A Sketcheria mudou de endereço

O blog Sketcheria agora está em um novo link, e este espaço não será mais atualizado, somente o novo.

Os posts criados desde o início do blog estão todos lá, e eu não estou mais acessando os comentários por aqui, somente no endereço novo.

http://montalvomachado.com.br/category/blog-sketcheria/

Obrigado, nos vemos por lá!

Abraços,

Montalvo

Cobranças interiores, comparações e metas

Faz tempo que eu não posto um daqueles insights aqui na Sketcheria, e quero compartilhar um momento de reflexão que tive, com os amigos do traço.

Vocês já ficaram alguns meses sem desenhar?

Nesta coisa da reforma/mudança, eu fiquei 8 meses num “gancho” auto-imposto, e tive que ser muito seletivo com os trabalhos que peguei neste período, o job tinha que ser grande pra valer a pena, aí eu virava uma ou duas noites trabalhando até a exaustão, entregava e voltava ao meu alter-ego de pedreiro. Confesso que foram poucos trabalhos neste ano, tive que dizer muito “não”, mas os “sim” pagaram bem as contas do mês.

O problema é que vivemos de performance, e como músicos, atletas, etc, temos que treinar e praticar muito para manter nossos resultados.

O custo de ficar tanto tempo longe dos papéis é que minha mão engessou um bocado e o resultado atual não corresponde a minha expectativa. Pode até corresponder a quem vê os desenhos, mas eu sei os meus limites, conheço muito bem o que eu sei e o que eu não sei fazer, conheço minha produtividade, e estou pagando caro pelo afastamento.

O Oscar Peterson costumava dizer que se ele ficasse um dia sem tocar piano, ele sentia a diferença. Se ficasse dois dias, a esposa dele já percebia, e se ficasse 3 dias, toda a platéia notaria.

Vivemos como atletas, buscando superar nossos resultados, ou ao menos mantendo os números que já adquirimos, e não se deixe enganar, isto não é um patrimônio permanente, se cochilar o cachimbo cai.

O meu nível de cobrança pessoal, meus padrões de qualidade interiores chegam a ser cruéis, e eu tenho que fazer um esforço imenso para não me deixar torturar pela auto-crítica, e daí que vem a minha dica para quem sofre de “síndrome de alta exigência” e do “mal de comparativismo com o trabalho alheio”, não deixem que seus padrões de qualidade e expectativa com o próprio trabalho afetem a sua auto-estima, nem se deixem afetar por ver outras pessoas detonando, cada um tem os seus fantasmas, e ninguém, ninguém mesmo, está totalmente satisfeito com o próprio resultado.

A gente sempre quer mais, e sempre se compara com os outros.

Enquanto isto é um benefício, por mantermos metas sempre altas, gera ansiedade e expectativas também altas, uma combinação perigosa e com grande potencial de frustração e sensação de incapacidade.

Como um atleta saindo de uma lesão, estou sentindo as dores da fisioterapia, do stress muscular por falta de atividade, da atrofia natural que acontece pelo afastamento e falta de continuidade nos treinos e campeonatos de alta performance.

A vantagem é que a minha recuperação não depende de treinador, fisioterapeuta, nem degrada com a idade, na verdade a idade é o meu maior aliado, afinal um artista só tende a melhorar com os anos, e pensando por este lado, eu estou com uma motivação enorme, e mais do que recuperar o meu traço, estou num processo ainda mais ousado, de descoberta e reinvenção, eu quero o que eu já tinha, mas quero muito mais, e lá vou eu novamente buscar standards mais altos do que antes, quero encontrar no meu papel o que eu ainda não tinha, quero novos desafios, quero novos resultados.

E é nesta hora que eu tenho que ser mais paciente, tolerante, gentil e carinhoso comigo mesmo, tenho que saber relevar meus erros, persistir quando quiser desistir, saber exigir mais em quantidade do que em qualidade, sem dar descanso para o lápis, mas sem fazer disto um processo tedioso ou torturante.

Eu tenho mais heróis do que se pode contar, tenho muitos ídolos e uma coleção de referências maior do que o bom senso recomenda, mas nunca vou deixar que o brilho

intenso dos artistas que admiro me tire das metas que eu estabeleci para mim, e eu sei, há muito tempo, que jamais serei tão bom quanto eles.

O melhor que eu posso ser, e tenho isto claro para mim como um objetivo alcançável, é ser um Montalvo melhor.

E isto já é um alvo distante e difícil, mas totalmente viável, porque não depende dos outros, nem pode ter como referência os resultados dos outros. A comparação é do meu trabalho passado com o presente, e como num gráfico, tenho metas para o futuro. São diferentes momentos de uma mesma pessoa, ou seja, é um comparativo absolutamente honesto, justo e sincero, afinal eu não consigo mentir para mim mesmo, e mais do que ninguém, eu sei exatamente onde eu me encontro neste gráfico.

Eu escrevi este texto, quase como se fosse uma sessão no divã do analista, porque eu sei que muita gente talentosa e com grande potencial acaba se desgastando e se remoendo internamente com comparações e metas inatingíveis, e sofre por buscar algo que eles mesmos não podem alcançar, porque usam os outros como referência.
Ninguém vai ser um Neymar, um Einstein, um Senna ou no nosso caso, um Bill Sinkiewicz ou um Benício, isto é um fato que temos que encarar e nos conformar, eles são eles e ponto final.

Eu posso ter mil heróis, como posso torcer pelo Nadal, mas sabendo que nunca serei um campeão de tênis.

O que é melhor neste tipo de auto-análise, é que cada um pode ser um “eu” melhor, e esta é uma meta viável e muito boa de se ter. Não tem como se decepcionar ou sofrer por comparação, porque com estudo, dedicação e prática, você certamente será melhor daqui a seis meses do que é agora, a não ser que faça uma grande reforma na sua casa e se torne um pedreiro temporário por mais de um semestre, como eu fiz.

O papo tá bom, mas eu tenho muito o que desenhar.

Como diz o Alberto Ruiz, um de meus muitos heróis, “Don’t just stand there, draw something!”.

O mérito é de quem o conquista

Neste dia de profundo significado simbólico, quero prestar uma justa e merecida homenagem aos meus ex-sócios pela suposta “criação” do SketchJazz, e por todo o forfait que fizeram, transformando um evento generoso de união fraterna de amigos, música e desenho num retrato vergonhoso da mentira, da vaidade e da traição.

Por fraturar, segmentar e dividir o que levou mais de uma década para ser construído, por desagregar um grupo coeso e criar panelas onde elas nunca existiram, por roubar o que me era valioso de forma desleal, ingrata e imoral, causando danos irreparáveis, e por apagar meu nome para que pudessem assinar os seus, fica aqui a minha saudação por este Primeiro de Abril, o dia internacional da mentira.

Os créditos representam os méritos de quem faz, e pelo dia de hoje meus dois ex-sócios merecem 24 horas de aplauso, em pé.

O melhor anúncio da Mercedes Benz

“Eu sou o lado esquerdo do cérebro. Sou um cientista. Um matemático. Eu amo o que é familiar. Eu categorizo. Eu sou preciso, linear, analítico, prático e estratégico. Estou sempre no controle. Um mestre das palavras e da linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou ordem e lógica. Eu sei exatamente quem sou.”

“Eu sou o lado direito do cérebro. Sou criatividade. Um espírito livre. Eu sou paixão, ansiedade, sensualidade. Eu sou o som de gargalhadas estrondosas. Sou o gosto. A sensação de areia sob os pés descalços. Sou movimento. Cores vívidas. Eu sou o ímpeto de pintar numa tela em branco. Sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu sinto. Eu sou tudo o que eu queria ser.”

(via Sandra Ronca)

Chegamos à beira do abismo. E tem gente dando um passinho à frente.

O meu pior pesadelo já se tornou uma realidade: Muitos profissionais de ilustração, animação e fotografia já trabalham para grandes clientes a custo ZERO aqui no Brasil.

De trabalhos “no risco” a projetos que dão “projeção”, “divulgação” e “portfolio”, a revoltantes concursos picaretas de toda espécie, trabalhos voluntários e projetos colaborativos, passando por imagens publicadas sem a autorização ou o conhecimento do artista, o valor ZERO não é mais uma figura de expressão ou um exagero, já podemos ouvir o barulho de colegas nossos se estabacando no fundo do poço.

Com esta realidade devastando o mercado como um tornado, e à beira do abismo da concorrência a custo ZERO, só nos resta imaginar quem será o louco de dar um passinho adiante, e pagar para trabalhar.

Nah, impossível. Quem seria louco a ponto de pagar grandes quantias para trabalhar?

O plano já está feito, pronto para ser executado. Estudantes pagarão 105 mil dólares para fazer parte da equipe de produção da Digital Domain.

Curiosamente a Digital Domain é a mesma empresa criada por James Cameron, que recebeu uma carta aberta dos artistas de efeitos visuais (semanas antes de receber diversas premiações na Academia, em Hollywood, por Avatar) para que citasse em seu discurso alguma palavra que valorizasse os artistas, que tem sua parcela de contribuição em diversos Oscar, ano após ano, enquanto veem seus salários serem diluídos e enxugados a cada novo filme produzido.

James Cameron, com a estatueta dourada nas mãos, ignorou completamente o pedido de seus colegas, e agradeceu somente aos que interessavam diretamente à ele.

Leia o texto abaixo, traduzido do site Cartoon Brew, que também foi reproduzido pelo CG Hub, num alerta enviado pelo colega Eduardo Schaal.

O CEO da Digital Domain, John Textor tem grandes planos para o seu novo estúdio de animação em Port St. Lucie, na Flórida, chamado Tradition Studios. Já escrevemos sobre os ambiciosos planos de grandes produções deste estúdio, ainda não eram conhecidas eram as formas pelas quais Textor pretende realizar seus filmes. Seu plano é convencer estudantes a pagar para a Digital Domain, e trabalhar sem salário.

O blog VFX Soldier obteve um discurso no qual Textor fala aos investidores, em Novembro passado, revelando como a nova escola de animação da companhia, a Digital Domain Institute será integrada com o Tradition Studio. Textor disse à sua audiência:

“Com as aulas começando no espaço educacional, o que é interessante é a relação entre o estúdio digital e a faculdade. Não é apenas o primeiro de uma variedade de opções que já conversamos anteriormente, mas 30% da força de trabalho no nosso estúdio digital na Flórida não será apenas gratuito, com trabalho estudantil, mas será um trabalho que na realidade nos pagará pelo privilégio de fazerem parte de nossos filmes.

Este foi o elemento controverso desta questão e as primeiras discussões com o Departamento de Educação, porque soa como se estivéssemos tirando vantagem dos estudantes. Mas nós fomos capazes de persuadir até mesmo a comunidade acadêmica, se não fizermos algo para reduzir dramaticamente os custos na nossa indústria, não somente os nossos, mas de diversos outros setores neste país, nós perderemos estas indústrias, perderemos estes empregos. E nossa indústria estava indo muito rapidamente para a India e a China.”

Em outras palavras, os estudantes pagarão até U$ 105,000.00 pelo “privilégio” de trabalhar nas produções da Digital Domain, sendo a primeira delas The Legend of Tembo.

Conforme a VFX Soldier destaca: Uma coisa é trabalhar por baixos valores, outra coisa é trabalhar de graça, mas é inimaginável esperar que se pague para trabalhar de graça“.

Se tudo isto soa um tanto suspeito, é porque é mesmo. A Animation Guild de Los Angeles investiga se a Digital Domain pode estar em violação das leis de trabalho federais e estaduais. Eles tentaram a comunicação com diversas agências governamentais, inclusive o Departamento de Estado da Educação, mas sem sucesso até o momento. Leis de trabalho federais, no entanto, estariam a favor dos artistas, uma vez que são claramente estipuladas as cláusulas que dizem que estagiários não podem “realizar trabalho produtivo” (ou seja, trabalho na linha de produção de um filme) sem ser compensados pelo valor mínimo e horas extras (O valor mínimo, vale dizer, é de U$ 7.67 por hora na Flórida).

Como os programas de educação em animação proliferam nos Estados Unidos e a competição se intensifica por um número restrito de postos de trabalho, os estúdios se encontram numa posição de explorar jovens artistas mais agressivamente do que nunca.

Se é o caso da Titmouse realocar seu estúdio para 3.000 milhas de distância para evitar o pagamento aos seus funcionários de valores estabelecidos pelo sindicato ou da Digital Domain fazer as pessoas pagarem para trabalhar em seus filmes, há muitas brechas legais que os estúdios podem explorar para salvar um trocadinho aqui e ali, nas costas de suas equipes de produção.

E alguns CEOs de grandes estúdios estão tão orgulhosos deles mesmos, que se gabam publicamente sobre como estão se safando desta situação.

(Fotografia de Debbie and John Trextor via TCPalm.com)

Direitos de uso limitados a 5 anos – Nossa pauta tramitando no Governo!

É um momento decisivo nos rumos da nossa profissão, um avanço na manutenção dos nossos Direitos Autorais e de propriedade intelectual.

É muito importante que você entre no link da câmara, vote a favor do projeto de lei que limita o uso de Propriedade Intelectual a 5 anos (matando de vez a Cessão Eterna) e envie uma mensagem de apoio ao deputado (em link logo abaixo da enquete).

Eu sugeri remover a necessidade da presença de um advogado na negociação. Peço que façam o mesmo.

Temos que nos ajudar.

Por favor, repassem esta comunicação!

(Note que isto não é spam, é uma proposta de ação coletiva. É o corporativismo do bem, que precisa ser aplicado neste momento tão importante)

O texto abaixo é da ilustradora Thais Linhares, empenhada há muitos anos nesta batalha.

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“Amigos, entrem no site da camara e falem diretamente com o autor do projeto que limita os contratos em 5 anos. Parece que pouca gente está compreendendo a importância imensa desta alteração.

A prática da cessão integral trancou milhares de fotos, imagens, roteiros, personagens, obras, contos… nas gavetas de grandes jornais e editoras. Até hoje há toda uma categoria de publicação que impõe a cessão por prazo infinito.

Se esse projeto passa, estamos salvos da pressão econômica destes grupos. Lembro que a maior casa publicadora do país, a Record, é uma que OBRIGA o ilustrador a ceder integralmente suas artes, para grande prejuízo não só do mesmo, mas de TODOS, visto que é muito barato para a editora comprar a arte de um iniciante, e depois reutiliza-la repetidamente sem nem pagar ao autor original e nem precisar contratar um outro ilustrador para novo trabalho.

Minhas artes para o Taro do N Naiff venderam mais de 100.000 exemplares. Custaram uma mixaria para a Record, “cuja verba para tal projeto era apertadíssima e blablabla”. Façam a gentileza de compreender que não é justo que nem eu, nem niguém, seja eternamente punido pela própria estupidez em assinar um contrato de cessão integral e penar eternamente que minha próprias artes me façam concorrência em um mercado onde rola milhões…mas nem um centavo pra quem criou.

O projeto do deputado Luciano Castro é MUITO IMPORTANTE, vem de encontro a uma das maiores demandas dos autores que se vêem amarrados a esses contratos vergonhosos.

SOCORRO, imploro que os colegas ajudem nesta hora. Entrem em contato com o deputado, apoiem, sugiram aperfeiçoamentos, espalhem em suas redes, comentem, divulguem, demonstrem interesse político por algo que realmente vai ter um efeito positivo em nossa produção.

Comuniquei-me com ele já suas vezes, levando a ressalva de que a presença obrigatória de um advogado pode trazer mais problemas do que benefícios. Coisa do tipo das que podem acabar prejudicando a aprovação do projeto todo.

É essencial que demonstremos INTERESSE e UNIÃO nesta hora.
Ou, na boa. Não sei o que estive fazendo estes anos todos na AEILIJ.”

O site é:

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409757-TRANSMISSAO-DE-DIREITOS-AUTORAIS-PODERA-SER-LIMITADA-A-CINCO-ANOS.html

E para escrever para o deputado:

http://www2.camara.gov.br/participe/fale-conosco/fale-com-o-deputado/fale_conosco_form_deputado http://tl.gd/gl4qa8

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Este foi o texto que eu enviei para o Deputado Luciano Castro:

Caro Deputado Luciano Castro,

Quero parabenizá-lo pelo seu Projeto de Lei 2910/11, prevendo a limitação de direitos autorais a 5 anos.

Este é um grande avanço para as negociações, e uma luta antiga dos autores, escritores, ilustradores, fotógrafos e criadores em geral.

No entanto, gostaria de solicitar uma revisão no item que obriga a intermediação de um advogado para a assinatura de cada contrato, fato que oneraria as partes, e na maioria dos casos favoreceria aos contratantes, por motivos de acessibilidade destes num corpo jurídico, e pelos valores pagos aos fornecedores, que não comportariam, em sua maioria, a contratação de um profissional jurídico.

Os contratos podem ser firmados entre as partes com reconhecimento de firma em cartório, o que atestaria sua legitimidade, e existem modelos que podem ser baixados na rede facilmente hoje em dia.

Agradeço a sua atenção e desejo sucesso na conclusão deste valioso avanço na defesa da Propriedade Intelectual e dos autores.

Atenciosamente,

Montalvo Machado – ilustrador – SP

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Meus heróis não morreram de overdose.

De tempos em tempos amargamos a perda de alguns grandes heróis, é o ciclo da vida, e não há nada que possamos fazer a este respeito, a não ser prestar nossas homenagens e jamais esquecer quem eles foram e o que fizeram.

Entre os ilustradores se foram recentemente estão Bernie Fuchs, Frank Frazetta, Kazuhiko Sano, Jeffrey Catherine Jones e Moebius, artistas que sempre admirei profundamente desde a minha infância, verdadeiros super-heróis de carne e osso, que me inspiraram e motivaram por uma vida inteira.

Até hoje me pego pensando, ao ver suas imagens, como eu gostaria de poder desenhar ou pintar como eles, coisa de fã, quem é artista conhece a sensação.

Como eu não os conheci pessoalmente, a minha dor é pela perda dos símbolos, os mitos que eles representam, e me sinto órfão de alguma forma, confrontado com a realidade que jamais os encontrarei, e que nenhuma nova arte será produzida por eles.

Outras perdas monumentais, irrecuperáveis, são aqueles que de alguma forma colaboraram na construção das minhas referências intelectuais, morais, artísticas, ou que me fizeram rir, chorar, pensar, sonhar e me emocionar profundamente.

Estas pessoas iluminadas se tornam parte da vida de cada um que os segue, e o que somos hoje se deve, em parte, ao que eles representaram – ou ainda representam – muito para nós.

Eu jamais vou esquecer o dia em que Ayrton Senna se foi, assim como Frank Zappa, Stevie Ray Vaughan, Henfil, Raphael Rabello, Carl Sagan e Christopher Hitchens.

Em 2003 o mundo perdeu Sérgio Vieira de Mello, e eu pude assistir a um documentário produzido pela HBO em sua memória. Naquela época eu já sabia quem ele era, e saber da sua morte foi devastador para mim.

O documentário, premiado no Sundance Film Festival, infelizmente não foi apresentado em rede aberta, no horário nobre, em seu próprio país, e também não está disponível na íntegra na web.

Este é um relato impressionante de um diplomata que fez a diferença no mundo. Respeitado e reconhecido como um grande humanista, corajoso pacifista e habilidoso negociador em países em conflito, Sérgio trabalhava em campo, pisando em campos minados, em contato direto com os povos mais surrados do mundo, no Cambodja, Timor Leste, diversos países da África, e por fim no Iraque, onde foi morto num atentado terrorista, em 2003.

Ele foi um herói para o mundo, e inacreditavelmente esquecido pela maioria dos brasileiros.

Sérgio era Representante Especial do Secretário Geral pelos Direitos Humanos da ONU, Kofi Annan, que foi convidado para inaugurar o Memorial Sérgio Vieira de Mello.

Aqui em São Paulo um túnel recebeu seu nome, mas pouco ou nada se diz a respeito de quem ele foi, ou o que ele fez. É uma homenagem, tem seu valor, sua simbologia, mas é muito menor do que seria justo, comparativamente aos seus feitos pelo mundo inteiro.

Podemos no entanto, nos sentir gratos pela HBO ter o interesse e a dedicação que não tivemos para preservar a memória, os atos e a história deste homem memorável, porque ele foi com todos os méritos, um cidadão do mundo. O orgulho de haver uma pessoa assim não é dos brasileiros, é da espécie humana, porque ele atuava muito além das fronteiras. O fato dele ter nascido no Brasil foi apenas uma contingência, sua família viajava o mundo inteiro devido ao cargo de seu pai, também diplomata.

Falar sobre diplomatas, músicos, escritores e cientistas falecidos não é exatamente o assunto deste blog, mas eu me sinto na obrigação de preservar e celebrar os feitos dos meus heróis pessoais. Eu sou a soma de fragmentos do que cada um deles deixou como legado, e a minha gratidão por tudo que eles fizeram é imensamente maior que um post na Sketcheria.

Quando é que conseguiremos, como Nação, aprender a dar valor a quem tem valor?

Até quando o povo brasileiro permitirá ser induzido a glorificar celebridades instantâneas, caras, bocas e bundas, cujas biografias não valem um parágrafo?

É preciso saber escolher os heróis, porque eles se tornam os ideais que perseguimos, os padrões – ainda que inatingíveis – para os quais apontamos nossas metas, ou ao menos nossos valores e ideais.

E não se deve esquecer quem foram, nem o que fizeram, porque devemos o que somos às pessoas que admiramos.

“My message is very simple: Never forget the real challenges and the real rewards are out there in the fields. Where there’s people suffering, where people need you.” – Sérgio Vieira de Mello

Soul Searching

Uma coisa pode ser considerada como unanimidade entre os artistas: é a insatisfação com o próprio trabalho.

Há sempre uma busca incessante por alguma expressão pessoal, uma forma de traduzir visualmente o que se pensa e sente, e ficamos como o cachorro correndo atrás do próprio rabo, tentando alcançar o que já existe de alguma forma em nós mesmos. Uma definição interessante para esta busca pessoal é chamada de “Soul Searching”.

A insatisfação é uma mola propulsora, e é algo muito positivo, que nos leva a novas buscas, novas aventuras e questionamentos e não quero que chegue o dia de alcançar todos os objetivos, porque tudo perderia o propósito. Os objetivos devem ser alvos móveis, e uma vez atingido, um novo padrão, maior e mais alto deve tomar seu lugar. A grande viagem é o caminho, e não o destino.

No mês de dezembro eu me dediquei totalmente aos estudos, como há muito tempo eu queria fazer, e trabalhei o traço, fiz estudos tonais, misturei técnicas, inventei, e me permiti ao erro, com muita convicção.

E no final fiz uma pintura sobre uma foto que tirei há muitos anos, em Ilhabela, que vai ser a primeira de uma série, que mostro aqui como parte desta experiência.

Este trabalho foi feito duas vezes, porque na primeira eu errei feio, e não consegui salvar a imagem. Foi bom para aprender com o processo, e não repetir o erro na segunda tentativa, que posto abaixo.

A pintura foi feita em Crescent Illustration Board, inicialmente com lápis pastel, seguido de aquarela e terminado com óleo, que tem se tornado um padrão para minhas finalizações, pela consistência que consigo alcançar com as cores, tanto nas transparências como nas coberturas com tinta opaca. O óleo não muda de tom, e dá um controle total sobre cada pincelada, mas curiosamente não funciona para mim como processo inicial, eu prefiro outras técnicas para fazer o “underpainting”, e depois dar acabamento com óleo.


Sketchtravel

Eu sempre admirei muito os artistas Dice Tsutsumi, Tadahiro Uesugi e Enrico Casarosa por sua Arte.

Neste video eu pude descobrir um outro aspecto – talvez ainda mais belo – sobre as pessoas por trás dos nomes e dos desenhos.

Mais do que me sentir inspirado pelas suas obras, eu me sinto inspirado pela generosidade e grandiosidade destes artistas, em elevar os seus projetos de vida a um patamar superior, humanitário, quase espiritual.

A imensa admiração que eu tinha por eles ganhou um layer a mais: o respeito.

SketchTravel Interviews from Curio on Vimeo.

SketchTravel from Curio on Vimeo.

Sketchtravel | Tadahiro Uesugi Promo from Curio on Vimeo.

Doodle (rabisco): Elogio ou ofensa?

To teachers and parents who think that doodling is a waste of time: “YOU ARE WRONG!” Live with that.

Sunni Brown – Tedx UT – The Doodle Revolution from Sunni Brown on Vimeo.