes.
Insista, ligue para eles, marque entrevistas, leve seu portfolio, deixe um cartão de visita, um postal, um impresso caseiro, qualquer coisa, e o trabalho virá.
Conheça seus colegas de trabalho, vá ao Bistecão, ao Sketchcrawl, aos encontros, vernissages, inaugurações, workshops, palestras, enfim, conheça pessoas.
Não estou sugerindo que faça social com quem você não gosta, mas sem conhecer gente do mercado (clientes ou não), ninguém vai saber que você existe.
Ter imagens no Flickr é importante, mas insuficiente para trazer trabalho para sua mesa.
Você não precisa de concursos para publicar, você precisa apenas ser profissional, e para isto é necessário sair de casa, conhecer gente, ser visto em carne e osso.
É assim em SP, em NY, em Londres ou na Conchinchina.
Não tente reinventar a roda, nem desista sem ter tentado.
Faça seus contatos e vai chover na sua horta, acredite.
Abraços,
Montalvo
Montalvo, o mundo dos ilustradores profissionais seria muito melhor se todos fossem como voce.
Com certeza te apoio 100% nessa questao do concurso.
Eu participei de varios concursos que nunca levaram a nada, mesmo vencendo alguns.
O lance pra conseguir trabalho realmente, ‘e ter talento e fazer o tal do Network, aparecer e ser visto.
Mas tem uma boa opcao tambem pra quem nao gosta muito do network, ou nao tem abilidade pra fazer isso.
A internet.
Tem varios sites na internet onde voce pode arrumar trabalhos no exterior onde eles valorizam mais a arte, alias essa foi umas das razoes de eu ter saido do Pais.
Claro que tem muito malandro na internet taambem, mas se a galera pesquisar e trocar ideia direito antes de fecahr qualquer trabalho, pode faturar muito mais do que ficar tentando mostrar portfolio em editoras.
Cara voce ‘e meu idolo, adoro seu trabalho e seu profissionalismo.
Continue o otimo trabalho!!
Abraco,
Rod.
Eu vi o anúncio desse concurso na comuna do orkut “Desenhistas procura-se”.
Pensei até em me inscrever. Mas pesquisei sobre o escritor e média de valor dos livros: R$ 17,50 a 37,50.
Supondo na melhor das hipoteses:
R$ 38,00 (lançamento) x 1% = R$ 0,38/livro.
Se vender de cara 1000 exemplares, você “fatura” = R$ 380,00!!
Sou inexperiente na profissão (ganhar R$ desenhando), mas é algo de desaminar qualquer um…
Abraço e parabéns por escrever sobre o assunto.
Eu quase nunca entro em blogs e coisas do genero*ainda aprendendo a iver ¬.¬*, mas amei o texto q acaba d escrever ..ceus..eu ia participar desse concurso..mas nem participei..nao sabia dos detalhes nem nada…
Nao sabia q tdo era uma lorota @_@ caramba, aplaudo de pes tb o q vc escreveu a eles!
hunf..aqui n vila romana so tem gente cm $$ mesmo..eles querem eh explorar os outros e ganhar mais e mais…mas q isso realmente foi um absurdo…mas muito obrigada pela informaçao.Eu emsmo sou iniciante em freelance…caio numa dessas bem facil..obrigada pla informaçao =D
JENNY *Alegria-Alegriaa*
É, tenho que concordar, já cai numa dessas há alguns anos, e a minha sorte não está preso a um contrato legal (?) com uma editora, É triste dizer ou não, mas temos muito trabalho sério à fazer, se a nossa arte supostamente não tem valor no mercado, então não faz mal que pertença a gente, e o nosso sustento depende da licença de uso de imagem,você não emprestaria seus documentos para todo mundo finaciar coisas que nem você sabe o que é, não é verdade?, seu trabalho é a sua indentidade.