Category Archives: Animação

A Record of Life

Seguir as pessoas certas no Twitter é praticamente uma garantia de boa companhia, insights interessantes, e links que podem dar aquela iluminada no seu dia.

Uma twittada do Renato Alarcão me levou a esta pequena animação, criada por Owen Gatley e Luke Jinks, sobre o tema da evolução e diversidade da vida no planeta Terra.

Como foi descrito no blog Drawn!: “Art and science have never looked better together”.

Como eu admiro a simplicidade…

Mas eu sei que ainda estou muito distante dela.

Quem sabe na próxima vida eu consiga fazer algo tão simples e belo como este video que a Mônica me enviou um dia, lembrando do nosso finado gato Frank Zappa.

Saudades do nosso gato, que era quase gente.

Papo Cabeça

No dia 16 de março assisti a duas palestras no Espaço Gafanhoto, no primeiro BrainSessions, um novo formato de interatividade do BraincastTV, criado pelo Carlos Merigo e o pessoal do Brainstorm#9.

Rosana Hermann (jornalista, apresentadora e Mestre em Física Nuclear) e Michel Lent (CEO da 10′Minutos e Mestre em Telecomunicações Interativas) falaram sobre processos criativos, métodos diferenciados de pesquisa online, internet (passado, presente e futuro), onde o marketing pessoal cruza com o marketing corporativo, redes sociais, etimologia de palavras gregas, enfim, diversos assuntos, cada um mais interessante que o outro.

As apresentações foram filmadas, e quando estiverem online eu atualizo nesta linha do post, e no Twitter.

As ferramentas online são as mesmas que todo mundo usa, a diferença está na escolha e no uso destes mecanismos. O piano é sempre o mesmo, 88 teclas, 3 pedais, 1 banquinho. A escolha de como e quais teclas irá apertar é o que faz um músico ser diferente do outro, e o mesmo se aplica às tecnologias da web.

O Twitter, por exemplo, varia desde “acordei, vou escovar os dentes” e “vou dormir”, aos insights mais legais, dicas para shows e exposições, updates culturais de toda espécie, links interessantes, ou o bom e velho besteirol, humanizando e aproximando as pessoas.

A sua escolha ao clicar em “follow” pode fazer da sua experiência no Twitter um porre ou um grande barato.

Aliás, através do Twitter acessei o Pto de Contato, e dois dias depois estava lá, conhecendo o local e as pessoas que trabalham lá.

Uma estrutura de agência com a individualidade de um home-office, o melhor dos dois mundos.

É o Coworking, um novo conceito em home-office, tirando os profissionais do ambiente doméstico para um local descolado, ao mesmo tempo individual e coletivo. Juro que deu vontade de fazer as malas e trabalhar na Vila Madalena.

Grandes chances de você me encontrar lá em breve.

Olhando para trás, em um ano minha vida online mudou um bocado e parece que estou na subida da montanha-russa. Sei que muita coisa vai acontecer, mas é preciso estar equipado e preparado para curtir tudo que a viagem pode proporcionar.

Longe de estar no primeiro vagão do trem bala, também não quero perder o último bonde e pagar o preço de me tornar obsoleto, coberto de teias de aranha, ou pior: ficar com cara de interrogação em qualquer encontro de amigos.

© Mark English 1998

Não tenho a preocupação de seguir tendências, não se trata de um modismo, é uma questão de sobrevivência.

A adequação ao “idioma local” é uma necessidade social, e por consequência uma necessidade comercial.

Ninguém quer papo (reunião, job, cerveja, etc) com uma pessoa que não entende sua língua.

Addons indispensáveis do Firefox

Há muito tempo me dei alta do hospício do Orkut e me desliguei de quase todas listas do Yahoo. Não que os veículos tenham se tornado obsoletos, mas o mau uso deles deteriorou a ferramenta.

E como as coisas mudam, comprei um iMac, fiz um blog, não consigo mais viver sem alguns addons do Firefox, PageFlakes, Twitter ou Vimeo, e tenho mais PodCasts e VideoCasts do que música e filmes no iPod.

O Flickr criado para armazenar as fotos e desenhos do Sketchcrawl Brasil, teve 8.000 visitas em 2 meses.

Descobri outro dia o que são e como funcionam as #hashtags que aparecem antes de alguns assuntos no Twitter, e que Gravatar não é o ato ou efeito de usar gravata, é o diminutivo de Globally Recognized Avatars, que serve para colocar sua foto em todos os seus comentários escritos nos blogs, nada mais.

Ontem a Fernanda Guedes me convidou a entrar no Facebook, mas ainda não tenho a menor idéia do que isto significa.

Todo dia surgem novos gadgets, novos addons, novas mídias. Conhecer, identificar e escolher quais devem entrar no seu dia-a-dia é trabalhoso, mas extremamente importante.

Se você, caro leitor antenado, quiser deixar suas dicas tecnológicas nos comentários, sinta-se em casa e acelere o nosso aprendizado.

Afinal estamos todos subindo a montanha-russa, e o melhor está por vir.

Cadernos Moleskine e Itaú Personnalité

Poucas coisas podem ser mais representativas da individualidade de uma pessoa do que um caderno de anotações.

Dos impecáveis papéis brancos, aos reciclados de cor parda, passando pelas aventuras experimentais dos cadernos feitos à mão - conteúdo à parte - uma marca de cadernos se destaca de todas as outras: Moleskine.

Um mito, um sonho de consumo, o Macintosh dos sketchbooks.

Talvez a marca tenha herdado a fama adquirida por usuários de renome mundial, como Ernest Hemingway, Henri Matisse, Vincent Van Gogh, André Breton e Picasso, entre outros.

Bruce Chatwin, um escritor-viajante, numerava as páginas de cada caderno novo, escrevia seu nome e pelo menos dois endereços, e uma promessa de recompensa no caso de perda do seu Moleskine. “Perder meu passaporte era a menor das minhas preocupações, perder um caderno de anotações seria uma catástrofe”, dizia ele.

Mas a bi-centenária empresa italiana Moleskine SLR, fabricante original dos famosos cadernos, nem sempre esteve bem das pernas. Com a morte do proprietário em 1985, a produção foi descontinuada e chegou a se esgotar no ano seguinte. A marca foi registrada somente 10 anos depois, pela atual produtora dos cadernos, a editora Modo & Modo, que chegou a ter dificuldades em suprir a demanda, até que foi comprada em 2006 pelo fundo de investimentos Societé Générale, por 60 milhões de Euros.

Confesso que quase caí do sofá quando vi a campanha do Itaú Personnalité, toda centrada nos cadernos Moleskine, mostrando página após página, desenhos simples e magníficos.

Utilizando ao máximo o conceito do sketchbook, sua característica de individualidade, exclusividade e personalidade, e aliando tudo isto à centenária reputação dos cadernos Moleskine, a DPZ formatou a imagem exata que o Itaú Personnalité queria passar a seus clientes.

“É impossível imitar você. Mas é possível acreditar nos seus projetos, e fazer parte dos seus planos.”

O comercial abre com este texto genial, valorizando a individualidade do cliente, se aproximando de seus ideais.

O conceito do caderninho Moleskine, repleto de desenhos, é a espinha dorsal da campanha, valorizando o que cada um tem de mais precioso, seus projetos, seus planos, a vida compactada em um sketchbook.

O programa Avesso apresentou um programa sobre a campanha Itaú Personnalité, criada pela DPZ, e produzida pela AD Studio.

E um making of dos dois filmes.

Antes destes, vários outros filmes do Itaú Personnalité já usaram animação, rotoscopia, desenho, ou stop motion, como este, feito em recortes de papel, animados pelo Birdo Studio.

A primeira vez que vi este filme foi impressionante. A segunda também. Só hoje, editando o blog, já devo ter visto mais umas 8 vezes, e continua impressionante.

Agência: DPZ - Produtora: Lobo - Direção de cena: Mateus de Paula Santos e Carlos Bela - Direção de arte: Lobo - Animação de personagem: Paulo Muppet e Luciana Eguti.

Pensando bem, o escritor Bruce Chatwin tinha toda a razão. É preciso colocar nome, endereço e uma proposta de recompensa em cada sketchbook.

E uma curiosidade: a tradução literal de “mole skin”, de onde deriva o nome da marca, seria “pele de toupeira”, mas fique tranquilo, os cadernos tem capas sintéticas, e nenhum animal foi ferido durante os 200 anos de produção.

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Vírus? Eu?

O video “Humans”, criado pelo estúdio Three Legged Legs é autoexplicativo.

É triste, vergonhoso, e real: somos vírus.

Pré-produção - Cheetos/Perseguição

Os bastidores de uma animação demandam muitas imagens conceituais, estudos, projetos, etc.

Depois de tudo produzido e com o filme no ar, restam vários trabalhos não publicados, que são interessantes para quem gosta de ilustração, e que não teriam como ser vistos, a não ser em um making-of ou blog.

No filme Cheetos/Perseguição, produzido pela Dínamo Filmes, a minha parte foram os storyboards (mostrados neste post anterior), os concepts dos personagens e model sheets.

Os concepts de floresta e vegetação são de Luiz Rosso.

Foram apresentados mais de 20 estudos preliminares, alguns foram escolhidos para uma fase seguinte, e outros foram descartados.
Neste caso, mesmo em um ambiente de video-game, não seria adequado associar o produto a armas de fogo.
O quadro com 5 opções foi feito em parceria com Camilo Saraiva, e algumas imagens tiveram estórias curiosas.
Em uma reunião o diretor do filme, Ricardo Carelli, me disse: “O monstrinho correndo foi aprovado, mas a gente quer o pai dele no filme”.
O gorila-robô-felino foi uma boa opção até o final, e como não entrou no filme, eu usei o personagem para um projeto pessoal.
O passo seguinte era criar o concept do menino, sua personalidade e suas roupas. O estudo incluiu até pesquisa sobre os modelos de tênis, corte de cabelo, tipo de jeans, etc.
Este foi o modelo aprovado.
Foram apresentados alguns modelos de gorila, híbridos com robôs, na reta final de escolha dos monstros do filme. Estes aqui chegaram a avançar bastante nas reuniões, até com estudos de como seria o encaixe entre a parte mecânica e animal, e por isto um dos gorilas mostra as costas e os detalhes da coluna, integrando tudo.
Mas a animação de uma horda de monstros com pernas mecânicas, com movimentos complexos, em um prazo curto, inviabilizou o uso do gorila-caranguejo.
Este foi o modelo aprovado, e sua anatomia permitiu que ele andasse em duas ou quatro patas, o que contribuiu muito na dinâmica e variedade da composição final.
Uma das cenas lembraria rapidamente o clássico video-game “Pitfall”, e o monstro aprovado para pular do buraco e atacar os heróis do filme foi apelidado de “Jacaruga” durante a produção.
A modelagem foi feita pela equipe de 3D da Dínamo Filmes, mas o Ork precisava de acessórios para reforçar o visual de video-game, que fiz no Photoshop, sobre a imagem do modelo feito no Maya.
Os model-sheets são a parte técnica da criação dos personagens, e exigem muito cuidado e precisão nas projeções ortogonais.
É como se fossem criadas plantas baixas de arquitetura para cada modelo, de frente, lado e costas (às vezes uma vista adicional por cima também é necessária), para que os modeladores tenham a base para criar o boneco em 3D.
O estudo de anatomia humana ajudou muito na criação do Ork. Toda a estrutura física dele é uma distorção da musculatura humana, e eu me lembrei do nome de cada músculo ao desenhar este personagem.
Eu acho que não dá para distorcer ou “desconstruir” o que a gente não conhece.
São várias semanas de trabalho, com uma equipe altamente especializada, para realizar um filme de 30 segundos.
Uma cena de um ou dois segundos pode ter exigido vários dias e noites, de dúzias de pessoas, para ser realizada.
Cada profissional é parte indispensável do processo, um elo da corrente, começando das primeiras reuniões para estudo do briefing, passando pela decupagem do roteiro em quadros de storyboard, pré-produção, produção, e terminando na pós-produção, com edição de imagens, sincronização, correção de cores, enfim, são dezenas de etapas até que o filme esteja no ar.
Encurtando uma longa estória, é intenso, desgastante, mas absolutamente fascinante.

Storyboards fora da gaveta

Este parece ser um lugar interessante para postar os trabalhos não publicados.

O storyboard é o princípio da maioria dos comerciais de TV, parte importante da pré-produção, mas logo que termina esta fase e começa efetivamente a produção do filme, estas imagens perdem a sua função e vão para a gaveta, ou melhor, para o HD de backup, que também vive na gaveta, enfim.

Estes quadros tem uma vida útil muito curta, mas nada impede que eles voltem a ver a luz do dia no blog de um ilustrador, e sejam vistos por um público que raramente teria acesso a estas imagens de outra forma.

Estes quadros foram feitos para um comercial de Cheetos, para a Dínamo Filmes, no ano passado.

Depois de aprovados, fiz os concepts dos monstros, do menino, e os model sheets, mas isto é assunto para um próximo post.


Reinventando a roda

O pioneirismo às vezes está na soma de elementos já existentes, e não necessáriamente na invenção de uma nova técnica.

O filme Madame Tutli-Putli , feito no National Film Board do Canadá, explora uma combinação entre stop-motion e live-action, editados de forma que cada cena dos bonecos, animados quadro a quadro, seja sobreposta com olhos humanos filmados da forma tradicional, trazendo um resultado realmente impressionante na expressividade dos personagens.


Big Buck Bunny

Este curta de animação foi criado pela Blender Foundation, usando o Blender, software 3D gratuito, que até bem pouco tempo era considerado o patinho feio da computação gráfica.

O projeto procura estabelecer um marco na história do programa, ao mostrar um trabalho de qualidade “high-end”, contrariando a fama de “3D para leigos”, que acabou colando no Blender ao longo dos anos.

Com citações escancaradas de filmes da Disney/Pixar, o Big Buck Bunny parece não ter o compromisso de ser um filme inédito, mas provar com resultados que tem recursos capazes de simular os seus maiores concorrentes.

No geral é um filme bastante interessante, tanto no visual como no roteiro, e define muito claramente a que veio: concorrer com os grandes.

Vale a pena assistir ao curta (em tela cheia) e dar uma passada no site Big Buck Bunny para conhecer a equipe e o making of.

Abertura

Estes são 17 segundos da abertura da demo reel, o portfolio remodelado, saindo do forno nos próximos dias. A versão mais recente está chegando aos dois minutos, e a edição final do filme terá 3 minutos.