Caros todos,
O debate sobre o concurso promovido pela Livraria da Vila tomou grandes proporções, se alastrou pela web e gerou muitos, muitos comentários.
Seja em listas de discussão, blogs, twitter, etc, muito se discutiu sobre o assunto, e depois de escrever para todos os funcionários da empresa, eu recebi duas mensagens, uma do Sr. Samuel Seibel, proprietário da rede, e outra de seu filho Flávio, ambos explicando seus pontos de vista e questionando minha reação. Respondi aos dois, parágrafo por parágrafo, explicando meus motivos.
O assunto é extenso, controverso e as argumentações por e-mail careciam de uma conversa real, pessoal.
Um telefonema, um horário marcado, e uma reunião.
Fomos, eu e o Ricardo Antunes para o café da loja, no Shopping Cidade Jardim, conversar pessoalmente com o Sr. Samuel Seibel, e seus dois filhos, Flávio e Rafael.
Em um longo, construtivo e esclarecedor debate, cada um expôs seus pontos de vista, seus argumentos e suas conclusões. Avançamos em direção a um meio-termo saudável e recuamos em nossas posturas antagônicas, e o resultado foi bastante positivo: o Sr. Samuel Siebel já havia decidido cancelar o concurso antes mesmo da reunião, por reconhecer que haviam pontos falhos na elaboração do concurso, e demonstrou nobreza de caráter e personalidade ao convidar quem o havia criticado furiosamente (este que vos escreve) para um diálogo franco e aberto.
Ficou claro desde o primeiro momento que o problema se deu por falta de conhecimento do assunto, haviam erros na elaboração das regras do concurso, e não houve má índole ou interesses comerciais escusos.
Ficou claro também que não havia qualquer intenção de lucro no projeto, e por mais bem intencionado que fosse, a melhor alternativa seria o seu cancelamento.
Não foi fácil para qualquer um de nós, tínhamos algumas ideias contrárias, e aproveitamos a oportunidade para expor e defender cada uma delas e procuramos entender mutuamente onde estava o atrito.
Eles desconheciam totalmente a consequência danosa que o concurso causaria ao mercado de ilustração, e por mais absurdo que possa parecer, eles estavam aparentemente bem assessorados, contando com o apoio e a consultoria de duas profissionais deste mercado, associadas à SIB. Este fato é um mistério insondável para mim, até agora.
Como duas pessoas ligadas à SIB poderiam ser tão desconectadas da realidade, tão sem visão comercial, e sem noção das consequências deste projeto?
Elas poderiam ter evitado o desgaste logo no primeiro momento, se estivessem alinhadas com a proposta defendida pela entidade, há anos, que é a de elevar e promover a profissão.
Esclarecidos os dilemas de parte à parte, o concurso está cancelado, e se eventualmente for restabelecido no futuro, eu e o Ricardo nos dispomos a ajudar na formulação de outros termos e propostas mais adequados, para que ninguém saia prejudicado no final.
O meu protesto, em forma de ilustrações, não faz mais sentido, porque o combate se transformou em entendimento, cancelamento do concurso, reconhecimento do erro, e aprendizado mútuo.
Sem o propósito para o qual as imagens foram criadas, não tenho porquê mantê-las no ar, e mesmo sem haver esta solicitação, decidi retirar as ilustrações do post anterior.
Me parece justo e razoável baixar a postura de ataque, porque não há mais o que ou contra quem atacar.
Curiosamente, o final da reunião, que tinha todo o potencial para a discórdia, terminou em um abraço respeitoso.
Não tenho como negar que aprendi algumas coisas importantes com este episódio, além de reconhecer e admirar a coragem dos 3 empresários da Livraria da Vila em sua atitude de nos receber nesta tarde.
Não deve ter sido fácil ser respeitoso como eles foram, ainda que eu percebesse sinais de tensão sob a película de serenidade que os revestia.
























