What About Me? / One Giant Leap

Algumas vezes, não muitas em uma vida inteira, você experimenta claramente uma transformação, uma mudança de fase no grande video-game que acontece entre o nascimento e a morte.

Eu contaria nos dedos das mãos as vezes que isto me aconteceu, e sobrariam alguns dedos para experiências futuras.

Uma grandiosa foi o nascimento do meu filho.

Profissionalmente, e também pessoalmente, aconteceu com a Illustration Academy.

Em um plano mais interior, psicológico e espiritual, tive uma destas em Itú, onde eu participei de um ritual de passagem chamado Leader Training, e no mesmo local, dois anos depois, em uma outra vivência (como eles chamam estes treinamentos), caminhei sobre 7 metros de brasas vivas, depois de 10 horas de preparação. Foi algo como reencontrar e viver o que há de tribal em mim, e experimentar, em primeira pessoa, uma viagem interior como nenhuma outra.

Quando assisti o Zeitgeist - The movie e Zeitgeist - Addendum, deu um estalo na cabeça, como se eu tivesse compreendido algo a mais sobre a sociedade, religião, política e economia. Foi um conhecimento adquirido sobre o mundo exterior, sobre o ser humano como coletivo, um aspecto social da humanidade.

Outra destas experiências que beiram os estados alterados de consciência aconteceu nesta semana, quando eu estava dando uma organizada nos meus CDs e DVDs aqui no estúdio, e encontrei o presente de um grande amigo, Christiano Parentoni, um DVD duplo chamado “One Giant Leap / What About Me?”.

Coloquei o DVD no computador sem ter a menor noção que estaria embarcando em outra grande viagem interior, sem fazer as malas, sem saber que estava decolando.

Eu confesso que estava despreparado para uma experiência deste tamanho, escondida em um simples DVD. Do primeiro instante até o final do documentário, eu tive um destes raros momentos de transformação interior.

Repeti a experiência dois dias depois, e novamente fui arrebatado pela emoção e profundidade deste belíssimo trabalho, que reúne músicos, filósofos, psicólogos, líderes tribais, líderes religiosos, mestres da sabedoria popular, rock stars, enfim, algumas cabeças muito pensantes (e outras nem tanto, para aumentar o impacto pelo contraste), filmado em dezenas de países.

O resultado é um conteúdo sólido mas leve, embalado numa beleza estética de encher os olhos.

Seria muita pretensão minha tentar traduzir tudo que vi em um post, então a única coisa que posso fazer é anexar alguns dos videos deste documentário, e sugerir que você adquira o DVD duplo original com a obra completa, porque é algo para se ver e rever de tempos em tempos.

Chris, talvez eu fique em dívida com você por muitos anos, até que eu encontre algo proporcional para te presentear.

De coração, obrigado.

A resposta do Grupo Abril aos elos fracos da corrente

Depois de alardear um auto-elogio corporativo lambendo o próprio ego e apregoando virtudes questionáveis, o Grupo Abril recebeu da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - uma carta levantando uma outra opinião sobre estas posturas.

Não é novidade para ninguém que as mega-editoras pagam valores cada vez menores, rompendo há muitos anos a linha do “preço baixo”, chegando ao nível da chacota.

A vertiginosa linha decadente de valores pagos nos últimos anos se tornou irrisória, risível, muito abaixo do que valeria um trabalho amador, até mesmo para os veteranos, extraindo deles o máximo possível, tanto em questões técnicas, como em prazos de pagamento extremamente “flexíveis” para dizer o mínimo, e também nas letras miúdas dos contratos socados goela abaixo dos seus colaboradores, arrancando o máximo de seus direitos patrimoniais.

O expediente de várias revistas do grupo anuncia, como faria um quitandeiro, a venda de fotos, ilustrações e textos publicados na revista, como se fossem frutas passadas de fim-de-feira.

Difícil imaginar um gesto de desprezo e escárnio maior do que este, em relação ao trabalho - mal pago - de seus colaboradores.

Isto não é uma conduta da qual uma empresa deveria se orgulhar, na verdade é uma questão vergonhosa, uma mancha na imagem corporativa que está se encardindo cada vez mais, por conta da própria atitude do Grupo Abril em ignorar e desrespeitar a opinião de seus colaboradores.

Neste post você pode acompanhar a carta da SIB enviada ao Grupo Abril no final de 2009, à qual foi respondida com o texto indiferente, quase automático, no final deste post.

Ninguém precisa - nem consegue - denegrir a imagem de uma empresa mais do que ela mesma, com um texto destes, dirigido aos que fornecem conteúdo para suas centenas de publicações.

No dia em que os ilustradores, redatores, fotógrafos e colaboradores em geral se cansarem disto tudo respondendo com um sonoro “NÃO” para toda esta relação comercial desequilibrada e humilhante, não haverá o que publicar, o que vender, e o que lucrar.

As mega-editoras ainda não se deram conta de que não se vende papel em branco encadernado nas estantes das templárias mega-stores.

Tudo que se vende é o conteúdo, produzido por autores (de texto e imagem) que se deixam vender por migalhas.

A culpa, afinal de contas, não é da editora, que está muito confortável em seu castelo de vidro.

A culpa é de quem aceita o estupro financeiro com um sorriso ridículo pregado na boca, trocando trabalho (outrora valioso e lucrativo) pela “vitrine” que a editora oferece, na esperança infantil que um dia será visto por alguém importante, generoso e paternalista, que pagará finalmente o que vale ao coitadinho do mendigo colaborador.

Esta mentalidade subserviente, implantada ao longo de séculos de exploração escravagista, colonialista, militarista, totalitarista e populista nos amputou a capacidade de reação.

Séculos de pelourinho perduram até hoje na memória coletiva da nossa sociedade, e nos fazem chorar calados, para dentro, sem demonstrar reação, sem verter uma lágrima, com medo de apanhar ainda mais.

Por “apanhar ainda mais”, entenda-se: perder o emprego, perder o cliente, perder o patrão que nos trata feito cães.

Isto acontece na política, na cadeia produtiva, nas hierarquias das empresas, e nas relações entre CONTRATANTES e CONTRATADOS, conforme consta nas letras miúdas dos contratos de cessão de direitos autorais.

Eu demiti esta editora da minha carteira de clientes há muitos anos.

Não preciso de clientes assim.

Há muitas editoras pequenas que tratam, pagam e negociam com seus colaboradores de maneira respeitosa, igualitária e digna.

O bom cliente é aquele que sabe reconhecer FINANCEIRAMENTE o seu parceiro de trabalho, remunerando bem, licenciando direitos justos, partilhando os lucros de forma que todos ganhem proporcionalmente bem, dentro do que cada um se propõe a fazer.

Certamente a Editora Abril está agindo dentro da legalidade, como afirma no seu texto de resposta.

É muito confortável se escorar na Lei, quando se é o elo mais forte da corrente.

O que se questiona é outra coisa: Será que a corrente é capaz de se sustentar quando se romperem todos os elos mais fracos?

Até quando haverão outros elos fracos na agenda, para substituição imediata e barata?

Leia o texto enviado pelo Grupo Abril à SIB, em resposta ao questionamento de sua postura comercial em relação aos seus colaboradores, e tire suas próprias conclusões.

From: Codigo de Conduta <CodigodeConduta@…>
Date: Tue, 12 Jan 2010 16:02:00 -0200
To: sib@…
Subject: RES: Sobre o Código de Conduta do Grupo Abril

Caros Senhores da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

Agradecemos seu contato com o Canal de Comunicação do Código de Conduta do Grupo Abril. Como a correspondência enviada não foi considerada uma questão de conduta, ela foi encaminhada à Auditoria Interna.

Em conjunto com a área de Compliance e com o Departamento Jurídico, avaliamos os pontos levantados com os departamentos competentes. Nossas conclusões foram as seguintes:

- A documentação analisada está em total acordo com a legislação vigente e de forma alguma contêm qualquer violação ao Código de Conduta;

- Não existe abuso legal em nossas práticas, que acompanham as do mercado em que atuamos;

- As condições contratuais são as mesmas normalmente utilizadas em trabalhos semelhantes.

- Caso haja um ou mais casos concretos que desejem trazer ao Canal de Comunicação, permanecemos à disposição para atendê-los e fazer os encaminhamentos necessários ao devido tratamento.

Atenciosamente,

The Illustration Academy, na sua casa

A Illustration Academy é o sonho de consumo de qualquer ilustrador, em qualquer parte do mundo.

Só que ir para este treinamento envolve uma série de gastos, que somados podem fazer deste projeto algo realmente grande, talvez grande demais pra realizar.

A Illustration Academy está se fundindo com a Massive Black, e juntos eles estão fazendo uma programação online que encurta distâncias, gastos e tempo, de forma que os inscritos possam participar do Discovery, um programa intensivo de 5 semanas, sem sair de casa.

Ao invés de gastar 10 mil dólares ou mais, o pacote de treinamento Discovery varia entre 200 e 500 dólares, e fazendo os cálculos de fuso horário, aqui no Brasil vai acontecer das 20:00 às 23:00.

Eu não saberia como motivar ainda mais as pessoas que sempre quiseram fazer a Illustration Academy, do que recomendar a inscrição neste programa online.

Já sei, já sei…

Pô, Montalvo! 500 doletas, é caro, mó grana, etc…

Peraí.

Mil reais é o preço de qualquer trabalho que a gente produz em uma semana ou menos.

Mil reais para ter a Illustration Academy dentro da sua casa, sem pagar passagem, hospedagem, estadia, alimentação, taxas de embarque e o escambau, para ver Mike Bierek, John English, Whit Brachna, Mark English, Sam Brown, Jon Foster, Wesley Burt, Sterling Hundley, Jason Chan, Gary Kelley, El Coro, Anita Kunz, Rich Doble, CF Payne, Carl Dobsky, George Pratt, Jason Manley, Kemp Remillard, Brent Watkinson, Natalie Ascencios, Terry Brown, Doug Chayka, Francis Livingston, Robert Meganck, Barron Storey e Andrea Wicklund na sua telinha…

Desculpe a franqueza, mas tá de graça.

Depois vai ter gente olhando pra trás e pensando: “por quê eu não fiz naquela época… não era tão caro assim…”

O lance acontece de 01 de fevereiro até 05 de março, 5 noites por semana.

O que eu acho? Vale cada centavo.

Agora, se quiser fazer um investimento a um prazo mais longo, com benefícios ainda maiores, gastando 45 doletas por mês, para o acesso durante 12 meses não existe nada como o VLP - Visual Literacy Program.

Nenhuma lista de yahoo, nenhuma entidade de ilustradores, nenhum workshop, oficina ou treinamento se compara com o conteúdo deste programa.

São os mesmos nomes que eu listei acima, em vídeos inacreditáveis, que variam de 20 minutos a 5 horas, dezenas deles, e os mesmos treinadores frequentam os fóruns, interagindo com os estudantes, respondendo dúvidas, dando orientações valiosíssimas, em questão de horas.

Aqui ninguém fica chupando o dedo esperando resposta, nem tem bate-boca ou spam.

Com a fusão da Illustration Academy com a Massive Black os videos começam a ser compartilhados, e os inscritos no VLP tem acesso ao que há de melhor nas palestras e treinamentos online da Massive Black.

Tem como melhorar? Eu não sei como, mas isto é só o começo. Certamente vai melhorar e muito.

Pra quem conheceu a ilustrasite, seria comparar a finada lista com um skate, e o VLP com uma nave espacial.

Se vale a pena? Faça as contas, você sabe a resposta.

Nos vemos online, no Discovery e no VLP.

Workshops 2009 - a saideira

Esta é a abertura e o encerramento da temporada de Workshops 2009 aqui no estúdio.

Eu sei que pode parecer estranho abrir o ano com a última série de treinamentos, mas há muitas mudanças em vista para este ano, uma delas é a provável mudança desta casa onde estou, em um espaço menor não será possível continuar com os cursos e oficinas.

Outra novidade é que vou trabalhar em um estúdio de 3D com alguns colegas, e com o tempo integralmente dedicado a este projeto, não há como fazer outros Workshops.

Então vamos ao cardápio da saideira (clique no texto para mais informações, preços e inscrições):

Técnicas Mistas - Módulo II
MONOTIPIA E PASTEL (gravura sem prensa combinada com pastel seco)
Dias: 25 e 26 de JANEIRO - segunda e terça
TARDE
- 14:00 às 18:00

Técnicas Mistas - Módulo I
OIL WASH (acrílica, aquarela, óleo e lápis de cor, combinados)
Dias: 25 e 26 de janeiro - segunda e terça
NOITE - 19:00 às 23:00

Sketching - Módulo I
NOTAN (
o conceito de claro/escuro segundo a cultura oriental, aplicado no desenho, fotografia e design)
Dias: 27 e 28 de janeiro - quarta e quinta - tarde
TARDE - 14:00 às 18:00

Sketching - Módulo II
THUMBNAILS (
pequenos rascunhos tonais que são o coração e a alma de futuras imagens)
Dias: 27 e 28 de janeiro - quarta e quinta - noite
NOITE - 19:00 às 23:00

(todos os treinamentos podem ser pagos em duas vezes)

Eventualmente pretendo voltar a fazer o Workshop em Maresias, mas isto também depende de diversos fatores, e não quero nem posso prometer nada por enquanto.

Espero poder receber vocês aqui no estúdio, e dividir as experiências e estudos apresentados nestes workshops.

2010 de ilustrador começa com a Revista Ilustrar

Ilustrador não tem essa de recesso de fim-de-ano, nem espera o Carnaval pra dizer que o ano começou.

Vamos admitir, nós somos psico-dependentes da ilustração, e até quando não tem trabalho na mesa a gente se diverte desenhando ou vendo ilustrações de quem a gente admira.

E a Revista Ilustrar é mais um motivo para a gente se deliciar neste saudável vício da ilustração, logo no primeiro dia do ano.

Desde as primeiras horas de 2010 número 14 da Revista Ilustrar está disponível para download gratuito, e esta edição se superou novamente, como tem acontecido a cada exemplar:

O trabalho gráfico do ilustrador e artista plástico Visca, o virtuosismo de Fernando Vicente, as belas aquarelas e sketchbooks de Marcelo Daldoce, o ilustrador de papel moeda e selos Czeslaw Slania, o passo a passo genial de Weberson Santiago, as refinadas ilustrações em papel recortado de Carlos Meira, o texto repleto de insights de Brad Holland e Renato Alarcão destrinchando cirurgicamente a doença dos pseudo-concursos culturais.

Cada um trazendo seu talento em quantidade e qualidade.

Nem precisa dizer que é um presente para os olhos, cada imagem mais incrível que a outra.

A inteligência dos textos, no entanto, é um privilégio concedido apenas aos que leem a revista.

Sketches em 3D

2009 foi um ano em que eu usei muito mais as mídias convencionais que as digitais.

Muito papel, tinta e dedos sujos, um retorno às raízes, e o digital somente quando era absolutamente necessário.

Gostei muito dos resultados, os sketchbooks deram uma engordada, mas o custo disto foi que meus estudos de 3D deram uma enferrujada.

Retomei a atividade no 3D, e em 2010 muitos dos trabalhos postados na Sketcheria serão digitais, bitmaps em Photoshop e Painter, e outros feitos em 3D, usando Modo, Zbrush e Maya.

Vou postar os resultados aqui e no Flickr, como tenho feito nos quadros que pintei recentemente.

Esta modelagem abaixo vai entrar na demo-reel como concept design, uma caricatura do Obama, que vai estar ao lado do Lewis Hamilton e Tiger Woods. É um projeto pessoal, utilizando a pré-produção que eu já faço profissionalmente, somando ao que tenho estudado nestes últimos anos.

Concept, model sheet, modelagem, texturização, animação e render serão alinhados e explorados, e vou fazer todo o processo sozinho, ao contrário da distribuição de tarefas, prática comum nas produtoras.

No entanto, tanto trabalho vai durar não mais que 1,5 segundo na demo reel, o mesmo tempo que um outro projeto que farei a seguir, da decolagem de um helicóptero, que começou como um estudo de curvas de animação no Maya, e vai seguir como este, em um pipeline completo, até a edição e composição final no After Effects.

Mas animação é isto mesmo, muito estudo, muito trabalho, muito tempo investido, para uns poucos segundos de apresentação.

Quando Twittei sobre a postagem destas imagens no fórum ZBrush Central, o designer Fábio Sasso, conhecido na web como Abduzeedo - que administra um excelente blog direcionado a design com este mesmo nome - me convidou para fazer um post sobre o making-of desta modelagem.

Este passo-a-passo, desde os primeiros rascunhos do concept design até as etapas de multi-pass rendering em ZBrush e Photoshop podem ser vistos clicando a imagem abaixo:

Outros 4 projetos estão na fila, com personagens planejados, roteiro e até um plano para as trilhas sonoras, e um dia todos eles vão para a telinha.

Na verdade eu quero mesmo é que eles cheguem até a telona, no Anima Mundi e festivais internacionais.

Sonhar pouco é bobagem.

Xeque-mate, editora Abril.

Carta da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - enviada ao Comitê de Conduta do Grupo Abril:

Prezados Senhores,

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil questiona o teor do texto e as intenções da aplicação de alguns ítens do CÓDIGO DE CONDUTA DO GRUPO ABRIL, em especial dos que tratam do capítulo A Relação no Ambiente de Trabalho:

“Respeitar a propriedade intelectual, reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros.”

Qualquer fornecedor de texto ou imagem, seja ilustrador, redator, fotógrafo ou outro profissional que já tenha prestado serviços ao GRUPO ABRIL, sabe que toda relação de trabalho fatalmente costuma seguir o seguinte trâmite:

A) O fornecedor é contatado pela editoria, que alega ter urgência nos prazos de entrega, exige alta qualidade técnica e artística e dispõe de uma verba restrita e já pré-determinada.
Vale aqui salientar que, além da clara imposição frente à saudável prática da negociação, tais verbas permanecem há anos congeladas ou têm sofrido até mesmo reduções graduais estranhamente incompatíveis, inclusive, com a alta dos preços de capa e tabelas de inserção publicitária dos produtos da editora.

B) Ao entregar o trabalho encomendado, o fornecedor é inquirido a assinar um tipo de documento tradicionalmente conhecido nos meios forenses como “contrato leonino”, pelo qual se vê obrigado a CEDER, total e completamente, e de todas as formas imagináveis, todos os seus direitos de propriedade intelectual relativos a uma obra que foi originalmente encomendada para um único e específico fim.
O fornecedor que se recusa a assinar um contrato dessa natureza tem, com muita frequência, seu nome apagado da lista de colaboradores.

No caso dos livros, bem sabemos, o colaborador deve dar o seu aceite antes do trabalho ter início. Quando o colaborador não concorda com os termos propostos, contudo, a demanda de trabalho é transferida a outro profissional que o aceita, inúmeras vezes, mediante coação e desproporcionalidade de forças.

A SIB Sociedade dos Ilustradores do Brasil entende que o GRUPO ABRIL só poderá alegar que realmente pode “Respeitar a propriedade intelectual…”, tal qual anunciado, quando todo compromisso legal relativo à licença ou cessão de uso dos direitos autorais de seus fornecedores explicite a finalidade restritiva e específica de cada trabalho encomendado. E quando houver necessidade de uso alternativo, sob condições extraordinárias e não previstas pelo contrato original, que isso seja objeto de um novo acordo e negociação entre as partes.

Isso se aplica, em especial, nos casos de venda de conteúdo para terceiros por parte da Editora, como é oferecido nos expedientes das revistas, bem como nas compras de livros pelo governo.

Da mesma forma, o GRUPO ABRIL também só poderá se enaltecer por estar “reconhecendo o valor e a autoria de projetos, ideias, propostas e iniciativas, tanto de colegas quanto de terceiros”, somente quando o diálogo nortear as negociações por valores e condições mais justas.

Quando esse dia chegar, o GRUPO ABRIL que, por ser referência no mercado editorial brasileiro, tem plena responsabilidade social terá se pautado por uma postura baseada no respeito e no compromisso ético, na transparência e no compromisso com a verdade, como diz na Apresentação de seu Código de Conduta.

Atenciosamente,

SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

www.sib.org.br

CNPJ: 06.005.723/0001-60

________________________________

A resposta, pífia, e espero que provisória, do Grupo Abril:

Prezados senhores,

Agradecemos a confiança dada  ao Comitê de Conduta do Grupo Abril. Iremos apurar as questões relatadas e após conclusão, entraremos em contato.

Atenciosamente,

CÓDIGO DE CONDUTA

Grupo Abril
Av. das Nações Unidas, 7221 – 22º. Andar
Pinheiros – CEP 05425-902 – São Paulo, SP
Fone/Fax 0800-7722745

Sketchcrawl em SP, no video da DRC

O pesadelo dos concursos furados nunca acaba

Soube deste concurso ontem, a última coisa antes de dormir. Me fez mal.

Tive um pesadelo incessante, que estava escrevendo este post.

Espero acordar um dia e olhar para um mundo mais honesto, livre de parasitas e hospedeiros neste mercado minguado e agonizante que é a ilustração editorial no Brasil.

Espero ver ilustradores trabalhando e ganhando sua vida, sustentando família e prosperando, realizando seu trabalho, sua especialização, seu ofício.

Prosperando como o advogado e escritor premiadíssimo Rubem Fonseca, que deve ganhar uma porcentagem decente de cada um dos muitos livros que publicou.

Ao contrário dos ilustradores, ele desempenhou várias atividades profissionais, remuneradas, é claro, antes de se dedicar integralmente à literatura.

Na hora do aperto, ele sempre poderia recorrer a advocacia para fechar as contas do mês, mas nós não temos este privilégio.

Nós somos ilustradores em tempo integral. Vivemos disto. Desde o início da carreira pagamos nossas contas com este ofício.

Se houvessem mais que 24 horas no dia, estaríamos dedicando ainda mais tempo ao nosso aperfeiçoamento técnico e execução de nossos trabalhos. Nada de empregos paralelos, nada de bicos ou academicismos extra-curriculares. Apenas ilustração, hora após hora, dia após dia, por décadas.

A Editora Agir (Ediouro), fez uma grande contribuição para comprometer a sobrevivência dos ilustradores, cavando uma imensa cova rasa, onde os candidatos a futuros ex-ilustradores poderão se jogar, enviando suas imagens para se candidatar a trabalho mal remunerado como premiação.

Dispararam o concurso “A cara do Mandrake” contra os artistas.

O sr. Rubem Fonseca recentemente se interessou pelo mundo dos quadrinhos, mas não parece se importar muito com o ronco na barriga de quem realiza os desenhos da “nona arte”. Deve achar que desenhar quadrinhos é coisa de moleque, e pensando no mercado nacional, ele não estaria de todo enganado.

É um mercado árido, um terreno morto, onde se plantando nada dá. Pouquíssimos artistas adultos se sustentam no mercado de quadrinhos, e mesmo assim não sobreviveriam sem atividades paralelas (ilustração publicitária, design, animação, etc).

Muitos artistas bancam projetos do próprio bolso, a fundo perdido, mesmo sabendo que poderão perder dinheiro com isto.

Mas e editora ganha. Se não ganhasse, não investiria seus tostões nos sonhos dos seus parceiros, ninguém é bonzinho quando se trata de TRABALHO.

Mas tudo pode piorar.

Agora as editoras, que obviamente tem o lucro como única meta, descobriram o filão de ouro que é a VAIDADE que infecta e devora os cérebros dos jovens artistas, e perceberam que não precisam mais pagar profissionais especializados para obter seus intentos.

Se há quem faça de graça, porque gastar dinheiro com artistas que investiram suas vidas na carreira?

Morram de fome, danem-se todos. Basta fazer um concurso qualquer e chovem trabalhos às centenas, é só escolher um e pagar com qualquer porcaria que eles aceitam tudo, assinam tudo, e nunca reclamam, muito pelo contrário, se auto-flagelam com um grande sorriso estampado na cara.

Tem editora que paga cartunistas com um pinguim de geladeira, tem outras que pagam quadrinistas com encalhes autografados, e ainda outras pagam seus artistas com absolutamente nada, oferecendo a publicação como vitrine, saldando a dívida com meras promessas de fama.

E o pior é que esta balela cola! Nego trabalha em troca de quinquilharias ou “fama”.

Ilustração é trabalho! Tanto quanto é trabalho a obra do escritor, do revisor, do editor, dos técnicos, gráficos, distribuidores, vendedores, estoquistas, vendedores e estagiários.

Toda a indústria trabalha por dinheiro. Por que motivos os profissionais de ilustração deveriam ser tratados de forma diferente?

Porque são otários, iludidos e amadores. E agindo assim, jamais se tornarão profissionais.

Teriam muito melhor futuro vendendo pipoca. Aliás teriam muito o que aprender sobre custo/benefício, investimento/lucratividade, contabilidade, finanças, depreciação de equipamentos e principalmente valor por horas trabalhadas, exercendo a profissão de empresário do ramo de pipocas.

Até estagiário ganha em dinheiro, porque diabos um ilustrador deveria executar o CONTEÚDO ESSENCIAL da obra, 100% da autoria visual da publicação, sustentando TODA a cadeia produtiva nas próprias costas, sem ganhar um centavo por isto?

É uma concorrência especulativa sórdida, onde centenas de jovens iludidos e adultos fracassados dedicarão suas horas de trabalho, seu talento e esforço, fazendo o que os outros não conseguem nem sonhar em fazer, enquanto apenas um miserável ganhará um contrato como pagamento. Nem um centavo adiantado, nem um trofeuzinho, nem uma medalhinha de latão, nada. Em compensação, terá um prazo fixo para entregar as artes.

Trabalho especializado, uma habilidade para poucos, uma Arte que leva anos para se lapidar, que toma muitas horas para se executar.

Nada disto importa, a editora quer saber é do lucro, e não da sustentabilidade da profissão dos outros.

Como se o artista não tivesse contas para pagar.

Ela repassa 3% da venda, mas não investe um puto de um centavo na obra ou no esforço do artista.

E ficam com os originais de TODOS os inscritos, não devolverão nenhum.

Além dos originais, deterão os direitos de exibição de TODOS os inscritos, não apenas dos vencedores.

Se você tem dúvidas, ligue para o SAC da editora, mas cuidado, nem isto é gratuito, eles cobram pelo serviço. Não querem pagar seus colaboradores, mas cobram deles se houver alguma dúvida.

O mercado editorial, que paga cada vez menos aos seus colaboradores, fornecedores de conteúdo, descobriu que não precisa mais pagar nada para ter uma fila e idiotas babando por uma “oportunidade” de ver seu trabalho publicado.

O mercado de estamparia já explora este filão há tempos, pagando seus escravos voluntários com “visibilidade”, mas faturando gordas somas em moeda corrente com suas vendas.

É que eles não trabalham por amor, como os idiotas que vivem de brisa e ilusão.

A todos empresários muquiranas e sua horda de trabalhadores braçais gratuitos, a minha sincera homenagem:

(arte de Fernando Mosca e Leandro Substance, disponível sob licença Creative Commons, em diversos formatos gráficos no site Old Black Gallery)

O Bistecão é pop!

O nosso querido Bistecão Ilustrado, o encontro que todo ilustrador adora (ou deseja) frequentar, está na telinha! Recebemos Renata Simões e a equipe do programa Urbano no encontro de outubro, e no domingo passado tivemos a honra e o orgulho de assistir a reportagem no conforto do lar.

Tenho certeza que muito caba macho verteu sua lagriminha. Eu não, é claro.

Mas você acredita que me caiu um cisco no olho, outravez, bem no finalzinho? nada demais.

O Bistecão é pop, quem diria!

Tivemos uma reportagem de página inteira no Caderno 2 em Dezembro de 2008, dois videos na DRC-TV e outro da TV Trip, e agora estamos na TV a cabo, Urbano, Multishow!

Não duvido muito que daqui há pouco todos saberão (além dos nossos clientes, é claro) quem são e o que fazem os ilustradores.

A difícil tarefa de ensinar o funcionamento da roda

Todos temos bons e maus clientes.

Há clientes excelentes, que solicitam, orçam*, negociam, eventualmente solicitam alterações coerentes, aprovam, e pagam.

Na verdade só deveriam existir clientes assim, afinal este é o processo correto, e qualquer desvio desta sequência é uma anomalia.

Mas da mesma forma que a decolagem e pouso seguro de milhões de aeronaves por dia não são noticiadas, os cases de sucesso entre clientes e fornecedores também não são comentados.

Um dia vou convidar alguns colegas e juntos faremos um workshop só de cases de sucesso, mas neste post vou falar dos clientes encrenca. Manja aqueles que tentam colar um adesivo escrito “idiota” na sua testa?

Todo mundo já teve (ou terá) clientes malandros, com propostas absurdas, ridículas ou simplesmente impraticáveis.

E todo mundo já ficou (ou vai ficar) com cara de interrogação, questionando se topa ou se chuta estas propostas.

Alguns designers prestaram um grandioso serviço aos seus colegas, ao criarem videos instrucionais, didáticos, quase pediátricos, para ensinar os clientes como não fazer feio na frente de seus fornecedores.

Os videos não são novidade alguma, na verdade já estão na web há um bom tempo, mas achei interessante e necessário compilar todos em um mesmo post.

Tudo com bom humor, amigavelmente, espirituosamente, mas o recado está lá, e estou certo que muita gente vai se lembrar de fatos reais, de ambos os lados do balcão.

A relação cliente / fornecedor no mundo real

Microsoft designs de iPod Package

A criação de uma placa de PARE

Quem precisa de designers? Use o creme “aumente meu logo”

Mas para não ser apenas um resmungão chato e antipático, quero compartilhar o video de Phillipe Starck, onde ele dá uma nova visão sobre o ofício de design, indo muito além do mundo corporativo.

Clique em VIEW SUBTITLES, e escolha as legendas em português, poupando-se do esforço de entender o inglês carregado de sotaque francês de Philippe Starck, em sua genial apresentação no TED Talks.

Agradeço aos colegas Erick Pasqua, Victor Marcelo e Wilson Matsumoto pelo link direto em português.

(*) Orçar, entre os bons clientes, significa: “Quanto custa?”. No jargão dos maus clientes costuma ser: “Para este trabalho eu posso pagar X”.

Boralá desenhar no Museu do Ipiranga!

Chegamos a mais um Sketchcrawl, o 5º organizado formalmente no Brasil, desde que nos reunimos em janeiro deste ano.

Estivemos na Vila Madalena, Parque do Ibirapuera, Centro da cidade, Jardim Botânico, e agora será no Museu do Ipiranga.

No sábado da próxima semana, dia 21 de novembro, os sketchcrawlers do mundo inteiro comemoram o 5º ano do evento em sua 25ª edição mundial, e desta vez os desenhistas de São Paulo se encontrarão na frente do prédio principal do Museu do Ipiranga, como indicado na foto, a partir das 10:00hs.

O pessoal da DRC vai levar uma equipe de filmagem para registar o evento, e distribuirá 50 camisetas do Bistecão Ilustrado para a galera, gratuitamente. Aos que já tem suas camisetas do Bistecão, pedimos que venham com ela, porque é a nossa contribuição na parceria que temos com o DRC, que tem promovido ativamente a excelência no desenho e nas artes gráficas, não somente em aula, mas nos encontros de ilustradores também.

No encontro de janeiro provavelmente teremos a Renata Simões e a equipe do programa Urbano filmando o Sketchcrawl, para apresentar o encontro no Multishow.

ATENÇÃO: NÃO ESQUEÇA DE TRAZER UM QUILO DE ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS OU ARTIGOS DE HIGIENE. TODAS AS DOAÇÕES SERÃO ENCAMINHADAS PARA A CASA ASSISTENCIAL MARIA HELENA PAULINA, QUE DÁ AUXÍLIO A CRIANÇAS COM CÂNCER.

Na primeira edição brasileira foram 120 pessoas - recorde mundial deste evento.

Na segunda 154, novo recorde mundial.

Na terceira 32 bravos desenhistas enfrentaram chuva, vento e frio, mas compareceram em número expressivo, que eu pessoalmente acho que foi um novo recorde mundial em clima adverso.

Na quarta tivemos 16 participantes, foi muito divertido, quase um piquenique entre amigos.

Vamos ver desta vez, e no meu palpite pode dar mais um recorde mundial.

Não esqueça seu protetor solar, porque o caderninho e material nem precisa dizer, cada um leva o seu.

Lembrando que é um evento gratuito, criado para reunir amadores, novatos, estudantes e desenhófilos em geral, até mesmo os profissionais. Não é um concurso, não tem que desenhar bem, e nem precisa saber desenhar, basta gostar de desenho e pronto.

Boralá desenhar na rua e se divertir com os amigos!

Videos do Bistecão no DRC-TV

Além de serem grandes amigos e uma excelente escola de computação gráfica, o pessoal da DRC é o patrocinador e parceiro do Bistecão Ilustrado, viabilizando várias atividades, produtos e serviços, inclusive o sorteio mensal de um treinamento em cada Bistecão, as capas gravadas a laser dos Sketchbooks personalizados do Bistecão e as camisetas abistecadas.

No nosso encontro de outubro eles vieram com uma equipe profissional de filmagem (Paulo Aiello e Haroldo Sanches), o Loschiavo entrevistou vários colegas do Bistecão, inclusive este que vos escreve, e editaram dois videos com muita informação sobre ilustração, mercado, carreira e o encontro mensal de ilustradores em SP.

Se você ainda não conhece o Bistecão, esta é uma ótima oportunidade de saber o que está perdendo.

Se já conhece, vai reconhecer o clima de festa e de amizade fraterna que cerca de 80 pessoas criam mensalmente neste encontro.

Eventos de ilustração em Goiânia e Fortaleza

Estou indo para Goiânia hoje, a convite da UFG, para um evento chamado Fake Fake Ilustraciones.

O Fake Fake Ilustraciones é uma exposição coletiva de ilustradores criada por estudantes de Design Gráfico da Universidade Federal de Goiás (UFG) com o objetivo de trabalhar no limiar da arte e do design.

Eu vou apresentar a palestra “Ilustração como Linguagem”, e dar uma passada rápida nos temas que a gente sempre debate online e nos encontros de ilustradores: mercado, sketchbook, valorização profissional, etc.

Ainda em São Paulo, dei uma entrevista por telefone para o jornal local Diário da Manhã.

Por quê Fake Fake?

Veja a definição, segundo os organizadores do evento:

Trata-se do lado ilustrador: nem artistas, nem designers, e ao mesmo tempo, ambos. Não aceitamos limites de criação, consumimos e consumamos todas as influências possíveis, assim elevando o nível de nossa produção. Esse ano o FakeFake Aciones, com palestras e oficinas, foi criado com cunho de atingir mais do que uma exposição pode atingir.

Há dois meses houve o RDesign Sul em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde o Hiro, Renato AlarcãoRafo Castro, Renato Faccini, Daniel Moura, Fernando Reule, Gabriel Silveira,Tony de Marco, eu e outros 40 palestrantes apresentaram seus trabalhos, assuntos e oficinas em um evento que reuniu mais de 600 pessoas.

Tivemos também um workshop no formato “imersão total” em Maresias, com dois dias e meio de atividades ilustradas, e que deve voltar a acontecer depois do Carnaval.

Nesta semana o Renato Alarcão estará na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre em uma mesa de debate sobre o livro “O que é qualidade em ilustração infantil”.

O pessoal de Brasília fez o Rabiscão, um encontro de ilustradores com blog, logotipo, camiseta e tudo mais.

E para confirmar a abertura de espaços e interesses pelo tema ilustração em outras regiões do Brasil, o Kako está indo para Fortaleza, no evento Baião Ilustrado, que é promovido pelo Coletivo Base, com apoio da OPA - Escola de Design, com patrocínio da Coca-Cola para viabilizar o evento.

Coisa fina, o Bistecão está virando franquia, e além de acontecer em diversos estados, agora já é muito mais que um encontro de amigos, tem palestra, oficina e patrocínio!

Que venham outros eventos, encontros, palestras, treinamentos, workshops e oficinas, de Norte a Sul do país.

Acredito que esta abertura demonstra que nosso mercado está em evolução, que o interesse pela ilustração é cada vez maior, e agora podemos quebrar o paradigma urbano-caipira no qual as coisas só acontecem no Rio e em São Paulo.

Dia 1º é dia de Ilustrar!

Fui convidado para participar da edição nº 13 da Revista Ilustrar, com meus sketchbooks, e estou mais do que bem acompanhado, olha só o time de feras: Tiago Hoisel, Bart Forbes, Spacca, Lula Palomanes, Brad Holland e Renato Alarcão.

Tiago Hoisel, um verdadeiro virtuoso da nova geração de ilustradores está na capa desta edição, e mostrou a que veio logo de cara, o cara é um fenômeno. Cada imagem melhor que a outra.

Bart Forbes. Meu herói há muitos e muitos anos, um artista genial que eu tive a honra de conhecer pessoalmente em 1998, na Illustration Academy. Uma pessoa adorável, com um talento imenso. Impossível não gostar deste simpático senhor, tanto quanto é impossível não gostar do Benício.

Que responsa ter meus desenhos logo após Mr. Forbes, e que orgulho.

O Spacca dispensa apresentações, é uma lenda-viva da ilustração brasileira, mostrando o making-of de Jubiabá, seu trabalho mais recente. Impressionante.

Lula Palomanes é a personalização da vanguarda, um artista gráfico genial, tanto na técnica como nos conceitos.

Fiz a tradução do texto do Brad Holland, e me deliciei com cada linha. Ele é um gênio, e tem tanto domínio nas palavras como tem nas tintas. Neste texto ele conta a trajetória da ilustração e de suas mudanças ao longo dos tempos, desde os anos dourados de Rockwell até os tempos atuais.

E o Renato Alarcão injeta adrenalina em seus colegas de profissão com um tema que interessa a todos: Projetos pessoais. E vem acompanhado de um time de feras, são mais 9 artistas consagrados contando suas experiências e incentivando a todos a desengavetar seus projetos e trazê-los ao mundo real.

Que legal ter uma revista deste nível, em português, realizada por um brasileiro.

Ricardo Antunes, como você consegue, homem?

Não tenho ideia, mas em primeiro lugar: parabéns pelo controle de qualidade, e por fazer a revista, na unha e na raça. Segundo: obrigado por me convidar, estou honrado por fazer parte deste time de feras que você conseguiu agregar, desde o primeiro exemplar.

Baixe gratuitamente este e todos os outros exemplares em www.revistailustrar.com

Chega de reclamação, é hora de agir, comprar uma editora!

A partir do momento que a Editora Vilania Comics, em parceria com a empresa de telefonia Oi decide pagar conteúdo gráfico - capa e 3 páginas de quadrinhos - com encalhes de revistas autografadas, este produto passa a valer, como dinheiro, para qualquer tipo de escambo.

Para estas empresas os livros e revistas autografadas são moeda corrente, é com isto que eles pagam os vencedores dos concursos, exatamente como pinguins de geladeira são dinheiro vivo para os editores da Revista Piauí.

Sim, eles pagam fornecedores de conteúdo com um exemplar deste singelo enfeite de louça, sabia?

Você já viu quanto tá a cotação do pinguim de geladeira na BOVESPA hoje? Outro dia estava R$ 25,00. Muito melhor que o Euro, quase metade do preço do grama do ouro, um ótimo investimento.

Levando em conta todas estas alterações na corrência financeira do mercado de imagens, eu resolvi parar com a velha ladainha de denunciar, reclamar e partir direto para as cabeças.

Atitude, minha gente, tá faltando atitude, ação, fatos concretos.

EU VOU COMPRAR A EDITORA VILANIA COMICS.

Ao longo dos anos ganhei diversas artes originais, desenharam no meu sketchbook, fui a lançamentos, conheci grandes artistas, e com isto juntei livros, revistas e CDs autografados, vários deles com dedicatória, alguns até com desenhos.

Se a editora trata isto tudo como moeda de compra, então vale igualzinho dinheiro de verdade… eu não tenho pinguins, mas tenho livros e revistas a dar com o pau!

Estou rico! Milionário! Quaquilionário!

E a primeira coisa que vou fazer com parte desta fortuna é comprar a editora que paga conteúdo com livros autografados e filtra comentários contrários à sua filosofia no blog.

Vou comprar tudo, de porteira fechada, como dizem os fazendeiros.

A segunda coisa será mudar este nome dúbio para EDITORA DO BEM.

Usando esta fortuna em livros autografados para comprar a editora, vou poder pagar aos ilustradores 10 vezes mais que a Editora Abril, na EDITORA DO BEM os quadrinistas receberão 50 vezes mais do que eles costumam ganhar por aí (aos que trabalham de graça vou pagar 1000 vezes mais, hahaha).

Vou valorizar o artista nacional, promover exposições, criar uma entidade com sede própria, dois andares de galeria, uma sala imensa para workshops, oficinas e sessões de modelo vivo, contratar advogados fuderosos para defender os nossos direitos autorais, e mesmo que gaste metade dos meus livros autografados nesta empreitada, ainda vai sobrar um monte de originais, ou seja, eu sou o feliz proprietário de um vultoso patrimônio artístico-monetário.

Os meus sketchbooks não estão à venda nesta empreitada, estou guardando pra comprar a Cosac Naify.

O Robert Crumb comprou um castelo na França com alguns sketchbooks dele.

Eu jamais faria este tipo de exposição para me gabar, quem me conhece sabe que sou um cara sem vaidades, eu só quero comprar a Editora Vilania com a mesma moeda que eles usam para pagar os vencedores do concurso Oi Quadrinhos.

Se eles tem exemplares com artistas famosinhos e acham que isto vale dinheiro, tudo bem.

Eu também tenho.

George Pratt

Will Eisner

Mark English

Bart Forbes

Bart Forbes (originais)

Gary Kelley e Brent Watkinson

Renato Alarcão

Gonzalo Cárcamo

Gonzalo Cárcamo

Gonzalo Cárcamo

Daniel Kondo

Bill Mather

Orlando

Alcy

Eduardo Schaal / Ricardo Antunes

Hiro Kawahara / Leandro Robles

Tio Faso / Gustavo Rinaldi

Gil Tokio / Kako

Kako

Faifi / Zé Otávio

Sattu / Marcelo Matere

Bebel Abreu / André Valente

Samuel / Federico

Hiro / Zé Márcio Nicolosi

Eldes / Zuri

Al Stéfano / Leo Gibran

Cárcamo

Eduardo Schaal

Marcelo Gomes / Benício

Eduardo Schaal / Cariello

Fernanda Guedes

E pra arrematar todos os iPods, HDs externos, câmeras, gadgets e celulares, desde a tia do café até o dono da editora, estou pagando com 3 CDs autografados:

João Bosco, Jamil Joanes e Carlos Bala

Vanessa da Mata

Ricardo Silveira

Agora, cá pra nós, não conta pra ninguém porque é segredo: usando originais raros como moeda corrente, o Fábio Moraes e o Luiz Rosso poderiam comprar a Editora Abril e a Editora Globo à vista, em cash, no cacau.

Eles poderiam comprar a Oi inteira, se quisessem, e ainda sobraria uma quantidade imensa de originais.

O que estes dois colegas tem de artes originais, livros autografados e raridades daria para comprar metade do continente, se levarmos em conta a cotação oferecida pela Editora Vilania.

Boralá, gente, que agora é a nossa vez! Ilustração virou papel-moeda, está super valorizada!

Recolham seus livros autografados, artes originais e guardanapos do bistecão e vamos às compras!

Tá virando palhaçada (e que me desculpem os palhaços)

Que saco, eu jamais pensei em fazer um blog para virar um mero balcão de denúncias.

Desculpem-me os leitores ávidos por assuntos mais decentes, interessantes e agradáveis, mas estou fazendo um serviço sanitário aqui. Cuidado que vou jogar desinfetante no blog para disfarçar o cheiro que estes marketeiros de merda estão espalhando no nosso mercado.

Já estou perdendo a conta de quantas campanhas sórdidas, travestidas de “concursos culturais” já foram denunciadas na web.

Já vi algumas pagando logotipo de shopping center com webcam de 50 pilas, time de futebol pagando “mascote” com divulgação, Puma pagando blogueiros para fazer jabá disputando bonés e um par de tênis, empresa de telefonia pagando outdoor com celular, Microsoft pagando selo comemorativo de 20 anos com sobras de estoque, livraria e editora convocando novos talentos e oferecendo trabalho como prêmio, semana passada foi a vez da revista Piauí pagar tirinhas humorísticas com pinguim de geladeira, e a OI lançou um concurso de quadrinhos pagando com encalhes autografados.

Mas a semana do capeta ainda não tinha acabado: teve um blog promovendo a ideia de se fazer trabalho de graça, e a Converse AllStar (quem diria) fez um concurso pra pagar o design industrial da nova linha de tênis pagando o trabalho com um zero a menos: R$ 2.000,00 + uma dúzia de pares tênis, transformando o vencedor em um anúncio ambulante, um bobo-alegre gerando propaganda espontânea. Bela merda.

Um projeto destes vale pelo menos 20 mil reais, mas os marketeiros acharam uma mina de ouro: concursos picaretas e artistas iludidos. E nas linhas miúdas do regulamento, os inscritos cedem todos seus direitos, não apenas os vencedores.

O Ilustrador americano Gary Taxali mandou um sinal muito claro para os clientes picaretas, depois que Google e Swatch ofereceram “visibilidade” como pagamento.

Os colegas Leandro Substance e Fernando Mosca também estão fartos de tanta proposta sacana, premiação em tapinha nas costas e lero-lero. Esta é a imagem que eles disponibilizaram via Creative Commons, em diversos formatos, no blog Old Black Gallery:

Parece que os ilustradores não estão mais dispostos a receber pagamentos em elogios, tapinhas nas costas e o prazer de ver seus trabalhos publicados.

Estes foram os concursos e picaretagens mais recentes, houve trocentos outros, cada um mais escroto que o outro, e parece que este marketing de pinico está proliferando com seus protozoários em meio fétido.

Os marketeiros pensam que não precisam mais pagar dezenas de milhares de reais por imagens, logotipos, “mascotes” (que os profissionais costumam chamar de personagem), fotografias, ilustrações, etc.

Na mentalidade rasa destes incompetentes, basta jogar qualquer resto de qualquer porcaria na sarjeta, que dos esgotos surgirão os zumbis do design, da fotografia e do desenho, rastejando e se estapeando por um momento de fama.

E aparecem mesmo!

Tá virando palhaçada! Mas mesmo os palhaços são pagos pelo dono do circo para fazerem suas performances. Nem os palhaços mais sem graça aceitam bugingangas ou elogios como pagamento.

Na pirâmide moral da nossa sociedade, alguns designers, ilustradores, cartunistas, fotógrafos e escritores estão abaixo dos palhaços. Estes respeitáveis profissionais do humor trabalham por dinheiro e conquistaram com todos os méritos a Câmara Setorial do Circo, uma proeza que jamais conseguiremos.

É revoltante pensar que, em algum momento, elegantes senhores engravatados se reuniram em volta de uma mesa para elaborar um golpe de marketing, enfeitando o pavê de estricnina com bastante cobertura para que tenha uma aparência bem apetitosa, com o propósito de enganar a maior quantidade possível de idiotas, que se vendem pela vaidade de ganhar um tapinha nas costas e ver seu trabalho publicado.

Eis que o HSBC resolveu dar uma de esperto e jogar uma rede de arrasto no Flickr para ver quem cai nesta rede.

Com um contrato absolutamente draconiano, o banco oferece NADA, absolutamente NADA, em troca de imagens publicitárias:

18 - O participante atesta o caráter plenamente gratuito da citada licença, se comprometendo a não fazer qualquer reivindicação, cobrança, reclamação ou propondo qualquer tipo de demanda em face do HSBC, sob qualquer fundamento, objetivando o recebimento de valores, pagamentos, indenizações, prêmios, dação em pagamento, royalties e/ou qualquer tipo de verba, em relação as fotos enviadas para o Grupo.

Como se o pagamento em “muito obrigados” já não fosse suficientemente ofensivo, eles se outorgam o direito de “modificar, adaptar, sublicenciar ou criar trabalhos derivados” das imagens:

15 - Além disso, ao participar da ação e adicionar a foto ao Grupo, o participante concede ao HSBC, a título gratuito, uma licença mundial, exclusiva, irrevogável, sublicenciável e livre do pagamento de royalties, que é válida até o dia 31 de dezembro de 2010, para utilizar, copiar, modificar, traduzir e/ou adaptar, distribuir, executar em público, exibir em público e criar trabalhos derivados de sua foto, exclusivamente em relação à finalidade deste Grupo e da ação , por qualquer meio de veiculação e divulgação, especialmente através da exibição em outdoors, painéis gráficos ou assemelhados a serem veiculados pelo prazo previsto na licença.

A fotógrafa Paula Marina divulgou o logo postado no começo deste texto, criado por Andre Carvalho para combater esta proposta aviltante, e espero que ela se espalhe mais rápido do que a propaganda criada pelo banco. Vamos contar com a inteligência das pessoas e a agilidade da web 2.0 para denunciar esta campanha absurda, que visa enxugar dezenas de milhares de reais para pagar em “fama”, aos que se vendem por tão pouco.

Para os responsáveis (se é que se pode chamar assim) pela campanha gratuita que HSBC está promovendo nas costas dos fotógrafos, e aos inscritos neste fiasco, eu recomendo o video do Harlan Ellison, que pode falar em nome de todos criadores de conteúdo e propriedade intelectual.

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Atualização do post:

Em questão de horas o Flickr do HSBC que originou esta confusão foi bombardeado por dezenas de comentários furiosos, principalmente de fotógrafos que se sentiram aviltados pela proposta.

Em poucas horas de exposição da marca ao crivo dos profissionais, um porta-voz do HSBC se retratou e postou o seguinte texto:

Caros Ignacio, Louise e demais participantes,

Lemos a mensagem de vocês e de outras pessoas e entendemos o seu ponto de vista.

Aliás, esta é a proposta da campanha do HSBC: promover a opinião das pessoas sobre diferentes assuntos, através de fotos e vídeos de depoimentos. Acreditávamos que a publicação dessas opiniões em escala nacional seria uma forma de estimular a participação das pessoas. Mas reconhecemos que é preciso mais do que isso.

O pensamento do HSBC aqui e no mundo é justamente reconhecer e respeitar os valores das pessoas, inclusive o respeito ao direito autoral de fotógrafos profissionais e amadores.

Sendo assim, o HSBC vem publicamente informar que já tomamos as providências para reformular a ação, agora com um regulamento compatível com as expectativas da comunidade.

A partir de agora, manteremos a proposta inicial de selecionarmos oito (8) fotos que melhor representarão os temas discutidos e as vencedoras serão devidamente adquiridas pelo HSBC, caso as mesmas sejam utilizadas em campanhas do HSBC.

Já solicitamos a alteração do regulamento junto ao Yahoo! (Flickr) e isto deverá ocorrer em breve.

Agradecemos a manifestação de vocês e a atenção neste momento.

Coloco-me à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas remanescentes.

Carlos Alves

Diretor de Marca e Digital do HSBC

Resta agora esperar e ver qual será a alteração feita no regulamento.

Quem me dera os ilustradores deste país fossem tão coesos e pró-ativos como os fotógrafos.

Mais um daqueles concursos

Eu nem deveria sujar o blog com um assunto destes, mas a afronta é muito descarada para aguentar calado.

A Revista Piauí, em um rompante de desrespeito e escárnio contra seus colaboradores resolveu fazer um “concurso”, entre aspas, muitas aspas.

Eles querem artes inéditas e que façam a redação rir. Estes são os critérios da banca julgadora.

Ao grande vencedor deste “concurso”, o merecido prêmio: um pinguim de geladeira.

É ridículo, ofensivo e insignificante mas é o prêmio oferecido pela revista.

Já não bastasse a mesquinharia do troféu, o vencedor terá que ir até a redação para buscar seu souvenir, a não ser que ele seja de outro estado que não SP ou RJ.

A situação em si já é constrangedora, mas os editores conseguiram fazer o assunto ficar revoltante, acenando com uma suposta “imortalidade piauiense” para uma também suposta “tribo cartunistas/chargistas/criadores de humor gráfico”, ao mesmo tempo que ameaça com humilhação e cuspidas na cara no caso da imagem ter sido publicada anteriormente, mesmo que seja em um mictório público (?!?).

Eles querem exclusividade total, sob a seguinte ameaça:

Atenção: será submetido a opróbrio, e talvez escarradas na fuça, quem enviar trabalhos já publicados - seja em livros, jornais, revistas, zamizdats, pichações, sites, propagandas, blogs, cartazes, grafites, facebooks, pôsteres, enciclopédias, dazibaos, orkuts, mictórios públicos, cartazes, cardápios, tatuagens, bulas, calendários, twitters, rettiwt (o meio de comunicação secreto da piauí) e todo ou qualquer meio de expressão existente ou que venha a ser inventado nos próximos  3 974 anos.

Confira neste link o que eles consideram um novo e eletrizante concurso, e neste link as regras.

Eu estou enviando uma tirinha para eles. Não que eu me importe em ganhar um pinguim de geladeira, que dá pra comprar online por R$ 25,00 mas tem coisas que não podem passar em branco.

Mas eu publiquei aqui no blog e linkei no Twitter! Será que eles vão cumprir com suas catarrentas ameaças?

Note que não se trata de um concurso para amadores ou novatos. Eles querem a participação de artistas bissextos (eventuais, mas não necessariamente iniciantes) ou consagrados.

Não é assim que um contratante se dirige aos seus contratados ou colaboradores.

Não é escondido atrás de um pretenso senso de humor que se pode tratar seus parceiros de trabalho como lixo.

Enquanto os editores enxergarem seus colaboradores como um bando de idiotas, e estes se prestarem a humilhação de disputar um pinguim de louça como prêmio por seu trabalho, sujeitos a opróbrio e escarradas na fuça, não será possível uma relação comercial dentro de uma margem mínima de respeito.

Eu tenho um misto de pena e desprezo pelos miseráveis que se prestam a este tipo de oferta, lambendo as solas dos sapatos dos editores para entrar para a “eternidade piauiense” como mendigos da profissão.

Eu tenho uma sugestão aos editores sobre a utilização do maldito pinguim, mas vou poupar os leitores do blog das minhas grosserias.

No entanto, como eles são bem humorados, espirituosos e gostam de falar o que pensam, acho que não vão levar a mal se eu enviar um desenho com um pequeno leitor da revista, não é?

Milton Glaser - A importância do desenho / Porque ensinar

Uma das muitas coisas fascinantes a respeito da ilustração é que o tempo é um aliado do artista, e não um inimigo dele. Quanto mais se trabalha, quanto mais se estuda, inevitavelmente seu trabalho se torna melhor, mais relevante e significativo.

E paradoxalmente, mais coisas há para se aprender ao longo dos anos.

É certo que existem jovens talentos surgindo a cada dia, mas também é inegável se deliciar com a experiência , a vivência e o traço de um senhor designer e ilustrador como Milton Glaser.

Permita a você mesmo 5 ou 10 minutos do seu tempo para assistir dois videos que sintetizam vários anos de experiência deste genial senhor.

Acredite, valem cada instante. Além de ser o designer que é, ele também é conhecido por gerar insights imediatos na vida e na carreira das pessoas.

(link)

Eu legendei estes dois videos para que os colegas do Brasil possam beber nesta fonte de vitalidade e inspiração que é o legendário Milton Glaser.

(link)

Certa vez li em um adesivo de para-choque: “As pessoas não envelhecem, elas ficam melhores”.

E Maresias, foi legal?

Só quem esteve lá sabe o quanto.

Legal é pouco, estou procurando adjetivos que traduzam o que os 25 colegas viveram, mas não tem. Foi uma experiência multimídia, multigastronômica, multipiada, multioescambauaquatro.

Começamos na sexta-feira, encontrando a Bruna Dipp (na conexão Santa Maria - aeroporto Salgado Filho (Porto Alegre) - aeroporto de Cumbica (SP) - terminal Tietê - Maresias, que duraram heróicas 16 horas) e o Leonardo Conceição no Terminal Tietê, tagarelando por 4 horas no caminho, e recebendo na Pousada Encanto das Pedras alguns amigos que chegaram mais cedo, como o Fernando Mosca e Débora.

Enquanto a Bruna se recuperava da longa viagem, fomos almoçar ao lado da pousada, em um restaurante temático (surf) especializado em hamburguer, sushi, sorvetes e saladas, que tem de quebra uma galeria do surf. Parece maluco mas é tudo coerente e o design e decoração mostram que os caras investem bem, atendem bem, e a comida é ótima.

Fomos tomar um chopp na beira da praia com o Leandro Martins, que chegou depois, e pizza para terminar a noite, enfim, uma festa gastronômica para começar bem o FDS.

Tive a honra de receber gente de centro-oeste a sul do país (Brasília, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além da galera de Sampa). Que pessoal bacana, quanta gente boa, que privilégio juntar um pessoal com tantas afinidades.

Oito da noite, conforme combinado, nos juntamos na sala, ao redor da lareira que virou monitor, e esticamos até pouco além da meia-noite com videos, dicas e bate-papo, recebendo os colegas que chegaram à noite.

Tinha começado oficialmente o primeiro Praião Ilustrado.

A atividade noturna, video-tutoriais, era opcional, mas deu casa cheia, demonstrando que o pessoal estava com todo o gás para encarar a experiência de imersão total.

Na manhã seguinte a galera acordou cedo, tomamos um belo café da manhã e enchemos novamente a sala, para o treinamento de Notan, Sketchbook e Thumbnail “in a nutshell”. São oficinas de dois dias cada no estúdio em SP, mas passamos por todos os conceitos para poder alinhar o pessoal e falarmos a mesma língua.

Tivemos uma tarde dedicada à encadernação, pricipalmente o método das capas dos sketchbooks, usando camisetas e outros tecidos, com cola branca, gel acrílico e tinta a óleo com resinas para dar o efeito de envelhecido nos cadernos.

À noite estava fria, perfeita para sopinha, pães, e um agradável bate-papo entre amigos. Na mesa da esquerda estavam a Medi, o Afrânio e o Thomas, que nos acolheram como filhos em sua pousada.

Depois da sopa, pensamos em sair para um choppinho, mas ameaçou um toró. Ainda bem, porque decidimos ficar e desenhar até altas horas na sala. Um daqueles momentos tão gostosos que dava vontade de congelar no tempo, querendo que não acabasse nunca.

Mas ninguém poderia adivinhar que ficaria ainda melhor.

Duas e meia da matina, ninguém queria saber de dormir, apesar do cansaço insistir em fazer os olhos pesarem, e eu senti cheiro de bolinho de chuva no ar. Pensei estar alucinando, sonhando acordado, ou que talvez fosse na pousada vizinha, e perguntei aos colegas se eles também sentiam aquele cheirinho de infância, quando chega a Medi com uma bandeja repleta de strudels de uva passa, quentinhos, e foi servindo um por um dos desenhantes.

Strudel na madrugada.

Como descrever este momento?

Não dá, foi um carinho de mãe que a Medi fez para todos nós. Opa, peraê que entrou um cisco no meu olho… pronto, passou.

No domingo eu desenhei no sketchbook antes do café da manhã, na companhia dos amigos que também acordaram cedo, e rabiscamos inspirados pela beleza da pousada, colorida pelo sol da manhã. E de quebra ganhei um cordel-quadrinho maneiríssimo do Marlon Tenório.

A lareira ficou um tanto surreal com as imagens do screensaver do iMac.

À tarde foi rock and roll direto, técnicas mistas, canetas opacas, papéis diversos, monotipia, gravura com rolinho, stencil, linóleo com carimbo de borracha, e terminamos com oil wash, já quase sem luz, mas para minha surpresa todos estavam atentos, curiosos, com brilho nos olhos até o último instante.

Faltou tempo para a demonstração de pastel, a maioria do pessoal teve que pegar a estrada, e uns poucos puderam ficar até mais tarde.

Aí mais um momento mágico, a Luisa, que estava ansiosa por ver a técnica de pastel, me mostrou que ainda havia gás para mais uma demonstração, e nos reunimos novamente em torno da mesa, para baixar o santo do Gary Kelley, contando estórias e pintando com pastel, e lá estávamos nós, nos divertindo, ensinando e aprendendo mutuamente.

O desenho foi fluindo, sem qualquer planejamento, ao contrário do que eu costumo fazer e ensinar, e ficou bacana no final, talvez por ter sido feito com tanto prazer, na companhia dos amigos, sem stress, sem pressão, e ficou de presente para a Luisa, muito legitimamente. Afinal foi ela quem puxou a turma para uma demonstração que talvez nem acontecesse, por eu pensar que estariam todos cansados e saturados. Ledo engano, se o workshop durasse uma semana todos estariam no mesmo pique, todos os dias. E eu também.

No dia seguinte fui visitar o amigo e herói pessoal, Gonzalo Cárcamo, em seu novo lar, um pedaço do paraíso na Ilhabela. Fui para almoçar e estiquei por um dia inteiro, inesquecível, como todos os momentos na presença deste gigante da ilustração.

Realmente não poderia ser melhor.

Agora é esperar até o carnaval terminar, para chegar a baixa estação e planejar uma nova temporada de workshops em Maresias.

As fotos estão no Flickr da Sketcheria.

Meu primeiro Dr. Sketchy

Nesta quarta eu participei do 2º Dr. Sketchy São Paulo, na minha primeira experiência neste evento, e foi muito legal.

É uma proposta nova, bastante alternativa, e por isto não segue os padrões de desenho de modelo vivo que a gente está acostumado a ver.

O modelo da noite, Soul Dubs, era bastante pitoresco, altamente desenhável, muito gestual, dançava o tempo todo, e deve ter sido difícil para ele sustentar poses paradas, o cara tinha suingue nas veias e a trilha o convidava para dançar. Mesmo nas poses ele dava um certo malemoleio, um desafio a mais para quem estava desenhando, mas tudo bem.

No final eu admito que trapaceei no jogo. Desenhei todos os que estavam parados, enquanto o modelo apresentava seu incrível talento para dança, ao som de James Brown.

Eu acredito que os dois modelos do primeiro Dr. Sketchy estavam mais acostumados com a difícil tarefa de sustentar uma pose, afinal a Cris é uma das nossas modelos aqui nos workshops da Sketcheria, e ela congela nas poses, e o outro rapaz que dividiu o palco com ela naquela noite é um modelo vivo famoso entre os desenhistas.

O pessoal do El Tunel foi super atencioso, o clima era bem descontraído e o Eduardo S. Janiszewski recebeu a todos com muita atenção, conduzindo a festa com maestria. Pena que eu cheguei na metade e perdi um pouco da sessão de desenho. Quem sabe na próxima eles estendem para 3 ou 4 horas, seria perfeito.

Encontrei os colegas Arthur Porto e Thiago Pimentel (os únicos em foco nesta foto), que estavam no grupo de Maresias.

A hostess era uma pintura, e não deveria ser rascunhada no caderninho. Ela merecia uma tela a óleo.

A insistência no patrocínio também me pareceu um pouco além do razoável, mas como o evento está apenas começando, estou certo que eles vão aparar estas rebarbas e fazer um grande espetáculo, digno de entrar para o calendário cultural da cidade, que promete se repetir a cada 15 dias. Ueba!

Na hora que o Dr. Sketchy for mais conhecido vai ter fila na porta e neguinho se apinhando com o caderno na mão.

Eu vou chegar cedo nos próximos.

Bistecão Ilustrado no Metrópolis da TV Cultura

É uma sensação curiosa, ver a repórter falar empolgadamente sobre ilustração e apresentar o Bistecão Ilustrado no destaque da reportagem. Parece que estão falando do seu filho na TV.

Deu um orgulho danado, daqueles de encher o peito. Eu não chorei não, mas não é que entrou um cisco no olho bem nesta hora?

Todos os méritos para o criador deste evento espontâneo, acolhedor, agregador e demolidor de paradigmas, um artista sensacional que eu tenho o orgulho de chamar de amigo, quase um irmão, o Kako.

Parabéns também ao Gil Tokio, Hiro, Fernanda Guedes e Chris Parentoni, que colaboram incansavelmente para o sucesso deste evento tão gostoso.

Olhaê, mais um cisco… ô diacho.

Dr. Sketchy’s Anti Art School, São Paulo

Uma proposta bem legal para se desenhar modelo vivo e se divertir com os amigos é o Dr. Sketchy’s.

Segundo o Facebook do evento, “Este é um movimento artístico aliado a uma forma de sessão com modelos vivos , uma franquia internacional de sucesso, criada em NY por Molly Crabapple, que resgata o espírito burlesco, com eventos voltados tanto ao artista senior até o leigo iniciante”.

E olha só quem foi a modelo do último Dr. Sketchy’s: Cris Ferrantini, a mesma mega-simpática modelo que esteve aqui no estúdio para os workshops da Sketcheria.

Vou fazer o possível para comparecer no próximo Dr. Sketchy’s São Paulo, que acontece na quarta-feira, dia 30 de Setembro de 2009, no El Tunel, Rua Major Maragliano, 387 - Vila Mariana.

O preço também é legal, R$ 20,00 antecipados ou R$ 25,00 na porta do evento.

Veja o video do encontro passado, que eu certamente teria ido, se não estivesse na Illustration Academy.

Bernie Fuchs - *19/10/1932 †17/09/2009

Meu respeito e admiração por este ilustrador eram, e sempre serão imensos.

R.I.P. Bernie Fuchs.

Worldwide Sketchcrawl neste sábado, dia 19

E chegamos a mais um Sketchcrawl, o dia mundial de desenhar na rua, neste sábado, dia 19 de setembro.

Foi rápido, não?

Desta vez o espaço entre um encontro e o outro foi de apenas dois meses, e como quem decide as datas é o criador do evento, o grande ilustrador Enrico Casarosa, não sou eu que vou questionar.

Em São Paulo a previsão do tempo é de ensolarado / nublado para o sábado. Chuva, aparentemente, só a noite. Boas notícias, comparando com o último Sketchcrawl aquático de São Paulo.

Clique na imagem abaixo para atualizações sobre o clima em São Paulo.

Em tempo bom, ou até mesmo com uma garoinha besta, vamos encontrar o pessoal no Jardim Botânico.

Se chover MUITO, o melhor é ir para o SESC Pompéia, uma área coberta que abriga a todos numa boa. Mas SESC é o plano B, e será uma opção só se cair um toró.

Se o clima de São Paulo estiver apenas de cara feia, continuamos conforme o previsto, e o Sketchcrawl de São Paulo será no Jardim Botânico, próximo do Zoo, a partir das 11:00hs.

O lugar é grande, mas favorece visualmente para se achar um grupo de pessoas com caderninhos na mão, então vai ser fácil encontrar a galera.

O parque fecha as 17:00hs, facilitando o retorno antes do anoitecer.

Agora é botar a boca no trombone, organizar as caravanas, caronas e grupos pra chegar lá.

(atenção, dei uma busca pelo googlemaps, e o Jardim Botânico como endereço B dá uma localização errada, na metade do caminho, fora do parque. Refiz a pesquisa dando o Zoológico como destino, e deu certo. O Jardim Botânico é um pouco antes do ponto do Zoológico, no começo do parque)

Endereço do Zoológico no googlemaps, partindo do metrô São Judas: http://is.gd/3nOrl ou do metrô Saúde http://is.gd/3nOBF . A linha que sai do metrô Jabaquara é mais cara, porque inclui o ingresso no Zoo.

(Plano A - clima normal, sem chuva pesada)
Jardim Botânico de São Paulo
Avenida Miguel Stéfano, 3.031 - Água Funda - Zona Sul - São Paulo
Tel: (11) 5073-6300
www.ibot.sp.gov.br
Horário: De terça a domingo e feriados, das 9h às 17h
Preço: R$ 3. Estudantes pagam R$ 1 e crianças de até dez anos, adultos acima de 65 anos e portadores de necessidades especiais são isentos.

(Plano B - em caso de chuva forte)
SESC Pompéia
rua Clélia, 93
Pompéia
São Paulo - SP
cep 05042-000
http://www.sescsp.org.br/sesc/busca/index.cfm?UnidadesDirector=58
telefone: 11 3871-7700

Aqui na Sketcheria foi criado um post completo, com todos os links do evento, inclusive as reportagens onde o Sketchcrawl foi destaque, e tudo isto pode ser acessado neste link.

Lembrando que o Sketchcrawl é apenas um movimento divertido, sem pré-requisitos, não precisa ser desenhista para participar, basta gostar de desenho, qualquer desenho. Leve seu caderninho, seus lápis ou canetas preferidos, e vamos passar umas boas horas relaxando e desenhando sem compromisso, só pelo prazer de rabiscar.

Então até sábado, espero você lá!

Arrume suas malas, materiais e vamos desenhar na praia!

Nos dias 25, 26 e 27 de setembro vamos nos reunir em Maresias para um workshop muito divertido, instrutivo, cheio de bons amigos, boa comida, boa bebida, em uma pousada super descolada.

O nosso grupo já excedeu os 22 inscritos, o limite da pousada, mas o plano B já está em ação. Temos a pousada ao lado que acomodará o pessoal, até um grupo máximo de 35 a 40 pessoas.

Vamos lá, junte seus colegas, venha curtir um passeio diferente, e conhecer novas técnicas como pintura a óleo usando oilbar em tela, ou como transformar suas camisetas em capas de sketchbooks maneiríssimos, ou ainda como preencher seus cadernos e telas usando rolinho, colagens, stencils, carimbos e muitos outros macetes.

Tudo isto por um “precinho camarada”, como adoram os nossos clientes: R$ 110,00 pelo pacote de hospedagem/café da manhã + R$ 150,00 do workshop em formato imersão total, com dois dias e meio de atividades e demonstrações.

Confira neste post os detalhes, e inscreva-se no link http://www.montalvomachado.com.br/workshops.

Nos vemos por lá!

RDesign em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tchê!

Mais uma semana em Santa Maria e eu voltaria com sotaque.

Novamente uma viagem que superou as expectativas.

Eu sempre tive uma afinidade com a maneira dos gaúchos se orgulharem das tradições, cultivando gerações de famílias que conhecem e honram seu passado, sem perder de vista os ideais do futuro.

Eu devo ter sido gaúcho em alguma encarnação passada, mas também devo ter sido vampiro, pois ainda tenho pavor de alho… só uma boa regressão à vidas passadas pode esclarecer isto direito.

O evento foi excelente, de dimensões internacionais, afinal não deve ser fácil organizar e gerenciar um encontro de mais de 600 pessoas, onde 45 eram palestrantes ou oficineiros. Meus parabéns para o pessoal da organização, que mandou super bem durante todo o RDesign Sul.

Eu assisti a algumas palestras e a uma oficina, mas gostaria de ter visto mais. Perdi a palestra do Hiro e do Fernando Reule, queria ter visto “As bicicletas de Belleville” outravez, mas é parte do negócio, sujeito à aplicação prática de a uma lei da física: não se pode estar em dois lugares (quatro, no meu caso) ao mesmo tempo.

Achei que nesta competitividade acirrada o meu workshop seria minguado, e imaginei meia dúzia de gatos pingados, mas felizmente encontrei mais de 40 pessoas na sala, pontualmente a postos, na hora que cheguei para o workshop de Notan.

Foi muito rápido, comprimindo em duas horas um conteúdo que costumo apresentar em dois dias de 4 horas cada, mas ainda assim mais longo do que a versão da Flórida, onde tive 15 minutos para voar sobre o tema.

No dia seguinte tive a oportunidade de tomar um Chimarrão Ilustrado na companhia do amigo, ilustrador e oráculo, Renato Alarcão. Aliás, foi meu primeiro (seguido pelo segundo e terceiro) chimarrão, e olha que eu até procurei uma cuia pra trazer pra São Paulo, mas não achei uma que fosse bem legal.

Ainda vou tomar um bom mate aqui no estúdio, lembrando meus dias em terras gaúchas, folheando o livro 36 Vistas do Cristo Redentor, que ganhei do Alarcão.

Só mesmo um paulista maluco poderia lembrar do Rio Grande do Sul ao ver imagens do Rio de Janeiro…

No final da tarde acompanhei os colegas Rafo Castro, Renato Faccini, Daniel Moura, Fernando Reule e Gabriel Silveira (invisible mode: ON) na oficina Art Director Simulator II, uma atividade prática que tem como base uma campanha publicitária em ritmo acelerado. Super divertido e um tanto estressante para os inscritos, mas muito instrutivo, simulando um job com prazo curto, sujeito a alterações e mudanças radicais e pirações do cliente no meio do trabalho, igualzinho à vida real. Simplesmente genial.

Algumas atividades se esticavam até altas horas, como esta sob a ponte, pintada de branco exclusivamente para servir de suporte aos trabalhos da oficina de Inetrvenção Urbana do designer Rafo Castro, um gigante gentil, um ninja no domínio das latas de spray.

O pessoal da organização trabalhou pra caramba, ralaram feito loucos para fazer tudo funcionar como um relógio, e no final da tarde… descanso? nada disso, o pessoal caía na balada, dançavam a noite inteira, dormiam algumas horinhas e voltavam pro batente, bagaçados, mas sempre com uma alegria contagiante.

Eu tenho praticado noitadas mensais nos Bistecões, mas o ritmo desta galera é incansável, não dá pra acompanhar. Eu estiquei mesmo apenas uma noite, na despedida, depois do churrasco.

E que churrasco! Barbaridade, tchê! Os caras fazem mágica com as carnes, é uma delícia!

Aí teve um momento histórico para o evento, que certamente será lembrado por muitos anos.

Um gaúcho daqueles típicos, com seu violão, chapéu daqueles de topo baixo, um gaudério autêntico com bombachas e lenço no pescoço sobe ao palco e começa a passar o som: “Um, dois, trêssss, tessssste, um, um, doisss”.

Do nada, sem mais nem porquê, ele toca no violão os primeiros acordes de “Wish You Were Here” do Pink Floyd…

Caem os garfos, e centenas de pessoas se calam, incrédulos, paralisados, olhando para o palco.

Sim, a cena é surreal. O gaudério de bombachas segue tocando Pink Floyd, a galera abandona as carnes e cerca o palco.

Caem os queixos, porque agora ele estava cantando em bom e nítido inglês, com toda a pose de músico gaúcho, acompanhado de um acordeon.

Era surreal, meus olhos viam uma coisa, os ouvidos escutavam outra, e meu cérebro não entendia nada.

Foi demais.

Um músico, assim como um publicitário ou um designer, deve conhecer bem o seu público e saber o que desperta sua atenção. O violeiro gaudério acertou em cheio, surpreendeu e conquistou a audiência, e em questão de segundos tinha todos na palma da mão.

Em seguida tocou seu repertório de músicas típicas, as danças seguiram com o respeito e a admiração de todos, e quando se pensava que não podia melhorar, ele chamou um hino gaúcho e todos cantaram de peito cheio (menos eu e os outros palestrantes de fora do estado, que não conheciam a letra), em outro momento emocionante.

Não dá pra negar, eu voltei um pouquinho gaúcho pra casa.

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Para quem quiser conferir, as fotos estão no Flickr da Sketcheria.

Workshop de Notan em São Carlos

Um pouco tarde para contar como novidade, mas cronologicamente correto para vir antes do post sobre a viagem para o RGS.

Muita correria entre uma viagem e outra, já foram 3 neste meio-de-ano, logo vai ter mais uma para Maresias, e ainda arrisca ter mais outras até o ano terminar. Os workshops estão caindo na estrada!

O de São Carlos foi uma proposta oferecida pelo SESC, intermediada pelo amigo e ilustrador Eldes de Paula, que fez as honras da casa, onde tivemos uma galera atenta e muito receptiva nos dois dias de apresentação.

A experiência foi muito proveitosa, com direito a entrevista na TV local e tudo mais. As outras fotos estão no Flickr da Sketcheria.

Durante a oficina o fotógrafo Marcello de Castro Lima (em pé, ao lado do monitor de TV) optou por acompanhar o treinamento até o final, e aproveitou o conteúdo tanto quanto os colegas ilustradores e cartunistas.

Afinal, o conceito de claro-escuro do Notan se aplica muito adequadamente à fotografia, tanto quanto é aplicável na pintura, ilustração, cinema, animação ou design como um todo.

Espero voltar lá em breve, com um pacote de workshops de uma semana, que já está em negociação.

Próxima parada: Santa Maria - RS

Estou a caminho do aeroporto para participar do RDesign Sul 2009, um evento interdisciplinar que chega à sua sexta edição, e reúne mais de 600 pessoas a cada encontro.

Entre muitos outros palestrantes, estarei com o Hiro e Renato Alarcão, e tenho certeza que vou me surpreender com este evento.

Minha participação será uma apresentação pocket-show do “ilustração como linguagem”, “Sketchbooks” e um treinamento de Notan, em um formato parecido com o que foi apresentado recentemente na Illustration Academy, com a diferença que o Notan será executado como uma oficina, e não apenas a parte teórica.

Fotos e causos serão postados na semana que vem.

Fui.

A Record of Life

Seguir as pessoas certas no Twitter é praticamente uma garantia de boa companhia, insights interessantes, e links que podem dar aquela iluminada no seu dia.

Uma twittada do Renato Alarcão me levou a esta pequena animação, criada por Owen Gatley e Luke Jinks, sobre o tema da evolução e diversidade da vida no planeta Terra.

Como foi descrito no blog Drawn!: “Art and science have never looked better together”.