Entre um assunto e outro, vou contando aos poucos os causos da Illustration Academy, iniciados neste post.
Estava almoçando com John English, coordenador do curso, quando uma moça se apresentou e mostrou a ele uma proposta que mudou os rumos do nosso treinamento, e até certo ponto, da nossa experiência como ilustradores.
Ela administrava um evento que estava para acontecer no Liberty Memorial, em Kansas, inaugurado em 1926 para abrigar o Museu Nacional da Primeira Guerra Mundial.
O encontro de artistas era chamado “La Strada del Arte” e durante dois dias o parque se transformou em um atelier a céu aberto.
Os artistas inscritos receberam gratuitamente kits de giz pastel e cada um foi conduzido a uma área determinada, com o nome de uma das centenas de empresas patrocinadoras do evento.
O estudante sueco Alexander Klingspor e o instrutor Brent Watkinson. Duas figurassas, engraçados, talentosos, e “friends for life” desde meu primeiro aperto de mãos com eles. 
Os artistas em suas “baias” tomaram de ponta a ponta as duas ruas centrais do parque.
Mesmo inexperientes em “street painting”, os estudantes da Illustration Academy não pagaram nenhum mico frente aos outros artistas, calejados na técnica de pintar o asfalto com pastel.
Os veteranos da arte no asfalto armaram banquinhos dobráveis, guarda-sóis montados em tripés, caixas repletas com seus próprios pastéis, isopor com Gatorade geladinho, enfim, impressionaram muito pela parafernália, mas apenas alguns por suas obras.
É incrível como os americanos elevam qualquer hobby ao patamar do profissionalismo, mesmo sabendo que, nesta frágil manifestação artística, tudo vai para o esgoto na primeira chuva.
Os ilustradores, em sua primeira experiência neste insólito suporte, até que fizeram bonito.
Em um sábado de verão senegalesco, nos protegemos do solão que praticamente assava os animais, vegetais e minerais do centro-oeste da gringolândia usando protetor solar, mas só no domingo percebemos a importância de proteger as orelhas.
Passamos a semana com orelhas vermelhas como tomates e descascando como cebolas.
Este escriba, 10 anos mais jovem e 10 Kg mais magro, ameaçou morder o giz como se fosse uma bolacha, para o horror da fotógrafa, a nossa fina colega inglesa, a mesma artista que pintou sardinhas no asfalto que fariam um gato salivar.




“Holy cow”, uma interjeição de espanto, usada ao pé da letra.
O sueco maluco, achando pouco fazer um desenho de um metro e meio de largura, pintou logo duas imagens de uma vez.
Eu tinha um desenho de um caubói domando um aerógrafo no portfolio, mas troquei por um pincel para ter uma identificação mais imediata, já que nem todos conhecem um aerógrafo.
No meio da tarde resolvi fazer uma bandeirinha do Brasil no desenho, e foi o suficiente para fazer amizade com vários brasileiros, a passeio ou moradores de Kansas, que vinham conversar em português comigo.
O “La Strada del Arte” foi um sucesso, com um grande público, com catálogo e tudo.
Um evento muito divertido, com visitantes pitorescos.




















































