Category Archives: Ilustração – © Montalvo

Boas vindas ao Feijão Ilustrado!

A franquia dos encontros ilustrados tem um novo ponto de encontro: o Rio de Janeiro.

Sob a batuta do Mestre Renato Alarcão, o Feijão Ilustrado vai reunir colegas de profissão e amigos das Artes no dia 9 de fevereiro as 21:00hs no Boteco Salvação, na Rua Henrique de Novaes 55, no Botafogo.

Esta é uma franquia idealista, sem contratos ou fins lucrativos, mas os benefícios nem podem ser contabilizados, porque a riqueza dos encontros é carregada nos corações e mentes de quem participa de cada um deles.

Tudo começou nas mãos do Kako, reunindo uns poucos amigos pra tomar cerveja e comer um bistecão no Sujinho, que era perto da casa dele, na época.

5 ou 6 amigos no primeiro encontro, que não tinha a menor pretensão de se tornar mensal, quanto mais com nome de batismo e casa lotada uns poucos anos depois.

Este número foi aumentando a cada nova convocação do Kako, que passou a ser mensal, e virou naturalmente o nosso Bistecão Ilustrado. A internet foi indispensável para que isto desse certo, porque só na base do telefone, a gente teria se visto umas poucas vezes, e micharia com a preguiça de chamar um a um por telefone.

Hoje temos o Baião Ilustrado em Fortaleza, o Trem Bão Ilustrado em Minas, O Tropeirão Ilustrado e o Rabiscão em Brasília, o Berbigão Ilustrado em Floripa, o Empadão Ilustrado em Goiânia, o Chimarrão Ilustrado no Sul, o Costelão Ilustrado em Curitiba, e se houve algum outro que eu tenha esquecido, por favor me avise que eu corrijo este post.

O amigo (e usina de geração de imagens) Hiro Kawahara escreveu um post delicioso sobre este assunto no seu imperdível blog Widoníd Another Hiro.

Eu vou ficar na vontade de ir na noite de inauguração do Feijão Ilustrado, mas estarei participando em espírito e tabuinha de bater bife, que fiz para ser sorteada entre os convivas.

Aqui em São Paulo o pessoal pirou nos encontros ilustrados, e a partir do conceito do Sketchcrawl já tivemos o SketchCopa, que acontecia na rua, durante os jogos do Brasil na Copa, diversos SketchSampa que são encontros menores em diversos pontos da cidade, e um encontro gastronômico ilustrado chamado Cheeseburgão Ilustrado, o nome é auto-explicativo.

Boralá desenhar na rua, encontrar os amigos, e manter pulsando nossa vida ilustrada fora do estúdio!

Ilustrador tarefeiro, ilustrador autoral, estilo e outras elocubrações

Um assunto recorrente entre os ilustradores e artistas de forma geral, é sobre o tal “estilo pessoal”.

Alguns norteiam suas carreiras através dele, outros não estão nem aí para isto, e trabalham em função da necessidade do cliente.

Eu sempre tive orgulho de pertencer ao segundo time, um “tarefeiro”, um resolvedor de problemas, quase um bombeiro.

O apelido tarefeiro carrega um certo sarcasmo e até mesmo desprezo quando dito pelos artistas de uma linha mais autoral, mas na minha visão pessoal isto é apenas uma picuinha, um bairrismo tolo, vazio e inútil como todos os preconceitos.

Mas devo admitir que estou tentado a pender a balança da minha ilustração tarefeira para uma levada mais autoral, não porque eu tenha me afetado com o termo, pretendo continuar atendendo ao mercado como sempre fiz, afinal as contas vem antes do orgulho na minha escala de valores.

Só acho que chegou a hora.

Nos últimos dias eu ando bastante introspectivo, e tenho passado muitas horas de volta no meu estúdio, reconquistando um território que ficou bastante abandonado neste ano, por conta do novo projeto de trabalho no Estúdio Notan.

2010 foi um ano onde meu tempo foi canalizado para o trabalho em 3D, pós produção, hiperrealismo e tratamento fotográfico no Estúdio Notan. Aprendi muito com meus colegas, verdadeiros engenheiros da ilustração, mestres no estilo que dominam tão bem. Acho que a troca foi muito intensa e produtiva para todos, mas para mim este ciclo se encerrou. Eu senti muita falta das tintas, do desenho em papel, das mãos sujas e do processo artístico que eu estava acostumado há muitos anos.

Eu senti me distanciar de algo que persegui por uma vida inteira, e que iria se perder se eu não mudasse de rumo. O perigo maior seria não chegar ao domínio total do 3D, e em alguns anos eu estaria longe dos dois objetivos.

Eu não aguentava mais ver meu estúdio com nostalgia, notar a poeira acumulando nas mesas e só faltei levar flores para alguma coisa que estava morrendo ali. Era sutil, mas perturbador, até que chegou o ponto onde eu tive que escolher onde e como eu passaria os próximos anos.

Seria confortável para mim e compreensível para qualquer um se eu passasse os próximos anos com o pessoal do Notan, trabalhando com uma equipe fantástica, faturando bem, na linha de frente da ilustração publicitária… mas eu não estaria sendo sincero comigo mesmo, e isto iria intoxicar primeiro a mim, depois aos colegas, e eu resolvi abrir o jogo.

Eu optei por uma decisão arriscada, trocando a segurança do Estúdio Notan pelo retorno ao trabalho no meu próprio estúdio, como quem sai de uma banda que está fazendo sucesso para apostar em uma carreira solo.

Não posso recomendar esta fórmula para todo mundo, seria uma irresponsabilidade, mas tenho acompanhado o trabalho de muitos ilustradores, e todos aqueles que tem uma identidade visual marcante, reconhecível, e criaram uma reputação com um trabalho autoral tiveram que tomar esta decisão em algum momento de suas carreiras.

Eu sempre optei por trabalhar conforme a necessidade dos clientes, seguindo as orientações de cada job para dar forma e conteúdo às imagens, e bem poucas vezes consegui colocar uma característica minha, pessoal nas ilustrações. Era uma filosofia de trabalho, honesta e funcional, mas é uma fórmula que eu quero ver mais flexível, quero me reconhecer em cada traço, nos temas e nas cores do que faço.

Talvez eu tenha que reinventar a minha própria roda, e sinto que não seria possível fazer isto antes, e talvez não seja viável fazer depois.

Esta é uma janela de oportunidade, talvez única, de colocar a minha assinatura visual nos trabalhos futuros, seja nas telas, nos papéis ou no monitor. Quero produzir muito, mas também quero que o resultado seja a soma de tudo que eu venho acumulando em técnica e experiência nestes 26 anos de ilustração.

Conversando com o Marcus “Japs” Penna no Twitter, eu comentei que o tal do “estilo”, entre muitas aspas, é o conjunto de escolhas, soluções, técnicas e interpretação pessoal que o artista encontra para canalizar suas ideias. Tudo se resume a fluidez e continuidade, como na música, onde o artista estuda os fundamentos durante anos, para chegar no ponto onde ele não se preocupa mais com a teoria, todo o pensamento dele é a música.

Claro que tem o lance da memória muscular, da execução física da coisa, mas isto é assunto para outro post.

Eu venho buscando esta fluidez e continuidade aos poucos, quase timidamente, entre um trabalho e outro, nos encontros de ilustradores, no Sketchcrawl, SketchJazz, etc, mas a dedicação em doses homeopáticas não dá resultado.

As coisas só acontecem para quem enfia o pé na porta e mergulha de cabeça nas suas obsessões.

Por isto eu quis compartilhar o insight com os amigos que visitam a Sketcheria.

Seguem abaixo algumas imagens recentes deste processo, de telas finalizadas e pinturas digitais a estudos de anatomia, abstrações lambuzadas de tinta, lápis, carvão e tudo mais que estiver à minha volta na hora da procura pelo traço pessoal.

Ele está aí no meio, e eu sinto como se estivesse em uma pescaria, sentindo o peixe fisgar.

Fique a vontade para deixar um comentário se quiser, seria interessante ter este retorno, porque eu saberia como as pessoas reagem, do que elas gostam mais (ou menos) e ter uma visão externa desta linha de trabalho.


Painel ilustrado da JNE, na Paulista

Eu ia deletar este post, mas tive alguns comentários interessantes, e resolvi apenas editar o conteúdo.

(Obrigado ao amigo Victor Tchaba, que me esclareceu sobre as mudanças de código no WordPress, e agora as imagens deste post podem ser vistas)

Estive na JNE informática no fim-de-semana passado, finalmente vi o painel pronto o que me trouxe duas alegrias: a sensação de missão cumprida, depois de tantas semanas de ralação, e o brilho nos olhos do meu filho, que ficou todo orgulhoso de ver o trabalho do papai estampado em 19 metros, em destaque na loja.

Foram 3 semanas intensas para finalizar esta arte com 30.000 pixels de largura, mas valeu a pena.

Para quem curte os detalhes, as imagens abaixo mostram a arte um pouco mais de perto, com as duas últimas em tamanho natural.


Diário de Bordo – Illustration Academy – 5 segundos, outra pose

Espero não cansar os visitantes do blog postando sempre sobre o mesmo tema neste mês, mas estou muito focado e vivendo um momento muito intenso aqui em Sarasota, e me resta muito pouco tempo ou assunto para postar sobre outras coisas.

Retornando os tópicos dos posts para casa em duas semanas os tópicos e os off-topics voltam ao normal, ok?

Ontem tivemos desenho de modelo vivo sob a batuta do maestro George Pratt, e conforme prometido, ele nos apresentou um formato totalmente novo sobre este tipo de exercício. Poses de 5 segundos por 15 minutos, depois 10 segundos, e finalmente longas poses de 20 segundos.

Longas porque depois de fritar os miolos com poses implacáveis de 5 segundos, o seu ritmo interior acha 20 segundos uma eternidade.

Antes de tudo ele nos explicou o conceito, e como ficou chocado e incomodado a primeira vez que viu estudantes medindo as proporções da modelo esticando o braço e usando o lápis como “régua”. Aquele processo tomava muito tempo, e nada de efetivo ou orgânico acontecia na execução da imagem.

Ele criou este método, que ajuda a ver o conjunto da cena, ou da modelo neste caso, e acelerar a comunicação entre olhos, cérebro e mãos, criando imagens intuitivas, gestuais e extremamente expressivas.

Tá bom, as minhas pareciam aliens derretendo como lesmas no sal, mas o desenho em si tem muito pouca importância neste processo, porque o foco não é criar imagens bonitas, mas entrar em um estado mental de percepção visual e reação motora, é quase um mantra corporal.

Duas horas intensas, onde torramos papel como se não houvesse amanhã.  Eu acabei com metade de um bloco zerinho, de 150 folhas, e muitas destas folhas foram desenhadas na frente e no verso, algumas com 2 ou três desenhos.

No final outros formatos de desbloqueio de coordenação como desenhar com as duas mãos ao mesmo tempo e posicionar o bloco contra o peito e desenhar em uma posição totalmente diferente, usando os colegas como modelos entre um descanso e outro da modelo também nos ajudou a criar novas sinapses.

O negócio aqui é intenso, e a palavra “academia” nos pareceu ainda mais adequada do que antes.

Retrato

Saindo do forno hoje, para um casal de amigos.

De um estudo saíram dois conceitos: o primeiro, que era a intenção original, de fazer uma ilustração digital, com jeitão de lápis de cor sobre aquarela, e o segundo foi pensando mais em uma alternativa com cara de sketchbook.

De papéis velhos a sketchbooks com personalidade

Há um tempo atrás fui chamado para fazer uma ilustração para outdoors e folhetos do São Paulo Boat Show.

Um job interessante, um novo desafio, muito entusiasmo, e MUITO trabalho, em um original feito em óleo sobre tela, grande, com 1,20 m de largura.

Duas semanas intensas entre os rascunhos e a imagem final, amplos espaços reservados para o logo do evento, textos, diagramação planejada para utilização horizontal e vertical, enfim, eu estava radiante, a agência tinha gostado, mas… o cliente não aprovou.

Mais duas semanas editando a imagem escaneada em 12 partes, num arquivo imenso de Photoshop, sem sucesso. Pagaram mas não usaram.

Faz parte da vida de um ilustrador, é frustrante, dói no ego, mas quem está na chuva é para se queimar, como dizia Vicente Matheus.

Este quadro ficava guardado, intencionalmente escondido no quarto dos fundos, virado para a parede, de castigo eterno. Eu gostava da imagem, mas ela me trazia uma sensação amarga de derrota.

Bittersweet, diriam os gringos.

No dia em que fiz o workshop Diário Gráfico com o Renato Alarcão, ele me deu um insight inacreditável: “utilizem todos aqueles papéis antigos, retalhos, posters, etc, para fazer seus sketchbooks”.

Naquela mesma semana eu pude ter o imenso prazer de recortar esta tela em 8 partes, e dar um novo significado para aquele trabalho.

Empolgado com este novo “suporte”, aproveitei e retalhei também um segundo quadro que havia feito há mais de 15 anos, copiando cada pincelada de uma ilustração para aprender a técnica de um artista que admiro, Jeffrey Terreson, mas sem ter coragem de apresentar como meu.

Agora eu tenho um pouco mais de autoria sobre o trabalho, e o que seria uma tela “chupada” se estivesse na parede, se tornou uma série de imagens abstratas no meu sketchbook, entre folhas de papel Kozo para xilogravuras, papel Guarro e Fabriano para aquarelas, papel Carmem preto, papel Vegetal 90g, etc.

O verso das telas, manchados com a tinta a óleo atravessando o tecido, envelhecidos e feios enquanto estavam emoldurados, se tornaram superfícies levemente entonadas de amarelo-ocre, perfeitas para novos estudos.

Curioso pensar que estes papéis em formatos inteiros, impecavelmente guardados na mapoteca estavam amarelando, se perdendo sem uso, e no contexto do sketchbook, quando mais envelhecido e manchado, melhor.

Manchas senis no papel dão personalidade, autenticidade e maturidade ao caderno.

Até mesmo um calendário que ganhei em uma das lendárias festas de fim-de-ano da Gráfica Burti, com obras do Arthur Bispo do Rosário, entrou na dança.

Eu nunca teria coragem de jogar fora aquelas imagens impressas em papel couchê da melhor qualidade, e sem os sketchbooks, este belíssimo calendário e meus papéis importados acabariam se tornando refeição de carunchos na minha mapoteca.

As duas telas deixaram seus passados sombrios para trás, e hoje vivem na minha estante, como óvulos de proveta, aguardando a inseminação do próximo desenho.

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Pré-produção – Cheetos/Perseguição

Os bastidores de uma animação demandam muitas imagens conceituais, estudos, projetos, etc.

Depois de tudo produzido e com o filme no ar, restam vários trabalhos não publicados, que são interessantes para quem gosta de ilustração, e que não teriam como ser vistos, a não ser em um making-of ou blog.

No filme Cheetos/Perseguição, produzido pela Dínamo Filmes, a minha parte foram os storyboards (mostrados neste post anterior), os concepts dos personagens e model sheets.

Os concepts de floresta e vegetação são de Luiz Rosso.

Foram apresentados mais de 20 estudos preliminares, alguns foram escolhidos para uma fase seguinte, e outros foram descartados.
Neste caso, mesmo em um ambiente de video-game, não seria adequado associar o produto a armas de fogo.
O quadro com 5 opções foi feito em parceria com Camilo Saraiva, e algumas imagens tiveram estórias curiosas.
Em uma reunião o diretor do filme, Ricardo Carelli, me disse: “O monstrinho correndo foi aprovado, mas a gente quer o pai dele no filme”.
O gorila-robô-felino foi uma boa opção até o final, e como não entrou no filme, eu usei o personagem para um projeto pessoal.
O passo seguinte era criar o concept do menino, sua personalidade e suas roupas. O estudo incluiu até pesquisa sobre os modelos de tênis, corte de cabelo, tipo de jeans, etc.
Este foi o modelo aprovado.
Foram apresentados alguns modelos de gorila, híbridos com robôs, na reta final de escolha dos monstros do filme. Estes aqui chegaram a avançar bastante nas reuniões, até com estudos de como seria o encaixe entre a parte mecânica e animal, e por isto um dos gorilas mostra as costas e os detalhes da coluna, integrando tudo.
Mas a animação de uma horda de monstros com pernas mecânicas, com movimentos complexos, em um prazo curto, inviabilizou o uso do gorila-caranguejo.
Este foi o modelo aprovado, e sua anatomia permitiu que ele andasse em duas ou quatro patas, o que contribuiu muito na dinâmica e variedade da composição final.
Uma das cenas lembraria rapidamente o clássico video-game “Pitfall”, e o monstro aprovado para pular do buraco e atacar os heróis do filme foi apelidado de “Jacaruga” durante a produção.
A modelagem foi feita pela equipe de 3D da Dínamo Filmes, mas o Ork precisava de acessórios para reforçar o visual de video-game, que fiz no Photoshop, sobre a imagem do modelo feito no Maya.
Os model-sheets são a parte técnica da criação dos personagens, e exigem muito cuidado e precisão nas projeções ortogonais.
É como se fossem criadas plantas baixas de arquitetura para cada modelo, de frente, lado e costas (às vezes uma vista adicional por cima também é necessária), para que os modeladores tenham a base para criar o boneco em 3D.
O estudo de anatomia humana ajudou muito na criação do Ork. Toda a estrutura física dele é uma distorção da musculatura humana, e eu me lembrei do nome de cada músculo ao desenhar este personagem.
Eu acho que não dá para distorcer ou “desconstruir” o que a gente não conhece.
São várias semanas de trabalho, com uma equipe altamente especializada, para realizar um filme de 30 segundos.
Uma cena de um ou dois segundos pode ter exigido vários dias e noites, de dúzias de pessoas, para ser realizada.
Cada profissional é parte indispensável do processo, um elo da corrente, começando das primeiras reuniões para estudo do briefing, passando pela decupagem do roteiro em quadros de storyboard, pré-produção, produção, e terminando na pós-produção, com edição de imagens, sincronização, correção de cores, enfim, são dezenas de etapas até que o filme esteja no ar.
Encurtando uma longa estória, é intenso, desgastante, mas absolutamente fascinante.

Canetas de pescar sonhos

Por uma série de acasos, encontros e desencontros, moro hoje no mesmo bairro onde passei alguns bons anos da minha infância.

Meu filho estuda a poucos metros da lanchonete que foi dos meus pais, quando eu tinha 9 anos de idade, e o desenho abaixo, com ele brincando na areia, foi feito na pracinha onde eu andava de bicicleta com meus amigos.

Hoje mais um destes acasos me transportou no tempo, depois de almoçar com a família.

Ainda na mesa do BurDog da Av. Sto Amaro, estava terminando de desenhar os nomes das ruas do bairro no sketchbook, e cada uma me trazia lembranças dos amigos, das brincadeiras, enfim, estava revirando o álbum das memórias, você sabe como é.

Aí eu olhei pela vidraça, no outro lado da avenida, e uma cena absolutamente comum me trouxe os sons, os cheiros e as imagens tatuadas na minha mente aos 9 anos de idade, como uma máquina do tempo.

Uma revoada de pássaros no final da tarde, centenas de piados simultâneos formando um som contínuo como um mantra, exatamente como acontecia na frente da lanchonete do meu pai, onde do outro lado da rua haviam 3 árvores imensas, e que hoje só existem na minha memória. Foram arrancadas daquela calçada há poucos anos.

Um banana split para 3 desviava minha atenção, que estava mais para os pássaros no Brooklin dos anos 70, no quintal daquela lanchonete da minha infância, e que hoje é uma alfaiataria.

Abandonei minha parte da sobremesa, e com o sketchbook e canetas de pescar sonhos, mergulhei de cabeça na minha viagem ao passado, sabendo que uma câmera não seria capaz de capturar aquela sensação, seria muito literal, fria, sem o clima de sonho que eu estava vivendo.

Esta tarde me rendeu um peixão. Pode não ser grande coisa como desenho, mas eu vejo nele vários layers emocionais acumulados em algumas décadas.

E não é estória de pescador, é tudo verdade.

Storyboards fora da gaveta

Este parece ser um lugar interessante para postar os trabalhos não publicados.

O storyboard é o princípio da maioria dos comerciais de TV, parte importante da pré-produção, mas logo que termina esta fase e começa efetivamente a produção do filme, estas imagens perdem a sua função e vão para a gaveta, ou melhor, para o HD de backup, que também vive na gaveta, enfim.

Estes quadros tem uma vida útil muito curta, mas nada impede que eles voltem a ver a luz do dia no blog de um ilustrador, e sejam vistos por um público que raramente teria acesso a estas imagens de outra forma.

Estes quadros foram feitos para um comercial de Cheetos, para a Dínamo Filmes, no ano passado.

Depois de aprovados, fiz os concepts dos monstros, do menino, e os model sheets, mas isto é assunto para um próximo post.


Logos GPM

A nova identidade visual aqui do estúdio apresenta o mesmo logo GPM em diversos estilos. Os cartões de visita e adesivos de envelope também são diferenciados, mas o papel timbrado para orçamentos e contratos é um modelo fixo.

Uma das versões do logo será em 3D, e esta sequência será animada na demo reel, o novo portfolio que está na reta final.