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The Illustration Academy, na sua casa

A Illustration Academy é o sonho de consumo de qualquer ilustrador, em qualquer parte do mundo.

Só que ir para este treinamento envolve uma série de gastos, que somados podem fazer deste projeto algo realmente grande, talvez grande demais pra realizar.

A Illustration Academy está se fundindo com a Massive Black, e juntos eles estão fazendo uma programação online que encurta distâncias, gastos e tempo, de forma que os inscritos possam participar do Discovery, um programa intensivo de 5 semanas, sem sair de casa.

Ao invés de gastar 10 mil dólares ou mais, o pacote de treinamento Discovery varia entre 200 e 500 dólares, e fazendo os cálculos de fuso horário, aqui no Brasil vai acontecer das 20:00 às 23:00.

Eu não saberia como motivar ainda mais as pessoas que sempre quiseram fazer a Illustration Academy, do que recomendar a inscrição neste programa online.

Já sei, já sei…

Pô, Montalvo! 500 doletas, é caro, mó grana, etc…

Peraí.

Mil reais é o preço de qualquer trabalho que a gente produz em uma semana ou menos.

Mil reais para ter a Illustration Academy dentro da sua casa, sem pagar passagem, hospedagem, estadia, alimentação, taxas de embarque e o escambau, para ver Mike Bierek, John English, Whit Brachna, Mark English, Sam Brown, Jon Foster, Wesley Burt, Sterling Hundley, Jason Chan, Gary Kelley, El Coro, Anita Kunz, Rich Doble, CF Payne, Carl Dobsky, George Pratt, Jason Manley, Kemp Remillard, Brent Watkinson, Natalie Ascencios, Terry Brown, Doug Chayka, Francis Livingston, Robert Meganck, Barron Storey e Andrea Wicklund na sua telinha…

Desculpe a franqueza, mas tá de graça.

Depois vai ter gente olhando pra trás e pensando: “por quê eu não fiz naquela época… não era tão caro assim…”

O lance acontece de 01 de fevereiro até 05 de março, 5 noites por semana.

O que eu acho? Vale cada centavo.

Agora, se quiser fazer um investimento a um prazo mais longo, com benefícios ainda maiores, gastando 45 doletas por mês, para o acesso durante 12 meses não existe nada como o VLP - Visual Literacy Program.

Nenhuma lista de yahoo, nenhuma entidade de ilustradores, nenhum workshop, oficina ou treinamento se compara com o conteúdo deste programa.

São os mesmos nomes que eu listei acima, em vídeos inacreditáveis, que variam de 20 minutos a 5 horas, dezenas deles, e os mesmos treinadores frequentam os fóruns, interagindo com os estudantes, respondendo dúvidas, dando orientações valiosíssimas, em questão de horas.

Aqui ninguém fica chupando o dedo esperando resposta, nem tem bate-boca ou spam.

Com a fusão da Illustration Academy com a Massive Black os videos começam a ser compartilhados, e os inscritos no VLP tem acesso ao que há de melhor nas palestras e treinamentos online da Massive Black.

Tem como melhorar? Eu não sei como, mas isto é só o começo. Certamente vai melhorar e muito.

Pra quem conheceu a ilustrasite, seria comparar a finada lista com um skate, e o VLP com uma nave espacial.

Se vale a pena? Faça as contas, você sabe a resposta.

Nos vemos online, no Discovery e no VLP.

Videos do Bistecão no DRC-TV

Além de serem grandes amigos e uma excelente escola de computação gráfica, o pessoal da DRC é o patrocinador e parceiro do Bistecão Ilustrado, viabilizando várias atividades, produtos e serviços, inclusive o sorteio mensal de um treinamento em cada Bistecão, as capas gravadas a laser dos Sketchbooks personalizados do Bistecão e as camisetas abistecadas.

No nosso encontro de outubro eles vieram com uma equipe profissional de filmagem (Paulo Aiello e Haroldo Sanches), o Loschiavo entrevistou vários colegas do Bistecão, inclusive este que vos escreve, e editaram dois videos com muita informação sobre ilustração, mercado, carreira e o encontro mensal de ilustradores em SP.

Se você ainda não conhece o Bistecão, esta é uma ótima oportunidade de saber o que está perdendo.

Se já conhece, vai reconhecer o clima de festa e de amizade fraterna que cerca de 80 pessoas criam mensalmente neste encontro.

Mais um daqueles concursos

Eu nem deveria sujar o blog com um assunto destes, mas a afronta é muito descarada para aguentar calado.

A Revista Piauí, em um rompante de desrespeito e escárnio contra seus colaboradores resolveu fazer um “concurso”, entre aspas, muitas aspas.

Eles querem artes inéditas e que façam a redação rir. Estes são os critérios da banca julgadora.

Ao grande vencedor deste “concurso”, o merecido prêmio: um pinguim de geladeira.

É ridículo, ofensivo e insignificante mas é o prêmio oferecido pela revista.

Já não bastasse a mesquinharia do troféu, o vencedor terá que ir até a redação para buscar seu souvenir, a não ser que ele seja de outro estado que não SP ou RJ.

A situação em si já é constrangedora, mas os editores conseguiram fazer o assunto ficar revoltante, acenando com uma suposta “imortalidade piauiense” para uma também suposta “tribo cartunistas/chargistas/criadores de humor gráfico”, ao mesmo tempo que ameaça com humilhação e cuspidas na cara no caso da imagem ter sido publicada anteriormente, mesmo que seja em um mictório público (?!?).

Eles querem exclusividade total, sob a seguinte ameaça:

Atenção: será submetido a opróbrio, e talvez escarradas na fuça, quem enviar trabalhos já publicados - seja em livros, jornais, revistas, zamizdats, pichações, sites, propagandas, blogs, cartazes, grafites, facebooks, pôsteres, enciclopédias, dazibaos, orkuts, mictórios públicos, cartazes, cardápios, tatuagens, bulas, calendários, twitters, rettiwt (o meio de comunicação secreto da piauí) e todo ou qualquer meio de expressão existente ou que venha a ser inventado nos próximos  3 974 anos.

Confira neste link o que eles consideram um novo e eletrizante concurso, e neste link as regras.

Eu estou enviando uma tirinha para eles. Não que eu me importe em ganhar um pinguim de geladeira, que dá pra comprar online por R$ 25,00 mas tem coisas que não podem passar em branco.

Mas eu publiquei aqui no blog e linkei no Twitter! Será que eles vão cumprir com suas catarrentas ameaças?

Note que não se trata de um concurso para amadores ou novatos. Eles querem a participação de artistas bissextos (eventuais, mas não necessariamente iniciantes) ou consagrados.

Não é assim que um contratante se dirige aos seus contratados ou colaboradores.

Não é escondido atrás de um pretenso senso de humor que se pode tratar seus parceiros de trabalho como lixo.

Enquanto os editores enxergarem seus colaboradores como um bando de idiotas, e estes se prestarem a humilhação de disputar um pinguim de louça como prêmio por seu trabalho, sujeitos a opróbrio e escarradas na fuça, não será possível uma relação comercial dentro de uma margem mínima de respeito.

Eu tenho um misto de pena e desprezo pelos miseráveis que se prestam a este tipo de oferta, lambendo as solas dos sapatos dos editores para entrar para a “eternidade piauiense” como mendigos da profissão.

Eu tenho uma sugestão aos editores sobre a utilização do maldito pinguim, mas vou poupar os leitores do blog das minhas grosserias.

No entanto, como eles são bem humorados, espirituosos e gostam de falar o que pensam, acho que não vão levar a mal se eu enviar um desenho com um pequeno leitor da revista, não é?

Mais um concurso do mal

Caros,

Enquanto alguns tentam evitar que a profissão de ilustrador vá para o esgoto, outros enfiam a própria cabeça na privada e puxam a descarga.

O que dizer de um concurso pseudo-cultural para ilustradores, que oferece TRABALHO como prêmio?

O que dizer de muita discussão, e-mails e debates acalorados, que resultaram na Livraria da Vila cedendo à pressão e oferecendo o irrisório e risível valor de 1% sobre as vendas da publicação, a título de “melhoria” da proposta?

O que dizer de duas ilustradoras profissionais, associadas da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - participando da banca julgadora, coniventes e favoráveis com este absurdo?

Eu tenho o que dizer a este respeito: Vou participar do concurso.

O tema é “conto de fadas”, e para concorrer ao patético prêmio o infeliz tem que enviar 3 imagens originais, diferentes entre si, sem qualquer garantia que as imagens vencedoras serão publicadas, ou que ao menos os originais sejam devolvidos, a não ser que o candidato pague pelo reenvio.

Ainda há outra restrição: Somente poderão participar do Concurso apenas aqueles que não possuírem um livro publicado com ISBN, ou seja, a Livraria da Vila quer caçar novos talentos, mas eles terão que ser “virgens”, no sentido profissional da palavra.

(O concurso foi cancelado e o erro na sua elaboração foi reconhecido pelos seus criadores. Desta forma, o propósito do meu protesto deixou de existir. As imagens foram retiradas deste blog, e sem a realização do concurso, não terão necessidade de ser enviadas)

Eu sei que uma imagem vale mais que mil palavras, mas como eu sou um prolixo incurável, eu também preciso delas para me comunicar.

Este é o texto que enviei para cada um dos executivos da Livraria da Vila, do presidente aos estagiários, através deste link, com todos seus e-mails.

Caros senhores,

Este concurso “cultural” tem a intenção clara de leiloar uma série de ilustrações pelo preço mais baixo possível.

Estes pseudo-concursos são uma estratégia de marketing da pior espécie. São concorrências profissionais travestidas de “oportunidade”, criadas com a única intenção de baratear custos internos, às custas da ilusão dos menos experientes.

Como cliente da rede, eu me sinto traído, porque eu não questiono os valores cobrados pela loja, eu frequento, consumo e gasto meu dinheiro com vocês, compro livros, presentes e refeições, minha esposa e meu filho sempre tivemos prazer em estar no ambiente das lojas.

Como micro-empresário, suponho que os negócios devam estar indo bem, porque do contrário vocês estariam fechando lojas, ao invés de inaugurar novos palácios da literatura nos bairros mais caros de São Paulo.

Como profissional de ilustração, me sinto desrespeitado, e sinto que vocês também não se dão ao respeito, considerando que qualquer amador seja capaz de ilustrar uma edição literária, mediante a isca insignificante de 1% dos lucros sobre as vendas, em um concurso leonino, draconiano, muito pior que o pior dos contratos.

Atenciosamente,

Montalvo Machado
ilustrador - SP


Diário de bordo - Illustration Academy - Mestres na platéia, ou a inversão da ordem natural das coisas.

Eu quase apaguei este post depois de escrito, para não parecer vaidoso ou fresco, mas estou seguro de estar partilhando um momento bacana, com visitantes que considero amigos, então não preciso de pudores ou falsa-modéstia para contar o que vivi em um dia muito especial da minha carreira.

Durante as 4 semanas que passei na IA em Sarasota, na Flórida, tive a sensação de ter sido exposto à radiação intensa, pela quantidade imensa de informação e transformação que todos passam neste treinamento.

E de tanta radiação na cachola, pela terceira vez na Academia, eu me tornei radiativo também, e tive a oportunidade de apresentar minha caixinha de urânio, plutônio e césio 137 para a galera.

Foram 3 palestras em uma hora e meia: Sketchbook, Notan e Ilustração como Linguagem, sintetizadas em “Visual Perception”.

Eram quase 50 pessoas na sala, os alunos do curso e ilustradores como Mark English, John English, Jon Foster, George Pratt e Brent Watkinson.

Minha apresentação aparece editada aos 0:55 segundos deste video, uma coletânea da 7ª semana da IA.

Ter vários de seus mestres na platéia ao mesmo tempo, dá uma sensação esquisita de inversão da ordem natural das coisas, uma obrigação de mostrar alguma coisa, ou pelo menos um ponto de vista que eles nunca tenham visto, e é uma responsa das grandes.

A sala enche em questão de segundos.

Muito foco, concentração no talo, hora de começar…

Uma saudável ansiedade acompanhada de frio na barriga, um prazo curto a ser cumprido, uma platéia com várias noites viradas, texto projetado em português mas pensado e falado em inglês… caramba, eu tinha todo o cenário e a pressão necessária para gaguejar, travar ou pelo menos tremer, mas tudo correu de uma maneira natural e fluida como se eu tivesse ensaiado uma vida inteira para estar ali. Talvez eu tenha mesmo.

Era o momento mais alto da minha carreira, e tudo correu perfeitamente, no tempo, com a atenção do pessoal, tensão e humor na medida ideal.

O slide do Conde Drácula na tela, Mark English - o autor da imagem - na primeira fila, e meu coração na boca.

Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida profissional. Eu descrevo o processo criativo de um ilustrador saindo do lugar comum, buscando alternativas insólitas para os problemas gráficos, e o enigma de como fazer este personagem ser reconhecível, mesmo com os olhos e a boca fechada.

Sigo contando como eu vi Mark English executando esta imagem em seu estúdio em Kansas.

E ele ali, atento, ouvindo a própria estória, o protagonista e tema da minha explanação… a sensação é indescritível.

Também é difícil explicar como me senti ao receber os cumprimentos dos mestres ao final, os comentários informais deles, assim como de outros estudantes sobre o conteúdo da apresentação nos dias seguintes. Eles realmente gostaram do material, e eu tive a certeza que mostrei algo de novo e interessante para eles.

Em outro momento da palestra eu mostro várias imagens de pinturas rupestres, como esta da Caverna de Lascaux, e eu sigo dizendo que esta é uma imagem didática, é certamente uma ilustração de uma aula de sobrevivência, e como seria fácil imaginar um homem das cavernas, um caçador experiente mostrando os perigos envolvidos na difícil tarefa de preparar o jantar, cercado de jovens aprendizes, etc, etc.

Ao final da apresentação o Mark se levanta, me estende a mão, e brinca comigo lembrando do comentário que fiz neste slide, e que rendeu umas boas gargalhadas do pessoal: “Montalvo, adorei a parte em que você disse: assegure-se que a comida esteja morta antes de comê-la”.

Momentos que ficarão tatuados para sempre na minha memória.

Diário de bordo - Illustration Academy - ART is undead

Ontem tivemos a demonstração da ilustradora Andrea Wicklund, que provou que não é o domínio do software que faz a carreira de um ilustrador, e sim o que ele é como artista.

Ela é uma desenhista compulsiva, pintando desde criança em papéis espalhados pela casa por sua mãe, para tentar salvar as paredes, porque se não tivesse papel qualquer outra superfície branca imediatamente seria promovida à “suporte artiístico” para a pequena Andrea.

Ex-estudante da Illustration Academy há 5 e 6 anos (uma curiosidade: a maioria dos ilustradores fizeram a Academia uma segunda vez, em anos consecutivos, mas isto é assunto para um futuro post), ela é jovem, bonita, e gosta mesmo é das tintas. O mundo das artes digitais é uma realidade um tanto nova para ela, mas ela desmantelou o paradigma da excelência técnica ontem, em sua demonstração.

Ela sabia onde chegar com a imagem, como chegar e matou a pau.

Esta foto, tirada no escuro da sala de projeção, não retrata nem de perto a qualidade da imagem original, mas o conceito é claro:

ART is undead.

Aliás, este é um assunto recorrente aqui. A ilustração morreu? Está morrendo? Vai morrer?

Mark English disse que este papo de “ilustração morreu” começou nos anos 60, e vem se repetindo, sem confirmação do falecimento até hoje.

Há 15 anos a Illustration Academy é uma entidade viva, pulsante, energética, com dezenas de alunos e dezenas de artistas do mais alto calibre, reunidos por 7 semanas, 7 dias por semana, de 12 a 18 horas por dia, dependendo da dedicação dos estudantes.

Muitos destes alunos, como Robin Eley, Edward Kinsella, Doug Chayka, John Hendrix, Jim Burke, Ernesto Nemesio, Kevin Chen, Scott Henderson, Alexander Klingspor, entre tantos outros, se tornaram muito bem sucedidos nacional e internacionalmente, e um deles, Sterling Hundley, é hoje um dos mais solicitados e reconhecidos ilustradores dos Estados Unidos.

Ele se tornou uma lenda entre artistas jovens e veteranos, e aos 30 poucos anos já recebeu 3 premiações na Society of Illustrators e tem seu nome entalhado no Hall da Fama da ilustração, ele já faz parte da História.

Nada mal para uma profissão que está no leito de morte muito antes de eu nascer, e olha que eu já passei dos 40.

A dona Ilustração, por incrível que pareça, me parece bem bonita e saudável do meu ponto de vista.

Uma coroa muito gostosa, me atrevo a dizer.

Esta respeitável senhora ainda vai nos trazer muitas alegrias, e certamente vai continuar nos servindo, generosamente, o pão nosso de cada dia por muitos anos.

Diário de bordo - Illustration Academy - um estado de espírito, um estado de consciência

Nesta semana tivemos 3 ex-estudantes da IA fazendo suas palestras como (excelentes) profissionais convidados: Edward Kinsella, Andrea Wicklund e Robin Eley, e resumindo uma longa estória, foi muito impressionante. Eu, como eles, tive uma transformação profunda, definitiva e extremamente importante na minha carreira e na minha vida depois de frequentar a IA em 97 e 98, e a empatia com a trajetória destes artistas foi imediata.

E novamente estou experimentando transformações que vão mudar os rumos da minha vida profissional.

Ontem, durante a palestra do australiano Robin, eu aprendi muita coisa, e ele também atravessou continentes para estar aqui. Não é uma experiência fácil para ninguém, cada um tem sua realidade, suas dificuldades, sua vida, e romper com tudo isto é caro, financeiramente, afetivamente e psicologicamente, mas tudo depende em quanta energia cada um realmente quer investir em seus sonhos, seus objetivos de vida.

É caro? bastante. Custa um pedaço da sua vida.

Tem gente que chega aqui e não aguenta a pressão, e desaba, tem que voltar pra casa, outros sofrem de outras maneiras, e todos gastaram o que tem e o que não tem para estar aqui.

Eu não tinha dinheiro para tomar um ônibus quando soube da IA, mas coloquei um objetivo na minha frente, e nada podia me deter. Nada.

Ralei, virei noite, trabalhei feito um alucinado, contei as horas durante um ano inteiro, e finalmente eu estava no avião a caminho de Kansas. Eu arrisquei meu casamento por 3 vezes para estar aqui, e compreendo que a Mônica tenha sentimentos totalmente diferentes dos meus a este respeito, mas também sei valorizar o quanto ela me apoiou em cada uma destas viagens.

É muito difícil, pesado e emocionalmente desgastante, mas é parte do custo embutido no investimento pessoal em um projeto tão grande. O que se gasta aqui não é só a grana, e proporcionalmente, a conquista também não se conta apenas em moeda corrente, o resultado está muito acima disto.

Olhando para trás, este estado de obsessão cega é o que me garantiu alcançar um objetivo acima das minhas possibilidades, e esta é a mola propulsora de muitas conquistas na minha vida. O quanto eu realmente quero alguma coisa, quanto estou disposto a fazer pelos meus objetivos, até onde posso chegar para realizar um sonho?

Neste ano eu caminhei em brasas, durante um treinamento quase ritualístico em Itu, e dois anos atrás neste mesmo lugar eu tive outra mudança profunda, ao passar 3 dias no Leader Training.

Mergulhei em alguns sentimentos de cabeça e aprendi a lidar com algumas coisas poderosas que carregamos por dentro, sem saber exatamente como e o que fazer com elas.

Medo, confiança x insegurança, foco, tensão x relaxamento, foco, serenidade x fúria, foco, uma meta distante + uma certeza inabalável, e foco.

Eu aprendi a tomar controle sobre alguns aspectos destes sentimentos, e isto fez novamente, muita diferença na minha vida.

Uma das coisas que eu aprendi nestes dois momentos foi lidar com o poder pessoal que a gente carrega sem ter muita consciência do que isto significa. É uma energia criadora que pode ser focada para realizar coisas que parecem impossíveis, e a gente tropeça nesta energia quando quer alguma coisa obsessivamente.

Todas minhas maiores conquistas aconteceram neste estado de consciência, e hoje escrevo esta mensagem escancarando muita coisa que talvez não faça sentido para os outros, ou pode parecer meio piegas, mas é sincero até o osso.

Um novo objetivo que vou levar daqui é a produtividade, esta coisa mágica que admiramos nos nossos heróis, quando os chamamos de “máquinas de desenhar”, e muito foco, coisa que aprendi com o Tadashi Kadomoto, a quem gosto de me referir carinhosamente como “Mestre Xamã”, no Leader Training.

A combinação destes dois treinamentos, o LT mais a IA, me deram uma sensação de poder e a certeza que vou realizar tanta coisa, que é difícil descrever, mas também nem adiantaria, o futuro não é agora, tenho que fazer ele acontecer, custe o que custar, eu quero que ele se realize.

E quero obsessivamente.

Que estado mental curioso, seria preso se eu tivesse tomado alguma substância, mas é tudo uma questão de foco, saber onde quero chegar, e o quando estou disposto a queimar minha energia pessoal para chegar lá.

Diário de bordo - Illustration Academy - arte final

Finalizei hoje a imagem das sereias, e amanhã tem a avaliação coletiva.

Uma coisa que ajudou tremendamente foram dois estudos preliminares, um de tom e outro de cores. Cada um não tomou mais que 15 ou 20 minutos, e resolveram todas as questões que eu tive durante a finalização.

Como os instrutores disseram, estudos como estes economizam tempo a facilitam o processo, ao contrário do que pode parecer a primeira vista.

Vários colegas estão trabalhando em suas artes, alguns terminaram, outros vão rachar a noite… este é o espírito da Academia, o treinamento é fundamentado em realização, não tem desculpas, tem que entregar no prazo.

Nas próximas duas semanas eu vou cair matando em desenho, que é um ponto que eu preciso melhorar muito. Quem sabe desenhar alucinadamente, 12 horas por dia, por duas semanas, pode me ajudar a soltar a mão.

Diário de bordo - Illustration Academy - gravuras de George Pratt

Mais uma semana de atividades de estúdio aqui em Sarasota, cada um realizando seu projeto sobre o tema “conversa”.

Este é o estúdio 1, onde os estudantes se instalaram na primeira semana do treinamento, e a esta altura cada um já tem seus trabalhos pendurados em suas baias, criando seu próprio ambiente. É muito interessante passear entre as mesas e ver o que cada um anda fazendo, conversar sobre as técnicas, e aprender com este convívio.

Estou instalado no estúdio 3, bem mais vazio, talvez menos divertido, mas bem mais tranquilo para manter o foco e  finalizar a imagem de duas sereias peruassas, aposentadas, papeando na praia.

Nesta fase eu usei acrílica sobre o desenho, marcado com grafite e lápis Prismacolor sobre illustration board, e apliquei uma camada de aquarela, que estou removendo com pincel molhado onde quero que apareçam as luzes.

A técnica prossegue com oil-wash, um banho de tinta a óleo diluída, onde novamente vou remover as luzes, com uma borracha macia.

Depois desta fase vem lápis Prismacolor e acrílica novamente. Vou tentar terminar a imagem hoje, e cair de cabeça nos sketchbooks a partir de domingo.

Ontem à noite tivemos George Pratt fazendo uma demonstração incrível com gravuras em seu próprio equipamento.

Mais um daqueles momentos que parece irreal de tão impressionante que é ver um gênio em ação. O cara é uma máquina de desenhar.

A imagem final, absurdamente bela, feita em pouco mais de 20 minutos.

Mais uma imagem, usando outra técnica de gravação.

Mais fotos desta demonstração e das atividades de estúdio no Flickr da Sketcheria.

Diário de bordo - Illustration Academy - projeto da semana

Um post rapidinho, com o projeto desta semana: conversa. Um tema bastante aberto, e rico em possibilidades.

Este é o sketchbook que uso para minhas anotações e estudos preliminares dos trabalhos propostos pelo curso, que é fundamentado em execução, a aplicação prática das técnicas demonstradas pelos instrutores.

Eu estou seguindo uma linha claramente influenciada pela leitura do livro Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari, entusiasticamente recomendado pelo amigo Hiro Kawahara.

A princípio o tema se resolveria com uma mera conversa, mas por quê não criar uma situação nova, insólita, como duas sereias conversando na praia, trazendo figuras mitológicas para o cotidiano?

E indo um pouco além, por quê não mostrar as sereias em uma idade também insólita, como senhoras aposentadas, peruas bregas, emperequetadas de brincos e pulseiras, e com uma coleção de pneuzinhos na cintura?

“E se…” é a melhor pergunta a se fazer na hora de criar alguma imagem.

Gianni Rodari rules! Hiro Kawahara rocks!

Seguindo a linha do paradoxo, situando figuras mitológicas no contexto urbano, como seria um investigador do FBI, um “centauro de preto”, mostrando sua identificação para um minotauro suspeito?

Estes rascunhos foram feitos seguindo as dicas simples mais incrivelmente eficientes de dois monstros da ilustração: Gary Kelley e Chris Payne, que usam papel vegetal e lápis para resolver todas as questões de design, composição e contraste nesta etapa, antes de passar para a prancha final.

Dicas preciosas, que aumentam a produtividade e facilitam a execução final.

No decorrer da semana vou postar fotos dos estúdios em que estamos instalados, e a evolução destes trabalhos, até a finalização.

Diário de bordo - Illustration Academy - fotos, corações e mentes

Melhor que contar longas estórias sobre a IA, é mostrar fotos do evento, das pessoas e do lugar onde estou passando um período incrível, convivendo novamente com os ilustradores permanentes da academia, que eu não via há mais de 10 anos, conhecendo outros convidados deste ano, e muitos estudantes com quem vou compartilhar experiências nestas próximas semanas.

Agora, ser convidado para almoçar e jantar com os caras é muito além do que eu poderia esperar.

Eu tenho uma visão meio tribal sobre o ritual que envolve o “sentar à mesa” com alguém. Desde os tempos mais remotos, entre todas as espécies de mamíferos, partilhar o alimento significa aceitação mútua, é um gesto de confiança e amizade, e dividir a mesa sempre teve esta simbologia para mim, mesmo quando estamos em farra, no Bistecão Ilustrado.

É com este pensamento que eu me sento à mesa com as pessoas.

Ser aceito entre os ilustradores que acompanho e admiro há décadas, dividindo a mesa com lendas-vivas da ilustração, tem mexido com minhas emoções de um jeito que não conseguiria descrever, mas é fascinante estar entre eles, ser aceito como amigo e parceiro de profissão, e conquistar o respeito deles através de uma coisa simples, que eu mesmo não via com a devida importância: os sketchbooks.

Eu nunca tinha me dado conta que este é o meu “corpo de trabalho”, meu território recém-explorado, a descoberta, o que há de novo em mim.

Foi isto que eles viram nos meus cadernos, e foi o que permitiu que eu fosse aceito de igual para igual entre meus heróis.

Isto não tem preço.

Realmente não tenho como descrever o que passa na minha cabeça e no meu coração, isto é o melhor que posso fazer com as palavras.

Talvez algumas imagens no Flickr possam passar um pouco mais claramente o que tenho vivido nesta semana, que vai ficar tatuada para sempre na minha memória.

Diário de bordo - Illustration Academy - semana 1

Este poderia facilmente ser o post mais longo do blog, mas tentarei ser breve, uma tarefa difícil para um tagarela como eu.

Estou de volta à Illustration Academy, depois de mais de 10 anos, e parece que foi no ano passado que estudei com estes monstros sagrados da ilustração.

Em uma semana já aconteceram tantas coisas que não caberiam neste post, mas vou fazer um resumo das que eu considero mais relevantes.

Eu sou um rato de palestras, adoro consumir informação em grandes goles, e voltei para tomar uma overdose de cerca de 10 horas por dia (às vezes mais) por 5 dias seguidos. Os intervalos eram curtos, suficientes para almoçar e voltar para o auditório, climatizado em temperatura glacial, contrastando com o calor senegalesco, extremamente úmido, de Sarasota.

A semana de palestras começa com a revisão dos trabalhos finais dos alunos,  sobre o projeto sugerido na semana anterior.

Imagine o que é ter Gary Kelley, John English e toda a esquadrilha de ases da ilustração comentando cada trabalho, dando dicas, apontando os caminhos para o sucesso da peça que o estudante trabalhou durante a semana, tanto em termos técnicos como em conceito, conteúdo, adequação, etc.

Cada palestrante da Lecture Week é um gigante no mercado de ilustração, e além dos seus portfolios, eles revelam sua bagagem profissional, fazem muitos comentários, compartilham dicas e insights brilhantes, e ao final da apresentação respondem as perguntas dos estudantes.

Para os leitores mais curiosos, eu coloquei um link em cada um.

- Terry Brown

- Barron Storey

- Francis Livingston

- Mark English

- Gary Kelley

- Anita Kunz

- George Pratt

- Sterling Hundley

- Jillian Tamaki

- Sam Webber

- Robert Meganck

- Jon Foster

- Chris F. Payne

De quebra a equipe de instrutores permanentes conta com o cérebro V8 turbinado de Brent Watkinson e a experiência de outro ex-aluno de 1996 e 1997, que se tornou indispensável para a academia, Doug Chayka.

Na foto após a palestra final, Chris, Sterling, Doug, Robert, Jon, Anita, John e Brent.

Nestes dias intensos, eu escrevi páginas e mais páginas de anotações, tirei centenas de fotos e estou registrando comigo o máximo de informações, e espero poder dividir este conteúdo com os colegas assim que voltar para o Brasil.

Retornar depois de tanto tempo me garantiu um privilégio que eu jamais poderia prever, de ser convidado a almoçar e jantar algumas vezes com os organizadores do evento, e não dá pra descrever o que é estar na mesa com estes caras, mas acredite: é muito, muito bom.

Semana que vem começam as atividades de estúdio, e vou mergulhar de cabeça nos projetos.

Amanhã eu coloco umas fotos no Flickr, e assim que estiverem no ar, eu edito esta linha com o link.

Esta é a vista da varanda do dormitório onde estou hospedado, que é um apartamento simples, com 4 quartos individuais, abrigando um australiano, dois americanos, e este paulista que vos escreve.

Este é um dos prédios do campus, onde foram realizadas as palestras finais.

De tudo o que aconteceu aqui nestes dias, uma conversa merece destaque: o interesse dos caras em fazer uma edição Brasil da Illustration Academy.

A princípio achei que fosse por cordialidade, só pra ser gentil com o “brazilian maniac”, como alguns instrutores me chamam por aqui.

Mas quando o John começou a falar sobre datas e duração do treinamento, e confirmou quando Anita Kunz perguntou a respeito, eu tive certeza que não era brincadeira.

Minha cabeça explodiu novamente, pra variar, e estou certo que vai ser uma reação em cadeia, depois deste post muita gente já deve estar com o estopim aceso na cachola…

Vou pegar uns cacos da minha cabeça lá na Flórida

Há algumas semanas postei aqui sobre um assunto que explodiu a minha cabeça, depois que o colega Joel Lobo me mandou um Twitter com os videos da Illustration Academy.

Alguns cacos foram parar lá na Flórida, onde acontece o evento que reúne alguns dos mais renomados ilustradores americanos, durante sete semanas de treinamento intensivo, cerca de 10 horas por dia, de segunda à sexta, e os alunos usam a estrutura dos estúdios da Ringling School of Art and Design à noite e nos fins-de-semana para completar os trabalhos propostos durante o treinamento.

Estes dois videos mostram um pouco das atividades nestas últimas semanas, que tiveram Anita Kunz e Jon Foster, além dos ilustradores permanentes (Mark english, John English, Brent Watkinson e Sterling Hundley), e dá pra sentir um gostinho do que é este evento, e sonhar em realizar um destes aqui no Brasil, quem sabe com alguns dos instrutores de lá, já pensou?

Eu estava planejando ir no ano que vem, mas há muitas coisas novas acontecendo, principalmente com a Revista Ilustrar, portanto mudaram os planos e eu estou indo para Sarasota neste sábado para costurar este intercâmbio, propor interações entre todas as atividades daqui (Revista Ilustrar, Bistecão, Sketchcrawl, workshops, Galeria Magenta, etc) e a Illustration Academy.

O Ricardo Antunes e o Rogério Vilela também vão passar alguns dias no evento, e nos reuniremos com John English para traçar alguns caminhos para o futuro.

Tivemos várias reuniões com ilustradores aqui em São Paulo nestas últimas semanas, temos planos extremamente interessantes, e o que há de em comum entre todos eles é que são concretos, realizáveis e de início imediato.

Valeu a pena a correria para encarar esta viagem e adiantar estas conversas em um ano. Acredito que todos temos a ganhar com isto, em todas as pontas das negociações.

Vou fazer como o Hiro, e postar um diário… bem, talvez um semanário, das atividades da academia durante o próximo mês.

Também vou escrever algumas coisas em tempo real pelo Twitter, quem se interessar pode me achar neste link.

Estou certo que daqui há um ano seremos um grupo de ilustradores indo pra lá. Provavelmente um grupo ainda maior no ano seguinte, e no outro… bem, melhor deixar acontecer este primeiro, depois eu vou contando as novidades.

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance - e além dele - para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Alguém me ajuda a recolher os caquinhos da minha cabeça?

Eu não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje não tive como evitar.

Em menos de 140 caracteres, via Twitter, uma mensagem do amigo Joel Lobo, literalmente explodiu meus miolos: links para os videos da Illustration Academy.

Eu tenho postado alguns causos deste treinamento que fiz em Kansas/Liberty-MO, mas nada como ver e ouvir estes artistas legendários em ação.

Pela relação de amizade, admiração e respeito que se formou nos dois anos seguidos em que frequentei a Illustration Academy, o video me trouxe uma avalanche de lembranças, saudades e muitas sensações, do lugar e das pessoas mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer.

Brent Watkinson, o apresentador da luz vermelha, é um amigo muito querido e um ilustrador fenomenal. É realmente uma pena estar tão distante, sinto muita falta da sua genialidade e generosidade, e das infinitas horas de papos, sempre muito agradáveis e enriquecedores.

Deu vontade de atravessar a tela do computador e abraçar cada um deles, e agradecer novamente por tudo que eles me proporcionaram. Eu devo muito do que sou hoje, como ilustrador, à estes Mestres.

Chega de papo, vejam os videos, e saberão do que estou falando. Mas usem capacete, a não ser que não se importem em espalhar seus miolos pela casa inteira.

Gostou? Eu pirei.

Quer mais? Eu fui atrás das novidades anunciadas nos videos, e encontrei um site remodelado, com um super mega blog, podcasts, videos (em Visual Literacy), galeria e muito mais.

Visite o site da Illustration Academy e exploda o que restou de sua cabeça.

Se for doido mesmo, pirado, maluco irrecuperável, junte uma grana e se manda para lá.

É o melhor investimento que você pode fazer pela sua carreira, e vale cada centavo, pelo resto da vida.

Gary Kelley: ilustrador, artista, gênio e herói. Amigo também.

Eu tive o imenso privilégio e prazer de estudar, aprender e conviver por algumas semanas com Gary Kelley, nos dois anos em que frequentei a Illustration Academy, em Kansas. Foi um daqueles momentos que a gente quer congelar no tempo e guardar numa redoma de vidro, no alto da estante das memórias.

Já conhecia o trabalho de Kelley há muitos anos, e lá pude ver um dos meus grandes heróis pessoais em ação, usando giz pastel, sua especialidade, técnica que o colocou entre os ilustradores mais requisitados dos EUA. Vi também o processo de monotipia pela primeira vez, nas mãos deste mestre. Sem dúvida um batismo e tanto.

Gary Kelley é um ex-diretor de arte que optou em investir sua vida na ilustração, com um notável senso de design, um imenso domínio de cores, formas e expressão em seus personagens, um desenho reconhecível até no escuro, e acima de tudo uma pessoa adorável, um ser humano de raras qualidades, com o coração aberto para expor didaticamente suas técnicas e conhecimento aos alunos, com um carinho quase paternal.

Ele nos disse que mantinha mais de 60 jobs futuros comissionados, com datas previstas para entrega de uma semana a um ano de antecedência, algo impensável no Brasil, mas um exemplo de disciplina e de sucesso profissional.

Foi uma oportunidade também de desmistificar meus heróis e tê-los como amigos, algo que tenho procurado fazer entre os ilustradores brasileiros, desde que voltei deste treinamento.

Meu único arrependimento daqueles dias é de não ter ido com ele, John English, Mark English, Brent Watkinson e Bart Forbes ao show de Carlos Santana, para ficar no estúdio praticando desenho de modelo vivo.

Onde eu estava com a cabeça? Vou ajoelhar no milho e me auto-flagelar um pouco e já volto para escrever o resto do post…

Em uma busca no YouTube, encontrei este video com uma entrevista de Gary Kelley para a TV americana, onde ele expõe algumas idéias e mostra o que tem feito recentemente, e eu fiquei surpreso ao saber que 60% de sua produção atual é de telas a óleo, e os outros 40% se dividem entre pastel e monotipias.

É maravilhoso ver este artista no seu estúdio, executando sua Arte e dividindo suas experiências.

O video tem menos de 10 minutos, e tenho certeza que você não vai se arrepender de investir este tempo clicando no “Play”.

Ouvi dele, após uma apresentação e crítica de portfolio: “you are ready, man. Go head and do your thing, you are ready”. Este foi um dos maiores elogios profissionais que eu já tive na vida.

Outro momento precioso na minha estante de sentimentos está congelado na cena de Bart Forbes tocando um dos meus trabalhos feitos durante o treinamento dele, enquanto dizia: “look at these colors…”.

Ops… lagriminha não, vou parar por aqui.

The Illustration Academy - 002

Entre um assunto e outro, vou contando aos poucos os causos da Illustration Academy, iniciados neste post.

Estava almoçando com John English, coordenador do curso, quando uma moça se apresentou e mostrou a ele uma proposta que mudou os rumos do nosso treinamento, e até certo ponto, da nossa experiência como ilustradores.

Ela administrava um evento que estava para acontecer no Liberty Memorial, em Kansas, inaugurado em 1926 para abrigar o Museu Nacional da Primeira Guerra Mundial.

O encontro de artistas era chamado “La Strada del Arte” e durante dois dias o parque se transformou em um atelier a céu aberto.

Os artistas inscritos receberam gratuitamente kits de giz pastel e cada um foi conduzido a uma área determinada, com o nome de uma das centenas de empresas patrocinadoras do evento.

O estudante sueco Alexander Klingspor e o instrutor Brent Watkinson. Duas figurassas, engraçados, talentosos, e “friends for life” desde meu primeiro aperto de mãos com eles.

Os artistas em suas “baias” tomaram de ponta a ponta as duas ruas centrais do parque.

Mesmo inexperientes em “street painting”, os estudantes da Illustration Academy não pagaram nenhum mico frente aos outros artistas, calejados na técnica de pintar o asfalto com pastel.

Os veteranos da arte no asfalto armaram banquinhos dobráveis, guarda-sóis montados em tripés, caixas repletas com seus próprios pastéis, isopor com Gatorade geladinho, enfim, impressionaram muito pela parafernália, mas apenas alguns por suas obras.

É incrível como os americanos elevam qualquer hobby ao patamar do profissionalismo, mesmo sabendo que, nesta frágil manifestação artística, tudo vai para o esgoto na primeira chuva.

Os ilustradores, em sua primeira experiência neste insólito suporte, até que fizeram bonito.

Em um sábado de verão senegalesco, nos protegemos do solão que praticamente assava os animais, vegetais e minerais do centro-oeste da gringolândia usando protetor solar, mas só no domingo percebemos a importância de proteger as orelhas.

Passamos a semana com orelhas vermelhas como tomates e descascando como cebolas.

Este escriba, 10 anos mais jovem e 10 Kg mais magro, ameaçou morder o giz como se fosse uma bolacha, para o horror da fotógrafa, a nossa fina colega inglesa, a mesma artista que pintou sardinhas no asfalto que fariam um gato salivar.

“Holy cow”, uma interjeição de espanto, usada ao pé da letra.

O sueco maluco, achando pouco fazer um desenho de um metro e meio de largura, pintou logo duas imagens de uma vez.

Eu tinha um desenho de um caubói domando um aerógrafo no portfolio, mas troquei por um pincel para ter uma identificação mais imediata, já que nem todos conhecem um aerógrafo.

No meio da tarde resolvi fazer uma bandeirinha do Brasil no desenho, e foi o suficiente para fazer amizade com vários brasileiros, a passeio ou moradores de Kansas, que vinham conversar em português comigo.

O “La Strada del Arte” foi um sucesso, com um grande público, com catálogo e tudo.

Um evento muito divertido, com visitantes pitorescos.

The Illustration Academy - 001

Se fosse postar todos os causos e fotos que tenho da Illustration Academy, seria melhor fazer um blog só para isto. São mais de 1800 fotos de quando participei deste workshop em Liberty (na divisa entre Kansas e Missouri), em 1997 e 1998.

1/3 destas fotos foram tiradas durante as demonstrações dos ilustradores, fazendo sua mágica passo-a-passo, contando sobre os processos, materiais, e sequências de trabalho. Ver artistas como Mark English, John English, Brent Watkinson, Gary Kelley, Bart Forbes, Skip Liepke, Jack Unruh, Chris F. Payne, Anita Kunz, Greg Spalenka e John Collier em ação foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

As outras fotos são de portfolio dos artistas, algumas delas tiradas nos estúdios onde eles trabalhavam, e o resto são amenidades, jogando frisbee no campus da William Jewell School, ou das paisagens e detalhes da cidade, inclusive de árvores centenárias derrubadas por uma tempestade tropical (logo abaixo da classificação de furacão) que passou por lá.

Fomos convidados a ir para a casa do Mark English, assistir a luta, sem imaginar que o Tyson iria jantar a orelha do Holyfield, e chegamos pelo menos 5 horas antes, para degustar as obras originais do nosso anfitrião.

Marcelo Gomes (que explodiu minha cabeça ao me apresentar um anúncio deste workshop, cerca de um ano antes), 3 alunos americanos, e Mark, em sua prancheta, preparando uma demonstração inesquecível: o retrato do Drácula.

Hora da luta, metade do estúdio já apagado, e eu era o último a deixar o local. Esta era a cena, depois da demonstração. Nem vou tentar descrever o que eu sentia naquele momento, mas era intenso.

Chris Payne, Mark English e seu filho John English, durante uma avaliação dos trabalhos da semana.

Conviver com ilustradores que eu cultuava como deuses consumia toda minha adrenalina, eu dormia muito pouco e devorava intensamente cada instante, o que me garantiu o carinhoso apelido de “brazilian maniac”.

Eu tinha um certo receio de estar sonhando, mas se em 10 anos eu ainda não acordei, acho que deve ser verdade.

Bart Forbes, uma das pessoas mais agradáveis do mundo, quase um Benício. E com um pincel na mão é mais poderoso que o Batman, Super-Homem e o Homem-Aranha juntos.

Se existe um deus na ilustração, deve ser o segundo na hierarquia. Antes dele vem Gary Kelley.

A ilustradora canadense Anita Kunz, durante uma demonstração.

Na noite de despedida fizemos um presente para Mark, John e Brent, os 3 instrutores permanentes da Illustration Academy. Mark English foi um campeão de boxe, antes de se tornar uma lenda na ilustração, e em cada luva pintada com tinta dourada haviam palavras de admiração e carinho por tudo que eles nos proporcionaram.