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Riachuelo, direitos autorais e nós. Muitos nós.

Nas últimas semanas tivemos mais um episódio escandaloso na web, muita gritaria, flame wars, uma guerrilha viral como tantas outras, e cada lado com suas parcelas de razões e de enganos.

Foram muitas ações de marketing desastradas, concursos mal intencionados ou mal planejados, falsos virais, campanhas publicitárias travestidas de “concursos culturais”, etc, que invariavelmente explodem na web como napalms virtuais.

Grandes marcas se envolveram com este tipo de propaganda negativa, como Microsoft, HSBC, Puma, RedBull, AllStar só para citar as mais recentes, mas apenas duas tiveram uma atitude corajosa e nobre de escutar, entender e se importar com o problema, a ponto de chamar seus críticos para um debate franco e aberto, em uma mesa de reunião.

No ano passado a Livraria da Vila nos surpreendeu ao abrir suas portas para uma conversa, depois de ofertarem um “daqueles concursos”. Não se tratava neste caso se má intenção, apenas de mau planejamento, e depois de uma conversa razoável, eles concluíram que seguir adiante poderia ser um grande equívoco, além de danoso para os ilustradores, e abortaram o projeto.

Nesta semana algo parecido aconteceu com a Riachuelo, depois de uma tarde incendiária nas redes sociais.

Foram 3 episódios de imagens reproduzidas em estampas da rede, sem o devido licenciamento por parte dos artistas. A revolta foi geral, intensa e amarga, mas a surpresa maior foi a resposta quase imediata da Riachuelo, assinada pelo seu Presidente, Sr. Flávio Rocha.

Há quem diga que foi retórica, várias pessoas criticaram o teor da carta, mas eu fiquei impressionado positivamente com a postura da empresa e com o comprometimento do próprio Presidente em tomar a dianteira nestes casos de uso indevido de imagem protegida, oferecendo o próprio e-mail como canal de contato com os artistas.

Confesso que esta atitude me desarmou. Escrevi de volta imediatamente, em outro tom, e agradeci pela presteza da resposta, e em respeito ao posicionamento firme e claro da empresa, que assegurou o descadastramento dos terceirizados responsáveis por esta e pelas futuras situações similares.

Fui surpreendido novamente pelo convite de me reunir com o Presidente da Riachuelo, que se interessou em expor seus pontos de vista pessoalmente e demonstrou uma abertura no sentido de querer entender o nosso olhar sobre a questão.

Fomos eu e o Henrique Nardi até o escritório central da Riachuelo, e lá fomos recebidos pelo Presidente da rede, além das gerentes de Marketing e Jurídico, em uma conversa que durou cerca de duas horas.

Repassamos todo o ocorrido, ouvimos os argumentos da empresa, defendemos os nossos próprios, e chegamos a uma conclusão: houve o uso indevido, mas também houve a intenção de resolver e pagar aos artistas.

Isto me causou um choque, porque eu pensava que nós estávamos sendo lesados implacavelmente, quando na verdade os próprios artistas se mostraram imprevisíveis e fechados às propostas de negociação da Riachuelo.

A rede procurou entrar em contato com a artista americana, solicitando um número telefônico para um contato mais direto, mas foi tratada com desdém em uma mensagem cheia de caretinhas, linguinhas e emoticons, na qual a artista afirmava não ter tempo para ligações, e não demonstrou mais interesse em resolver a questão.

Um artista brasileiro que também teve uma imagem copiada e reproduzida foi orientado de maneira questionável e solicitou um ressarcimento em valores completamente fora da realidade, inviabilizando qualquer negociação.

Como ficamos numa situação destas?

Vendidos. Atados pelos nós que nossos próprios colegas trataram de amarrar.

Se os próprios artistas que defendemos agem de maneira descoordenada, como podemos exigir soluções?

Eu fiz o que pude, falei em nome dos profissionais de ilustração, o Henrique falou representando os designers gráficos e type designers, e demonstramos o quanto os criadores de imagem podem ser úteis no processo industrial, se contratados apropriadamente.

Houve uma boa receptividade por parte da Riachuelo em procurar entender o nosso mercado, como negociamos, como podemos ser úteis no processo industrial deles, e temos a esperança de termos semeado um novo tipo de prospecção no mercado têxtil, baseado em profissionalismo, funcionalidade e otimização de esforços.

Se eles querem ilustração, agora eles sabem que podem falar diretamente com os ilustradores. Por incrível que pareça, eles não sabiam como chegar até nós. E a culpa é nossa. Na imensa maioria das vezes nosso marketing pessoal é falho, nossa imagem é arranhada por amadores e maus profissionais, e nosso corporativismo praticamente não existe.

Nós estamos abertos a negociações, e prontos para produzir imagens de acordo com a necessidade deles.

É a nossa especialidade, somos profissionais, sérios e comprometidos com qualidade, prazos, adequação, etc.

Por outro lado, temos que passar pela vergonha de defender causas que os próprios artistas parecem desconhecer ou vê-los agir de forma inadequada, na contra-mão do profissionalismo.

Escrever para a Riachuelo com caretinhas e linguinhas, depois de TUDO o que fizemos em defesa da artista americana é absolutamente inaceitável. Eu gostaria de dizer algumas verdades para esta “artista”, mas ela nem tem um número de telefone. É patético e vergonhoso para todos que se envolveram tão furiosamente em sua defesa.

Chega desta imagem de malucos-beleza, de sociopatas vaidosos e inconsequentes que alguns artistas insistem em ostentar.

Nenhum ilustrador sério quer ser rotulado com esta pecha.

Como interceder por um artista nacional que teve uma imagem violada, quando sua solicitação é tão irreal que mesmo o melhor argumento se torna inconsistente, indefensável? A negociação e a expectativa de reparos financeiros não pode ser vista como uma oportunidade de ficar rico instantaneamente, ninguém ganhou na loteria, não é assim que se resolve a questão.

É preciso ser justo, coerente, razoável, e compreender o mercado em que se quer negociar.

Tem gente fazendo estampas para o mercado têxtil por 30 reais, o que é uma idiotice sem limites.

Eu negociaria uma imagem para este mercado por R$ 1500,00.

Cobrando muito bem cobrado, algo entre R$ 30.000 e R$ 50.000 por um litígio em imagens não licenciadas estaria em limites bastante razoáveis.

Mas chutar o pau da barraca pra lá de 300 mil reais é completamente irreal, ao menos neste tipo de negociação, neste mercado.

Ainda bem que a conversa foi muito além dos dois artistas, o nosso assunto com eles demonstrou a seriedade e confiança necessárias para estabelecer uma relação de confiança mútua, e a certeza que todos temos a ganhar com isto.

A Riachuelo tem interesse em valorizar e respeitar o artista, tanto os locais como os estrangeiros.

É preciso que os artistas ajam coletivamente, inteligentemente, com argumentos adultos em seus textos, plausíveis em seus valores, e entendam de fato a sua tarefa na cadeia produtiva.

Gostaria de ver partindo dos próprios artistas o respeito e a seriedade com seu mercado.

Eu busco este ideal desde que optei por esta carreira, e me sinto muito bem representado por muitos colegas que agem de maneira séria, respeitável, com virtuosismo artístico e empreendedorismo.

Sketchcrawl + Virada Cultural = 38 horas no ar

Conforme prometido, fizemos uma rave ilustrada, emendando os dois eventos em uma verdadeira maratona de desenho, música, estudo e diversão.

Não quero fazer deste post o “meu querido diário”, detalhando cada passagem das 38 horas que me mantive acordado, mas alguns momentos marcantes merecem o registro.

Tivemos uma tarde ensolarada, inspirada e cheia de pequenos causos, registrados pela equipe da Rede Globo, que nos concedeu uma reportagem sobre o evento. Saindo do Pátio do Colégio, terminamos o dia no Café Girondino, na frente da praça da Igreja de São Bento, um lugar confortável, com ótimo atendimento e altamente desenhável, que precisamos frequentar mais vezes.

De lá mergulhamos na Virada Cultural, cada um foi procurar seu palco preferido, sua tribo e sua música. Eu dei uma passada no show do Hermeto Paschoal, mas segui logo para ver a banda cover do Frank Zappa. Não era nenhum Central Scrutinizer Band, é claro, mas mandaram bem.

No meio do show eu não me aguentei, virei a mochila para a frente, fazendo uma pequena bancada, e registrei o momento em um sketch, em meio aos altos decibéis disparados do palco.

Fiz o mesmo às 3:30 da madruga, durante o show do Living Color, e acho que descobri mais um dos pequenos prazeres que fazem a vida mais gostosa, desenhar durante os shows.

Assistir Carmina Burana na performance impecável da Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico foi arrepiante. Nem vou tentar descrever a minha sensação, além dos pelos eriçados. Foi incrível, indesenhável.

Segui as dicas do Victor Farat, Fábio Corazza e Aline Paes, amigos/ilustradores que estavam curtindo a Virada também, e fui assistir ao show do veteraníssimo Booker T, um dos melhores shows da noite.

Encontrar amigos entre 4 milhões de pessoas não é uma tarefa fácil, é obra do acaso mesmo, e algum alinhamento de planetas permitiu que eu fizesse isto diversas vezes durante a noite. Deve haver algum chakra (não me pergunte qual, nem de que cor ele é) que se abre nestas ocasiões, e que torna as pessoas mais receptivas, mais alegres e envolvidas em uma sintonia que nos alimenta, revigora e nos mantém despertos pela noite adentro.

Eu pulei o almoço, o jantar, e foi me bater uma fominha só depois das 2:00hs da manhã. Curiosamente não tive frio nem sono durante a noite. Teve gente que me perguntou qual é o segredo, que raio de Duracell eu ando usando, mas é tudo resultado da extrema motivação que tenho ao participar destes eventos, e da energia positiva que emana da companhia dos amigos.

Nem RedBull com plutônio dá mais energia do que estar em boa companhia, rindo e curtindo boa música.

Saímos do centro para tomar café da manhã na Bella Paulista, com o Kako, para recepcionar o Renato Alarcão, que tinha chegado do Rio, e passamos a tarde fazendo uma das mais intensas sessões de modelo vivo que eu já participei.

Foi mais uma oficina de alta produção, insights, e desafios, orquestrada pelo Alarcão e performatizados virtuosamente pela modelo Jully Campeão. Mais do que uma dançarina, ela é uma verdadeira designer, usando o corpo com maestria de artista, e suas poses personificavam a proposta do estudo: “Desenho Dinâmico”.

Terminei a maratona de volta ao centro, em companhia do colega Márcio Guerra, assistindo aos 4 cantores populares de Cantoria: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.

Confira aqui o post da participação paulista no evento mundial, e veja neste link os trabalhos dos desenhistas de outras partes do mundo.

No fim o post ficou longo, mas é um breve resumo de 38 horas de intensa atividade, uma rave ilustrada, conforme planejada na semana passada.

Não vejo a hora de repetir a façanha.

Quem topa?

Jaco Pastorius, Milton Glaser, Pat Metheny e desenho

Outro dia eu postei dois videos muito inspiradores, do Milton Glaser, e um deles terminava com uma frase sensacional, que a nossa profissão permite que a gente se fascine e se inspire com o trabalho dos outros, sempre, não importa quanto tempo tenha de carreira, a admiração e a energia que ela contém nunca acaba.

É um grande privilégio trabalhar em uma profissão que mantém o frescor e a vitalidade de se deixar arrebatar, por anos e anos, sabendo que esta sensação maravilhosa não tem prazo de validade.

Eu vivo esta realidade todos os dias, e algumas vezes eu me deixo embriagar pela admiração que eu tenho por alguns artistas. Um deles é Pat Metheny, um guitarrista de um talento incrível, de composições que atravessam a alma, e contam longas estórias sem palavras.

Pode ser viagem minha, mas a música de Pat Metheny me inspira profundamente, e já me acompanhou em inúmeras noites viradas de ilustração e pintura, criando novas sinapses, falando a língua do inconsciente, calando o meu cérebro racional e liberando o cérebro criativo.

Outra noite eu estava assistindo o DVD More Travels, e a cada cena dava um pause eu pensava: “putz, que cena legal, preciso pintar isto…”, até que eu parei de assistir passivamente e resolvi estrear o Moleskine cravado na estante, novinho, impecável, que tanto me intimidava há meses. Espalhei algumas tintas acrílicas na mesa, e resolvi fazer algumas experiências que jamais faria em papéis importados ou em trabalhos com prazo de entrega. Afinal os sketchbooks são o território perfeito para mergulhar no desconhecido.

Grafite, solvente, pincéis grandes e pequenos, secador e tinta acrílica, tentando capturar das cenas do DVD o fascínio que a Arte de Pat Metheny sempre me causou.

Eu tive um certo receio em mostrar estas imagens, porque elas vão contra o que tenho falado e criado em meus sketchbooks, o desapego pelo trabalho primoroso, a necessidade de soltar a mão e não fazer imagens com “cara de portfolio”, mas esta foi de fato uma aventura, uma experiência nova e surpreendente, mesmo carregando um certo preciosismo.

Não há nada de novo, criativo ou autoral nestes trabalhos, mas o processo, a experimentação da técnica e a captura de um estado de espírito é o que me motivou neste caso.

Estes 3 estudos foram feitos em duas noites consecutivas, das 11:00hs as 02:00hs mais ou menos. Depois a rotina se incumbiu de matar a motivação para continuar neste ritmo por vários meses.

Preciso voltar a atacar o Moleskine com esta mesma energia, estas são as únicas imagens que fiz nele, até agora.

A energia criativa do fascínio é tão poderosa quanto volátil, se não for capturada e transformada imediatamente em algo material, palpável, ela te abandona com a mesma velocidade e intensidade que chegou, e em uma fração de segundo voltamos a viver a banalidade do mundo real, chato e monótono do dia-a-dia, sem nada que nos lembre daquela sensação poderosa, que alguns chamam de “inspiração”.

Eu não gosto, não confio e nem costumo usar este termo, eu prefiro acreditar no “fazer”, quando a vontade de realizar é maior que a preguiça, ou que os desvios de foco das nossas obrigações mundanas.

A vida fica nos testando a perseverança o tempo todo, nos brindando com o prazer intoxicante dos momentos criativos, mas nos atropelando com a realidade no instante seguinte. E dá-lhe contas para pagar, horários para cumprir, e coisas importantes para fazer.

Basta o som do telefone ou a lembrança de um compromisso qualquer para despedaçar a magia, arrancar a gente do estado de sonho desperto e nos derrubar de volta à realidade.

A gente tem mais é que roubar neste jogo mesmo, e levar o caderninho pra todo lado, desenhar no restaurante, na fila do banco, no farol vermelho e até no banheiro. Se não for assim, a vida nos rouba a magia de se deixar fascinar, e isto é uma perda imensa, irrecuperável.

Hoje eu tive mais um destes momentos mágicos, quase sem querer, enquanto meu filho brincava no computador e eu rabiscava à toa, ouvindo música no outro computador ao lado dele.

Pat Metheny novamente me ajudou a desligar o lado racional dos meus miolos, e eu deixei a música Jaco rolar em loop por algumas vezes, enquanto desenhava thumbnails com uma bic em papel jornal, e contava quem era Jaco Pastorius para meu filho. Resolvi procurar algumas fotos dele no Google, e acabei rabiscando algumas coisas interessantes, postadas aqui, afinal faz tempo que não coloco desenhos novos no blog.

Vou me permitir ao fascínio que cultivo aos meus ídolos mais vezes, e sempre que possível vou tentar traduzir estes momentos em desenhos, estudos, rascunhos e pinturas.

Sr. Milton Glaser, obrigado por confirmar o que eu sempre quis acreditar sobre a minha paixão pelo desenho: ela é constante, intensa e infinita.

Programação de eventos de ilustração - SESC Pinheiros em SP

ILUSTRE

Aprofundar o vasto e criativo universo da ilustração é o objetivo do projeto. Com destaque para a capacidade narrativa da imagem, a programação estimula reflexões e criações por meio de diversas atividades e linguagens artísticas. No projeto, a ilustração é protagonista e se relaciona com a cultural digital, a literatura, o teatro e as artes visuais.

Cursos

Ilustração Digital I
Neste módulo serão abordados programas básicos para criação, tratamento de imagem, vetorização e outras noções sobre ilustração digital. É necessário conhecimentos básicos em software de imagem [Gimp]. Com Márcia Leite. Não recomendado para menores de 16 anos. 20 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/04. Internet Livre, 2º andar. Grátis.
De 09/04 a 30/04. Sextas, às 19h.
Pinheiros

Ilustração Digital II
Neste módulo o participante aprende como criar ilustrações com técnicas mais aprimoradas. Necessário conhecimento em software de edição de imagem [Gimp]. Com BASE V. Não recomendado para menores de 16 anos. 20 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 29/04. Internet Livre, 2º andar. Grátis.
De 06/05 a 27/05. Quintas, às 19h.
Pinheiros

Ilustração Digital III
Neste módulo o participante aprende bases do desenho à mão, tratamento de imagem digital, estudo de proporções, linhas e diretrizes de equilíbrio no espaço, meios para construção de uma ilustração de Moda. Com Marcio Alek. Não recomendado para menores de 16 anos. 20 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/06. Internet Livre, 2º andar. Grátis.
De 10/06 a 24/06. Quintas, às 19h.
Pinheiros

Instalações

Base V
O coletivo de artistas trabalha com diferentes mídias, de publicações artesanais à instalações gráficas. O grupo criou uma intervenção nas escadas da Unidade. Escadas da Ala Paes Leme, Térreo ao 7º andar.
Livre para todos os públicos
Grátis.
De 07/04 a 30/06. Terça a sexta, das 13h às 21h30; Sábados e domingos, das 10h às 18h30.
Pinheiros

Eva Uviedo
A artista gráfica trabalha em dezenas de revistas e jornais de São Paulo. CDteca da Sala Leitura, 2º andar.
Livre para todos os públicos
Grátis.
De 07/04 a 30/06. Terça a sexta, das 13h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Pinheiros

Fernando Gonsales
O cartunista cujo principal personagem é o rato Niquel Nausea ocupa os vidros da Sala de Leitura, 2º andar.
Livre para todos os públicos
Grátis.
De 07/04 a 30/06. Terça a sexta, das 13h às 21h30.; Sábados e domingos, das 10h às 18h30.
Pinheiros

Juntando as Peças, por Thais Ueda
A intuição do jogo e as peças perdidas pela Unidade são as propostas da artista neste trabalho. Muro de entrada da Unidade (estacionamento) e elevadores da Ala Paes Leme.
Livre para todos os públicos
Grátis.
De 07/04 a 30/06. Terça a sexta, das 13h às 21h30.; Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Pinheiros

palestras

Literatura Infanto-juvenil
Bate-papo sobre a produção de livros infanto-juvenis: da criação do texto à elaboração das ilustrações. Com Laurabeatriz, Lalau e Odilon Moraes. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
14/04. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Produção Editorial e Ilustração
Bate-papo sobre a dinâmica da publicação da ilustração, abordando o universo das editoras e da internet. Com Isabel Coelho (Cosac Naify), Thais Linares, Allan Szacher (Zupi). 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
21/04. Quarta, às 17h.
Pinheiros

Ilustração para Revistas e Jornais
Bate-papo sobre o processo de receber um texto (jornal e revista) e criar um trabalho de ilustração a partir dele. Os convidados trazem trabalhos e conversam com o público. Com Eva Uviedo, Celus e Kako. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
05/05. Quarta, às 20h.
Pinheiros

2 em 1: Texto e Ilustração
Bate-papo com artistas que criam textos, histórias e, ao mesmo tempo, elaboram ilustrações. Com Rafael Grampá, Orlando Pedroso, Fabio Moon e Gabriel Ba. 200 vagas. Inscrição até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
12/05. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Humor Negro
Bate-papo com ilustradores que abordam o gênero cômico em seus trabalhos de charges, tiras, quadrinhos etc. Com Allan Sieber, Arnaldo Branco e Andre Dahmer. 200 vagas. Inscrição até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis (inteira); Grátis (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
26/05. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Produção Independente
Bate-papo com Janara Lopes e Alicia Ayala (Revista IdeaFixa), os ilustradores Daniel Esteves, Vanderson de Souza e o artista Samuel Casal. 200 vagas. Inscrição até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
09/06. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Profissão Ilustrador
Bate-papo sobre ilustração, carreira, busca pelo traço e experiências profissionais. Com Orlando Pedroso, Hiro Kawahara, Angelo Shuman e Montalvo Machado. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
07/04. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Em Busca do Traço Perfeito
Como é o processo de descobrir, desenvolver e ser reconhecido por um determinado traço? Ilustradores e artistas conhecidos contam como foi (e é) a busca de uma identidade visual. Com Caco Galhardo, Rafael Grampá e Fernando Vilela. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
28/04. Quarta, às 20h.
Pinheiros

Ilustração e Moda
Bate-papo com desenhistas, estilistas e artistas que flertam com a ilustração de moda. Com Zé Otavio, Icaro Troppo e Fernanda Guedes. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis.
30/06. Quarta, às 20h.
Pinheiros

especial

Análise de Portifolio I
Ilustradores conhecidos analisam portifólio de aspirantes. Com Hiro Kawahara, Orlando Pedroso e Montalvo Machado. Para análise de portifolio é necessária a inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/04. Também aberto ao público. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
29/04. Quinta, às 19h.
Pinheiros

Análise de Portifolio II
Profissionais da Zupi, revista de Design, ilustração, fotografia, moda, graffiti analisam portifólio de aspirantes a ilustradores. Para análise de portifolio é necessária a inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/06. Também aberto ao público. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
25/06. Quinta, às 19h.
Pinheiros

Saída Ilustrada
Desenho de observação pelo bairro de Pinheiros. Necessário trazer material de desenho. Com Montalvo Machado. 40 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/04. Internet Livre, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
24/04. Sábado, às 11h.
Pinheiros

workshops

Desenho Dinâmico
Com o recurso de um modelo-vivo, o participante explora o registro gráfico da figura humana em movimento. Siluetas e desenhos de percepção feitos da inter-relação figura/fundo. Esta oficina serve de preparação para o Desenho de Locação, que exercita o poder de síntese e a observação comparativa. Com Renato Alarcão. 20 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Literatura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 29/04. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
16/05. Domingo, das 13h às 18h.
Pinheiros

oficinas

Soltando de Criatividade
A oficina irá abordar técnicas de criação e desinibição para a concepção da ilustração. Com Manu Maltez. 20 vagas. Inscrição no Balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 30/03. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
De 06/04 a 27/04. Terça, das 19h às 22h.
Pinheiros

Caricatura
Essa atividade aborda noções básicas para construção de caricaturas. As imagens produzidas nesta oficina, serão depois expostas nas janelas da Internet Livre. Com o caricaturista Eduardo Baptistão. Necessário ter noção básicas de desenho à mão livre. 20 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/04. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
De 10/04 a 17/04. Sábados, das 15h às 18h.
Pinheiros

Desenho de Locação
Saída pelo bairro de Pinheiros. Da observação de diversas situações em constante movimento, o participante aprende a registrar instantes. Necessário trazer material de desenho. Com Renato Alarcão. 40 vagas. Inscrição no balcão da Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 29/04. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
23/05. Domingo, às 13h.
Pinheiros

Aquarela
Esta oficina promove o desenvolvimento da percepção, do manuseio do material e de procedimentos técnicos. Com Gonzalo Cárcamo. 10 vagas. Inscrições pela rede IngressoSESC. Sala de Oficinas, 2º andar.
Não recomendado para menores de 14 anos
R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
12/06, 13/06. Sabado e domingo, às 11h.
Pinheiros
HQ e Educação
A apresentação do HQ como ferramenta no processo de aprendizagem e sua real influência imagética na formação escolar (professores e alunos). Com Gazy Andraus. 30 vagas. Inscrições na Sala de Leitura ou pelo telefone 3095-9494, a partir do dia 01/06. Sala de Atividades, 3º andar. Grátis.
05/06, 06/06. Sábado e domingo, 11h.
Pinheiros

filmes

Morgue Story (Sangue, Baiacu e Quadrinhos)
Direção: Paulo Biscaia Filho. Brasil, 2009. 78 minutos, color e p&b, digital. Elenco: Mariana Zanette, Leandro Daniel Colombo, Anderson Faganello. Ana Argento, uma quadrinista de sucesso frustrada em seus relacionamentos, se encontra com dois homens solitários de vida curiosa. Tom sofre de catalepsia e é um vendedor de seguros de vida. Daniel Torres é um médico legista sociopata que tem um método de crime peculiar: envenena suas vítimas com uma poção feita à base de baiacu que induz a catalepsia. Retira de ingressos gratuitamente pela rede IngressoSESC a partir de 13/04.
Não recomendado para menores de 18 anos
Grátis.
20/04. Terça, às 20h30.
Pinheiros

Um dia para coletar 250 mil assinaturas

Nesta quarta-feira o Congresso irá finalmente votar no Projeto de Lei Ficha Limpa.

Nós só temos um dia para convencê-los de passar esta legislação que poderá mudar a política brasileira para sempre!

A Lei Ficha Limpa irá remover das eleições candidatos que cometeram crimes sérios como desvio de verba pública, corrupção, assassinato e tráfico de drogas. Vamos pressionar nossos deputados conseguindo 2 milhões de assinaturas para assegurar que os candidatos condenados fiquem longe dos cargos políticos!

Este ato é mais importante e decisivo que o próprio voto.

Não perca a oportunidade de mudar o rumo da política no Brasil. Comunique esta mensagem.

Escreva no Twitter, no Facebook, no seu blog, na sua lista de Yahoo, enfim, ajude a coletar 300.000 assinaturas. Faltam apenas dois dias para o prazo expirar.

Clique na imagem para ter seu nome no abaixo-assinado.

O novo estúdio na TV

Na primeira semana do nosso novo local de trabalho tivemos a visita da equipe do Olhar Digital, programa especializado em novas tecnologias.

Foi mais de uma hora de material coletado, que resultou na entrevista abaixo.

Inaugurada a Biblioteca Jayme Cortez em SP

Estive hoje na inauguração deste novo espaço cultural no CCJ - Centro Cultural para a Juventude - Ruth Cardoso.

O espaço foi criado como uma justa homenagem a um ilustrador genial, Jayme Cortez, de uma generosidade rara, que deixou um legado imenso de obras belíssimas, atemporais. Muitas delas poderiam ser utilizadas hoje e seriam consideradas modernas, atuais, jovens em traço e espírito.

Dona Edna, viúva do artista homenageado e seu filho Jayme estavam presentes, e deve ter sido um momento muito significativo para eles. Além de poder ver a realização de um espaço permanente, ver a possibilidade de haver um local onde seu acervo poderá um dia ser exibido.

Dois outros artistas brasileiros estão fazendo parte da organização, catalogação e preservação das obras do Jayme Cortez: Fábio Moraes e Zé Márcio Nicolosi, e muito desta conquista se deve ao esforço pessoal destes dois amigos da família Cortez, que conviveram com o artista por muitos anos.

Um dos melhores momentos foi a palestra de Alvaro de Moya, contando com grande humildade e desprendimento como foi sua trajetória pioneira e de estrondoso sucesso nos quadrinhos, a partir dos anos 50, em companhia de Jayme Cortez. Ele fala de Moebius, Milo Manara, Serpieri e tantos outros gigantes como amigos que são, com a naturalidade de quem convive com eles há décadas.

Foi um dia extremamente agradável, encontrei bons amigos, participei de uma mesa de debates conduzida pelo animador e ilustrador Céu D’Ellia, que também foi o curador desta nova proposta cultural.

Na mesa estavam Marina Chaccur (ADG), Gualberto Costa e sua esposa Daniela (MAG/IMAG), Daniel Bá (SIB), Jal (ACB) e eu.

A conversa em tom informal foi gravada, e assim que possível eu colocarei o link aqui no blog.

Um dos assuntos foi em torno de um link que eu passei para o Céu, sobre a palestra no TED Talks do Jacek Utko, um designer de jornais na Europa Oriental, que demonstra como o design conseguiu mudar não somente a aparência dos jornais daquela região, mas disparou os índices de vendas em números nada modestos, de 30% a 100% (há legendas em português para este video).

Seria fantástico se as grandes editoras deste país pudessem ao menos considerar a possibilidade de investir seriamente em Design para procurar elevar as vendas de seus exemplares, como aconteceu nos países mais pobres da Europa.

“Give power to designers!” - Jacek Utko

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O melhor carnaval de todos

Que carnaval espetacular, provavelmente o melhor da minha vida.

Eu não sei qual Escola de Samba ganhou nem qual foi rebaixada, não vi peitos siliconados, bundas cavalares, e não ouvi sequer um mísero tamborim fazendo tumsquidumsquidum.

Só por isto já teria sido um bom carnaval, mas o que fez dele um feriado inesquecível foi a visita de Alberto Ruiz-Diaz e sua adorável esposa Soraya, a São Paulo, a convite da Revista Ilustrar.

Ricardo Antunes e Luiz Rosso foram recebê-los no aeroporto na quinta à noite, e esticaram até as 4 da matina na Galeria dos Pães, na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, em uma curiosa coincidência, quase um trocadilho, para um casal recém chegado de Nova Iorque.

No dia seguinte almoçamos com eles em um grupo de quase 50 ilustradores, no Sujinho do outro lado da Consolação, que aliás me pareceu uma ótima opção para os futuros Bistecões Ilustrados.

Os únicos peitos e bundas deste Carnaval ficaram por conta das artes inacreditavelmente belas do nosso convidado, que é um verdadeiro Mestre no desenho de mulheres, tão voluptuosas quanto graciosas, quase inocentes. Há uma pureza nas suas figuras, uma solidez escultural nas suas linhas e uma beleza tão avassaladora nas suas mulheres que não há como não se fascinar ao folhear seu sketchbook e seus livros, que ele presenteou generosamente a alguns que mostraram seus sketchbooks para ele neste almoço.

Os dias que se seguiram foram muito intensos, e não demos chance para o casal Ruiz-Diaz se entediar. Fizemos com eles uma pequena turnê gastronômica pela cidade, porque era praticamente tudo que se podia fazer em uma terra onde tudo fecha, graças ao Reinado de Momo.

Quem não curte a batucada fica passeando na rua, de restaurante em restaurante.

Fomos no Velhão, na Serra da Cantareira, que está aos poucos se tornando um outro ponto de encontro de ilustradores, é a terceira ou quarta vez que reunimos os amigos neste local bucólico e cenográfico.

No caminho de volta fizemos um pit-stop na casa do Rosso, para admirar os originais de seu legendário avô, Nico Rosso. Coisa fina, artes antigas conservadas com cuidados de bibliotecário.

No dia seguinte Luiz Rosso deu um workshop de “Mercadologia Municipal”, passeando com os convidados entre bancas de frutas exóticas e queijos de diversas nacionalidades, entre vitrais que poderiam ornar uma catedral. O Mercado Municipal foi uma excelente escolha, pena que eu não estava presente nesta manhã.

Visitamos o Beco do Batman na Vila Madalena, tomamos um choppinho no Pirajá, andamos de Metrô até o centro, onde visitamos a Igreja de São Bento, Viaduto do Chá, etc, em um ambiente insólito, quase desértico, porque a região estava praticamente vazia, nenhum de nós tinha visto o lugar sem trânsito ou multidões.

Estivemos em duas livrarias que por sorte estavam abertas, a FreeBook e a HQMix, e para a alegria geral dos admiradores dos livros publicados pelo Alberto no site BrandStudio Press, vai revender os exemplares no Brasil, tanto os de autoria própria como de artistas como Shane Glines, Ronnie del Carmen, Cameron Stewart, Francisco Herrera, Jason Seiler entre muitos outros. Ligue para o Gual e reserve o seu!

Tive a honra de recebê-los no meu estúdio duas vezes, conversamos por horas e horas, comemos queijo coalho que a Mônica assou na hora, e completamos o nosso passeio no restaurante/galeria Feira Moderna, um lugar que merece ser visitado muitas vezes, pela beleza de seu acervo de Arte Popular Brasileira e pelo cardápio simples e quase maternal.

Tivemos nossa noite de bacana no Terraço Itália, com direito a trapalhadas de quem não frequenta lugares refinados. Estávamos de bermuda, e tivemos que fazer um plano B para subir para o bar decentemente trajados. Causos para contar, sempre tem que ter um pra posteridade.

Na noite seguinte encerramos o turismo gastronômico na pizzaria Quintal, que por si só teria sido um delicioso programa, com seu visual aconchegante e suas pizzas que fariam um italiano chorar de inveja.

Na quinta à tarde acompanhamos nossos convidados ao Aeroporto Internacional, com a certeza que eles adoraram o passeio, e que uma grande e sólida amizade se formou.

Para quem quiser ver (ou postar) as fotos destes dias inesquecíveis, visite o FlickrGroups criado para ser o nosso álbum.

Na despedida o colega Luiz Rosso expressou seus sentimentos em italiano, fechando com chave de ouro o passeio, tanto dos nossos novos amigos, como o nosso próprio carnaval, o melhor que já tivemos.

Mi porti nel loro cuori, perché sarete, sempre, nel mio.
Grazie tante”.

Vai dar saudade, e espero poder receber a família Ruiz-Diaz muitas e muitas vezes.

Eles se sentiram em casa, porque agora eles são de casa.

(Off topic) Ditadura Petista? NÃO!

Este blog não tem a intenção de fazer apologias sociais ou políticas, mas chega uma hora em que a gente se vê obrigado a tomar uma posição e manifestar uma atitude política, ainda mais em um perigoso ano de eleições.

Oito anos de governo Lula celebraram o populismo de um presidente semi-alfabetizado que fala “pobrema”, que diz: “ler livro grosso dá preguiça” durante uma palestra escolar, que chama o nosso país de “Braviu”, e que pretende ver Dilma Roussef no poder por dois mandatos consecutivos.

Outros oito anos nas mãos do PT enfiarão o “Braviu” em uma ditadura petista de esquerda, com graves consequências sociais.

Este documento, entre vários absurdos, propõe o controle do conteúdo dos meios de comunicação.

(Leia-se: o sepultamento da liberdade de imprensa com o retorno da CENSURA)

Veja esta reportagem da Band News revelando o documento que Lula assinou sem ler, passando direto pelos Ministros Tasso Genro, Franklin Martins, Paulo Vanucci, e a própria candidata à presidência, a Ministra Dilma Roussef.

O jurista Ives Gandra Martins afirma:

“É uma das maiores sandices que pude ver em 51 anos de advocacia e 49 anos de magistério e direito”

“No momento em que se elimina a liberdade de imprensa, estamos perante efetivamente ao início de uma ditadura”

“Este é um decreto preparatório para um regime ditatorial”

É assustador.

Veja e tire suas próprias conclusões, e preste muita atenção com o que vai fazer com seu voto.

Uma reportagem da Band, postada solitária aqui no blog, poderia parecer tendenciosa, opinativa, parcial.

O Arnaldo Jabor também desceu a porrada neste projeto de Lei, mas o Arnaldo também é opinativo, e o Brasil tá cheio de gente que não gosta de opinião.

Então vamos de Rede Globo, com close-ups pinçados no texto original, só pra redundar o que todo mundo já sabe:

A difícil tarefa de ensinar o funcionamento da roda

Todos temos bons e maus clientes.

Há clientes excelentes, que solicitam, orçam*, negociam, eventualmente solicitam alterações coerentes, aprovam, e pagam.

Na verdade só deveriam existir clientes assim, afinal este é o processo correto, e qualquer desvio desta sequência é uma anomalia.

Mas da mesma forma que a decolagem e pouso seguro de milhões de aeronaves por dia não são noticiadas, os cases de sucesso entre clientes e fornecedores também não são comentados.

Um dia vou convidar alguns colegas e juntos faremos um workshop só de cases de sucesso, mas neste post vou falar dos clientes encrenca. Manja aqueles que tentam colar um adesivo escrito “idiota” na sua testa?

Todo mundo já teve (ou terá) clientes malandros, com propostas absurdas, ridículas ou simplesmente impraticáveis.

E todo mundo já ficou (ou vai ficar) com cara de interrogação, questionando se topa ou se chuta estas propostas.

Alguns designers prestaram um grandioso serviço aos seus colegas, ao criarem videos instrucionais, didáticos, quase pediátricos, para ensinar os clientes como não fazer feio na frente de seus fornecedores.

Os videos não são novidade alguma, na verdade já estão na web há um bom tempo, mas achei interessante e necessário compilar todos em um mesmo post.

Tudo com bom humor, amigavelmente, espirituosamente, mas o recado está lá, e estou certo que muita gente vai se lembrar de fatos reais, de ambos os lados do balcão.

A relação cliente / fornecedor no mundo real

Microsoft designs de iPod Package

A criação de uma placa de PARE

Quem precisa de designers? Use o creme “aumente meu logo”

Mas para não ser apenas um resmungão chato e antipático, quero compartilhar o video de Phillipe Starck, onde ele dá uma nova visão sobre o ofício de design, indo muito além do mundo corporativo.

Clique em VIEW SUBTITLES, e escolha as legendas em português, poupando-se do esforço de entender o inglês carregado de sotaque francês de Philippe Starck, em sua genial apresentação no TED Talks.

Agradeço aos colegas Erick Pasqua, Victor Marcelo e Wilson Matsumoto pelo link direto em português.

(*) Orçar, entre os bons clientes, significa: “Quanto custa?”. No jargão dos maus clientes costuma ser: “Para este trabalho eu posso pagar X”.

Eventos de ilustração em Goiânia e Fortaleza

Estou indo para Goiânia hoje, a convite da UFG, para um evento chamado Fake Fake Ilustraciones.

O Fake Fake Ilustraciones é uma exposição coletiva de ilustradores criada por estudantes de Design Gráfico da Universidade Federal de Goiás (UFG) com o objetivo de trabalhar no limiar da arte e do design.

Eu vou apresentar a palestra “Ilustração como Linguagem”, e dar uma passada rápida nos temas que a gente sempre debate online e nos encontros de ilustradores: mercado, sketchbook, valorização profissional, etc.

Ainda em São Paulo, dei uma entrevista por telefone para o jornal local Diário da Manhã.

Por quê Fake Fake?

Veja a definição, segundo os organizadores do evento:

Trata-se do lado ilustrador: nem artistas, nem designers, e ao mesmo tempo, ambos. Não aceitamos limites de criação, consumimos e consumamos todas as influências possíveis, assim elevando o nível de nossa produção. Esse ano o FakeFake Aciones, com palestras e oficinas, foi criado com cunho de atingir mais do que uma exposição pode atingir.

Há dois meses houve o RDesign Sul em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde o Hiro, Renato AlarcãoRafo Castro, Renato Faccini, Daniel Moura, Fernando Reule, Gabriel Silveira,Tony de Marco, eu e outros 40 palestrantes apresentaram seus trabalhos, assuntos e oficinas em um evento que reuniu mais de 600 pessoas.

Tivemos também um workshop no formato “imersão total” em Maresias, com dois dias e meio de atividades ilustradas, e que deve voltar a acontecer depois do Carnaval.

Nesta semana o Renato Alarcão estará na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre em uma mesa de debate sobre o livro “O que é qualidade em ilustração infantil”.

O pessoal de Brasília fez o Rabiscão, um encontro de ilustradores com blog, logotipo, camiseta e tudo mais.

E para confirmar a abertura de espaços e interesses pelo tema ilustração em outras regiões do Brasil, o Kako está indo para Fortaleza, no evento Baião Ilustrado, que é promovido pelo Coletivo Base, com apoio da OPA - Escola de Design, com patrocínio da Coca-Cola para viabilizar o evento.

Coisa fina, o Bistecão está virando franquia, e além de acontecer em diversos estados, agora já é muito mais que um encontro de amigos, tem palestra, oficina e patrocínio!

Que venham outros eventos, encontros, palestras, treinamentos, workshops e oficinas, de Norte a Sul do país.

Acredito que esta abertura demonstra que nosso mercado está em evolução, que o interesse pela ilustração é cada vez maior, e agora podemos quebrar o paradigma urbano-caipira no qual as coisas só acontecem no Rio e em São Paulo.

Tá virando palhaçada (e que me desculpem os palhaços)

Que saco, eu jamais pensei em fazer um blog para virar um mero balcão de denúncias.

Desculpem-me os leitores ávidos por assuntos mais decentes, interessantes e agradáveis, mas estou fazendo um serviço sanitário aqui. Cuidado que vou jogar desinfetante no blog para disfarçar o cheiro que estes marketeiros de merda estão espalhando no nosso mercado.

Já estou perdendo a conta de quantas campanhas sórdidas, travestidas de “concursos culturais” já foram denunciadas na web.

Já vi algumas pagando logotipo de shopping center com webcam de 50 pilas, time de futebol pagando “mascote” com divulgação, Puma pagando blogueiros para fazer jabá disputando bonés e um par de tênis, empresa de telefonia pagando outdoor com celular, Microsoft pagando selo comemorativo de 20 anos com sobras de estoque, livraria e editora convocando novos talentos e oferecendo trabalho como prêmio, semana passada foi a vez da revista Piauí pagar tirinhas humorísticas com pinguim de geladeira, e a OI lançou um concurso de quadrinhos pagando com encalhes autografados.

Mas a semana do capeta ainda não tinha acabado: teve um blog promovendo a ideia de se fazer trabalho de graça, e a Converse AllStar (quem diria) fez um concurso pra pagar o design industrial da nova linha de tênis pagando o trabalho com um zero a menos: R$ 2.000,00 + uma dúzia de pares tênis, transformando o vencedor em um anúncio ambulante, um bobo-alegre gerando propaganda espontânea. Bela merda.

Um projeto destes vale pelo menos 20 mil reais, mas os marketeiros acharam uma mina de ouro: concursos picaretas e artistas iludidos. E nas linhas miúdas do regulamento, os inscritos cedem todos seus direitos, não apenas os vencedores.

O Ilustrador americano Gary Taxali mandou um sinal muito claro para os clientes picaretas, depois que Google e Swatch ofereceram “visibilidade” como pagamento.

Os colegas Leandro Substance e Fernando Mosca também estão fartos de tanta proposta sacana, premiação em tapinha nas costas e lero-lero. Esta é a imagem que eles disponibilizaram via Creative Commons, em diversos formatos, no blog Old Black Gallery:

Parece que os ilustradores não estão mais dispostos a receber pagamentos em elogios, tapinhas nas costas e o prazer de ver seus trabalhos publicados.

Estes foram os concursos e picaretagens mais recentes, houve trocentos outros, cada um mais escroto que o outro, e parece que este marketing de pinico está proliferando com seus protozoários em meio fétido.

Os marketeiros pensam que não precisam mais pagar dezenas de milhares de reais por imagens, logotipos, “mascotes” (que os profissionais costumam chamar de personagem), fotografias, ilustrações, etc.

Na mentalidade rasa destes incompetentes, basta jogar qualquer resto de qualquer porcaria na sarjeta, que dos esgotos surgirão os zumbis do design, da fotografia e do desenho, rastejando e se estapeando por um momento de fama.

E aparecem mesmo!

Tá virando palhaçada! Mas mesmo os palhaços são pagos pelo dono do circo para fazerem suas performances. Nem os palhaços mais sem graça aceitam bugingangas ou elogios como pagamento.

Na pirâmide moral da nossa sociedade, alguns designers, ilustradores, cartunistas, fotógrafos e escritores estão abaixo dos palhaços. Estes respeitáveis profissionais do humor trabalham por dinheiro e conquistaram com todos os méritos a Câmara Setorial do Circo, uma proeza que jamais conseguiremos.

É revoltante pensar que, em algum momento, elegantes senhores engravatados se reuniram em volta de uma mesa para elaborar um golpe de marketing, enfeitando o pavê de estricnina com bastante cobertura para que tenha uma aparência bem apetitosa, com o propósito de enganar a maior quantidade possível de idiotas, que se vendem pela vaidade de ganhar um tapinha nas costas e ver seu trabalho publicado.

Eis que o HSBC resolveu dar uma de esperto e jogar uma rede de arrasto no Flickr para ver quem cai nesta rede.

Com um contrato absolutamente draconiano, o banco oferece NADA, absolutamente NADA, em troca de imagens publicitárias:

18 - O participante atesta o caráter plenamente gratuito da citada licença, se comprometendo a não fazer qualquer reivindicação, cobrança, reclamação ou propondo qualquer tipo de demanda em face do HSBC, sob qualquer fundamento, objetivando o recebimento de valores, pagamentos, indenizações, prêmios, dação em pagamento, royalties e/ou qualquer tipo de verba, em relação as fotos enviadas para o Grupo.

Como se o pagamento em “muito obrigados” já não fosse suficientemente ofensivo, eles se outorgam o direito de “modificar, adaptar, sublicenciar ou criar trabalhos derivados” das imagens:

15 - Além disso, ao participar da ação e adicionar a foto ao Grupo, o participante concede ao HSBC, a título gratuito, uma licença mundial, exclusiva, irrevogável, sublicenciável e livre do pagamento de royalties, que é válida até o dia 31 de dezembro de 2010, para utilizar, copiar, modificar, traduzir e/ou adaptar, distribuir, executar em público, exibir em público e criar trabalhos derivados de sua foto, exclusivamente em relação à finalidade deste Grupo e da ação , por qualquer meio de veiculação e divulgação, especialmente através da exibição em outdoors, painéis gráficos ou assemelhados a serem veiculados pelo prazo previsto na licença.

A fotógrafa Paula Marina divulgou o logo postado no começo deste texto, criado por Andre Carvalho para combater esta proposta aviltante, e espero que ela se espalhe mais rápido do que a propaganda criada pelo banco. Vamos contar com a inteligência das pessoas e a agilidade da web 2.0 para denunciar esta campanha absurda, que visa enxugar dezenas de milhares de reais para pagar em “fama”, aos que se vendem por tão pouco.

Para os responsáveis (se é que se pode chamar assim) pela campanha gratuita que HSBC está promovendo nas costas dos fotógrafos, e aos inscritos neste fiasco, eu recomendo o video do Harlan Ellison, que pode falar em nome de todos criadores de conteúdo e propriedade intelectual.

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Atualização do post:

Em questão de horas o Flickr do HSBC que originou esta confusão foi bombardeado por dezenas de comentários furiosos, principalmente de fotógrafos que se sentiram aviltados pela proposta.

Em poucas horas de exposição da marca ao crivo dos profissionais, um porta-voz do HSBC se retratou e postou o seguinte texto:

Caros Ignacio, Louise e demais participantes,

Lemos a mensagem de vocês e de outras pessoas e entendemos o seu ponto de vista.

Aliás, esta é a proposta da campanha do HSBC: promover a opinião das pessoas sobre diferentes assuntos, através de fotos e vídeos de depoimentos. Acreditávamos que a publicação dessas opiniões em escala nacional seria uma forma de estimular a participação das pessoas. Mas reconhecemos que é preciso mais do que isso.

O pensamento do HSBC aqui e no mundo é justamente reconhecer e respeitar os valores das pessoas, inclusive o respeito ao direito autoral de fotógrafos profissionais e amadores.

Sendo assim, o HSBC vem publicamente informar que já tomamos as providências para reformular a ação, agora com um regulamento compatível com as expectativas da comunidade.

A partir de agora, manteremos a proposta inicial de selecionarmos oito (8) fotos que melhor representarão os temas discutidos e as vencedoras serão devidamente adquiridas pelo HSBC, caso as mesmas sejam utilizadas em campanhas do HSBC.

Já solicitamos a alteração do regulamento junto ao Yahoo! (Flickr) e isto deverá ocorrer em breve.

Agradecemos a manifestação de vocês e a atenção neste momento.

Coloco-me à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas remanescentes.

Carlos Alves

Diretor de Marca e Digital do HSBC

Resta agora esperar e ver qual será a alteração feita no regulamento.

Quem me dera os ilustradores deste país fossem tão coesos e pró-ativos como os fotógrafos.

Mais um daqueles concursos

Eu nem deveria sujar o blog com um assunto destes, mas a afronta é muito descarada para aguentar calado.

A Revista Piauí, em um rompante de desrespeito e escárnio contra seus colaboradores resolveu fazer um “concurso”, entre aspas, muitas aspas.

Eles querem artes inéditas e que façam a redação rir. Estes são os critérios da banca julgadora.

Ao grande vencedor deste “concurso”, o merecido prêmio: um pinguim de geladeira.

É ridículo, ofensivo e insignificante mas é o prêmio oferecido pela revista.

Já não bastasse a mesquinharia do troféu, o vencedor terá que ir até a redação para buscar seu souvenir, a não ser que ele seja de outro estado que não SP ou RJ.

A situação em si já é constrangedora, mas os editores conseguiram fazer o assunto ficar revoltante, acenando com uma suposta “imortalidade piauiense” para uma também suposta “tribo cartunistas/chargistas/criadores de humor gráfico”, ao mesmo tempo que ameaça com humilhação e cuspidas na cara no caso da imagem ter sido publicada anteriormente, mesmo que seja em um mictório público (?!?).

Eles querem exclusividade total, sob a seguinte ameaça:

Atenção: será submetido a opróbrio, e talvez escarradas na fuça, quem enviar trabalhos já publicados - seja em livros, jornais, revistas, zamizdats, pichações, sites, propagandas, blogs, cartazes, grafites, facebooks, pôsteres, enciclopédias, dazibaos, orkuts, mictórios públicos, cartazes, cardápios, tatuagens, bulas, calendários, twitters, rettiwt (o meio de comunicação secreto da piauí) e todo ou qualquer meio de expressão existente ou que venha a ser inventado nos próximos  3 974 anos.

Confira neste link o que eles consideram um novo e eletrizante concurso, e neste link as regras.

Eu estou enviando uma tirinha para eles. Não que eu me importe em ganhar um pinguim de geladeira, que dá pra comprar online por R$ 25,00 mas tem coisas que não podem passar em branco.

Mas eu publiquei aqui no blog e linkei no Twitter! Será que eles vão cumprir com suas catarrentas ameaças?

Note que não se trata de um concurso para amadores ou novatos. Eles querem a participação de artistas bissextos (eventuais, mas não necessariamente iniciantes) ou consagrados.

Não é assim que um contratante se dirige aos seus contratados ou colaboradores.

Não é escondido atrás de um pretenso senso de humor que se pode tratar seus parceiros de trabalho como lixo.

Enquanto os editores enxergarem seus colaboradores como um bando de idiotas, e estes se prestarem a humilhação de disputar um pinguim de louça como prêmio por seu trabalho, sujeitos a opróbrio e escarradas na fuça, não será possível uma relação comercial dentro de uma margem mínima de respeito.

Eu tenho um misto de pena e desprezo pelos miseráveis que se prestam a este tipo de oferta, lambendo as solas dos sapatos dos editores para entrar para a “eternidade piauiense” como mendigos da profissão.

Eu tenho uma sugestão aos editores sobre a utilização do maldito pinguim, mas vou poupar os leitores do blog das minhas grosserias.

No entanto, como eles são bem humorados, espirituosos e gostam de falar o que pensam, acho que não vão levar a mal se eu enviar um desenho com um pequeno leitor da revista, não é?

Milton Glaser - A importância do desenho / Porque ensinar

Uma das muitas coisas fascinantes a respeito da ilustração é que o tempo é um aliado do artista, e não um inimigo dele. Quanto mais se trabalha, quanto mais se estuda, inevitavelmente seu trabalho se torna melhor, mais relevante e significativo.

E paradoxalmente, mais coisas há para se aprender ao longo dos anos.

É certo que existem jovens talentos surgindo a cada dia, mas também é inegável se deliciar com a experiência , a vivência e o traço de um senhor designer e ilustrador como Milton Glaser.

Permita a você mesmo 5 ou 10 minutos do seu tempo para assistir dois videos que sintetizam vários anos de experiência deste genial senhor.

Acredite, valem cada instante. Além de ser o designer que é, ele também é conhecido por gerar insights imediatos na vida e na carreira das pessoas.

(link)

Eu legendei estes dois videos para que os colegas do Brasil possam beber nesta fonte de vitalidade e inspiração que é o legendário Milton Glaser.

(link)

Certa vez li em um adesivo de para-choque: “As pessoas não envelhecem, elas ficam melhores”.

Meu primeiro Dr. Sketchy

Nesta quarta eu participei do 2º Dr. Sketchy São Paulo, na minha primeira experiência neste evento, e foi muito legal.

É uma proposta nova, bastante alternativa, e por isto não segue os padrões de desenho de modelo vivo que a gente está acostumado a ver.

O modelo da noite, Soul Dubs, era bastante pitoresco, altamente desenhável, muito gestual, dançava o tempo todo, e deve ter sido difícil para ele sustentar poses paradas, o cara tinha suingue nas veias e a trilha o convidava para dançar. Mesmo nas poses ele dava um certo malemoleio, um desafio a mais para quem estava desenhando, mas tudo bem.

No final eu admito que trapaceei no jogo. Desenhei todos os que estavam parados, enquanto o modelo apresentava seu incrível talento para dança, ao som de James Brown.

Eu acredito que os dois modelos do primeiro Dr. Sketchy estavam mais acostumados com a difícil tarefa de sustentar uma pose, afinal a Cris é uma das nossas modelos aqui nos workshops da Sketcheria, e ela congela nas poses, e o outro rapaz que dividiu o palco com ela naquela noite é um modelo vivo famoso entre os desenhistas.

O pessoal do El Tunel foi super atencioso, o clima era bem descontraído e o Eduardo S. Janiszewski recebeu a todos com muita atenção, conduzindo a festa com maestria. Pena que eu cheguei na metade e perdi um pouco da sessão de desenho. Quem sabe na próxima eles estendem para 3 ou 4 horas, seria perfeito.

Encontrei os colegas Arthur Porto e Thiago Pimentel (os únicos em foco nesta foto), que estavam no grupo de Maresias.

A hostess era uma pintura, e não deveria ser rascunhada no caderninho. Ela merecia uma tela a óleo.

A insistência no patrocínio também me pareceu um pouco além do razoável, mas como o evento está apenas começando, estou certo que eles vão aparar estas rebarbas e fazer um grande espetáculo, digno de entrar para o calendário cultural da cidade, que promete se repetir a cada 15 dias. Ueba!

Na hora que o Dr. Sketchy for mais conhecido vai ter fila na porta e neguinho se apinhando com o caderno na mão.

Eu vou chegar cedo nos próximos.

Dr. Sketchy’s Anti Art School, São Paulo

Uma proposta bem legal para se desenhar modelo vivo e se divertir com os amigos é o Dr. Sketchy’s.

Segundo o Facebook do evento, “Este é um movimento artístico aliado a uma forma de sessão com modelos vivos , uma franquia internacional de sucesso, criada em NY por Molly Crabapple, que resgata o espírito burlesco, com eventos voltados tanto ao artista senior até o leigo iniciante”.

E olha só quem foi a modelo do último Dr. Sketchy’s: Cris Ferrantini, a mesma mega-simpática modelo que esteve aqui no estúdio para os workshops da Sketcheria.

Vou fazer o possível para comparecer no próximo Dr. Sketchy’s São Paulo, que acontece na quarta-feira, dia 30 de Setembro de 2009, no El Tunel, Rua Major Maragliano, 387 - Vila Mariana.

O preço também é legal, R$ 20,00 antecipados ou R$ 25,00 na porta do evento.

Veja o video do encontro passado, que eu certamente teria ido, se não estivesse na Illustration Academy.

Próxima parada: Santa Maria - RS

Estou a caminho do aeroporto para participar do RDesign Sul 2009, um evento interdisciplinar que chega à sua sexta edição, e reúne mais de 600 pessoas a cada encontro.

Entre muitos outros palestrantes, estarei com o Hiro e Renato Alarcão, e tenho certeza que vou me surpreender com este evento.

Minha participação será uma apresentação pocket-show do “ilustração como linguagem”, “Sketchbooks” e um treinamento de Notan, em um formato parecido com o que foi apresentado recentemente na Illustration Academy, com a diferença que o Notan será executado como uma oficina, e não apenas a parte teórica.

Fotos e causos serão postados na semana que vem.

Fui.

A Record of Life

Seguir as pessoas certas no Twitter é praticamente uma garantia de boa companhia, insights interessantes, e links que podem dar aquela iluminada no seu dia.

Uma twittada do Renato Alarcão me levou a esta pequena animação, criada por Owen Gatley e Luke Jinks, sobre o tema da evolução e diversidade da vida no planeta Terra.

Como foi descrito no blog Drawn!: “Art and science have never looked better together”.

Harlan Ellison, um homem de coragem.

Vivemos um momento de protesto e denúncias contra concursos vazios, campanhas travestidas de “oportunidade”, golpes, balelas, mentiras e outras aberrações que nos arrepiam como almas penadas em plena luz do dia.

De que adianta ser talentoso se o artista (ilustrador, fotógrafo, designer, escritor) não consegue avaliar o valor que tem sua arte?

Não existe tal coisa como “valor de divulgação”.

Fazer trabalho de graça, ou baratinho, “para portfolio” é suicídio profissional.

É um crime contra sua própria sobrevivência profissional.

É enterrar a carreira em cova rasa.

Se o autor não sabe fazer dinheiro com seu trabalho, o cliente certamente saberá.

Neste momento de questionamento, crises e dúvidas, o colega Hélio Salema me Twittou um video absolutamente genial, que traduzi com um prazer e um doce sabor de vingança, editando as legendas usando o Overstream.

Me identifiquei tanto como o discurso do escritor Harlan Ellison, que bastaria trocar “escritor” por “ilustrador”, e seria como se eu mesmo estivesse dizendo aquelas palavras.

Que tal dar (ou tomar) uma bolacha para sair do estado de choque que a crise econômica nos colocou?

Que tal recuperar a lucidez enquanto é tempo, e reconhecer que muito mais que ter uma opinião, é necessária uma ATITUDE para se conquistar um mercado melhor, mais digno e honesto?

Que tal assumir seu poder pessoal e pregar uma cruz de prata na testa do demônio, até sentir o cheiro de capeta assado?

Em breve vou postar os estratosféricos valores que o mercado editorial anda gerenciando neste país.

Valores que alcançam a casa do Bilhão de reais.

O churrasquinho de capeta será servido em bandeja de prata, como cortesia da casa.

Sobre o concurso da Livraria da Vila - um meio-termo saudável

Caros todos,

O debate sobre o concurso promovido pela Livraria da Vila tomou grandes proporções, se alastrou pela web e gerou muitos, muitos comentários.

Seja em listas de discussão, blogs, twitter, etc, muito se discutiu sobre o assunto, e depois de escrever para todos os funcionários da empresa, eu recebi duas mensagens, uma do Sr. Samuel Seibel, proprietário da rede, e outra de seu filho Flávio, ambos explicando seus pontos de vista e questionando minha reação. Respondi aos dois, parágrafo por parágrafo, explicando meus motivos.

O assunto é extenso, controverso e as argumentações por e-mail careciam de uma conversa real, pessoal.

Um telefonema, um horário marcado, e uma reunião.

Fomos, eu e o Ricardo Antunes para o café da loja, no Shopping Cidade Jardim, conversar pessoalmente com o Sr. Samuel Seibel, e seus dois filhos, Flávio e Rafael.

Em um longo, construtivo e esclarecedor debate, cada um expôs seus pontos de vista, seus argumentos e suas conclusões. Avançamos em direção a um meio-termo saudável e recuamos em nossas posturas antagônicas, e o resultado foi bastante positivo: o Sr. Samuel Siebel já havia decidido cancelar o concurso antes mesmo da reunião, por reconhecer que haviam pontos falhos na elaboração do concurso, e demonstrou nobreza de caráter e personalidade ao convidar quem o havia criticado furiosamente (este que vos escreve) para um diálogo franco e aberto.

Ficou claro desde o primeiro momento que o problema se deu por falta de conhecimento do assunto, haviam erros na elaboração das regras do concurso, e não houve má índole ou interesses comerciais escusos.

Ficou claro também que não havia qualquer intenção de lucro no projeto, e por mais bem intencionado que fosse, a melhor alternativa seria o seu cancelamento.

Não foi fácil para qualquer um de nós, tínhamos algumas ideias contrárias, e aproveitamos a oportunidade para expor e defender cada uma delas e procuramos entender mutuamente onde estava o atrito.

Eles desconheciam totalmente a consequência danosa que o concurso causaria ao mercado de ilustração, e por mais absurdo que possa parecer, eles estavam aparentemente bem assessorados, contando com o apoio e a consultoria de duas profissionais deste mercado, associadas à SIB. Este fato é um mistério insondável para mim, até agora.

Como duas pessoas ligadas à SIB poderiam ser tão desconectadas da realidade, tão sem visão comercial, e sem noção das consequências deste projeto?

Elas poderiam ter evitado o desgaste logo no primeiro momento, se estivessem alinhadas com a proposta defendida pela entidade, há anos, que é a de elevar e promover a profissão.

Esclarecidos os dilemas de parte à parte, o concurso está cancelado, e se eventualmente for restabelecido no futuro, eu e o Ricardo nos dispomos a ajudar na formulação de outros termos e propostas mais adequados, para que ninguém saia prejudicado no final.

O meu protesto, em forma de ilustrações, não faz mais sentido, porque o combate se transformou em entendimento, cancelamento do concurso, reconhecimento do erro, e aprendizado mútuo.

Sem o propósito para o qual as imagens foram criadas, não tenho porquê mantê-las no ar, e mesmo sem haver esta solicitação, decidi retirar as ilustrações do post anterior.

Me parece justo e razoável baixar a postura de ataque, porque não há mais o que ou contra quem atacar.

Curiosamente, o final da reunião, que tinha todo o potencial para a discórdia, terminou em um abraço respeitoso.

Não tenho como negar que aprendi algumas coisas importantes com este episódio, além de reconhecer e admirar a coragem dos 3 empresários da Livraria da Vila em sua atitude de nos receber nesta tarde.

Não deve ter sido fácil ser respeitoso como eles foram, ainda que eu percebesse sinais de tensão sob a película de serenidade que os revestia.

Mais um concurso do mal

Caros,

Enquanto alguns tentam evitar que a profissão de ilustrador vá para o esgoto, outros enfiam a própria cabeça na privada e puxam a descarga.

O que dizer de um concurso pseudo-cultural para ilustradores, que oferece TRABALHO como prêmio?

O que dizer de muita discussão, e-mails e debates acalorados, que resultaram na Livraria da Vila cedendo à pressão e oferecendo o irrisório e risível valor de 1% sobre as vendas da publicação, a título de “melhoria” da proposta?

O que dizer de duas ilustradoras profissionais, associadas da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - participando da banca julgadora, coniventes e favoráveis com este absurdo?

Eu tenho o que dizer a este respeito: Vou participar do concurso.

O tema é “conto de fadas”, e para concorrer ao patético prêmio o infeliz tem que enviar 3 imagens originais, diferentes entre si, sem qualquer garantia que as imagens vencedoras serão publicadas, ou que ao menos os originais sejam devolvidos, a não ser que o candidato pague pelo reenvio.

Ainda há outra restrição: Somente poderão participar do Concurso apenas aqueles que não possuírem um livro publicado com ISBN, ou seja, a Livraria da Vila quer caçar novos talentos, mas eles terão que ser “virgens”, no sentido profissional da palavra.

(O concurso foi cancelado e o erro na sua elaboração foi reconhecido pelos seus criadores. Desta forma, o propósito do meu protesto deixou de existir. As imagens foram retiradas deste blog, e sem a realização do concurso, não terão necessidade de ser enviadas)

Eu sei que uma imagem vale mais que mil palavras, mas como eu sou um prolixo incurável, eu também preciso delas para me comunicar.

Este é o texto que enviei para cada um dos executivos da Livraria da Vila, do presidente aos estagiários, através deste link, com todos seus e-mails.

Caros senhores,

Este concurso “cultural” tem a intenção clara de leiloar uma série de ilustrações pelo preço mais baixo possível.

Estes pseudo-concursos são uma estratégia de marketing da pior espécie. São concorrências profissionais travestidas de “oportunidade”, criadas com a única intenção de baratear custos internos, às custas da ilusão dos menos experientes.

Como cliente da rede, eu me sinto traído, porque eu não questiono os valores cobrados pela loja, eu frequento, consumo e gasto meu dinheiro com vocês, compro livros, presentes e refeições, minha esposa e meu filho sempre tivemos prazer em estar no ambiente das lojas.

Como micro-empresário, suponho que os negócios devam estar indo bem, porque do contrário vocês estariam fechando lojas, ao invés de inaugurar novos palácios da literatura nos bairros mais caros de São Paulo.

Como profissional de ilustração, me sinto desrespeitado, e sinto que vocês também não se dão ao respeito, considerando que qualquer amador seja capaz de ilustrar uma edição literária, mediante a isca insignificante de 1% dos lucros sobre as vendas, em um concurso leonino, draconiano, muito pior que o pior dos contratos.

Atenciosamente,

Montalvo Machado
ilustrador - SP


Como eu admiro a simplicidade…

Mas eu sei que ainda estou muito distante dela.

Quem sabe na próxima vida eu consiga fazer algo tão simples e belo como este video que a Mônica me enviou um dia, lembrando do nosso finado gato Frank Zappa.

Saudades do nosso gato, que era quase gente.

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance - e além dele - para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Patrocínio sob ameaça

Comentei neste post sobre as venenosas mudanças - via Projeto de Lei - na Lei Rouanet, especialmente sobre o Artigo 49, que resumidamente falando, é a redução do domínio público (dos direitos autorais patrimoniais, em projetos patrocinados via Lei Rouanet) dos atuais 70 anos a contar da morte do autor, para 3 anos.

É um absurdo gritante, um fiasco constrangedor da parte do MinC, tentar economizar uns trocados em cima de quem cria a obra. Coisa de alguns milhares de reais, quando muito.

Foram investidos quase UM BILHÃO DE REAIS em 2007, e o governo quer tirar uma casquinha do salário do autor. É uma palhaçada sem precedentes, uma lei de NÃO-INCENTIVO À CULTURA.

Mas isto era, até ontem, uma opinião minha. Até que a Folha de São Paulo preecheu a capa da Ilustrada com uma matéria (com uma bela ilustração do Orlando) a respeito dos prejuízos que esta mudança na Lei Rouanet pode causar.

Foram ouvidos 15 representantes de empresas investidoras na Cultura, como Petrobrás, Carrefour, Porto Seguro, Itaú Cultural, Gerdau, Usiminas, CSN, CPFL, entre outras. Onze delas afirmaram que seus investimentos em cultura tendem a cair se as mudanças no Projeto de Lei for aprovado.

Se esse projeto for aprovado tal como proposto, cortaríamos pela metade nossos investimentos gerais nesta área. - Grupo Carrefour

Nossos investimentos certamente diminuiriam. Como pode o governo conhecer melhor a estraégia da nossa empresa? - Porto Seguro

E por aí vai.

Quero ver agora qual será o discurso dos trolls, pela-sacos, e tietes deslumbradas do MinC que fizeram seus comentários neste post da Sketcheria, em um blog, e até no Twitter, em defesa das mudanças da Lei Rouanet.

Virada cultural 2009

Off topic logo na segunda-feira?

Nem tanto.

No dia da abertura da Virada Cultural acordei determinado a passar dois dias desenhando a cada oportunidade que aparecesse, e comecei no café da manhã. Mas ainda não estava acelerado o suficiente, eu tenho a tendência de esticar um rascunho por quase uma hora, um hábito que preciso combater com muito desenho, torrando folhas e mais folhas do sketchbook.

Chegando no evento eu me preparei para exercitar o desenho mais desencanado, acelerado, rascunhão mesmo.

E nem poderia ser diferente, por causa da dinâmica do ambiente. Ninguém ficava parado por mais de 30 segundos, e mesmo que ficasse, sempre aparecia alguém na frente, então tinha que ser rápido mesmo, e contar com a memória visual.

Mesmo a fila mais demorada que peguei, cerca de uma hora e cinquenta, andava, e isto me fazia desenhar em modo acelerado.

Conceitos que vou aplicar no workshop de técnicas de sketchbook que começam neste mês.

Para o meu desespero, os portões do Municipal fecharam com mais de 200 pessoas na fila à minha frente. Parti para o plano B, e peguei a primeira fila do telão, instalado na frente do teatro.

O som estava bom, e tive várias câmeras oferecendo diversos ângulos excelentes para desenhar, e a cada troca de cena eu começava um rascunho novo, em 3 sketches simultâneos.

Ficou tosco…

Que bom!

Eu experimentei um novo formato ao desenhar em um ambiente diferente, inusitado. Desenhar fora do estúdio, longe da sua área de conforto, à noite, com gente esbarrando no seu braço, e até mesmo andando, foi uma experiência nova, e estou certo que vai ser moleza voltar a desenhar em lugares mais adequados.

O evento foi fantástico, vi Egberto Gismonti, Cama de Gato, Zeca Baleiro, Francis Hime com orquestra e Central Scrutinizer (banda que faz cover impecável do Zappa), mas o Ike Willis não era cover, ele tocou e cantou com o “homi” por vários anos.

Estive na livraria HQ MIX do Gualberto Costa e sua esposa Daniela Baptista, e encontrei vários amigos por lá, entre eles Salvador Messina (em pé), na foto com o dono da casa.

Se você ainda não conhece a livraria, não sabe o que está perdendo, aquilo é o paraíso, a perdição, um templo de luxúria, lotado de objetos de desejo para quem gosta de quadrinhos e Arte em geral.

Dos livros e revistas que a gente gosta, a livraria HQ MIX tem tudo e mais um pouco.

E como lá se tornou um ponto de encontro de desenhistas, terminei a madruga de sábado entre amigos, desenhando um paper toy art do Grandpa Munster, o vovozinho da Família Monstro.

Ele tinha um restaurante no Greenwich Village em Nova Iorque chamado Grandpa’s, onde atendia os clientes pessoalmente, vestido e maquiado como nos filmes. Quando se candidatou a prefeito da cidade, ele disse: “Nós não herdamos o mundo dos nossos ancestrais, nós o tomamos emprestado de nossas crianças”.

Outros artistas fizeram suas contribuições, entre eles o Spacca com seu traço inconfundível.

Voltando ao off topic, as fotos que tirei na Virada Cultural estão no Flickr da Sketcheria, inclusive algumas da Estação da Luz, onde havia uma exposição de carros antigos e uma bucólica senhorinha tocando piano em um dos saguões da estação.

O espaço de música instrumental decepcionou, por ter sido confinado à rua Conselheiro Crispiniano, com um ar intoxicante devido aos geradores de energia movidos à diesel.

Suportei apenas o primeiro show com Daniel Daibem tocando samba-rock na banda Hammond Blues, batizada assim por ter um tecladista com um órgão legendário com este mesmo nome. Este instrumento ficou mais legendário ainda, depois de ter sido tocado por Jon Lord (Deep Purple) em um show que eu perdi naquele mesmo dia, infelizmente. Se eu soubesse, teria começado exatamente nesta apresentação.

Uma decepção que me fez ir passear lá longe (no começo da segunda música) foi o citarista Alberto Marsicano tocando músicas de Jimi Hendrix. Eu já tinha visto um recital de cítara em um centro de estudos indiano com ele, muito legal, mas desta vez ele pirou grandão.

Banda ruim, deprê, som monótono, chão colando, a ripaiada amontoada em coma na grama, e o som da cítara ecoando na praça feito pernilongossauro gigante, agonizando em uma looonga bad trip de Detefon com marofa.

Fui tomar café no outro lado da cidade, ouvindo piano na Praça dom José Gaspar.

4 milhões de pessoas no Centro de SP tornam a paisagem em algo quase surreal, é uma multidão mesmo, no sentido mais literal da palavra, e a cidade sofreu com isto. No final do domingo os amontoados de lixo tentavam minimizar o estrago, mas o chão colava no solado e a quantidade de gente caindo pelas tabelas mostravam o lado feio da festa.

Só mesmo o som de Frank Zappa para me fazer aguentar corajosamente esta maratona até o final, em que eu tive apenas duas horas de sono e um banho apressado entre o primeiro e o segundo dia.

Mas no ano que vem estarei lá novamente.

Mudanças na Lei Rouanet (ou cadê o Direito Autoral que estava aqui?)

Recebi um e-mail do animador brasileiro Céu D’ Ellia, alertando para o perigo de termos um projeto de lei alterando a Lei Rouanet (de incentivo a cultura), que podem vaporizar os direitos autorais do criador da obra depois de 18 a 36 meses.

O e-mail dele, excelente por sinal, pode ser lido aqui.

Na quarta-feira, dia 6 de maio, termina o prazo para manifestações sobre o novo texto da Lei Rouanet.

Qualquer autor (escritor, músico, ilustrador, fotógrafo, artista plástico ou designer) que tiver noção de quanto isto é danoso e lesivo ao seu próprio dinheiro, pode enviar um e-mail profic@planalto.gov.br com a seguinte mensagem:

SOU CONTRA O ARTIGO 49 PROPOSTO NO PROJETO DE LEI.

Não deixe que o governo arranque (novamente) o dinheiro que é seu por justiça e por direito.

Direito Autoral é o salário do autor.

Proteste!

Segue abaixo o texto que eu acabo de enviar à Casa Civil, com cópia para diversos jornalistas da radio CBN (milton@cbn.com.br, everson@cbn.com.br, roberto.nonato@cbn.com.br, roxane.re@cbn.com.br, vanessa@cbn.com.br, lizan@cbn.com.br, tania.morales@cbn.com.br, herodoto@cbn.com.br, cbnsaopaulo@cbn.com.br, piotto@cbn.com.br, e adalberto.piotto@cbn.com.br).

_________________________________________________

Caros senhores,

Escrevo por discordar com as mudanças da Lei Rouanet, especialmente no que diz respeito à perda dos direitos autorais dos criadores da obra, em um período de 18 meses a 3 anos.

Quem produz Arte não vive de amor à Arte, é um meio de vida, um sustento legítimo, legal, honesto e gerador de impostos, como qualquer outra atividade comercial.

Ser obrigado a abrir mão dos direitos autorais e patrimoniais de uma obra significa que o autor deixará de receber o pagamento por um trabalho, sendo que as outras partes integrantes da cadeia produtiva (gráficas, distribuidoras, editoras, bancas e livrarias) continuarão a receber o que lhes é justo.

Todos trabalhamos por um objetivo claro: manter o nosso sustento, não como “artistas” no sentido lírico e sonhador da palavra, mas como trabalhadores que somos.

A palavra “Arte” banaliza e mitifica a real função do nosso trabalho: a CRIAÇÃO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL não é uma atividade lúdica, nem mera terapia ocupacional. Estamos falando de trabalho especializado, que gera empregos, custos internos, impostos, e nos consome anos de investimento para estudar, dominar e produzir tal serviço.

Não fazemos isto por outro motivo senão manter a sobrevivência, nossa e de nossos dependentes, e isto está sendo colocado em risco com esta alteração da Lei Rouanet.

É muito importante que as Leis brasileiras sejam feitas de forma a construir melhores condições de trabalho e sustento aos trabalhadores, e não suprimir o pagamento que lhes é justo e de direito, conquistado com esforço e especialização, que também não nos chega por um “dom divino”, mas por décadas de investimento e estudos.

Peço que reconsiderem os fatos, e removam o artigo 49 deste Projeto de Lei.

Art. 49.  O Ministério da Cultura e demais órgãos da Administração Pública Federal poderão dispor dos bens e serviços culturais financiados com recursos públicos para fins não-comerciais e não-onerosos, após o período de três anos de reserva de direitos de utilização sobre a obra.
Parágrafo único.  A disposição dos bens tratados neste artigo para fins educacionais, igualmente não-onerosos, poderá se dar após o período de um ano e seis meses de reserva de direitos de utilização sobre a obra.

Que as “Leis de Incentivo à Cultura” sejam implementadas para colocar em prática exatamente o que o nome implica: INCENTIVO e não o oposto disto.

Atenciosa e respeitosamente,

Montalvo Machado
ilustrador - SP

Esquentacrawl na Virada Culturawl

Neste sábado e domingo acontece a 5ª Virada Cultural, um evento que reuniu cerca de 4 milhões de pessoas no centro de São Paulo no ano passado.

Eu levei a câmera, mas fui sem caderninho, e foi uma bobeira danada porque o que tinha de fila e gente parada seria perfeito para encher algumas páginas do sketchbook.

No website do evento tem toda a programação.


Neste ano eu não perco o Egberto Gismonti e Arthur Maia (grupo Cama de Gato), ambos no Teatro Municipal, o Central Scrutinizer Band (cover impecável de Frank Zappa, desta vez com Ike Willis, que tocou por vários anos na banda do Zappa) e o Roberto Marsicano tocando Jimi Hendrix na cítara (??!!?!?!?) na Praça da República.

Certamente vou me plantar no palco de música instrumental, como fiz no ano passado, onde tocaram vários músicos geniais, que eu venho acompanhando desde sempre, e rodar pelo centro vendo os outros shows, até formigarem as pernas.

Vai ser muito legal fazer um Esquentacrawl na Virada Culturawl, e aproveitar para fazer um reconhecimento da área para o próximo Sketchcrawl, que será no centro de Sampa.

O mistério das toalhas rasgadas e canetas que somem

Desde agosto do ano passado o Kako trouxe uma novidade para o Bistecão Ilustrado, o encontro mensal dos ilustradores: toalhas de mesa em papel kraft, para os convivas desenharem até se fartar.

O que fazer com as folhas ricamente ilustradas foi um dilema, mas às 4 da matina encontramos uma solução: sketchbooks personalizados. Vai dar trabalho? claro! Mas vai ser legal, vamos criar algo realmente inédito e duradouro.

Inventamos, planejamos e fizemos.

Desde dezembro sorteamos 4 cadernos a cada encontro.

Com o tempo, a dedicação e o besteirol de Christiano Parentoni, Gil Tokio, Márcio Guerra, Alex Cói e este que vos brinda atrás das lentes, foi formado o primeiro de vários grupos de voluntários com boa vontade transbordando pelos poros para fazer a linha de montagem dos cadernos.

Eu já perdi a conta das horas investidas para fazer os presentes que se tornaram um objeto de desejo para todos os frequentadores do Bistecão, e esta energia boa só faz aumentar a cada caderno produzido.

Temos muito orgulho em sermos os protagonistas de uma mudança de paradigma que dizia que “ilustrador não é unido”. Estamos formando um novo modelo de relacionamento entre os ilustradores, e só daqui há alguns anos saberemos se tudo correu conforme os planos.

Estamos apenas mudando as regras do jogo, inventando o futuro de acordo com nossos ideais.

Também não podemos dizer que foi fácil, o sucesso nunca é obra do acaso, da preguiça ou da omissão.

Tivemos um imenso prazer em construir e ampliar a rede de amigos através do Bistecão, e ralamos muito para que tudo desse certo.

Temos uma coisa como meta, ainda que seja modesta: um dia todos os frequentadores do Bistecão terão seu caderninho personalizado, numerado, e recheado de desenhos feitos durante o encontro.

É claro que virão também nódoas de gordura de uma suculenta bisteca maior que o prato, ou de uma cebola voadora qualquer, folhas enrugadas e manchadas por um eventual banho de cerveja, e até palitos de dente espetados ou um arrozinho solitário colado nas páginas.

Coisas que só dão mais charme, personalidade, individualidade e autenticidade a cada caderno, que jamais será igual um ao outro.

O sketchbook do Bistecão é a materialização da mudança daquele paradigma velho e improdutivo que manda os ilustradores serem individualistas, tristes e isolados em seus estúdios, imersos em seu autismo artístico.

O caderninho artesanal, gratuito, exclusivo, é a meta-linguagem do encontro alimentando o próprio encontro, devolvendo a energia entregue pelos frequentadores, em forma de presente, aos próprios frequentadores.

A amizade, a magia de cada encontro, aquelas horas que passam voando, todas as risadas, a voz do Kako sorteando os presentes, tudo isto está impregnado em cada folha dos cadernos.

Nossos netos poderão explicar melhor o que significa ter um sketchbook numerado do Bistecão. Por enquanto ninguém é capaz de ter a noção exata do valor histórico de cada um deles.

O Orlando fez este desenho belíssimo, mesmo sabendo que um dia vai ser cortado e virar sketchbook. Um verdadeiro Ninja na arte do desapego material.

Cada folha, toda folha, vai virar sketchbook. Esta é uma regra que nunca será quebrada.

Não tem uma que escape, por mais belo ou tosco que seja o desenho, por mais importante ou desconhecido que seja o desenhista, todas elas, sem exceção, viram caderno.

Até mesmo as que foram rasgadas ou cortadas por algum convidado vão para os cadernos, nada será poupado. Temos várias folhas faltando pedaços, e isto também faz parte da materialização dos nossos encontros.

Mas em algum momento da festa umas poucas pessoas perdem o senso de coletividade, e uma atitude egoísta bate mais forte. Nesta hora o cara não quer saber dos outros, não respeita ninguém, nem a ele mesmo, mete a mão e leva pra casa uma coisa que era para ser de todos.

Justamente a folha que tem escrito “10 APEGO” teve uma naca enorme levada embora. Que ironia, não?

Não foi a primeira vez, nem será a última. Inteiras ou aos pedaços, estas folhas vão para os cadernos.

Elas são parte da gente, mesmo que sejam um reflexo feio e distorcido num espelho quebrado, é a nossa cara que está ali.

Desenhar nas toalhas é um exercício de desapego, assim como cortar as folhas na hora da encadernação. Eu cheguei a dividir esta angústia com os amigos neste post.

Aos que se apegam demais aos seus rascunhos, sugiro desenhar no próprio caderno. Seria melhor deixar as toalhas para quem já domina a difícil Arte do desapego.

O caderno de cada um não tem preço, é um tesouro pessoal. My preeeeeciousssss…

Sabemos respeitar isto, e jamais rasgaríamos o caderno de um amigo, principalmente na cara dele.

Mas há os que rasgam o feto do que ainda será um caderno, na cara dura, sem o menor pudor, e nem ficam vermelhos por isto.

O mundo dá voltas, e existe a possibilidade que no dia em que você ganhar o seu caderno, justamente o seu, caramba, venha faltando um pedaço. Talvez seja exatamente aquele pedaço que você viu um cara levar, e você não fez nada para impedir.

Com tanta tecnologia, câmeras digitais, celulares de última geração, etc, bastaria um clic para levar aquele desenho para casa.

Sem falar que cada folha é fotografada antes de ser cortada, o registro não se perde, e um dia estará acessível pela web.

Outra coisa misteriosa são as canetas Posca se tornarem invisíveis depois de algumas horas.

Sabe aquelas canetas com um adesivinho escrito a mão “BISTECÃO ILUSTRADO”, que o Kako compra com o dinheiro extra da caixinha paga pelos convivas e empresta aos convidados para que desenhem nas folhas?

Então, aquelas mesmo.

Elas se teletransportam sozinhas para algum lugar insondável, ou talvez sejam abduzidas por aliens, sei lá.

Mas o fato é que nenhuma das desaparecidas jamais retornou para relatar a experiência. Pode parecer um tanto estranho, meio bizarro, tipo Arquivo X, mas acontece de verdade, juro.

A gente sabe que ninguém levaria material dos outros para casa, não temos ladrões entre nós, somos todos colegas, parceiros, amigos.

Mas chega no fim da festa, a gente nunca encontra todas as canetas. Elas devem estar em algum lugar, mas onde? Talvez tenham passado por alguma fenda do espaço-tempo ou coisa parecida, e se perdem para sempre em outra dimensão.

Eu vou confessar que tenho medo deste lance.

Vai que a gente enfia o pé, ou pior, as mãos nesta parada aí? Aí o braço fica só um cotoco… sem dor, sem sangria, mas também sem poder desenhar nunca mais, sem aposentadoria, sem seguro contra acidentes pessoais…

Tá louco, dá calafrios só de pensar!

Um dia vou chamar uma equipe do Discovery Channel para fazer uma reportagem especial sobre isto.

Mas por outro lado estamos orgulhosos e felizes por espantar o fantasma da desunião dos ilustradores, de criar um presente e um futuro melhor para os nossos colegas de profissão, e de sermos os criadores e as criaturas de um renascentismo contemporâneo, criativo, prolífico, repleto de frutos e de novas possibilidades.

Ainda temos nossos defeitos, nossas vaidades, nossos egoísmos, afinal somos humanos, e o maldito jeitinho brasileiro, mesmo que moribundo e agonizante, mostra sua cara feia de vez em quando.

Ele está em cada página rasgada dos nossos caderninhos, em cada caneta que passa para a outra dimensão, em cada conta mal-fechada nos botecos da vida, nos lembrando que ainda falta muito chão para sermos verdadeiramente unidos, coesos, irmãos.

O jeitinho brasileiro tentou estragar o Sketchcrawl Brasil, quando faltou R$ 70,00 na conta do Bar Genésio. Passamos pelo constrangimento de fazer uma vaquinha de R$ 0,50 para poder sair do restaurante, mas isto não tirou o brilho do evento.

A nossa conquista é sempre maior que estas mancadas, e é exatamente este o nosso objetivo, construir mais que destruir, e modéstia às favas, estamos fazendo isto muito bem.

Parabéns e obrigado a todos que constroem.

Espero que os outros acabem sendo influenciados por esta boa energia, e possam experimentar o mesmo tesão que nós sentimos em somar e unir, ao invés de dividir.

Parece uma cleptomania às avessas, uma vontade incontrolável de entregar, ao invés de tomar dos outros.

O barato é tão forte que vicia. A gente sempre quer mais e mais.

Nem vem, eu não vou procurar auxílio médico!

Eu estou bem assim!

Hello YouTubes!

Tem aqueles seres iluminados que fazem brincando o que as outras pessoas não conseguem fazer, mesmo que morram tentando.

É sempre gostoso ver um virtuoso praticando seu talento, seja qual for a área que ele atua.

Um destes malucos é o Ronald Jenkees, um músico talentoso, que faz questão de dizer que não estudou música, não vive disto, mas se diverte muito “brincando” com seu teclado e uma webcam.

Ele está se tornando uma celebridade da web, com vários milhões de views em cada um de seus vídeos caseiros, e já chama a atenção de algumas gravadoras.

Com uma humildade quase infantil em suas palavras, ele abre a maioria dos videos com “Hello YouTubes!” sempre ligando sua música com “lots of fun”, e demonstrando isto ao tocar.

Como todo virtuoso, ele faz o impossível parecer extremamente fácil, e eu me sinto um neanderthal frente ao monolito quando olho para o piano.

Outra criatura interessante é a Little Boots, musicalmente mais modesta que o nosso techno-nerd, usando os mesmos recursos caseiros, e também fazendo certo sucesso através dos videos do YouTube.

Sem grandes pretensões, estes e outros músicos usam bem os recursos da web e atingem centenas de milhares de ouvintes, criando legiões de seguidores, sem a cosmética dos palcos, divulgando seu show em casa, como uma pessoa comum.

Isto me faz compreender perfeitamente o que sente alguém quando me diz, com uma pontinha inocente de inveja, que não sabe desenhar nada. Deve ser muito parecido com o que eu sinto ao ver estes músicos. Enquanto eu frito os miolos para decorar algumas escalas e intervalos, com direito a câibras nos acordes de 7ª, tudo fora do tempo, um horror, eles passeiam no teclado.

Algumas pessoas desenham por prazer, outras estudam sânscrito ou tupi-guarani, e eu continuo arranhando as teclas e estudando teoria musical de vez em quando, sem saber tocar nem o “bife”.

Mas não esquento com isto. Como diria o Jenkees: “it’s a lot of fun”.

Lojinha da Sketcheria: folded pens e kits de furação

Aproveitando o tema de um post recente, caligrafia, muita gente me pergunta sobre a folded pen que eu fiz com latinha de atum, comentada aqui, sobre o workshop do Cláudio Gil.

Teve gente querendo mais fotos, como fazer a pena, workshops de pena, tutoriais, e alguns me perguntaram se eu não faria outra pena igual, que eles tinham interesse em comprar.

Com a folded pen artesanal fiz alguns estudos com Ecoline, que rendem longos assuntos com os amigos, nem tanto pela qualidade do trabalho, mas pelo interesse deles no modelo da pena, que permite algumas aventuras caligráficas bem legais.

Seria improdutivo fazer uma ou duas, e um tanto sacana vender apenas para os mais chegados, portanto eu decidi fazer uma pequena linha de montagem e vender as penas sob encomenda. As penas são cortadas e dobradas cuidadosamente, seguindo o mesmo gabarito desta da foto, lixadas e recebem acabamento com micro óleo M1.

E vem com o adaptador preto, super style!

Estou fazendo também um kit de furação para a confecção de sketchbooks.

Coisa fina: peroba rosada (calma, é madeira reutilizada de demolição), com grossas agulhas de aço.

A furação, encaixe e colagem das agulhas foi feita por mim. Nem um marceneiro teria tanto critério para as agulhas não sairem do alinhamento.

O padrão será de 10 furos, com 17 cm de comprimento, como nos cadernos do Bistecão Ilustrado, mas posso fazer outras medidas e padrões de furos customizados.

Quem fez o workshop Diário Gráfico com o Renato Alarcão já sabe o trabalho que dá furar cada um dos cadernos na mão, furo por furo. E o risco de ter um único furo teimoso, desalinhado, estragando a harmonia do caderno inteiro.

Com este kit você prende as folhas entre a guia e a peça triangular e passa as 10 agulhas de uma vez, sem erro, sem esforço, sempre com as mesmas exatas medidas.

Todos estes cadernos foram furados em menos de meia hora. Não teve nem graça. No método tradicional teria levado uma tarde inteira, e provavelmente um pedaço da noite.

Quem se interessar em adquirir estas peças e inaugurar a “lojinha da Sketcheria”, é só me mandar um e-mail, ok?

As penas ficarão em R$ 40,00 cada (completa, com adaptador), e o kit de furação por R$ 120,00 (mais despesas de Sedex).