Eu sempre fui um apaixonado por letras, fontes, caligrafias e afins.
Entre o período Triássico e a era digital, houve uma época onde as pessoas marcavam letras com guache nos lay-outs das agências de propaganda.
Ainda bem que Steve Jobs e Bill Gates ajudaram a mandar esse trabalho tedioso, frio e perecível para a cova.
Não havia nada de artístico, caligráfico ou glamuroso em marcar letras para publicidade, e terminada a apresentação ao cliente, os layouts feitos com ecoline e as letrinhas em guache tinham o lixo como destino.
Mas eis que em pleno século XXI o interesse pelo trabalho manual, a necessidade de uma identidade visual mais humanizada e exclusiva, e o tédio que todas as coisas fáceis - como a edição digital - causam nas pessoas, a Fina Arte da caligrafia volta a ser cultuada.
Há estúdios de design e escolas especializadas em caligrafia, como a da Andréa Branco, onde no começo do ano houve um workshop com o calígrafo Cláudio Gil, integrante do Estúdio Marimbondo.
Cláudio Gil, Andréa Branco, e duas alunas.(Clique nas fotos acima para ver o álbum no Flickr)
O workshop trabalhava os fundamentos da caligrafia tradicional, aventuras e improvisos da caligrafia experimental, juntamente com uma aula de História, como um episódio ao vivo do Discovery Channel.
Como diria Roy, o replicante: “Eu vi coisas que vocês não acreditariam”. E trouxe para casa alguns troféus feitos pelo mestre, como as imagens acima.
Algumas penas de caligrafia são caras e raras de se encontrar no Brasil, como as Folded Pens. Na mesa central do workshop, entre penas importadas de todos os tipos, encontrei algumas de latinha de refrigerante, artesanais, como esta, que uma das alunas da Andréa Branco improvisou para fazer seus estudos caligráficos.
Eu também fiz a minha pena, mas utilizei uma tampa de lata de atum, que é feita com metal mais firme.
Com uma lixadeira orbital, dei o acabamento para a superfície de contato no papel ser o mais lisa possível, e até que não ficou ruim para uma primeira tentativa.
Eu estava ouvindo a música Minute by Minute do Larry Carlton, e acabei incorporando o refrão nos estudos com a nova pena.
Já a segunda tentativa já não deu tão certo assim. A idéia era fazer uma caneta do tipo automatic, para letras maiores, mas faltaram as ranhuras na dobra do metal. Já me sugeriram usar uma serra de joalheiro, e assim que eu fizer a experiência, eu acrescento o resultado neste mesmo post.
Um dia ainda vou comprar as penas importadas, mas nunca vou descartar minhas penas de latinha de atum.










































































































