Category Archives: © Montalvo

Revista Ilustrar nº 18

A mais nova edição da Revista Ilustrar é dedicada a ilustração infantil, com trabalhos de: Lúcia Hiratsuka, Shaun Tan, Mariana Newlands, Maurício de Sousa, Rogério Coelho, Cris Eich, Brad Holland e Renato Alarcão.

Clique na capa para visitar o site da Revista Ilustrar, baixe este e todos os outros exemplares gratuitamente.

Sketchcrawl itinerante em Sampa

O Sketchcrawl deste sábado (31/7) em São Paulo vai ser itinerante, começando na Biblioteca do Parque da Juventude às 10:00hs, onde também haverá a palestra gratuita do ilustrador Benício, às 14:30.

Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630 - Santana (zona norte da capital - Acesso pelo Metrô Carandiru)

Saindo de lá, iremos para a Livraria da Vila, na Fradique Coutinho, 915 para o lançamento do livro Duda Bocuda, da amiga e ilustradora Andréia Vieira.

Assim vai ser mais fácil acompanhar o Sketchcrawl mesmo chegando em horários diferentes.

Nos vemos no sábado!

Abraços,

Montalvo

Workshops 2010 em Maresias. Vamos arrumar as malas?

Já se passou quase um ano desde o primeiro workshop em Maresias, detalhado neste e neste posts, e quem esteve lá voltou com um novo repertório de técnicas, com a cabeça cheia de informações e com o sketchbook cheio de imagens novas.

Foi uma experiência incrível, e eu não via a hora de fazer a edição 2010 com novos treinamentos.

Desta vez serão 3 fins de semana, ainda com datas a definir, mas a princípio será um ainda no final deste mês, e dois outros em agosto.

Nos encontraremos novamente na Pousada Encanto das Pedras, e haverá descontos progressivos para quem se inscrever em dois ou nos três eventos.

Serão 3 temas básicos, um a cada fim-de-semana:

23 (check-in à noite), 24 e 25 de julho
SKETCHBOOK / PASTEL - Notan, Thumbnails, desenho de 2 traços (novo treinamento), técnicas diversas para desenho de locação, videos e técnicas de pintura em pastel seco a noite.

6 (check-in à noite), 7 e 8 de agosto
ENCADERNAÇÃO / PASTEL - Teoria e prática na montagem de sketchbooks, desde a escolha dos papéis até a costura e acabamento. Técnicas de montagem de capa com tecidos diversos também serão apresentadas. Técnicas de pintura em pastel seco a noite.

20 (check-in à noite), 21 e 22 de agosto
TÉCNICAS MISTAS EM TELA E PAPEL (illustration board) - Técnicas de pintura em tela, usando oilbar (tinta a óleo em bastão), tinta acrílica, e combinações entre as duas com outros materiais sobre papel montado.

Cada um dos módulos ficará em R$ 350,00 (workshop + hospedagem com café da manhã) e as refeições serão opcionais (R$ 20,00 para almoço e R$ 10,00 para o jantar) e deverão ser confirmadas no ato da reserva. Os valores são os mesmos para acompanhantes adultos, e R$ 66,00 para crianças de 5 a 12 anos

Haverá um desconto de R$ 50,00 para os inscritos em 2 workshops e de R$ 100,00 para os inscritos nos 3, e estes poderão pagar em duas vezes (à vista e um cheque para 30 dias).

Os materiais necessários serão listados por e-mail após a reserva.

As inscrições podem ser feitas no website http://www.montalvomachado.com.br/workshops/

Nos vemos lá!

Revista Ilustrar número 17

Nesta edição: Fernando Lopes, Derek Riggs, Mateus Santolouco, DR2 Ilustração, Mario Bag, Brad Holland, Renato Alarcão

Coisa fina, baixa lá e divirta-se lendo a melhor revista de ilustração do Brasil!

A saga do SketchCopa continua

E não é que o SketchCopa está rendendo?

Estivemos no Ibirapuera no último jogo do Brasil, terminamos o dia comendo pizza, já pensando no próximo encontro.

Nesta sexta o evento paralelo aos jogos da Seleção Canarinho vai acontecer na Avenida Juscelino Kubitschek, às 10:30hs, e vamos nos encontrar no meio da passarela em frente ao supermercado Extra, onde teremos uma vista privilegiada do caos urbano que assola a cidade nos minutos que precedem cada jogo.

Chega a ser engraçado acompanhar a histeria coletiva, o incontrolável stress e as altas doses de adrenalina com que o povo se auto-inocula ao se dar conta que está preso no trânsito, sabendo que vai perder o começo do jogo.

Motoristas ensandecidos, subindo pelas calçadas, buzinadas furiosas, pedestres se arriscando entre os automóveis, loucos para chegar em algum local com TV, enquanto os desenhistas fogem exatamente desta euforia, e assistem pacientemente a instauração do caos generalizado nos cruzamentos da cidade.

E o nosso grupo, com 11 pessoas, desenhando e rindo até doer, no lago do ibirapuera.

Vai lá, Brasil! Ensaca a Holanda rumo à final, enquanto a gente desenha!

Mais fotos no Flickr do SketchCopa.

SketchJazz nesta quinta!

Um post rapidinho, só pra lembrar que amanhã vai ter mais um SketchJazz no All of Jazz.

Eu reservei mesa para 8 pessoas, nesta Quinta, dia 1º, 21:30hs.

Por favor confirme sua presença no e-mail montalvomachado@gmail.com ou pelo twitter http://twitter.com/montalvomachado

No primeiro set Christianne Neves e seu Quinteto durante apresentam o show “Tributo a Horace Silver” em homenagem a um dos maiores pianistas da história do jazz.

No segundo set Chris e seu Trio interpretam standards de jazz e composições próprias.

O All of Jazz fica na Rua João Cachoeira, 1366 - Tel (11) 3849 1345

O couvert artístico fica em R$ 15,00 e tem consumação mínima de R$ 10,00.

Nos vemos lá!

SketchCopa nesta segunda: do Friday’s ao Ibirapuera

Brasil e Chile nesta segunda? Legal! Mais um feriado nacional, mais um motivo para desenhar na cidade de São Paulo!

Desculpas ao amigo Cárcamo, mas não vou torcer pelo seu país… nem pelo meu.

Os amigos que se ligam mais no sketchbook do que na peleja vão se encontrar meia hora antes do jogo na Avenida Santo Amaro 177, em frente ao restaurante TGI Friday’s as 15:00hs.

Dali seguiremos para o Parque do Ibirapuera, e vamos encher mais algumas páginas do caderninho, dar boas risadas e curtir a companhia dos amigos em mais uma rodada de circuito alternativo à Copa.

Todos os nossos encontros tem sido ótimos, e temos certeza que é bem mais divertido fugir das vuvuzelas e se divertir na contra-mão das emoções Globais, longe da euforia ensaiada do Galvão Bueno e das pernadas dos multi-milionários jogadores brasileiros.

Estes são alguns dos meus desenhos feitos nos encontros do SketchCopa, e espero que o Brasil siga em frente, rumo à grande final, para que a gente possa continuar aproveitando o vácuo da Copa para fechar mais algumas páginas dos nossos Sketchbooks.

Até segunda!

O mundo de olho na bola, e nós de olho nos sketchbooks

E lá vai a Seleção Brasileira entrar em campo novamente, em seu terceiro jogo na Copa.

Beleza, Brasil! Vai lá, porque eu não vou!

Os amigos vão se reunir novamente, com seus sketchbooks, na Avenida Brigadeiro Faria Lima 2693, no mesmo Fran’s Café onde encerramos o primeiro SketchCopa, do lado oposto ao Clube Pinheiros.

Como o jogo começa às 11:00hs, e o trânsito fica completamente caótico na hora da peleja, vamos nos encontrar meia hora antes, às 10:30, tomar um cafezinho e assim que a cidade esvaziar, vamos para a avenida, desenhar a cidade deserta.

Se você também está desencanado dos jogos da Copa, venha participar com a gente nesta atividade alternativa, vamos nos divertir desenhando nestes feriados fora de hora!

O evento é livre, gratuito e sem restrições.

Nos vemos lá!

Sketchcrawl, SketchJazz, SketchCopa, SketchClássico e até SketchLunch

Eu acredito que um artista só consegue evoluir no seu trabalho se tiver um pé (ou os dois) na obsessão.

Quanto mais viciado no processo, e quanto mais escravo do próprio vício, melhor será o artista.

Sempre foi assim, e sempre será.

Nestes últimos anos eu resolvi mergulhar de cabeça em um dos pontos mais falhos do meu trabalho, o desenho gestual, espontâneo, sem rascunhos a lápis ou refinamentos de finalização. Um desafio a ser encarado de frente, com persistência e uma certeza: o erro e a frustração são as únicas garantias no início do processo. O que vier, de bom e de mal é lucro. O erro é parte do aprendizado, e apesar de ser um fardo pesado para se carregar, é lucro também.

Com isto em mente, o passo seguinte é insistir pela quantidade. Se eu fizer 10 tentativas por mês posso ter uma ou outra mais ou menos legal, mas o mais provável é que nenhuma seja realmente boa. No entanto, se eu tentar 10 vezes por dia, é capaz que eu acerte algumas delas na mosca, e é quase certo que eu acabe eliminando os defeitos pela repetição, ou seja, esta é uma batalha a ser vencida pelo cansaço.

Pode parecer estranho para quem vê as artes prontas, mas nenhum artista está satisfeito com seu próprio trabalho. Parece uma corrida eterna contra um ideal de qualidade, sempre inatingível, sempre mais alto e mais rápido que a nossa natureza.

E eu vejo na inconformidade, na insatisfação com o próprio trabalho uma tremenda força motivadora que nos leva a sair da zona de conforto e fazer um esforço constante de melhora, na busca do que nos faz falta.

Eu encontrei um ambiente extremamente motivador, confortável, divertido e produtivo ao juntar os colegas no Sketchcrawl, e isto acabou se desdobrando em outros encontros temáticos, sempre com o mesmo propósito: desenhar em grupo.

Desenhar os músicos, ouvindo Jazz, foi uma experiência incrível, e quero ver se coloco isto no calendário dos ilustradores paulistas como uma prática constante, como o Bistecão Ilustrado, Pupunha Ink e as sessões de modelo vivo da Rosana Urbes.

Ainda quero juntar este pessoal para ir desenhar na Sala São Paulo, ao som de música clássica.

Esta tem sido a minha melhor balada. Não tem programa mais divertido que encontrar os amigos, jogar conversa fora, se divertir, trocar ideias e encher páginas e mais páginas do sketchbook.

Tenho feito isto compulsivamente, nas horas vagas, porque o meu trabalho atual no Estúdio Notan é totalmente digital, principalmente focado em concept design e 3D, usando Modo e ZBrush.

De encontros em Jazz bares à fuga da histeria coletiva da Copa do Mundo no SketchCopa, passando por almoços ilustrados com Marco Furtado e Alex Eschenbach, colegas da Vetor Zero, nossos vizinhos aqui no Itaim Bibi, eu tenho aproveitado cada instante livre para trabalhar minhas fraquezas técnicas, até mesmo nas reuniões de pauta do estúdio, desenhando os colegas em um breve Sketchcrawl solo.

Os resultados estão começando a aparecer, meu traço tem se tornado mais confiante, e cada vez mais os desenhos de improviso deixam de me parecer tão toscos, ou assustadores, como eu os via há alguns anos.

É uma busca constante, e não há atalhos.

Quem quiser melhorar o desenho tem que enfiar os dois pés na obsessão e sair desenhando até no banheiro, porque cada minuto rabiscando é um passo a mais em direção ao próprio estilo, aos temas que falam ao seu coração, e ao seu trabalho mais autoral.

Com ou sem companhia, não desperdice seu tempo livre. Desenhe, e divirta-se com cada descoberta.

Seu traço agradece.

Domingo é na Paulista!

Neste domingo vai acontecer o segundo SketchCopa, desta vez na Avenida Paulista, as 15:00hs (meia hora antes do jogo do Brasil), em frente ao prédio da FIESP.

Deixa o país inteiro se esgoelar, enquanto a gente desenha na rua!

No nosso encontro de terça, no primeiro jogo do Brasil, juntamos um grupo de 11 pessoas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, e poderiam ser mais. Alguns colegas que haviam confirmado não compareceram devido a alguns imprevistos como gripe ou trabalho.

O evento alternativo à Copa é livre, gratuito e não tem pré-requisitos.

Apareça!

Tiramos várias fotos neste dia, e postaremos no Flickr do evento assim que possível.

SketchJazz: perfeito

Ontem rolou o primeiro SketchJazz, mais uma boa desculpa para juntar os amigos e desenhar.

Fomos ao All of Jazz no Itaim Bibi, e a banda da noite foi Dabus Brothers, um quarteto incrível, com um repertório que vai de Miles Davis e John Coltrane a Marcos Ariel, Tom Jobim e composições próprias.



Juntamos o melhor dos dois mundos: música e desenho. Não tem como ficar melhor.

As duas horas de show passaram voando, e saímos de lá querendo voltar.

Sexta-feira tem mais.

Você está vendo o que eu estou vendo?

Já faz alguns dias que eu venho planejando este post, elaborando e organizando o conceito de VER as coisas ao nosso redor, ao invés de OLHAR passivamente.

Há uma diferença enorme entre uma pessoa apontar para alguma coisa e dizer para a outra: “OLHE aquilo!”, e em outra situação um dizer para o outro, com um certo tom de mistério: “Você está VENDO o que eu estou vendo?”.

No primeiro caso há uma certa obviedade, basta olhar e entender que tem um objeto ou uma pessoa que se quer que o outro preste atenção.

No segundo caso, um deles teve uma percepção diferenciada, além do lugar comum, e pergunta ao outro para saber se ele também teve o mesmo insight, ou se ficou no óbvio.

Há uma diferença na compreensão do que se vê, e as pessoas podem OLHAR para a mesma cena e VER coisas diferentes.

Manchas de Rorschach no mundo real.

Acho que lá no fundo da minha mente eu já venho prestando atenção neste processo há muitos anos, sem racionalizar muito, desde quando eu lia Carlos Castañeda aos montes. Muita gente tem um certo preconceito contra ele, por causa do seu primeiro livro, A Erva do Diabo, como se fosse literatura de maconheiro, mas isto é um grande engano. Basta ler Viagem a Ixtlan ou o Segundo Círculo do Poder para entender que não se trata de drogas, mas sim de estados alterados de consciência induzidos pela percepção, pela atenção consciente. É certo que há o exagero do autor para fins literários, a fantasia dos livros chega a extremos, mas o conceito é válido.

Algo parecido acontece, em escala muito mais sutil é claro, quando a gente se perde em pensamentos, ou se concentra profundamente sobre algum assunto.

É quando a gente fica com olhar meio vidrado, aquele que perfura as paredes, enquanto se embarca pra “beem looonge” em algum pensamento, a ponto de se assustar quando alguém nos traz bruscamente para a realidade.

Nos ensinamentos de Don Juan, mestre indígena de Carlos Castañeda em seus livros, uma das coisas que os levavam a estados alterados de percepção era observar as sombras, focar sua atenção nelas, e tentar enxergar ali outras cores além do cinza e preto.

Este é o mesmo princípio que Andrew Loomis descreve em seu livro “O Olho do Pintor”, e todo artista sabe que as sombras são coloridas, riquíssimas em tons e nuances. Nelas se revela a beleza das luzes, por puro contraste.

Quando se enxerga cores nas sombras, temperaturas, luzes refletidas quebrando a sua escuridão, estamos VENDO, e não apenas OLHANDO.

VER, nos livros do Castañeda era o princípio de tudo, uma porta para o universo paralelo onde o romance se desenrolava.

Porta também é a analogia utilizada por Aldous Huxley em seu livro “Portas da Percepção”, onde ele faz experiências com LSD, assistidas por um médico e sua esposa. Neste livro ele relata como ele conseguiu enxergar o mundo com o olhar de um artista, vendo cores e detalhes fascinantes até nas dobras de suas calças, e entendeu o que faz o artista procurar reproduzir sua visão de mundo em suas obras.

Por motivos menos científicos, Jim Morrison utilizou o mesmo nome do livro para sua banda, “The Doors”.

Outro dia, conversando com o amigo Weno durante o Sketchcrawl do Parque da Luz eu consegui sentir claramente a transição entre OLHAR e VER, enquanto falava deste assunto com ele. Papeando informalmente, eu estava apenas olhando para ele, como todos fazemos. No momento em que descrevi o processo no qual ao desenhar o que se vê a gente muda a percepção, e passa a VER as sombras projetadas em seu rosto, as formas geométricas se encaixando como um quebra-cabeças de peças claras e escuras, quentes e frias, na construção do desenho, eu passei a VER estes detalhes estampados no rosto dele, como se eu tivesse ligado o meu “modo de desenho” no olhar, mesmo sem estar desenhando.

Milton Glaser disse em um video, postado aqui no blog, que só consegue VER as coisas direito quando as desenha.

Nos workshops de NOTAN que eu apresentei nos últimos anos, o trabalho principal não era desenhar, mas criar uma percepção especial para os padrões de claro/escuro, filtrando para preto, branco e cinza tudo o que vemos em um mundo inundado de milhões de cores, tons, temperaturas e variantes extremamente complexas combinadas entre todos estes elementos.

No momento em que se consegue VER o mundo em 3 tons de claro, escuro e meio-tom, fica muito mais fácil representar aquela situação no papel.

O que acontecia com os participantes era impressionante, todos aprendiam rapidamente a “ligar” o modo de filtro visual, como se tivessem instalado um filtro de Photoshop nos olhos, e o resultado imediato era que conseguiam representar isto em seus desenhos, dando um salto qualitativo enorme, em apenas dois dias de treinamento.

A colega Silvana Marques, logo depois do workshop, postou no Twitter: “I see Notan people”.

Por isto um passo extremamente importante para melhorar o desenho não é apenas praticar muito, mas também aprender a VER melhor, refinar o processo visual e “ligar” o olhar de artista sempre que quiser.

Talvez esta ficha tenha me caído de vez quando eu fiz o curso do Dalton de Luca, há muitos anos atrás, e percebi que depois de desenhar nas aulas meu olhar continuava procurando os padrões de formas, cores e sombras mesmo quando eu não estava desenhando. Na verdade este olhar diferenciado nunca mais me abandonou, e eu faço isto o tempo inteiro, até quando estou falando com as pessoas, ou esperando a minha vez em uma fila de banco.

Há épocas e situações que esta percepção visual fica muito mais aguçada. Certa vez eu estava voltando da inauguração da Mangue Galeria em Paraty com o Cárcamo, lá pelas 7:00 da manhã de uma segunda-feira, e começamos a comentar sobre a luz do sol, as sombras, temperaturas de cor, etc. Ligamos o “modo artista” na hora, e eu sugeri que tirássemos algumas fotos antes de cair na estrada. Foram provavelmente as melhores fotos da minha vida, porque minha percepção visual estava potencializada ao extremo, era como estar chapado, vendo muito além do normal, mas em perfeito estado de lucidez.

Aconteceu novamente no ano passado, ao terminar o treinamento com George Pratt na Illustration Academy, depois de 3 horas de desenho de modelo vivo intenso, com poses de 5 segundos, depois de 20 segundos, e outros exercícios de fritar os miolos. Saímos de lá para jantar, e eu comentei com os amigos que minha mente continuava desenhando, sem parar, entre uma garfada e outra. Eu segui escaneando o ambiente e as pessoas com o mesmo estado de atenção aumentada que tínhamos alcançado durante o treinamento.

Ontem, ao sair da sessão de modelo vivo da Rosana Urbes, eu continuei retraçando os amigos enquanto conversávamos, depois na festa da Amanda, e até hoje esta percepção alterada continou comigo, mesmo que de forma inconsciente.

Será que você está vendo o que eu estou vendo?

Sketchcrawl + Virada Cultural = 38 horas no ar

Conforme prometido, fizemos uma rave ilustrada, emendando os dois eventos em uma verdadeira maratona de desenho, música, estudo e diversão.

Não quero fazer deste post o “meu querido diário”, detalhando cada passagem das 38 horas que me mantive acordado, mas alguns momentos marcantes merecem o registro.

Tivemos uma tarde ensolarada, inspirada e cheia de pequenos causos, registrados pela equipe da Rede Globo, que nos concedeu uma reportagem sobre o evento. Saindo do Pátio do Colégio, terminamos o dia no Café Girondino, na frente da praça da Igreja de São Bento, um lugar confortável, com ótimo atendimento e altamente desenhável, que precisamos frequentar mais vezes.

De lá mergulhamos na Virada Cultural, cada um foi procurar seu palco preferido, sua tribo e sua música. Eu dei uma passada no show do Hermeto Paschoal, mas segui logo para ver a banda cover do Frank Zappa. Não era nenhum Central Scrutinizer Band, é claro, mas mandaram bem.

No meio do show eu não me aguentei, virei a mochila para a frente, fazendo uma pequena bancada, e registrei o momento em um sketch, em meio aos altos decibéis disparados do palco.

Fiz o mesmo às 3:30 da madruga, durante o show do Living Color, e acho que descobri mais um dos pequenos prazeres que fazem a vida mais gostosa, desenhar durante os shows.

Assistir Carmina Burana na performance impecável da Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico foi arrepiante. Nem vou tentar descrever a minha sensação, além dos pelos eriçados. Foi incrível, indesenhável.

Segui as dicas do Victor Farat, Fábio Corazza e Aline Paes, amigos/ilustradores que estavam curtindo a Virada também, e fui assistir ao show do veteraníssimo Booker T, um dos melhores shows da noite.

Encontrar amigos entre 4 milhões de pessoas não é uma tarefa fácil, é obra do acaso mesmo, e algum alinhamento de planetas permitiu que eu fizesse isto diversas vezes durante a noite. Deve haver algum chakra (não me pergunte qual, nem de que cor ele é) que se abre nestas ocasiões, e que torna as pessoas mais receptivas, mais alegres e envolvidas em uma sintonia que nos alimenta, revigora e nos mantém despertos pela noite adentro.

Eu pulei o almoço, o jantar, e foi me bater uma fominha só depois das 2:00hs da manhã. Curiosamente não tive frio nem sono durante a noite. Teve gente que me perguntou qual é o segredo, que raio de Duracell eu ando usando, mas é tudo resultado da extrema motivação que tenho ao participar destes eventos, e da energia positiva que emana da companhia dos amigos.

Nem RedBull com plutônio dá mais energia do que estar em boa companhia, rindo e curtindo boa música.

Saímos do centro para tomar café da manhã na Bella Paulista, com o Kako, para recepcionar o Renato Alarcão, que tinha chegado do Rio, e passamos a tarde fazendo uma das mais intensas sessões de modelo vivo que eu já participei.

Foi mais uma oficina de alta produção, insights, e desafios, orquestrada pelo Alarcão e performatizados virtuosamente pela modelo Jully Campeão. Mais do que uma dançarina, ela é uma verdadeira designer, usando o corpo com maestria de artista, e suas poses personificavam a proposta do estudo: “Desenho Dinâmico”.

Terminei a maratona de volta ao centro, em companhia do colega Márcio Guerra, assistindo aos 4 cantores populares de Cantoria: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.

Confira aqui o post da participação paulista no evento mundial, e veja neste link os trabalhos dos desenhistas de outras partes do mundo.

No fim o post ficou longo, mas é um breve resumo de 38 horas de intensa atividade, uma rave ilustrada, conforme planejada na semana passada.

Não vejo a hora de repetir a façanha.

Quem topa?

Este Sketchcrawl vai ser uma rave de desenho urbano!

Sim, nós temos que admitir, essa bagaça vicia.

O Bistecão Ilustrado já não termina mais às 4 da matina, como nos últimos 4 anos, agora a gente quer mais…

Vamos até as 5:00, e esticamos em padocas da região até as 8:00 da manhã, e às vezes até mais tarde, confira neste post.

Com todo este gás, as habituais 12 horas de Sketchcrawl já não são suficientes para saciar a sede de desenho da galera, a gente quer é mais!

Desta vez o encontro mundial vai coincidir com a Virada Cultural e vamos emendar os dois eventos em uma rave que durará praticamente dois dias inteiros, contando com a noite virada.

E ainda tem Desenho Dinâmico com Renato Alarcão no SESC Pinheiros no domingo a tarde…

Mas vamos começar do começo: Primeiro postei sobre a nossa participação em SP no fórum oficial do Worldwide Sketchcrawl.

O pessoal de outras cidades do Brasil pode participar gratuitamente do evento, da maneira mais fácil: basta ir desenhar na rua neste sábado, sozinho ou em grupo. Sem inscrição, sem taxas, sem frescuras.

Depois é só postar, se quiser, suas imagens no fórum do evento criado por Enrico Casarosa, linkado acima.

Os Sketchcrawlers em SP se encontrarão no Pátio do Colégio, no centro da cidade, a partir das 10:00hs da manhã, ficando por lá até meio-dia, e seguindo para um novo local a cada duas horas. No final da tarde, as 18:00hs começa a Virada Cultural, e eu vou seguir pela noite adentro, desenhando e curtindo os shows que o evento traz, gratuitamente para a cidade.

Não sei qual será o roteiro do grupo a noite, é provável que o senso tribal divida a galera e cada um vá curtir o que mais gosta, afinal as opções são muitas.

Eu tenho meu roteiro definido aí abaixo, e sugiro que cada um faça o mesmo pra se planejar durante a Virada Cultural, pra não perder o que mais gosta.
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Local 1: Av. Duque de Caxias, próximo à Sala São Paulo

Sábado 18h00: Cantoria – Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo
Sábado 3h00: Living Colour (EUA)
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Local 3: Vale do Anhangabaú

Sábado 19h00: Hermeto Pascoal
Sábado 21h00: Airto Moreira
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Local 8: Av. São João, próximo a Rua General Osório, virado para a Av. Ipiranga

Sábado 20h00: Grand Mothers – Re:Invented (Frank Zappa Cover)
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Local 4: Estação da Luz

Sábado 22h00: Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico – Carmina Burana
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Local 3: Vale do Anhangabaú

Domingo 13h00 Grupo Medusa
Domingo 15h00 Flora Purim
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8 horas de Sketchcrawl + 24 horas de Virada Cultural + ILUSTRE no SESC.

Este encontro vai ser histórico!

Vai ser legal, muito legal.

Te vejo lá!

Revista Ilustrar nº 16 - na faixa, na sua telinha

Esta é a capa da nova Revista Ilustrar, ilustrada pelo legendário Luis Trimano, disponível para download gratuito no site http://www.revistailustrar.com/

Nesta edição as ilustrações e textos de: Flavio Fargas,  Jason Seiler, Eduardo Bajzek, Paulo Brabo, Luis Trimano, Brad Holland e Renato Alarcão.

Baixe seu exemplar e confira, a Revista Ilustrar está arrasadora, novamente!

Jaco Pastorius, Milton Glaser, Pat Metheny e desenho

Outro dia eu postei dois videos muito inspiradores, do Milton Glaser, e um deles terminava com uma frase sensacional, que a nossa profissão permite que a gente se fascine e se inspire com o trabalho dos outros, sempre, não importa quanto tempo tenha de carreira, a admiração e a energia que ela contém nunca acaba.

É um grande privilégio trabalhar em uma profissão que mantém o frescor e a vitalidade de se deixar arrebatar, por anos e anos, sabendo que esta sensação maravilhosa não tem prazo de validade.

Eu vivo esta realidade todos os dias, e algumas vezes eu me deixo embriagar pela admiração que eu tenho por alguns artistas. Um deles é Pat Metheny, um guitarrista de um talento incrível, de composições que atravessam a alma, e contam longas estórias sem palavras.

Pode ser viagem minha, mas a música de Pat Metheny me inspira profundamente, e já me acompanhou em inúmeras noites viradas de ilustração e pintura, criando novas sinapses, falando a língua do inconsciente, calando o meu cérebro racional e liberando o cérebro criativo.

Outra noite eu estava assistindo o DVD More Travels, e a cada cena dava um pause eu pensava: “putz, que cena legal, preciso pintar isto…”, até que eu parei de assistir passivamente e resolvi estrear o Moleskine cravado na estante, novinho, impecável, que tanto me intimidava há meses. Espalhei algumas tintas acrílicas na mesa, e resolvi fazer algumas experiências que jamais faria em papéis importados ou em trabalhos com prazo de entrega. Afinal os sketchbooks são o território perfeito para mergulhar no desconhecido.

Grafite, solvente, pincéis grandes e pequenos, secador e tinta acrílica, tentando capturar das cenas do DVD o fascínio que a Arte de Pat Metheny sempre me causou.

Eu tive um certo receio em mostrar estas imagens, porque elas vão contra o que tenho falado e criado em meus sketchbooks, o desapego pelo trabalho primoroso, a necessidade de soltar a mão e não fazer imagens com “cara de portfolio”, mas esta foi de fato uma aventura, uma experiência nova e surpreendente, mesmo carregando um certo preciosismo.

Não há nada de novo, criativo ou autoral nestes trabalhos, mas o processo, a experimentação da técnica e a captura de um estado de espírito é o que me motivou neste caso.

Estes 3 estudos foram feitos em duas noites consecutivas, das 11:00hs as 02:00hs mais ou menos. Depois a rotina se incumbiu de matar a motivação para continuar neste ritmo por vários meses.

Preciso voltar a atacar o Moleskine com esta mesma energia, estas são as únicas imagens que fiz nele, até agora.

A energia criativa do fascínio é tão poderosa quanto volátil, se não for capturada e transformada imediatamente em algo material, palpável, ela te abandona com a mesma velocidade e intensidade que chegou, e em uma fração de segundo voltamos a viver a banalidade do mundo real, chato e monótono do dia-a-dia, sem nada que nos lembre daquela sensação poderosa, que alguns chamam de “inspiração”.

Eu não gosto, não confio e nem costumo usar este termo, eu prefiro acreditar no “fazer”, quando a vontade de realizar é maior que a preguiça, ou que os desvios de foco das nossas obrigações mundanas.

A vida fica nos testando a perseverança o tempo todo, nos brindando com o prazer intoxicante dos momentos criativos, mas nos atropelando com a realidade no instante seguinte. E dá-lhe contas para pagar, horários para cumprir, e coisas importantes para fazer.

Basta o som do telefone ou a lembrança de um compromisso qualquer para despedaçar a magia, arrancar a gente do estado de sonho desperto e nos derrubar de volta à realidade.

A gente tem mais é que roubar neste jogo mesmo, e levar o caderninho pra todo lado, desenhar no restaurante, na fila do banco, no farol vermelho e até no banheiro. Se não for assim, a vida nos rouba a magia de se deixar fascinar, e isto é uma perda imensa, irrecuperável.

Hoje eu tive mais um destes momentos mágicos, quase sem querer, enquanto meu filho brincava no computador e eu rabiscava à toa, ouvindo música no outro computador ao lado dele.

Pat Metheny novamente me ajudou a desligar o lado racional dos meus miolos, e eu deixei a música Jaco rolar em loop por algumas vezes, enquanto desenhava thumbnails com uma bic em papel jornal, e contava quem era Jaco Pastorius para meu filho. Resolvi procurar algumas fotos dele no Google, e acabei rabiscando algumas coisas interessantes, postadas aqui, afinal faz tempo que não coloco desenhos novos no blog.

Vou me permitir ao fascínio que cultivo aos meus ídolos mais vezes, e sempre que possível vou tentar traduzir estes momentos em desenhos, estudos, rascunhos e pinturas.

Sr. Milton Glaser, obrigado por confirmar o que eu sempre quis acreditar sobre a minha paixão pelo desenho: ela é constante, intensa e infinita.

Encurtando uma longa estória

Caros amigos do blog Sketcheria, vou resumir neste post o que deveria ter feito em alguns outros.

As mudanças recentes para o novo estúdio mudaram alguns hábitos meus, como postar semanalmente neste espaço.

Como alguns amigos mais próximos já sabem, há dois meses eu me associei a um estúdio novo, chamado Notan - Arte Digital, no Itaim Bibi, com os colegas Eduardo Baroni, Marcos Sampaio, Ricardo Campesi, Alessandra Macieira e Zaira Marconi.

A primeira pergunta dos colegas sempre é: “cadê o site? Manda o link!”. E estamos trabalhando duro para responder a esta simples pergunta com um material bem bacana. Estamos na reta final, e vai valer a pena toda a espera.

No momento em que o site entrar oficialmente no ar, pode conferir aqui na Sketcheria, que vai ter um post pra anunciar a novidade.

Então vamos atualizar os eventos recentes: O SESC Pinheiros está promovendo um mega evento de ilustração, de longa duração, custo baixo e excelente receptividade entre os participantes. É o ILUSTRE, e a programação completa pode ser acessada aqui neste outro post.

Eu participei em 3 momentos: em uma conversa sobre a profissão de ilustrador com os colegas Hiro Kawahara, Angelo Shuman e Orlando Pedroso, para uma platéia de 200 pessoas, depois em uma Saída Ilustrada, como um mini Sketchcrawl, onde apresentei o conceito de Notan e Sketchbooks para o pessoal, antes de sair desenhando pelo SESC até o anoitecer, e na semana passada fiz, juntamente com o Hiro, uma análise de portfolios, que também foi muito legal.

Outra novidade que merece ser compartilhada é a mudança de local do nosso encontro de ilustradores, o Bistecão Ilustrado, que atravessou a rua para receber melhor os convivas em um salão maior, com melhor atendimento e com mais espaço para podermos aproveitar a companhia dos colegas sem tanto aperto. Afinal, o local anterior era perfeito para um grupo de até 50 ou 60 pessoas por noite, mas começamos a receber 80, 90 visitantes, e acabamos espremidos. Era divertido, mas desconfortável. Agora podemos receber confortavelmente mais de 100 pessoas, e esticar até um pouco mais tarde, com todos os cuidados da casa.

Um detalhe que foi sentido por alguns colegas é a falta do couvert de pães, saladinha e mussarela, que tínhamos como cortesia no outro local, mas que não foi possível implantar no novo salão, mas não é motivo para desespero, o custo é de apenas R$ 2,00 por pessoa, e pode ser pedido aos sorridentes garçons, que trarão os belisquetes com rapidez e eficiência.

Aguardem novidades para o sorteio, temos planos de turbinar os presentes já no próximo encontro.

Tivemos também a presença de vários novos amigos, como o gaúcho Jerônimo, com sua barbicha de trancinha, seu contagiante senso de humor e sua simpática esposa, que chegaram ao grupo como se fossem nossos amigos de infância.

Nova no grupo também é a jovem e talentosa Gabriela “Gabique”, que com apenas 18 anos mostrou uma determinação e talento de gente grande, e que certamente vai fazer parte da nova geração de ilustradores brasileiros. Em breve, nas bancas.

Dá só uma olhada no trabalho dela, em marcadores de livro que ela vende por R$ 2,00. Este panda com o cubo mágico é genial, merecia ser um toy art, estampa de camiseta, capa de revista ou tatuagem.

Fiz parte neste fim de semana de um grupo novo de desenho de figura humana, e não há nada mais motivador e produtivo que uma sessão de modelo vivo. Precisamos fazer isto mais vezes.

Quase uma rave

Ontem fomos comemorar o aniversário da ilustradora Andréia Vieira no Sujinho, numa versão pocket do Bistecão Ilustrado.

Delicioso como sempre encontrar os amigos e passar horas falando a nossa língua nativa, o besteirol.

Como em todo final de Bistecão que se preza, ficamos um tempão na porta do restaurante, papeando e nos despedindo por meia hora, já passava das 3:30 da matina, e estávamos quase esticando o braço para o primeiro táxi que aparecesse, quando eu e o Fábio Corazza resolvemos acompanhar a Silvana Marques até a padaria Bella Paulista, onde ela esperaria por algumas horas até chegar a hora do Metrô voltar a circular.

Eu e o Fábio entramos na padoca, e a ideia era “só tomar um cafezinho”… coisa de 5 minutos.

Tá bom, 5 minutos…

Eu me conheço.

Saímos de lá com o sol queimando nossas testas, as 8:00hs da manhã, e a soneira tradicional da madrugada já tinha sido espantada ao longo de vários cafezinhos, cappucinos e um belo café da manhã.

Chegamos a conclusão que o Bistecão Ilustrado só acaba as 4 da matina porque o Sujinho fecha. Se dependesse da nossa disposição, viraríamos a noite, fácil.

Estávamos despertos e ligados na paisagem da Paulista colorida pelo sol, e sugeri que desenhássemos um pouco. Caminhávamos acompanhando o Fábio no caminho da Pompéia, e na Dr. Arnaldo ele indicou um caminho contornando o cemitério do Araçá, que tinha uma viela altamente desenhável do outro lado.

E fomos para lá, em papos intermináveis, talvez mais engraçados que normalmente seriam, talvez pelo cansaço, talvez pela bizarrice da situação, esticando o encontro por mais de 12 horas, quase uma rave.

Fiz este sketch da ruazinha sugerida pelo Fábio, lá pelas 9:00hs, no sketchbook novo da Andréia, que ela deixou comigo para que eu fizesse um desenho, que agora já tem um pequeno causo pra “agregar valor”.

Resumo da ópera, nos despedimos na Dr. Arnaldo, e como eu estava curtindo muito aquela bela manhã ensolarada, caminhei até a praça Benedito Calixto, onde peguei um táxi e voltei pra casa, pouco antes das 11:00hs.

Já temos para onde ir quando os garçons do Sujinho levantarem as cadeiras e molharem nossas canelas.

Revista Ilustrar nº 15

A mais recente edição da Revista Ilustrar já está disponível para download em http://www.revistailustrar.com .

Os nomes dos artistas falam por si: Carlos Araújo, Francis Vallejo, Roger Cruz, Angelo Agostini, Elias Silveira, Juarez Machado, e as colunas cheias de insights de Brad Holland e Renato Alarcão.

Agora, fala sério, você não vai ficar só olhando as imagens e perder o conteúdo escrito da revista, vai?

Tirando a privada da sala

A cada novo escândalo, golpe, concurso safado ou arapuca que vejo na web, me dá uma vontade imensa de postar aqui, como se este blog fosse uma rádio pirata, e eu pudesse salvar o mundo de uma desgraça iminente, apenas botando a boca no trombone.

Chega a parecer ingênuo, tentar derrubar a golpes de teclado todos os Golias que insistem em aparecer do nada, mas eu sei que aos poucos isto está surtindo algum efeito. Foram mais de 120.000 views em pouco mais de um ano de Sketcheria, com uma média de 300 a 400 views diários, com picos de 1000 visitas quando envio o Newsletter com os assuntos do mês anterior.

Não é muito, eu sei, mas faço a minha contribuição, é o que está ao meu alcance.

Mas isto é um desvio de propósito, o blog foi feito para ser uma sala de estar, para receber os amigos e falar de amenidades, mostrar bons desenhos, boas novas sobre o mundo da ilustração, divulgar o que há de bom em ser ilustrador e promover os eventos que tem o poder de unir estes profissionais e acolher os que estão chegando agora neste ramo.

Mas o que fazer com todo este mal-estar causado pelos piores crápulas que insistem em transformar nossos dias em pesadelos, com concursos picaretas, golpes sujos, preços rasos e outras baixarias?

Eu não consigo armazenar tanto veneno no meu fígado, e acabei instalando uma privada na minha sala de estar virtual, para dar descarga em toda esta imundície que aparece no nosso dia-a-dia na web.

Está errado.

Vou fazer uma reforma neste espaço, e juntamente com alguns bons amigos vamos criar um novo blog onde poderemos despejar higienicamente toda esta podreira, com sarcasmo e bom humor, fazendo um serviço sanitário, humanitário, didático e espero que sirva de alguma forma para colocar os nossos inimigos sob o holofote, fazendo chacota de quem tenta nos fazer de palhaços.

Assunto não vai faltar, e vamos relembrar as boas e velhas sacanagens do HSBC, Puma, Converse AllStar, HP-Spot/Gizmodo, Zupi, Camiseteria, Oi Quadrinhos, Microsoft, e as mais recentes, como o Curso Abril e RedBull.

Vamos brincar de inverter o jogo.

Uma platéia de palhaços rindo do dono do circo, isolado no meio do picadeiro, com todas as luzes e atenções sobre ele.

Não vai ser uma honra aparecer neste novo blog, muito pelo contrário, mas pretendemos fazer algo a mais do que debochar daqueles que nos querem nos ver de calças arriadas. Vamos sugerir como poderiam fazer algo melhor, mais construtivo e correto com suas campanhas, quando isto for possível.

A ideia não é nova, mas me parece saudável e necessária, como os geniais Não Fui Eu e Photoshop Disasters.

Tem também o engraçadíssimo Tommy Knuckle & Walter Folder, que é um noticiário na onda do Monty Python, em português. Imperdível.

Eu tive muita vontade de traduzir um texto postado no NoSpec, em um post absolutamente brilhante e bem escrito sobre trabalho especulativo, concursos e pedidos gratuitos de trabalho especializado, mas seria apenas mais uma descarga no meio da sala.

Haviam ainda outros três temas me deixaram tentado a comentar longamente, mas seria tão tóxico que poderia infestar este blog com o mal-cheiro do assunto por dias, sujeito a comentários, réplicas e tréplicas, portanto vou encurtar os comentários e postar os links, cada um que tire suas próprias conclusões:

O Curso Abril, com sua fazenda de engorda de designers para abate, e o sorriso do único ilustrador que se deu bem trabalhando para esta editora, conduzindo seus colegas para o “Maravilhoso Mundo dos Infográficos” (ao som de violinos), onde ele ensina tudo quase tudo que sabe aos que querem “abraçar a causa”, afirmando que emoção é fundamental.

Com emoção garantida, quem precisa se preocupar com o sustento, bons contratos e licenciamentos limitados? São preocupações mundanas, para pessoas de alma pequena. O importante é amar cegamente o que se faz, deixando o dinheiro para quem sabe ganhar e cuidar dele, como os detentores do Império Abril, infelizes criaturas desprovidas de Arte nas veias.

Dizer que o mercado editorial não é lucrativo aos editores seria como negar as próprias palavras.

Veja o exemplo estatístico apresentado por Demétrius Paparounis, diretor do Núcleo Semanais:

O cenário mudou – e muito. O poder de compra da população da classe C cresceu nos últimos anos e isso se reflete na circulação das revistas no núcleo. (Em janeiro deste ano, a venda total média dos cinco títulos - Ana Maria, Tititi, Minha Novela, Mais Você e Viva Mais - bateu em quase 1 milhão de exemplares contra pouco menos de 700 mil no mesmo mês de 2009).

Giuliana Tatini, uma das principais responsáveis pelo site da CAPRICHO, foi contar o que se fez e se faz para ter o maior site teen do mundo, com 2,3 milhões de visitantes por mês.

A revista é uma campeã de vendas e um pote de ouro para anunciantes há décadas, e no entanto paga valores abaixo do que se poderia chamar de simbólicos, para seus ilustradores.

A tabela de mídia da Editora Abril pode fornecer uma ligeira ideia das cifras geradas por cada publicação.

Só por curiosidade, pegue uma revista, conte os anúncios, some os valores, depois tome uma Neosaldina.

O outro tema é o Concurso Red Bull, totalmente auto explicativo em suas regras leoninas e absurdas.

E o último seria a granada que o soldado explode dentro da própria trincheira, sobre os designers que insistem em causar baixas entre seus pares, jogando temas duvidosos no ventilador, ávidos por “vestir a camisa” de forma errada, favorecendo os interesses financeiros dos grandes monopólios empresariais.

Eles são bem intencionados, é claro, mas são líderes ingênuos de toda uma geração de profissionais em formação, carentes, esmolando por um minuto de fama, como mendigos chiques, com seus laptops, smartphones, óculos e roupitchas de griffe, apontando o caminho para o fundo do poço, onde todos parecem apressados em chegar o mais rápido possível.

Em breve estes assuntos terão seu lugarzinho garantido, e ao invés de contaminar este blog, serão motivo de boas risadas em outro lugar.

Bistecão Ilustrado na sexta e Sketchcrawl no sábado.

Desta vez vamos movimentar algumas centenas de pessoas em dois eventos consecutivos, quase emendando um no outro, porque o Bistecão vai até as 4 da matina, e o Sketchcrawl começa neste sábado às 10:00.

Imagina só: 8 horas no primeiro e pelo menos 10 horas no segundo.

Eu quero ser o primeiro a chegar e o último a sair dos dois!

O Sketchcrawl acontece em mais de 100 cidades no mundo todo, e em São Paulo a moçada vai se encontrar no Parque da Luz, no centro da cidade, a partir das 10:00hs. O plano B, no caso de chuva, será a Pinacoteca do Estado, que cobra 5 reais pelo ingresso, e se não me engano tem meia-entrada para estudantes.

A bizarrice fica por conta das regras da casa, não pode entrar com tintas no recinto.

Mas para isto eles tem guarda-volumes, gratuitos, para que coloquemos nossas tralhas e equipamentos “danosos às Finas Artes” em local seguro.

Caderninhos, lápis e algumas canetas são permitidos.

Curioso que no Louvre ou Dorsay você pode entrar com um cavalete, tela, banquinho, óleos, pincéis e passar o dia inteiro pintando seus quadros, usando as obras originais como referência, e será tratado como “monsieur” pelos seguranças.

Coisas que só acontecem aqui no “Braviu”.

Não esqueça de levar um quilo de alimento não perecível ou produtos de higiene pessoal para doar para a Casa Assistencial Maria Helena Paulina, que auxilia crianças com câncer.

O local do Bistecão Ilustrado todo mundo já sabe, é no Sujinho da Consolação, esquina com a Matias Aires, no andar de cima, sempre na última sexta-feira de cada mês, a partir das 20:00.

Estamos em negociação com o restaurante para acomodar melhor e mais confortavelmente os mais de 80 participantes que frequentam o local a cada encontro, aguardem as novidades.

Então nos vemos na sexta e no sábado!

E se você ainda não assistiu ao video produzido pela DRC em nosso Sketchcrawl no Museu do Ipiranga, confira aqui ou no blog do Enrico Casarosa, que postou lá, contando das peripécias dos brasileiros no evento.

What About Me? / One Giant Leap

Algumas vezes, não muitas em uma vida inteira, você experimenta claramente uma transformação, uma mudança de fase no grande video-game que acontece entre o nascimento e a morte.

Eu contaria nos dedos das mãos as vezes que isto me aconteceu, e sobrariam alguns dedos para experiências futuras.

Uma grandiosa foi o nascimento do meu filho.

Profissionalmente, e também pessoalmente, aconteceu com a Illustration Academy.

Em um plano mais interior, psicológico e espiritual, tive uma destas em Itú, onde eu participei de um ritual de passagem chamado Leader Training, e no mesmo local, dois anos depois, em uma outra vivência (como eles chamam estes treinamentos), caminhei sobre 7 metros de brasas vivas, depois de 10 horas de preparação. Foi algo como reencontrar e viver o que há de tribal em mim, e experimentar, em primeira pessoa, uma viagem interior como nenhuma outra.

Quando assisti o Zeitgeist - The movie e Zeitgeist - Addendum, deu um estalo na cabeça, como se eu tivesse compreendido algo a mais sobre a sociedade, religião, política e economia. Foi um conhecimento adquirido sobre o mundo exterior, sobre o ser humano como coletivo, um aspecto social da humanidade.

Outra destas experiências que beiram os estados alterados de consciência aconteceu nesta semana, quando eu estava dando uma organizada nos meus CDs e DVDs aqui no estúdio, e encontrei o presente de um grande amigo, Christiano Parentoni, um DVD duplo chamado “One Giant Leap / What About Me?”.

Coloquei o DVD no computador sem ter a menor noção que estaria embarcando em outra grande viagem interior, sem fazer as malas, sem saber que estava decolando.

Eu confesso que estava despreparado para uma experiência deste tamanho, escondida em um simples DVD. Do primeiro instante até o final do documentário, eu tive um destes raros momentos de transformação interior.

Repeti a experiência dois dias depois, e novamente fui arrebatado pela emoção e profundidade deste belíssimo trabalho, que reúne músicos, filósofos, psicólogos, líderes tribais, líderes religiosos, mestres da sabedoria popular, rock stars, enfim, algumas cabeças muito pensantes (e outras nem tanto, para aumentar o impacto pelo contraste), filmado em dezenas de países.

O resultado é um conteúdo sólido mas leve, embalado numa beleza estética de encher os olhos.

Seria muita pretensão minha tentar traduzir tudo que vi em um post, então a única coisa que posso fazer é anexar alguns dos videos deste documentário, e sugerir que você adquira o DVD duplo original com a obra completa, porque é algo para se ver e rever de tempos em tempos.

Chris, talvez eu fique em dívida com você por muitos anos, até que eu encontre algo proporcional para te presentear.

De coração, obrigado.

A resposta do Grupo Abril aos elos fracos da corrente

Depois de alardear um auto-elogio corporativo lambendo o próprio ego e apregoando virtudes questionáveis, o Grupo Abril recebeu da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - uma carta levantando uma outra opinião sobre estas posturas.

Não é novidade para ninguém que as mega-editoras pagam valores cada vez menores, rompendo há muitos anos a linha do “preço baixo”, chegando ao nível da chacota.

A vertiginosa linha decadente de valores pagos nos últimos anos se tornou irrisória, risível, muito abaixo do que valeria um trabalho amador, até mesmo para os veteranos, extraindo deles o máximo possível, tanto em questões técnicas, como em prazos de pagamento extremamente “flexíveis” para dizer o mínimo, e também nas letras miúdas dos contratos socados goela abaixo dos seus colaboradores, arrancando o máximo de seus direitos patrimoniais.

O expediente de várias revistas do grupo anuncia, como faria um quitandeiro, a venda de fotos, ilustrações e textos publicados na revista, como se fossem frutas passadas de fim-de-feira.

Difícil imaginar um gesto de desprezo e escárnio maior do que este, em relação ao trabalho - mal pago - de seus colaboradores.

Isto não é uma conduta da qual uma empresa deveria se orgulhar, na verdade é uma questão vergonhosa, uma mancha na imagem corporativa que está se encardindo cada vez mais, por conta da própria atitude do Grupo Abril em ignorar e desrespeitar a opinião de seus colaboradores.

Neste post você pode acompanhar a carta da SIB enviada ao Grupo Abril no final de 2009, à qual foi respondida com o texto indiferente, quase automático, no final deste post.

Ninguém precisa - nem consegue - denegrir a imagem de uma empresa mais do que ela mesma, com um texto destes, dirigido aos que fornecem conteúdo para suas centenas de publicações.

No dia em que os ilustradores, redatores, fotógrafos e colaboradores em geral se cansarem disto tudo respondendo com um sonoro “NÃO” para toda esta relação comercial desequilibrada e humilhante, não haverá o que publicar, o que vender, e o que lucrar.

As mega-editoras ainda não se deram conta de que não se vende papel em branco encadernado nas estantes das templárias mega-stores.

Tudo que se vende é o conteúdo, produzido por autores (de texto e imagem) que se deixam vender por migalhas.

A culpa, afinal de contas, não é da editora, que está muito confortável em seu castelo de vidro.

A culpa é de quem aceita o estupro financeiro com um sorriso ridículo pregado na boca, trocando trabalho (outrora valioso e lucrativo) pela “vitrine” que a editora oferece, na esperança infantil que um dia será visto por alguém importante, generoso e paternalista, que pagará finalmente o que vale ao coitadinho do mendigo colaborador.

Esta mentalidade subserviente, implantada ao longo de séculos de exploração escravagista, colonialista, militarista, totalitarista e populista nos amputou a capacidade de reação.

Séculos de pelourinho perduram até hoje na memória coletiva da nossa sociedade, e nos fazem chorar calados, para dentro, sem demonstrar reação, sem verter uma lágrima, com medo de apanhar ainda mais.

Por “apanhar ainda mais”, entenda-se: perder o emprego, perder o cliente, perder o patrão que nos trata feito cães.

Isto acontece na política, na cadeia produtiva, nas hierarquias das empresas, e nas relações entre CONTRATANTES e CONTRATADOS, conforme consta nas letras miúdas dos contratos de cessão de direitos autorais.

Eu demiti esta editora da minha carteira de clientes há muitos anos.

Não preciso de clientes assim.

Há muitas editoras pequenas que tratam, pagam e negociam com seus colaboradores de maneira respeitosa, igualitária e digna.

O bom cliente é aquele que sabe reconhecer FINANCEIRAMENTE o seu parceiro de trabalho, remunerando bem, licenciando direitos justos, partilhando os lucros de forma que todos ganhem proporcionalmente bem, dentro do que cada um se propõe a fazer.

Certamente a Editora Abril está agindo dentro da legalidade, como afirma no seu texto de resposta.

É muito confortável se escorar na Lei, quando se é o elo mais forte da corrente.

O que se questiona é outra coisa: Será que a corrente é capaz de se sustentar quando se romperem todos os elos mais fracos?

Até quando haverão outros elos fracos na agenda, para substituição imediata e barata?

Leia o texto enviado pelo Grupo Abril à SIB, em resposta ao questionamento de sua postura comercial em relação aos seus colaboradores, e tire suas próprias conclusões.

From: Codigo de Conduta <CodigodeConduta@…>
Date: Tue, 12 Jan 2010 16:02:00 -0200
To: sib@…
Subject: RES: Sobre o Código de Conduta do Grupo Abril

Caros Senhores da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

Agradecemos seu contato com o Canal de Comunicação do Código de Conduta do Grupo Abril. Como a correspondência enviada não foi considerada uma questão de conduta, ela foi encaminhada à Auditoria Interna.

Em conjunto com a área de Compliance e com o Departamento Jurídico, avaliamos os pontos levantados com os departamentos competentes. Nossas conclusões foram as seguintes:

- A documentação analisada está em total acordo com a legislação vigente e de forma alguma contêm qualquer violação ao Código de Conduta;

- Não existe abuso legal em nossas práticas, que acompanham as do mercado em que atuamos;

- As condições contratuais são as mesmas normalmente utilizadas em trabalhos semelhantes.

- Caso haja um ou mais casos concretos que desejem trazer ao Canal de Comunicação, permanecemos à disposição para atendê-los e fazer os encaminhamentos necessários ao devido tratamento.

Atenciosamente,

2010 de ilustrador começa com a Revista Ilustrar

Ilustrador não tem essa de recesso de fim-de-ano, nem espera o Carnaval pra dizer que o ano começou.

Vamos admitir, nós somos psico-dependentes da ilustração, e até quando não tem trabalho na mesa a gente se diverte desenhando ou vendo ilustrações de quem a gente admira.

E a Revista Ilustrar é mais um motivo para a gente se deliciar neste saudável vício da ilustração, logo no primeiro dia do ano.

Desde as primeiras horas de 2010 número 14 da Revista Ilustrar está disponível para download gratuito, e esta edição se superou novamente, como tem acontecido a cada exemplar:

O trabalho gráfico do ilustrador e artista plástico Visca, o virtuosismo de Fernando Vicente, as belas aquarelas e sketchbooks de Marcelo Daldoce, o ilustrador de papel moeda e selos Czeslaw Slania, o passo a passo genial de Weberson Santiago, as refinadas ilustrações em papel recortado de Carlos Meira, o texto repleto de insights de Brad Holland e Renato Alarcão destrinchando cirurgicamente a doença dos pseudo-concursos culturais.

Cada um trazendo seu talento em quantidade e qualidade.

Nem precisa dizer que é um presente para os olhos, cada imagem mais incrível que a outra.

A inteligência dos textos, no entanto, é um privilégio concedido apenas aos que leem a revista.

Sketches em 3D

2009 foi um ano em que eu usei muito mais as mídias convencionais que as digitais.

Muito papel, tinta e dedos sujos, um retorno às raízes, e o digital somente quando era absolutamente necessário.

Gostei muito dos resultados, os sketchbooks deram uma engordada, mas o custo disto foi que meus estudos de 3D deram uma enferrujada.

Retomei a atividade no 3D, e em 2010 muitos dos trabalhos postados na Sketcheria serão digitais, bitmaps em Photoshop e Painter, e outros feitos em 3D, usando Modo, Zbrush e Maya.

Vou postar os resultados aqui e no Flickr, como tenho feito nos quadros que pintei recentemente.

Esta modelagem abaixo vai entrar na demo-reel como concept design, uma caricatura do Obama, que vai estar ao lado do Lewis Hamilton e Tiger Woods. É um projeto pessoal, utilizando a pré-produção que eu já faço profissionalmente, somando ao que tenho estudado nestes últimos anos.

Concept, model sheet, modelagem, texturização, animação e render serão alinhados e explorados, e vou fazer todo o processo sozinho, ao contrário da distribuição de tarefas, prática comum nas produtoras.

No entanto, tanto trabalho vai durar não mais que 1,5 segundo na demo reel, o mesmo tempo que um outro projeto que farei a seguir, da decolagem de um helicóptero, que começou como um estudo de curvas de animação no Maya, e vai seguir como este, em um pipeline completo, até a edição e composição final no After Effects.

Mas animação é isto mesmo, muito estudo, muito trabalho, muito tempo investido, para uns poucos segundos de apresentação.

Quando Twittei sobre a postagem destas imagens no fórum ZBrush Central, o designer Fábio Sasso, conhecido na web como Abduzeedo - que administra um excelente blog direcionado a design com este mesmo nome - me convidou para fazer um post sobre o making-of desta modelagem.

Este passo-a-passo, desde os primeiros rascunhos do concept design até as etapas de multi-pass rendering em ZBrush e Photoshop podem ser vistos clicando a imagem abaixo:

Outros 4 projetos estão na fila, com personagens planejados, roteiro e até um plano para as trilhas sonoras, e um dia todos eles vão para a telinha.

Na verdade eu quero mesmo é que eles cheguem até a telona, no Anima Mundi e festivais internacionais.

Sonhar pouco é bobagem.

Xeque-mate, editora Abril.

Carta da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - enviada ao Comitê de Conduta do Grupo Abril:

Prezados Senhores,

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil questiona o teor do texto e as intenções da aplicação de alguns ítens do CÓDIGO DE CONDUTA DO GRUPO ABRIL, em especial dos que tratam do capítulo A Relação no Ambiente de Trabalho:

“Respeitar a propriedade intelectual, reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros.”

Qualquer fornecedor de texto ou imagem, seja ilustrador, redator, fotógrafo ou outro profissional que já tenha prestado serviços ao GRUPO ABRIL, sabe que toda relação de trabalho fatalmente costuma seguir o seguinte trâmite:

A) O fornecedor é contatado pela editoria, que alega ter urgência nos prazos de entrega, exige alta qualidade técnica e artística e dispõe de uma verba restrita e já pré-determinada.
Vale aqui salientar que, além da clara imposição frente à saudável prática da negociação, tais verbas permanecem há anos congeladas ou têm sofrido até mesmo reduções graduais estranhamente incompatíveis, inclusive, com a alta dos preços de capa e tabelas de inserção publicitária dos produtos da editora.

B) Ao entregar o trabalho encomendado, o fornecedor é inquirido a assinar um tipo de documento tradicionalmente conhecido nos meios forenses como “contrato leonino”, pelo qual se vê obrigado a CEDER, total e completamente, e de todas as formas imagináveis, todos os seus direitos de propriedade intelectual relativos a uma obra que foi originalmente encomendada para um único e específico fim.
O fornecedor que se recusa a assinar um contrato dessa natureza tem, com muita frequência, seu nome apagado da lista de colaboradores.

No caso dos livros, bem sabemos, o colaborador deve dar o seu aceite antes do trabalho ter início. Quando o colaborador não concorda com os termos propostos, contudo, a demanda de trabalho é transferida a outro profissional que o aceita, inúmeras vezes, mediante coação e desproporcionalidade de forças.

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil entende que o GRUPO ABRIL só poderá alegar que realmente pode “Respeitar a propriedade intelectual…”, tal qual anunciado, quando todo compromisso legal relativo à licença ou cessão de uso dos direitos autorais de seus fornecedores explicite a finalidade restritiva e específica de cada trabalho encomendado. E quando houver necessidade de uso alternativo, sob condições extraordinárias e não previstas pelo contrato original, que isso seja objeto de um novo acordo e negociação entre as partes.

Isso se aplica, em especial, nos casos de venda de conteúdo para terceiros por parte da Editora, como é oferecido nos expedientes das revistas, bem como nas compras de livros pelo governo.

Da mesma forma, o GRUPO ABRIL também só poderá se enaltecer por estar “reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros”, somente quando o diálogo nortear as negociações por valores e condições mais justas.

Quando esse dia chegar, o GRUPO ABRIL que, por ser referência no mercado editorial brasileiro, tem plena responsabilidade social terá se pautado por uma postura baseada no respeito e no compromisso ético, na transparência e no compromisso com a verdade, como diz na Apresentação de seu Código de Conduta.

Atenciosamente,

SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

www.sib.org.br

CNPJ: 06.005.723/0001-60

________________________________

A resposta, pífia, e espero que provisória, do Grupo Abril:

Prezados senhores,

Agradecemos a confiança dada  ao Comitê de Conduta do Grupo Abril. Iremos apurar as questões relatadas e após conclusão, entraremos em contato.

Atenciosamente,

CÓDIGO DE CONDUTA

Grupo Abril
Av. das Nações Unidas, 7221 – 22º. Andar
Pinheiros – CEP 05425-902 – São Paulo, SP
Fone/Fax 0800-7722745

O pesadelo dos concursos furados nunca acaba

Soube deste concurso ontem, a última coisa antes de dormir. Me fez mal.

Tive um pesadelo incessante, que estava escrevendo este post.

Espero acordar um dia e olhar para um mundo mais honesto, livre de parasitas e hospedeiros neste mercado minguado e agonizante que é a ilustração editorial no Brasil.

Espero ver ilustradores trabalhando e ganhando sua vida, sustentando família e prosperando, realizando seu trabalho, sua especialização, seu ofício.

Prosperando como o advogado e escritor premiadíssimo Rubem Fonseca, que deve ganhar uma porcentagem decente de cada um dos muitos livros que publicou.

Ao contrário dos ilustradores, ele desempenhou várias atividades profissionais, remuneradas, é claro, antes de se dedicar integralmente à literatura.

Na hora do aperto, ele sempre poderia recorrer a advocacia para fechar as contas do mês, mas nós não temos este privilégio.

Nós somos ilustradores em tempo integral. Vivemos disto. Desde o início da carreira pagamos nossas contas com este ofício.

Se houvessem mais que 24 horas no dia, estaríamos dedicando ainda mais tempo ao nosso aperfeiçoamento técnico e execução de nossos trabalhos. Nada de empregos paralelos, nada de bicos ou academicismos extra-curriculares. Apenas ilustração, hora após hora, dia após dia, por décadas.

A Editora Agir (Ediouro), fez uma grande contribuição para comprometer a sobrevivência dos ilustradores, cavando uma imensa cova rasa, onde os candidatos a futuros ex-ilustradores poderão se jogar, enviando suas imagens para se candidatar a trabalho mal remunerado como premiação.

Dispararam o concurso “A cara do Mandrake” contra os artistas.

O sr. Rubem Fonseca recentemente se interessou pelo mundo dos quadrinhos, mas não parece se importar muito com o ronco na barriga de quem realiza os desenhos da “nona arte”. Deve achar que desenhar quadrinhos é coisa de moleque, e pensando no mercado nacional, ele não estaria de todo enganado.

É um mercado árido, um terreno morto, onde se plantando nada dá. Pouquíssimos artistas adultos se sustentam no mercado de quadrinhos, e mesmo assim não sobreviveriam sem atividades paralelas (ilustração publicitária, design, animação, etc).

Muitos artistas bancam projetos do próprio bolso, a fundo perdido, mesmo sabendo que poderão perder dinheiro com isto.

Mas e editora ganha. Se não ganhasse, não investiria seus tostões nos sonhos dos seus parceiros, ninguém é bonzinho quando se trata de TRABALHO.

Mas tudo pode piorar.

Agora as editoras, que obviamente tem o lucro como única meta, descobriram o filão de ouro que é a VAIDADE que infecta e devora os cérebros dos jovens artistas, e perceberam que não precisam mais pagar profissionais especializados para obter seus intentos.

Se há quem faça de graça, porque gastar dinheiro com artistas que investiram suas vidas na carreira?

Morram de fome, danem-se todos. Basta fazer um concurso qualquer e chovem trabalhos às centenas, é só escolher um e pagar com qualquer porcaria que eles aceitam tudo, assinam tudo, e nunca reclamam, muito pelo contrário, se auto-flagelam com um grande sorriso estampado na cara.

Tem editora que paga cartunistas com um pinguim de geladeira, tem outras que pagam quadrinistas com encalhes autografados, e ainda outras pagam seus artistas com absolutamente nada, oferecendo a publicação como vitrine, saldando a dívida com meras promessas de fama.

E o pior é que esta balela cola! Nego trabalha em troca de quinquilharias ou “fama”.

Ilustração é trabalho! Tanto quanto é trabalho a obra do escritor, do revisor, do editor, dos técnicos, gráficos, distribuidores, vendedores, estoquistas, vendedores e estagiários.

Toda a indústria trabalha por dinheiro. Por que motivos os profissionais de ilustração deveriam ser tratados de forma diferente?

Porque são otários, iludidos e amadores. E agindo assim, jamais se tornarão profissionais.

Teriam muito melhor futuro vendendo pipoca. Aliás teriam muito o que aprender sobre custo/benefício, investimento/lucratividade, contabilidade, finanças, depreciação de equipamentos e principalmente valor por horas trabalhadas, exercendo a profissão de empresário do ramo de pipocas.

Até estagiário ganha em dinheiro, porque diabos um ilustrador deveria executar o CONTEÚDO ESSENCIAL da obra, 100% da autoria visual da publicação, sustentando TODA a cadeia produtiva nas próprias costas, sem ganhar um centavo por isto?

É uma concorrência especulativa sórdida, onde centenas de jovens iludidos e adultos fracassados dedicarão suas horas de trabalho, seu talento e esforço, fazendo o que os outros não conseguem nem sonhar em fazer, enquanto apenas um miserável ganhará um contrato como pagamento. Nem um centavo adiantado, nem um trofeuzinho, nem uma medalhinha de latão, nada. Em compensação, terá um prazo fixo para entregar as artes.

Trabalho especializado, uma habilidade para poucos, uma Arte que leva anos para se lapidar, que toma muitas horas para se executar.

Nada disto importa, a editora quer saber é do lucro, e não da sustentabilidade da profissão dos outros.

Como se o artista não tivesse contas para pagar.

Ela repassa 3% da venda, mas não investe um puto de um centavo na obra ou no esforço do artista.

E ficam com os originais de TODOS os inscritos, não devolverão nenhum.

Além dos originais, deterão os direitos de exibição de TODOS os inscritos, não apenas dos vencedores.

Se você tem dúvidas, ligue para o SAC da editora, mas cuidado, nem isto é gratuito, eles cobram pelo serviço. Não querem pagar seus colaboradores, mas cobram deles se houver alguma dúvida.

O mercado editorial, que paga cada vez menos aos seus colaboradores, fornecedores de conteúdo, descobriu que não precisa mais pagar nada para ter uma fila e idiotas babando por uma “oportunidade” de ver seu trabalho publicado.

O mercado de estamparia já explora este filão há tempos, pagando seus escravos voluntários com “visibilidade”, mas faturando gordas somas em moeda corrente com suas vendas.

É que eles não trabalham por amor, como os idiotas que vivem de brisa e ilusão.

A todos empresários muquiranas e sua horda de trabalhadores braçais gratuitos, a minha sincera homenagem:

(arte de Fernando Mosca e Leandro Substance, disponível sob licença Creative Commons, em diversos formatos gráficos no site Old Black Gallery)

A difícil tarefa de ensinar o funcionamento da roda

Todos temos bons e maus clientes.

Há clientes excelentes, que solicitam, orçam*, negociam, eventualmente solicitam alterações coerentes, aprovam, e pagam.

Na verdade só deveriam existir clientes assim, afinal este é o processo correto, e qualquer desvio desta sequência é uma anomalia.

Mas da mesma forma que a decolagem e pouso seguro de milhões de aeronaves por dia não são noticiadas, os cases de sucesso entre clientes e fornecedores também não são comentados.

Um dia vou convidar alguns colegas e juntos faremos um workshop só de cases de sucesso, mas neste post vou falar dos clientes encrenca. Manja aqueles que tentam colar um adesivo escrito “idiota” na sua testa?

Todo mundo já teve (ou terá) clientes malandros, com propostas absurdas, ridículas ou simplesmente impraticáveis.

E todo mundo já ficou (ou vai ficar) com cara de interrogação, questionando se topa ou se chuta estas propostas.

Alguns designers prestaram um grandioso serviço aos seus colegas, ao criarem videos instrucionais, didáticos, quase pediátricos, para ensinar os clientes como não fazer feio na frente de seus fornecedores.

Os videos não são novidade alguma, na verdade já estão na web há um bom tempo, mas achei interessante e necessário compilar todos em um mesmo post.

Tudo com bom humor, amigavelmente, espirituosamente, mas o recado está lá, e estou certo que muita gente vai se lembrar de fatos reais, de ambos os lados do balcão.

A relação cliente / fornecedor no mundo real

Microsoft designs de iPod Package

A criação de uma placa de PARE

Quem precisa de designers? Use o creme “aumente meu logo”

Mas para não ser apenas um resmungão chato e antipático, quero compartilhar o video de Phillipe Starck, onde ele dá uma nova visão sobre o ofício de design, indo muito além do mundo corporativo.

Clique em VIEW SUBTITLES, e escolha as legendas em português, poupando-se do esforço de entender o inglês carregado de sotaque francês de Philippe Starck, em sua genial apresentação no TED Talks.

Agradeço aos colegas Erick Pasqua, Victor Marcelo e Wilson Matsumoto pelo link direto em português.

(*) Orçar, entre os bons clientes, significa: “Quanto custa?”. No jargão dos maus clientes costuma ser: “Para este trabalho eu posso pagar X”.

Boralá desenhar no Museu do Ipiranga!

Chegamos a mais um Sketchcrawl, o 5º organizado formalmente no Brasil, desde que nos reunimos em janeiro deste ano.

Estivemos na Vila Madalena, Parque do Ibirapuera, Centro da cidade, Jardim Botânico, e agora será no Museu do Ipiranga.

No sábado da próxima semana, dia 21 de novembro, os sketchcrawlers do mundo inteiro comemoram o 5º ano do evento em sua 25ª edição mundial, e desta vez os desenhistas de São Paulo se encontrarão na frente do prédio principal do Museu do Ipiranga, como indicado na foto, a partir das 10:00hs.

O pessoal da DRC vai levar uma equipe de filmagem para registar o evento, e distribuirá 50 camisetas do Bistecão Ilustrado para a galera, gratuitamente. Aos que já tem suas camisetas do Bistecão, pedimos que venham com ela, porque é a nossa contribuição na parceria que temos com o DRC, que tem promovido ativamente a excelência no desenho e nas artes gráficas, não somente em aula, mas nos encontros de ilustradores também.

No encontro de janeiro provavelmente teremos a Renata Simões e a equipe do programa Urbano filmando o Sketchcrawl, para apresentar o encontro no Multishow.

ATENÇÃO: NÃO ESQUEÇA DE TRAZER UM QUILO DE ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS OU ARTIGOS DE HIGIENE. TODAS AS DOAÇÕES SERÃO ENCAMINHADAS PARA A CASA ASSISTENCIAL MARIA HELENA PAULINA, QUE DÁ AUXÍLIO A CRIANÇAS COM CÂNCER.

Na primeira edição brasileira foram 120 pessoas - recorde mundial deste evento.

Na segunda 154, novo recorde mundial.

Na terceira 32 bravos desenhistas enfrentaram chuva, vento e frio, mas compareceram em número expressivo, que eu pessoalmente acho que foi um novo recorde mundial em clima adverso.

Na quarta tivemos 16 participantes, foi muito divertido, quase um piquenique entre amigos.

Vamos ver desta vez, e no meu palpite pode dar mais um recorde mundial.

Não esqueça seu protetor solar, porque o caderninho e material nem precisa dizer, cada um leva o seu.

Lembrando que é um evento gratuito, criado para reunir amadores, novatos, estudantes e desenhófilos em geral, até mesmo os profissionais. Não é um concurso, não tem que desenhar bem, e nem precisa saber desenhar, basta gostar de desenho e pronto.

Boralá desenhar na rua e se divertir com os amigos!

Videos do Bistecão no DRC-TV

Além de serem grandes amigos e uma excelente escola de computação gráfica, o pessoal da DRC é o patrocinador e parceiro do Bistecão Ilustrado, viabilizando várias atividades, produtos e serviços, inclusive o sorteio mensal de um treinamento em cada Bistecão, as capas gravadas a laser dos Sketchbooks personalizados do Bistecão e as camisetas abistecadas.

No nosso encontro de outubro eles vieram com uma equipe profissional de filmagem (Paulo Aiello e Haroldo Sanches), o Loschiavo entrevistou vários colegas do Bistecão, inclusive este que vos escreve, e editaram dois videos com muita informação sobre ilustração, mercado, carreira e o encontro mensal de ilustradores em SP.

Se você ainda não conhece o Bistecão, esta é uma ótima oportunidade de saber o que está perdendo.

Se já conhece, vai reconhecer o clima de festa e de amizade fraterna que cerca de 80 pessoas criam mensalmente neste encontro.