Diário de bordo - Illustration Academy - ART is undead

Ontem tivemos a demonstração da ilustradora Andrea Wicklund, que provou que não é o domínio do software que faz a carreira de um ilustrador, e sim o que ele é como artista.

Ela é uma desenhista compulsiva, pintando desde criança em papéis espalhados pela casa por sua mãe, para tentar salvar as paredes, porque se não tivesse papel qualquer outra superfície branca imediatamente seria promovida à “suporte artiístico” para a pequena Andrea.

Ex-estudante da Illustration Academy há 5 e 6 anos (uma curiosidade: a maioria dos ilustradores fizeram a Academia uma segunda vez, em anos consecutivos, mas isto é assunto para um futuro post), ela é jovem, bonita, e gosta mesmo é das tintas. O mundo das artes digitais é uma realidade um tanto nova para ela, mas ela desmantelou o paradigma da excelência técnica ontem, em sua demonstração.

Ela sabia onde chegar com a imagem, como chegar e matou a pau.

Esta foto, tirada no escuro da sala de projeção, não retrata nem de perto a qualidade da imagem original, mas o conceito é claro:

ART is undead.

Aliás, este é um assunto recorrente aqui. A ilustração morreu? Está morrendo? Vai morrer?

Mark English disse que este papo de “ilustração morreu” começou nos anos 60, e vem se repetindo, sem confirmação do falecimento até hoje.

Há 15 anos a Illustration Academy é uma entidade viva, pulsante, energética, com dezenas de alunos e dezenas de artistas do mais alto calibre, reunidos por 7 semanas, 7 dias por semana, de 12 a 18 horas por dia, dependendo da dedicação dos estudantes.

Muitos destes alunos, como Robin Eley, Edward Kinsella, Doug Chayka, John Hendrix, Jim Burke, Ernesto Nemesio, Kevin Chen, Scott Henderson, Alexander Klingspor, entre tantos outros, se tornaram muito bem sucedidos nacional e internacionalmente, e um deles, Sterling Hundley, é hoje um dos mais solicitados e reconhecidos ilustradores dos Estados Unidos.

Ele se tornou uma lenda entre artistas jovens e veteranos, e aos 30 poucos anos já recebeu 3 premiações na Society of Illustrators e tem seu nome entalhado no Hall da Fama da ilustração, ele já faz parte da História.

Nada mal para uma profissão que está no leito de morte muito antes de eu nascer, e olha que eu já passei dos 40.

A dona Ilustração, por incrível que pareça, me parece bem bonita e saudável do meu ponto de vista.

Uma coroa muito gostosa, me atrevo a dizer.

Esta respeitável senhora ainda vai nos trazer muitas alegrias, e certamente vai continuar nos servindo, generosamente, o pão nosso de cada dia por muitos anos.

2 Comments

  1. Fabio Moraes
    Posted 12 de julho de 2009 at 2:02 | Permalink

    Extremamente importante esse post. Se por ai essa questão é tema de discussão séria, por aqui em terras tupiniquins, muitos acreditam que se uma caixa de laranjas der mais lucro que uma ilustração, sem dúvidas eles preferem as laranjas. Por incrível que pareça, eu ouvi essa besteira de um pseudo editor.E pra mim gente assim tá se lixando se a ilustração viva ou morra, desde que consigam seu lucrinho a mais pagando a menos por uma arte original.
    Mas graças aos céus, nós que fazemos e muitos outros que apreciam arte, damos sempre nosso quinhão de alento a nossa musa ilustrada, mesmo que esse alento não se reverta em um centavo sequer.
    Fazemos o que fazemos por amor a nossa profissão, por nossa incessante vontade de criar e aprender e se depender de gente do nosso tipo essa coroa gostosa vai existir pra sempre ilustrando nossa vidas.

    Abração

  2. Posted 12 de julho de 2009 at 11:34 | Permalink

    Oi Fabio,

    Este assunto eh requentado, mas sempre me incomoda muito quando alguem diz que a ilustracao morreu. Nao que isto mate a ilustracao, o que eh simplesmente impossivel, devido a necessidade do mercado por imagens que nao sao possiveis de outra forma, mas porque cria um ruido entre os que nos contratam, formam uma opiniao negativa que causa prejuizo aos que vivem deste trabalho.

    Eh um dano pessoal e profissional, e eu defendo meu ganha-pao com unhas e dentes, e tenho um arsenal de argumentos apontados para quem falar mal da minha profissao, do meu sustento, da minha paixao.

    O cinema nao morreu por causa da TV, o VHS nao morreu por causa do DVD, nem o vinil morreu por causa do CD.

    O Mark English escuta isto desde os anos 60, e ilustra ate hoje. Sao mais de 50 anos de carreira, e muito bem sucedida, por sinal.

    Nao vai ser agora que a ilustracao vai morrer, so porque um ou outro falou bobagem.

    Da nossa parte esta fascinante senhora esta sendo bem tratada, com respeito, admiracao, vitalidade, e no que depender de mim, a longevidade dela esta garantida.

    Eu tenho muita ilustracao a fazer, e espero passar muitos anos da minha vida em companhia desta generosa senhora, a Ilustracao.

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