Que carnaval espetacular, provavelmente o melhor da minha vida.
Eu não sei qual Escola de Samba ganhou nem qual foi rebaixada, não vi peitos siliconados, bundas cavalares, e não ouvi sequer um mísero tamborim fazendo tumsquidumsquidum.
Só por isto já teria sido um bom carnaval, mas o que fez dele um feriado inesquecível foi a visita de Alberto Ruiz-Diaz e sua adorável esposa Soraya, a São Paulo, a convite da Revista Ilustrar.
Ricardo Antunes e Luiz Rosso foram recebê-los no aeroporto na quinta à noite, e esticaram até as 4 da matina na Galeria dos Pães, na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, em uma curiosa coincidência, quase um trocadilho, para um casal recém chegado de Nova Iorque.
No dia seguinte almoçamos com eles em um grupo de quase 50 ilustradores, no Sujinho do outro lado da Consolação, que aliás me pareceu uma ótima opção para os futuros Bistecões Ilustrados.
Os únicos peitos e bundas deste Carnaval ficaram por conta das artes inacreditavelmente belas do nosso convidado, que é um verdadeiro Mestre no desenho de mulheres, tão voluptuosas quanto graciosas, quase inocentes. Há uma pureza nas suas figuras, uma solidez escultural nas suas linhas e uma beleza tão avassaladora nas suas mulheres que não há como não se fascinar ao folhear seu sketchbook e seus livros, que ele presenteou generosamente a alguns que mostraram seus sketchbooks para ele neste almoço.
Os dias que se seguiram foram muito intensos, e não demos chance para o casal Ruiz-Diaz se entediar. Fizemos com eles uma pequena turnê gastronômica pela cidade, porque era praticamente tudo que se podia fazer em uma terra onde tudo fecha, graças ao Reinado de Momo.
Quem não curte a batucada fica passeando na rua, de restaurante em restaurante.
Fomos no Velhão, na Serra da Cantareira, que está aos poucos se tornando um outro ponto de encontro de ilustradores, é a terceira ou quarta vez que reunimos os amigos neste local bucólico e cenográfico.
No caminho de volta fizemos um pit-stop na casa do Rosso, para admirar os originais de seu legendário avô, Nico Rosso. Coisa fina, artes antigas conservadas com cuidados de bibliotecário.
No dia seguinte Luiz Rosso deu um workshop de “Mercadologia Municipal”, passeando com os convidados entre bancas de frutas exóticas e queijos de diversas nacionalidades, entre vitrais que poderiam ornar uma catedral. O Mercado Municipal foi uma excelente escolha, pena que eu não estava presente nesta manhã.
Visitamos o Beco do Batman na Vila Madalena, tomamos um choppinho no Pirajá, andamos de Metrô até o centro, onde visitamos a Igreja de São Bento, Viaduto do Chá, etc, em um ambiente insólito, quase desértico, porque a região estava praticamente vazia, nenhum de nós tinha visto o lugar sem trânsito ou multidões.
Estivemos em duas livrarias que por sorte estavam abertas, a FreeBook e a HQMix, e para a alegria geral dos admiradores dos livros publicados pelo Alberto no site BrandStudio Press, vai revender os exemplares no Brasil, tanto os de autoria própria como de artistas como Shane Glines, Ronnie del Carmen, Cameron Stewart, Francisco Herrera, Jason Seiler entre muitos outros. Ligue para o Gual e reserve o seu!
Tive a honra de recebê-los no meu estúdio duas vezes, conversamos por horas e horas, comemos queijo coalho que a Mônica assou na hora, e completamos o nosso passeio no restaurante/galeria Feira Moderna, um lugar que merece ser visitado muitas vezes, pela beleza de seu acervo de Arte Popular Brasileira e pelo cardápio simples e quase maternal.
Tivemos nossa noite de bacana no Terraço Itália, com direito a trapalhadas de quem não frequenta lugares refinados. Estávamos de bermuda, e tivemos que fazer um plano B para subir para o bar decentemente trajados. Causos para contar, sempre tem que ter um pra posteridade.
Na noite seguinte encerramos o turismo gastronômico na pizzaria Quintal, que por si só teria sido um delicioso programa, com seu visual aconchegante e suas pizzas que fariam um italiano chorar de inveja.
Na quinta à tarde acompanhamos nossos convidados ao Aeroporto Internacional, com a certeza que eles adoraram o passeio, e que uma grande e sólida amizade se formou.
Para quem quiser ver (ou postar) as fotos destes dias inesquecíveis, visite o FlickrGroups criado para ser o nosso álbum.
Na despedida o colega Luiz Rosso expressou seus sentimentos em italiano, fechando com chave de ouro o passeio, tanto dos nossos novos amigos, como o nosso próprio carnaval, o melhor que já tivemos.
Mi porti nel loro cuori, perché sarete, sempre, nel mio.
Grazie tante”.
Vai dar saudade, e espero poder receber a família Ruiz-Diaz muitas e muitas vezes.
Eles se sentiram em casa, porque agora eles são de casa.



































































































