Monthly Archives: abril 2009

Esquentacrawl na Virada Culturawl

Neste sábado e domingo acontece a 5ª Virada Cultural, um evento que reuniu cerca de 4 milhões de pessoas no centro de São Paulo no ano passado.

Eu levei a câmera, mas fui sem caderninho, e foi uma bobeira danada porque o que tinha de fila e gente parada seria perfeito para encher algumas páginas do sketchbook.

No website do evento tem toda a programação.


Neste ano eu não perco o Egberto Gismonti e Arthur Maia (grupo Cama de Gato), ambos no Teatro Municipal, o Central Scrutinizer Band (cover impecável de Frank Zappa, desta vez com Ike Willis, que tocou por vários anos na banda do Zappa) e o Roberto Marsicano tocando Jimi Hendrix na cítara (??!!?!?!?) na Praça da República.

Certamente vou me plantar no palco de música instrumental, como fiz no ano passado, onde tocaram vários músicos geniais, que eu venho acompanhando desde sempre, e rodar pelo centro vendo os outros shows, até formigarem as pernas.

Vai ser muito legal fazer um Esquentacrawl na Virada Culturawl, e aproveitar para fazer um reconhecimento da área para o próximo Sketchcrawl, que será no centro de Sampa.

Workshop de Caligrafia Experimental em SP

No ano passado eu postei aqui sobre o workshop que fiz com Cláudio Gil, e ele volta nesta semana a São Paulo para um novo treinamento no ateliê da Cláudia Branco e uma exposição de seus trabalhos na galeria Choque Cultural.

O workshop acontecerá nos dias 1º e 3 de maio, e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 11 5575-2655 ou pelos e-mails caligrafia@andreabranco.com.br e eukaligrapho@gmail.com.

Não dá pra perder!

Sketchcrawl Brasil - Novo recorde mundial: 154 participantes em SP

Este foi meu único desenho inteiro do Sketchcrawl, outros dois ficaram inacabados, mas tudo bem, esta é a proposta mesmo, e não ter a obrigação de finalizar também é parte da magia do encontro.

Depois do Sketchcrawl tive duas semanas corridas com trabalho e um feriado dedicado à família e ao ócio criativo, portanto o blog ficou uma semana sem updates pela primeira vez, mas provavelmente pela última.

As atualizações voltam a acontecer pelo menos 2 ou 3 vezes por semana.

O ideal para este post seria detalhar o encontro, contando as maravilhas do Sketchcrawl em diversas partes do Brasil e do mundo, que batemos nosso recorde de participantes em SP pela segunda vez consecutiva (arriscando bater novamente no próximo, que acontecerá no centrão da cidade), que o Enrico Casarosa não foi para o encontro em San Francisco por causa de uma baita gripe, mas que ele publicou um livro de 40 páginas com seus desenhos feitos nos outros Sketchcrawls, enfim, assunto sempre tem, mas em tempos de comunicação em tempo real, duas semanas fazem um post ficar desinteressante, datado, quase velho. Quem diria.

O blog do Hiro e o website da Bullet postaram na semana seguinte ao evento, vale a pena conferir.

Então apenas para não passar batido pelo assunto, e dar alguma satisfação aos visitantes da Sketcheria, ávidos por imagens, cheios de paciência para ler meus textos, vou fazer um comentário econômico, redundante e totalmente previsível:

“Foi muuuito legal…”

Tá bom, foi exageradamente econômico, mas foi sincero. Eu realmente não consigo escrever pouco…

154 participantes compareceram em São Paulo, mesmo sendo um feriado de Páscoa, e todos se divertiram muito, trocando mais informações do que eu posso imaginar. É impossível conversar o suficiente com todos, mesmo em quase 12 horas de Sketchcrawl. Eu desenhei pouco, mas me diverti muito, indo de grupo em grupo, curtindo os papos e os desenhos de quantas pessoas eu pude me aproximar.

Tudo terminou em pizza, no Macedo, e dois colegas saíram antes desta foto, mas brindamos a todos, presentes e ausentes do Sketchcrawl.

Temos novas imagens no Flickr do Sketchcrawl Brasil, que já ultrapassou os 15.000 acessos desde que foi criado em janeiro!

Lá estão as minhas 250 fotos, meu único desenho, mas em compensação há trocentas novas imagens dos colegas que conseguiram se concentrar mais no sketchbook e render uma produção bem melhor que a minha.

Aqui podem ser vistas as fotos e imagens de São Paulo no fórum oficial do evento.

Estes foram os produtos doados por vários participantes do evento. Nem todos sabiam da doação para a Casa Maria Helena Paulina, um instituto assistencial que trata de crianças carentes com câncer.

Ainda há tempo de fazer sua doação. Basta enviar um e-mail para wwsc.brasil@gmail.com e combinar o envio.

Não deixe de conferir o Fórum Internacional do Worldwide Sketchcrawl, onde pessoas do mundo inteiro estão postando fotos, sketches e as estórias do dia do encontro. Conheça as cidades através do olhar dos outros artistas que foram às ruas no mesmo dia que nós!

Para ter suas fotos no Flickr do Sketchcrawl Brasil, as fotos devem ser enviadas no tamanho máximo de 1024 pixels para wwsc.brasil@gmail.com , e quem quiser se manter informado sobre os próximos encontros (Sketchcrawl mundial ou mini-encontros ocasionais) basta enviar mensagem em branco para Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br , e assim estará inscrito automaticamente na lista YahooGroups do evento.

Há um post aqui na Sketcheria com todos os links sobre o evento, reportagens, fóruns, etc, e eu coloquei um link permanente que leva a este mesmo post no lado direito do blog, em Sketchcrawl Brasil - Todos os links do evento.

Sketchcrawl de Páscoa - vamos quebrar nosso recorde mundial?

Sabadão, 11 de Abril de 2009. Bem no meio do feriado de Páscoa, mas tudo bem. Vamos desenhar na rua mesmo assim.

Estamos chegando ao 22º Worldwide Sketchcrawl, a maratona de desenho que movimenta milhares de pessoas em mais de 90 localidades do mundo, com um único objetivo: desenhar na rua.

Na edição passada, em janeiro deste ano, tivemos participantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Natal, Fortaleza, Florianópolis, Goiânia, Curitiba e Foz do Iguaçu, além de São Paulo atuando em 3 localidades, Capital, Santos e São Carlos.

A grande surpresa foi ter quebrado o recorde mundial de participantes logo na primeira edição organizada no Brasil, com 120 integrantes na Vila Madalena, em São Paulo. As fotos deste dia estão neste post.

Por ser um evento gratuito, sem inscrição, burocracias ou pré-requisitos, o Sketchcrawl é um convite aberto a todos que quiserem participar, sozinhos ou em grupo, em qualquer localidade do planeta.

Se faz tempo que você não desenha, tudo bem, não é um concurso, tem gente que leva os filhos, é um momento de lazer, não de competição.

Todos os links do Sketchcrawl Brasil estão neste post, onde você encontrará o grupo formado no Yahoo, onde as pessoas de todo o país se organizam para desenhar na rua, reportagens em jornais, blogs e revistas online sobre o evento no Brasil, enfim, tá tudo lá.

No encontro de janeiro fizemos uma arrecadação de não perecíveis, como alimentos e produtos de higiene, para doação a uma entidade assistencial. Foram 46 pacotes de diversos itens, enviados à Casa Assistencial Maria Helena Paulina, que cuida de crianças com câncer. Esta será a nossa entidade beneficiária dos próximos Sketchcrawls.

Se estiver com o coração generoso, traga seu produto não perecível e contribua também.

Em outros estados cada grupo pode escolher uma entidade ou doar a arrecadação para a Defesa Civil, que distribui em pontos críticos pelo Brasil.

Em São Paulo o encontro acontecerá no Parque Ibirapuera, às 10:00hs, na frente do Monumento às Bandeiras, também conhecido como “deixa que eu empurro”.

Ficaremos lá por umas duas horas, seguindo por dentro do parque até o final da tarde, desenhando até cansar. Aí a gente desenha mais um pouco, quem sabe reúne o pessoal para tomar alguma coisa e volta para casa feliz da vida.

No dia seguinte as pessoas do mundo todo postam seus desenhos e fotos fórum internacional do WWSC, e conhecem outras cidades através dos olhos dos participantes.

Detalhe: a conta desta vez não será rachada, cada um paga a sua. Quem não quiser se preocupar com grana pode levar um lanchinho.

E aí, vamos quebrar o recorde mundial novamente? É só chegar.

Se estiver meeesmo a fim de quebrar este recorde, conte para os amigos, use suas listas, seu blog, MySpace, Tweeter, enfim, agite sua rede social e participe. É gratuito e muito divertido.

O mistério das toalhas rasgadas e canetas que somem

Desde agosto do ano passado o Kako trouxe uma novidade para o Bistecão Ilustrado, o encontro mensal dos ilustradores: toalhas de mesa em papel kraft, para os convivas desenharem até se fartar.

O que fazer com as folhas ricamente ilustradas foi um dilema, mas às 4 da matina encontramos uma solução: sketchbooks personalizados. Vai dar trabalho? claro! Mas vai ser legal, vamos criar algo realmente inédito e duradouro.

Inventamos, planejamos e fizemos.

Desde dezembro sorteamos 4 cadernos a cada encontro.

Com o tempo, a dedicação e o besteirol de Christiano Parentoni, Gil Tokio, Márcio Guerra, Alex Cói e este que vos brinda atrás das lentes, foi formado o primeiro de vários grupos de voluntários com boa vontade transbordando pelos poros para fazer a linha de montagem dos cadernos.

Eu já perdi a conta das horas investidas para fazer os presentes que se tornaram um objeto de desejo para todos os frequentadores do Bistecão, e esta energia boa só faz aumentar a cada caderno produzido.

Temos muito orgulho em sermos os protagonistas de uma mudança de paradigma que dizia que “ilustrador não é unido”. Estamos formando um novo modelo de relacionamento entre os ilustradores, e só daqui há alguns anos saberemos se tudo correu conforme os planos.

Estamos apenas mudando as regras do jogo, inventando o futuro de acordo com nossos ideais.

Também não podemos dizer que foi fácil, o sucesso nunca é obra do acaso, da preguiça ou da omissão.

Tivemos um imenso prazer em construir e ampliar a rede de amigos através do Bistecão, e ralamos muito para que tudo desse certo.

Temos uma coisa como meta, ainda que seja modesta: um dia todos os frequentadores do Bistecão terão seu caderninho personalizado, numerado, e recheado de desenhos feitos durante o encontro.

É claro que virão também nódoas de gordura de uma suculenta bisteca maior que o prato, ou de uma cebola voadora qualquer, folhas enrugadas e manchadas por um eventual banho de cerveja, e até palitos de dente espetados ou um arrozinho solitário colado nas páginas.

Coisas que só dão mais charme, personalidade, individualidade e autenticidade a cada caderno, que jamais será igual um ao outro.

O sketchbook do Bistecão é a materialização da mudança daquele paradigma velho e improdutivo que manda os ilustradores serem individualistas, tristes e isolados em seus estúdios, imersos em seu autismo artístico.

O caderninho artesanal, gratuito, exclusivo, é a meta-linguagem do encontro alimentando o próprio encontro, devolvendo a energia entregue pelos frequentadores, em forma de presente, aos próprios frequentadores.

A amizade, a magia de cada encontro, aquelas horas que passam voando, todas as risadas, a voz do Kako sorteando os presentes, tudo isto está impregnado em cada folha dos cadernos.

Nossos netos poderão explicar melhor o que significa ter um sketchbook numerado do Bistecão. Por enquanto ninguém é capaz de ter a noção exata do valor histórico de cada um deles.

O Orlando fez este desenho belíssimo, mesmo sabendo que um dia vai ser cortado e virar sketchbook. Um verdadeiro Ninja na arte do desapego material.

Cada folha, toda folha, vai virar sketchbook. Esta é uma regra que nunca será quebrada.

Não tem uma que escape, por mais belo ou tosco que seja o desenho, por mais importante ou desconhecido que seja o desenhista, todas elas, sem exceção, viram caderno.

Até mesmo as que foram rasgadas ou cortadas por algum convidado vão para os cadernos, nada será poupado. Temos várias folhas faltando pedaços, e isto também faz parte da materialização dos nossos encontros.

Mas em algum momento da festa umas poucas pessoas perdem o senso de coletividade, e uma atitude egoísta bate mais forte. Nesta hora o cara não quer saber dos outros, não respeita ninguém, nem a ele mesmo, mete a mão e leva pra casa uma coisa que era para ser de todos.

Justamente a folha que tem escrito “10 APEGO” teve uma naca enorme levada embora. Que ironia, não?

Não foi a primeira vez, nem será a última. Inteiras ou aos pedaços, estas folhas vão para os cadernos.

Elas são parte da gente, mesmo que sejam um reflexo feio e distorcido num espelho quebrado, é a nossa cara que está ali.

Desenhar nas toalhas é um exercício de desapego, assim como cortar as folhas na hora da encadernação. Eu cheguei a dividir esta angústia com os amigos neste post.

Aos que se apegam demais aos seus rascunhos, sugiro desenhar no próprio caderno. Seria melhor deixar as toalhas para quem já domina a difícil Arte do desapego.

O caderno de cada um não tem preço, é um tesouro pessoal. My preeeeeciousssss…

Sabemos respeitar isto, e jamais rasgaríamos o caderno de um amigo, principalmente na cara dele.

Mas há os que rasgam o feto do que ainda será um caderno, na cara dura, sem o menor pudor, e nem ficam vermelhos por isto.

O mundo dá voltas, e existe a possibilidade que no dia em que você ganhar o seu caderno, justamente o seu, caramba, venha faltando um pedaço. Talvez seja exatamente aquele pedaço que você viu um cara levar, e você não fez nada para impedir.

Com tanta tecnologia, câmeras digitais, celulares de última geração, etc, bastaria um clic para levar aquele desenho para casa.

Sem falar que cada folha é fotografada antes de ser cortada, o registro não se perde, e um dia estará acessível pela web.

Outra coisa misteriosa são as canetas Posca se tornarem invisíveis depois de algumas horas.

Sabe aquelas canetas com um adesivinho escrito a mão “BISTECÃO ILUSTRADO”, que o Kako compra com o dinheiro extra da caixinha paga pelos convivas e empresta aos convidados para que desenhem nas folhas?

Então, aquelas mesmo.

Elas se teletransportam sozinhas para algum lugar insondável, ou talvez sejam abduzidas por aliens, sei lá.

Mas o fato é que nenhuma das desaparecidas jamais retornou para relatar a experiência. Pode parecer um tanto estranho, meio bizarro, tipo Arquivo X, mas acontece de verdade, juro.

A gente sabe que ninguém levaria material dos outros para casa, não temos ladrões entre nós, somos todos colegas, parceiros, amigos.

Mas chega no fim da festa, a gente nunca encontra todas as canetas. Elas devem estar em algum lugar, mas onde? Talvez tenham passado por alguma fenda do espaço-tempo ou coisa parecida, e se perdem para sempre em outra dimensão.

Eu vou confessar que tenho medo deste lance.

Vai que a gente enfia o pé, ou pior, as mãos nesta parada aí? Aí o braço fica só um cotoco… sem dor, sem sangria, mas também sem poder desenhar nunca mais, sem aposentadoria, sem seguro contra acidentes pessoais…

Tá louco, dá calafrios só de pensar!

Um dia vou chamar uma equipe do Discovery Channel para fazer uma reportagem especial sobre isto.

Mas por outro lado estamos orgulhosos e felizes por espantar o fantasma da desunião dos ilustradores, de criar um presente e um futuro melhor para os nossos colegas de profissão, e de sermos os criadores e as criaturas de um renascentismo contemporâneo, criativo, prolífico, repleto de frutos e de novas possibilidades.

Ainda temos nossos defeitos, nossas vaidades, nossos egoísmos, afinal somos humanos, e o maldito jeitinho brasileiro, mesmo que moribundo e agonizante, mostra sua cara feia de vez em quando.

Ele está em cada página rasgada dos nossos caderninhos, em cada caneta que passa para a outra dimensão, em cada conta mal-fechada nos botecos da vida, nos lembrando que ainda falta muito chão para sermos verdadeiramente unidos, coesos, irmãos.

O jeitinho brasileiro tentou estragar o Sketchcrawl Brasil, quando faltou R$ 70,00 na conta do Bar Genésio. Passamos pelo constrangimento de fazer uma vaquinha de R$ 0,50 para poder sair do restaurante, mas isto não tirou o brilho do evento.

A nossa conquista é sempre maior que estas mancadas, e é exatamente este o nosso objetivo, construir mais que destruir, e modéstia às favas, estamos fazendo isto muito bem.

Parabéns e obrigado a todos que constroem.

Espero que os outros acabem sendo influenciados por esta boa energia, e possam experimentar o mesmo tesão que nós sentimos em somar e unir, ao invés de dividir.

Parece uma cleptomania às avessas, uma vontade incontrolável de entregar, ao invés de tomar dos outros.

O barato é tão forte que vicia. A gente sempre quer mais e mais.

Nem vem, eu não vou procurar auxílio médico!

Eu estou bem assim!

Hello YouTubes!

Tem aqueles seres iluminados que fazem brincando o que as outras pessoas não conseguem fazer, mesmo que morram tentando.

É sempre gostoso ver um virtuoso praticando seu talento, seja qual for a área que ele atua.

Um destes malucos é o Ronald Jenkees, um músico talentoso, que faz questão de dizer que não estudou música, não vive disto, mas se diverte muito “brincando” com seu teclado e uma webcam.

Ele está se tornando uma celebridade da web, com vários milhões de views em cada um de seus vídeos caseiros, e já chama a atenção de algumas gravadoras.

Com uma humildade quase infantil em suas palavras, ele abre a maioria dos videos com “Hello YouTubes!” sempre ligando sua música com “lots of fun”, e demonstrando isto ao tocar.

Como todo virtuoso, ele faz o impossível parecer extremamente fácil, e eu me sinto um neanderthal frente ao monolito quando olho para o piano.

Outra criatura interessante é a Little Boots, musicalmente mais modesta que o nosso techno-nerd, usando os mesmos recursos caseiros, e também fazendo certo sucesso através dos videos do YouTube.

Sem grandes pretensões, estes e outros músicos usam bem os recursos da web e atingem centenas de milhares de ouvintes, criando legiões de seguidores, sem a cosmética dos palcos, divulgando seu show em casa, como uma pessoa comum.

Isto me faz compreender perfeitamente o que sente alguém quando me diz, com uma pontinha inocente de inveja, que não sabe desenhar nada. Deve ser muito parecido com o que eu sinto ao ver estes músicos. Enquanto eu frito os miolos para decorar algumas escalas e intervalos, com direito a câibras nos acordes de 7ª, tudo fora do tempo, um horror, eles passeiam no teclado.

Algumas pessoas desenham por prazer, outras estudam sânscrito ou tupi-guarani, e eu continuo arranhando as teclas e estudando teoria musical de vez em quando, sem saber tocar nem o “bife”.

Mas não esquento com isto. Como diria o Jenkees: “it’s a lot of fun”.

Lojinha da Sketcheria: folded pens e kits de furação

Aproveitando o tema de um post recente, caligrafia, muita gente me pergunta sobre a folded pen que eu fiz com latinha de atum, comentada aqui, sobre o workshop do Cláudio Gil.

Teve gente querendo mais fotos, como fazer a pena, workshops de pena, tutoriais, e alguns me perguntaram se eu não faria outra pena igual, que eles tinham interesse em comprar.

Com a folded pen artesanal fiz alguns estudos com Ecoline, que rendem longos assuntos com os amigos, nem tanto pela qualidade do trabalho, mas pelo interesse deles no modelo da pena, que permite algumas aventuras caligráficas bem legais.

Seria improdutivo fazer uma ou duas, e um tanto sacana vender apenas para os mais chegados, portanto eu decidi fazer uma pequena linha de montagem e vender as penas sob encomenda. As penas são cortadas e dobradas cuidadosamente, seguindo o mesmo gabarito desta da foto, lixadas e recebem acabamento com micro óleo M1.

E vem com o adaptador preto, super style!

Estou fazendo também um kit de furação para a confecção de sketchbooks.

Coisa fina: peroba rosada (calma, é madeira reutilizada de demolição), com grossas agulhas de aço.

A furação, encaixe e colagem das agulhas foi feita por mim. Nem um marceneiro teria tanto critério para as agulhas não sairem do alinhamento.

O padrão será de 10 furos, com 17 cm de comprimento, como nos cadernos do Bistecão Ilustrado, mas posso fazer outras medidas e padrões de furos customizados.

Quem fez o workshop Diário Gráfico com o Renato Alarcão já sabe o trabalho que dá furar cada um dos cadernos na mão, furo por furo. E o risco de ter um único furo teimoso, desalinhado, estragando a harmonia do caderno inteiro.

Com este kit você prende as folhas entre a guia e a peça triangular e passa as 10 agulhas de uma vez, sem erro, sem esforço, sempre com as mesmas exatas medidas.

Todos estes cadernos foram furados em menos de meia hora. Não teve nem graça. No método tradicional teria levado uma tarde inteira, e provavelmente um pedaço da noite.

Quem se interessar em adquirir estas peças e inaugurar a “lojinha da Sketcheria”, é só me mandar um e-mail, ok?

As penas ficarão em R$ 40,00 cada (completa, com adaptador), e o kit de furação por R$ 120,00 (mais despesas de Sedex).