Sketchbook vale-tudo

Tenho um sketchbook que começou meio tímido, comportado, até que eu decidi me aventurar nele de uma forma até então inédita. As páginas mais contidas do início vão dando lugar para um verdadeiro vale-tudo: rabiscos sem-noção, colagens, cores prensadas com restos de tinta a óleo que sobraram na mesa de vidro, pinceladas de tinta em pó “xadrez” misturada com cola branca, garranchos e desenhos colados uns por cima dos outros.

Criar imagens neste caderno tem sido um exercício de liberdade, a ordenação do caos, e a recompensa é uma surpresa que me dou a cada nova página realizada.

Os sketchbooks para mim hoje são mais do que cadernos de desenho, eles carregam um conceito, uma metodologia e uma motivação únicas. Tudo que eles representam, em forma e conteúdo, e a extensão praticamente infinita de suas possibilidades criativas me foram apresentadas como num ritual de passagem, depois de 20 anos de ilustração “comportada”, na falta de um termo melhor.

O Xamã que me trouxe a este novo estado de consciência é o colega Renato Alarcão, durante um de seus workshops/oficinas chamados de “Diário Gráfico”, e desde então a investigação e a procura do novo tem sido um prazer imenso, com a alegria de uma criança brincando descalça no quintal.

Imagens do filme “Buena Vista Social Club”, algumas à lápis e bic, outras com marcadores de ponta de feltro.

Estudo tonal com grafite, que serviu de base para pintura do tucano em pastel, para a Mangue Galeira de Paraty.

Fiz este desenho do Jeff Healey primeiro com caneta bic, meses depois fechei com cinza e branco, usando canetas Posca. Pouco tempo depois que terminei esta imagem, li em uma revista que o guitarrista canadense havia morrido. Ele sempre foi um dos meus músicos preferidos, e sua perda será muito sentida.

Aqui usei todo o meu vocabulário de russo, todas as 5 palavras que sei neste idioma. Agora só falta aprender a escrever direito, no alfabeto da ex-URSS.

Pescando desenhos com uma bic, sem referência alguma, olha só quem aparece no papel: o Renan!

Recém chegado de uma viagem à Bahia, algumas imagens sairam no papel quase sem querer. Na colagem, duas imagens da Monica, trabalhando no sofá da sala, no laptop.

Aqui já virou o samba-do-crioulo-doido, com colagens sobre desenhos antigos, desenhos novos sobre estampas pintadas com spray prateado, stencils feitos a partir de rendas cearenses, letterings pintados com penas artesanais, recortes de diversos lugares, inclusive o logo original aqui do blog, que já achou seu lugar no sketchbook vale-tudo.


2 Comments

  1. Posted 5 de novembro de 2008 at 17:09 | Permalink

    Lindo demais Montalvo! Técnica abraçada ao espírito! Abraço gigante!
    PS.: onde é que vai parar aquelas fotos que você fez no ultimo bistecão?

  2. Posted 7 de novembro de 2008 at 9:27 | Permalink

    Olá Renato, obrigado pela gentileza do comentário! Acabei de descarregar as fotos da câmera, e vou atualizar o blog do bistecão neste fim-de-semana. Depois passa lá pra conferir, ok? http://bistecaoilustrado.wordpress.com/

One Trackback

  1. [...] mas essa merece, o blog “chupado” é o do Montalvo Machado e o assunto é o universo da sketcheria e o evento de [...]

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