Monthly Archives: junho 2009

Diário de bordo – Illustration Academy – fotos, corações e mentes

Melhor que contar longas estórias sobre a IA, é mostrar fotos do evento, das pessoas e do lugar onde estou passando um período incrível, convivendo novamente com os ilustradores permanentes da academia, que eu não via há mais de 10 anos, conhecendo outros convidados deste ano, e muitos estudantes com quem vou compartilhar experiências nestas próximas semanas.

Agora, ser convidado para almoçar e jantar com os caras é muito além do que eu poderia esperar.

Eu tenho uma visão meio tribal sobre o ritual que envolve o “sentar à mesa” com alguém. Desde os tempos mais remotos, entre todas as espécies de mamíferos, partilhar o alimento significa aceitação mútua, é um gesto de confiança e amizade, e dividir a mesa sempre teve esta simbologia para mim, mesmo quando estamos em farra, no Bistecão Ilustrado.

É com este pensamento que eu me sento à mesa com as pessoas.

Ser aceito entre os ilustradores que acompanho e admiro há décadas, dividindo a mesa com lendas-vivas da ilustração, tem mexido com minhas emoções de um jeito que não conseguiria descrever, mas é fascinante estar entre eles, ser aceito como amigo e parceiro de profissão, e conquistar o respeito deles através de uma coisa simples, que eu mesmo não via com a devida importância: os sketchbooks.

Eu nunca tinha me dado conta que este é o meu “corpo de trabalho”, meu território recém-explorado, a descoberta, o que há de novo em mim.

Foi isto que eles viram nos meus cadernos, e foi o que permitiu que eu fosse aceito de igual para igual entre meus heróis.

Isto não tem preço.

Realmente não tenho como descrever o que passa na minha cabeça e no meu coração, isto é o melhor que posso fazer com as palavras.

Talvez algumas imagens no Flickr possam passar um pouco mais claramente o que tenho vivido nesta semana, que vai ficar tatuada para sempre na minha memória.

Diário de bordo – Illustration Academy – semana 1

Este poderia facilmente ser o post mais longo do blog, mas tentarei ser breve, uma tarefa difícil para um tagarela como eu.

Estou de volta à Illustration Academy, depois de mais de 10 anos, e parece que foi no ano passado que estudei com estes monstros sagrados da ilustração.

Em uma semana já aconteceram tantas coisas que não caberiam neste post, mas vou fazer um resumo das que eu considero mais relevantes.

Eu sou um rato de palestras, adoro consumir informação em grandes goles, e voltei para tomar uma overdose de cerca de 10 horas por dia (às vezes mais) por 5 dias seguidos. Os intervalos eram curtos, suficientes para almoçar e voltar para o auditório, climatizado em temperatura glacial, contrastando com o calor senegalesco, extremamente úmido, de Sarasota.

A semana de palestras começa com a revisão dos trabalhos finais dos alunos,  sobre o projeto sugerido na semana anterior.

Imagine o que é ter Gary Kelley, John English e toda a esquadrilha de ases da ilustração comentando cada trabalho, dando dicas, apontando os caminhos para o sucesso da peça que o estudante trabalhou durante a semana, tanto em termos técnicos como em conceito, conteúdo, adequação, etc.

Cada palestrante da Lecture Week é um gigante no mercado de ilustração, e além dos seus portfolios, eles revelam sua bagagem profissional, fazem muitos comentários, compartilham dicas e insights brilhantes, e ao final da apresentação respondem as perguntas dos estudantes.

Para os leitores mais curiosos, eu coloquei um link em cada um.

- Terry Brown

- Barron Storey

- Francis Livingston

- Mark English

- Gary Kelley

- Anita Kunz

- George Pratt

- Sterling Hundley

- Jillian Tamaki

- Sam Webber

- Robert Meganck

- Jon Foster

- Chris F. Payne

De quebra a equipe de instrutores permanentes conta com o cérebro V8 turbinado de Brent Watkinson e a experiência de outro ex-aluno de 1996 e 1997, que se tornou indispensável para a academia, Doug Chayka.

Na foto após a palestra final, Chris, Sterling, Doug, Robert, Jon, Anita, John e Brent.

Nestes dias intensos, eu escrevi páginas e mais páginas de anotações, tirei centenas de fotos e estou registrando comigo o máximo de informações, e espero poder dividir este conteúdo com os colegas assim que voltar para o Brasil.

Retornar depois de tanto tempo me garantiu um privilégio que eu jamais poderia prever, de ser convidado a almoçar e jantar algumas vezes com os organizadores do evento, e não dá pra descrever o que é estar na mesa com estes caras, mas acredite: é muito, muito bom.

Semana que vem começam as atividades de estúdio, e vou mergulhar de cabeça nos projetos.

Amanhã eu coloco umas fotos no Flickr, e assim que estiverem no ar, eu edito esta linha com o link.

Esta é a vista da varanda do dormitório onde estou hospedado, que é um apartamento simples, com 4 quartos individuais, abrigando um australiano, dois americanos, e este paulista que vos escreve.

Este é um dos prédios do campus, onde foram realizadas as palestras finais.

De tudo o que aconteceu aqui nestes dias, uma conversa merece destaque: o interesse dos caras em fazer uma edição Brasil da Illustration Academy.

A princípio achei que fosse por cordialidade, só pra ser gentil com o “brazilian maniac”, como alguns instrutores me chamam por aqui.

Mas quando o John começou a falar sobre datas e duração do treinamento, e confirmou quando Anita Kunz perguntou a respeito, eu tive certeza que não era brincadeira.

Minha cabeça explodiu novamente, pra variar, e estou certo que vai ser uma reação em cadeia, depois deste post muita gente já deve estar com o estopim aceso na cachola…

Vou pegar uns cacos da minha cabeça lá na Flórida

Há algumas semanas postei aqui sobre um assunto que explodiu a minha cabeça, depois que o colega Joel Lobo me mandou um Twitter com os videos da Illustration Academy.

Alguns cacos foram parar lá na Flórida, onde acontece o evento que reúne alguns dos mais renomados ilustradores americanos, durante sete semanas de treinamento intensivo, cerca de 10 horas por dia, de segunda à sexta, e os alunos usam a estrutura dos estúdios da Ringling School of Art and Design à noite e nos fins-de-semana para completar os trabalhos propostos durante o treinamento.

Estes dois videos mostram um pouco das atividades nestas últimas semanas, que tiveram Anita Kunz e Jon Foster, além dos ilustradores permanentes (Mark english, John English, Brent Watkinson e Sterling Hundley), e dá pra sentir um gostinho do que é este evento, e sonhar em realizar um destes aqui no Brasil, quem sabe com alguns dos instrutores de lá, já pensou?

Eu estava planejando ir no ano que vem, mas há muitas coisas novas acontecendo, principalmente com a Revista Ilustrar, portanto mudaram os planos e eu estou indo para Sarasota neste sábado para costurar este intercâmbio, propor interações entre todas as atividades daqui (Revista Ilustrar, Bistecão, Sketchcrawl, workshops, Galeria Magenta, etc) e a Illustration Academy.

O Ricardo Antunes e o Rogério Vilela também vão passar alguns dias no evento, e nos reuniremos com John English para traçar alguns caminhos para o futuro.

Tivemos várias reuniões com ilustradores aqui em São Paulo nestas últimas semanas, temos planos extremamente interessantes, e o que há de em comum entre todos eles é que são concretos, realizáveis e de início imediato.

Valeu a pena a correria para encarar esta viagem e adiantar estas conversas em um ano. Acredito que todos temos a ganhar com isto, em todas as pontas das negociações.

Vou fazer como o Hiro, e postar um diário… bem, talvez um semanário, das atividades da academia durante o próximo mês.

Também vou escrever algumas coisas em tempo real pelo Twitter, quem se interessar pode me achar neste link.

Estou certo que daqui há um ano seremos um grupo de ilustradores indo pra lá. Provavelmente um grupo ainda maior no ano seguinte, e no outro… bem, melhor deixar acontecer este primeiro, depois eu vou contando as novidades.

Como eu admiro a simplicidade…

Mas eu sei que ainda estou muito distante dela.

Quem sabe na próxima vida eu consiga fazer algo tão simples e belo como este video que a Mônica me enviou um dia, lembrando do nosso finado gato Frank Zappa.

Saudades do nosso gato, que era quase gente.