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The Illustration Academy, na sua casa

A Illustration Academy é o sonho de consumo de qualquer ilustrador, em qualquer parte do mundo.

Só que ir para este treinamento envolve uma série de gastos, que somados podem fazer deste projeto algo realmente grande, talvez grande demais pra realizar.

A Illustration Academy está se fundindo com a Massive Black, e juntos eles estão fazendo uma programação online que encurta distâncias, gastos e tempo, de forma que os inscritos possam participar do Discovery, um programa intensivo de 5 semanas, sem sair de casa.

Ao invés de gastar 10 mil dólares ou mais, o pacote de treinamento Discovery varia entre 200 e 500 dólares, e fazendo os cálculos de fuso horário, aqui no Brasil vai acontecer das 20:00 às 23:00.

Eu não saberia como motivar ainda mais as pessoas que sempre quiseram fazer a Illustration Academy, do que recomendar a inscrição neste programa online.

Já sei, já sei…

Pô, Montalvo! 500 doletas, é caro, mó grana, etc…

Peraí.

Mil reais é o preço de qualquer trabalho que a gente produz em uma semana ou menos.

Mil reais para ter a Illustration Academy dentro da sua casa, sem pagar passagem, hospedagem, estadia, alimentação, taxas de embarque e o escambau, para ver Mike Bierek, John English, Whit Brachna, Mark English, Sam Brown, Jon Foster, Wesley Burt, Sterling Hundley, Jason Chan, Gary Kelley, El Coro, Anita Kunz, Rich Doble, CF Payne, Carl Dobsky, George Pratt, Jason Manley, Kemp Remillard, Brent Watkinson, Natalie Ascencios, Terry Brown, Doug Chayka, Francis Livingston, Robert Meganck, Barron Storey e Andrea Wicklund na sua telinha…

Desculpe a franqueza, mas tá de graça.

Depois vai ter gente olhando pra trás e pensando: “por quê eu não fiz naquela época… não era tão caro assim…”

O lance acontece de 01 de fevereiro até 05 de março, 5 noites por semana.

O que eu acho? Vale cada centavo.

Agora, se quiser fazer um investimento a um prazo mais longo, com benefícios ainda maiores, gastando 45 doletas por mês, para o acesso durante 12 meses não existe nada como o VLP - Visual Literacy Program.

Nenhuma lista de yahoo, nenhuma entidade de ilustradores, nenhum workshop, oficina ou treinamento se compara com o conteúdo deste programa.

São os mesmos nomes que eu listei acima, em vídeos inacreditáveis, que variam de 20 minutos a 5 horas, dezenas deles, e os mesmos treinadores frequentam os fóruns, interagindo com os estudantes, respondendo dúvidas, dando orientações valiosíssimas, em questão de horas.

Aqui ninguém fica chupando o dedo esperando resposta, nem tem bate-boca ou spam.

Com a fusão da Illustration Academy com a Massive Black os videos começam a ser compartilhados, e os inscritos no VLP tem acesso ao que há de melhor nas palestras e treinamentos online da Massive Black.

Tem como melhorar? Eu não sei como, mas isto é só o começo. Certamente vai melhorar e muito.

Pra quem conheceu a ilustrasite, seria comparar a finada lista com um skate, e o VLP com uma nave espacial.

Se vale a pena? Faça as contas, você sabe a resposta.

Nos vemos online, no Discovery e no VLP.

Sketches em 3D

2009 foi um ano em que eu usei muito mais as mídias convencionais que as digitais.

Muito papel, tinta e dedos sujos, um retorno às raízes, e o digital somente quando era absolutamente necessário.

Gostei muito dos resultados, os sketchbooks deram uma engordada, mas o custo disto foi que meus estudos de 3D deram uma enferrujada.

Retomei a atividade no 3D, e em 2010 muitos dos trabalhos postados na Sketcheria serão digitais, bitmaps em Photoshop e Painter, e outros feitos em 3D, usando Modo, Zbrush e Maya.

Vou postar os resultados aqui e no Flickr, como tenho feito nos quadros que pintei recentemente.

Esta modelagem abaixo vai entrar na demo-reel como concept design, uma caricatura do Obama, que vai estar ao lado do Lewis Hamilton e Tiger Woods. É um projeto pessoal, utilizando a pré-produção que eu já faço profissionalmente, somando ao que tenho estudado nestes últimos anos.

Concept, model sheet, modelagem, texturização, animação e render serão alinhados e explorados, e vou fazer todo o processo sozinho, ao contrário da distribuição de tarefas, prática comum nas produtoras.

No entanto, tanto trabalho vai durar não mais que 1,5 segundo na demo reel, o mesmo tempo que um outro projeto que farei a seguir, da decolagem de um helicóptero, que começou como um estudo de curvas de animação no Maya, e vai seguir como este, em um pipeline completo, até a edição e composição final no After Effects.

Mas animação é isto mesmo, muito estudo, muito trabalho, muito tempo investido, para uns poucos segundos de apresentação.

Quando Twittei sobre a postagem destas imagens no fórum ZBrush Central, o designer Fábio Sasso, conhecido na web como Abduzeedo - que administra um excelente blog direcionado a design com este mesmo nome - me convidou para fazer um post sobre o making-of desta modelagem.

Este passo-a-passo, desde os primeiros rascunhos do concept design até as etapas de multi-pass rendering em ZBrush e Photoshop podem ser vistos clicando a imagem abaixo:

Outros 4 projetos estão na fila, com personagens planejados, roteiro e até um plano para as trilhas sonoras, e um dia todos eles vão para a telinha.

Na verdade eu quero mesmo é que eles cheguem até a telona, no Anima Mundi e festivais internacionais.

Sonhar pouco é bobagem.

O mistério das toalhas rasgadas e canetas que somem

Desde agosto do ano passado o Kako trouxe uma novidade para o Bistecão Ilustrado, o encontro mensal dos ilustradores: toalhas de mesa em papel kraft, para os convivas desenharem até se fartar.

O que fazer com as folhas ricamente ilustradas foi um dilema, mas às 4 da matina encontramos uma solução: sketchbooks personalizados. Vai dar trabalho? claro! Mas vai ser legal, vamos criar algo realmente inédito e duradouro.

Inventamos, planejamos e fizemos.

Desde dezembro sorteamos 4 cadernos a cada encontro.

Com o tempo, a dedicação e o besteirol de Christiano Parentoni, Gil Tokio, Márcio Guerra, Alex Cói e este que vos brinda atrás das lentes, foi formado o primeiro de vários grupos de voluntários com boa vontade transbordando pelos poros para fazer a linha de montagem dos cadernos.

Eu já perdi a conta das horas investidas para fazer os presentes que se tornaram um objeto de desejo para todos os frequentadores do Bistecão, e esta energia boa só faz aumentar a cada caderno produzido.

Temos muito orgulho em sermos os protagonistas de uma mudança de paradigma que dizia que “ilustrador não é unido”. Estamos formando um novo modelo de relacionamento entre os ilustradores, e só daqui há alguns anos saberemos se tudo correu conforme os planos.

Estamos apenas mudando as regras do jogo, inventando o futuro de acordo com nossos ideais.

Também não podemos dizer que foi fácil, o sucesso nunca é obra do acaso, da preguiça ou da omissão.

Tivemos um imenso prazer em construir e ampliar a rede de amigos através do Bistecão, e ralamos muito para que tudo desse certo.

Temos uma coisa como meta, ainda que seja modesta: um dia todos os frequentadores do Bistecão terão seu caderninho personalizado, numerado, e recheado de desenhos feitos durante o encontro.

É claro que virão também nódoas de gordura de uma suculenta bisteca maior que o prato, ou de uma cebola voadora qualquer, folhas enrugadas e manchadas por um eventual banho de cerveja, e até palitos de dente espetados ou um arrozinho solitário colado nas páginas.

Coisas que só dão mais charme, personalidade, individualidade e autenticidade a cada caderno, que jamais será igual um ao outro.

O sketchbook do Bistecão é a materialização da mudança daquele paradigma velho e improdutivo que manda os ilustradores serem individualistas, tristes e isolados em seus estúdios, imersos em seu autismo artístico.

O caderninho artesanal, gratuito, exclusivo, é a meta-linguagem do encontro alimentando o próprio encontro, devolvendo a energia entregue pelos frequentadores, em forma de presente, aos próprios frequentadores.

A amizade, a magia de cada encontro, aquelas horas que passam voando, todas as risadas, a voz do Kako sorteando os presentes, tudo isto está impregnado em cada folha dos cadernos.

Nossos netos poderão explicar melhor o que significa ter um sketchbook numerado do Bistecão. Por enquanto ninguém é capaz de ter a noção exata do valor histórico de cada um deles.

O Orlando fez este desenho belíssimo, mesmo sabendo que um dia vai ser cortado e virar sketchbook. Um verdadeiro Ninja na arte do desapego material.

Cada folha, toda folha, vai virar sketchbook. Esta é uma regra que nunca será quebrada.

Não tem uma que escape, por mais belo ou tosco que seja o desenho, por mais importante ou desconhecido que seja o desenhista, todas elas, sem exceção, viram caderno.

Até mesmo as que foram rasgadas ou cortadas por algum convidado vão para os cadernos, nada será poupado. Temos várias folhas faltando pedaços, e isto também faz parte da materialização dos nossos encontros.

Mas em algum momento da festa umas poucas pessoas perdem o senso de coletividade, e uma atitude egoísta bate mais forte. Nesta hora o cara não quer saber dos outros, não respeita ninguém, nem a ele mesmo, mete a mão e leva pra casa uma coisa que era para ser de todos.

Justamente a folha que tem escrito “10 APEGO” teve uma naca enorme levada embora. Que ironia, não?

Não foi a primeira vez, nem será a última. Inteiras ou aos pedaços, estas folhas vão para os cadernos.

Elas são parte da gente, mesmo que sejam um reflexo feio e distorcido num espelho quebrado, é a nossa cara que está ali.

Desenhar nas toalhas é um exercício de desapego, assim como cortar as folhas na hora da encadernação. Eu cheguei a dividir esta angústia com os amigos neste post.

Aos que se apegam demais aos seus rascunhos, sugiro desenhar no próprio caderno. Seria melhor deixar as toalhas para quem já domina a difícil Arte do desapego.

O caderno de cada um não tem preço, é um tesouro pessoal. My preeeeeciousssss…

Sabemos respeitar isto, e jamais rasgaríamos o caderno de um amigo, principalmente na cara dele.

Mas há os que rasgam o feto do que ainda será um caderno, na cara dura, sem o menor pudor, e nem ficam vermelhos por isto.

O mundo dá voltas, e existe a possibilidade que no dia em que você ganhar o seu caderno, justamente o seu, caramba, venha faltando um pedaço. Talvez seja exatamente aquele pedaço que você viu um cara levar, e você não fez nada para impedir.

Com tanta tecnologia, câmeras digitais, celulares de última geração, etc, bastaria um clic para levar aquele desenho para casa.

Sem falar que cada folha é fotografada antes de ser cortada, o registro não se perde, e um dia estará acessível pela web.

Outra coisa misteriosa são as canetas Posca se tornarem invisíveis depois de algumas horas.

Sabe aquelas canetas com um adesivinho escrito a mão “BISTECÃO ILUSTRADO”, que o Kako compra com o dinheiro extra da caixinha paga pelos convivas e empresta aos convidados para que desenhem nas folhas?

Então, aquelas mesmo.

Elas se teletransportam sozinhas para algum lugar insondável, ou talvez sejam abduzidas por aliens, sei lá.

Mas o fato é que nenhuma das desaparecidas jamais retornou para relatar a experiência. Pode parecer um tanto estranho, meio bizarro, tipo Arquivo X, mas acontece de verdade, juro.

A gente sabe que ninguém levaria material dos outros para casa, não temos ladrões entre nós, somos todos colegas, parceiros, amigos.

Mas chega no fim da festa, a gente nunca encontra todas as canetas. Elas devem estar em algum lugar, mas onde? Talvez tenham passado por alguma fenda do espaço-tempo ou coisa parecida, e se perdem para sempre em outra dimensão.

Eu vou confessar que tenho medo deste lance.

Vai que a gente enfia o pé, ou pior, as mãos nesta parada aí? Aí o braço fica só um cotoco… sem dor, sem sangria, mas também sem poder desenhar nunca mais, sem aposentadoria, sem seguro contra acidentes pessoais…

Tá louco, dá calafrios só de pensar!

Um dia vou chamar uma equipe do Discovery Channel para fazer uma reportagem especial sobre isto.

Mas por outro lado estamos orgulhosos e felizes por espantar o fantasma da desunião dos ilustradores, de criar um presente e um futuro melhor para os nossos colegas de profissão, e de sermos os criadores e as criaturas de um renascentismo contemporâneo, criativo, prolífico, repleto de frutos e de novas possibilidades.

Ainda temos nossos defeitos, nossas vaidades, nossos egoísmos, afinal somos humanos, e o maldito jeitinho brasileiro, mesmo que moribundo e agonizante, mostra sua cara feia de vez em quando.

Ele está em cada página rasgada dos nossos caderninhos, em cada caneta que passa para a outra dimensão, em cada conta mal-fechada nos botecos da vida, nos lembrando que ainda falta muito chão para sermos verdadeiramente unidos, coesos, irmãos.

O jeitinho brasileiro tentou estragar o Sketchcrawl Brasil, quando faltou R$ 70,00 na conta do Bar Genésio. Passamos pelo constrangimento de fazer uma vaquinha de R$ 0,50 para poder sair do restaurante, mas isto não tirou o brilho do evento.

A nossa conquista é sempre maior que estas mancadas, e é exatamente este o nosso objetivo, construir mais que destruir, e modéstia às favas, estamos fazendo isto muito bem.

Parabéns e obrigado a todos que constroem.

Espero que os outros acabem sendo influenciados por esta boa energia, e possam experimentar o mesmo tesão que nós sentimos em somar e unir, ao invés de dividir.

Parece uma cleptomania às avessas, uma vontade incontrolável de entregar, ao invés de tomar dos outros.

O barato é tão forte que vicia. A gente sempre quer mais e mais.

Nem vem, eu não vou procurar auxílio médico!

Eu estou bem assim!

Palestras, como é bom beber desta fonte

No começo de março assisti a duas palestras (Michel Lent e Rosana Hermann) em um novo projeto chamado BrainSessions, um novo formato de interatividade do BraincastTV, criado pelo Carlos Merigo e o pessoal do Brainstorm#9.

Escrevi um post aqui sobre este assunto.

Nesta semana o video da Rosana Hermann foi ao ar, falando sobre Agilidade Mental. Não vou tentar explicar ou recontar o que vi, sugiro que assista o video e beba direto da fonte.

Uma coisa eu garanto: é delicioso acompanhar a inteligência bem humorada desta jornalista com mestrado em física nuclear.

Logo mais deve sair o video do Michel Lent, e eu atualizo este post com a palestra dele, gravada no mesmo dia.

Falando em palestras, eu sou um TED junkie, e não quero saber da cura, nem de tratamento, nem de desintoxicação. Quero é mais tempo para assistir a todas as palestras, e repetir algumas.

Agora já imaginou se o TED fosse falado em português, gratuito, em São Paulo? Pois é, já imaginaram e já fizeram um evento assim.

O EPICENTRO é um evento otimista para tempos de turbulência. Um terremoto multicultural e profissional que defende o Empreendedorismo, Estilo de Vida, Design, Tecnologia e Liderança. A proposta do evento é promover ideias que possam mudar o Brasil para melhor.

Cada palestrante teve 18 minutos no palco, e a única exceção foi Aleksandar Mandic, um dos precursores da internet no Brasil, que, para a sorte de todos, teve 10 minutos extras.

Pena que não deram 10 minutos a mais também para Gabriel Peixoto, que fez uma analogia mais que genial sobre o jogo de xadrez e as relações sociais e econômicas. Eu pagaria sem pestanejar para ver esta palestra inteira.

Dá aquela sensação gostosa que a gente fica um pouco mais inteligente quando absorve, ainda que por osmose, a inteligência dos outros. Ainda mais quando estes são extremamente generosos em dar seu tempo e seu expertise para quem quiser ouvir.

Esta é a vinheta de abertura do EPICENTRO, e todos os videos do evento podem ser vistos neste link.

Eu assisti a diversas palestras online, cada uma melhor que a outra. Gostaria de ter visto o evento no local, mas a tecnologia permite beber desta fonte mesmo sem estar lá.

Desta água beberei sempre, em grandes goles.

Curso de Caligrafia com Andréa Branco

No ano passado fiz um workshop de caligrafia experimental com Cláudio Gil, no ateliê da Andréa Branco.

Há um post sobre esta aventura caligráfica aqui no blog, inclusive com um pequeno video com o mestre em ação.

Sei que muitos colegas se interessam por caligrafia, e ao invés de repassar o e-mail que recebi da Andréa apenas para alguns, achei mais interessante postar aqui e contar algumas novidades.

Andréa Branco é uma autoridade no assunto, e um doce de pessoa. Suas turmas se formam em torno do interesse pela Arte da Caligrafia e, por afinidade, grandes amizades se formam. Conheci gente muito legal lá, e imagino que os leitores da Sketcheria poderão encontrar técnica de alto nível e pessoas geniais neste curso.

Gastando como se não houvesse amanhã

Claro que não se trata de gastar dinheiro, gostaria muito de exercitar a liberdade de torrar grana impiedosamente, como tenho feito com meus materiais de desenho e pintura.

Não nesta vida.

Este processo começou em uma faxina do estúdio, quando me dei conta da quantidade de material que eu tinha primorosamente armazenado durante mais de 20 anos, usando tudo com uma economia de Tio Patinhas, quando a verdade me caiu na cabeça como um piano: “Eu pareço um dono de armazém, e não um artista”.

Foi um choque.

Por quê eu não usei tudo isto antes de secarem os tubos de guache, ecolines e canetas de ponta de feltro?

Ser muquirana com material de pintura é auto-sabotagem.

Eu tinha que fazer algo a respeito, e comecei tomando uma decisão: gastar material sem dó, como se não houvesse amanhã. Muito melhor do que manter aquele estoque de tintas seria ter usado tudo, até a última gota, e ter pilhas de desenhos do chão até o teto.

Tenho feito isto consistentemente, nos últimos 3 anos, e o resultado são os sketchbooks engordando como porquinhos a cada dia.

Detonando as poucas canetas Design que me restaram, fui visitar o Ricardo Antunes, que me deu um presente incrível: sua coleção de canetas e marcadores. Meu pai negaria se eu pedisse, um irmão mataria o outro por estas canetas, e ele me entregou um tesouro pessoal sem verter uma lágrima. Caba macho padaná!

Compulsivo que sou, quero mais. Estou disposto a comprar canetas Design, Copic, Prismacolor e Mecanorma de quem as tiver mofando na gaveta. Se quiser fazer negócio, me mande um e-mail, ok?

Outro dia comprei algumas réguas de normógrafo, que eram caríssimas há 10 anos, mas hoje são vendidas a granel nas estantes de liquidação da Casa do Artista. Eu uso como carimbo para criar padrões de fundo.

Ontem eu revirei (ok, eu e a Mônica reviramos) a casa atrás de meus Ecolines, alguns muuuito antigos.

O cheiro destas tintas antigas é uma máquina do tempo, por alguns segundos mergulho numa profunda regressão: estou com 12 anos de idade, indo para a escola. Pena que a viagem seja tão breve.

Guardo guaches em um baleiro, mas procuro um daqueles antigos, giratórios. Sonho de consumo besta, mas um dia vou encher um baleiro de 4 compartimentos, e esvaziar com gosto.

Encontrei por acaso minhas folhas de Letraset, algumas craquelando como papiros egípcios. Uma delas colou no papel, rachou, esfarelou, desgraceira total. Meu lado racional insistia em despregar os caquinhos para continuar, quando eu me dei conta da liberdade indescritível que aquilo representava.

Pela primeira vez em 25 anos usando Letraset, eu não tinha cliente, diretor de arte ou qualquer motivo para preciosismo. Poderia ficar assim, e contar com o imprevisto, deixar reinar o caos, poderia fazer o resultado ficar até melhor, com relevo, com personalidade, com estória pra contar.

Gostei tanto que resolvi fazer uma coisa impensável até este dia: Torrar as letras como nunca me permiti na vida. Com as regras e os protocolos tipográficos no lixo, me aventurei sem saber onde nem como iria terminar.

O ritual de transferir letras sempre foi quase sagrado, tudo era tão caro que cada letra perdida doía na alma, sabendo que qualquer “til” que me faltasse me empurraria a uma de duas alternativas: fazer na mão com cuidado cirúrgico, ou comprar outra folha.

Detonar Letraset ontem me rendeu um prazer que eu não conhecia, e por algum motivo lembrei do Al Pacino dirigindo uma Ferrari, cego, pelos becos de NY no filme Perfume de Mulher.

Alguma parte do meu cérebro ainda guardava pudores quase virginais quanto ao uso das letrinhas, e assistia horrorizado aquilo tudo, enquanto outra parte se acabava em uma orgia tipográfica desenfreada, sem regras, sem compromisso, sem camisinha.

Fui dormir às 4 da matina, cansado, feliz, renovado e sem culpa.

Tenho que admitir e reconhecer que esta idéia não é nova, nem minha. Vi o Kako usando Letraset nos seus cadernos, e sabia que não conseguiria evitar uma pontinha de plágio sua influência, nos meus.

Aliás, verdade seja dita, o Kako tem motivado uma legião de desenhistas a criar ou reconquistar o hábito do sketchbook através dos encontros do Bistecão Ilustrado, sem este impulso talvez não houvessem tantos desenhos em meus cadernos recentes, e provavelmente não haveria este blog, não com este contexto.

Kako, meu irmãozão: Obrigado, thanks, grazie, spaciba, merci, danke.

(head bow)

Domo arigato!

Hoje à noite tem mais suruba de letrinhas. Uhú!

Sketchbooks do Bistecão - abrindo o forno

O evento em si, o nome Bistecão Ilustrado, e o logo são criações do Kako. A gravação e os cortes foram feitos na FoxLaser.

Os sketchbooks estão quase no ponto, assando em fogo brando, e serão servidos nesta sexta-feira.

Um pouco de improviso para melhorar a produtividade: um gabarito de furação feito com retalhos de papel Holler, o mesmo tipo usado para fazer as capas, e Kraft grosso. Vou fazer um de madeira, no marceneiro, para garantir mais precisão e velocidade nesta etapa.

Costura e acabamento.

Finito, 10 sketchbooks do Bistecão Ilustrado prontos! 4 deles serão sorteados a cada encontro.

O número 001 de toda série numerada costuma ser o exemplar mais valioso de todos, e este já tem dono. É do Kako, o pai do Bistecão Ilustrado.

Sketchbooks do Bistecão Ilustrado

Em agosto o Kako, criador e mentor do Bistecão Ilustrado - encontro mensal de desenhistas - trouxe uma novidade para os convidados: papel kraft sobre todas as mesas.

Juntou-se a fome com a vontade de desenhar, e nem micos-leão em uma loja de cristais poderiam ficar mais felizes do que nós.

Ao final da noite, quase início da manhã seguinte, estávamos com uma pilha considerável de originais sobre a mesa, sem saber o que fazer com tudo aquilo.

Acender uma pira cerimonial, e agradecer aos Deuses por alguma coisa? Não, a primeira opção estava descartada.

Sono e entusiasmo é uma combinação bastante estranha, e ainda na inércia de quase 8 horas seguidas de besteirol, falamos quase ao mesmo tempo, como se tivéssemos ensaiado: “Minha mulher me mata se eu levar isto pra casa”.

O que fazer com estas artes, como criar um uso digno e barato para aqueles originais? E os próximos? A receptividade foi ótima, a idéia era um sucesso, portanto teríamos a mesma quantidade mensalmente, e ainda não estávamos bem certos se isto era uma benção ou uma maldição.

“Na mão do Alarcão, isto tudo virava caderno”, eu disse, sem me dar conta que havia tropeçado na arca do tesouro. Houve um silêncio, enquanto caía a ficha (às 4 da matina todas as fichas caem em câmera lenta), e deu o estalo: é isso, vamos fazer sketchbooks!

Com a solução nas mãos, ficou mais fácil pensar no que fazer com os cadernos, edições únicas, exclusivas, numeradas, realimentando o próprio motivo de estarmos juntos, que é desenhar e se divertir entre amigos.

Neste video você pode conhecer ou rever o nosso evento, acompanhar um divertido making of dos cadernos, e amargar comigo a dura tarefa de cortar artes originais, em benefício de uma causa nobre.

Este trecho, editado do filme principal, mostra as dificuldades e as crises de consciência de quem se propõe a cortar originais a golpes de régua.

O Acervo está comigo, devidamente fotografado em alta, para depois ser cortado, costurado e encadernado manualmente. A capa terá o logo do Bistecão gravado à laser, e os logos dos nossos colaboradores (DRC e Casa do Artista) no verso.

A partir da comemoração dos 3 anos de Bistecão Ilustrado, além das tradicionais peças pintadas “in loco”, vamos sortear 4 cadernos por noite, no exato momento em que as 12 badaladas dos sinos da Igrejas de São Bento, Sé e Santa Ifigênia atormentarem os moradores do centro de São Paulo.

Thumbnail

A tradução literal do inglês seria “unha do dedão” (do polegar, do pé não vale).

O termo é bizonho, mas é assim que eles costumam chamar os rascunhos bem pequenos, esboços de idéias feitos rapidamente, e que podem ser extremamente úteis nos primeiros passos de um trabalho mais elaborado, como concepts ou ilustrações finais.

Os thumbs ajudam a definir a composição, a paleta de cores, o contraste geral da cena, e podem ser importantes para definir as hierarquias da imagem, como plano principal e secundário, figura de destaque, etc.

Durante anos eu me dediquei exclusivamente às técnicas de ilustração como arte-final, onde não há espaço para o erro, e muito pouco acontece no improviso. É a fórmula ideal para travar a mão e tapar os olhos para o novo.

Somente os sketchbooks me permitem aventurar e explorar novas possibilidades no desenho, sem medo de errar, e com a liberdade de fazer algo intencionalmente tosco. E somente em um blog eu posso mostrar imagens que jamais entrariam em meu website ou portfolio.

Nestes estudos eu procuro juntar o fundamento dos thumbs com a prática do desenho de locação dos sketchbooks, e combinando diversas canetas em papel reciclado tem trazido resultados interessantes.

Aquecendo a mão, sem referência nem capricho, lembrando os fortes de Salvador.
Rabiscar ajuda a focar, antes de partir para estudos mais elaborados.

Com referências de fotos de Lisboa, os dois estudos começam a mostrar algumas possibilidades. O primeiro saiu melhor que o segundo, com mais contraste e uma composição mais enxuta.

Este aqui ficou no limbo entre uma cena urbana e o abstrato, mas eu gostei da técnica, partindo de um rascunho em caneta vermelha, e usando canetas Posca para as cores opacas.
Me pareceu uma sequência eficiente para futuros estudos.

Os estudos permitem a tentativa e erro, o que seria impensável em trabalhos comissionados, com prazo e cliente contando os minutos para receber a imagem.
Aqui parece que encontrei um novo método de trabalho, rápido, eficiente e com aquela sensação quase embriagante de achar um novo fio da meada, um resultado visual que pode ser útil no futuro.
Talvez até em trabalhos comissionados, porque já não é mais o acaso que conduz o resultado, ele é direcionado, virou uma técnica.

Aqui eu explorei um pouco mais a nova fórmula, e talvez tenha caído novamente no limbo entre um desenho de sketchbook e uma ilustração final.
É preciso praticar mais.

E principalmente, voltar ao simples.


Letras vivas

Há muitos anos tenho feito, quase sem perceber, um tipo de letra que pede para ser trabalhada, desenvolvida, amadurecida. Como são poucas as oportunidades de desenvolver um trabalho de Typefont, eu dediquei pouco tempo para atender aos seus pedidos.

Mas ela é persistente, e quer entrar nas minhas páginas.

Quer existir.

Quando apareceu um projeto pessoal, a convite do Gualberto “HQMix” Costa, ela apareceu antes do desenho, e ganhou seu espaço no título da minha página, na estória em quadrinhos coletiva O Crime do Teishoku Preto. (© fotos: Mario Cau)

Duas semanas depois, outro projeto de liberdade criativa: este blog. Qual o nome ideal para um blog? Qual é o tema, a personalidade deste espaço? Que identidade visual ele vai ter?

Quando encontrei o fio da meada, pelo menos nos conceitos de conteúdo e visual, o quebra-cabeças ainda tinha duas peças por completar, o nome e o logo.

Minha esposa sugeriu o nome “Sketcharia”, que imediatamente fez clic, e agora restava só uma peça.

Eu troquei uma letra, e na manhã seguinte, antes que eu pensasse em um rascunho, a Typefont pulou no papel com vida própria, vestida de arte-final.

E me mostrou claramente a que veio, o papel em que ela fica melhor, suas canetas preferidas, adora uma moldura branca ou preta, e me fez entender sua importância no meu repertório visual.

Por fim demarcou seu território: os sketchbooks.

É óbvio, ela é uma Typefont de sketchbook, como eu não vi isto antes?

Muitos ilustradores tem seus personagens, habitantes vivos de seu mundo gráfico, reconhecíveis em qualquer técnica. O mesmo acontece com suas caligrafias, que tem a cara e a alma do autor.

Esta Typefont acaba de entrar na minha vida como um bicho de estimação, e só faltou abanar as serifas quando molhei as letras com aquarela.

Ela vai ter um leve sotaque de Uncial, principalmente nos As e Es, mas talvez se chame Garamonta, por influência da Garamond e suas serifas arredondadas, sua elegância comprida como as pernas da Gisele Bundchen. Também tem muito das garatujas, desenhos feitos nos cantos do papel, sem muito rigor, mas cheios de expressão e vitalidade. E tem meu apelido, o atalho do meu nome.

Quando a gente dá nome ao bichinho, não tem mais volta. Vira pet, vai pular no seu colo, dormir na sua cama, lamber sua cara, e vai trazer a coleira na boca, pedindo pra passear.

Neste caso, vai ser a caneta, e já sei que não vou conseguir negar os passeios no sketchbook.


Logos GPM

A nova identidade visual aqui do estúdio apresenta o mesmo logo GPM em diversos estilos. Os cartões de visita e adesivos de envelope também são diferenciados, mas o papel timbrado para orçamentos e contratos é um modelo fixo.

Uma das versões do logo será em 3D, e esta sequência será animada na demo reel, o novo portfolio que está na reta final.


Abertura

Estes são 17 segundos da abertura da demo reel, o portfolio remodelado, saindo do forno nos próximos dias. A versão mais recente está chegando aos dois minutos, e a edição final do filme terá 3 minutos.


Concepts Toddynho

Concepts de cenários que ilustrei para o comercial Toddynho Maratona, da Dínamo Filmes. A campanha “Feras do Esporte”, centrada nos esportes olímpicos, apresentava neste filme o Toddynho interagindo com um garoto, onde eles se desafiam em um tipo de quiz sobre diversas modalidades olímpicas.