Monthly Archives: maio 2009

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance – e além dele – para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Patrocínio sob ameaça

Comentei neste post sobre as venenosas mudanças – via Projeto de Lei – na Lei Rouanet, especialmente sobre o Artigo 49, que resumidamente falando, é a redução do domínio público (dos direitos autorais patrimoniais, em projetos patrocinados via Lei Rouanet) dos atuais 70 anos a contar da morte do autor, para 3 anos.

É um absurdo gritante, um fiasco constrangedor da parte do MinC, tentar economizar uns trocados em cima de quem cria a obra. Coisa de alguns milhares de reais, quando muito.

Foram investidos quase UM BILHÃO DE REAIS em 2007, e o governo quer tirar uma casquinha do salário do autor. É uma palhaçada sem precedentes, uma lei de NÃO-INCENTIVO À CULTURA.

Mas isto era, até ontem, uma opinião minha. Até que a Folha de São Paulo preecheu a capa da Ilustrada com uma matéria (com uma bela ilustração do Orlando) a respeito dos prejuízos que esta mudança na Lei Rouanet pode causar.

Foram ouvidos 15 representantes de empresas investidoras na Cultura, como Petrobrás, Carrefour, Porto Seguro, Itaú Cultural, Gerdau, Usiminas, CSN, CPFL, entre outras. Onze delas afirmaram que seus investimentos em cultura tendem a cair se as mudanças no Projeto de Lei for aprovado.

Se esse projeto for aprovado tal como proposto, cortaríamos pela metade nossos investimentos gerais nesta área. – Grupo Carrefour

Nossos investimentos certamente diminuiriam. Como pode o governo conhecer melhor a estraégia da nossa empresa? – Porto Seguro

E por aí vai.

Quero ver agora qual será o discurso dos trolls, pela-sacos, e tietes deslumbradas do MinC que fizeram seus comentários neste post da Sketcheria, em um blog, e até no Twitter, em defesa das mudanças da Lei Rouanet.

Alguém me ajuda a recolher os caquinhos da minha cabeça?

Eu não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje não tive como evitar.

Em menos de 140 caracteres, via Twitter, uma mensagem do amigo Joel Lobo, literalmente explodiu meus miolos: links para os videos da Illustration Academy.

Eu tenho postado alguns causos deste treinamento que fiz em Kansas/Liberty-MO, mas nada como ver e ouvir estes artistas legendários em ação.

Pela relação de amizade, admiração e respeito que se formou nos dois anos seguidos em que frequentei a Illustration Academy, o video me trouxe uma avalanche de lembranças, saudades e muitas sensações, do lugar e das pessoas mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer.

Brent Watkinson, o apresentador da luz vermelha, é um amigo muito querido e um ilustrador fenomenal. É realmente uma pena estar tão distante, sinto muita falta da sua genialidade e generosidade, e das infinitas horas de papos, sempre muito agradáveis e enriquecedores.

Deu vontade de atravessar a tela do computador e abraçar cada um deles, e agradecer novamente por tudo que eles me proporcionaram. Eu devo muito do que sou hoje, como ilustrador, à estes Mestres.

Chega de papo, vejam os videos, e saberão do que estou falando. Mas usem capacete, a não ser que não se importem em espalhar seus miolos pela casa inteira.

Gostou? Eu pirei.

Quer mais? Eu fui atrás das novidades anunciadas nos videos, e encontrei um site remodelado, com um super mega blog, podcasts, videos (em Visual Literacy), galeria e muito mais.

Visite o site da Illustration Academy e exploda o que restou de sua cabeça.

Se for doido mesmo, pirado, maluco irrecuperável, junte uma grana e se manda para lá.

É o melhor investimento que você pode fazer pela sua carreira, e vale cada centavo, pelo resto da vida.

Bistecão Ilustrado: a 49ª razão para amar nossa cidade

A revista Época São Paulo desta semana traz a matéria “50 razões para amar São Paulo”, e não é que o nosso querido Bistecão Ilustrado é uma delas?

49. Desenhamos à beça
Toda última sexta-feira do mês, por volta das 20h, cerca de 70 ilustradores se encontram no Sujinho, ali na Consolação, para desenhar. Criado pelo desenhista Kako em 2006, o Bistecão Ilustrado reforça os vínculos entre profissionais da área. “Criei o Bistecão basicamente para conhecer outros colegas, porque, apesar de participar de listas de discussão, sentia falta de conhecer o povo”, diz ele. Antes de ir para casa, os participantes sorteiam as peças produzidas durante a noite. No último dia 11 de abril, os ilustradores paulistanos bateram o recorde mundial de sketchcrawl, maratona de desenho realizada em mais de 90 cidades. Por 12 horas, 154 ilustradores percorreram as ruas da cidade com seus cadernos de desenho e, bem à paulistana, encerraram a jornada na pizzaria.

Mais um motivo para comemorar o sucesso do nosso encontro mensal, que já está marcado para a próxima sexta, dia 29 de maio, no Sujinho da Consolação (esquina com Matias Aires), a partir das 20:00hs.

O mercado editorial não é uma causa perdida

Quanto tempo esperei para escrever isto com a boca cheia, satisfeito e seguro?

Não sei, mas faz muito tempo.

Eu me preparei durante anos para atender ao mercado editorial, mas aprendi rapidamente que o editorial não atendia ao meu mercado.

Mercado, aluguel, combustível, dentista, conta de água, luz, gás, telefone, internet…

Mas talvez eu estivesse atendendo aos clientes editoriais errados, e ainda que ostentem sedes babilônicas e ajam como senhores feudais, eu é que sou “caro demais” para eles, veja só.

Mas fui positivamente surpreendido por editoras menores, me contratando pelos valores que eu uso em minha tabela, sem choradeira, sem reclamação e sem atrasos no pagamento.

Uma verdadeira inversão de valores, pequenos agindo como grandes e vice-versa.

Recentemente fiz as ilustrações de um livro de contos escritos por Leonardo DaVinci, que será publicada pela Editora Berlendis & Vertecchia em breve.

Foi um projeto fascinante, onde tive liberdade na escolha da técnica, na adequação das imagens aos textos, e tudo isto só foi possível porque a negociação foi clara e direta desde o primeiro telefonema, do Sr. Berlendis, em pessoa:

“Consultei sua tabela e nosso orçamento bate com seus valores, vamos trabalhar?”.

Minha resposta foi: “Claro, começamos agora”.

Nestes trabalhos usei lápis pastel, que era uma técnica que até então só tinha feito em meus sketchbooks, e foi a oportunidade ideal de colocar em prática estes estudos.

No ano passado outra editora modesta, que publica a revista Contra-Relógio, especializada em maratonas, me chamou, pagou os valores de capa da minha tabela, ofereceu espontaneamente um pagamento decente pela reprodução da mesma imagem na abertura da matéria, e fechamos negócio.

Pagaram no dia combinado, na mesma semana em que entreguei a imagem.

Curioso comentar sobre o sucesso de uma negociação editorial como se isto fosse uma exceção, um motivo de festa.

Pensando bem, do jeito que anda este mercado, talvez seja mesmo um grande achado, merecendo uma celebração muito maior.

Vale dizer que a minha tabela é a mesma desde 1998, há 11 anos.

Nem um centavo de reajuste, e ainda há quem ache “caro”. Que piada.

A variação do índice IGP-M entre 01 de Janeiro de 1998 até hoje, 12 de Maio de 2009, foi de 179,4178 %, ou seja, meus preços deveriam ter sido multiplicados por 2,794178 e não acachapados para 1/3 ou menos do que se pagava há 10 anos.

Aqueles podem ser considerados os anos prateados da ilustração, porque nos dourados anos 70, um original feito para as grandes editoras era pago a um valor equivalente a um carro popular, zero KM, à vista.

Pena que eu cheguei tarde, e não vivi estes áureos tempos, que hoje em dia parecem mais um conto de fadas.

Mas acredite, esta já foi a realidade para muitos ilustradores brasileiros, como Gilberto Marchi, na ativa até hoje.

Entrevista com os Gêmeos no Starte

Gustavo e Otávio Pandolfo, os Gêmeos do grafite, como são conhecidos.

Para eles o grafite foi o começo de uma grande e bem sucedida aventura pelo mundo das Artes Plásticas (com letras bem maiúsculas).

(Dica de Ricardo Antunes, via Twitter)

Gary Taxali manda um recado para seus clientes ruins

De tempos em tempos acontecem certas mudanças de paradigma, umas para o bem, outras para o mal.

A revolução industrial, a queda da bolsa em 1929, o milagre econômico brasileiro, enfim, altos e baixos.

Eu devo ter entrado no crepúsculo do mercado de ilustração, ainda me lembro de diretores de arte me recomendando entrar no Clube dos Ilustradores, mas ele terminou antes que eu pudesse me associar.

Quando eu fiz meu primeiro trabalho editorial, este mercado ainda pagava bem, e em 1999 recebia de R$ 1.200,00 a R$ 2.200,00 por uma página dupla para a Superinteressante. A Playboy pagava R$ 1.000,00 por uma dupla, que sempre vinha com uma porção de vinhetas, que acabavam dobrando este valor no final.

Tudo parecia ir muito bem, até que o Bin Laden mandou derrubar o WTC, o Pentágono e a Casa Branca (esta última não deu certo).

Uma terrível mudança de paradigma. O mundo ficou pior a partir deste dia. Acabou a ingenuidade, e virou noite sem lua no mercado editorial. Todos se tornaram reféns e algozes de todo mundo, e esta peste se espalhou pelo mundo corporativo como chamas em um palheiro.

Teve cliente que só faltou chorar nos meus ombros, dizendo que a editora demitiu 3 mil funcionários, que não sabia se iriam fechar, enfim, tragédia total.

No mercado editorial os preços caíram… caíram… e caíram mais um pouco.

Nunca mais subiram, esta é a verdade.

Passaram-se 8 anos e a editora não fechou, na verdade cresceu em número de publicações, mas eles perceberam que, mesmo com os preços ao rés do chão, os negócios iam bem, e eles decidiram baixar as tabelas ainda mais.

E baixaram… baixaram… e baixaram mais ainda, até um nível insustentável, irrespirável.

Hoje os preços oferecidos parecem uma piada sem graça, e aí o que acontece?

O quebra-quebra financeiro mundial. Trilhões de dólares vaporizaram em semanas, e o mundo ficou ainda pior do que já estava.

Mais uma quebra de paradigma, uma devastação econômica, ninguém mais tem dinheiro.

E os clientes mais mal intencionados usam este momento para fazer o quê?

Baixar as tabelas ainda mais, bem abaixo da linha de sobrevivência de seus fornecedores. Ou partem para concursinhos picaretas, contratos de risco ou o escambo na cara dura.

Neste momento desesperador, surge uma quebra POSITIVA de paradigma:

O ilustrador Gary Taxali recebe várias propostas aviltantes, sacanas e desleais. Swatch, Google e as editoras cruzaram a linha do respeito, e tomaram uma invertida que se tornou a nova propaganda viral contra os clientes ruins.

Acompanhe o texto de Gary Taxali, postado recentemente em seu blog, em repúdio e protesto contra os clientes picaretas, e veja se ele não está coberto de razão:

Não me chame
“Recentemente tem havido uma SEVERA retração na indústria. Pagamentos baixos tem sido um problema por um bom tempo, mas as coisas estão piorando. Os fees dos clientes estão baixando ainda mais, e os direitos que eles exigem são cada vez maiores.
Quer exemplos? O que você acha da SWATCH me ligando para solicitar o design de um relógio. Eles queriam a transferência integral de direitos por valores insignificantes. Como se isto fosse acontecer. O GOOGLE me chama e quer meu trabalho para seu novo mecanismo de busca por toda a rede mundial, e o pagamento? Nada. Clientes da área editorial estão cortando os valores de 1999 praticamente pela metade, e a crise econômica é a desculpa.
Quer saber? Minha desculpa é que a economia está ruim, portanto você deve me pagar MAIS por uma ilustração.
Que tal isto como um pacote de estímulo econômico?
Então aqui para todo cliente com valores e negociações de merda. Não desperdice meu tempo nem me contate.
Eu estou muito ocupado trabalhando para clientes que respeitam os artistas, e você está gastando meu tempo com suas solicitações. Aqui pra vocês, a minha saudação especial, e espero que ela mantenha você afastado, porque eu não preciso do seu trabalho.”
Gary Taxali – ilustrador americano

O curioso é que desde que ele postou este desenho, várias pessoas solicitaram que ele produzisse camisetas com a imagem, e elas já estão à venda na loja virtual do site dele.


Eu acho que ele virou a mesa num momento crítico, mandou um recado claro para seus clientes ruins, e deu um exemplo a ser seguido pelos seus colegas de profissão.

Gary Taxali criou um novo conceito de negociação à partir da pressão absurda dos clientes, todos culpando a crise mundial para arrochar ainda mais os valores, que já eram ridículos.

Para baixo não dá mais, chegamos no limite. A próxima parada é no inferno.

Melhor tomar uma atitude agora, e começar a subir, a não ser que você tenha vocação para atender pessoalmente aos jobs do Grão-Duque Satanás.

Virada cultural 2009

Off topic logo na segunda-feira?

Nem tanto.

No dia da abertura da Virada Cultural acordei determinado a passar dois dias desenhando a cada oportunidade que aparecesse, e comecei no café da manhã. Mas ainda não estava acelerado o suficiente, eu tenho a tendência de esticar um rascunho por quase uma hora, um hábito que preciso combater com muito desenho, torrando folhas e mais folhas do sketchbook.

Chegando no evento eu me preparei para exercitar o desenho mais desencanado, acelerado, rascunhão mesmo.

E nem poderia ser diferente, por causa da dinâmica do ambiente. Ninguém ficava parado por mais de 30 segundos, e mesmo que ficasse, sempre aparecia alguém na frente, então tinha que ser rápido mesmo, e contar com a memória visual.

Mesmo a fila mais demorada que peguei, cerca de uma hora e cinquenta, andava, e isto me fazia desenhar em modo acelerado.

Conceitos que vou aplicar no workshop de técnicas de sketchbook que começam neste mês.

Para o meu desespero, os portões do Municipal fecharam com mais de 200 pessoas na fila à minha frente. Parti para o plano B, e peguei a primeira fila do telão, instalado na frente do teatro.

O som estava bom, e tive várias câmeras oferecendo diversos ângulos excelentes para desenhar, e a cada troca de cena eu começava um rascunho novo, em 3 sketches simultâneos.

Ficou tosco…

Que bom!

Eu experimentei um novo formato ao desenhar em um ambiente diferente, inusitado. Desenhar fora do estúdio, longe da sua área de conforto, à noite, com gente esbarrando no seu braço, e até mesmo andando, foi uma experiência nova, e estou certo que vai ser moleza voltar a desenhar em lugares mais adequados.

O evento foi fantástico, vi Egberto Gismonti, Cama de Gato, Zeca Baleiro, Francis Hime com orquestra e Central Scrutinizer (banda que faz cover impecável do Zappa), mas o Ike Willis não era cover, ele tocou e cantou com o “homi” por vários anos.

Estive na livraria HQ MIX do Gualberto Costa e sua esposa Daniela Baptista, e encontrei vários amigos por lá, entre eles Salvador Messina (em pé), na foto com o dono da casa.

Se você ainda não conhece a livraria, não sabe o que está perdendo, aquilo é o paraíso, a perdição, um templo de luxúria, lotado de objetos de desejo para quem gosta de quadrinhos e Arte em geral.

Dos livros e revistas que a gente gosta, a livraria HQ MIX tem tudo e mais um pouco.

E como lá se tornou um ponto de encontro de desenhistas, terminei a madruga de sábado entre amigos, desenhando um paper toy art do Grandpa Munster, o vovozinho da Família Monstro.

Ele tinha um restaurante no Greenwich Village em Nova Iorque chamado Grandpa’s, onde atendia os clientes pessoalmente, vestido e maquiado como nos filmes. Quando se candidatou a prefeito da cidade, ele disse: “Nós não herdamos o mundo dos nossos ancestrais, nós o tomamos emprestado de nossas crianças”.

Outros artistas fizeram suas contribuições, entre eles o Spacca com seu traço inconfundível.

Voltando ao off topic, as fotos que tirei na Virada Cultural estão no Flickr da Sketcheria, inclusive algumas da Estação da Luz, onde havia uma exposição de carros antigos e uma bucólica senhorinha tocando piano em um dos saguões da estação.

O espaço de música instrumental decepcionou, por ter sido confinado à rua Conselheiro Crispiniano, com um ar intoxicante devido aos geradores de energia movidos à diesel.

Suportei apenas o primeiro show com Daniel Daibem tocando samba-rock na banda Hammond Blues, batizada assim por ter um tecladista com um órgão legendário com este mesmo nome. Este instrumento ficou mais legendário ainda, depois de ter sido tocado por Jon Lord (Deep Purple) em um show que eu perdi naquele mesmo dia, infelizmente. Se eu soubesse, teria começado exatamente nesta apresentação.

Uma decepção que me fez ir passear lá longe (no começo da segunda música) foi o citarista Alberto Marsicano tocando músicas de Jimi Hendrix. Eu já tinha visto um recital de cítara em um centro de estudos indiano com ele, muito legal, mas desta vez ele pirou grandão.

Banda ruim, deprê, som monótono, chão colando, a ripaiada amontoada em coma na grama, e o som da cítara ecoando na praça feito pernilongossauro gigante, agonizando em uma looonga bad trip de Detefon com marofa.

Fui tomar café no outro lado da cidade, ouvindo piano na Praça dom José Gaspar.

4 milhões de pessoas no Centro de SP tornam a paisagem em algo quase surreal, é uma multidão mesmo, no sentido mais literal da palavra, e a cidade sofreu com isto. No final do domingo os amontoados de lixo tentavam minimizar o estrago, mas o chão colava no solado e a quantidade de gente caindo pelas tabelas mostravam o lado feio da festa.

Só mesmo o som de Frank Zappa para me fazer aguentar corajosamente esta maratona até o final, em que eu tive apenas duas horas de sono e um banho apressado entre o primeiro e o segundo dia.

Mas no ano que vem estarei lá novamente.