Category Archives: Bistecão Ilustrado

O Bistecão Ilustrado, bonito na foto

Ou melhor, no video, produzido carinhosa e caprichosamente pela Cabra Cega Filmes.

Obrigado pelo tweet, May Midori, e manda um super abraço para todo mundo da produção!

Quase uma rave

Ontem fomos comemorar o aniversário da ilustradora Andréia Vieira no Sujinho, numa versão pocket do Bistecão Ilustrado.

Delicioso como sempre encontrar os amigos e passar horas falando a nossa língua nativa, o besteirol.

Como em todo final de Bistecão que se preza, ficamos um tempão na porta do restaurante, papeando e nos despedindo por meia hora, já passava das 3:30 da matina, e estávamos quase esticando o braço para o primeiro táxi que aparecesse, quando eu e o Fábio Corazza resolvemos acompanhar a Silvana Marques até a padaria Bella Paulista, onde ela esperaria por algumas horas até chegar a hora do Metrô voltar a circular.

Eu e o Fábio entramos na padoca, e a ideia era “só tomar um cafezinho”… coisa de 5 minutos.

Tá bom, 5 minutos…

Eu me conheço.

Saímos de lá com o sol queimando nossas testas, as 8:00hs da manhã, e a soneira tradicional da madrugada já tinha sido espantada ao longo de vários cafezinhos, cappucinos e um belo café da manhã.

Chegamos a conclusão que o Bistecão Ilustrado só acaba as 4 da matina porque o Sujinho fecha. Se dependesse da nossa disposição, viraríamos a noite, fácil.

Estávamos despertos e ligados na paisagem da Paulista colorida pelo sol, e sugeri que desenhássemos um pouco. Caminhávamos acompanhando o Fábio no caminho da Pompéia, e na Dr. Arnaldo ele indicou um caminho contornando o cemitério do Araçá, que tinha uma viela altamente desenhável do outro lado.

E fomos para lá, em papos intermináveis, talvez mais engraçados que normalmente seriam, talvez pelo cansaço, talvez pela bizarrice da situação, esticando o encontro por mais de 12 horas, quase uma rave.

Fiz este sketch da ruazinha sugerida pelo Fábio, lá pelas 9:00hs, no sketchbook novo da Andréia, que ela deixou comigo para que eu fizesse um desenho, que agora já tem um pequeno causo pra “agregar valor”.

Resumo da ópera, nos despedimos na Dr. Arnaldo, e como eu estava curtindo muito aquela bela manhã ensolarada, caminhei até a praça Benedito Calixto, onde peguei um táxi e voltei pra casa, pouco antes das 11:00hs.

Já temos para onde ir quando os garçons do Sujinho levantarem as cadeiras e molharem nossas canelas.

O Bistecão é pop!

O nosso querido Bistecão Ilustrado, o encontro que todo ilustrador adora (ou deseja) frequentar, está na telinha! Recebemos Renata Simões e a equipe do programa Urbano no encontro de outubro, e no domingo passado tivemos a honra e o orgulho de assistir a reportagem no conforto do lar.

Tenho certeza que muito caba macho verteu sua lagriminha. Eu não, é claro.

Mas você acredita que me caiu um cisco no olho, outravez, bem no finalzinho? nada demais.

O Bistecão é pop, quem diria!

Tivemos uma reportagem de página inteira no Caderno 2 em Dezembro de 2008, dois videos na DRC-TV e outro da TV Trip, e agora estamos na TV a cabo, Urbano, Multishow!

Não duvido muito que daqui há pouco todos saberão (além dos nossos clientes, é claro) quem são e o que fazem os ilustradores.

Dia 1º é dia de Ilustrar!

Fui convidado para participar da edição nº 13 da Revista Ilustrar, com meus sketchbooks, e estou mais do que bem acompanhado, olha só o time de feras: Tiago Hoisel, Bart Forbes, Spacca, Lula Palomanes, Brad Holland e Renato Alarcão.

Tiago Hoisel, um verdadeiro virtuoso da nova geração de ilustradores está na capa desta edição, e mostrou a que veio logo de cara, o cara é um fenômeno. Cada imagem melhor que a outra.

Bart Forbes. Meu herói há muitos e muitos anos, um artista genial que eu tive a honra de conhecer pessoalmente em 1998, na Illustration Academy. Uma pessoa adorável, com um talento imenso. Impossível não gostar deste simpático senhor, tanto quanto é impossível não gostar do Benício.

Que responsa ter meus desenhos logo após Mr. Forbes, e que orgulho.

O Spacca dispensa apresentações, é uma lenda-viva da ilustração brasileira, mostrando o making-of de Jubiabá, seu trabalho mais recente. Impressionante.

Lula Palomanes é a personalização da vanguarda, um artista gráfico genial, tanto na técnica como nos conceitos.

Fiz a tradução do texto do Brad Holland, e me deliciei com cada linha. Ele é um gênio, e tem tanto domínio nas palavras como tem nas tintas. Neste texto ele conta a trajetória da ilustração e de suas mudanças ao longo dos tempos, desde os anos dourados de Rockwell até os tempos atuais.

E o Renato Alarcão injeta adrenalina em seus colegas de profissão com um tema que interessa a todos: Projetos pessoais. E vem acompanhado de um time de feras, são mais 9 artistas consagrados contando suas experiências e incentivando a todos a desengavetar seus projetos e trazê-los ao mundo real.

Que legal ter uma revista deste nível, em português, realizada por um brasileiro.

Ricardo Antunes, como você consegue, homem?

Não tenho ideia, mas em primeiro lugar: parabéns pelo controle de qualidade, e por fazer a revista, na unha e na raça. Segundo: obrigado por me convidar, estou honrado por fazer parte deste time de feras que você conseguiu agregar, desde o primeiro exemplar.

Baixe gratuitamente este e todos os outros exemplares em www.revistailustrar.com

Mais um daqueles concursos

Eu nem deveria sujar o blog com um assunto destes, mas a afronta é muito descarada para aguentar calado.

A Revista Piauí, em um rompante de desrespeito e escárnio contra seus colaboradores resolveu fazer um “concurso”, entre aspas, muitas aspas.

Eles querem artes inéditas e que façam a redação rir. Estes são os critérios da banca julgadora.

Ao grande vencedor deste “concurso”, o merecido prêmio: um pinguim de geladeira.

É ridículo, ofensivo e insignificante mas é o prêmio oferecido pela revista.

Já não bastasse a mesquinharia do troféu, o vencedor terá que ir até a redação para buscar seu souvenir, a não ser que ele seja de outro estado que não SP ou RJ.

A situação em si já é constrangedora, mas os editores conseguiram fazer o assunto ficar revoltante, acenando com uma suposta “imortalidade piauiense” para uma também suposta “tribo cartunistas/chargistas/criadores de humor gráfico”, ao mesmo tempo que ameaça com humilhação e cuspidas na cara no caso da imagem ter sido publicada anteriormente, mesmo que seja em um mictório público (?!?).

Eles querem exclusividade total, sob a seguinte ameaça:

Atenção: será submetido a opróbrio, e talvez escarradas na fuça, quem enviar trabalhos já publicados - seja em livros, jornais, revistas, zamizdats, pichações, sites, propagandas, blogs, cartazes, grafites, facebooks, pôsteres, enciclopédias, dazibaos, orkuts, mictórios públicos, cartazes, cardápios, tatuagens, bulas, calendários, twitters, rettiwt (o meio de comunicação secreto da piauí) e todo ou qualquer meio de expressão existente ou que venha a ser inventado nos próximos  3 974 anos.

Confira neste link o que eles consideram um novo e eletrizante concurso, e neste link as regras.

Eu estou enviando uma tirinha para eles. Não que eu me importe em ganhar um pinguim de geladeira, que dá pra comprar online por R$ 25,00 mas tem coisas que não podem passar em branco.

Mas eu publiquei aqui no blog e linkei no Twitter! Será que eles vão cumprir com suas catarrentas ameaças?

Note que não se trata de um concurso para amadores ou novatos. Eles querem a participação de artistas bissextos (eventuais, mas não necessariamente iniciantes) ou consagrados.

Não é assim que um contratante se dirige aos seus contratados ou colaboradores.

Não é escondido atrás de um pretenso senso de humor que se pode tratar seus parceiros de trabalho como lixo.

Enquanto os editores enxergarem seus colaboradores como um bando de idiotas, e estes se prestarem a humilhação de disputar um pinguim de louça como prêmio por seu trabalho, sujeitos a opróbrio e escarradas na fuça, não será possível uma relação comercial dentro de uma margem mínima de respeito.

Eu tenho um misto de pena e desprezo pelos miseráveis que se prestam a este tipo de oferta, lambendo as solas dos sapatos dos editores para entrar para a “eternidade piauiense” como mendigos da profissão.

Eu tenho uma sugestão aos editores sobre a utilização do maldito pinguim, mas vou poupar os leitores do blog das minhas grosserias.

No entanto, como eles são bem humorados, espirituosos e gostam de falar o que pensam, acho que não vão levar a mal se eu enviar um desenho com um pequeno leitor da revista, não é?

Bistecão Ilustrado no Metrópolis da TV Cultura

É uma sensação curiosa, ver a repórter falar empolgadamente sobre ilustração e apresentar o Bistecão Ilustrado no destaque da reportagem. Parece que estão falando do seu filho na TV.

Deu um orgulho danado, daqueles de encher o peito. Eu não chorei não, mas não é que entrou um cisco no olho bem nesta hora?

Todos os méritos para o criador deste evento espontâneo, acolhedor, agregador e demolidor de paradigmas, um artista sensacional que eu tenho o orgulho de chamar de amigo, quase um irmão, o Kako.

Parabéns também ao Gil Tokio, Hiro, Fernanda Guedes e Chris Parentoni, que colaboram incansavelmente para o sucesso deste evento tão gostoso.

Olhaê, mais um cisco… ô diacho.

Vou pegar uns cacos da minha cabeça lá na Flórida

Há algumas semanas postei aqui sobre um assunto que explodiu a minha cabeça, depois que o colega Joel Lobo me mandou um Twitter com os videos da Illustration Academy.

Alguns cacos foram parar lá na Flórida, onde acontece o evento que reúne alguns dos mais renomados ilustradores americanos, durante sete semanas de treinamento intensivo, cerca de 10 horas por dia, de segunda à sexta, e os alunos usam a estrutura dos estúdios da Ringling School of Art and Design à noite e nos fins-de-semana para completar os trabalhos propostos durante o treinamento.

Estes dois videos mostram um pouco das atividades nestas últimas semanas, que tiveram Anita Kunz e Jon Foster, além dos ilustradores permanentes (Mark english, John English, Brent Watkinson e Sterling Hundley), e dá pra sentir um gostinho do que é este evento, e sonhar em realizar um destes aqui no Brasil, quem sabe com alguns dos instrutores de lá, já pensou?

Eu estava planejando ir no ano que vem, mas há muitas coisas novas acontecendo, principalmente com a Revista Ilustrar, portanto mudaram os planos e eu estou indo para Sarasota neste sábado para costurar este intercâmbio, propor interações entre todas as atividades daqui (Revista Ilustrar, Bistecão, Sketchcrawl, workshops, Galeria Magenta, etc) e a Illustration Academy.

O Ricardo Antunes e o Rogério Vilela também vão passar alguns dias no evento, e nos reuniremos com John English para traçar alguns caminhos para o futuro.

Tivemos várias reuniões com ilustradores aqui em São Paulo nestas últimas semanas, temos planos extremamente interessantes, e o que há de em comum entre todos eles é que são concretos, realizáveis e de início imediato.

Valeu a pena a correria para encarar esta viagem e adiantar estas conversas em um ano. Acredito que todos temos a ganhar com isto, em todas as pontas das negociações.

Vou fazer como o Hiro, e postar um diário… bem, talvez um semanário, das atividades da academia durante o próximo mês.

Também vou escrever algumas coisas em tempo real pelo Twitter, quem se interessar pode me achar neste link.

Estou certo que daqui há um ano seremos um grupo de ilustradores indo pra lá. Provavelmente um grupo ainda maior no ano seguinte, e no outro… bem, melhor deixar acontecer este primeiro, depois eu vou contando as novidades.

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance - e além dele - para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Os planetas se alinham, e surge a Era de Ilustrarius

A foto do Ricardo com seu Sketchbook Abistecado poderia ter sido colocada no blog há alguns meses, mas eu aguardei um pouco, maturando os assuntos, esperando por temas e causos que justificassem uma postagem de proporções épicas, até que finalmente fatos épicos aconteceram nestas últimas semanas.

O feliz ganhador do único Special-super-custom-mega-boga-edition do Sketchbook do Bistecão, em janeiro deste ano.

Nossa saga começa com uma viagem internacional, de dois ilustradores: Hiro Kawahara e Ricardo Antunes, se encontrando em Nova Iorque.

O primeiro é um mago dos desenhos, capaz de fazer qualquer papel em branco virar sonho, e com o mesmo poder quase sobrenatural para a escrita. O outro, ilustrador publicitário com mestrado em storyboard, criador do Guia do Ilustrador, Revista Ilustrar e deslocador de montanhas, Ricardo Antunes.

O tempo passou, e ambos já se preparam para retornar ao Brasil, mas com novidades arrebatadoras, depois desta turnê Novaiorquina, capaz fazer qualquer ilustrador chorar de inveja.

Estiveram com Scott C., desenharam modelo vivo na Sketch Night da Society of Illustrators ao som de jazz, visitaram o estúdio de Brad Holland, com quem trocaram altos papos, e se tornaram irmãos-brothers do ilustrador/editor: Alberto Ruiz-Diaz (no centro, com o sketchbook do Hiro no colo).

É, aquele mesmo, desenhista de mulheres voluptuosas, criador da BrandStudio Press, que vende os livros mais cobiçáveis do mundo no viciante blog Process Junkie.

Foram todos encontros encontros de gigantes, e eu venderia um rim para ter participado deles, mas como não anunciei, agora não adianta resmungar, é só ver as fotos e aguardar pela próxima oportunidade.

Esta foto é o registro de um verdadeiro alinhamento de planetas, e uma nova era está prestes a acontecer: a Era de Ilustrarius.

Os três anunciam que muita coisa boa está para acontecer aos habitantes da ilustrosfera.

Os papiros com as revelações deste encontro, bem como as profecias dos colegas iluminados, relatadas pelos próprios, estarão no próximo Bistecão Ilustrado.

Bistecão Ilustrado: a 49ª razão para amar nossa cidade

A revista Época São Paulo desta semana traz a matéria “50 razões para amar São Paulo”, e não é que o nosso querido Bistecão Ilustrado é uma delas?

49. Desenhamos à beça
Toda última sexta-feira do mês, por volta das 20h, cerca de 70 ilustradores se encontram no Sujinho, ali na Consolação, para desenhar. Criado pelo desenhista Kako em 2006, o Bistecão Ilustrado reforça os vínculos entre profissionais da área. “Criei o Bistecão basicamente para conhecer outros colegas, porque, apesar de participar de listas de discussão, sentia falta de conhecer o povo”, diz ele. Antes de ir para casa, os participantes sorteiam as peças produzidas durante a noite. No último dia 11 de abril, os ilustradores paulistanos bateram o recorde mundial de sketchcrawl, maratona de desenho realizada em mais de 90 cidades. Por 12 horas, 154 ilustradores percorreram as ruas da cidade com seus cadernos de desenho e, bem à paulistana, encerraram a jornada na pizzaria.

Mais um motivo para comemorar o sucesso do nosso encontro mensal, que já está marcado para a próxima sexta, dia 29 de maio, no Sujinho da Consolação (esquina com Matias Aires), a partir das 20:00hs.

O mistério das toalhas rasgadas e canetas que somem

Desde agosto do ano passado o Kako trouxe uma novidade para o Bistecão Ilustrado, o encontro mensal dos ilustradores: toalhas de mesa em papel kraft, para os convivas desenharem até se fartar.

O que fazer com as folhas ricamente ilustradas foi um dilema, mas às 4 da matina encontramos uma solução: sketchbooks personalizados. Vai dar trabalho? claro! Mas vai ser legal, vamos criar algo realmente inédito e duradouro.

Inventamos, planejamos e fizemos.

Desde dezembro sorteamos 4 cadernos a cada encontro.

Com o tempo, a dedicação e o besteirol de Christiano Parentoni, Gil Tokio, Márcio Guerra, Alex Cói e este que vos brinda atrás das lentes, foi formado o primeiro de vários grupos de voluntários com boa vontade transbordando pelos poros para fazer a linha de montagem dos cadernos.

Eu já perdi a conta das horas investidas para fazer os presentes que se tornaram um objeto de desejo para todos os frequentadores do Bistecão, e esta energia boa só faz aumentar a cada caderno produzido.

Temos muito orgulho em sermos os protagonistas de uma mudança de paradigma que dizia que “ilustrador não é unido”. Estamos formando um novo modelo de relacionamento entre os ilustradores, e só daqui há alguns anos saberemos se tudo correu conforme os planos.

Estamos apenas mudando as regras do jogo, inventando o futuro de acordo com nossos ideais.

Também não podemos dizer que foi fácil, o sucesso nunca é obra do acaso, da preguiça ou da omissão.

Tivemos um imenso prazer em construir e ampliar a rede de amigos através do Bistecão, e ralamos muito para que tudo desse certo.

Temos uma coisa como meta, ainda que seja modesta: um dia todos os frequentadores do Bistecão terão seu caderninho personalizado, numerado, e recheado de desenhos feitos durante o encontro.

É claro que virão também nódoas de gordura de uma suculenta bisteca maior que o prato, ou de uma cebola voadora qualquer, folhas enrugadas e manchadas por um eventual banho de cerveja, e até palitos de dente espetados ou um arrozinho solitário colado nas páginas.

Coisas que só dão mais charme, personalidade, individualidade e autenticidade a cada caderno, que jamais será igual um ao outro.

O sketchbook do Bistecão é a materialização da mudança daquele paradigma velho e improdutivo que manda os ilustradores serem individualistas, tristes e isolados em seus estúdios, imersos em seu autismo artístico.

O caderninho artesanal, gratuito, exclusivo, é a meta-linguagem do encontro alimentando o próprio encontro, devolvendo a energia entregue pelos frequentadores, em forma de presente, aos próprios frequentadores.

A amizade, a magia de cada encontro, aquelas horas que passam voando, todas as risadas, a voz do Kako sorteando os presentes, tudo isto está impregnado em cada folha dos cadernos.

Nossos netos poderão explicar melhor o que significa ter um sketchbook numerado do Bistecão. Por enquanto ninguém é capaz de ter a noção exata do valor histórico de cada um deles.

O Orlando fez este desenho belíssimo, mesmo sabendo que um dia vai ser cortado e virar sketchbook. Um verdadeiro Ninja na arte do desapego material.

Cada folha, toda folha, vai virar sketchbook. Esta é uma regra que nunca será quebrada.

Não tem uma que escape, por mais belo ou tosco que seja o desenho, por mais importante ou desconhecido que seja o desenhista, todas elas, sem exceção, viram caderno.

Até mesmo as que foram rasgadas ou cortadas por algum convidado vão para os cadernos, nada será poupado. Temos várias folhas faltando pedaços, e isto também faz parte da materialização dos nossos encontros.

Mas em algum momento da festa umas poucas pessoas perdem o senso de coletividade, e uma atitude egoísta bate mais forte. Nesta hora o cara não quer saber dos outros, não respeita ninguém, nem a ele mesmo, mete a mão e leva pra casa uma coisa que era para ser de todos.

Justamente a folha que tem escrito “10 APEGO” teve uma naca enorme levada embora. Que ironia, não?

Não foi a primeira vez, nem será a última. Inteiras ou aos pedaços, estas folhas vão para os cadernos.

Elas são parte da gente, mesmo que sejam um reflexo feio e distorcido num espelho quebrado, é a nossa cara que está ali.

Desenhar nas toalhas é um exercício de desapego, assim como cortar as folhas na hora da encadernação. Eu cheguei a dividir esta angústia com os amigos neste post.

Aos que se apegam demais aos seus rascunhos, sugiro desenhar no próprio caderno. Seria melhor deixar as toalhas para quem já domina a difícil Arte do desapego.

O caderno de cada um não tem preço, é um tesouro pessoal. My preeeeeciousssss…

Sabemos respeitar isto, e jamais rasgaríamos o caderno de um amigo, principalmente na cara dele.

Mas há os que rasgam o feto do que ainda será um caderno, na cara dura, sem o menor pudor, e nem ficam vermelhos por isto.

O mundo dá voltas, e existe a possibilidade que no dia em que você ganhar o seu caderno, justamente o seu, caramba, venha faltando um pedaço. Talvez seja exatamente aquele pedaço que você viu um cara levar, e você não fez nada para impedir.

Com tanta tecnologia, câmeras digitais, celulares de última geração, etc, bastaria um clic para levar aquele desenho para casa.

Sem falar que cada folha é fotografada antes de ser cortada, o registro não se perde, e um dia estará acessível pela web.

Outra coisa misteriosa são as canetas Posca se tornarem invisíveis depois de algumas horas.

Sabe aquelas canetas com um adesivinho escrito a mão “BISTECÃO ILUSTRADO”, que o Kako compra com o dinheiro extra da caixinha paga pelos convivas e empresta aos convidados para que desenhem nas folhas?

Então, aquelas mesmo.

Elas se teletransportam sozinhas para algum lugar insondável, ou talvez sejam abduzidas por aliens, sei lá.

Mas o fato é que nenhuma das desaparecidas jamais retornou para relatar a experiência. Pode parecer um tanto estranho, meio bizarro, tipo Arquivo X, mas acontece de verdade, juro.

A gente sabe que ninguém levaria material dos outros para casa, não temos ladrões entre nós, somos todos colegas, parceiros, amigos.

Mas chega no fim da festa, a gente nunca encontra todas as canetas. Elas devem estar em algum lugar, mas onde? Talvez tenham passado por alguma fenda do espaço-tempo ou coisa parecida, e se perdem para sempre em outra dimensão.

Eu vou confessar que tenho medo deste lance.

Vai que a gente enfia o pé, ou pior, as mãos nesta parada aí? Aí o braço fica só um cotoco… sem dor, sem sangria, mas também sem poder desenhar nunca mais, sem aposentadoria, sem seguro contra acidentes pessoais…

Tá louco, dá calafrios só de pensar!

Um dia vou chamar uma equipe do Discovery Channel para fazer uma reportagem especial sobre isto.

Mas por outro lado estamos orgulhosos e felizes por espantar o fantasma da desunião dos ilustradores, de criar um presente e um futuro melhor para os nossos colegas de profissão, e de sermos os criadores e as criaturas de um renascentismo contemporâneo, criativo, prolífico, repleto de frutos e de novas possibilidades.

Ainda temos nossos defeitos, nossas vaidades, nossos egoísmos, afinal somos humanos, e o maldito jeitinho brasileiro, mesmo que moribundo e agonizante, mostra sua cara feia de vez em quando.

Ele está em cada página rasgada dos nossos caderninhos, em cada caneta que passa para a outra dimensão, em cada conta mal-fechada nos botecos da vida, nos lembrando que ainda falta muito chão para sermos verdadeiramente unidos, coesos, irmãos.

O jeitinho brasileiro tentou estragar o Sketchcrawl Brasil, quando faltou R$ 70,00 na conta do Bar Genésio. Passamos pelo constrangimento de fazer uma vaquinha de R$ 0,50 para poder sair do restaurante, mas isto não tirou o brilho do evento.

A nossa conquista é sempre maior que estas mancadas, e é exatamente este o nosso objetivo, construir mais que destruir, e modéstia às favas, estamos fazendo isto muito bem.

Parabéns e obrigado a todos que constroem.

Espero que os outros acabem sendo influenciados por esta boa energia, e possam experimentar o mesmo tesão que nós sentimos em somar e unir, ao invés de dividir.

Parece uma cleptomania às avessas, uma vontade incontrolável de entregar, ao invés de tomar dos outros.

O barato é tão forte que vicia. A gente sempre quer mais e mais.

Nem vem, eu não vou procurar auxílio médico!

Eu estou bem assim!

Foi bonita a festa, pá!

Encarei a chuva, comprei meu Estadão e li a matéria na hora.

Clique aqui e confira na íntegra.

Acho que ainda não me caiu a ficha… é uma página inteira sobre o Bistecão no Caderno 2: Quem somos, de onde viemos e para onde vamos!

A Carlinha fez um bolo de chocolate e cupcakes de virar os olhos. Como ela consegue?

Foi bonita mesmo a festa, pá!

Uma das melhores, e mais 80 pessoas lotaram completamente o andar de cima do Sujinho.

Um dos muitos momentos memoráveis ficou por conta do Orlando, que mandou ver uma das suas Moças Finas, em cores e ao vivo. Dói só de pensar que um dia esta imagem terá que ser cortada, mas alivia saber que alguns sorteados poderão ganhar partes deste original nas folhas de um sketchbook.

Spacca não arriscou ver um dia sua obra dividida, e arrepiou no sketchbook.

O blog do Bistecão está sendo reformulado, e logo vou postar aqui e lá um video com as imagens do nosso 3º ano de encontro ilustrado.

Para não me estender demais sobre as good vibes do nosso encontro abistecado, fica aqui um trechinho da letra de “Tanto Mar”, de Chico Buarque, como trilha do pós-festa:

Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Sketchbooks do Bistecão - abrindo o forno

O evento em si, o nome Bistecão Ilustrado, e o logo são criações do Kako. A gravação e os cortes foram feitos na FoxLaser.

Os sketchbooks estão quase no ponto, assando em fogo brando, e serão servidos nesta sexta-feira.

Um pouco de improviso para melhorar a produtividade: um gabarito de furação feito com retalhos de papel Holler, o mesmo tipo usado para fazer as capas, e Kraft grosso. Vou fazer um de madeira, no marceneiro, para garantir mais precisão e velocidade nesta etapa.

Costura e acabamento.

Finito, 10 sketchbooks do Bistecão Ilustrado prontos! 4 deles serão sorteados a cada encontro.

O número 001 de toda série numerada costuma ser o exemplar mais valioso de todos, e este já tem dono. É do Kako, o pai do Bistecão Ilustrado.

Sketchbooks do Bistecão Ilustrado

Em agosto o Kako, criador e mentor do Bistecão Ilustrado - encontro mensal de desenhistas - trouxe uma novidade para os convidados: papel kraft sobre todas as mesas.

Juntou-se a fome com a vontade de desenhar, e nem micos-leão em uma loja de cristais poderiam ficar mais felizes do que nós.

Ao final da noite, quase início da manhã seguinte, estávamos com uma pilha considerável de originais sobre a mesa, sem saber o que fazer com tudo aquilo.

Acender uma pira cerimonial, e agradecer aos Deuses por alguma coisa? Não, a primeira opção estava descartada.

Sono e entusiasmo é uma combinação bastante estranha, e ainda na inércia de quase 8 horas seguidas de besteirol, falamos quase ao mesmo tempo, como se tivéssemos ensaiado: “Minha mulher me mata se eu levar isto pra casa”.

O que fazer com estas artes, como criar um uso digno e barato para aqueles originais? E os próximos? A receptividade foi ótima, a idéia era um sucesso, portanto teríamos a mesma quantidade mensalmente, e ainda não estávamos bem certos se isto era uma benção ou uma maldição.

“Na mão do Alarcão, isto tudo virava caderno”, eu disse, sem me dar conta que havia tropeçado na arca do tesouro. Houve um silêncio, enquanto caía a ficha (às 4 da matina todas as fichas caem em câmera lenta), e deu o estalo: é isso, vamos fazer sketchbooks!

Com a solução nas mãos, ficou mais fácil pensar no que fazer com os cadernos, edições únicas, exclusivas, numeradas, realimentando o próprio motivo de estarmos juntos, que é desenhar e se divertir entre amigos.

Neste video você pode conhecer ou rever o nosso evento, acompanhar um divertido making of dos cadernos, e amargar comigo a dura tarefa de cortar artes originais, em benefício de uma causa nobre.

Este trecho, editado do filme principal, mostra as dificuldades e as crises de consciência de quem se propõe a cortar originais a golpes de régua.

O Acervo está comigo, devidamente fotografado em alta, para depois ser cortado, costurado e encadernado manualmente. A capa terá o logo do Bistecão gravado à laser, e os logos dos nossos colaboradores (DRC e Casa do Artista) no verso.

A partir da comemoração dos 3 anos de Bistecão Ilustrado, além das tradicionais peças pintadas “in loco”, vamos sortear 4 cadernos por noite, no exato momento em que as 12 badaladas dos sinos da Igrejas de São Bento, Sé e Santa Ifigênia atormentarem os moradores do centro de São Paulo.

Bistecão Ilustrado na TV Trip

No final de Agosto os ilustradores de SP, no encontro mensal chamado Bistecão Ilustrado, receberam o pessoal da Revista TRIP para gravar uma reportagem do evento.

Entre os que encararam as lentes estavam Kako, criador, corpo e alma do evento, Hiro Kawahara, Domingos Takeshita e eu, desenhando costelas flintstônicas.

Sketchbook 001

Desde os primeiros Bistecões Ilustrados (encontros mensais de ilustradores, iniciados em 2006) criou-se o hábito de levar cadernos de desenho para a mesa de jantar, e entre nacas suculentas de carne e goles de cerveja estupidamente gelada, os amigos passam horas e horas conversando e desenhando.

Durante mais de um ano, eu não levei sketchbooks, simplesmente porque não tinha um. Até que um dia revirei as gavetas da mapoteca, encontrei muitos desenhos e estudos recentes a antigos, e montei o meu primeiro sketchbook.

Estas são algumas das imagens deste caderno, que finalmente sairam das gavetas e foram para a estante, juntamente com outros tantos livros e sketchbooks que hoje povoam meu estúdio.

O desenho do caubói cavalgando um pincel foi usado pela primeira vez em um evento em Kansas, em 1998. Alguns anos depois pintei a mesma imagem em uma camiseta, que depois recortei, colei em um papel paraná, pintei com gel acrílico e tinta a óleo, e acabou virando a capa deste sketchbook.

Algumas vezes eu deixo o lápis ir aonde ele quiser, e espero ele me trazer um desenho novo. É como uma pescaria, algumas vezes vem peixe, outras vem uma bota velha, e tem dias que não vem nada.

Um dos primeiros estudos que fiz com lápis-pastel, uma técnica que acabei incorporando totalmente no meu dia-a-dia

Depois de algumas botas, o lápis de pescar me trouxe esta moça, que eu enfeitei com um restinho da aquarela que sobrou de outro trabalho.

Desenhar carros não é difícil. Nem as rodas. A encrenca é colocar tudo junto.

Eduardo Schaal desenhando durante um dos Bistecões

Eduardo Schaal desenhando durante um dos Bistecões

sketch de imagem congelada do filme Minority Report

Sketch de imagem congelada do filme Minority Report