Diário de bordo - Illustration Academy - projeto da semana

Um post rapidinho, com o projeto desta semana: conversa. Um tema bastante aberto, e rico em possibilidades.

Este é o sketchbook que uso para minhas anotações e estudos preliminares dos trabalhos propostos pelo curso, que é fundamentado em execução, a aplicação prática das técnicas demonstradas pelos instrutores.

Eu estou seguindo uma linha claramente influenciada pela leitura do livro Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari, entusiasticamente recomendado pelo amigo Hiro Kawahara.

A princípio o tema se resolveria com uma mera conversa, mas por quê não criar uma situação nova, insólita, como duas sereias conversando na praia, trazendo figuras mitológicas para o cotidiano?

E indo um pouco além, por quê não mostrar as sereias em uma idade também insólita, como senhoras aposentadas, peruas bregas, emperequetadas de brincos e pulseiras, e com uma coleção de pneuzinhos na cintura?

“E se…” é a melhor pergunta a se fazer na hora de criar alguma imagem.

Gianni Rodari rules! Hiro Kawahara rocks!

Seguindo a linha do paradoxo, situando figuras mitológicas no contexto urbano, como seria um investigador do FBI, um “centauro de preto”, mostrando sua identificação para um minotauro suspeito?

Estes rascunhos foram feitos seguindo as dicas simples mais incrivelmente eficientes de dois monstros da ilustração: Gary Kelley e Chris Payne, que usam papel vegetal e lápis para resolver todas as questões de design, composição e contraste nesta etapa, antes de passar para a prancha final.

Dicas preciosas, que aumentam a produtividade e facilitam a execução final.

No decorrer da semana vou postar fotos dos estúdios em que estamos instalados, e a evolução destes trabalhos, até a finalização.

Diário de bordo - Illustration Academy - fotos, corações e mentes

Melhor que contar longas estórias sobre a IA, é mostrar fotos do evento, das pessoas e do lugar onde estou passando um período incrível, convivendo novamente com os ilustradores permanentes da academia, que eu não via há mais de 10 anos, conhecendo outros convidados deste ano, e muitos estudantes com quem vou compartilhar experiências nestas próximas semanas.

Agora, ser convidado para almoçar e jantar com os caras é muito além do que eu poderia esperar.

Eu tenho uma visão meio tribal sobre o ritual que envolve o “sentar à mesa” com alguém. Desde os tempos mais remotos, entre todas as espécies de mamíferos, partilhar o alimento significa aceitação mútua, é um gesto de confiança e amizade, e dividir a mesa sempre teve esta simbologia para mim, mesmo quando estamos em farra, no Bistecão Ilustrado.

É com este pensamento que eu me sento à mesa com as pessoas.

Ser aceito entre os ilustradores que acompanho e admiro há décadas, dividindo a mesa com lendas-vivas da ilustração, tem mexido com minhas emoções de um jeito que não conseguiria descrever, mas é fascinante estar entre eles, ser aceito como amigo e parceiro de profissão, e conquistar o respeito deles através de uma coisa simples, que eu mesmo não via com a devida importância: os sketchbooks.

Eu nunca tinha me dado conta que este é o meu “corpo de trabalho”, meu território recém-explorado, a descoberta, o que há de novo em mim.

Foi isto que eles viram nos meus cadernos, e foi o que permitiu que eu fosse aceito de igual para igual entre meus heróis.

Isto não tem preço.

Realmente não tenho como descrever o que passa na minha cabeça e no meu coração, isto é o melhor que posso fazer com as palavras.

Talvez algumas imagens no Flickr possam passar um pouco mais claramente o que tenho vivido nesta semana, que vai ficar tatuada para sempre na minha memória.

Diário de bordo - Illustration Academy - semana 1

Este poderia facilmente ser o post mais longo do blog, mas tentarei ser breve, uma tarefa difícil para um tagarela como eu.

Estou de volta à Illustration Academy, depois de mais de 10 anos, e parece que foi no ano passado que estudei com estes monstros sagrados da ilustração.

Em uma semana já aconteceram tantas coisas que não caberiam neste post, mas vou fazer um resumo das que eu considero mais relevantes.

Eu sou um rato de palestras, adoro consumir informação em grandes goles, e voltei para tomar uma overdose de cerca de 10 horas por dia (às vezes mais) por 5 dias seguidos. Os intervalos eram curtos, suficientes para almoçar e voltar para o auditório, climatizado em temperatura glacial, contrastando com o calor senegalesco, extremamente úmido, de Sarasota.

A semana de palestras começa com a revisão dos trabalhos finais dos alunos,  sobre o projeto sugerido na semana anterior.

Imagine o que é ter Gary Kelley, John English e toda a esquadrilha de ases da ilustração comentando cada trabalho, dando dicas, apontando os caminhos para o sucesso da peça que o estudante trabalhou durante a semana, tanto em termos técnicos como em conceito, conteúdo, adequação, etc.

Cada palestrante da Lecture Week é um gigante no mercado de ilustração, e além dos seus portfolios, eles revelam sua bagagem profissional, fazem muitos comentários, compartilham dicas e insights brilhantes, e ao final da apresentação respondem as perguntas dos estudantes.

Para os leitores mais curiosos, eu coloquei um link em cada um.

- Terry Brown

- Barron Storey

- Francis Livingston

- Mark English

- Gary Kelley

- Anita Kunz

- George Pratt

- Sterling Hundley

- Jillian Tamaki

- Sam Webber

- Robert Meganck

- Jon Foster

- Chris F. Payne

De quebra a equipe de instrutores permanentes conta com o cérebro V8 turbinado de Brent Watkinson e a experiência de outro ex-aluno de 1996 e 1997, que se tornou indispensável para a academia, Doug Chayka.

Na foto após a palestra final, Chris, Sterling, Doug, Robert, Jon, Anita, John e Brent.

Nestes dias intensos, eu escrevi páginas e mais páginas de anotações, tirei centenas de fotos e estou registrando comigo o máximo de informações, e espero poder dividir este conteúdo com os colegas assim que voltar para o Brasil.

Retornar depois de tanto tempo me garantiu um privilégio que eu jamais poderia prever, de ser convidado a almoçar e jantar algumas vezes com os organizadores do evento, e não dá pra descrever o que é estar na mesa com estes caras, mas acredite: é muito, muito bom.

Semana que vem começam as atividades de estúdio, e vou mergulhar de cabeça nos projetos.

Amanhã eu coloco umas fotos no Flickr, e assim que estiverem no ar, eu edito esta linha com o link.

Esta é a vista da varanda do dormitório onde estou hospedado, que é um apartamento simples, com 4 quartos individuais, abrigando um australiano, dois americanos, e este paulista que vos escreve.

Este é um dos prédios do campus, onde foram realizadas as palestras finais.

De tudo o que aconteceu aqui nestes dias, uma conversa merece destaque: o interesse dos caras em fazer uma edição Brasil da Illustration Academy.

A princípio achei que fosse por cordialidade, só pra ser gentil com o “brazilian maniac”, como alguns instrutores me chamam por aqui.

Mas quando o John começou a falar sobre datas e duração do treinamento, e confirmou quando Anita Kunz perguntou a respeito, eu tive certeza que não era brincadeira.

Minha cabeça explodiu novamente, pra variar, e estou certo que vai ser uma reação em cadeia, depois deste post muita gente já deve estar com o estopim aceso na cachola…

Vou pegar uns cacos da minha cabeça lá na Flórida

Há algumas semanas postei aqui sobre um assunto que explodiu a minha cabeça, depois que o colega Joel Lobo me mandou um Twitter com os videos da Illustration Academy.

Alguns cacos foram parar lá na Flórida, onde acontece o evento que reúne alguns dos mais renomados ilustradores americanos, durante sete semanas de treinamento intensivo, cerca de 10 horas por dia, de segunda à sexta, e os alunos usam a estrutura dos estúdios da Ringling School of Art and Design à noite e nos fins-de-semana para completar os trabalhos propostos durante o treinamento.

Estes dois videos mostram um pouco das atividades nestas últimas semanas, que tiveram Anita Kunz e Jon Foster, além dos ilustradores permanentes (Mark english, John English, Brent Watkinson e Sterling Hundley), e dá pra sentir um gostinho do que é este evento, e sonhar em realizar um destes aqui no Brasil, quem sabe com alguns dos instrutores de lá, já pensou?

Eu estava planejando ir no ano que vem, mas há muitas coisas novas acontecendo, principalmente com a Revista Ilustrar, portanto mudaram os planos e eu estou indo para Sarasota neste sábado para costurar este intercâmbio, propor interações entre todas as atividades daqui (Revista Ilustrar, Bistecão, Sketchcrawl, workshops, Galeria Magenta, etc) e a Illustration Academy.

O Ricardo Antunes e o Rogério Vilela também vão passar alguns dias no evento, e nos reuniremos com John English para traçar alguns caminhos para o futuro.

Tivemos várias reuniões com ilustradores aqui em São Paulo nestas últimas semanas, temos planos extremamente interessantes, e o que há de em comum entre todos eles é que são concretos, realizáveis e de início imediato.

Valeu a pena a correria para encarar esta viagem e adiantar estas conversas em um ano. Acredito que todos temos a ganhar com isto, em todas as pontas das negociações.

Vou fazer como o Hiro, e postar um diário… bem, talvez um semanário, das atividades da academia durante o próximo mês.

Também vou escrever algumas coisas em tempo real pelo Twitter, quem se interessar pode me achar neste link.

Estou certo que daqui há um ano seremos um grupo de ilustradores indo pra lá. Provavelmente um grupo ainda maior no ano seguinte, e no outro… bem, melhor deixar acontecer este primeiro, depois eu vou contando as novidades.

Como eu admiro a simplicidade…

Mas eu sei que ainda estou muito distante dela.

Quem sabe na próxima vida eu consiga fazer algo tão simples e belo como este video que a Mônica me enviou um dia, lembrando do nosso finado gato Frank Zappa.

Saudades do nosso gato, que era quase gente.

Workshops - Duas novas turmas formando: encadernação e técnicas mistas

Pessoal, está havendo uma demanda de interessados maior do que eu previa, e estou formando turmas novas para o período da noite, ambas aqui no estúdio, no bairro do  Brooklin, em SP:

ENCADERNAÇÃO DE SKETCHBOOKS - Dias 15 e 16 de junho (noite - das 19:00hs às 23:00hs) - Valor do investimento: R$ 250,00 (desconto de R$ 50,00 para inscrições adiantadas, feitas até quarta-feira, dia 11/6)

TÉCNICAS MISTAS (Acrílica+aquarela+óleo+lápis de cor, juntos) Dias 17 e 18 de junho (noite - das 19:00hs às 23:00hs) - Valor do investimento: R$ 200,00

São 10 vagas em cada turma, e metade delas já tem reservas.

Inscreva-se no website http:www.montalvomachado.com.br/workshops.

Os outros workshops estão em andamento, felizmente com casa cheia, e só pra não postar sem imagens, seguem alguns trabalhos meus da sessão de modelo vivo.

Assim que tiver novas datas e programações eu posto aqui e no meu Twitter.

Aliás, quem ainda não se atuitou que se atuíte logo, porque está perdendo uma das ferramentas mais interessantes e eficientes da web.

Ilustradores: A/O D/O (antes de ontem / depois de ontem)

90 pessoas no Bistecão Ilustrado de maio.

Fotos aqui.

Muita coisa aconteceu ontem, durante a comemoração do aniversário do Kako, o que por si já é motivo suficiente para os amigos abistecados festejarem a noite inteira.

Uma muvuca maravilhosa, uma sinfonia de vozes, risadas, tilintar de copos, talheres e pratos sobre uma prancheta gigante, em forma de “U”, forrada de papéis kraft, ganhando vida a cada novo desenho.

fotos panorâmicas by Gil Tokio, o repórter fotográfico oficial do Bistecão

Eu me peguei pensando em voz alta com alguns colegas, dizendo: “Olha isto, dá pra acreditar?”.

Mesmo com 3 anos e meio de Bistecão, eu ainda fico impressionado a cada novo encontro.

Neste encontro memorável tudo que estava acontecendo simultaneamente, e tivemos o privilégio das raras, sorridentes e gratificantes presenças de Negreiros, Gilberto Marchi, Baptistão, Ricardo Antunes, Mauro Souza, entre tantos outros.

As novidades quase extra-terrestres que o Hiro e Ricardo Antunes nos contaram de Nova Iorque, onde se reuniram com Scott C., Brad Holland e Alberto Ruiz-Diaz em seus estúdios, e como se isto não bastasse para nos fazer babar, eles nos contaram sobre as possibilidades de interatividade e futuras publicações, planos de viagens e encontros com outros artistas do mais grosso calibre internacional, e causos deliciosamente intermináveis, além de um episódio pitoresco e que fez este humilde escriba segurar as pontas pra não chorar na frente dos convivas.

O Alberto Ruiz-Diaz conhecia os ilustradores brasileiros por nome, por tema, por técnica e pelos seus feitos, como se tivesse estudado a História da Ilustração Brasileira: Hiro, Benício, Fernanda Guedes, Kako, e para a surpresa dos dois visitantes, e um quase enfarto do meu precioso mio-cárdio, ele comentou espontaneamente sobre o nosso recorde mundial do Sketchcrawl em São Paulo, e falou meu nome (sem errar)… O cara conhecia todos pela Revista Ilustrar! Até eu!

E o Hiro me emocionou como a uma criança na noite de Natal com este descomunalmente mega-gigante presente do Alberto, com dedicatória e tudo.

Mas ainda havia mais coisas chegando, em um verdadeiro trem-bão de novidades fodásticas, como o lançamento do álbum O GUARANI, de José de Alencar, ricamente ilustrado por Luiz Gê, e o anúncio da exposição das caricaturas do Baptistão na pizzaria Babbo, do irmão do Orlando.

O vagão seguinte trazia a inauguração oficial da Galeria Magenta, sob a batuta e a tutela de nossa musa inspiradora, Lady Guedes, e isto também já seria motivo de uma celebração abistecada, com brindes entusiasmados e aplausos, como de fato aconteceu.

Mas há uma novidade em especial dispara meus batimentos cardíacos pra lá de 90bpm e, como diria meu filho: “dá frio na barriga do pipi” só de pensar: uma conversa que eu tive na mesma tarde, com Jonh English, da Illustration Academy.

Eles estão reformulando o site e reescrevendo a História da Ilustração, e com isto vão mudar todo o conceito de ensino de ilustração, de um formato que já era revolucionário e transformador para algo jamais visto entre os ilustradores, não com esta qualidade e intensidade.

Videos online, alguns disponíveis para download gratuito, dando um gostinho do que está por vir em fins de Junho: treinamentos, consultoria, contests, comentários e críticas de imagens, tudo online, além dos videos transmitidos diretamente das Summer Sessions, enquanto elas estão acontecendo. Dois dias entre a apresentação e a disponibilização dos videos, o que é praticamente tempo real.

E o kiko?

Eles tem interesse real e imediato no potencial no Brasil e em seus ilustradores, nas palavras do próprio John English mentor do projeto e filho do homem-lenda da ilustração americana, Mark English.

Eu farei tudo que estiver ao meu alcance - e além dele - para tornar estes projetos em realidade, não só para mim, mas para todos que estiverem interessados em embarcar nesta aventura.

Em resumo, estamos todos, mas todos mesmo, bem mais próximos da Illustration Academy do que poderíamos supor.

Onde isto vai nos levar? Não sei ao certo, mas será para uma condição melhor, em pouco tempo.

Talvez em um avião apinhado de ilustradores brasileiros, indo para os EUA em junho do ano que vem.

É a realidade, estes são os fatos, tudo que poderíamos sonhar está começando a acontecer.

As boas notícias pelas quais todos nós estávamos sedentos, finalmente chegaram, todas de uma vez, no mesmo dia.

E isto é só o começo.

Patrocínio sob ameaça

Comentei neste post sobre as venenosas mudanças - via Projeto de Lei - na Lei Rouanet, especialmente sobre o Artigo 49, que resumidamente falando, é a redução do domínio público (dos direitos autorais patrimoniais, em projetos patrocinados via Lei Rouanet) dos atuais 70 anos a contar da morte do autor, para 3 anos.

É um absurdo gritante, um fiasco constrangedor da parte do MinC, tentar economizar uns trocados em cima de quem cria a obra. Coisa de alguns milhares de reais, quando muito.

Foram investidos quase UM BILHÃO DE REAIS em 2007, e o governo quer tirar uma casquinha do salário do autor. É uma palhaçada sem precedentes, uma lei de NÃO-INCENTIVO À CULTURA.

Mas isto era, até ontem, uma opinião minha. Até que a Folha de São Paulo preecheu a capa da Ilustrada com uma matéria (com uma bela ilustração do Orlando) a respeito dos prejuízos que esta mudança na Lei Rouanet pode causar.

Foram ouvidos 15 representantes de empresas investidoras na Cultura, como Petrobrás, Carrefour, Porto Seguro, Itaú Cultural, Gerdau, Usiminas, CSN, CPFL, entre outras. Onze delas afirmaram que seus investimentos em cultura tendem a cair se as mudanças no Projeto de Lei for aprovado.

Se esse projeto for aprovado tal como proposto, cortaríamos pela metade nossos investimentos gerais nesta área. - Grupo Carrefour

Nossos investimentos certamente diminuiriam. Como pode o governo conhecer melhor a estraégia da nossa empresa? - Porto Seguro

E por aí vai.

Quero ver agora qual será o discurso dos trolls, pela-sacos, e tietes deslumbradas do MinC que fizeram seus comentários neste post da Sketcheria, em um blog, e até no Twitter, em defesa das mudanças da Lei Rouanet.

Alguém me ajuda a recolher os caquinhos da minha cabeça?

Eu não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje não tive como evitar.

Em menos de 140 caracteres, via Twitter, uma mensagem do amigo Joel Lobo, literalmente explodiu meus miolos: links para os videos da Illustration Academy.

Eu tenho postado alguns causos deste treinamento que fiz em Kansas/Liberty-MO, mas nada como ver e ouvir estes artistas legendários em ação.

Pela relação de amizade, admiração e respeito que se formou nos dois anos seguidos em que frequentei a Illustration Academy, o video me trouxe uma avalanche de lembranças, saudades e muitas sensações, do lugar e das pessoas mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer.

Brent Watkinson, o apresentador da luz vermelha, é um amigo muito querido e um ilustrador fenomenal. É realmente uma pena estar tão distante, sinto muita falta da sua genialidade e generosidade, e das infinitas horas de papos, sempre muito agradáveis e enriquecedores.

Deu vontade de atravessar a tela do computador e abraçar cada um deles, e agradecer novamente por tudo que eles me proporcionaram. Eu devo muito do que sou hoje, como ilustrador, à estes Mestres.

Chega de papo, vejam os videos, e saberão do que estou falando. Mas usem capacete, a não ser que não se importem em espalhar seus miolos pela casa inteira.

Gostou? Eu pirei.

Quer mais? Eu fui atrás das novidades anunciadas nos videos, e encontrei um site remodelado, com um super mega blog, podcasts, videos (em Visual Literacy), galeria e muito mais.

Visite o site da Illustration Academy e exploda o que restou de sua cabeça.

Se for doido mesmo, pirado, maluco irrecuperável, junte uma grana e se manda para lá.

É o melhor investimento que você pode fazer pela sua carreira, e vale cada centavo, pelo resto da vida.

Os planetas se alinham, e surge a Era de Ilustrarius

A foto do Ricardo com seu Sketchbook Abistecado poderia ter sido colocada no blog há alguns meses, mas eu aguardei um pouco, maturando os assuntos, esperando por temas e causos que justificassem uma postagem de proporções épicas, até que finalmente fatos épicos aconteceram nestas últimas semanas.

O feliz ganhador do único Special-super-custom-mega-boga-edition do Sketchbook do Bistecão, em janeiro deste ano.

Nossa saga começa com uma viagem internacional, de dois ilustradores: Hiro Kawahara e Ricardo Antunes, se encontrando em Nova Iorque.

O primeiro é um mago dos desenhos, capaz de fazer qualquer papel em branco virar sonho, e com o mesmo poder quase sobrenatural para a escrita. O outro, ilustrador publicitário com mestrado em storyboard, criador do Guia do Ilustrador, Revista Ilustrar e deslocador de montanhas, Ricardo Antunes.

O tempo passou, e ambos já se preparam para retornar ao Brasil, mas com novidades arrebatadoras, depois desta turnê Novaiorquina, capaz fazer qualquer ilustrador chorar de inveja.

Estiveram com Scott C., desenharam modelo vivo na Sketch Night da Society of Illustrators ao som de jazz, visitaram o estúdio de Brad Holland, com quem trocaram altos papos, e se tornaram irmãos-brothers do ilustrador/editor: Alberto Ruiz-Diaz (no centro, com o sketchbook do Hiro no colo).

É, aquele mesmo, desenhista de mulheres voluptuosas, criador da BrandStudio Press, que vende os livros mais cobiçáveis do mundo no viciante blog Process Junkie.

Foram todos encontros encontros de gigantes, e eu venderia um rim para ter participado deles, mas como não anunciei, agora não adianta resmungar, é só ver as fotos e aguardar pela próxima oportunidade.

Esta foto é o registro de um verdadeiro alinhamento de planetas, e uma nova era está prestes a acontecer: a Era de Ilustrarius.

Os três anunciam que muita coisa boa está para acontecer aos habitantes da ilustrosfera.

Os papiros com as revelações deste encontro, bem como as profecias dos colegas iluminados, relatadas pelos próprios, estarão no próximo Bistecão Ilustrado.

Bistecão Ilustrado: a 49ª razão para amar nossa cidade

A revista Época São Paulo desta semana traz a matéria “50 razões para amar São Paulo”, e não é que o nosso querido Bistecão Ilustrado é uma delas?

49. Desenhamos à beça
Toda última sexta-feira do mês, por volta das 20h, cerca de 70 ilustradores se encontram no Sujinho, ali na Consolação, para desenhar. Criado pelo desenhista Kako em 2006, o Bistecão Ilustrado reforça os vínculos entre profissionais da área. “Criei o Bistecão basicamente para conhecer outros colegas, porque, apesar de participar de listas de discussão, sentia falta de conhecer o povo”, diz ele. Antes de ir para casa, os participantes sorteiam as peças produzidas durante a noite. No último dia 11 de abril, os ilustradores paulistanos bateram o recorde mundial de sketchcrawl, maratona de desenho realizada em mais de 90 cidades. Por 12 horas, 154 ilustradores percorreram as ruas da cidade com seus cadernos de desenho e, bem à paulistana, encerraram a jornada na pizzaria.

Mais um motivo para comemorar o sucesso do nosso encontro mensal, que já está marcado para a próxima sexta, dia 29 de maio, no Sujinho da Consolação (esquina com Matias Aires), a partir das 20:00hs.

Novos workshops aqui no estúdio - agora tá valendo, com datas e valores

Novamente atualizando o post em que descrevi os novos workshops que vão acontecer aqui no estúdio, principalmente para dizer que já temos datas e valores para os 4 formatos.

Acabo de subir as novas páginas no meu website, onde você pode encontrar os detalhes, datas, valores e formulários de inscrição.

Dias 21 e 28 de maio: Técnicas de Sketching (tarde e noite)

Dias 23 e 30 de maio: Encadernação (tarde, na Pto de Contato)

Dias 3 e 10 de junho: Técnicas Mistas (tarde e noite)

Dias 2, 12, 19 e 26 de junho: Modelo Vivo (tarde)

Vai ser muito legal receber a galera aqui novamente.

A novidade é uma parceria que estou fazendo com a Pto de Contato, uma agência de coworking em Pinheiros, onde farei o primeiro workshop de encadernação, nos dias 23 e 30 de maio.

Fiz um estudo cuidadoso com os valores de cada workshop, que acabaram ficando abaixo dos valores que eu havia postado aqui anteriormente.

Eles ficarão entre R$ 80,00 e R$ 250,00 e as sessões de modelo vivo terão desconto para quem se inscrever para o mês todo, em 4 encontros. Quem quiser comparecer em uma única sessão também será bem-vindo, mas fica sem o desconto.

A partir daqui o post é o mesmo de antes, que era um teaser que antecipava as novidades que acabo de contar.

Espero vocês aqui (ou na Pto)!

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De 2005 a 2007 eu fiz uma série de workshops e mini-palestras aqui no estúdio, e foi uma fase muito produtiva, tanto para mim como para as quase 100 pessoas que estiveram aqui, dedicando seu tempo e sua atenção aos assuntos e trabalhos que desenvolvemos juntos.

Suspendi temporariamente estes workshops por cerca de dois anos, e confesso que eu também sinto falta desta troca de idéias. Quando estou com as turmas frequentando o estúdio eu produzo muito mais, um tanto pela necessidade de demonstrar as técnicas e me fazer entender visualmente, mas também por ficar contagiado pela motivação que as pessoas trazem quando encontram o que procuram.

A abertura desta nova temporada de treinamentos deve acontecer na Ponto de Contato, um escritório de coworking, em Pinheiros, onde fui convidado a apresentar o primeiro destes encontros. A data ainda está em aberto, mas deve acontecer na segunda quinzena de Maio.

Estou preparando o conteúdo para 3 novos workshops, e remodelando outro, que sempre foi um dos meus favoritos:

ENCADERNAÇÃO DE SKETCHBOOKS - técnica de montagem e proposta funcional.
Processo manual de furação, costura e montagem de sketchbooks, e dicas de utilização do sketchbook como instrumento de exercício criativo.

SKETCHING - técnicas e exercícios
Técnicas, métodos e macetes, como materiais, papéis, temas, padrões abstratos, desenho de locação, e outros assuntos que exploram ao máximo os limites do bom e velho caderninho de desenho.

DESENHO DE MODELO VIVO - técnicas e exercícios
Toda vez que eu comento sobre este assunto todo mundo se mostra interessado, e eu sempre me questionei sobre os grupos que se reunem, desenham e vão embora. Falta alguma coisa, falta um método, uma orientação e uma meta nestes encontros.

E eu resolvi colocar em prática o que eu sempre quis nas sessões de modelo vivo: metodologia.

Serão 2 horas de estudos de anatomia (com referências fotográficas, videos e livros) seguidas de 2 horas de desenho com modelo vivo. Quando a (o) modelo chegar, todos estarão aquecidos, focados, com uma meta, e as poses seguirão este padrão. Um livro de anatomia artística, escrito por John Raynes, sempre me inspirou, mas é preciso ter um modelo para seguir os 33 exercícios propostos, e mesmo sendo em formato modular, ou seja, o participante pode chegar em qualquer uma destas fases do workshop, é claro que vão se beneficiar mais aqueles que seguirem a sequência evolutiva dos exercícios.

TÉCNICAS MISTAS - materiais, técnicas e exercícios
Eu tenho um arsenal técnico pouco utilizado nestes tempos digitais, adquirido principalmente no período que estudei em Kansas, na Illustration Academy. Mas sinto que há uma demanda cada vez maior pelas técnicas tradicionais, tanto de clientes como de colegas ilustradores. Eu esperei a vida inteira por este momento, e finalmente ele chegou. É hora de sujar os dedos, trabalhar em papel, tela, madeira e misturar técnicas, experimentar, ousar e descobrir novas possibilidades gráficas.

A cada workshop de dois dias, uma técnica será apresentada, estudada e praticada. Pastel seco com solvente inodoro, acrílica com aquarela, óleo e resina alquídica, lápis de cor, giz de cera em papel vegetal, xilogravura, monotipia, caligrafia experimental, enfim, tem assunto para muitos encontros.

Fique atento aos posts aqui na Sketcheria, que será o lugar onde cada um destes workshops será anunciado.

As inscrições serão feitas no website, e as vagas serão preenchidas por ordem de chegada.

Ainda estou compondo os valores para cada treinamento, mas deve variar entre R$ 200,00 e R$ 300,00 cada um, com pacotes progressivos de desconto para o workshop de modelo vivo.

Estou ansioso por começar, e espero receber vocês partir do próximo mês.

O mercado editorial não é uma causa perdida

Quanto tempo esperei para escrever isto com a boca cheia, satisfeito e seguro?

Não sei, mas faz muito tempo.

Eu me preparei durante anos para atender ao mercado editorial, mas aprendi rapidamente que o editorial não atendia ao meu mercado.

Mercado, aluguel, combustível, dentista, conta de água, luz, gás, telefone, internet…

Mas talvez eu estivesse atendendo aos clientes editoriais errados, e ainda que ostentem sedes babilônicas e ajam como senhores feudais, eu é que sou “caro demais” para eles, veja só.

Mas fui positivamente surpreendido por editoras menores, me contratando pelos valores que eu uso em minha tabela, sem choradeira, sem reclamação e sem atrasos no pagamento.

Uma verdadeira inversão de valores, pequenos agindo como grandes e vice-versa.

Recentemente fiz as ilustrações de um livro de contos escritos por Leonardo DaVinci, que será publicada pela Editora Berlendis & Vertecchia em breve.

Foi um projeto fascinante, onde tive liberdade na escolha da técnica, na adequação das imagens aos textos, e tudo isto só foi possível porque a negociação foi clara e direta desde o primeiro telefonema, do Sr. Berlendis, em pessoa:

“Consultei sua tabela e nosso orçamento bate com seus valores, vamos trabalhar?”.

Minha resposta foi: “Claro, começamos agora”.

Nestes trabalhos usei lápis pastel, que era uma técnica que até então só tinha feito em meus sketchbooks, e foi a oportunidade ideal de colocar em prática estes estudos.

No ano passado outra editora modesta, que publica a revista Contra-Relógio, especializada em maratonas, me chamou, pagou os valores de capa da minha tabela, ofereceu espontaneamente um pagamento decente pela reprodução da mesma imagem na abertura da matéria, e fechamos negócio.

Pagaram no dia combinado, na mesma semana em que entreguei a imagem.

Curioso comentar sobre o sucesso de uma negociação editorial como se isto fosse uma exceção, um motivo de festa.

Pensando bem, do jeito que anda este mercado, talvez seja mesmo um grande achado, merecendo uma celebração muito maior.

Vale dizer que a minha tabela é a mesma desde 1998, há 11 anos.

Nem um centavo de reajuste, e ainda há quem ache “caro”. Que piada.

A variação do índice IGP-M entre 01 de Janeiro de 1998 até hoje, 12 de Maio de 2009, foi de 179,4178 %, ou seja, meus preços deveriam ter sido multiplicados por 2,794178 e não acachapados para 1/3 ou menos do que se pagava há 10 anos.

Aqueles podem ser considerados os anos prateados da ilustração, porque nos dourados anos 70, um original feito para as grandes editoras era pago a um valor equivalente a um carro popular, zero KM, à vista.

Pena que eu cheguei tarde, e não vivi estes áureos tempos, que hoje em dia parecem mais um conto de fadas.

Mas acredite, esta já foi a realidade para muitos ilustradores brasileiros, como Gilberto Marchi, na ativa até hoje.

Entrevista com os Gêmeos no Starte

Gustavo e Otávio Pandolfo, os Gêmeos do grafite, como são conhecidos.

Para eles o grafite foi o começo de uma grande e bem sucedida aventura pelo mundo das Artes Plásticas (com letras bem maiúsculas).

(Dica de Ricardo Antunes, via Twitter)

Gary Taxali manda um recado para seus clientes ruins

De tempos em tempos acontecem certas mudanças de paradigma, umas para o bem, outras para o mal.

A revolução industrial, a queda da bolsa em 1929, o milagre econômico brasileiro, enfim, altos e baixos.

Eu devo ter entrado no crepúsculo do mercado de ilustração, ainda me lembro de diretores de arte me recomendando entrar no Clube dos Ilustradores, mas ele terminou antes que eu pudesse me associar.

Quando eu fiz meu primeiro trabalho editorial, este mercado ainda pagava bem, e em 1999 recebia de R$ 1.200,00 a R$ 2.200,00 por uma página dupla para a Superinteressante. A Playboy pagava R$ 1.000,00 por uma dupla, que sempre vinha com uma porção de vinhetas, que acabavam dobrando este valor no final.

Tudo parecia ir muito bem, até que o Bin Laden mandou derrubar o WTC, o Pentágono e a Casa Branca (esta última não deu certo).

Uma terrível mudança de paradigma. O mundo ficou pior a partir deste dia. Acabou a ingenuidade, e virou noite sem lua no mercado editorial. Todos se tornaram reféns e algozes de todo mundo, e esta peste se espalhou pelo mundo corporativo como chamas em um palheiro.

Teve cliente que só faltou chorar nos meus ombros, dizendo que a editora demitiu 3 mil funcionários, que não sabia se iriam fechar, enfim, tragédia total.

No mercado editorial os preços caíram… caíram… e caíram mais um pouco.

Nunca mais subiram, esta é a verdade.

Passaram-se 8 anos e a editora não fechou, na verdade cresceu em número de publicações, mas eles perceberam que, mesmo com os preços ao rés do chão, os negócios iam bem, e eles decidiram baixar as tabelas ainda mais.

E baixaram… baixaram… e baixaram mais ainda, até um nível insustentável, irrespirável.

Hoje os preços oferecidos parecem uma piada sem graça, e aí o que acontece?

O quebra-quebra financeiro mundial. Trilhões de dólares vaporizaram em semanas, e o mundo ficou ainda pior do que já estava.

Mais uma quebra de paradigma, uma devastação econômica, ninguém mais tem dinheiro.

E os clientes mais mal intencionados usam este momento para fazer o quê?

Baixar as tabelas ainda mais, bem abaixo da linha de sobrevivência de seus fornecedores. Ou partem para concursinhos picaretas, contratos de risco ou o escambo na cara dura.

Neste momento desesperador, surge uma quebra POSITIVA de paradigma:

O ilustrador Gary Taxali recebe várias propostas aviltantes, sacanas e desleais. Swatch, Google e as editoras cruzaram a linha do respeito, e tomaram uma invertida que se tornou a nova propaganda viral contra os clientes ruins.

Acompanhe o texto de Gary Taxali, postado recentemente em seu blog, em repúdio e protesto contra os clientes picaretas, e veja se ele não está coberto de razão:

Não me chame
“Recentemente tem havido uma SEVERA retração na indústria. Pagamentos baixos tem sido um problema por um bom tempo, mas as coisas estão piorando. Os fees dos clientes estão baixando ainda mais, e os direitos que eles exigem são cada vez maiores.
Quer exemplos? O que você acha da SWATCH me ligando para solicitar o design de um relógio. Eles queriam a transferência integral de direitos por valores insignificantes. Como se isto fosse acontecer. O GOOGLE me chama e quer meu trabalho para seu novo mecanismo de busca por toda a rede mundial, e o pagamento? Nada. Clientes da área editorial estão cortando os valores de 1999 praticamente pela metade, e a crise econômica é a desculpa.
Quer saber? Minha desculpa é que a economia está ruim, portanto você deve me pagar MAIS por uma ilustração.
Que tal isto como um pacote de estímulo econômico?
Então aqui para todo cliente com valores e negociações de merda. Não desperdice meu tempo nem me contate.
Eu estou muito ocupado trabalhando para clientes que respeitam os artistas, e você está gastando meu tempo com suas solicitações. Aqui pra vocês, a minha saudação especial, e espero que ela mantenha você afastado, porque eu não preciso do seu trabalho.”
Gary Taxali - ilustrador americano

O curioso é que desde que ele postou este desenho, várias pessoas solicitaram que ele produzisse camisetas com a imagem, e elas já estão à venda na loja virtual do site dele.


Eu acho que ele virou a mesa num momento crítico, mandou um recado claro para seus clientes ruins, e deu um exemplo a ser seguido pelos seus colegas de profissão.

Gary Taxali criou um novo conceito de negociação à partir da pressão absurda dos clientes, todos culpando a crise mundial para arrochar ainda mais os valores, que já eram ridículos.

Para baixo não dá mais, chegamos no limite. A próxima parada é no inferno.

Melhor tomar uma atitude agora, e começar a subir, a não ser que você tenha vocação para atender pessoalmente aos jobs do Grão-Duque Satanás.

Virada cultural 2009

Off topic logo na segunda-feira?

Nem tanto.

No dia da abertura da Virada Cultural acordei determinado a passar dois dias desenhando a cada oportunidade que aparecesse, e comecei no café da manhã. Mas ainda não estava acelerado o suficiente, eu tenho a tendência de esticar um rascunho por quase uma hora, um hábito que preciso combater com muito desenho, torrando folhas e mais folhas do sketchbook.

Chegando no evento eu me preparei para exercitar o desenho mais desencanado, acelerado, rascunhão mesmo.

E nem poderia ser diferente, por causa da dinâmica do ambiente. Ninguém ficava parado por mais de 30 segundos, e mesmo que ficasse, sempre aparecia alguém na frente, então tinha que ser rápido mesmo, e contar com a memória visual.

Mesmo a fila mais demorada que peguei, cerca de uma hora e cinquenta, andava, e isto me fazia desenhar em modo acelerado.

Conceitos que vou aplicar no workshop de técnicas de sketchbook que começam neste mês.

Para o meu desespero, os portões do Municipal fecharam com mais de 200 pessoas na fila à minha frente. Parti para o plano B, e peguei a primeira fila do telão, instalado na frente do teatro.

O som estava bom, e tive várias câmeras oferecendo diversos ângulos excelentes para desenhar, e a cada troca de cena eu começava um rascunho novo, em 3 sketches simultâneos.

Ficou tosco…

Que bom!

Eu experimentei um novo formato ao desenhar em um ambiente diferente, inusitado. Desenhar fora do estúdio, longe da sua área de conforto, à noite, com gente esbarrando no seu braço, e até mesmo andando, foi uma experiência nova, e estou certo que vai ser moleza voltar a desenhar em lugares mais adequados.

O evento foi fantástico, vi Egberto Gismonti, Cama de Gato, Zeca Baleiro, Francis Hime com orquestra e Central Scrutinizer (banda que faz cover impecável do Zappa), mas o Ike Willis não era cover, ele tocou e cantou com o “homi” por vários anos.

Estive na livraria HQ MIX do Gualberto Costa e sua esposa Daniela Baptista, e encontrei vários amigos por lá, entre eles Salvador Messina (em pé), na foto com o dono da casa.

Se você ainda não conhece a livraria, não sabe o que está perdendo, aquilo é o paraíso, a perdição, um templo de luxúria, lotado de objetos de desejo para quem gosta de quadrinhos e Arte em geral.

Dos livros e revistas que a gente gosta, a livraria HQ MIX tem tudo e mais um pouco.

E como lá se tornou um ponto de encontro de desenhistas, terminei a madruga de sábado entre amigos, desenhando um paper toy art do Grandpa Munster, o vovozinho da Família Monstro.

Ele tinha um restaurante no Greenwich Village em Nova Iorque chamado Grandpa’s, onde atendia os clientes pessoalmente, vestido e maquiado como nos filmes. Quando se candidatou a prefeito da cidade, ele disse: “Nós não herdamos o mundo dos nossos ancestrais, nós o tomamos emprestado de nossas crianças”.

Outros artistas fizeram suas contribuições, entre eles o Spacca com seu traço inconfundível.

Voltando ao off topic, as fotos que tirei na Virada Cultural estão no Flickr da Sketcheria, inclusive algumas da Estação da Luz, onde havia uma exposição de carros antigos e uma bucólica senhorinha tocando piano em um dos saguões da estação.

O espaço de música instrumental decepcionou, por ter sido confinado à rua Conselheiro Crispiniano, com um ar intoxicante devido aos geradores de energia movidos à diesel.

Suportei apenas o primeiro show com Daniel Daibem tocando samba-rock na banda Hammond Blues, batizada assim por ter um tecladista com um órgão legendário com este mesmo nome. Este instrumento ficou mais legendário ainda, depois de ter sido tocado por Jon Lord (Deep Purple) em um show que eu perdi naquele mesmo dia, infelizmente. Se eu soubesse, teria começado exatamente nesta apresentação.

Uma decepção que me fez ir passear lá longe (no começo da segunda música) foi o citarista Alberto Marsicano tocando músicas de Jimi Hendrix. Eu já tinha visto um recital de cítara em um centro de estudos indiano com ele, muito legal, mas desta vez ele pirou grandão.

Banda ruim, deprê, som monótono, chão colando, a ripaiada amontoada em coma na grama, e o som da cítara ecoando na praça feito pernilongossauro gigante, agonizando em uma looonga bad trip de Detefon com marofa.

Fui tomar café no outro lado da cidade, ouvindo piano na Praça dom José Gaspar.

4 milhões de pessoas no Centro de SP tornam a paisagem em algo quase surreal, é uma multidão mesmo, no sentido mais literal da palavra, e a cidade sofreu com isto. No final do domingo os amontoados de lixo tentavam minimizar o estrago, mas o chão colava no solado e a quantidade de gente caindo pelas tabelas mostravam o lado feio da festa.

Só mesmo o som de Frank Zappa para me fazer aguentar corajosamente esta maratona até o final, em que eu tive apenas duas horas de sono e um banho apressado entre o primeiro e o segundo dia.

Mas no ano que vem estarei lá novamente.

Mudanças na Lei Rouanet (ou cadê o Direito Autoral que estava aqui?)

Recebi um e-mail do animador brasileiro Céu D’ Ellia, alertando para o perigo de termos um projeto de lei alterando a Lei Rouanet (de incentivo a cultura), que podem vaporizar os direitos autorais do criador da obra depois de 18 a 36 meses.

O e-mail dele, excelente por sinal, pode ser lido aqui.

Na quarta-feira, dia 6 de maio, termina o prazo para manifestações sobre o novo texto da Lei Rouanet.

Qualquer autor (escritor, músico, ilustrador, fotógrafo, artista plástico ou designer) que tiver noção de quanto isto é danoso e lesivo ao seu próprio dinheiro, pode enviar um e-mail profic@planalto.gov.br com a seguinte mensagem:

SOU CONTRA O ARTIGO 49 PROPOSTO NO PROJETO DE LEI.

Não deixe que o governo arranque (novamente) o dinheiro que é seu por justiça e por direito.

Direito Autoral é o salário do autor.

Proteste!

Segue abaixo o texto que eu acabo de enviar à Casa Civil, com cópia para diversos jornalistas da radio CBN (milton@cbn.com.br, everson@cbn.com.br, roberto.nonato@cbn.com.br, roxane.re@cbn.com.br, vanessa@cbn.com.br, lizan@cbn.com.br, tania.morales@cbn.com.br, herodoto@cbn.com.br, cbnsaopaulo@cbn.com.br, piotto@cbn.com.br, e adalberto.piotto@cbn.com.br).

_________________________________________________

Caros senhores,

Escrevo por discordar com as mudanças da Lei Rouanet, especialmente no que diz respeito à perda dos direitos autorais dos criadores da obra, em um período de 18 meses a 3 anos.

Quem produz Arte não vive de amor à Arte, é um meio de vida, um sustento legítimo, legal, honesto e gerador de impostos, como qualquer outra atividade comercial.

Ser obrigado a abrir mão dos direitos autorais e patrimoniais de uma obra significa que o autor deixará de receber o pagamento por um trabalho, sendo que as outras partes integrantes da cadeia produtiva (gráficas, distribuidoras, editoras, bancas e livrarias) continuarão a receber o que lhes é justo.

Todos trabalhamos por um objetivo claro: manter o nosso sustento, não como “artistas” no sentido lírico e sonhador da palavra, mas como trabalhadores que somos.

A palavra “Arte” banaliza e mitifica a real função do nosso trabalho: a CRIAÇÃO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL não é uma atividade lúdica, nem mera terapia ocupacional. Estamos falando de trabalho especializado, que gera empregos, custos internos, impostos, e nos consome anos de investimento para estudar, dominar e produzir tal serviço.

Não fazemos isto por outro motivo senão manter a sobrevivência, nossa e de nossos dependentes, e isto está sendo colocado em risco com esta alteração da Lei Rouanet.

É muito importante que as Leis brasileiras sejam feitas de forma a construir melhores condições de trabalho e sustento aos trabalhadores, e não suprimir o pagamento que lhes é justo e de direito, conquistado com esforço e especialização, que também não nos chega por um “dom divino”, mas por décadas de investimento e estudos.

Peço que reconsiderem os fatos, e removam o artigo 49 deste Projeto de Lei.

Art. 49.  O Ministério da Cultura e demais órgãos da Administração Pública Federal poderão dispor dos bens e serviços culturais financiados com recursos públicos para fins não-comerciais e não-onerosos, após o período de três anos de reserva de direitos de utilização sobre a obra.
Parágrafo único.  A disposição dos bens tratados neste artigo para fins educacionais, igualmente não-onerosos, poderá se dar após o período de um ano e seis meses de reserva de direitos de utilização sobre a obra.

Que as “Leis de Incentivo à Cultura” sejam implementadas para colocar em prática exatamente o que o nome implica: INCENTIVO e não o oposto disto.

Atenciosa e respeitosamente,

Montalvo Machado
ilustrador - SP

Uma revista antenada e um concurso decente

Tem aquelas coisas que dão um baita orgulho de ver nascer, acompanhar de perto, ver tomar forma e criar vida própria.

É o caso da Revista Ilustar, feita pelo brasileiro Ricardo Antunes, que mora em Lisboa.

Ele teve a ideia, criou e realizou o projeto, cavou entrevistas com alguns dos maiores nomes da ilustração, resgatou o passado com reportagens sobre vários ilustradores que deixaram sua marca na História da profissão, e tem um olhar atento para os novos talentos, abrindo espaço e dando destaque para quem está pavimentando o futuro deste mercado.

Passado, presente e futuro compilados em uma revista bimestral, antenada e gratuita.

E eu tive o prazer e o privilégio de ver tudo isto acontecer em primeira mão, dando até uns pitacos de vez em quando.

É muito bom ver algo dando certo e fazendo História.

Como se isto não bastasse, o Ricardo tomou mais uma atitude pioneira, e porquê não dizer, corajosa: Fazer um concurso decente, respeitando e preservando os direitos autorais dos participantes, e com uma premiação que é o sonho de consumo de todo ilustrador: uma Tablet Wacom Intuos 4 de última geração.

Está provado que é possível fazer um concurso bem premiado que não lese os direitos do autor das imagens de todos os inscritos.

Mas chega de rasgação de seda (com seus justos motivos) e vamos ao que interessa.

Baixe gratuitamente seu exemplar da edição nº 10 da Revista Ilustrar, e confira se estou exagerando.

Esquentacrawl na Virada Culturawl

Neste sábado e domingo acontece a 5ª Virada Cultural, um evento que reuniu cerca de 4 milhões de pessoas no centro de São Paulo no ano passado.

Eu levei a câmera, mas fui sem caderninho, e foi uma bobeira danada porque o que tinha de fila e gente parada seria perfeito para encher algumas páginas do sketchbook.

No website do evento tem toda a programação.


Neste ano eu não perco o Egberto Gismonti e Arthur Maia (grupo Cama de Gato), ambos no Teatro Municipal, o Central Scrutinizer Band (cover impecável de Frank Zappa, desta vez com Ike Willis, que tocou por vários anos na banda do Zappa) e o Roberto Marsicano tocando Jimi Hendrix na cítara (??!!?!?!?) na Praça da República.

Certamente vou me plantar no palco de música instrumental, como fiz no ano passado, onde tocaram vários músicos geniais, que eu venho acompanhando desde sempre, e rodar pelo centro vendo os outros shows, até formigarem as pernas.

Vai ser muito legal fazer um Esquentacrawl na Virada Culturawl, e aproveitar para fazer um reconhecimento da área para o próximo Sketchcrawl, que será no centro de Sampa.

Workshop de Caligrafia Experimental em SP

No ano passado eu postei aqui sobre o workshop que fiz com Cláudio Gil, e ele volta nesta semana a São Paulo para um novo treinamento no ateliê da Cláudia Branco e uma exposição de seus trabalhos na galeria Choque Cultural.

O workshop acontecerá nos dias 1º e 3 de maio, e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 11 5575-2655 ou pelos e-mails caligrafia@andreabranco.com.br e eukaligrapho@gmail.com.

Não dá pra perder!

Sketchcrawl Brasil - Novo recorde mundial: 154 participantes em SP

Este foi meu único desenho inteiro do Sketchcrawl, outros dois ficaram inacabados, mas tudo bem, esta é a proposta mesmo, e não ter a obrigação de finalizar também é parte da magia do encontro.

Depois do Sketchcrawl tive duas semanas corridas com trabalho e um feriado dedicado à família e ao ócio criativo, portanto o blog ficou uma semana sem updates pela primeira vez, mas provavelmente pela última.

As atualizações voltam a acontecer pelo menos 2 ou 3 vezes por semana.

O ideal para este post seria detalhar o encontro, contando as maravilhas do Sketchcrawl em diversas partes do Brasil e do mundo, que batemos nosso recorde de participantes em SP pela segunda vez consecutiva (arriscando bater novamente no próximo, que acontecerá no centrão da cidade), que o Enrico Casarosa não foi para o encontro em San Francisco por causa de uma baita gripe, mas que ele publicou um livro de 40 páginas com seus desenhos feitos nos outros Sketchcrawls, enfim, assunto sempre tem, mas em tempos de comunicação em tempo real, duas semanas fazem um post ficar desinteressante, datado, quase velho. Quem diria.

O blog do Hiro e o website da Bullet postaram na semana seguinte ao evento, vale a pena conferir.

Então apenas para não passar batido pelo assunto, e dar alguma satisfação aos visitantes da Sketcheria, ávidos por imagens, cheios de paciência para ler meus textos, vou fazer um comentário econômico, redundante e totalmente previsível:

“Foi muuuito legal…”

Tá bom, foi exageradamente econômico, mas foi sincero. Eu realmente não consigo escrever pouco…

154 participantes compareceram em São Paulo, mesmo sendo um feriado de Páscoa, e todos se divertiram muito, trocando mais informações do que eu posso imaginar. É impossível conversar o suficiente com todos, mesmo em quase 12 horas de Sketchcrawl. Eu desenhei pouco, mas me diverti muito, indo de grupo em grupo, curtindo os papos e os desenhos de quantas pessoas eu pude me aproximar.

Tudo terminou em pizza, no Macedo, e dois colegas saíram antes desta foto, mas brindamos a todos, presentes e ausentes do Sketchcrawl.

Temos novas imagens no Flickr do Sketchcrawl Brasil, que já ultrapassou os 15.000 acessos desde que foi criado em janeiro!

Lá estão as minhas 250 fotos, meu único desenho, mas em compensação há trocentas novas imagens dos colegas que conseguiram se concentrar mais no sketchbook e render uma produção bem melhor que a minha.

Aqui podem ser vistas as fotos e imagens de São Paulo no fórum oficial do evento.

Estes foram os produtos doados por vários participantes do evento. Nem todos sabiam da doação para a Casa Maria Helena Paulina, um instituto assistencial que trata de crianças carentes com câncer.

Ainda há tempo de fazer sua doação. Basta enviar um e-mail para wwsc.brasil@gmail.com e combinar o envio.

Não deixe de conferir o Fórum Internacional do Worldwide Sketchcrawl, onde pessoas do mundo inteiro estão postando fotos, sketches e as estórias do dia do encontro. Conheça as cidades através do olhar dos outros artistas que foram às ruas no mesmo dia que nós!

Para ter suas fotos no Flickr do Sketchcrawl Brasil, as fotos devem ser enviadas no tamanho máximo de 1024 pixels para wwsc.brasil@gmail.com , e quem quiser se manter informado sobre os próximos encontros (Sketchcrawl mundial ou mini-encontros ocasionais) basta enviar mensagem em branco para Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br , e assim estará inscrito automaticamente na lista YahooGroups do evento.

Há um post aqui na Sketcheria com todos os links sobre o evento, reportagens, fóruns, etc, e eu coloquei um link permanente que leva a este mesmo post no lado direito do blog, em Sketchcrawl Brasil - Todos os links do evento.

Sketchcrawl de Páscoa - vamos quebrar nosso recorde mundial?

(Editei a data deste post em função da proximidade do Sketchcrawl. Assim ele volta ao topo dos posts até o nosso encontro)

Sabadão, 11 de Abril de 2009. Bem no meio do feriado de Páscoa, mas tudo bem. Vamos desenhar na rua mesmo assim.

Estamos chegando ao 22º Worldwide Sketchcrawl, a maratona de desenho que movimenta milhares de pessoas em mais de 90 localidades do mundo, com um único objetivo: desenhar na rua.

Na edição passada, em janeiro deste ano, tivemos participantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Natal, Fortaleza, Florianópolis, Goiânia, Curitiba e Foz do Iguaçu, além de São Paulo atuando em 3 localidades, Capital, Santos e São Carlos.

A grande surpresa foi ter quebrado o recorde mundial de participantes logo na primeira edição organizada no Brasil, com 120 integrantes na Vila Madalena, em São Paulo. As fotos deste dia estão neste post.

Por ser um evento gratuito, sem inscrição, burocracias ou pré-requisitos, o Sketchcrawl é um convite aberto a todos que quiserem participar, sozinhos ou em grupo, em qualquer localidade do planeta.

Se faz tempo que você não desenha, tudo bem, não é um concurso, tem gente que leva os filhos, é um momento de lazer, não de competição.

Todos os links do Sketchcrawl Brasil estão neste post, onde você encontrará o grupo formado no Yahoo, onde as pessoas de todo o país se organizam para desenhar na rua, reportagens em jornais, blogs e revistas online sobre o evento no Brasil, enfim, tá tudo lá.

No encontro de janeiro fizemos uma arrecadação de não perecíveis, como alimentos e produtos de higiene, para doação a uma entidade assistencial. Foram 46 pacotes de diversos itens, enviados à Casa Assistencial Maria Helena Paulina, que cuida de crianças com câncer. Esta será a nossa entidade beneficiária dos próximos Sketchcrawls.

Se estiver com o coração generoso, traga seu produto não perecível e contribua também.

Em outros estados cada grupo pode escolher uma entidade ou doar a arrecadação para a Defesa Civil, que distribui em pontos críticos pelo Brasil.

Em São Paulo o encontro acontecerá no Parque Ibirapuera, às 10:00hs, na frente do Monumento às Bandeiras, também conhecido como “deixa que eu empurro”.

Ficaremos lá por umas duas horas, seguindo por dentro do parque até o final da tarde, desenhando até cansar. Aí a gente desenha mais um pouco, quem sabe reúne o pessoal para tomar alguma coisa e volta para casa feliz da vida.

No dia seguinte as pessoas do mundo todo postam seus desenhos e fotos fórum internacional do WWSC, e conhecem outras cidades através dos olhos dos participantes.

Detalhe: a conta desta vez não será rachada, cada um paga a sua. Quem não quiser se preocupar com grana pode levar um lanchinho.

E aí, vamos quebrar o recorde mundial novamente? É só chegar.

Se estiver meeesmo a fim de quebrar este recorde, conte para os amigos, use suas listas, seu blog, MySpace, Tweeter, enfim, agite sua rede social e participe. É gratuito e muito divertido.

O mistério das toalhas rasgadas e canetas que somem

Desde agosto do ano passado o Kako trouxe uma novidade para o Bistecão Ilustrado, o encontro mensal dos ilustradores: toalhas de mesa em papel kraft, para os convivas desenharem até se fartar.

O que fazer com as folhas ricamente ilustradas foi um dilema, mas às 4 da matina encontramos uma solução: sketchbooks personalizados. Vai dar trabalho? claro! Mas vai ser legal, vamos criar algo realmente inédito e duradouro.

Inventamos, planejamos e fizemos.

Desde dezembro sorteamos 4 cadernos a cada encontro.

Com o tempo, a dedicação e o besteirol de Christiano Parentoni, Gil Tokio, Márcio Guerra, Alex Cói e este que vos brinda atrás das lentes, foi formado o primeiro de vários grupos de voluntários com boa vontade transbordando pelos poros para fazer a linha de montagem dos cadernos.

Eu já perdi a conta das horas investidas para fazer os presentes que se tornaram um objeto de desejo para todos os frequentadores do Bistecão, e esta energia boa só faz aumentar a cada caderno produzido.

Temos muito orgulho em sermos os protagonistas de uma mudança de paradigma que dizia que “ilustrador não é unido”. Estamos formando um novo modelo de relacionamento entre os ilustradores, e só daqui há alguns anos saberemos se tudo correu conforme os planos.

Estamos apenas mudando as regras do jogo, inventando o futuro de acordo com nossos ideais.

Também não podemos dizer que foi fácil, o sucesso nunca é obra do acaso, da preguiça ou da omissão.

Tivemos um imenso prazer em construir e ampliar a rede de amigos através do Bistecão, e ralamos muito para que tudo desse certo.

Temos uma coisa como meta, ainda que seja modesta: um dia todos os frequentadores do Bistecão terão seu caderninho personalizado, numerado, e recheado de desenhos feitos durante o encontro.

É claro que virão também nódoas de gordura de uma suculenta bisteca maior que o prato, ou de uma cebola voadora qualquer, folhas enrugadas e manchadas por um eventual banho de cerveja, e até palitos de dente espetados ou um arrozinho solitário colado nas páginas.

Coisas que só dão mais charme, personalidade, individualidade e autenticidade a cada caderno, que jamais será igual um ao outro.

O sketchbook do Bistecão é a materialização da mudança daquele paradigma velho e improdutivo que manda os ilustradores serem individualistas, tristes e isolados em seus estúdios, imersos em seu autismo artístico.

O caderninho artesanal, gratuito, exclusivo, é a meta-linguagem do encontro alimentando o próprio encontro, devolvendo a energia entregue pelos frequentadores, em forma de presente, aos próprios frequentadores.

A amizade, a magia de cada encontro, aquelas horas que passam voando, todas as risadas, a voz do Kako sorteando os presentes, tudo isto está impregnado em cada folha dos cadernos.

Nossos netos poderão explicar melhor o que significa ter um sketchbook numerado do Bistecão. Por enquanto ninguém é capaz de ter a noção exata do valor histórico de cada um deles.

O Orlando fez este desenho belíssimo, mesmo sabendo que um dia vai ser cortado e virar sketchbook. Um verdadeiro Ninja na arte do desapego material.

Cada folha, toda folha, vai virar sketchbook. Esta é uma regra que nunca será quebrada.

Não tem uma que escape, por mais belo ou tosco que seja o desenho, por mais importante ou desconhecido que seja o desenhista, todas elas, sem exceção, viram caderno.

Até mesmo as que foram rasgadas ou cortadas por algum convidado vão para os cadernos, nada será poupado. Temos várias folhas faltando pedaços, e isto também faz parte da materialização dos nossos encontros.

Mas em algum momento da festa umas poucas pessoas perdem o senso de coletividade, e uma atitude egoísta bate mais forte. Nesta hora o cara não quer saber dos outros, não respeita ninguém, nem a ele mesmo, mete a mão e leva pra casa uma coisa que era para ser de todos.

Justamente a folha que tem escrito “10 APEGO” teve uma naca enorme levada embora. Que ironia, não?

Não foi a primeira vez, nem será a última. Inteiras ou aos pedaços, estas folhas vão para os cadernos.

Elas são parte da gente, mesmo que sejam um reflexo feio e distorcido num espelho quebrado, é a nossa cara que está ali.

Desenhar nas toalhas é um exercício de desapego, assim como cortar as folhas na hora da encadernação. Eu cheguei a dividir esta angústia com os amigos neste post.

Aos que se apegam demais aos seus rascunhos, sugiro desenhar no próprio caderno. Seria melhor deixar as toalhas para quem já domina a difícil Arte do desapego.

O caderno de cada um não tem preço, é um tesouro pessoal. My preeeeeciousssss…

Sabemos respeitar isto, e jamais rasgaríamos o caderno de um amigo, principalmente na cara dele.

Mas há os que rasgam o feto do que ainda será um caderno, na cara dura, sem o menor pudor, e nem ficam vermelhos por isto.

O mundo dá voltas, e existe a possibilidade que no dia em que você ganhar o seu caderno, justamente o seu, caramba, venha faltando um pedaço. Talvez seja exatamente aquele pedaço que você viu um cara levar, e você não fez nada para impedir.

Com tanta tecnologia, câmeras digitais, celulares de última geração, etc, bastaria um clic para levar aquele desenho para casa.

Sem falar que cada folha é fotografada antes de ser cortada, o registro não se perde, e um dia estará acessível pela web.

Outra coisa misteriosa são as canetas Posca se tornarem invisíveis depois de algumas horas.

Sabe aquelas canetas com um adesivinho escrito a mão “BISTECÃO ILUSTRADO”, que o Kako compra com o dinheiro extra da caixinha paga pelos convivas e empresta aos convidados para que desenhem nas folhas?

Então, aquelas mesmo.

Elas se teletransportam sozinhas para algum lugar insondável, ou talvez sejam abduzidas por aliens, sei lá.

Mas o fato é que nenhuma das desaparecidas jamais retornou para relatar a experiência. Pode parecer um tanto estranho, meio bizarro, tipo Arquivo X, mas acontece de verdade, juro.

A gente sabe que ninguém levaria material dos outros para casa, não temos ladrões entre nós, somos todos colegas, parceiros, amigos.

Mas chega no fim da festa, a gente nunca encontra todas as canetas. Elas devem estar em algum lugar, mas onde? Talvez tenham passado por alguma fenda do espaço-tempo ou coisa parecida, e se perdem para sempre em outra dimensão.

Eu vou confessar que tenho medo deste lance.

Vai que a gente enfia o pé, ou pior, as mãos nesta parada aí? Aí o braço fica só um cotoco… sem dor, sem sangria, mas também sem poder desenhar nunca mais, sem aposentadoria, sem seguro contra acidentes pessoais…

Tá louco, dá calafrios só de pensar!

Um dia vou chamar uma equipe do Discovery Channel para fazer uma reportagem especial sobre isto.

Mas por outro lado estamos orgulhosos e felizes por espantar o fantasma da desunião dos ilustradores, de criar um presente e um futuro melhor para os nossos colegas de profissão, e de sermos os criadores e as criaturas de um renascentismo contemporâneo, criativo, prolífico, repleto de frutos e de novas possibilidades.

Ainda temos nossos defeitos, nossas vaidades, nossos egoísmos, afinal somos humanos, e o maldito jeitinho brasileiro, mesmo que moribundo e agonizante, mostra sua cara feia de vez em quando.

Ele está em cada página rasgada dos nossos caderninhos, em cada caneta que passa para a outra dimensão, em cada conta mal-fechada nos botecos da vida, nos lembrando que ainda falta muito chão para sermos verdadeiramente unidos, coesos, irmãos.

O jeitinho brasileiro tentou estragar o Sketchcrawl Brasil, quando faltou R$ 70,00 na conta do Bar Genésio. Passamos pelo constrangimento de fazer uma vaquinha de R$ 0,50 para poder sair do restaurante, mas isto não tirou o brilho do evento.

A nossa conquista é sempre maior que estas mancadas, e é exatamente este o nosso objetivo, construir mais que destruir, e modéstia às favas, estamos fazendo isto muito bem.

Parabéns e obrigado a todos que constroem.

Espero que os outros acabem sendo influenciados por esta boa energia, e possam experimentar o mesmo tesão que nós sentimos em somar e unir, ao invés de dividir.

Parece uma cleptomania às avessas, uma vontade incontrolável de entregar, ao invés de tomar dos outros.

O barato é tão forte que vicia. A gente sempre quer mais e mais.

Nem vem, eu não vou procurar auxílio médico!

Eu estou bem assim!

Hello YouTubes!

Tem aqueles seres iluminados que fazem brincando o que as outras pessoas não conseguem fazer, mesmo que morram tentando.

É sempre gostoso ver um virtuoso praticando seu talento, seja qual for a área que ele atua.

Um destes malucos é o Ronald Jenkees, um músico talentoso, que faz questão de dizer que não estudou música, não vive disto, mas se diverte muito “brincando” com seu teclado e uma webcam.

Ele está se tornando uma celebridade da web, com vários milhões de views em cada um de seus vídeos caseiros, e já chama a atenção de algumas gravadoras.

Com uma humildade quase infantil em suas palavras, ele abre a maioria dos videos com “Hello YouTubes!” sempre ligando sua música com “lots of fun”, e demonstrando isto ao tocar.

Como todo virtuoso, ele faz o impossível parecer extremamente fácil, e eu me sinto um neanderthal frente ao monolito quando olho para o piano.

Outra criatura interessante é a Little Boots, musicalmente mais modesta que o nosso techno-nerd, usando os mesmos recursos caseiros, e também fazendo certo sucesso através dos videos do YouTube.

Sem grandes pretensões, estes e outros músicos usam bem os recursos da web e atingem centenas de milhares de ouvintes, criando legiões de seguidores, sem a cosmética dos palcos, divulgando seu show em casa, como uma pessoa comum.

Isto me faz compreender perfeitamente o que sente alguém quando me diz, com uma pontinha inocente de inveja, que não sabe desenhar nada. Deve ser muito parecido com o que eu sinto ao ver estes músicos. Enquanto eu frito os miolos para decorar algumas escalas e intervalos, com direito a câibras nos acordes de 7ª, tudo fora do tempo, um horror, eles passeiam no teclado.

Algumas pessoas desenham por prazer, outras estudam sânscrito ou tupi-guarani, e eu continuo arranhando as teclas e estudando teoria musical de vez em quando, sem saber tocar nem o “bife”.

Mas não esquento com isto. Como diria o Jenkees: “it’s a lot of fun”.

Lojinha da Sketcheria: folded pens e kits de furação

Aproveitando o tema de um post recente, caligrafia, muita gente me pergunta sobre a folded pen que eu fiz com latinha de atum, comentada aqui, sobre o workshop do Cláudio Gil.

Teve gente querendo mais fotos, como fazer a pena, workshops de pena, tutoriais, e alguns me perguntaram se eu não faria outra pena igual, que eles tinham interesse em comprar.

Com a folded pen artesanal fiz alguns estudos com Ecoline, que rendem longos assuntos com os amigos, nem tanto pela qualidade do trabalho, mas pelo interesse deles no modelo da pena, que permite algumas aventuras caligráficas bem legais.

Seria improdutivo fazer uma ou duas, e um tanto sacana vender apenas para os mais chegados, portanto eu decidi fazer uma pequena linha de montagem e vender as penas sob encomenda. As penas são cortadas e dobradas cuidadosamente, seguindo o mesmo gabarito desta da foto, lixadas e recebem acabamento com micro óleo M1.

E vem com o adaptador preto, super style!

Estou fazendo também um kit de furação para a confecção de sketchbooks.

Coisa fina: peroba rosada (calma, é madeira reutilizada de demolição), com grossas agulhas de aço.

A furação, encaixe e colagem das agulhas foi feita caprichosamente, por este que vos escreve. Nem um marceneiro teria tanto critério para as agulhas não sairem do alinhamento.

O padrão será de 10 furos, com 17 cm de comprimento, como nos cadernos do Bistecão Ilustrado, mas posso fazer outras medidas e padrões de furos customizados.

Quem fez o workshop Diário Gráfico com o Renato Alarcão já sabe o trabalho que dá furar cada um dos cadernos na mão, furo por furo. E o risco de ter um único furo teimoso, desalinhado, estragando a harmonia do caderno inteiro.

Com este kit você prende as folhas entre a guia e a peça triangular e passa as 10 agulhas de uma vez, sem erro, sem esforço, sempre com as mesmas exatas medidas.

Todos estes cadernos foram furados em menos de meia hora. Não teve nem graça. No método tradicional teria levado uma tarde inteira, e provavelmente um pedaço da noite.

Quem se interessar em adquirir estas peças e inaugurar a “lojinha da Sketcheria”, é só me mandar um e-mail, ok?

As penas ficarão em R$ 40,00 cada (completa, com adaptador), e o kit de furação por R$ 120,00 (mais despesas de Sedex).

Palestras, como é bom beber desta fonte

No começo de março assisti a duas palestras (Michel Lent e Rosana Hermann) em um novo projeto chamado BrainSessions, um novo formato de interatividade do BraincastTV, criado pelo Carlos Merigo e o pessoal do Brainstorm#9.

Escrevi um post aqui sobre este assunto.

Nesta semana o video da Rosana Hermann foi ao ar, falando sobre Agilidade Mental. Não vou tentar explicar ou recontar o que vi, sugiro que assista o video e beba direto da fonte.

Uma coisa eu garanto: é delicioso acompanhar a inteligência bem humorada desta jornalista com mestrado em física nuclear.

Logo mais deve sair o video do Michel Lent, e eu atualizo este post com a palestra dele, gravada no mesmo dia.

Falando em palestras, eu sou um TED junkie, e não quero saber da cura, nem de tratamento, nem de desintoxicação. Quero é mais tempo para assistir a todas as palestras, e repetir algumas.

Agora já imaginou se o TED fosse falado em português, gratuito, em São Paulo? Pois é, já imaginaram e já fizeram um evento assim.

O EPICENTRO é um evento otimista para tempos de turbulência. Um terremoto multicultural e profissional que defende o Empreendedorismo, Estilo de Vida, Design, Tecnologia e Liderança. A proposta do evento é promover ideias que possam mudar o Brasil para melhor.

Cada palestrante teve 18 minutos no palco, e a única exceção foi Aleksandar Mandic, um dos precursores da internet no Brasil, que, para a sorte de todos, teve 10 minutos extras.

Pena que não deram 10 minutos a mais também para Gabriel Peixoto, que fez uma analogia mais que genial sobre o jogo de xadrez e as relações sociais e econômicas. Eu pagaria sem pestanejar para ver esta palestra inteira.

Dá aquela sensação gostosa que a gente fica um pouco mais inteligente quando absorve, ainda que por osmose, a inteligência dos outros. Ainda mais quando estes são extremamente generosos em dar seu tempo e seu expertise para quem quiser ouvir.

Esta é a vinheta de abertura do EPICENTRO, e todos os videos do evento podem ser vistos neste link.

Eu assisti a diversas palestras online, cada uma melhor que a outra. Gostaria de ter visto o evento no local, mas a tecnologia permite beber desta fonte mesmo sem estar lá.

Desta água beberei sempre, em grandes goles.

Curso de Caligrafia com Andréa Branco

No ano passado fiz um workshop de caligrafia experimental com Cláudio Gil, no ateliê da Andréa Branco.

Há um post sobre esta aventura caligráfica aqui no blog, inclusive com um pequeno video com o mestre em ação.

Sei que muitos colegas se interessam por caligrafia, e ao invés de repassar o e-mail que recebi da Andréa apenas para alguns, achei mais interessante postar aqui e contar algumas novidades.

Andréa Branco é uma autoridade no assunto, e um doce de pessoa. Suas turmas se formam em torno do interesse pela Arte da Caligrafia e, por afinidade, grandes amizades se formam. Conheci gente muito legal lá, e imagino que os leitores da Sketcheria poderão encontrar técnica de alto nível e pessoas geniais neste curso.

Quem quer ganhar um selinho da Microsoft?

O fim do mundo está mais próximo do que se poderia imaginar.

Quando uma empresa como a Microsoft resolve passar o chapéu, botando a responsabilidade de se criar o selo de 20 anos nas mãos de qualquer um, através de mais um daqueles concursos de design, é sinal que enquanto o Apocalipse bate à porta, o Armageddon já entrou pela janela e o Juízo Final já está de cueca, comendo pipoca no sofá da sala.

O texto é tão amador e piegas que parece trote, mas infelizmente é verdade:

“Sua criatividade é a nossa maior inspiração. Por isso resolvemos convidar você para criar o selo comemorativo que vai representar os 20 anos da Microsoft Brasil.”

E os prêmios?

  • 1 console Xbox 360 com um controle sem fio
  • 3 jogos para Xbox 360: Lips, Gears of Wars 2, Banjo Kazooie
  • 1 Microsoft Expression Studio 2
  • 1 Windows Vista Ultimate
  • 1 Microsoft Office Professional 2007

É patético. Um selo comemorativo de 20 anos, largado à toa, pra qualquer um “bolar”, em troca de presentinhos.

O designer que honra o diploma, que tem um nome a zelar, não se mete a fazer tal coisa.

A “galeria” é previsível: projetos amadores, de casinhas feitas com lápis de cor ao clássico erro de salada de fontes, um autêntico desfile de horrores.

É claro que entre milhares de inscritos amadores, sempre haverá uns poucos que se destacam, e algum iludido vai se achar a bolacha mais recheada do pacote, só porque ganhou uns brindes e viu sua “logomarca” aparecer no site da Microsoft Brasil.

E dá-lhe tapinha nas costas.

Tem gente que se contenta apenas com isto.

Quem não se lembra do desastroso concurso do logo do CEDAE, que virou tema de debates em blogs, mesas de bar e case para estudos em faculdades de comunicação visual?

A lição grotesca, escandalosa, ridícula, não serviu para nada.

Identidade corporativa? Alinhamento com a marca? Psicologia da cor? Semiótica? História da Arte?

Nah, que bobagem! Pra quê isso tudo?

Estudos do comportamento do consumidor, estatísticas, pesquisas, fidelização, recall, branding?

Tudo besteira. Desperdício de papel. Perdeu, mané!

Design corporativo virou brincadeira de criança.

Pode jogar aquele monte de livros, diplomas e anos de estudo no lixo, porque hoje qualquer um, mas QUALQUER UM MESMO, pode fazer design.

A Microsoft Brasil, ao jogar 20 anos de reputação pra galera, faz beicinho para dar o beijo da morte no design nacional.

Quantos designers vão se estapear para abraçar a “oportunidade” e beijar esta boquinha?

Sexta-feira é dia de off-topic

Não sei se vai virar um hábito, mas sexta-feira parece ser o dia ideal para dar umas bolas na trave e trazer alguns outros temas para a Sketcheria.

Se você gostar da idéia - ou detestar - e quiser comentar, manda bala.

Há quase um ano venho acompanhando o Nerdcast, um Podcast genial criado por Alexandre Ottoni (Jovem Nerd) e Deive Pazos (Azaghâl). Ambos nerds desde os tempos de escola, apostaram em seus talentos e se tornaram nerds profissionais, patrocinados, e fazem um programa semanal com entrevistas, debatem temas que variam de quadrinhos, música e cinema, até brinquedos dos anos 80, bebedeira ou a guerra do Vietnã.

E não é rasgação de seda minha não, os caras foram premiados várias vezes, em diversas categorias, por instituições respeitadas como iBest e revista INFO, entre outros.

Todos os programas tem um tema principal, convidados antenados, uma ótima mediação com muito humor e inteligência, mas sem a formalidade de um programa de rádio. É forrado de palavrões e politicamente incorreto ao extremo, ou seja, papo de boteco da melhor qualidade, em excelente companhia.

Eu pago altos micos ouvindo o Nerdcast no iPod, porque cair na gargalhada é inevitável quando estes malucos estão no microfone.

Você pode baixar os episódios em MP3 direto do site, mas o melhor é assinar pelo iTunes, porque cada um deles vem com títulos, comentários e o nome dos convidados.

Na minha opinião estes são os mais recomendáveis, exceto para quem sofre de incontinência urinária:

- Nerdcast 94 - Max, Traga Minha Capa! - Entrevista com Guilherme Briggs

- Nerdcast 135 - Profissão: Ilustrador (Entrevista com Hiro Kawahara e Marcelo Martinez)

- Nerdcast 132 - Bêbado e na Mão do Palhaço

- Nerdcast 150 - O Melhor de 150 Nerdcasts! (coletânea)

- Nerdcast 123 - Eu continuo desgraçado da minha cabeça!

- Nerdcast 32 - Jogos de Tabuleiro: Coronel Mostarda na Oceania

Enfim, todos episódios são muito engraçados, inteligentes e totalmente viciantes.

Agora, um tema que há muito tempo estava prometido, finalmente está no ar:

Hoje é dia de off-topic, hoje é dia de rachar o bico ouvindo Monty Python e o Nerdcast Sagrado.

Papo Cabeça

No dia 16 de março assisti a duas palestras no Espaço Gafanhoto, no primeiro BrainSessions, um novo formato de interatividade do BraincastTV, criado pelo Carlos Merigo e o pessoal do Brainstorm#9.

Rosana Hermann (jornalista, apresentadora e Mestre em Física Nuclear) e Michel Lent (CEO da 10′Minutos e Mestre em Telecomunicações Interativas) falaram sobre processos criativos, métodos diferenciados de pesquisa online, internet (passado, presente e futuro), onde o marketing pessoal cruza com o marketing corporativo, redes sociais, etimologia de palavras gregas, enfim, diversos assuntos, cada um mais interessante que o outro.

As apresentações foram filmadas, e quando estiverem online eu atualizo nesta linha do post, e no Twitter.

As ferramentas online são as mesmas que todo mundo usa, a diferença está na escolha e no uso destes mecanismos. O piano é sempre o mesmo, 88 teclas, 3 pedais, 1 banquinho. A escolha de como e quais teclas irá apertar é o que faz um músico ser diferente do outro, e o mesmo se aplica às tecnologias da web.

O Twitter, por exemplo, varia desde “acordei, vou escovar os dentes” e “vou dormir”, aos insights mais legais, dicas para shows e exposições, updates culturais de toda espécie, links interessantes, ou o bom e velho besteirol, humanizando e aproximando as pessoas.

A sua escolha ao clicar em “follow” pode fazer da sua experiência no Twitter um porre ou um grande barato.

Aliás, através do Twitter acessei o Pto de Contato, e dois dias depois estava lá, conhecendo o local e as pessoas que trabalham lá.

Uma estrutura de agência com a individualidade de um home-office, o melhor dos dois mundos.

É o Coworking, um novo conceito em home-office, tirando os profissionais do ambiente doméstico para um local descolado, ao mesmo tempo individual e coletivo. Juro que deu vontade de fazer as malas e trabalhar na Vila Madalena.

Grandes chances de você me encontrar lá em breve.

Olhando para trás, em um ano minha vida online mudou um bocado e parece que estou na subida da montanha-russa. Sei que muita coisa vai acontecer, mas é preciso estar equipado e preparado para curtir tudo que a viagem pode proporcionar.

Longe de estar no primeiro vagão do trem bala, também não quero perder o último bonde e pagar o preço de me tornar obsoleto, coberto de teias de aranha, ou pior: ficar com cara de interrogação em qualquer encontro de amigos.

© Mark English 1998

Não tenho a preocupação de seguir tendências, não se trata de um modismo, é uma questão de sobrevivência.

A adequação ao “idioma local” é uma necessidade social, e por consequência uma necessidade comercial.

Ninguém quer papo (reunião, job, cerveja, etc) com uma pessoa que não entende sua língua.

Addons indispensáveis do Firefox

Há muito tempo me dei alta do hospício do Orkut e me desliguei de quase todas listas do Yahoo. Não que os veículos tenham se tornado obsoletos, mas o mau uso deles deteriorou a ferramenta.

E como as coisas mudam, comprei um iMac, fiz um blog, não consigo mais viver sem alguns addons do Firefox, PageFlakes, Twitter ou Vimeo, e tenho mais PodCasts e VideoCasts do que música e filmes no iPod.

O Flickr criado para armazenar as fotos e desenhos do Sketchcrawl Brasil, teve 8.000 visitas em 2 meses.

Descobri outro dia o que são e como funcionam as #hashtags que aparecem antes de alguns assuntos no Twitter, e que Gravatar não é o ato ou efeito de usar gravata, é o diminutivo de Globally Recognized Avatars, que serve para colocar sua foto em todos os seus comentários escritos nos blogs, nada mais.

Ontem a Fernanda Guedes me convidou a entrar no Facebook, mas ainda não tenho a menor idéia do que isto significa.

Todo dia surgem novos gadgets, novos addons, novas mídias. Conhecer, identificar e escolher quais devem entrar no seu dia-a-dia é trabalhoso, mas extremamente importante.

Se você, caro leitor antenado, quiser deixar suas dicas tecnológicas nos comentários, sinta-se em casa e acelere o nosso aprendizado.

Afinal estamos todos subindo a montanha-russa, e o melhor está por vir.