Monthly Archives: julho 2008

Sketchbook vale-tudo

Tenho um sketchbook que começou meio tímido, comportado, até que eu decidi me aventurar nele de uma forma até então inédita. As páginas mais contidas do início vão dando lugar para um verdadeiro vale-tudo: rabiscos sem-noção, colagens, cores prensadas com restos de tinta a óleo que sobraram na mesa de vidro, pinceladas de tinta em pó “xadrez” misturada com cola branca, garranchos e desenhos colados uns por cima dos outros.

Criar imagens neste caderno tem sido um exercício de liberdade, a ordenação do caos, e a recompensa é uma surpresa que me dou a cada nova página realizada.

Os sketchbooks para mim hoje são mais do que cadernos de desenho, eles carregam um conceito, uma metodologia e uma motivação únicas. Tudo que eles representam, em forma e conteúdo, e a extensão praticamente infinita de suas possibilidades criativas me foram apresentadas como num ritual de passagem, depois de 20 anos de ilustração “comportada”, na falta de um termo melhor.

O Xamã que me trouxe a este novo estado de consciência é o colega Renato Alarcão, durante um de seus workshops/oficinas chamados de “Diário Gráfico”, e desde então a investigação e a procura do novo tem sido um prazer imenso, com a alegria de uma criança brincando descalça no quintal.

Imagens do filme “Buena Vista Social Club”, algumas à lápis e bic, outras com marcadores de ponta de feltro.

Estudo tonal com grafite, que serviu de base para pintura do tucano em pastel, para a Mangue Galeira de Paraty.

Fiz este desenho do Jeff Healey primeiro com caneta bic, meses depois fechei com cinza e branco, usando canetas Posca. Pouco tempo depois que terminei esta imagem, li em uma revista que o guitarrista canadense havia morrido. Ele sempre foi um dos meus músicos preferidos, e sua perda será muito sentida.

Aqui usei todo o meu vocabulário de russo, todas as 5 palavras que sei neste idioma. Agora só falta aprender a escrever direito, no alfabeto da ex-URSS.

Pescando desenhos com uma bic, sem referência alguma, olha só quem aparece no papel: o Renan!

Recém chegado de uma viagem à Bahia, algumas imagens sairam no papel quase sem querer. Na colagem, duas imagens da Monica, trabalhando no sofá da sala, no laptop.

Aqui já virou o samba-do-crioulo-doido, com colagens sobre desenhos antigos, desenhos novos sobre estampas pintadas com spray prateado, stencils feitos a partir de rendas cearenses, letterings pintados com penas artesanais, recortes de diversos lugares, inclusive o logo original aqui do blog, que já achou seu lugar no sketchbook vale-tudo.


Sketchbook 001

Desde os primeiros Bistecões Ilustrados (encontros mensais de ilustradores, iniciados em 2006) criou-se o hábito de levar cadernos de desenho para a mesa de jantar, e entre nacas suculentas de carne e goles de cerveja estupidamente gelada, os amigos passam horas e horas conversando e desenhando.

Durante mais de um ano, eu não levei sketchbooks, simplesmente porque não tinha um. Até que um dia revirei as gavetas da mapoteca, encontrei muitos desenhos e estudos recentes a antigos, e montei o meu primeiro sketchbook.

Estas são algumas das imagens deste caderno, que finalmente sairam das gavetas e foram para a estante, juntamente com outros tantos livros e sketchbooks que hoje povoam meu estúdio.

O desenho do caubói cavalgando um pincel foi usado pela primeira vez em um evento em Kansas, em 1998. Alguns anos depois pintei a mesma imagem em uma camiseta, que depois recortei, colei em um papel paraná, pintei com gel acrílico e tinta a óleo, e acabou virando a capa deste sketchbook.

Algumas vezes eu deixo o lápis ir aonde ele quiser, e espero ele me trazer um desenho novo. É como uma pescaria, algumas vezes vem peixe, outras vem uma bota velha, e tem dias que não vem nada.

Um dos primeiros estudos que fiz com lápis-pastel, uma técnica que acabei incorporando totalmente no meu dia-a-dia

Depois de algumas botas, o lápis de pescar me trouxe esta moça, que eu enfeitei com um restinho da aquarela que sobrou de outro trabalho.

Desenhar carros não é difícil. Nem as rodas. A encrenca é colocar tudo junto.

Eduardo Schaal desenhando durante um dos Bistecões

Eduardo Schaal desenhando durante um dos Bistecões

sketch de imagem congelada do filme Minority Report

Sketch de imagem congelada do filme Minority Report