Monthly Archives: dezembro 2009

Sketches em 3D

2009 foi um ano em que eu usei muito mais as mídias convencionais que as digitais.

Muito papel, tinta e dedos sujos, um retorno às raízes, e o digital somente quando era absolutamente necessário.

Gostei muito dos resultados, os sketchbooks deram uma engordada, mas o custo disto foi que meus estudos de 3D deram uma enferrujada.

Retomei a atividade no 3D, e em 2010 muitos dos trabalhos postados na Sketcheria serão digitais, bitmaps em Photoshop e Painter, e outros feitos em 3D, usando Modo, Zbrush e Maya.

Vou postar os resultados aqui e no Flickr, como tenho feito nos quadros que pintei recentemente.

Esta modelagem abaixo vai entrar na demo-reel como concept design, uma caricatura do Obama, que vai estar ao lado do Lewis Hamilton e Tiger Woods. É um projeto pessoal, utilizando a pré-produção que eu já faço profissionalmente, somando ao que tenho estudado nestes últimos anos.

Concept, model sheet, modelagem, texturização, animação e render serão alinhados e explorados, e vou fazer todo o processo sozinho, ao contrário da distribuição de tarefas, prática comum nas produtoras.

No entanto, tanto trabalho vai durar não mais que 1,5 segundo na demo reel, o mesmo tempo que um outro projeto que farei a seguir, da decolagem de um helicóptero, que começou como um estudo de curvas de animação no Maya, e vai seguir como este, em um pipeline completo, até a edição e composição final no After Effects.

Mas animação é isto mesmo, muito estudo, muito trabalho, muito tempo investido, para uns poucos segundos de apresentação.

Quando Twittei sobre a postagem destas imagens no fórum ZBrush Central, o designer Fábio Sasso, conhecido na web como Abduzeedo - que administra um excelente blog direcionado a design com este mesmo nome - me convidou para fazer um post sobre o making-of desta modelagem.

Este passo-a-passo, desde os primeiros rascunhos do concept design até as etapas de multi-pass rendering em ZBrush e Photoshop podem ser vistos clicando a imagem abaixo:

Outros 4 projetos estão na fila, com personagens planejados, roteiro e até um plano para as trilhas sonoras, e um dia todos eles vão para a telinha.

Na verdade eu quero mesmo é que eles cheguem até a telona, no Anima Mundi e festivais internacionais.

Sonhar pouco é bobagem.

Xeque-mate, editora Abril.

Carta da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - enviada ao Comitê de Conduta do Grupo Abril:

Prezados Senhores,

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil questiona o teor do texto e as intenções da aplicação de alguns ítens do CÓDIGO DE CONDUTA DO GRUPO ABRIL, em especial dos que tratam do capítulo A Relação no Ambiente de Trabalho:

“Respeitar a propriedade intelectual, reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros.”

Qualquer fornecedor de texto ou imagem, seja ilustrador, redator, fotógrafo ou outro profissional que já tenha prestado serviços ao GRUPO ABRIL, sabe que toda relação de trabalho fatalmente costuma seguir o seguinte trâmite:

A) O fornecedor é contatado pela editoria, que alega ter urgência nos prazos de entrega, exige alta qualidade técnica e artística e dispõe de uma verba restrita e já pré-determinada.
Vale aqui salientar que, além da clara imposição frente à saudável prática da negociação, tais verbas permanecem há anos congeladas ou têm sofrido até mesmo reduções graduais estranhamente incompatíveis, inclusive, com a alta dos preços de capa e tabelas de inserção publicitária dos produtos da editora.

B) Ao entregar o trabalho encomendado, o fornecedor é inquirido a assinar um tipo de documento tradicionalmente conhecido nos meios forenses como “contrato leonino”, pelo qual se vê obrigado a CEDER, total e completamente, e de todas as formas imagináveis, todos os seus direitos de propriedade intelectual relativos a uma obra que foi originalmente encomendada para um único e específico fim.
O fornecedor que se recusa a assinar um contrato dessa natureza tem, com muita frequência, seu nome apagado da lista de colaboradores.

No caso dos livros, bem sabemos, o colaborador deve dar o seu aceite antes do trabalho ter início. Quando o colaborador não concorda com os termos propostos, contudo, a demanda de trabalho é transferida a outro profissional que o aceita, inúmeras vezes, mediante coação e desproporcionalidade de forças.

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil entende que o GRUPO ABRIL só poderá alegar que realmente pode “Respeitar a propriedade intelectual…”, tal qual anunciado, quando todo compromisso legal relativo à licença ou cessão de uso dos direitos autorais de seus fornecedores explicite a finalidade restritiva e específica de cada trabalho encomendado. E quando houver necessidade de uso alternativo, sob condições extraordinárias e não previstas pelo contrato original, que isso seja objeto de um novo acordo e negociação entre as partes.

Isso se aplica, em especial, nos casos de venda de conteúdo para terceiros por parte da Editora, como é oferecido nos expedientes das revistas, bem como nas compras de livros pelo governo.

Da mesma forma, o GRUPO ABRIL também só poderá se enaltecer por estar “reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros”, somente quando o diálogo nortear as negociações por valores e condições mais justas.

Quando esse dia chegar, o GRUPO ABRIL que, por ser referência no mercado editorial brasileiro, tem plena responsabilidade social terá se pautado por uma postura baseada no respeito e no compromisso ético, na transparência e no compromisso com a verdade, como diz na Apresentação de seu Código de Conduta.

Atenciosamente,

SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

www.sib.org.br

CNPJ: 06.005.723/0001-60

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A resposta, pífia, e espero que provisória, do Grupo Abril:

Prezados senhores,

Agradecemos a confiança dada  ao Comitê de Conduta do Grupo Abril. Iremos apurar as questões relatadas e após conclusão, entraremos em contato.

Atenciosamente,

CÓDIGO DE CONDUTA

Grupo Abril
Av. das Nações Unidas, 7221 – 22º. Andar
Pinheiros – CEP 05425-902 – São Paulo, SP
Fone/Fax 0800-7722745

Sketchcrawl em SP, no video da DRC