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O melhor carnaval de todos

Que carnaval espetacular, provavelmente o melhor da minha vida.

Eu não sei qual Escola de Samba ganhou nem qual foi rebaixada, não vi peitos siliconados, bundas cavalares, e não ouvi sequer um mísero tamborim fazendo tumsquidumsquidum.

Só por isto já teria sido um bom carnaval, mas o que fez dele um feriado inesquecível foi a visita de Alberto Ruiz-Diaz e sua adorável esposa Soraya, a São Paulo, a convite da Revista Ilustrar.

Ricardo Antunes e Luiz Rosso foram recebê-los no aeroporto na quinta à noite, e esticaram até as 4 da matina na Galeria dos Pães, na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, em uma curiosa coincidência, quase um trocadilho, para um casal recém chegado de Nova Iorque.

No dia seguinte almoçamos com eles em um grupo de quase 50 ilustradores, no Sujinho do outro lado da Consolação, que aliás me pareceu uma ótima opção para os futuros Bistecões Ilustrados.

Os únicos peitos e bundas deste Carnaval ficaram por conta das artes inacreditavelmente belas do nosso convidado, que é um verdadeiro Mestre no desenho de mulheres, tão voluptuosas quanto graciosas, quase inocentes. Há uma pureza nas suas figuras, uma solidez escultural nas suas linhas e uma beleza tão avassaladora nas suas mulheres que não há como não se fascinar ao folhear seu sketchbook e seus livros, que ele presenteou generosamente a alguns que mostraram seus sketchbooks para ele neste almoço.

Os dias que se seguiram foram muito intensos, e não demos chance para o casal Ruiz-Diaz se entediar. Fizemos com eles uma pequena turnê gastronômica pela cidade, porque era praticamente tudo que se podia fazer em uma terra onde tudo fecha, graças ao Reinado de Momo.

Quem não curte a batucada fica passeando na rua, de restaurante em restaurante.

Fomos no Velhão, na Serra da Cantareira, que está aos poucos se tornando um outro ponto de encontro de ilustradores, é a terceira ou quarta vez que reunimos os amigos neste local bucólico e cenográfico.

No caminho de volta fizemos um pit-stop na casa do Rosso, para admirar os originais de seu legendário avô, Nico Rosso. Coisa fina, artes antigas conservadas com cuidados de bibliotecário.

No dia seguinte Luiz Rosso deu um workshop de “Mercadologia Municipal”, passeando com os convidados entre bancas de frutas exóticas e queijos de diversas nacionalidades, entre vitrais que poderiam ornar uma catedral. O Mercado Municipal foi uma excelente escolha, pena que eu não estava presente nesta manhã.

Visitamos o Beco do Batman na Vila Madalena, tomamos um choppinho no Pirajá, andamos de Metrô até o centro, onde visitamos a Igreja de São Bento, Viaduto do Chá, etc, em um ambiente insólito, quase desértico, porque a região estava praticamente vazia, nenhum de nós tinha visto o lugar sem trânsito ou multidões.

Estivemos em duas livrarias que por sorte estavam abertas, a FreeBook e a HQMix, e para a alegria geral dos admiradores dos livros publicados pelo Alberto no site BrandStudio Press, vai revender os exemplares no Brasil, tanto os de autoria própria como de artistas como Shane Glines, Ronnie del Carmen, Cameron Stewart, Francisco Herrera, Jason Seiler entre muitos outros. Ligue para o Gual e reserve o seu!

Tive a honra de recebê-los no meu estúdio duas vezes, conversamos por horas e horas, comemos queijo coalho que a Mônica assou na hora, e completamos o nosso passeio no restaurante/galeria Feira Moderna, um lugar que merece ser visitado muitas vezes, pela beleza de seu acervo de Arte Popular Brasileira e pelo cardápio simples e quase maternal.

Tivemos nossa noite de bacana no Terraço Itália, com direito a trapalhadas de quem não frequenta lugares refinados. Estávamos de bermuda, e tivemos que fazer um plano B para subir para o bar decentemente trajados. Causos para contar, sempre tem que ter um pra posteridade.

Na noite seguinte encerramos o turismo gastronômico na pizzaria Quintal, que por si só teria sido um delicioso programa, com seu visual aconchegante e suas pizzas que fariam um italiano chorar de inveja.

Na quinta à tarde acompanhamos nossos convidados ao Aeroporto Internacional, com a certeza que eles adoraram o passeio, e que uma grande e sólida amizade se formou.

Para quem quiser ver (ou postar) as fotos destes dias inesquecíveis, visite o FlickrGroups criado para ser o nosso álbum.

Na despedida o colega Luiz Rosso expressou seus sentimentos em italiano, fechando com chave de ouro o passeio, tanto dos nossos novos amigos, como o nosso próprio carnaval, o melhor que já tivemos.

Mi porti nel loro cuori, perché sarete, sempre, nel mio.
Grazie tante”.

Vai dar saudade, e espero poder receber a família Ruiz-Diaz muitas e muitas vezes.

Eles se sentiram em casa, porque agora eles são de casa.

Dia 1º é dia de Ilustrar!

Fui convidado para participar da edição nº 13 da Revista Ilustrar, com meus sketchbooks, e estou mais do que bem acompanhado, olha só o time de feras: Tiago Hoisel, Bart Forbes, Spacca, Lula Palomanes, Brad Holland e Renato Alarcão.

Tiago Hoisel, um verdadeiro virtuoso da nova geração de ilustradores está na capa desta edição, e mostrou a que veio logo de cara, o cara é um fenômeno. Cada imagem melhor que a outra.

Bart Forbes. Meu herói há muitos e muitos anos, um artista genial que eu tive a honra de conhecer pessoalmente em 1998, na Illustration Academy. Uma pessoa adorável, com um talento imenso. Impossível não gostar deste simpático senhor, tanto quanto é impossível não gostar do Benício.

Que responsa ter meus desenhos logo após Mr. Forbes, e que orgulho.

O Spacca dispensa apresentações, é uma lenda-viva da ilustração brasileira, mostrando o making-of de Jubiabá, seu trabalho mais recente. Impressionante.

Lula Palomanes é a personalização da vanguarda, um artista gráfico genial, tanto na técnica como nos conceitos.

Fiz a tradução do texto do Brad Holland, e me deliciei com cada linha. Ele é um gênio, e tem tanto domínio nas palavras como tem nas tintas. Neste texto ele conta a trajetória da ilustração e de suas mudanças ao longo dos tempos, desde os anos dourados de Rockwell até os tempos atuais.

E o Renato Alarcão injeta adrenalina em seus colegas de profissão com um tema que interessa a todos: Projetos pessoais. E vem acompanhado de um time de feras, são mais 9 artistas consagrados contando suas experiências e incentivando a todos a desengavetar seus projetos e trazê-los ao mundo real.

Que legal ter uma revista deste nível, em português, realizada por um brasileiro.

Ricardo Antunes, como você consegue, homem?

Não tenho ideia, mas em primeiro lugar: parabéns pelo controle de qualidade, e por fazer a revista, na unha e na raça. Segundo: obrigado por me convidar, estou honrado por fazer parte deste time de feras que você conseguiu agregar, desde o primeiro exemplar.

Baixe gratuitamente este e todos os outros exemplares em www.revistailustrar.com

Revista Ilustrar nº 12

Pontualmente, gratuitamente, Ricardo Antunes lançou no dia 1º de Setembro a Revista Ilustrar nº 12.

Nesta edição: Kleber Sales, Scott Campbell, Hector Gomez, Henfil, Gustavo Duarte, Jal/HQMix, Brad Holland e Renato Alarcão.

A revista está lindona, os ilustradores mandaram super bem nas imagens, mas não deixe de ler os textos, que são excelentes.

Baixe seu exemplar em PDF no link http://www.revistailustrar.com/.

Vou pegar uns cacos da minha cabeça lá na Flórida

Há algumas semanas postei aqui sobre um assunto que explodiu a minha cabeça, depois que o colega Joel Lobo me mandou um Twitter com os videos da Illustration Academy.

Alguns cacos foram parar lá na Flórida, onde acontece o evento que reúne alguns dos mais renomados ilustradores americanos, durante sete semanas de treinamento intensivo, cerca de 10 horas por dia, de segunda à sexta, e os alunos usam a estrutura dos estúdios da Ringling School of Art and Design à noite e nos fins-de-semana para completar os trabalhos propostos durante o treinamento.

Estes dois videos mostram um pouco das atividades nestas últimas semanas, que tiveram Anita Kunz e Jon Foster, além dos ilustradores permanentes (Mark english, John English, Brent Watkinson e Sterling Hundley), e dá pra sentir um gostinho do que é este evento, e sonhar em realizar um destes aqui no Brasil, quem sabe com alguns dos instrutores de lá, já pensou?

Eu estava planejando ir no ano que vem, mas há muitas coisas novas acontecendo, principalmente com a Revista Ilustrar, portanto mudaram os planos e eu estou indo para Sarasota neste sábado para costurar este intercâmbio, propor interações entre todas as atividades daqui (Revista Ilustrar, Bistecão, Sketchcrawl, workshops, Galeria Magenta, etc) e a Illustration Academy.

O Ricardo Antunes e o Rogério Vilela também vão passar alguns dias no evento, e nos reuniremos com John English para traçar alguns caminhos para o futuro.

Tivemos várias reuniões com ilustradores aqui em São Paulo nestas últimas semanas, temos planos extremamente interessantes, e o que há de em comum entre todos eles é que são concretos, realizáveis e de início imediato.

Valeu a pena a correria para encarar esta viagem e adiantar estas conversas em um ano. Acredito que todos temos a ganhar com isto, em todas as pontas das negociações.

Vou fazer como o Hiro, e postar um diário… bem, talvez um semanário, das atividades da academia durante o próximo mês.

Também vou escrever algumas coisas em tempo real pelo Twitter, quem se interessar pode me achar neste link.

Estou certo que daqui há um ano seremos um grupo de ilustradores indo pra lá. Provavelmente um grupo ainda maior no ano seguinte, e no outro… bem, melhor deixar acontecer este primeiro, depois eu vou contando as novidades.

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance - e além dele - para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Alguém me ajuda a recolher os caquinhos da minha cabeça?

Eu não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje não tive como evitar.

Em menos de 140 caracteres, via Twitter, uma mensagem do amigo Joel Lobo, literalmente explodiu meus miolos: links para os videos da Illustration Academy.

Eu tenho postado alguns causos deste treinamento que fiz em Kansas/Liberty-MO, mas nada como ver e ouvir estes artistas legendários em ação.

Pela relação de amizade, admiração e respeito que se formou nos dois anos seguidos em que frequentei a Illustration Academy, o video me trouxe uma avalanche de lembranças, saudades e muitas sensações, do lugar e das pessoas mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer.

Brent Watkinson, o apresentador da luz vermelha, é um amigo muito querido e um ilustrador fenomenal. É realmente uma pena estar tão distante, sinto muita falta da sua genialidade e generosidade, e das infinitas horas de papos, sempre muito agradáveis e enriquecedores.

Deu vontade de atravessar a tela do computador e abraçar cada um deles, e agradecer novamente por tudo que eles me proporcionaram. Eu devo muito do que sou hoje, como ilustrador, à estes Mestres.

Chega de papo, vejam os videos, e saberão do que estou falando. Mas usem capacete, a não ser que não se importem em espalhar seus miolos pela casa inteira.

Gostou? Eu pirei.

Quer mais? Eu fui atrás das novidades anunciadas nos videos, e encontrei um site remodelado, com um super mega blog, podcasts, videos (em Visual Literacy), galeria e muito mais.

Visite o site da Illustration Academy e exploda o que restou de sua cabeça.

Se for doido mesmo, pirado, maluco irrecuperável, junte uma grana e se manda para lá.

É o melhor investimento que você pode fazer pela sua carreira, e vale cada centavo, pelo resto da vida.

Gary Taxali manda um recado para seus clientes ruins

De tempos em tempos acontecem certas mudanças de paradigma, umas para o bem, outras para o mal.

A revolução industrial, a queda da bolsa em 1929, o milagre econômico brasileiro, enfim, altos e baixos.

Eu devo ter entrado no crepúsculo do mercado de ilustração, ainda me lembro de diretores de arte me recomendando entrar no Clube dos Ilustradores, mas ele terminou antes que eu pudesse me associar.

Quando eu fiz meu primeiro trabalho editorial, este mercado ainda pagava bem, e em 1999 recebia de R$ 1.200,00 a R$ 2.200,00 por uma página dupla para a Superinteressante. A Playboy pagava R$ 1.000,00 por uma dupla, que sempre vinha com uma porção de vinhetas, que acabavam dobrando este valor no final.

Tudo parecia ir muito bem, até que o Bin Laden mandou derrubar o WTC, o Pentágono e a Casa Branca (esta última não deu certo).

Uma terrível mudança de paradigma. O mundo ficou pior a partir deste dia. Acabou a ingenuidade, e virou noite sem lua no mercado editorial. Todos se tornaram reféns e algozes de todo mundo, e esta peste se espalhou pelo mundo corporativo como chamas em um palheiro.

Teve cliente que só faltou chorar nos meus ombros, dizendo que a editora demitiu 3 mil funcionários, que não sabia se iriam fechar, enfim, tragédia total.

No mercado editorial os preços caíram… caíram… e caíram mais um pouco.

Nunca mais subiram, esta é a verdade.

Passaram-se 8 anos e a editora não fechou, na verdade cresceu em número de publicações, mas eles perceberam que, mesmo com os preços ao rés do chão, os negócios iam bem, e eles decidiram baixar as tabelas ainda mais.

E baixaram… baixaram… e baixaram mais ainda, até um nível insustentável, irrespirável.

Hoje os preços oferecidos parecem uma piada sem graça, e aí o que acontece?

O quebra-quebra financeiro mundial. Trilhões de dólares vaporizaram em semanas, e o mundo ficou ainda pior do que já estava.

Mais uma quebra de paradigma, uma devastação econômica, ninguém mais tem dinheiro.

E os clientes mais mal intencionados usam este momento para fazer o quê?

Baixar as tabelas ainda mais, bem abaixo da linha de sobrevivência de seus fornecedores. Ou partem para concursinhos picaretas, contratos de risco ou o escambo na cara dura.

Neste momento desesperador, surge uma quebra POSITIVA de paradigma:

O ilustrador Gary Taxali recebe várias propostas aviltantes, sacanas e desleais. Swatch, Google e as editoras cruzaram a linha do respeito, e tomaram uma invertida que se tornou a nova propaganda viral contra os clientes ruins.

Acompanhe o texto de Gary Taxali, postado recentemente em seu blog, em repúdio e protesto contra os clientes picaretas, e veja se ele não está coberto de razão:

Não me chame
“Recentemente tem havido uma SEVERA retração na indústria. Pagamentos baixos tem sido um problema por um bom tempo, mas as coisas estão piorando. Os fees dos clientes estão baixando ainda mais, e os direitos que eles exigem são cada vez maiores.
Quer exemplos? O que você acha da SWATCH me ligando para solicitar o design de um relógio. Eles queriam a transferência integral de direitos por valores insignificantes. Como se isto fosse acontecer. O GOOGLE me chama e quer meu trabalho para seu novo mecanismo de busca por toda a rede mundial, e o pagamento? Nada. Clientes da área editorial estão cortando os valores de 1999 praticamente pela metade, e a crise econômica é a desculpa.
Quer saber? Minha desculpa é que a economia está ruim, portanto você deve me pagar MAIS por uma ilustração.
Que tal isto como um pacote de estímulo econômico?
Então aqui para todo cliente com valores e negociações de merda. Não desperdice meu tempo nem me contate.
Eu estou muito ocupado trabalhando para clientes que respeitam os artistas, e você está gastando meu tempo com suas solicitações. Aqui pra vocês, a minha saudação especial, e espero que ela mantenha você afastado, porque eu não preciso do seu trabalho.”
Gary Taxali - ilustrador americano

O curioso é que desde que ele postou este desenho, várias pessoas solicitaram que ele produzisse camisetas com a imagem, e elas já estão à venda na loja virtual do site dele.


Eu acho que ele virou a mesa num momento crítico, mandou um recado claro para seus clientes ruins, e deu um exemplo a ser seguido pelos seus colegas de profissão.

Gary Taxali criou um novo conceito de negociação à partir da pressão absurda dos clientes, todos culpando a crise mundial para arrochar ainda mais os valores, que já eram ridículos.

Para baixo não dá mais, chegamos no limite. A próxima parada é no inferno.

Melhor tomar uma atitude agora, e começar a subir, a não ser que você tenha vocação para atender pessoalmente aos jobs do Grão-Duque Satanás.

Virada cultural 2009

Off topic logo na segunda-feira?

Nem tanto.

No dia da abertura da Virada Cultural acordei determinado a passar dois dias desenhando a cada oportunidade que aparecesse, e comecei no café da manhã. Mas ainda não estava acelerado o suficiente, eu tenho a tendência de esticar um rascunho por quase uma hora, um hábito que preciso combater com muito desenho, torrando folhas e mais folhas do sketchbook.

Chegando no evento eu me preparei para exercitar o desenho mais desencanado, acelerado, rascunhão mesmo.

E nem poderia ser diferente, por causa da dinâmica do ambiente. Ninguém ficava parado por mais de 30 segundos, e mesmo que ficasse, sempre aparecia alguém na frente, então tinha que ser rápido mesmo, e contar com a memória visual.

Mesmo a fila mais demorada que peguei, cerca de uma hora e cinquenta, andava, e isto me fazia desenhar em modo acelerado.

Conceitos que vou aplicar no workshop de técnicas de sketchbook que começam neste mês.

Para o meu desespero, os portões do Municipal fecharam com mais de 200 pessoas na fila à minha frente. Parti para o plano B, e peguei a primeira fila do telão, instalado na frente do teatro.

O som estava bom, e tive várias câmeras oferecendo diversos ângulos excelentes para desenhar, e a cada troca de cena eu começava um rascunho novo, em 3 sketches simultâneos.

Ficou tosco…

Que bom!

Eu experimentei um novo formato ao desenhar em um ambiente diferente, inusitado. Desenhar fora do estúdio, longe da sua área de conforto, à noite, com gente esbarrando no seu braço, e até mesmo andando, foi uma experiência nova, e estou certo que vai ser moleza voltar a desenhar em lugares mais adequados.

O evento foi fantástico, vi Egberto Gismonti, Cama de Gato, Zeca Baleiro, Francis Hime com orquestra e Central Scrutinizer (banda que faz cover impecável do Zappa), mas o Ike Willis não era cover, ele tocou e cantou com o “homi” por vários anos.

Estive na livraria HQ MIX do Gualberto Costa e sua esposa Daniela Baptista, e encontrei vários amigos por lá, entre eles Salvador Messina (em pé), na foto com o dono da casa.

Se você ainda não conhece a livraria, não sabe o que está perdendo, aquilo é o paraíso, a perdição, um templo de luxúria, lotado de objetos de desejo para quem gosta de quadrinhos e Arte em geral.

Dos livros e revistas que a gente gosta, a livraria HQ MIX tem tudo e mais um pouco.

E como lá se tornou um ponto de encontro de desenhistas, terminei a madruga de sábado entre amigos, desenhando um paper toy art do Grandpa Munster, o vovozinho da Família Monstro.

Ele tinha um restaurante no Greenwich Village em Nova Iorque chamado Grandpa’s, onde atendia os clientes pessoalmente, vestido e maquiado como nos filmes. Quando se candidatou a prefeito da cidade, ele disse: “Nós não herdamos o mundo dos nossos ancestrais, nós o tomamos emprestado de nossas crianças”.

Outros artistas fizeram suas contribuições, entre eles o Spacca com seu traço inconfundível.

Voltando ao off topic, as fotos que tirei na Virada Cultural estão no Flickr da Sketcheria, inclusive algumas da Estação da Luz, onde havia uma exposição de carros antigos e uma bucólica senhorinha tocando piano em um dos saguões da estação.

O espaço de música instrumental decepcionou, por ter sido confinado à rua Conselheiro Crispiniano, com um ar intoxicante devido aos geradores de energia movidos à diesel.

Suportei apenas o primeiro show com Daniel Daibem tocando samba-rock na banda Hammond Blues, batizada assim por ter um tecladista com um órgão legendário com este mesmo nome. Este instrumento ficou mais legendário ainda, depois de ter sido tocado por Jon Lord (Deep Purple) em um show que eu perdi naquele mesmo dia, infelizmente. Se eu soubesse, teria começado exatamente nesta apresentação.

Uma decepção que me fez ir passear lá longe (no começo da segunda música) foi o citarista Alberto Marsicano tocando músicas de Jimi Hendrix. Eu já tinha visto um recital de cítara em um centro de estudos indiano com ele, muito legal, mas desta vez ele pirou grandão.

Banda ruim, deprê, som monótono, chão colando, a ripaiada amontoada em coma na grama, e o som da cítara ecoando na praça feito pernilongossauro gigante, agonizando em uma looonga bad trip de Detefon com marofa.

Fui tomar café no outro lado da cidade, ouvindo piano na Praça dom José Gaspar.

4 milhões de pessoas no Centro de SP tornam a paisagem em algo quase surreal, é uma multidão mesmo, no sentido mais literal da palavra, e a cidade sofreu com isto. No final do domingo os amontoados de lixo tentavam minimizar o estrago, mas o chão colava no solado e a quantidade de gente caindo pelas tabelas mostravam o lado feio da festa.

Só mesmo o som de Frank Zappa para me fazer aguentar corajosamente esta maratona até o final, em que eu tive apenas duas horas de sono e um banho apressado entre o primeiro e o segundo dia.

Mas no ano que vem estarei lá novamente.

Mudanças na Lei Rouanet (ou cadê o Direito Autoral que estava aqui?)

Recebi um e-mail do animador brasileiro Céu D’ Ellia, alertando para o perigo de termos um projeto de lei alterando a Lei Rouanet (de incentivo a cultura), que podem vaporizar os direitos autorais do criador da obra depois de 18 a 36 meses.

O e-mail dele, excelente por sinal, pode ser lido aqui.

Na quarta-feira, dia 6 de maio, termina o prazo para manifestações sobre o novo texto da Lei Rouanet.

Qualquer autor (escritor, músico, ilustrador, fotógrafo, artista plástico ou designer) que tiver noção de quanto isto é danoso e lesivo ao seu próprio dinheiro, pode enviar um e-mail profic@planalto.gov.br com a seguinte mensagem:

SOU CONTRA O ARTIGO 49 PROPOSTO NO PROJETO DE LEI.

Não deixe que o governo arranque (novamente) o dinheiro que é seu por justiça e por direito.

Direito Autoral é o salário do autor.

Proteste!

Segue abaixo o texto que eu acabo de enviar à Casa Civil, com cópia para diversos jornalistas da radio CBN (milton@cbn.com.br, everson@cbn.com.br, roberto.nonato@cbn.com.br, roxane.re@cbn.com.br, vanessa@cbn.com.br, lizan@cbn.com.br, tania.morales@cbn.com.br, herodoto@cbn.com.br, cbnsaopaulo@cbn.com.br, piotto@cbn.com.br, e adalberto.piotto@cbn.com.br).

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Caros senhores,

Escrevo por discordar com as mudanças da Lei Rouanet, especialmente no que diz respeito à perda dos direitos autorais dos criadores da obra, em um período de 18 meses a 3 anos.

Quem produz Arte não vive de amor à Arte, é um meio de vida, um sustento legítimo, legal, honesto e gerador de impostos, como qualquer outra atividade comercial.

Ser obrigado a abrir mão dos direitos autorais e patrimoniais de uma obra significa que o autor deixará de receber o pagamento por um trabalho, sendo que as outras partes integrantes da cadeia produtiva (gráficas, distribuidoras, editoras, bancas e livrarias) continuarão a receber o que lhes é justo.

Todos trabalhamos por um objetivo claro: manter o nosso sustento, não como “artistas” no sentido lírico e sonhador da palavra, mas como trabalhadores que somos.

A palavra “Arte” banaliza e mitifica a real função do nosso trabalho: a CRIAÇÃO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL não é uma atividade lúdica, nem mera terapia ocupacional. Estamos falando de trabalho especializado, que gera empregos, custos internos, impostos, e nos consome anos de investimento para estudar, dominar e produzir tal serviço.

Não fazemos isto por outro motivo senão manter a sobrevivência, nossa e de nossos dependentes, e isto está sendo colocado em risco com esta alteração da Lei Rouanet.

É muito importante que as Leis brasileiras sejam feitas de forma a construir melhores condições de trabalho e sustento aos trabalhadores, e não suprimir o pagamento que lhes é justo e de direito, conquistado com esforço e especialização, que também não nos chega por um “dom divino”, mas por décadas de investimento e estudos.

Peço que reconsiderem os fatos, e removam o artigo 49 deste Projeto de Lei.

Art. 49.  O Ministério da Cultura e demais órgãos da Administração Pública Federal poderão dispor dos bens e serviços culturais financiados com recursos públicos para fins não-comerciais e não-onerosos, após o período de três anos de reserva de direitos de utilização sobre a obra.
Parágrafo único.  A disposição dos bens tratados neste artigo para fins educacionais, igualmente não-onerosos, poderá se dar após o período de um ano e seis meses de reserva de direitos de utilização sobre a obra.

Que as “Leis de Incentivo à Cultura” sejam implementadas para colocar em prática exatamente o que o nome implica: INCENTIVO e não o oposto disto.

Atenciosa e respeitosamente,

Montalvo Machado
ilustrador - SP

Curso de Caligrafia com Andréa Branco

No ano passado fiz um workshop de caligrafia experimental com Cláudio Gil, no ateliê da Andréa Branco.

Há um post sobre esta aventura caligráfica aqui no blog, inclusive com um pequeno video com o mestre em ação.

Sei que muitos colegas se interessam por caligrafia, e ao invés de repassar o e-mail que recebi da Andréa apenas para alguns, achei mais interessante postar aqui e contar algumas novidades.

Andréa Branco é uma autoridade no assunto, e um doce de pessoa. Suas turmas se formam em torno do interesse pela Arte da Caligrafia e, por afinidade, grandes amizades se formam. Conheci gente muito legal lá, e imagino que os leitores da Sketcheria poderão encontrar técnica de alto nível e pessoas geniais neste curso.

O risco das Stock Images e das referências

Há um tempo atrás fui chamado para fazer as imagens da nova programação visual do Mambo Supermercados, desenvolvida pelo escritório da Design NoVarejo.

A princípio seriam utilizadas imagens de Stock, mas a NoVarejo, sabiamente, alertou dos riscos e sugeriu que as imagens fossem customizadas, exclusivas, feitas por um ilustrador, este que vos escreve.

Partindo das referências, fomos estudando uma linguagem própria, seguindo a temática aprovada, mas tomando o cuidado de não fazer igual ao outro artista, que cedeu seus direitos para a Stock.

Esta é a imagem principal da nova programação visual. As ilustrações que hoje decoram as lojas da rede foram postadas aqui na Sketcheria.

Hoje, ao abrir a Folha de São Paulo, todo este cuidado técnico e todo o investimento do cliente fez sentido.

Coincidência das grandes: Lá estavam, juntos, praticamente colados, um folheto do Mambo Supermercados e um guia de restaurantes. A imagem de capa deste guia era EXATAMENTE a imagem fornecida como referência.

No detalhe dá para notar que o contexto é o mesmo, mas a técnica utilizada e o resultado gráfico são totalmente diferentes.

Não fosse a condução da NoVarejo orientando a escolha do cliente, e o cuidado que tive ao não seguir literalmente a técnica do outro ilustrador, todos nós teríamos dado uma barrigada daquelas de ficar com o peito ardendo, e a haveria um grande ruído na imagem corporativa do cliente.

Seria bom poder demonstrar para todos os clientes o risco que eles correm ao utilizar imagens de Stock em sua programação visual, e este fato entra definitivamente para o meu repertório pessoal de argumentação, para aquele momento crítico da reunião, onde os preços e os riscos são colocados na balança.

Revista Ilustrar nº 09

Já está disponível para download gratuito a edição nº 09 da Revista Ilustrar em www.revistailustrar.com, ou clicando na imagem.

De todas as edições da Ilustrar, esta é provavelmente a mais eclética de todas, mostrando o trabalho vanguardista e incomparável do Walter Vasconcelos, o polêmico cartunista português António, a talentosíssima Sabrina Eras, o passo-a-passo com o Hiro (das bandejas ilustradas do McDonald´s), o mestre de Sumi-ê Massao Okinaka e uma reportagem sobre o Sketchcrawl Brasil, que bateu o recorde mundial de participantes logo na primeira vez.

Todos fizeram ilustrações com dedicatória especialmente para os leitores, e para quem quiser se aprofundar sobre o Sketchcrawl, um pouco além da matéria, no post anterior estão todos os links sobre o assunto.

Dia de virar criança.

Hoje meu hardware humano fez o upgrade para a versão 4.3, com direito a fogos de artifício no bolo de chocolate, no café da manhã.

O software continua o mesmo, o MyBrain, com alguns bugs novos a cada upgrade.

A Mônica, com seu talento único para dar presentes, pediu ajuda à “criança interior” dela na hora de escolher meu presente, e acertou em cheio na minha “criança interior”.

Um livro de Star Wars, edição de colecionador, com mil traquitanas, cartas, convites, transfers (lembra disto?), celulóides de animação e itens de explodir a cabeça de qualquer nerd que cresceu (ou não) assistindo a trilogia.

Uma réplica da carta-convite para a pré-estreia do filme, com data de maio de 1977. Se eu tivesse ganho uma destas há 32 anos, adoraria estar naquela fila.

Tá certo, eu não sei ler partituras, mas é legal pra caramba ver os rabisquinhos a lápis, para cada um dos instrumentos da trilha original do filme.

Um dos artistas de storyboard, no bagaço total, fez da sua realidade pessoal uma piadinha, e foi para a antologia de Star Wars, quem diria.

Concepts de fazer adulto chorar. Ainda bem que hoje sou criança, e só tenho motivos para rir.

Já imaginou ir em uma agência de correios e topar com uma série especial de selos comemorativos de Star Wars, ilustrados por Drew Struzan, ao preço de um cheeseburger? Caraca, como são rabudos esses americanos.

Neste rancho Bill Moyers entrevistou Joseph Campbell, na gravação histórica de O Poder do Mito, que assisti na TV Cultura em 1993, sem piscar (e talvez sem respirar, não me lembro bem). Há pouco tempo comprei o DVD, e encontrei novamente todas as respostas para todas as perguntas sobre a humanidade.

Neste mesmo lugar Rodolfo Damaggio se reuniu com George Lucas, para fazer parte da equipe de concept designers e storyboard artists do Episódio II de Star Wars. Ele tinha me cantado a bola uns 15 anos antes, quando o conheci em um estúdio pequeno, em Nova Iorque: “Um dia eu vou trabalhar com o George Lucas”, ele disse.

E foi mesmo.

Concept designs de Coraline

Tem horas que eu não sei se é generosidade ou covardia mostrar desenhos tão absurdamente belos em um website. Dá um misto de deslumbramento e frustração, que me lembram um trecho da música do Milton Nascimento, no trecho em que ele diz: “como não fui eu que fiz…”

OK, eu já me conformei com os fatos. Eu jamais serei um Jon Klassen, que fez concepts e props para o filme Coraline.

Mas eu adoro a imensidão da sua simplicidade gráfica, seu arrebatador senso de design, e fico grato pela generosidade que ele teve em disponibilizar imagens que jamais seriam vistas de outra forma.

Vai, Jon Klassen, bate que eu gamo!

Invista um minutinho do seu tempo no site do cara, que você vai entender perfeitamente o que estou sentindo agora.

E não deixe de ver o filme dele sobre água, na tab “newer things / royal bank advert”.

OMG… achei os links dos comparsas dele, com mais concepts de cenário e personagens do mesmo filme…

Chris ApplehansShane PrigmoreShannon Tindle

Agora, imagine você, na Galeria Nucleus, em um evento gratuito, onde todos estes caras e mais alguns apresentam um “making of” do filme, com vários originais expostos nas paredes.

Já aconteceu, veja as fotos aqui.

Americanos rabudos.

Uma edição de jornal só com ilustrações. Só podia ser na França.

Há 13 anos o jornal francês Libération publica uma edição anual somente com ilustrações, simultânea ao Festival de quadrinhos de Angoulême . Da capa à contra-capa só desenhos, cartuns, ilustrações e infográficos.

Os méritos vão para o diretor de arte do jornal, Alan Blaise.

Não é de agora que o Libération reconhece e valoriza a importância dos seus colaboradores desenhistas nesta demonstração de parceria e confiança. Em 1983 foi publicada uma edição especial onde todos os artigos eram ilustrados por desenhos extraídos de Tin Tin, logo depois do falecimento de Hergé, o desenhista belga criador deste épico dos quadrinhos.

Na terra da Bande Dessinée eles respeitam tanto o desenhista que ele merece este tipo de homenagem.

E cada exemplar destes vira um objeto de desejo, é claro. Eu tenho apenas esta edição em PDF, mas escrevi para a redação do jornal para saber como posso obter os outros 12 exemplares.

Se conseguir eu adiciono a este post.

Gary Kelley: ilustrador, artista, gênio e herói. Amigo também.

Eu tive o imenso privilégio e prazer de estudar, aprender e conviver por algumas semanas com Gary Kelley, nos dois anos em que frequentei a Illustration Academy, em Kansas. Foi um daqueles momentos que a gente quer congelar no tempo e guardar numa redoma de vidro, no alto da estante das memórias.

Já conhecia o trabalho de Kelley há muitos anos, e lá pude ver um dos meus grandes heróis pessoais em ação, usando giz pastel, sua especialidade, técnica que o colocou entre os ilustradores mais requisitados dos EUA. Vi também o processo de monotipia pela primeira vez, nas mãos deste mestre. Sem dúvida um batismo e tanto.

Gary Kelley é um ex-diretor de arte que optou em investir sua vida na ilustração, com um notável senso de design, um imenso domínio de cores, formas e expressão em seus personagens, um desenho reconhecível até no escuro, e acima de tudo uma pessoa adorável, um ser humano de raras qualidades, com o coração aberto para expor didaticamente suas técnicas e conhecimento aos alunos, com um carinho quase paternal.

Ele nos disse que mantinha mais de 60 jobs futuros comissionados, com datas previstas para entrega de uma semana a um ano de antecedência, algo impensável no Brasil, mas um exemplo de disciplina e de sucesso profissional.

Foi uma oportunidade também de desmistificar meus heróis e tê-los como amigos, algo que tenho procurado fazer entre os ilustradores brasileiros, desde que voltei deste treinamento.

Meu único arrependimento daqueles dias é de não ter ido com ele, John English, Mark English, Brent Watkinson e Bart Forbes ao show de Carlos Santana, para ficar no estúdio praticando desenho de modelo vivo.

Onde eu estava com a cabeça? Vou ajoelhar no milho e me auto-flagelar um pouco e já volto para escrever o resto do post…

Em uma busca no YouTube, encontrei este video com uma entrevista de Gary Kelley para a TV americana, onde ele expõe algumas idéias e mostra o que tem feito recentemente, e eu fiquei surpreso ao saber que 60% de sua produção atual é de telas a óleo, e os outros 40% se dividem entre pastel e monotipias.

É maravilhoso ver este artista no seu estúdio, executando sua Arte e dividindo suas experiências.

O video tem menos de 10 minutos, e tenho certeza que você não vai se arrepender de investir este tempo clicando no “Play”.

Ouvi dele, após uma apresentação e crítica de portfolio: “you are ready, man. Go head and do your thing, you are ready”. Este foi um dos maiores elogios profissionais que eu já tive na vida.

Outro momento precioso na minha estante de sentimentos está congelado na cena de Bart Forbes tocando um dos meus trabalhos feitos durante o treinamento dele, enquanto dizia: “look at these colors…”.

Ops… lagriminha não, vou parar por aqui.

The Illustration Academy - 002

Entre um assunto e outro, vou contando aos poucos os causos da Illustration Academy, iniciados neste post.

Estava almoçando com John English, coordenador do curso, quando uma moça se apresentou e mostrou a ele uma proposta que mudou os rumos do nosso treinamento, e até certo ponto, da nossa experiência como ilustradores.

Ela administrava um evento que estava para acontecer no Liberty Memorial, em Kansas, inaugurado em 1926 para abrigar o Museu Nacional da Primeira Guerra Mundial.

O encontro de artistas era chamado “La Strada del Arte” e durante dois dias o parque se transformou em um atelier a céu aberto.

Os artistas inscritos receberam gratuitamente kits de giz pastel e cada um foi conduzido a uma área determinada, com o nome de uma das centenas de empresas patrocinadoras do evento.

O estudante sueco Alexander Klingspor e o instrutor Brent Watkinson. Duas figurassas, engraçados, talentosos, e “friends for life” desde meu primeiro aperto de mãos com eles.

Os artistas em suas “baias” tomaram de ponta a ponta as duas ruas centrais do parque.

Mesmo inexperientes em “street painting”, os estudantes da Illustration Academy não pagaram nenhum mico frente aos outros artistas, calejados na técnica de pintar o asfalto com pastel.

Os veteranos da arte no asfalto armaram banquinhos dobráveis, guarda-sóis montados em tripés, caixas repletas com seus próprios pastéis, isopor com Gatorade geladinho, enfim, impressionaram muito pela parafernália, mas apenas alguns por suas obras.

É incrível como os americanos elevam qualquer hobby ao patamar do profissionalismo, mesmo sabendo que, nesta frágil manifestação artística, tudo vai para o esgoto na primeira chuva.

Os ilustradores, em sua primeira experiência neste insólito suporte, até que fizeram bonito.

Em um sábado de verão senegalesco, nos protegemos do solão que praticamente assava os animais, vegetais e minerais do centro-oeste da gringolândia usando protetor solar, mas só no domingo percebemos a importância de proteger as orelhas.

Passamos a semana com orelhas vermelhas como tomates e descascando como cebolas.

Este escriba, 10 anos mais jovem e 10 Kg mais magro, ameaçou morder o giz como se fosse uma bolacha, para o horror da fotógrafa, a nossa fina colega inglesa, a mesma artista que pintou sardinhas no asfalto que fariam um gato salivar.

“Holy cow”, uma interjeição de espanto, usada ao pé da letra.

O sueco maluco, achando pouco fazer um desenho de um metro e meio de largura, pintou logo duas imagens de uma vez.

Eu tinha um desenho de um caubói domando um aerógrafo no portfolio, mas troquei por um pincel para ter uma identificação mais imediata, já que nem todos conhecem um aerógrafo.

No meio da tarde resolvi fazer uma bandeirinha do Brasil no desenho, e foi o suficiente para fazer amizade com vários brasileiros, a passeio ou moradores de Kansas, que vinham conversar em português comigo.

O “La Strada del Arte” foi um sucesso, com um grande público, com catálogo e tudo.

Um evento muito divertido, com visitantes pitorescos.

Andrew Wyeth se foi

Um dos pintores mais aclamados da atualidade se foi, durante o sono, nesta sexta-feira.

Dono de uma técnica impecável, Andrew Wyeth tinha 91 anos. Filho mais jovem do legendário N. C. Wyeth, pertencia a uma dinastia de artistas que deixaram sua marca na História como grandes virtuosos.

Revista Ilustrar nº 8

A Revista Ilustrar já está disponível para download gratuito, e traz nesta edição especial de Grandes Mestres várias entrevistas e ilustrações de Benício, Carlos Chagas, Daniel Adel, Gilberto Marchi e Rui de Oliveira.

Imperdível é pouco, é do &%$#@*&!

Workshop Diário Gráfico em SP (corrigindo as datas)

O ilustrador Renato Alarcão estará em São Paulo nos dias 16, 17 e 18 de janeiro, trazendo mais uma edição do workshop Diário Gráfico, onde são apresentadas diversas técnicas de desbloqueio criativo e encadernação de sketchbooks.

Eu fiz o workshop com ele duas vezes, e para não me estender muito em elogios e rasgação de seda (totalmente justificáveis), basta dizer que este blog não teria sido criado, nem meus cadernos ou a experimentação que tenho feito nos sketchbooks, se não fosse o impulso inicial do Renato Alarcão.

Costumo dizer a ele que a raquetada nos meus miolos foi tão grande, que meu cérebro está girando até hoje, quatro anos depois do primeiro workshop. Escrevi um post sobre este assunto aqui.

Entre em contato com ele por e-mail ou pelo telefone (21) 3602-3760, mas não demore, porque as vagas são poucas.

Enjoy!

J. C. Leyendecker

Não tenho a pretensão de escrever um post como uma homenagem, mas é uma maneira fácil, rápida e eficiente de compartilhar com os amigos a admiração que eu tenho por alguns artistas em especial, mostrando suas imagens e contando um pouco de suas vidas.

Joseph Christian Leyendecker quase fez meus olhos quicarem pelo chão quando vi suas imagens pela primeira vez. Em agosto de 1988 eu trabalhava na Box Propaganda, e vi em um anuário uma ilustração belíssima, de um elefante indiano com uma princesa no “cockpit” sobre ele, com uma figura elegante caminhando ao seu lado, em passos largos. Nunca mais vi esta imagem desde então, mas me lembro como se estivesse olhando para ela agora. Eu tenho memória seletiva, e me lembro com detalhes de algumas coisas, e esqueço outras, às vezes necessárias, importantes.

Cheguei a ver alguns originais dele, finalizados e rascunhos, na Society of Illustrators e na Illustration House, mas isto é assunto para um próximo post.

Por acaso, navegando e babando em blogs de outros ilustradores, encontrei alguns links para trabalhos finalizados e rascunhos de Leyendecker, vários close-ups extremos, e resolvi dividir esta alegria visual com os amigos.

Na verdade é a Louis Gonzales que deveríamos agradecer, foi ele que visitou o Haggin Museum em Stockton, Califórnia, onde este humilde escriba estaria agora, se pudesse, nem que para isso tivesse que vender um rim. Em último caso, até o meu próprio.

Ele mesmo não contava com mais de meia dúzia de originais, mas ficou surpreso com tantas peças, e fotografou em detalhes os 30 originais de Leyendecker, além de outras tantas de Bougereau e Jean-Leon Jerome.

Rabudo…

Os outros links são este, e este, que mostram muitas outras imagens e biografias deste artista alemão, nascido em 1874, que se mudou para os EUA com seus pais aos 8 anos de idade.

Com seu estilo, técnica e incopiáveis pinceladas paralelas, ele gravou para sempre sua assinatura no Hall da Fama da ilustração americana, e em 322 capas da Saturday Evening Post, mais exemplares do que Norman Rockwell ilustrou.

Jingobéu, Jingobéu…

Papai Noel veio temático e cheio de bom gosto este ano. Nada de cuecas, meias e pijamas, presentes que sempre detestei desde pequeno.

Tá certo que dois livros já estavam na minha lista, destinados, marcados para sair das estantes lisérgicas da Livraria POP para as minhas mãos. Valeu a espera.

Glenn Barr é absolutamente fantástico, com uma técnica que mistura o clássico com o cartum, bem vintage, parece óleo, mas é acrílica sobre madeira, deixando frestas entre as pinceladas, por onde a gente espia a cor de base, quase sempre um ocre profundo… ora, não dá pra descrever, teria que usar muitos palavrões, só vendo mesmo.

O livro The Artist’s Sketchbook está para este desenhista como um rabo-de-galo está para um pinguço. Não dá para evitar, eu preciso ter, é mais forte que eu…

Cheio de técnicas, exemplos e insights da autora, Lucy Watson, é tremendamente inspirador, dá vontade de sair desenhando pela casa, pelo bairro, pelo mundo.

O Livro das Perguntas é de Pablo Neruda, ilustrado por Isidro Ferrer. Estilo hai-kai, leve, delicioso e não-linear. Qualquer página tá valendo, em questionamentos intrigantes, curtos, abstratos, que só sairiam da cabeça de um gênio. Quem me deu disse, timidamente, que eu poderia trocar se quisesse. Nem por decreto, Antônia.

E um kit de Caligrafia que é tão singelo e bacana que dá vontade de escrever o nome de quem me presenteou mil vezes com ele.

Só quem já ganhou um presente da Mônica sabe o talento que ela tem para agradar as pessoas.

The Illustration Academy - 001

Se fosse postar todos os causos e fotos que tenho da Illustration Academy, seria melhor fazer um blog só para isto. São mais de 1800 fotos de quando participei deste workshop em Liberty (na divisa entre Kansas e Missouri), em 1997 e 1998.

1/3 destas fotos foram tiradas durante as demonstrações dos ilustradores, fazendo sua mágica passo-a-passo, contando sobre os processos, materiais, e sequências de trabalho. Ver artistas como Mark English, John English, Brent Watkinson, Gary Kelley, Bart Forbes, Skip Liepke, Jack Unruh, Chris F. Payne, Anita Kunz, Greg Spalenka e John Collier em ação foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

As outras fotos são de portfolio dos artistas, algumas delas tiradas nos estúdios onde eles trabalhavam, e o resto são amenidades, jogando frisbee no campus da William Jewell School, ou das paisagens e detalhes da cidade, inclusive de árvores centenárias derrubadas por uma tempestade tropical (logo abaixo da classificação de furacão) que passou por lá.

Fomos convidados a ir para a casa do Mark English, assistir a luta, sem imaginar que o Tyson iria jantar a orelha do Holyfield, e chegamos pelo menos 5 horas antes, para degustar as obras originais do nosso anfitrião.

Marcelo Gomes (que explodiu minha cabeça ao me apresentar um anúncio deste workshop, cerca de um ano antes), 3 alunos americanos, e Mark, em sua prancheta, preparando uma demonstração inesquecível: o retrato do Drácula.

Hora da luta, metade do estúdio já apagado, e eu era o último a deixar o local. Esta era a cena, depois da demonstração. Nem vou tentar descrever o que eu sentia naquele momento, mas era intenso.

Chris Payne, Mark English e seu filho John English, durante uma avaliação dos trabalhos da semana.

Conviver com ilustradores que eu cultuava como deuses consumia toda minha adrenalina, eu dormia muito pouco e devorava intensamente cada instante, o que me garantiu o carinhoso apelido de “brazilian maniac”.

Eu tinha um certo receio de estar sonhando, mas se em 10 anos eu ainda não acordei, acho que deve ser verdade.

Bart Forbes, uma das pessoas mais agradáveis do mundo, quase um Benício. E com um pincel na mão é mais poderoso que o Batman, Super-Homem e o Homem-Aranha juntos.

Se existe um deus na ilustração, deve ser o segundo na hierarquia. Antes dele vem Gary Kelley.

A ilustradora canadense Anita Kunz, durante uma demonstração.

Na noite de despedida fizemos um presente para Mark, John e Brent, os 3 instrutores permanentes da Illustration Academy. Mark English foi um campeão de boxe, antes de se tornar uma lenda na ilustração, e em cada luva pintada com tinta dourada haviam palavras de admiração e carinho por tudo que eles nos proporcionaram.

Cadernos Moleskine e Itaú Personnalité

Poucas coisas podem ser mais representativas da individualidade de uma pessoa do que um caderno de anotações.

Dos impecáveis papéis brancos, aos reciclados de cor parda, passando pelas aventuras experimentais dos cadernos feitos à mão - conteúdo à parte - uma marca de cadernos se destaca de todas as outras: Moleskine.

Um mito, um sonho de consumo, o Macintosh dos sketchbooks.

Talvez a marca tenha herdado a fama adquirida por usuários de renome mundial, como Ernest Hemingway, Henri Matisse, Vincent Van Gogh, André Breton e Picasso, entre outros.

Bruce Chatwin, um escritor-viajante, numerava as páginas de cada caderno novo, escrevia seu nome e pelo menos dois endereços, e uma promessa de recompensa no caso de perda do seu Moleskine. “Perder meu passaporte era a menor das minhas preocupações, perder um caderno de anotações seria uma catástrofe”, dizia ele.

Mas a bi-centenária empresa italiana Moleskine SLR, fabricante original dos famosos cadernos, nem sempre esteve bem das pernas. Com a morte do proprietário em 1985, a produção foi descontinuada e chegou a se esgotar no ano seguinte. A marca foi registrada somente 10 anos depois, pela atual produtora dos cadernos, a editora Modo & Modo, que chegou a ter dificuldades em suprir a demanda, até que foi comprada em 2006 pelo fundo de investimentos Societé Générale, por 60 milhões de Euros.

Confesso que quase caí do sofá quando vi a campanha do Itaú Personnalité, toda centrada nos cadernos Moleskine, mostrando página após página, desenhos simples e magníficos.

Utilizando ao máximo o conceito do sketchbook, sua característica de individualidade, exclusividade e personalidade, e aliando tudo isto à centenária reputação dos cadernos Moleskine, a DPZ formatou a imagem exata que o Itaú Personnalité queria passar a seus clientes.

“É impossível imitar você. Mas é possível acreditar nos seus projetos, e fazer parte dos seus planos.”

O comercial abre com este texto genial, valorizando a individualidade do cliente, se aproximando de seus ideais.

O conceito do caderninho Moleskine, repleto de desenhos, é a espinha dorsal da campanha, valorizando o que cada um tem de mais precioso, seus projetos, seus planos, a vida compactada em um sketchbook.

O programa Avesso apresentou um programa sobre a campanha Itaú Personnalité, criada pela DPZ, e produzida pela AD Studio.

E um making of dos dois filmes.

Antes destes, vários outros filmes do Itaú Personnalité já usaram animação, rotoscopia, desenho, ou stop motion, como este, feito em recortes de papel, animados pelo Birdo Studio.

A primeira vez que vi este filme foi impressionante. A segunda também. Só hoje, editando o blog, já devo ter visto mais umas 8 vezes, e continua impressionante.

Agência: DPZ - Produtora: Lobo - Direção de cena: Mateus de Paula Santos e Carlos Bela - Direção de arte: Lobo - Animação de personagem: Paulo Muppet e Luciana Eguti.

Pensando bem, o escritor Bruce Chatwin tinha toda a razão. É preciso colocar nome, endereço e uma proposta de recompensa em cada sketchbook.

E uma curiosidade: a tradução literal de “mole skin”, de onde deriva o nome da marca, seria “pele de toupeira”, mas fique tranquilo, os cadernos tem capas sintéticas, e nenhum animal foi ferido durante os 200 anos de produção.

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Reinventando a roda

O pioneirismo às vezes está na soma de elementos já existentes, e não necessáriamente na invenção de uma nova técnica.

O filme Madame Tutli-Putli , feito no National Film Board do Canadá, explora uma combinação entre stop-motion e live-action, editados de forma que cada cena dos bonecos, animados quadro a quadro, seja sobreposta com olhos humanos filmados da forma tradicional, trazendo um resultado realmente impressionante na expressividade dos personagens.