Monthly Archives: janeiro 2009

The Illustration Academy - 002

Entre um assunto e outro, vou contando aos poucos os causos da Illustration Academy, iniciados neste post.

Estava almoçando com John English, coordenador do curso, quando uma moça se apresentou e mostrou a ele uma proposta que mudou os rumos do nosso treinamento, e até certo ponto, da nossa experiência como ilustradores.

Ela administrava um evento que estava para acontecer no Liberty Memorial, em Kansas, inaugurado em 1926 para abrigar o Museu Nacional da Primeira Guerra Mundial.

O encontro de artistas era chamado “La Strada del Arte” e durante dois dias o parque se transformou em um atelier a céu aberto.

Os artistas inscritos receberam gratuitamente kits de giz pastel e cada um foi conduzido a uma área determinada, com o nome de uma das centenas de empresas patrocinadoras do evento.

O estudante sueco Alexander Klingspor e o instrutor Brent Watkinson. Duas figurassas, engraçados, talentosos, e “friends for life” desde meu primeiro aperto de mãos com eles.

Os artistas em suas “baias” tomaram de ponta a ponta as duas ruas centrais do parque.

Mesmo inexperientes em “street painting”, os estudantes da Illustration Academy não pagaram nenhum mico frente aos outros artistas, calejados na técnica de pintar o asfalto com pastel.

Os veteranos da arte no asfalto armaram banquinhos dobráveis, guarda-sóis montados em tripés, caixas repletas com seus próprios pastéis, isopor com Gatorade geladinho, enfim, impressionaram muito pela parafernália, mas apenas alguns por suas obras.

É incrível como os americanos elevam qualquer hobby ao patamar do profissionalismo, mesmo sabendo que, nesta frágil manifestação artística, tudo vai para o esgoto na primeira chuva.

Os ilustradores, em sua primeira experiência neste insólito suporte, até que fizeram bonito.

Em um sábado de verão senegalesco, nos protegemos do solão que praticamente assava os animais, vegetais e minerais do centro-oeste da gringolândia usando protetor solar, mas só no domingo percebemos a importância de proteger as orelhas.

Passamos a semana com orelhas vermelhas como tomates e descascando como cebolas.

Este escriba, 10 anos mais jovem e 10 Kg mais magro, ameaçou morder o giz como se fosse uma bolacha, para o horror da fotógrafa, a nossa fina colega inglesa, a mesma artista que pintou sardinhas no asfalto que fariam um gato salivar.

“Holy cow”, uma interjeição de espanto, usada ao pé da letra.

O sueco maluco, achando pouco fazer um desenho de um metro e meio de largura, pintou logo duas imagens de uma vez.

Eu tinha um desenho de um caubói domando um aerógrafo no portfolio, mas troquei por um pincel para ter uma identificação mais imediata, já que nem todos conhecem um aerógrafo.

No meio da tarde resolvi fazer uma bandeirinha do Brasil no desenho, e foi o suficiente para fazer amizade com vários brasileiros, a passeio ou moradores de Kansas, que vinham conversar em português comigo.

O “La Strada del Arte” foi um sucesso, com um grande público, com catálogo e tudo.

Um evento muito divertido, com visitantes pitorescos.

Caminhando em terreno inexplorado

Quando se descobre uma nova fonte de energia ou um território inexplorado, não se tem a noção exata do que se tem nas mãos, nem a dimensão da extensão ou a profundidade desta descoberta.

Eu ando me sentindo assim com os sketchbooks.

Eles me abriram “portas da percepção”, e ao contrário de Aldous Huxley, eu posso fazer minhas experiências livremente, legalmente e sem danos neurológicos.

Dos workshops do Renato Alarcão ao desengavetar papéis velhos e montar cadernos, e até mesmo na escolha temática deste blog, tenho caminhando em um território inexplorado, fascinante, e vejo agora que há muitos, como eu, interessados em descobrir onde isto tudo pode nos levar.

O retorno que estou tendo com o Sketchcrawl Brasil tem sido surpreendente, além do número recorde de participantes, tenho recebido todo tipo de feedback, de e-mails pessoais a entrevistas, além de inúmeros contatos com pessoas de diversas áreas, que desejam retomar o hábito de desenhar, por prazer ou por ambição profissional.

Eu mesmo tenho experimentado muitas possibilidades novas, técnicas diferentes, temas e abordagens que permitem tirar do trivial algo único, e o resultado deste meu novo hábito é que a mudança acontece não no papel, nem tanto no traço, mas no olhar.

Parece que ao fechar o caderno com um desenho novo nele, o olhar continua atento, o senso de observação fica mais aguçado e até certo ponto mais perceptivo a detalhes e sutilezas, que passam despercebidas quando se está fora deste ritmo constante de desenho.

A impressão que tenho é que estou enxergando melhor, percebendo mais e processando melhor tudo que acontece diante dos meus olhos.

Tudo parece mais “desenhável”, dos detalhes de porcas e parafusos no extintor de incêndio aos corredores e paredes, das dobras das roupas às características faciais das pessoas, gente bonita fica fascinante, gente feia fica interessante, enfim, é como se eu estivesse ligado no modo “draw”, mesmo quando não estou desenhando.

Acho que estou adquirindo a disciplina e a compulsão por desenhar que eu busquei a vida inteira.

Finalmente estou ficando doido o suficiente para querer desenhar o tempo todo, ou de desenhar com os olhos, mesmo quando não estou desenhando com as mãos…

A energia trocada com as pessoas interessadas nos sketchbooks, ver seus desenhos, sentir a motivação brilhar nos olhos, criar objetos de desejo em forma de cadernos, isto tudo me alimenta também, e me faz sentir que estamos abrindo picada em uma mata inexplorada, um terreno inédito no Brasil, que são
os sketchbooks, com seus desenhos sem cliente, feitos sem compromisso, criados pelo mais absoluto e puro prazer de desenhar.

Não sei onde isto vai nos levar, mas talvez tudo isto seja ao mesmo tempo o segredo, a pergunta e a resposta. É provável que o destino seja o próprio caminho trilhado.

Pousada na Barra, em Salvador. Vista da cama. Só geometria perfeita e cores lindas, não dá vontade de desenhar?

Sabe quando você passa em algum lugar, tem vontade de recortar aquela imagem do cenário e levar com você, mas sempre tem algo que te impede? Eu sinto isto o tempo todo em viagens, por isto eu fotografo tanto, enlouquecidamente, compulsivamente, pensando em desenhar ou pintar tudo aquilo um dia.

Detalhe do topo de uma porta no Pelourinho, em Salvador. Depois de muitas fotos familiares, sorrisos, caretas, etc, liguei o modo “draw” e despertei para riqueza dos detalhes e das cores em cada palmo ao nosso redor. Zoom no máximo, e fotos, muitas fotos.

Aos poucos estou encaixando peças importantes no meu quebra-cabeças interior, unindo este hábito antigo de fotografar pensando no desenho, com o novo prazer de carregar sketchbooks para todo lado.

Materializando um antigo projeto, desenhar sobre fotos, tiradas com este único propósito. Estes dois desenhos de Salvador foram feitos ontem, entre um gole e outro de um copão de Café Mocha, no Starbuck’s.

Evento de carros antigos no autódromo de Interlagos. Desenharia lá por uma semana inteira, mas tenho fotos suficientes para desenhar carros antigos, hot-rods, stock-cars, concept-cars, etc, por meses a fio.

Carrego minhas fotos preferidas no ipod, preso com elásticos no caderno, e tenho anos de imagens, viagens congeladas no tempo, memórias vívidas e significados pessoais, sempre disponíveis na página ao lado. Seja na fila do banco, ou enquanto aguardo minha vez no consultório do dentista, no sofá depois do jantar, enfim, valeu a pena fotografar tanto, e agora é só desenhar tudo.

Louco? Talvez.

Feliz? Com certeza.

Andrew Wyeth se foi

Um dos pintores mais aclamados da atualidade se foi, durante o sono, nesta sexta-feira.

Dono de uma técnica impecável, Andrew Wyeth tinha 91 anos. Filho mais jovem do legendário N. C. Wyeth, pertencia a uma dinastia de artistas que deixaram sua marca na História como grandes virtuosos.

Sketchcrawl Brasil - recorde mundial em Sampa

Eu sempre tenho o cuidado de ser breve nos posts deste blog, mas neste aqui vai ser difícil.

O Worldwide Sketchcrawl é sempre aguardado ansiosamente por desenhistas no mundo inteiro, e finalmente chegou a vez do Brasil participar em peso neste evento.

Além de São Paulo atuando em 3 localidades, Capital, Santos e São Carlos, tivemos gente desenhando na rua também no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Natal, Fortaleza, Florianópolis, Goiânia, Curitiba e Foz do Iguaçu.

A ansiedade é tanta, que alguns dias antes do evento já tem maluco como eu na rua, esquentando o caderno.

Felizmente não sou só eu. Uma hora antes do combinado já tinha gente enchendo seus caderninhos. A caminho do Bar Genésio encontrei alguns amigos desenhando na pastelaria da feira, literalmente no meio da rua. Esta turma já tinha saído pela Vila Madalena semanas antes, reconhecendo o território, afiando seus lápis, adiantando o expediente, e desenhando, é claro.

Aqui em São Paulo eu reservei uma mesa para 20 Pessoas no Bar Genésio, esperando um pouco mais, talvez.

Para facilitar o reconhecimento entre os colegas e saber quantos foram, imprimi 80 adesivos numerados com o logo do evento, que surpreendentemente se foram em meia hora.

120 pessoas compareceram no local, e em 40 minutos todas as mesas do bar estavam tomadas pelos Sketchcrawlers, dentro e fora do Genésio.

Era muita gente.

O Bar Genésio ficou pequeno para tanta gente, e acabaram ocupando o Bar Filial também, na frente do Genésio. Além deste pessoal na foto, todos sketchcrawlers, tinha mais gente do nosso grupo dentro do Filial.

E lá foi o Brasil, descendo a ladeira. A foto não faz justiça a sensação incrível de ver tanta gente junta, com seus caderninhos na mão. Tinha gente desenhando e andando ao mesmo tempo, juro, eu filmei.

Nos próximos dias vou editar um video com estas e outras imagens mostrando a galera.

Próxima parada: Beco do Batman: pitoresco, ilustrado, colorido, perfeito.

De lá subimos a rua Harmonia. E subimos, e subimos, e subimos… até cansar.

Por sorte cansamos em uma esquina interessante, altamente desenhável.

E o verão nos presenteou com um entardecer dourado, na praça.

Os Duracell Brothers ficaram até a meia-noite, desenhando, conversando e desenhando um pouco mais.

Foi um dia memorável, 12 horas de Sketchcrawl, 120 participantes, um recorde mundial, segundo o próprio criador do evento, o ilustrador Enrico Casarosa.

Como se não bastasse, ainda saímos em página inteira e chamada na capa do Estadão!

Para ver todas as fotos e desenhos do Sketchcrawl Brasil, inclusive de outras cidades e estados, visite o Flickr do grupo.

Para participar dos próximos encontros ou conhecer um pouco mais sobre o evento, veja este post, com todas as informações e links necessários.

Sketchcrawl Brasil - 10/01/2009 - dia de desenhar na rua

Neste sábado desenhistas do mundo inteiro sairão às ruas, com seus cadernos, canetas, lápis, aquarelas, tabletPCs, tocos de carvão, etc, para desenhar desembestadamente tudo que estiver ao alcance dos olhos e da mente, na 21ª edição do Worldwide Sketchcrawl.

O Brasil terá sua participação por vários estados e cidades como Florianópolis, Foz do Iguaçú, Rio de Janeiro, Goiânia, Santos, Minas Gerais, Fortaleza, Natal, São Paulo, entre outros, segundo as mensagens postadas na Lista do Sketchcrawl Brasil do Yahoo Grupos. Para se inscrever na lista envie um e-mail em branco para Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br .

Em São Paulo o encontro será no Bar Genésio, R. Fidalga, 259 - Vila Madalena - São Paulo - SP Tel: (11) 3812-6252), no sábado, dia 10/01 ao meio-dia, onde ficaremos até as 13:00hs. Neste link tem algumas fotos do local, e um Google maps para localização.

Vamos seguir o esquema que outros grupos de Sketchcrawlers já adotaram, que é ficar durante uma hora em cada local, e seguiremos mudando de paisagem de hora em hora, com algumas paradas para café, água ou cerveja nas boas lojas do ramo que estiverem pelo caminho, até umas 6 ou 7 da noite, onde terminaremos o encontro em outro bar ou pizzaria, que será escolhido na hora, entre os presentes.

Vale lembrar que este não é um evento paulista, é mundial. Cada um pode ir às ruas sozinho ou em grupo, sem burocracia, inscrição ou permissão, é só desenhar e pronto.

Foi criada uma conta no Flickr, que será a nossa galeria oficial do Sketchcrawl Brasil, para armazenar fotos e desenhos dos participantes de norte a sul do país.

http://flickr.com/photos/sketchcrawlbrasil/

Os inscritos na lista receberão um endereço de e-mail para onde podem enviar suas imagens, que também serão enviadas para o fórum oficial do Worldwide Sketchcrawl, onde estão armazenados todos os eventos anteriores.

O grande barato vai ser acessar este fórum após o evento, e ver as imagens postadas por desenhistas do mundo inteiro, cada um desenhando a sua cidade, e se reconhecer como participante neste movimento mundial, sabendo que suas imagens foram feitas no mesmo dia que todas as outras.

Uma ação social também acontecerá paralela ao evento, e os participantes deverão trazer produtos não-perecíveis (alimentos ou de higiene pessoal), que serão doados a entidades de auxílio a crianças com câncer.

Os dados sobre a doação (parcerias com ONGs e empresas, quantidades, itens, entidades beneficiadas, etc) serão postados na lista do Sketchcrawl Brasil.

O encontro acontecerá a cada dois ou três meses, de acordo com o calendário estabelecido pelo criador do evento, o ilustrador Enrico Casarosa.

Aliás, uma fonte confiável, que eu não posso revelar, me disse que o Enrico vai nos enviar adesivos do evento. Agora é aguardar a confirmação e disputar a tapa cada um deles.

Revista Ilustrar nº 8

A Revista Ilustrar já está disponível para download gratuito, e traz nesta edição especial de Grandes Mestres várias entrevistas e ilustrações de Benício, Carlos Chagas, Daniel Adel, Gilberto Marchi e Rui de Oliveira.

Imperdível é pouco, é do &%$#@*&!

Sketchbooks - na cola dos heróis

Algumas vezes parece que o lado criativo do cérebro sai de férias, mas aquela vontade atormentada de desenhar fica de plantão, disposta a virar a noite, e aí, como saciar esta sede?

Já aconteceu com você de querer desenhar e faltar assunto, faltar um tema, faltar aquela lampadinha brilhando em cima da cabeça, como nos quadrinhos?

Eu estive assim nestes dias. Com tempo, com vontade, e com a lâmpada apagada…

Quando isto acontece, eu apelo mesmo, sem o menor pudor, desenho na cola dos meus heróis, pra ver se pega no tranco, ladeira abaixo, na banguela.

Estava na Livraria da Vila e grudei em um livro do Hundertwasser, de quem sou fã há muitos anos, afundei nas almofadas e pirei em um dos seus quadros. Fui atrás dele, tentando aprender alguma coisa, absorver aquela magia toda por osmose, e fiz uma cópia descarada e um tanto tosca daquele trabalho, mas a idéia não era fazer uma réplica pra vender no mercado negro, e sim entender como ele pensou aquela obra.

O desenho da Mônica veio no dia seguinte, feriadão, tomando café da manhã com a família no Fran’s, a Mônica brincando no celular novo, paradinha… Ela gostou muito, eu achei que o desenho poderia ficar bem melhor.

Logo em seguida me veio a imagem do Hundertwasser na cabeça, como eu poderia misturar aquela maravilhosa confusão de cores e traços em uma paisagem urbana. Sketchcrawl chegando, eu pensei que seria legal entortar a cidade com aquele estilo, e misturando todas as canetas, canetinhas e canetões que eu carrego na mochila, saiu o desenho acima, quase abstrato, entre uma bocada de pão com manteiga e um gole de café com leite, enquanto a Mônica enviava a primeira mensagem de Twitter pelo celular.

E este fundo foi feito carimbando tinta a óleo usando aquelas réguas de normógrafo, lembra? Antes das fontes TrueType a gente marcava letras com equipamentos caríssimos, Kern, importados da Suíça. Eu comprei meia dúzia destas réguas outro dia a preço de banana em fim de feira. A tinta a óleo sela o papel contra as cores que vazam pelo outro lado do papel, e dá um efeito interessante.

Dias depois a lampadinha continuava apagada, mas os dedos estavam nervosos. Desenhar, desenhar… de blog em blog eu via artistas geniais arrebentando, centenas de desenhos que pareciam sair do nada, até que eu entuchei o pudor no lixo novamente, e usei um thumbnail a lápis de um artista que nem sei o nome, misturei as canetas como no estudo anterior, e a luz em cima da minha cabeça deu umas piscadas.

Rolou até um esquema de luz e sombra que não existia no desenho do cara, e no final eu me senti um pouco menos chupa-cabra, mas ainda comportado demais, eu quero entortar mais, quero linhas desencontradas, cores fora dos contornos.

Piscou mas não brilhou, e fiquei um tempão sobre alguns estudos abstratos de cor (descobri que as canetas Posca cinza funcionam bem em cima de cores intensas, chapadas). Boring, mas importante. A chatice faz parte, entender o processo, buscar uma técnica e reinventar a roda nunca foi um processo indolor. Mas algumas coisas interessantes começaram a sair no papel, como esta imagem, que escapou do lixo e veio parar no sketchbook.

O processo é longo, dias depois eu ainda estava na cola de alguns magos do desenho, como Mark Behm. Ele faz tudo parecer fácil, desenhar, pintar, criar personagens e universos. Eu desencanei e soltei o chupa-cabra nele também, mas usando esta minha técnica teimosa, pintando o fundo com marcadores daqueles antigos, que cheiram a Thinner, cobrindo com Posca cinza. Estou gostando muito desta combinação.

Flickr, Image Bank, milhares de fotos, e resolvi arriscar minhas canetadas caricaturando uma boca aqui, um nariz ali. Hmmm… legaus.

Boralá, fazer outra moçoila em um papel que estava pra lá de manchado, testando até onde posso ir com a cobertura das canetas Posca.

Ela não só cobre as outras cores, como deixa um tonzinho aparecendo por trás. Pode chutar o balde no “underpainting”, o processo fica horroroso na metade, mas no final tudo se encaixa. A mão parece bem mais solta agora, dá para arriscar mais, e descobri que neste mato tem coelho, vou fazer mais estudos combinando canetas diferentes.

Gostei do resultado, acho que estou encontrando aos poucos o fio da meada que estava procurando, dias atrás.

A lampadinha ligou novamente!

Workshop Diário Gráfico em SP (corrigindo as datas)

O ilustrador Renato Alarcão estará em São Paulo nos dias 16, 17 e 18 de janeiro, trazendo mais uma edição do workshop Diário Gráfico, onde são apresentadas diversas técnicas de desbloqueio criativo e encadernação de sketchbooks.

Eu fiz o workshop com ele duas vezes, e para não me estender muito em elogios e rasgação de seda (totalmente justificáveis), basta dizer que este blog não teria sido criado, nem meus cadernos ou a experimentação que tenho feito nos sketchbooks, se não fosse o impulso inicial do Renato Alarcão.

Costumo dizer a ele que a raquetada nos meus miolos foi tão grande, que meu cérebro está girando até hoje, quatro anos depois do primeiro workshop. Escrevi um post sobre este assunto aqui.

Entre em contato com ele por e-mail ou pelo telefone (21) 3602-3760, mas não demore, porque as vagas são poucas.

Enjoy!

J. C. Leyendecker

Não tenho a pretensão de escrever um post como uma homenagem, mas é uma maneira fácil, rápida e eficiente de compartilhar com os amigos a admiração que eu tenho por alguns artistas em especial, mostrando suas imagens e contando um pouco de suas vidas.

Joseph Christian Leyendecker quase fez meus olhos quicarem pelo chão quando vi suas imagens pela primeira vez. Em agosto de 1988 eu trabalhava na Box Propaganda, e vi em um anuário uma ilustração belíssima, de um elefante indiano com uma princesa no “cockpit” sobre ele, com uma figura elegante caminhando ao seu lado, em passos largos. Nunca mais vi esta imagem desde então, mas me lembro como se estivesse olhando para ela agora. Eu tenho memória seletiva, e me lembro com detalhes de algumas coisas, e esqueço outras, às vezes necessárias, importantes.

Cheguei a ver alguns originais dele, finalizados e rascunhos, na Society of Illustrators e na Illustration House, mas isto é assunto para um próximo post.

Por acaso, navegando e babando em blogs de outros ilustradores, encontrei alguns links para trabalhos finalizados e rascunhos de Leyendecker, vários close-ups extremos, e resolvi dividir esta alegria visual com os amigos.

Na verdade é a Louis Gonzales que deveríamos agradecer, foi ele que visitou o Haggin Museum em Stockton, Califórnia, onde este humilde escriba estaria agora, se pudesse, nem que para isso tivesse que vender um rim. Em último caso, até o meu próprio.

Ele mesmo não contava com mais de meia dúzia de originais, mas ficou surpreso com tantas peças, e fotografou em detalhes os 30 originais de Leyendecker, além de outras tantas de Bougereau e Jean-Leon Jerome.

Rabudo…

Os outros links são este, e este, que mostram muitas outras imagens e biografias deste artista alemão, nascido em 1874, que se mudou para os EUA com seus pais aos 8 anos de idade.

Com seu estilo, técnica e incopiáveis pinceladas paralelas, ele gravou para sempre sua assinatura no Hall da Fama da ilustração americana, e em 322 capas da Saturday Evening Post, mais exemplares do que Norman Rockwell ilustrou.