Estive na Vila Madalena esta manhã, e parei para um desenho em uma esquina da rua Harmonia, próximo de onde nos encontraremos no dia 10 de janeiro, para o Sketchcrawl.
A vontade era de dar uma aquarelada neste desenho, marcar melhor os contornos, mas estou descobrindo outros caminhos com o sketchbook, o incompleto tem sua magia, assim como o torto.
Preciso aprender a entortar mais, e principalmente saber onde parar. Isto para mim é o mais difícil…
Se pudesse teria passado o dia inteiro passeando por lá, desenhando até o anoitecer.
Papai Noel veio temático e cheio de bom gosto este ano. Nada de cuecas, meias e pijamas, presentes que sempre detestei desde pequeno.
Tá certo que dois livros já estavam na minha lista, destinados, marcados para sair das estantes lisérgicas da Livraria POP para as minhas mãos. Valeu a espera.
Glenn Barr é absolutamente fantástico, com uma técnica que mistura o clássico com o cartum, bem vintage, parece óleo, mas é acrílica sobre madeira, deixando frestas entre as pinceladas, por onde a gente espia a cor de base, quase sempre um ocre profundo… ora, não dá pra descrever, teria que usar muitos palavrões, só vendo mesmo.
O livro The Artist’s Sketchbook está para este desenhista como um rabo-de-galo está para um pinguço. Não dá para evitar, eu preciso ter, é mais forte que eu…
Cheio de técnicas, exemplos e insights da autora, Lucy Watson, é tremendamente inspirador, dá vontade de sair desenhando pela casa, pelo bairro, pelo mundo.
O Livro das Perguntas é de Pablo Neruda, ilustrado por Isidro Ferrer. Estilo hai-kai, leve, delicioso e não-linear. Qualquer página tá valendo, em questionamentos intrigantes, curtos, abstratos, que só sairiam da cabeça de um gênio. Quem me deu disse, timidamente, que eu poderia trocar se quisesse. Nem por decreto, Antônia.
E um kit de Caligrafia que é tão singelo e bacana que dá vontade de escrever o nome de quem me presenteou mil vezes com ele.
Só quem já ganhou um presente da Mônica sabe o talento que ela tem para agradar as pessoas.
Se fosse postar todos os causos e fotos que tenho da Illustration Academy, seria melhor fazer um blog só para isto. São mais de 1800 fotos de quando participei deste workshop em Liberty (na divisa entre Kansas e Missouri), em 1997 e 1998.
As outras fotos são de portfolio dos artistas, algumas delas tiradas nos estúdios onde eles trabalhavam, e o resto são amenidades, jogando frisbee no campus da William Jewell School, ou das paisagens e detalhes da cidade, inclusive de árvores centenárias derrubadas por uma tempestade tropical (logo abaixo da classificação de furacão) que passou por lá.
Fomos convidados a ir para a casa do Mark English, assistir a luta, sem imaginar que o Tyson iria jantar a orelha do Holyfield, e chegamos pelo menos 5 horas antes, para degustar as obras originais do nosso anfitrião.
Marcelo Gomes (que explodiu minha cabeça ao me apresentar um anúncio deste workshop, cerca de um ano antes), 3 alunos americanos, e Mark, em sua prancheta, preparando uma demonstração inesquecível: o retrato do Drácula.
Hora da luta, metade do estúdio já apagado, e eu era o último a deixar o local. Esta era a cena, depois da demonstração. Nem vou tentar descrever o que eu sentia naquele momento, mas era intenso.
Chris Payne, Mark English e seu filho John English, durante uma avaliação dos trabalhos da semana.
Conviver com ilustradores que eu cultuava como deuses consumia toda minha adrenalina, eu dormia muito pouco e devorava intensamente cada instante, o que me garantiu o carinhoso apelido de “brazilian maniac”.
Eu tinha um certo receio de estar sonhando, mas se em 10 anos eu ainda não acordei, acho que deve ser verdade.
Bart Forbes, uma das pessoas mais agradáveis do mundo, quase um Benício. E com um pincel na mão é mais poderoso que o Batman, Super-Homem e o Homem-Aranha juntos.
Se existe um deus na ilustração, deve ser o segundo na hierarquia. Antes dele vem Gary Kelley.
A ilustradora canadense Anita Kunz, durante uma demonstração.
Na noite de despedida fizemos um presente para Mark, John e Brent, os 3 instrutores permanentes da Illustration Academy. Mark English foi um campeão de boxe, antes de se tornar uma lenda na ilustração, e em cada luva pintada com tinta dourada haviam palavras de admiração e carinho por tudo que eles nos proporcionaram.
Já escrevi sobre este assunto neste post, mas no lançamento do Zeitgeist Addendum, em outubro, ainda não havia a edição legendada em português, já disponível no site.
Ambos os filmes são intensos e imperdíveis. Não vou me debulhar em elogios ou descrever as razões por que todos deveriam assistir aos dois filmes, no final só assiste quem quer.
No entanto, uma coisa é certa: a gente termina os filmes com a certeza que ficou um pouco mais inteligente.
Acho que ainda não me caiu a ficha… é uma página inteira sobre o Bistecão no Caderno 2: Quem somos, de onde viemos e para onde vamos!
A Carlinha fez um bolo de chocolate e cupcakes de virar os olhos. Como ela consegue?
Foi bonita mesmo a festa, pá!
Uma das melhores, e mais 80 pessoas lotaram completamente o andar de cima do Sujinho.
Um dos muitos momentos memoráveis ficou por conta do Orlando, que mandou ver uma das suas Moças Finas, em cores e ao vivo. Dói só de pensar que um dia esta imagem terá que ser cortada, mas alivia saber que alguns sorteados poderão ganhar partes deste original nas folhas de um sketchbook.
Spacca não arriscou ver um dia sua obra dividida, e arrepiou no sketchbook.
O blog do Bistecão está sendo reformulado, e logo vou postar aqui e lá um video com as imagens do nosso 3º ano de encontro ilustrado.
Para não me estender demais sobre as good vibes do nosso encontro abistecado, fica aqui um trechinho da letra de “Tanto Mar”, de Chico Buarque, como trilha do pós-festa:
Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
O evento em si, o nome Bistecão Ilustrado, e o logo são criações do Kako. A gravação e os cortes foram feitos na FoxLaser.
Os sketchbooks estão quase no ponto, assando em fogo brando, e serão servidos nesta sexta-feira.
Um pouco de improviso para melhorar a produtividade: um gabarito de furação feito com retalhos de papel Holler, o mesmo tipo usado para fazer as capas, e Kraft grosso. Vou fazer um de madeira, no marceneiro, para garantir mais precisão e velocidade nesta etapa.
Costura e acabamento.
Finito, 10 sketchbooks do Bistecão Ilustrado prontos! 4 deles serão sorteados a cada encontro.
O número 001 de toda série numerada costuma ser o exemplar mais valioso de todos, e este já tem dono. É do Kako, o pai do Bistecão Ilustrado.
Em agosto o Kako, criador e mentor do Bistecão Ilustrado - encontro mensal de desenhistas - trouxe uma novidade para os convidados: papel kraft sobre todas as mesas.
Juntou-se a fome com a vontade de desenhar, e nem micos-leão em uma loja de cristais poderiam ficar mais felizes do que nós.
Ao final da noite, quase início da manhã seguinte, estávamos com uma pilha considerável de originais sobre a mesa, sem saber o que fazer com tudo aquilo.
Acender uma pira cerimonial, e agradecer aos Deuses por alguma coisa? Não, a primeira opção estava descartada.
Sono e entusiasmo é uma combinação bastante estranha, e ainda na inércia de quase 8 horas seguidas de besteirol, falamos quase ao mesmo tempo, como se tivéssemos ensaiado: “Minha mulher me mata se eu levar isto pra casa”.
O que fazer com estas artes, como criar um uso digno e barato para aqueles originais? E os próximos? A receptividade foi ótima, a idéia era um sucesso, portanto teríamos a mesma quantidade mensalmente, e ainda não estávamos bem certos se isto era uma benção ou uma maldição.
“Na mão do Alarcão, isto tudo virava caderno”, eu disse, sem me dar conta que havia tropeçado na arca do tesouro. Houve um silêncio, enquanto caía a ficha (às 4 da matina todas as fichas caem em câmera lenta), e deu o estalo: é isso, vamos fazer sketchbooks!
Com a solução nas mãos, ficou mais fácil pensar no que fazer com os cadernos, edições únicas, exclusivas, numeradas, realimentando o próprio motivo de estarmos juntos, que é desenhar e se divertir entre amigos.
Neste video você pode conhecer ou rever o nosso evento, acompanhar um divertido making of dos cadernos, e amargar comigo a dura tarefa de cortar artes originais, em benefício de uma causa nobre.
Este trecho, editado do filme principal, mostra as dificuldades e as crises de consciência de quem se propõe a cortar originais a golpes de régua.
O Acervo está comigo, devidamente fotografado em alta, para depois ser cortado, costurado e encadernado manualmente. A capa terá o logo do Bistecão gravado à laser, e os logos dos nossos colaboradores (DRC e Casa do Artista) no verso.
A partir da comemoração dos 3 anos de Bistecão Ilustrado, além das tradicionais peças pintadas “in loco”, vamos sortear 4 cadernos por noite, no exato momento em que as 12 badaladas dos sinos da Igrejas de São Bento, Sé e Santa Ifigênia atormentarem os moradores do centro de São Paulo.
O blog do Adam Ford e seus links abrem um portal de tempo/espaço para um universo paralelo, afaste-se dele, não entre na luz!
Sabendo dos perigos, eu passei apenas uns minutinhos lá (apesar da minha esposa afirmar que foram horas), e além dos trabalhos maravilhosos do próprio Adam, encontrei uma legião de artistas da Disney/Avalanche Software, produzindo imagens incríveis, como era de se esperar.
Mas uma coisa me chamou a atenção no perfil de um dos ilustradores, o Todd Harris:
“Eu trabalho como artista de concepts na Disney. Nós desenvolvemos novas propriedades intelectuais para games”.
Ele não faz apenas “desenho”, ele “desenvolve propriedade intelectual”.
Não vou elocubrar sobre isto aqui no blog, mas é muito importante ter a exata noção do que se cria, o que se vende, qual é o produto final do nosso trabalho.
Quando trabalhamos para um cliente, não vendemos desenho, não criamos “mascotes” (para isto existem as pet shops), o nosso trabalho para eles é desenvolver e comercializar propriedade intelectual.
De um estudo saíram dois conceitos: o primeiro, que era a intenção original, de fazer uma ilustração digital, com jeitão de lápis de cor sobre aquarela, e o segundo foi pensando mais em uma alternativa com cara de sketchbook.
Poucas coisas podem ser mais representativas da individualidade de uma pessoa do que um caderno de anotações.
Dos impecáveis papéis brancos, aos reciclados de cor parda, passando pelas aventuras experimentais dos cadernos feitos à mão - conteúdo à parte - uma marca de cadernos se destaca de todas as outras: Moleskine.
Um mito, um sonho de consumo, o Macintosh dos sketchbooks.
Talvez a marca tenha herdado a fama adquirida por usuários de renome mundial, como Ernest Hemingway, Henri Matisse, Vincent Van Gogh, André Breton e Picasso, entre outros.
Bruce Chatwin, um escritor-viajante, numerava as páginas de cada caderno novo, escrevia seu nome e pelo menos dois endereços, e uma promessa de recompensa no caso de perda do seu Moleskine. “Perder meu passaporte era a menor das minhas preocupações, perder um caderno de anotações seria uma catástrofe”, dizia ele.
Mas a bi-centenária empresa italiana Moleskine SLR, fabricante original dos famosos cadernos, nem sempre esteve bem das pernas. Com a morte do proprietário em 1985, a produção foi descontinuada e chegou a se esgotar no ano seguinte. A marca foi registrada somente 10 anos depois, pela atual produtora dos cadernos, a editora Modo & Modo, que chegou a ter dificuldades em suprir a demanda, até que foi comprada em 2006 pelo fundo de investimentos Societé Générale, por 60 milhões de Euros.
Confesso que quase caí do sofá quando vi a campanha do Itaú Personnalité, toda centrada nos cadernos Moleskine, mostrando página após página, desenhos simples e magníficos.
Utilizando ao máximo o conceito do sketchbook, sua característica de individualidade, exclusividade e personalidade, e aliando tudo isto à centenária reputação dos cadernos Moleskine, a DPZ formatou a imagem exata que o Itaú Personnalité queria passar a seus clientes.
“É impossível imitar você. Mas é possível acreditar nos seus projetos, e fazer parte dos seus planos.”
O comercial abre com este texto genial, valorizando a individualidade do cliente, se aproximando de seus ideais.
O conceito do caderninho Moleskine, repleto de desenhos, é a espinha dorsal da campanha, valorizando o que cada um tem de mais precioso, seus projetos, seus planos, a vida compactada em um sketchbook.
Antes destes, vários outros filmes do Itaú Personnalité já usaram animação, rotoscopia, desenho, ou stop motion, como este, feito em recortes de papel, animados pelo Birdo Studio.
A primeira vez que vi este filme foi impressionante. A segunda também. Só hoje, editando o blog, já devo ter visto mais umas 8 vezes, e continua impressionante.
Agência: DPZ - Produtora: Lobo - Direção de cena: Mateus de Paula Santos e Carlos Bela - Direção de arte: Lobo - Animação de personagem: Paulo Muppet e Luciana Eguti.
Pensando bem, o escritor Bruce Chatwin tinha toda a razão. É preciso colocar nome, endereço e uma proposta de recompensa em cada sketchbook.
E uma curiosidade: a tradução literal de “mole skin”, de onde deriva o nome da marca, seria “pele de toupeira”, mas fique tranquilo, os cadernos tem capas sintéticas, e nenhum animal foi ferido durante os 200 anos de produção.