Monthly Archives: fevereiro 2010

Bistecão Ilustrado na sexta e Sketchcrawl no sábado.

Desta vez vamos movimentar algumas centenas de pessoas em dois eventos consecutivos, quase emendando um no outro, porque o Bistecão vai até as 4 da matina, e o Sketchcrawl começa neste sábado às 10:00.

Imagina só: 8 horas no primeiro e pelo menos 10 horas no segundo.

Eu quero ser o primeiro a chegar e o último a sair dos dois!

O Sketchcrawl acontece em mais de 100 cidades no mundo todo, e em São Paulo a moçada vai se encontrar no Parque da Luz, no centro da cidade, a partir das 10:00hs. O plano B, no caso de chuva, será a Pinacoteca do Estado, que cobra 5 reais pelo ingresso, e se não me engano tem meia-entrada para estudantes.

A bizarrice fica por conta das regras da casa, não pode entrar com tintas no recinto.

Mas para isto eles tem guarda-volumes, gratuitos, para que coloquemos nossas tralhas e equipamentos “danosos às Finas Artes” em local seguro.

Caderninhos, lápis e algumas canetas são permitidos.

Curioso que no Louvre ou Dorsay você pode entrar com um cavalete, tela, banquinho, óleos, pincéis e passar o dia inteiro pintando seus quadros, usando as obras originais como referência, e será tratado como “monsieur” pelos seguranças.

Coisas que só acontecem aqui no “Braviu”.

Não esqueça de levar um quilo de alimento não perecível ou produtos de higiene pessoal para doar para a Casa Assistencial Maria Helena Paulina, que auxilia crianças com câncer.

O local do Bistecão Ilustrado todo mundo já sabe, é no Sujinho da Consolação, esquina com a Matias Aires, no andar de cima, sempre na última sexta-feira de cada mês, a partir das 20:00.

Estamos em negociação com o restaurante para acomodar melhor e mais confortavelmente os mais de 80 participantes que frequentam o local a cada encontro, aguardem as novidades.

Então nos vemos na sexta e no sábado!

E se você ainda não assistiu ao video produzido pela DRC em nosso Sketchcrawl no Museu do Ipiranga, confira aqui ou no blog do Enrico Casarosa, que postou lá, contando das peripécias dos brasileiros no evento.

O melhor carnaval de todos

Que carnaval espetacular, provavelmente o melhor da minha vida.

Eu não sei qual Escola de Samba ganhou nem qual foi rebaixada, não vi peitos siliconados, bundas cavalares, e não ouvi sequer um mísero tamborim fazendo tumsquidumsquidum.

Só por isto já teria sido um bom carnaval, mas o que fez dele um feriado inesquecível foi a visita de Alberto Ruiz-Diaz e sua adorável esposa Soraya, a São Paulo, a convite da Revista Ilustrar.

Ricardo Antunes e Luiz Rosso foram recebê-los no aeroporto na quinta à noite, e esticaram até as 4 da matina na Galeria dos Pães, na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, em uma curiosa coincidência, quase um trocadilho, para um casal recém chegado de Nova Iorque.

No dia seguinte almoçamos com eles em um grupo de quase 50 ilustradores, no Sujinho do outro lado da Consolação, que aliás me pareceu uma ótima opção para os futuros Bistecões Ilustrados.

Os únicos peitos e bundas deste Carnaval ficaram por conta das artes inacreditavelmente belas do nosso convidado, que é um verdadeiro Mestre no desenho de mulheres, tão voluptuosas quanto graciosas, quase inocentes. Há uma pureza nas suas figuras, uma solidez escultural nas suas linhas e uma beleza tão avassaladora nas suas mulheres que não há como não se fascinar ao folhear seu sketchbook e seus livros, que ele presenteou generosamente a alguns que mostraram seus sketchbooks para ele neste almoço.

Os dias que se seguiram foram muito intensos, e não demos chance para o casal Ruiz-Diaz se entediar. Fizemos com eles uma pequena turnê gastronômica pela cidade, porque era praticamente tudo que se podia fazer em uma terra onde tudo fecha, graças ao Reinado de Momo.

Quem não curte a batucada fica passeando na rua, de restaurante em restaurante.

Fomos no Velhão, na Serra da Cantareira, que está aos poucos se tornando um outro ponto de encontro de ilustradores, é a terceira ou quarta vez que reunimos os amigos neste local bucólico e cenográfico.

No caminho de volta fizemos um pit-stop na casa do Rosso, para admirar os originais de seu legendário avô, Nico Rosso. Coisa fina, artes antigas conservadas com cuidados de bibliotecário.

No dia seguinte Luiz Rosso deu um workshop de “Mercadologia Municipal”, passeando com os convidados entre bancas de frutas exóticas e queijos de diversas nacionalidades, entre vitrais que poderiam ornar uma catedral. O Mercado Municipal foi uma excelente escolha, pena que eu não estava presente nesta manhã.

Visitamos o Beco do Batman na Vila Madalena, tomamos um choppinho no Pirajá, andamos de Metrô até o centro, onde visitamos a Igreja de São Bento, Viaduto do Chá, etc, em um ambiente insólito, quase desértico, porque a região estava praticamente vazia, nenhum de nós tinha visto o lugar sem trânsito ou multidões.

Estivemos em duas livrarias que por sorte estavam abertas, a FreeBook e a HQMix, e para a alegria geral dos admiradores dos livros publicados pelo Alberto no site BrandStudio Press, vai revender os exemplares no Brasil, tanto os de autoria própria como de artistas como Shane Glines, Ronnie del Carmen, Cameron Stewart, Francisco Herrera, Jason Seiler entre muitos outros. Ligue para o Gual e reserve o seu!

Tive a honra de recebê-los no meu estúdio duas vezes, conversamos por horas e horas, comemos queijo coalho que a Mônica assou na hora, e completamos o nosso passeio no restaurante/galeria Feira Moderna, um lugar que merece ser visitado muitas vezes, pela beleza de seu acervo de Arte Popular Brasileira e pelo cardápio simples e quase maternal.

Tivemos nossa noite de bacana no Terraço Itália, com direito a trapalhadas de quem não frequenta lugares refinados. Estávamos de bermuda, e tivemos que fazer um plano B para subir para o bar decentemente trajados. Causos para contar, sempre tem que ter um pra posteridade.

Na noite seguinte encerramos o turismo gastronômico na pizzaria Quintal, que por si só teria sido um delicioso programa, com seu visual aconchegante e suas pizzas que fariam um italiano chorar de inveja.

Na quinta à tarde acompanhamos nossos convidados ao Aeroporto Internacional, com a certeza que eles adoraram o passeio, e que uma grande e sólida amizade se formou.

Para quem quiser ver (ou postar) as fotos destes dias inesquecíveis, visite o FlickrGroups criado para ser o nosso álbum.

Na despedida o colega Luiz Rosso expressou seus sentimentos em italiano, fechando com chave de ouro o passeio, tanto dos nossos novos amigos, como o nosso próprio carnaval, o melhor que já tivemos.

Mi porti nel loro cuori, perché sarete, sempre, nel mio.
Grazie tante”.

Vai dar saudade, e espero poder receber a família Ruiz-Diaz muitas e muitas vezes.

Eles se sentiram em casa, porque agora eles são de casa.

(Off topic) Ditadura Petista? NÃO!

Este blog não tem a intenção de fazer apologias sociais ou políticas, mas chega uma hora em que a gente se vê obrigado a tomar uma posição e manifestar uma atitude política, ainda mais em um perigoso ano de eleições.

Oito anos de governo Lula celebraram o populismo de um presidente semi-alfabetizado que fala “pobrema”, que diz: “ler livro grosso dá preguiça” durante uma palestra escolar, que chama o nosso país de “Braviu”, e que pretende ver Dilma Roussef no poder por dois mandatos consecutivos.

Outros oito anos nas mãos do PT enfiarão o “Braviu” em uma ditadura petista de esquerda, com graves consequências sociais.

Este documento, entre vários absurdos, propõe o controle do conteúdo dos meios de comunicação.

(Leia-se: o sepultamento da liberdade de imprensa com o retorno da CENSURA)

Veja esta reportagem da Band News revelando o documento que Lula assinou sem ler, passando direto pelos Ministros Tasso Genro, Franklin Martins, Paulo Vanucci, e a própria candidata à presidência, a Ministra Dilma Roussef.

O jurista Ives Gandra Martins afirma:

“É uma das maiores sandices que pude ver em 51 anos de advocacia e 49 anos de magistério e direito”

“No momento em que se elimina a liberdade de imprensa, estamos perante efetivamente ao início de uma ditadura”

“Este é um decreto preparatório para um regime ditatorial”

É assustador.

Veja e tire suas próprias conclusões, e preste muita atenção com o que vai fazer com seu voto.

Uma reportagem da Band, postada solitária aqui no blog, poderia parecer tendenciosa, opinativa, parcial.

O Arnaldo Jabor também desceu a porrada neste projeto de Lei, mas o Arnaldo também é opinativo, e o Brasil tá cheio de gente que não gosta de opinião.

Então vamos de Rede Globo, com close-ups pinçados no texto original, só pra redundar o que todo mundo já sabe:

What About Me? / One Giant Leap

Algumas vezes, não muitas em uma vida inteira, você experimenta claramente uma transformação, uma mudança de fase no grande video-game que acontece entre o nascimento e a morte.

Eu contaria nos dedos das mãos as vezes que isto me aconteceu, e sobrariam alguns dedos para experiências futuras.

Uma grandiosa foi o nascimento do meu filho.

Profissionalmente, e também pessoalmente, aconteceu com a Illustration Academy.

Em um plano mais interior, psicológico e espiritual, tive uma destas em Itú, onde eu participei de um ritual de passagem chamado Leader Training, e no mesmo local, dois anos depois, em uma outra vivência (como eles chamam estes treinamentos), caminhei sobre 7 metros de brasas vivas, depois de 10 horas de preparação. Foi algo como reencontrar e viver o que há de tribal em mim, e experimentar, em primeira pessoa, uma viagem interior como nenhuma outra.

Quando assisti o Zeitgeist - The movie e Zeitgeist - Addendum, deu um estalo na cabeça, como se eu tivesse compreendido algo a mais sobre a sociedade, religião, política e economia. Foi um conhecimento adquirido sobre o mundo exterior, sobre o ser humano como coletivo, um aspecto social da humanidade.

Outra destas experiências que beiram os estados alterados de consciência aconteceu nesta semana, quando eu estava dando uma organizada nos meus CDs e DVDs aqui no estúdio, e encontrei o presente de um grande amigo, Christiano Parentoni, um DVD duplo chamado “One Giant Leap / What About Me?”.

Coloquei o DVD no computador sem ter a menor noção que estaria embarcando em outra grande viagem interior, sem fazer as malas, sem saber que estava decolando.

Eu confesso que estava despreparado para uma experiência deste tamanho, escondida em um simples DVD. Do primeiro instante até o final do documentário, eu tive um destes raros momentos de transformação interior.

Repeti a experiência dois dias depois, e novamente fui arrebatado pela emoção e profundidade deste belíssimo trabalho, que reúne músicos, filósofos, psicólogos, líderes tribais, líderes religiosos, mestres da sabedoria popular, rock stars, enfim, algumas cabeças muito pensantes (e outras nem tanto, para aumentar o impacto pelo contraste), filmado em dezenas de países.

O resultado é um conteúdo sólido mas leve, embalado numa beleza estética de encher os olhos.

Seria muita pretensão minha tentar traduzir tudo que vi em um post, então a única coisa que posso fazer é anexar alguns dos videos deste documentário, e sugerir que você adquira o DVD duplo original com a obra completa, porque é algo para se ver e rever de tempos em tempos.

Chris, talvez eu fique em dívida com você por muitos anos, até que eu encontre algo proporcional para te presentear.

De coração, obrigado.

A resposta do Grupo Abril aos elos fracos da corrente

Depois de alardear um auto-elogio corporativo lambendo o próprio ego e apregoando virtudes questionáveis, o Grupo Abril recebeu da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - uma carta levantando uma outra opinião sobre estas posturas.

Não é novidade para ninguém que as mega-editoras pagam valores cada vez menores, rompendo há muitos anos a linha do “preço baixo”, chegando ao nível da chacota.

A vertiginosa linha decadente de valores pagos nos últimos anos se tornou irrisória, risível, muito abaixo do que valeria um trabalho amador, até mesmo para os veteranos, extraindo deles o máximo possível, tanto em questões técnicas, como em prazos de pagamento extremamente “flexíveis” para dizer o mínimo, e também nas letras miúdas dos contratos socados goela abaixo dos seus colaboradores, arrancando o máximo de seus direitos patrimoniais.

O expediente de várias revistas do grupo anuncia, como faria um quitandeiro, a venda de fotos, ilustrações e textos publicados na revista, como se fossem frutas passadas de fim-de-feira.

Difícil imaginar um gesto de desprezo e escárnio maior do que este, em relação ao trabalho - mal pago - de seus colaboradores.

Isto não é uma conduta da qual uma empresa deveria se orgulhar, na verdade é uma questão vergonhosa, uma mancha na imagem corporativa que está se encardindo cada vez mais, por conta da própria atitude do Grupo Abril em ignorar e desrespeitar a opinião de seus colaboradores.

Neste post você pode acompanhar a carta da SIB enviada ao Grupo Abril no final de 2009, à qual foi respondida com o texto indiferente, quase automático, no final deste post.

Ninguém precisa - nem consegue - denegrir a imagem de uma empresa mais do que ela mesma, com um texto destes, dirigido aos que fornecem conteúdo para suas centenas de publicações.

No dia em que os ilustradores, redatores, fotógrafos e colaboradores em geral se cansarem disto tudo respondendo com um sonoro “NÃO” para toda esta relação comercial desequilibrada e humilhante, não haverá o que publicar, o que vender, e o que lucrar.

As mega-editoras ainda não se deram conta de que não se vende papel em branco encadernado nas estantes das templárias mega-stores.

Tudo que se vende é o conteúdo, produzido por autores (de texto e imagem) que se deixam vender por migalhas.

A culpa, afinal de contas, não é da editora, que está muito confortável em seu castelo de vidro.

A culpa é de quem aceita o estupro financeiro com um sorriso ridículo pregado na boca, trocando trabalho (outrora valioso e lucrativo) pela “vitrine” que a editora oferece, na esperança infantil que um dia será visto por alguém importante, generoso e paternalista, que pagará finalmente o que vale ao coitadinho do mendigo colaborador.

Esta mentalidade subserviente, implantada ao longo de séculos de exploração escravagista, colonialista, militarista, totalitarista e populista nos amputou a capacidade de reação.

Séculos de pelourinho perduram até hoje na memória coletiva da nossa sociedade, e nos fazem chorar calados, para dentro, sem demonstrar reação, sem verter uma lágrima, com medo de apanhar ainda mais.

Por “apanhar ainda mais”, entenda-se: perder o emprego, perder o cliente, perder o patrão que nos trata feito cães.

Isto acontece na política, na cadeia produtiva, nas hierarquias das empresas, e nas relações entre CONTRATANTES e CONTRATADOS, conforme consta nas letras miúdas dos contratos de cessão de direitos autorais.

Eu demiti esta editora da minha carteira de clientes há muitos anos.

Não preciso de clientes assim.

Há muitas editoras pequenas que tratam, pagam e negociam com seus colaboradores de maneira respeitosa, igualitária e digna.

O bom cliente é aquele que sabe reconhecer FINANCEIRAMENTE o seu parceiro de trabalho, remunerando bem, licenciando direitos justos, partilhando os lucros de forma que todos ganhem proporcionalmente bem, dentro do que cada um se propõe a fazer.

Certamente a Editora Abril está agindo dentro da legalidade, como afirma no seu texto de resposta.

É muito confortável se escorar na Lei, quando se é o elo mais forte da corrente.

O que se questiona é outra coisa: Será que a corrente é capaz de se sustentar quando se romperem todos os elos mais fracos?

Até quando haverão outros elos fracos na agenda, para substituição imediata e barata?

Leia o texto enviado pelo Grupo Abril à SIB, em resposta ao questionamento de sua postura comercial em relação aos seus colaboradores, e tire suas próprias conclusões.

From: Codigo de Conduta <CodigodeConduta@…>
Date: Tue, 12 Jan 2010 16:02:00 -0200
To: sib@…
Subject: RES: Sobre o Código de Conduta do Grupo Abril

Caros Senhores da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

Agradecemos seu contato com o Canal de Comunicação do Código de Conduta do Grupo Abril. Como a correspondência enviada não foi considerada uma questão de conduta, ela foi encaminhada à Auditoria Interna.

Em conjunto com a área de Compliance e com o Departamento Jurídico, avaliamos os pontos levantados com os departamentos competentes. Nossas conclusões foram as seguintes:

- A documentação analisada está em total acordo com a legislação vigente e de forma alguma contêm qualquer violação ao Código de Conduta;

- Não existe abuso legal em nossas práticas, que acompanham as do mercado em que atuamos;

- As condições contratuais são as mesmas normalmente utilizadas em trabalhos semelhantes.

- Caso haja um ou mais casos concretos que desejem trazer ao Canal de Comunicação, permanecemos à disposição para atendê-los e fazer os encaminhamentos necessários ao devido tratamento.

Atenciosamente,