A Sketcheria mudou de endereço

O blog Sketcheria agora está em um novo link, e este espaço não será mais atualizado, somente o novo.

Os posts criados desde o início do blog estão todos lá, e eu não estou mais acessando os comentários por aqui, somente no endereço novo.

http://montalvomachado.com.br/category/blog-sketcheria/

Obrigado, nos vemos por lá!

Abraços,

Montalvo

Cobranças interiores, comparações e metas

Faz tempo que eu não posto um daqueles insights aqui na Sketcheria, e quero compartilhar um momento de reflexão que tive, com os amigos do traço.

Vocês já ficaram alguns meses sem desenhar?

Nesta coisa da reforma/mudança, eu fiquei 8 meses num “gancho” auto-imposto, e tive que ser muito seletivo com os trabalhos que peguei neste período, o job tinha que ser grande pra valer a pena, aí eu virava uma ou duas noites trabalhando até a exaustão, entregava e voltava ao meu alter-ego de pedreiro. Confesso que foram poucos trabalhos neste ano, tive que dizer muito “não”, mas os “sim” pagaram bem as contas do mês.

O problema é que vivemos de performance, e como músicos, atletas, etc, temos que treinar e praticar muito para manter nossos resultados.

O custo de ficar tanto tempo longe dos papéis é que minha mão engessou um bocado e o resultado atual não corresponde a minha expectativa. Pode até corresponder a quem vê os desenhos, mas eu sei os meus limites, conheço muito bem o que eu sei e o que eu não sei fazer, conheço minha produtividade, e estou pagando caro pelo afastamento.

O Oscar Peterson costumava dizer que se ele ficasse um dia sem tocar piano, ele sentia a diferença. Se ficasse dois dias, a esposa dele já percebia, e se ficasse 3 dias, toda a platéia notaria.

Vivemos como atletas, buscando superar nossos resultados, ou ao menos mantendo os números que já adquirimos, e não se deixe enganar, isto não é um patrimônio permanente, se cochilar o cachimbo cai.

O meu nível de cobrança pessoal, meus padrões de qualidade interiores chegam a ser cruéis, e eu tenho que fazer um esforço imenso para não me deixar torturar pela auto-crítica, e daí que vem a minha dica para quem sofre de “síndrome de alta exigência” e do “mal de comparativismo com o trabalho alheio”, não deixem que seus padrões de qualidade e expectativa com o próprio trabalho afetem a sua auto-estima, nem se deixem afetar por ver outras pessoas detonando, cada um tem os seus fantasmas, e ninguém, ninguém mesmo, está totalmente satisfeito com o próprio resultado.

A gente sempre quer mais, e sempre se compara com os outros.

Enquanto isto é um benefício, por mantermos metas sempre altas, gera ansiedade e expectativas também altas, uma combinação perigosa e com grande potencial de frustração e sensação de incapacidade.

Como um atleta saindo de uma lesão, estou sentindo as dores da fisioterapia, do stress muscular por falta de atividade, da atrofia natural que acontece pelo afastamento e falta de continuidade nos treinos e campeonatos de alta performance.

A vantagem é que a minha recuperação não depende de treinador, fisioterapeuta, nem degrada com a idade, na verdade a idade é o meu maior aliado, afinal um artista só tende a melhorar com os anos, e pensando por este lado, eu estou com uma motivação enorme, e mais do que recuperar o meu traço, estou num processo ainda mais ousado, de descoberta e reinvenção, eu quero o que eu já tinha, mas quero muito mais, e lá vou eu novamente buscar standards mais altos do que antes, quero encontrar no meu papel o que eu ainda não tinha, quero novos desafios, quero novos resultados.

E é nesta hora que eu tenho que ser mais paciente, tolerante, gentil e carinhoso comigo mesmo, tenho que saber relevar meus erros, persistir quando quiser desistir, saber exigir mais em quantidade do que em qualidade, sem dar descanso para o lápis, mas sem fazer disto um processo tedioso ou torturante.

Eu tenho mais heróis do que se pode contar, tenho muitos ídolos e uma coleção de referências maior do que o bom senso recomenda, mas nunca vou deixar que o brilho

intenso dos artistas que admiro me tire das metas que eu estabeleci para mim, e eu sei, há muito tempo, que jamais serei tão bom quanto eles.

O melhor que eu posso ser, e tenho isto claro para mim como um objetivo alcançável, é ser um Montalvo melhor.

E isto já é um alvo distante e difícil, mas totalmente viável, porque não depende dos outros, nem pode ter como referência os resultados dos outros. A comparação é do meu trabalho passado com o presente, e como num gráfico, tenho metas para o futuro. São diferentes momentos de uma mesma pessoa, ou seja, é um comparativo absolutamente honesto, justo e sincero, afinal eu não consigo mentir para mim mesmo, e mais do que ninguém, eu sei exatamente onde eu me encontro neste gráfico.

Eu escrevi este texto, quase como se fosse uma sessão no divã do analista, porque eu sei que muita gente talentosa e com grande potencial acaba se desgastando e se remoendo internamente com comparações e metas inatingíveis, e sofre por buscar algo que eles mesmos não podem alcançar, porque usam os outros como referência.
Ninguém vai ser um Neymar, um Einstein, um Senna ou no nosso caso, um Bill Sinkiewicz ou um Benício, isto é um fato que temos que encarar e nos conformar, eles são eles e ponto final.

Eu posso ter mil heróis, como posso torcer pelo Nadal, mas sabendo que nunca serei um campeão de tênis.

O que é melhor neste tipo de auto-análise, é que cada um pode ser um “eu” melhor, e esta é uma meta viável e muito boa de se ter. Não tem como se decepcionar ou sofrer por comparação, porque com estudo, dedicação e prática, você certamente será melhor daqui a seis meses do que é agora, a não ser que faça uma grande reforma na sua casa e se torne um pedreiro temporário por mais de um semestre, como eu fiz.

O papo tá bom, mas eu tenho muito o que desenhar.

Como diz o Alberto Ruiz, um de meus muitos heróis, “Don’t just stand there, draw something!”.

Sobre a “Tabela de Freela” e o podcast

Nesta semana a internet foi tomada de assalto por uma “panelinha de jovens designers querendo acabar com a ‘velhacaria’ do mercado”.

Meninos entusiasmados, de boa formação, de boa índole, mas totalmente inexperientes e ávidos pela popularidade instantânea, ditaram regras e instauraram o caos entre estudantes, formandos e profissionais das mais diversas áreas da comunicação no Brasil.

Protagonizaram fiasco após fiasco, defendendo uma causa morta, uma “Tabela referencial de Freelas”, um estudo acadêmico que teve o poder de dividir as pessoas ligadas ao design, ilustração e áreas correlatas, como “nunca antes, na História deste país”.

A única coisa sensata a se fazer, seria tirar a tabela do ar, reconhecer e admitir que erraram feio, mas para isto são necessárias inteligência (psicológica e emocional), hombridade, caráter e principalmente maturidade, mas nada disto parece estar disponível entre os adoradores da tabela.

Restou a arrogância, a soberba, o pedantismo e a falácia do apelo à autoridade de doutorandos e doutorados que pensam e agem como se não tivessem atingido a maioridade civil.

Não vou recontar aqui o evento que dominou as timelines de todos por uma semana inteira, mas quero deixar disponível o video em que eu me posiciono a respeito dos fatos, para facilitar o acesso no futuro.

Se há alguma coisa útil a ser peneirada entre tanta troca de farpas, provocações e uma discórdia generalizada, é o fato que muitas pessoas se mobilizaram, e de alguma forma se uniram, contra ou a favor da tal tabela, separando adultos de crianças.

Talvez tenha sido necessário tomar esta bofetada de garotos imberbes para acordar de uma letargia que mantinha todos em uma zona de conforto, ainda que este “conforto” esteja entre grandes aspas.

O tapa na cara foi tão bem dado, tão estalado e insultoso, ditando ordens e regulando preços dos outros, que eu resolvi tomar uma atitude.

Gravei dois videos, onde assumo um compromisso publicamente, de comparecer às faculdades, cursos livres e escolas de arte para dedicar 4 horas do meu tempo, pessoalmente, apresentando uma palestra de composição de valores, licenciamento de imagens, direitos autorais, contratos, etc, gratuitamente.

Se há algum “corporativismo” neste mercado, é exatamente no sentido oposto que os garotos desinformados afirmam, com uma arrogância nauseante.

Se alguma coisa boa, útil e aplicável não surgir deste desastre, podemos realmente desistir, não apenas do design, da ilustração e criação áudio-visual, mas do futuro como um todo.

No meu segundo video, a maior parte é uma resposta às provocações infantis de um podcast vexaminoso, que nunca deveria ter ido ao ar.

Eu sei que 36 minutos foi um exagero, mas há algo que eu realmente gostaria que todos ouvissem, mas que talvez tenha se perdido no meio de tanta coisa.

Sugiro que corte direto para o ponto principal, a mensagem importante deste video está nos últimos minutos.

Por favor, assista ao que eu gostaria de dizer a cada novato, a cada formando e a cada profissional, a partir dos 31:00, clicando nesta imagem:

E obrigado pelo seu tempo, eu sei o quanto ele é precioso.

Espero merecer os minutos que você vai gastar assistindo a estes videos.

Abraços, e sucesso para quem busca o sucesso.

E para quem gosta de tabelas, segue a minha própria Tabela Periódica dos Elementos, em sua versão “referencial para estudantes e formandos”.

Vai por mim, ela é confiável, e foi o resultado de anos e anos de pesquisa.

Esta tabela vai revolucionar a comunidade científica, da mesma forma que a outra revolucionou o mundo do design.

O mérito é de quem o conquista

Neste dia de profundo significado simbólico, quero prestar uma justa e merecida homenagem aos meus ex-sócios pela suposta “criação” do SketchJazz, e por todo o forfait que fizeram, transformando um evento generoso de união fraterna de amigos, música e desenho num retrato vergonhoso da mentira, da vaidade e da traição.

Por fraturar, segmentar e dividir o que levou mais de uma década para ser construído, por desagregar um grupo coeso e criar panelas onde elas nunca existiram, por roubar o que me era valioso de forma desleal, ingrata e imoral, causando danos irreparáveis, e por apagar meu nome para que pudessem assinar os seus, fica aqui a minha saudação por este Primeiro de Abril, o dia internacional da mentira.

Os créditos representam os méritos de quem faz, e pelo dia de hoje meus dois ex-sócios merecem 24 horas de aplauso, em pé.

Mais mentiras e mais verdades

As mentiras e verdades sobre o SketchJazz vieram à tona na frente de todos, feias e mal cheirosas como cadáveres de afogamento.

Este é o episódio mais triste e lamentável que eu já vi acontecer entre os ilustradores, em quase 30 anos de carreira. Pessoas que se viam quase como irmãos, lutam em praça pública como gangues de rua.

Os ilustradores se dividiram “como nunca antes, na História deste país”, e isto era tudo o que eu não queria, este é o pior dos pesadelos para mim, depois de trabalhar incansavelmente por mais de 10 anos com o único objetivo de unir estes profissionais, amigos, estudantes e curiosos.

Eu tinha dado isto como terminado, meu post anterior seria o último e definitivo sobre o assunto, onde relato os detalhes da minha participação neste imbroglio, as origens do SketchJazz e tudo o mais.

Mas o que se seguiu por parte dos meus ex-sócios foi um ato de desespero de causa, haja visto que todas as provas, evidências e testemunhais sobre a criação do evento estão a meu favor. Restou o último dos recursos, uma enxurrada de mentiras para tentar vencer esta guerra no grito, na desonestidade, na mão-grande, como era de se esperar de quem precisa assinar o alheio para se promover como artista.

Eu não teria a obrigação ou a necessidade de refutar mentiras e acusações falaciosas, mas há os que acreditam em qualquer coisa que leem, se é que leem por inteiro as imensas paredes de texto que meus detratores publicaram no Facebook, de maneira irresponsável, infundada e caluniosa.

Recebi dezenas (no plural) de mensagens solidárias, de conhecidos e desconhecidos, que enxergaram com clareza e lucidez o que não pode ser negado, mas tiveram a coragem de se manifestar. Além das boas palavras num momento extremamente crítico da minha vida profissional, uma destas pessoas é do ramo do Direito, e com sua experiência jurídica me deu bons conselhos, orientações e conforto, confirmando o que eu já sabia: minhas provas, testemunhas e evidências são contundentes e irrefutáveis.

Eu estou em solo firme, seguro e luto por uma causa justa, é o meu nome que está em jogo.

Meus detratores se debatem em areia movediça.

Eu discuto fatos, não as pessoas, seus pais, suas mães ou seus problemas pessoais.

O Joel parece não entender um conceito social dos mais básicos, e me acusa de usar uma suposta “popularidade” para criar uma “campanha difamatória”.

Em primeiro lugar, eu não tenho “popularidade”, afinal nem todos me aprovam ou concordam comigo, o que é natural e compreensível.

Sinceramente falando, eu sou extremamente impopular para muitas pessoas.

O que eu construí ao longo de 27 anos de carreira foi ”credibilidade”. Mesmo meus inimigos respeitam o meu trabalho, e por mais que me odeiem, não tem como negar o meu histórico profissional e minha contribuição com o coletivo. A credibilidade e a reputação são patrimônios que não se constróem roubando a autoria da criação alheia, mas sim com muito trabalho, respeito e defesa implacável da propriedade intelectual e zelo com o próprio nome.

Quem busca “popularidade” são os dois, a qualquer custo, mesmo que seja enterrando o nome dos outros no caminho.

Em segundo lugar, desde quando alguém consegue fazer uma “campanha difamatória” ao revelar fatos reais e verdades incontestáveis? Como eu posso difamar alguém escancarando a realidade que os meninos do SketchJazz insistem em tapar com a peneira?

Difamação, ou melhor AUTO-DIFAMAÇÃO, é o que eles fazem, com mentiras ridículas, argumentos falsos, declarações que não se sustentam, ataques pessoais, e apelações a dramas familiares que nada tem a ver com o contexto do assunto em questão. O que pode ser mais auto-difamatório do que bloquear a todos que argumentam de forma contrária ou contestam as suas falácias no Facebook?

Nada pode ser mais danoso à própria imagem do que se fechar ao diálogo inteligente, calando com um “clic” a todos que se oponham a sua pequena e infantilizada ditadura.

Não é assim que se constrói “credibilidade”, mas pode ser que isto angarie alguns gatos pingados de moral flexível para o seu cartel de “popularidade”.

É claro que pessoas com um mínimo de inteligência, bom senso, e algum fiapo de senso de justiça não se deixam iludir com este espetáculo cenográfico, mas quem disse que todo mundo tem que ser inteligente, racional e justo?

É desta forma que o Joel pretendia ser um “grande empreendedor”, com “visão corporativa” e “mentalidade administrativa”, em seus exaustivos “business plan” do SketchJazz, sempre prolixos, inconclusivos e repletos de nada?

Nem mesmo o Fabio aguentava tamanha verborragia, e o grupo esteve a um passo do fim por conta disto. Vai negar?

Tenho a impressão que Philip Kotler não ficaria muito orgulhoso dos seus métodos de gerenciamento e divulgação, mas Goebbels certamente ficaria.

Eu tenho como princípio não responder a textos apócrifos, falsas identidades, nomes fakes, e agressões baseadas em palavrões ou ofensas direcionadas a pessoa, problemas familiares e pessoalidades de foro íntimo. Considero apócrifos os textos publicados em páginas em eu tenha sido bloqueado, onde eu não tenho o acesso de leitura nem o de defesa, como é o caso das páginas do Fabio e do Joel, onde meu nome foi citado repetidas vezes.

Recurso este bastante utilizado, por sinal. Bloquear a todos os que se recusam a engolir mentiras, e mesmo os discordam de forma respeitosa do que estes dois colegas publicam tem sido uma constante, desde que isto tudo veio à tona. Mas é o meu nome, a minha reputação e a minha história pessoal e familiar que estão sendo ventiladas de forma desrespeitosa, mentirosa e aviltante por estes dois meninos. Suas bobagens, escritas pelas minhas costas, sem que eu pudesse ler ou me defender, me foram copiadas em PVT por diversos colegas.

Mentiras deslavadas podem ser encaradas de diversas formas. Podem ser sumariamente ignoradas, uma vez que não procedem, e é o que eu fiz a princípio, esperando que isto esfriasse por si, ou refutadas publicamente, como também publicamente foram espalhadas. O tom ameaçador e intimidatório que usaram me fez tomar providências, e meu advogado já tem em mãos os dados, cópias de fotos, documentos, cópias de tela, códigos de HTML, e todo o material necessário para ingressar com a minha defesa, caso isto se torme necessário. Pois vamos à elas, pontualmente:

“O cancelamento do lançamento gerou ônus e perdas às dezenas de participantes do livro do SketchJazz!. As medidas pelo ressarcimento das perdas dos lesados, e pelos danos à honra e à moral dos difamados, já estão em curso pelos canais apropriados. Como este também é um caso de bullying digital, não haverão respostas pontuais à infindável lista de mentiras e distorções.”

Parte-se do princípio que não há o que imputar como responsabilidades à uma pessoa que desconhecia por completo a publicação, onde a omissão do nome do criador do evento estava a ponto de vir à público, impressa. À isto realmente caberia recurso jurídico, se de fato viesse a ser distribuída. Eles tem sorte disto poder ter sido evitado à tempo, pois as consequências seriam ainda maiores, devido à fartura de provas, evidências, fotos e testemunhos que provam a minha autoria e presença constante na organização dos eventos, do website e do gerenciamento interno do SketchJazz durante o seu primeiro ano. Fatos são fatos, e os Juízes se baseiam neles para martelar suas decisões.

Não houve de nossa parte nenhuma declaração à revista Ilustrar ou a qualquer outro veículo de que o projeto S!J foi criado apenas por mim e pelo ilustrador Fabio P. Corazza. Nós jamais declaramos isso, seja em público ou em privado.

Sem comentários, a imagem abaixo fala por si.

O Joel já demonstrou ser um homem de fé, mas parece desconhecer o significado ou ser incapaz de praticar BOA FÉ.

Refutar cada uma das linhas mal escritas dos dois meninos seria extremamente cansativo e improdutivo, vou deixar esta tarefa para para o foro adequado, os laudos judiciais, caso isto seja mesmo necessário. Vou citar apenas mais alguns, para que fique bem clara a linha que separa os fatos dos boatos.

A idéia original do SketchJazz! surgiu no Bistecão de 28 de Maio de 2010 e é de autoria do Fabio Corazza. Ele sugeriu que visitássemos os bares e desenhássemos. E já batizou o projeto como “sketchjazz”. Eu imediatamente incentivei e promovi a idéia, pois já estava procurando algo que pudesse ser transformado em um empreendimento no meio do movimento de sketch-isso ou aquilo-craw, e nós três fizemos nossa primeira reunião informal. Dentre as várias provas deste fato há o tweet de nosso ex-sócio: 31 May 10 @mon*********ado: “Uma, entre muitas outras coisas legais do #BistecaoIlustrado foi planejar saídas nos Jazz Bares de Sampa, pra desenhar os músicos.”

Esta é outra mentira absurda, e chega a ser vergonhosa para quem escreve tal coisa. O que faz estes dois rapazes quererem tanto a autoria do alheio me estarrece. Quanta necessidade de fama, e de que forma humilhante se posicionam publicamente para colar a sua mentira, como quem cola lambe-lambes promovendo um espetáculo de rua, sobre os anúncios de outro evento legítimo.

Em primeiro lugar, não se pode clamar pela autoria da ideia de desenhar ao vivo em bares de Jazz pelo aspecto legal, já que pela legislação brasileira, ideias não são patenteáveis.  Segundo, que outras pessoas já fazem isto no mundo inteiro, inclusive na Society of Illustrators, há décadas. Terceiro, que nesta data eu já tinha feito o projeto piloto, já tinha comigo o folheto com a programação de Maio, e nem mais a cerveja que tomei sozinho, naquela noite, estava no meu corpo. A referida conversa no Bistecão foi posterior ao estudo que eu fiz do local, e as datas não me deixam mentir, nem que eu tente.

Outra coisa, não foi neste Bistecão que “surgiu a ideia”, porque isto já havia sido discutido e comentado quando os dois colegas frequentavam a minha casa, dentro do meu estúdio, nos workshops e sessões de modelo vivo, onde eu costumava contar os “causos” da Illustration Academy, e entre intermináveis horas de bate papo informal, eu comentei sobre as experiências que tive em Kansas City, no ano de 1998, onde fizemos exatamente isto, desenhar em bares de Jazz.

Os documentos das inscrições, com datas e comprovantes de pagamento, das dezenas de vezes em que os dois colegas se inscreveram nos meus workshops ainda estão comigo, e serão utilizados como evidência em Corte, se necessário.

Eu disse que gostaria de fazer algo com este formato, já que eu estava promovendo naqueles dias o SketchCrawl, que reuniu 120 pessoas no primeiro encontro, e 156 no segundo, recordes mundiais de participantes, diga-se de passagem. Não apenas este encontro, mas também o SketchCopa, SketchSampa, SketchLunch e vários outros encontros informais, como sessões de videos, jantares, passeios, etc.

Poucas semanas antes do primeiro SketchJazz eu convidei, pelo celular, diversos colegas para um recital de piano no MuBe, num domingo à tarde, inclusive os dois que eventualmente, meses depois, viriam a se tornar meus sócios. Nesta ocasião não havia absolutamente hierarquia alguma, era mais um encontro informal, entre tantos outros. Já não me lembro mais se o Joel foi naquela tarde, mas o Fabio esteve lá, entre outros.

O encontro foi bem sucedido, conversamos sobre a possibilidade de desenhar em bares de Jazz, o que me deu maior motivação para fazer o projeto piloto do SJ alguns dias depois, sozinho em Maio de 2010.

Não compreendo o que faz artistas consagrados e respeitados lutarem desta forma pela autoria do que não é seu, mas entendo o desespero dos dois em tentar manter em pé os cacos dos seus argumentos, que se despedaçaram completamente neste imbroglio.

Tornou-se uma questão de honra, e reconhecer o erro nesta altura do campeonato – mesmo sendo um ato mais adulto, digno, honroso, ético e honesto – seria uma admissão de derrota definitiva, pública, e é compreensível que cada um faça o possível e o impossível para se defender e sustentar o que se disse, mas as mentiras e atitudes que se seguiram não ajudaram em nada os meus opositores, na verdade isto só fez afundar ainda mais rapidamente o que já estava indo à pique.

“O amigo @joel_lobo deu uma ideia bacana, fazer um Jazz Crawl depois da sessão de modelo vivo de hoje. Eu fiz um Bar Crawl solo, ontem.”

O que eles alegam como “prova”, é um twit meu, onde eu credito ao Joel uma sugestão de “Jazz Crawl” depois da sessão de modelo vivo que eu conduzia naquele dia. Eram tempos onde se tuitava qualquer coisa que se fazia, algo como “meu querido diário”.

Curiosamente, neste twit eu comento que havia desenhado sozinho, num bar, na noite anterior.

Contra fatos não há argumentos.

Depois de tudo o que foi apresentado acima, é natural que as pessoas fiquem entusiasmadas e distribuam palpites, mas o tal “Jazz Crawl” não passou disto, um palpite. Não fomos a lugar nenhum naquela noite, depois da sessão de modelo vivo.

O twit, por si, não evidencia absolutamente nada, mas comprova o meu hábito de creditar os méritos a quem de direito, sempre. Ainda que seja um mero palpite.

Nunca promoveram nada do gênero até então, e do nada se viram transformar de meros convidados a organizadores do SketchJazz. É bem provável que a sensação de comando, e talvez alguma exposição pública jamais alcançada antes, tenha de fato subido às suas cabeças.

Até aí, tudo bem, é compreensível, a liderança embriaga, mas o que faz gente de bem agir como se não o fosse, apagando todos os rastros, textos, fotos, desenhos e o nome de um outro artista, em um ato covarde de vingança barata, pelas costas, continua sendo um mistério para mim.

Mas a coisa começou a tomar formas de ataque pessoal, quando ameaças veladas e mentiras tomaram contornos de calúnia e difamação, atos que são qualificados no Código Penal Brasileiro.

Um quer me calar com clorofórmio, o outro com estricnina.

Isto é grave.

“Todos os eventos”, significa 100% das vezes, sem exceção.

Fizemos mais de 50 encontros com o nome de SketchJazz no primeiro ano, dezenas de outros com nomes diversos, no mesmo período.

A afirmação “… a pessoa se esforçar para ciar inimigos, arrumar brigas em todos os eventos que participa [SIC]” é caluniosa, difamatória e sobretudo MENTIROSA.

Não há uma única pessoa que tenha estado nestes locais, que tenha presenciado uma “briga”, de quem quer que seja. Não conheci grupo mais pacífico e amigável do que este, nunca houve uma voz levantada, um desacordo, um tapa, ou mesmo um olhar que não fosse amigável. Isto é um dos maiores absurdos que eu li neste lamentável episódio, e escrito pela pessoa com quem eu mais convivi neste período, sempre em grande harmonia.

“Obrigado pela companhia, boa como sempre” – Fabio Corazza

Era com esta frase que ele se despedia, em TODAS as vezes que terminávamos um evento ilustrado. Sempre a mesma frase, em tom sincero e amigável.

Nunca troquei com ele houve uma única palavra áspera, quanto mais uma “briga”, e se ele não sabe o significado da palavra “briga”, em português, segue a definição do dicionário:

briga
f.

Luta; combate.
Disputa.
Desavença.

E a enxurrada de mentiras continua:

“O ápice do problema foi quando ele ofendeu publicamente um dos promotores responsáveis por uma das casas onde fazíamos o SketchJazz, se expressando em nome do grupo, e por conseqüência fechando uma porta que teria sido bastante útil para nós.”

O quê? Quando? Onde? Como? Quem?

Como posso ter destratado um promotor, em nome do grupo, e não me lembrar disto?

Como posso ter cometido tal fiasco sem nunca ter sido chamado de lado, e criticado ou punido imediatamente por tal ato?

Não seria uma atitude muito mais agressiva, danosa ao SketchJazz e lesiva a imagem pessoal dos dois, bloquear a promotora que os recebeu por dois anos consecutivos, em dezenas de apresentações, no Paribar Blues Festival?

O que pode fechar mais portas do que isto?

Definindo o Fabio e o Joel em uma palavra: MENTIROSOS.

A verdade não difama, e a afirmação do Fabio é mentirosa, simples assim.

As palavras do editor da publicação a este respeito são as seguintes:

Suspenso para revisão do texto, para que seja publicada a verdade.

O editor tem um patrimônio moral a zelar, uma reputação, não apenas a sua pessoal, mas a da excelente Revista Ilustrar e também como editor, e tem o dever de honrar o seu compromisso com os fatos, da maneira mais verdadeira possível.

O mesmo comprometimento ele tem com a própria publicação, porque uma vez anunciado seu lançamento, este deve ser levado a sério e publicado conforme prometido, ainda que em data posterior, devido à revisão, como acredito que será, com o devido texto, com o devido respeito aos fatos.

Este livro deverá ser o documento final que separa a verdade da mentira.

A revisão é necessária, a bem da verdade, e não ao meu favor. Ele jamais faria isto por mim, eu sou insignificante, mas a verdade tem seu valor, e é a credibilidade da publicação e da editora que estão em jogo.

Mas voltemos ao tópico deste post.

A afirmação abaixo é outra grotesca mentira. Mais do que isto, configura calúnia e difamação, e jamais poderá ser apresentada pelo Fabio em uma Corte, a não ser para argumentar em própria sua defesa, debaixo da MINHA acusação, porque estes fatos (escritos no plural), simplesmente nunca existiram:

As brigas extrapolaram para o mundo real, quando ele começou a arrumar confusão com freqüentadores de bares dos quais fazíamos os eventos.

Como assim? Enlouqueceu completamente, Fabio? Perdeu o juízo? Vai inventar um roteiro de ficção para reescrever a realidade do passado?

Quem nesta vida já me viu “arranjar confusão com frequentadores de bares”? Quem você seria capaz de comprar para testemunhar falsamente a favor de tal mentira?

Quero ver você falar isto sob juramento, em uma Corte, na frente de um Juiz! Quero olhar na sua cara e te ver gaguejar no seu perjúrio!

O crime de falso testemunho ou perjúrio está previsto no art. 342 do Código Penal:

Art. 342 – Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Alterado pela L-010.268-2001)
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Estaria o Fabio se referindo ao fato de um bêbado ter se aproximado da nossa mesa, quando abaixou a cabeça a um palmo da minha cara, tentando olhar o que eu desenhava mais de perto, e em tom arrastado e com o mau hálito horrível, característico dos bêbados, gritou na minha orelha:

“Eu gosto muito dessas porra aí que vocês fazem!”.

Eu simplesmente fechei o caderno, guardei na mochila, e disse que isto não é “porra”. Ao insistir na conversa fiada, eu disse que ele estava me importunando, e que eu gostaria de assistir ao show em paz.

Isto virou piada durante meses, e mesmo o Fabio costumava contar este episódio aos amigos com graça e entusiasmo, imitando o sujeito quando ele gritava a plenos pulmões, no meio da música:

“Dessa música eu gosto!”

“Aaaai, que bonito…”

Ou seria a vez em que estivemos na Casa das Rosas, num Sarau de poesia, onde respeitamos sagradamente o silêncio, ao ouvir duas horas de sonolentas declamações, e justamente no momento das únicas duas ou três músicas que a banda executava, os mesmos poetas falavam ao berros, para serem escutados ao pé do ouvido de seus colegas literários?

Nesta ocasião eu me levantei, e a uma mulher inconveniente que falava pelos cotovelos, tagarelando mais alto que a música, pedi educadamente que respeitasse os músicos, o espetáculo a audiência, assim como nós respeitamos ao poetas em suas apresentações.

Foi isto que aconteceu, estes são os fatos, e quem esteve lá me viu fazer exatamente isto.

Agora, a acusação do Fabio é grave, novamente.

E se ele quiser levar isto à uma corte judicial, vai ter que provar o que escreveu.

Dizer que eu saí por “livre e espontânea vontade”, e que o clima entre os sócios se deteriorou, é outra mentira imunda, porque estávamos tão “deteriorados”, que fazíamos sérios planos de viajar no ano seguinte para New Orleans, e fazer uma semana de SketchJazz ininterrupta, no berço do gênero musical.

No momento em que ele me disse “Se você ficar, eu saio”, eu tomei uma atitude diplomática, cavalheiresca, e abri mão do projeto dos meus sonhos sob um ultimato seco e frio, como uma faca no pescoço. Aceitei a imposição totalmente contrariado, traído pelos melindres de um bom-moço vingativo e desleal.

Na verdade eu traí a mim mesmo, ao negar meus instintos e tentar a via diplomática num Golpe de Estado, porque se ele estava insatisfeito, cansado, infeliz e o projeto não seguia a seu contento, ele que fosse homem o suficiente para se demitir, e não me empurrar covardemente para fora do barco, por telefone, de sopetão.

O Fabio NUNCA me disse, pessoalmente, direta ou indiretamente, que haviam problemas de relacionamento ou qualquer descontentamento do grupo comigo ou vice-versa, até o dia deste ultimato. O que ele esperava? Que eu adivinhasse os seus pensamentos e me comportasse com os moldes que ele inventou, sem um diálogo, sem uma palavra trocada? Não, isto não existe, jamais seria possível mudar um comportamento, ainda mais sem o benefício de uma conversa racional e sensata, no tempo certo.

Somos indivíduos, únicos, diferentes. Humanos, com virtudes e defeitos.

Aliás, até poucas semanas antes disto tudo explodir, ele passou um dia inteiro aqui no estúdio, onde fizemos juntos o sketchbook preto, enorme, que ele usa até hoje. Se haviam pontos a serem discutidos, como isto não foi levantado em mais de 12 horas de boas conversas, risadas e informalidades, num clima excelente, de cordialidade e respeito, como sempre foi entre nós?

Sem contar o quadro encomendado por ele, que foi entregue na calçada do seu prédio, entre abraços, risadas e admiração mútua?

Como pode afirmar que o clima estava ruim, se nos tratávamos SEMPRE como grandes amigos?

Enfim, tudo o que eu fiz e disse, foi, e ainda é, assinado por Montalvo Machado, e eu sou o único responsável pelas coisas que digo e faço. O SketchJazz jamais seria afetado pelas minhas opiniões políticas, sociais ou religiosas.

Vivemos num país livre, e o que eu disse nas redes sociais eu digo para qualquer pessoa, ou na frente de câmeras ou de um Juiz.

Eu não nego as minhas palavras, porque posso sustentar cada uma delas.

É evidente que meus ex-sócios não tem o mesmo privilégio.

E em quase 30 anos de profissão, eu nunca assinei meu nome sobre a criação alheia, porque eu prefiro o anonimato, o ostracismo e o total isolamento dos meus colegas de profissão, ao nanismo moral e vexaminoso de se apossar do alheio em busca de notoriedade e fama.

O que está feito está feito, faz parte do indestrutível passado, como dizia Borges, e não tem volta.

Mesmo que eu diga que os dois são os criadores do SJ, e mesmo que eles se sintam felizes com isto, eles sabem, tanto quanto eu, que seria uma grande mentira.

Eu assoprei o castelo de cartas dos caras.

Alguns reclamarão que eu estraguei a brincadeira.

Outros notarão que todas as cartas espalhadas são ASES.

Estes são os fatos, e sobre outras pequenas mentiras e fofoquinhas eu nem vou desperdiçar meu tempo, ou o seu, elas não valem um trapo.

 

 

SketchJazz: verdades, mentiras e muletas.

(Quero deixar claro que não há absolutamente nada de cunho pessoal, ou diretamente ofensivo a quem quer que seja, no que escrevo a seguir. Aqui se discutem ideias e fatos. Ao citar nomes, me refiro especificamente ao editor em seu posto e aos meus ex-sócios, nos limites contextuais da criação do SketchJazz e seus desdobramentos, e não às suas pessoas ou personalidades individuais)

UMA CRISE MORAL NA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA

Não se deixe levar pela fofoca ou cair na vala comum do julgamento raso ou precipitado sobre este triste episódio da ilustração brasileira.

Seja responsável, adulto e honesto consigo mesmo.

Leia, informe-se e compreenda os fatos antes de comentar, e não forme um juízo tendencioso ou equivocado através da leitura superficial de um assunto tão sério.

Saiba do que se trata, compare os fatos, tire suas próprias conclusões e forme sua própria opinião. Não deixe que façam isto por você.

A luta que se trava a seguir não é por dinheiro. É uma questão moral e ética, ou a quebra da ética, uma fratura moral exposta ao público.

Eu defendo princípios, o respeito ao leitor, ao frequentador do evento e a realidade histórica, factual e verdadeira do primeiro ano do SketchJazz, e vou até o fim, respeitando a verdade e os fatos reais.

O outro lado defende a queima de arquivos, a deturpação dos fatos, o negacionismo, a mentira a serviço da vaidade e da reconstrução do passado com o único propósito de capitalizar notoriedade e fama, apagando o nome do criador do evento e de toda a sua participação, seja em texto, fotos ou desenhos, para que se possa assinar os próprios nomes por cima, como “criadores” do SketchJazz.

Chegam a falar de “campanha difamatória” enquanto se arriscam criminalmente difamando, caluniando, mentindo e inventando factóides como muletas para seus argumentos, mas não conseguem sustentar as palavras com seus atos.

Incapazes de manter um diálogo inteligente e racional, deletam e bloqueiam a todos que os contrariam, falam pelas costas, acusam, ameaçam, envolvem família, inventam brigas inexistentes, demonstrando imaturidade ou até mesmo infantilidade, depois de tanta bravata e falsidade de propósito.

“O passado é indestrutível, cedo ou tarde, todas as coisas voltam, e uma das coisas que volta é o projeto de abolir o passado.” – Jorge Luis Borges

A Revista Ilustrar publicou uma informação que não corresponde à verdade em sua edição especial nº 32, e ao se referir a um evento de minha autoria e criação, me garante o direito de resposta, também em um veículo público, como este blog.

Aparentemente haverá uma revisão neste texto, vamos aguardar o resultado, que será postado aqui no blog, assim que o novo material estiver disponível.

Ao contrário do que foi publicado, Fabio Corazza e Joel Lobo não são os criadores do SketchJazz, mas co-autores. Nos primeiros encontros eles eram convidados como qualquer outro, como foi também o próprio editor, Ricardo Antunes, que esteve presente no encontro de setembro de 2010. Há documentos que comprovam estes dados.

Se o editor da Revista Ilustrar sabia, foi conivente e omisso. Se não sabia, foi enganado, o que não o exime da responsabilidade de publicar uma inverdade em sua revista.

Não se trata de um equívoco inocente, um erro de digitação ou falha na revisão. Trata-se de um texto escrito com a intenção deliberada de substituir a realidade dos fatos e fomentar uma lenda urbana, inconsistente e fantasiosa.

O SketchJazz não foi criado em junho, data do primeiro encontro, nem em maio, quando visitei o local para ver se havia condições de realizar o evento.

Ninguém soube do projeto piloto do SketchJazz, realizado no mês anterior ao evento. Eu estava lá sozinho.

Na verdade a ideia de reunir pessoas para desenhar em bares de Jazz já está comigo há muitos anos, desde a minha participação num projeto com este formato em 1998, na Illustration Academy, um curso de ilustração que acontece nos EUA.

Naquele ano estivemos em diversos bares de Jazz em Kansas City, um dos berços deste gênero musical, e desenhamos músicos, rascunhamos composições, ideias gráficas, etc. Jim Burke, um dos nossos colegas estava sentado atrás de um baixista, e fez um estudo sensacional, que evoluiu para uma ilustração mais finalizada, e esta imagem acabou sendo premiada com a medalha de ouro na Sociedade dos Ilustradores de Nova Iorque.

Esta estória, vivida em primeira pessoa, foi contada e recontada diversas vezes entre os inscritos nos meus workshops inclusive para o Fabio e Joel, aqui no meu estúdio, dentro da minha casa, e este foi o embrião das ideias que originaram o SketchJazz, tempos depois.

Isto se tornou assunto informal em outros encontros ilustrados, inclusive no Bistecão.

Eu aguardei por muito tempo pela oportunidade de fazer o mesmo evento em São Paulo, mas só encontrei a motivação e o ambiente social necessários para isto depois de ter organizado várias edições do Sketchcrawl, do qual derivou o SketchJazz e também, na mesma época, o SketchCopa, o SketchLunch, o SketchSampa e o SketchClássico. Na verdade eram todos o mesmo evento, sob temas diferentes, que eu criava, organizava e coordenava por absoluto prazer em reunir amigos para desenhar nos mais diversos locais.

Desenhar em bares de Jazz já estava nos meus planos muito antes dos primeiros cabelos brancos do Fabio aparecerem, e eu o conheci já bastante grisalho.

O Joel Lobo foi o único convidado presente na edição número 1 (sem registro de fotos do Joel naquela noite), e o Fabio só compareceu, também como convidado, no segundo encontro. O terceiro SketchJazz teve a presença dos dois, além de outros convidados. A sociedade só se formou e se oficializou tempos depois. Eles não são os criadores do evento, e quem afirma isto mente sem provas, afinal qual deles teria o flyer da casa com a programação do mês anterior ao evento? Além disto há os meus twits convidando o pessoal para os dois primeiros encontros, as fotos dos participantes e os posts publicados neste blog, na sequência dos primeiros encontros.

As fotos abaixo são de JUNHO de 2010.

Não sei os motivos nem as conversas de bastidor que levaram à esta distorção, reescrevendo a origem do SketchJazz baseada num relato falso, e não cabe a mim este tipo de julgamento. Mas é meu o direito de dizer a verdade, sustentada em fatos e provas, e mesmo que queiram omitir o meu nome, não se pode distorcer os fatos e dizer que o evento foi criado por estes dois artistas, isto não procede.

A autoria, nome, desenhos e toda a minha participação nas diversas etapas do evento foram omitidos, deliberadamente, intencionalmente, nesta publicação, mas isto não é o que importa. O pior desta atitude é a falta de respeito com o frequentador do evento e a falta de comprometimento com os leitores da revista, que são levados a acreditar em uma mentira.

A vaidade, a mesquinharia e egolatria não deveriam tomar proporções maiores do que a verdade, na tentativa de fazer sombra a fatos concretos e evidências materiais, comprováveis.


A busca frenética pela autoria do que não é seu, além de repudiável, é um ato imoral, anti-ético e fere todos os princípios de respeito profissional e de convívio entre seus pares.

Não estamos falando de “créditos ao Montalvo” aqui, mas da forma que se pode manipular as palavras para impressionar o público, favorecendo alguns e prejudicando a outros.

O SketchJazz teve um criador e dois co-autores, mas se tivessem publicado “evento criado por 3 artistas, e atualmente conduzido por Joel Lobo e Fabio Corazza”, eles teriam sido honestos e verdadeiros, as palavras corresponderiam a realidade, e nada disto estaria acontecendo. Não me importo com o crédito em absoluto, mas com a verdade histórica dos fatos, que foi sacrificada neste caso.

Não se pode reescrever os fatos de forma a distorcer a realidade, apenas para agradar alguns. A história é a história, quer gostem dela ou não.

E estas são algumas das evidências, para quem quiser conferir:

OS ENCONTROS ILUSTRADOS E A FOME INSACIÁVEL DE DESENHAR

O início de 2009 foi um período muito rico, intenso e extremamente produtivo para os ilustradores paulistanos. Era um grande prazer reunir os amigos, desenhar em grupo, nas ruas, motivados pelo Sketchcrawl, evento internacional que eu promovi em São Paulo, em janeiro daquele ano. Dezenas dos encontros seguintes promoviam a doação de alimentos não perecíveis para a casa Maria Helena Paulina, instituição de pequeno porte que cuida de crianças com câncer. Eu guardo até hoje todos os recibos das doações entregues à esta instituição.

Mas para esta turma, se encontrar a cada 3 ou 4 meses era pouco, todos queriam mais.

Emendávamos o final do Bistecão com madrugadas divertidíssimas na padaria Bella Paulista, de onde costumávamos sair na manhã seguinte, com o dia claro, e ainda achávamos energia para desenhar em nossos sketchbooks, e tínhamos certeza de estar na melhor companhia possível, éramos os “indormíveis”, amigos inseparáveis, e a cidade era nossa.

O evento ILUSTRE, realizado na metade de 2010 no SESC Pinheiros, reunia centenas de pessoas, diariamente, por vários meses consecutivos, nas mais diversas categorias de eventos ilustrados. Um deles foi coordenado por mim, exatamente sobre o assunto sketchbooks e desenho urbano.

Esticamos a Virada Cultural de 2010 por dois dias, virando a noite, comparecendo ao workshop do Alarcão no mesmo evento do SESC, no domingo à tarde , e ainda assim era pouco, queríamos mais. Eu fiquei mais de 30 horas no ar, com o caderno cheio de novos desenhos, exausto, mas extremamente feliz e realizado.

Mesmo com tudo isto, ainda havia como promover mais encontros ilustrados, e durante algum tempo fizemos o SketchLunch, onde eu e alguns amigos da Vetor Zero levávamos o caderninho para um restaurante, e desenhávamos por alguns minutos depois do almoço.

Pra os indormíveis, haviam motivos para promover sketch-qualquer-coisa, e na falta de um tema, fizemos alguns SketchSampa, em encontros no centrão da cidade, onde qualquer calçada era uma unidade móvel do estúdio, e qualquer prédio antigo era um tema altamente desenhável.

Éramos realmente insaciáveis, e como era bom ter amigos e desenho em comum. Eu recebi mais de 200 pessoas no meu estúdio, em workshops, oficinas, encontros informais e inúmeros mutirões voluntários para confecção de quase uma centena de sketchbooks do Bistecão Ilustrado.

Em outubro de 2009 e 2010 improvisamos um SketchPraia, no salão da pousada Encanto das Pedras, atravessando a madrugada dos workshops de imersão total que ministrei em Maresias, e ganhando strudels quentinhos às duas da matina, feitos pela querida amiga Medi, proprietária do local.

Durante os jogos da Copa, enquanto o Brasil se esgoelava com o futebol, eu sugeri o SketchCopa, e do primeiro ao último jogo do Brasil na Copa este grupo de amigos se reuniu nas ruas de São Paulo, absolutamente vazias, e capturavam este cenário incomum em seus sketchbooks.

Fizemos também o SketchClássico, na Sala São Paulo.

Nesta época as variações de Sketch-Eventos era tão diversa, que chegaram a sugerir o SketchPuta, para desenhar strippers em alguma casa do gênero, mas eu fui contrário a ideia, e ficamos sempre com opções mais familiares, como o encontro no Templo Zu Lai, batizado aleatoriamente de “Sketch Buda”. Preferimos manter a boa reputação dos eventos e a confiança dos participantes, especialmente os casados ou com relacionamentos estáveis.


O nosso objetivo era desenhar em grupo, e nada mais. E foi isto que fizemos, incansavelmente, dia e noite, por anos.

Todos os que participaram de cada um destes eventos sabe exatamente quem os convidou, quem organizou e quem os recebeu em cada encontro, principalmente os que frequentaram as primeiras noites do SketchJazz.

O grupo era tão afinado que reunimos aqui em casa diversas vezes, por qualquer motivo, a ponto dos amigos se auto-convidarem, tamanha era a certeza que seriam bem vindos a qualquer momento. Esticávamos até altas horas, sempre no melhor clima do mundo, e “fraternidade” era a palavra que definia perfeitamente aquela turma.

E tudo isto se perdeu numa caldeira de vaidades estúpidas, de inexplicável intolerância e egolatria sem limites.

Hoje parte deles quer meu couro, alguns querem minha caveira, e outros não querem me ver.

Eu não preciso mentir sobre as coisas que faço, a realidade simplesmente existe, ela é soberana e mais concreta do que qualquer coisa que se diga ou se escreva. Eu sempre promovi encontros, workshops, palestras, e neste período eu realizei todo tipo de Sketch-isto, Sketch-aquilo, e o SketchJazz era a cereja do bolo, a união perfeita de tudo que eu mais gostava: desenho, Jazz e amigos.

Todas estas pessoas que frequentaram a minha casa, e também os que estiveram nos encontros de desenho urbano, sabe exatamente quem é quem nesta estória. Eu nunca precisei arranhar o nome de ninguém, nem assinar a obra alheia para existir, não é desta forma que eu criei a minha reputação.

EU ASSINO TUDO O QUE FAÇO.

De bom ou de ruim, se é meu, se eu fiz, tem meu nome. Se não for meu, ou é de outra pessoa ou é mentira. Eu chamo isto de respeito, de ética e dignidade. Sou verdadeiro até os ossos, e sou capaz de morrer pelas minhas convicções.

Eu não preciso disputar a autoria do SketchJazz com ninguém, eu fiz todos os eventos citados acima, inclusive o SJ. Quem esteve lá, sabe.

Boa ou ruim, a minha história não sou eu quem conto, são as pessoas com quem convivi nestes anos todos, em workshops, palestras, oficinas, encontros ilustrados, agências, produtoras, estúdios, faculdades, aqui em casa, enfim. E a verdade não é maior nem menor do que tudo que se pode dizer para tentar descrevê-la, ela simplesmente é, apesar da camuflagem das palavras.

Eu sei tudo o que fiz, de bom e de ruim, na minha vida e na minha carreira. Errei muito e acertei algumas vezes.

Um dos meus maiores erros foi ter dedicado um terço, talvez mais, da minha vida profissional aos outros. Deveria ter sido mais egoísta, eu seria mais famoso, mais rico, mais realizado e provavelmente menos feliz. Contribuí com os estudos e com a carreira de vários colegas de profissão, estudantes, amigos e parceiros de lápis e papel. Muita gente sabe do que estou falando, porque compareceram, e absorveram algo do que eu tinha para oferecer.

Inclusive meus dois ex-sócios.

Obrigado pela presença nos workshops de pastel, Fabio. Você foi o meu melhor aluno, e superou o mestre.

O Joel era um aluno dedicado, persistente, pontual, inteligente, atento, mas não foi muito além disto.

E o que mais fizeram estes “criadores” do SketchJazz, além de assinar o alheio? Em que contribuíram para o coletivo? O que fizeram além de idolatrar o próprio umbigo? Algum workshop? Alguma oficina? Alguma palestra?

Partilharam a sua fatia de bolo com alguém, uma vez que fosse? Não que eu saiba.

Quanta necessidade de holofotes, que fome insaciável pela notoriedade, pela fama, a ponto de expor a própria credibilidade aos riscos para manter as aparências.

Como é triste ver que alguém com uma carreira consolidada precisar forjar reputação e credibilidade assumindo a autoria do que não é seu. E não foi na calada da noite, escondido, na miúda. Aconteceu ousadamente, no maior veículo de comunicação do mercado de ilustração nacional.

Que coisa feia, que atitude rasteira.

Eu não me importaria em ser omitido da publicação desta coletânea do SketchJazz, sinceramente, desde que eu fosse consultado. O anonimato poderia ter sido uma opção minha, muito mais digna, honrosa e honesta para ambas as partes, mas fazer isto às escondidas é vergonhoso. Não para mim, mas para quem montou esta cenografia.

Mas a vaidade é uma característica do ser humano, sempre haverão aqueles que sentem a necessidade de ostentar um Rolex, sem admitir jamais que foi comprado num camelô.

ANTES DO PRIMEIRO SKETCHJAZZ

Neste período de grande potencial criativo, eu queria colocar em prática um desejo antigo, unindo duas coisas que eu sempre adorei: Jazz e desenho. Três, na verdade, Jazz, desenho e amigos. Mas não sabia se iria dar certo, afinal é um gênero musical incomum, e não sabia se outros colegas gostariam de embarcar neste tipo de balada, que eu já tinha participado durante a Illustration Academy, em diversos bares de Jazz em Kansas City, em 1997 e 1998. Contando sobre estes encontros nos EUA, durante os workshops e conversas entre amigos, encontrei alguns que também gostavam de Jazz, e percebi que havia a motivação necessária para este tipo de encontro.

No meu caminho para casa, saindo do Estúdio Notan, onde eu trabalhava em 2010, eu sempre passava pelo All of Jazz, casa noturna especializada neste estilo musical, e que eu já havia frequentado anos antes. Numa daquelas noites frias de maio eu resolvi entrar e conferir se o local era viável, principalmente em termos de iluminação, já que o ambiente costuma ser escuro. Eu estava com alguns papéis e canetas na mochila, e fiz um projeto piloto, solo e não anunciado, do SketchJazz número zero. Nome era óbvio, praticamente inevitável, derivado das muitas variantes do Sketchcrawl que eu promovi naquela época. O lugar e a música me pareceram bons, tudo certo para convidar os amigos, e eu pedi um folheto com a programação do mês, que tenho comigo até hoje. Este foi o início de tudo.

Dias depois eu postei um convite no Twitter, convidando os amigos para o primeiro SketchJazz, e este post inaugural está lá até hoje.

Apenas o Joel Lobo compartilhou a mesa comigo, porque uma outra amiga acabou se desencontrando, mas mesmo assim foi uma noite memorável, e decidi chamar o pessoal novamente para um show que haveria lá na quinta e na sexta-feira daquela mesma semana. Na ocasião eu recebi o Fabio Corazza, a Aline Paes e o Luan Targino na quinta, e outra galera na noite seguinte, em encontros que ficaram para a história, ao menos destes amigos.

O CRESCIMENTO DO SKETCHJAZZ

O potencial do nosso pequeno evento era evidente, as pessoas das mesas ao redor se interessavam em saber o que aquele pessoal tanto rabiscava durante o show, e até mesmo os músicos vinham conversar com a gente após a apresentação, com a curiosidade atiçada pela mesa onde ninguém conversava, só desenhava.

Os encontros se seguiram, e em pouco tempo eu, o Joel e o Fabio éramos os mais constantes, ávidos por novos shows, novos lugares, e de forma totalmente espontânea, estávamos promovendo os encontros seguintes, por vezes fazendo SketchJazz relâmpagos, decididos uma hora antes do espetáculo, realizando até 3 encontros por semana. Não havia hierarquia, éramos um grupo coeso, entusiasmado e sonhador. Os 3 mosqueteiros da ilustração.

Foi uma das melhores épocas da minha vida, não tenho a menor dúvida. Costumávamos dizer que demorou 40 anos até encontrarmos a nossa turma.

Começamos a postar as imagens do evento, e sentimos que tudo aquilo carecia de um material promocional, um logotipo, cartões de visita, um website, enfim uma organização maior e melhor.

E assim foi feito, e o evento cresceu em participantes e popularidade. Resolvemos fazer uma expo com 12 artistas, que reuniu cerca de 400 pessoas, levamos estas mesmas obras para um restaurante japonês, onde ficaram expostas durante meses, enfim, a ideia se realizou, e era um sucesso.

O GOLPE DE ESTADO NO SKETCHJAZZ

O Joel e o Fabio tinham se tornado naturalmente os organizadores prioritários dos eventos, e mantínhamos encontros regulares, online ou pessoalmente, e tudo parecia estar indo muito bem.

Houve um período onde o Joel era a dissidência do grupo, que quase se dissolveu numa acalorada discussão interna, onde eu e o Fabio estávamos com opiniões frontalmente opostas com as do nosso sócio. Foi por um fio que o grupo não acabou ali, naquela noite, mas superamos as diferenças e o SketchJazz sobreviveu.

Como aquele grupo tão coeso, de amigos tão próximos, poderia se deixar envenenar por um assunto externo, totalmente alheio aos seus integrantes?

De onde vinha a cara amarrada, as respostas secas, o distanciamento e aquela hostilidade toda que o Fabio demonstrou comigo na feirinha do Paribar, e o silêncio perturbador durante o jantar que se seguiu?

A semente da discórdia não poderia ter vindo de forma mais surpreendente e fatal, para mim, como a bala de um sniper, que atinge a vítima antes que se possa ouvir o disparo.

Quem poderia supor que minhas postagens pessoais no Facebook, a respeito dos estudantes da USP, poderia ter criado tanto ódio no Fabio Corazza, a ponto dele me ligar em casa, me culpando pelo pequeno número de participantes no encontro de dezembro, ao contrário do SJ da mesma data no ano anterior, que reuniu mais de 20 pessoas (Uau, que multidão). Talvez tenha sido um sucesso por se tratar de um tributo à Ella Fitzgerald, praticamente uma unanimidade entre os amantes do gênero. Me culpar por haver meia-dúzia de pessoas na mesa era uma agressão desnecessária e totalmente descabida, porque aquele era o padrão, os encontros raramente traziam mais pessoas do que isto. Ele chegou ao extremo de culpar meus textos pelo suposto isolamento dele e da namorada no Bistecão, pelo simples fato de sermos amigos, por mais bizarra e incoerente que seja esta acusação. Talvez ele não tenha se dado conta que os colegas estivessem apenas respeitando a privacidade do casal, e eu não tivesse absolutamente nada a ver com isto, mesmo porque eu já não frequentava o Bistecão há vários meses.

Ele encerrou a conversa dizendo friamente:

“Se você ficar no SketchJazz eu saio”.

Eu queria sair do Sketchjazz, tanto quanto um
pedaço de orelha queria sair do Holyfield.

Foi com este mesmo espírito esportivo
que o Fabio me tirou do SketchJazz.

O tiro foi certeiro, head shot, eu estava fora do SketchJazz ao final daquela ligação surreal. Não porque eu quisesse sair, muito pelo contrário, mas eu confesso que fraquejei e entreguei a criança. Nisto eu errei, e por este ato impensado eu me arrependo. Se ele estava incomodado, que saísse de uma vez, como já havia ameaçado quando o Joel era a dissidência do grupo.

Mais do que errar, eu fui burro, e não segui os meus próprios conselhos: “Não faça qualquer acordo sem um contrato”. Onde eu estava com a cabeça, de aceitar o rompimento da sociedade assim, “de boca”, por telefone? Tinhamos um projeto em comum, um empreendimento, ainda que pequeno, mas era um negócio, não uma roda de ciranda-cirandinha. Hoje eu teria um documento pra esfregar na cara de quem falasse besteira.

Mesmo nunca tendo trocado uma única palavra áspera com ele sobre a USP ou qualquer outro assunto, e assinando todas as postagens com meu nome, em minha página pessoal, ele tomou aquilo como pessoal, e em sua decisão sorrateira, irretratável e irrevogável não cabia uma conversa futura, uma reunião, nada. Era terminal. Uma postura intolerante, traiçoeira, inexplicável e absolutamente surpreendente, vinda de um dos melhores amigos que se pode ter, o sócio, incentivador, promotor e co-fundador do projeto dos meus sonhos.

Em um instante, sem aviso prévio, eu fui expulso do evento que eu mesmo criei.

Foi um Golpe de Estado, um tapetasso traiçoeiro e premeditado. E quero ver ele dizer o contrário, olhando na minha cara.

Curioso mesmo é que poucas semanas antes, ele estava aqui em casa, fazendo o sketchbook preto comigo, a pedido dele mesmo. Se havia um problema a ser discutido, porque não nas 12 horas que passamos costurando, colando e montando aquele caderno? Falamos apenas amenidades, em clima de harmonia e amizade, para tomar chumbo poucos dias depois. Vai entender o ser humano.

Mas olhando para trás, é evidente que a arapuca já estava armada, há tempos. Dias depois o Joel me liga para saber se vou demorar pra retirar minhas imagens, como num despejo virtual. Apaguei tudo, e em 5 minutos eu não fazia mais parte da galeria, apesar deles “permitirem” que meus posts ficassem por vários meses. Apagaram quase todos recentemente, a ideia é não deixar qualquer rastro da minha existência, mas esqueceram alguns no ar.

Acho que falharam ao fazer a faxina, sei lá.

O que se seguiu foi uma sequência de desastres em efeito dominó, que acabaria por arranhar a minha amizade com praticamente todos os colegas. Fato que poderia já ter sido esquecido, se não fosse a queima de arquivos omitindo o meu nome da criação do evento, primeiro no site do SketchJazz, e agora, na Revista Ilustrar.

Sabe-se lá de que forma anedótica a origem do encontro é contada ao pé do ouvido, nas conversas informais, construindo aos poucos mais uma lenda urbana, moldada com as palavras dos “criadores” do evento.

Está claro que a intenção dos dois é apagar da história do SketchJazz não apenas o meu nome, mas tudo o que você leu até aqui.

A vaidade e o ego inflado de ambos não permite que se divida a autoria, a criação e o rasurado Direito Autoral Moral do evento em que eles tomaram a paternidade na mão grande. Só que o exame de DNA deu negativo, o tipo sanguíneo não bate.

Eu revelei esta mesma realidade, por e-mail, para os participantes da Expo, no início do ano passado, não como denúncia, mas a bem da verdade. Os integrantes do SketchJazz tinham o direito de saber o que acontecia nos bastidores, e no website eles tinham trocado “uma iniciativa de 3 artistas, etc” por “dois artistas”. Exatamente como na edição especial da Revista Ilustrar, eles simplesmente repetiram o fato, imagino que já deviam prever as consequências.

As mensagens trocadas com cópia para os 12 integrantes tratava única e exclusivamente dos assuntos do SketchJazz, e havia motivo, lógica e coerência em compartilhar a verdade com eles, e apenas com eles, envolvidos diretamente na realização da expo e dos encontros seguintes.

Mas o Joel Lobo não soube manter o diálogo apenas no tema em questão. De uma forma vil e desonesta, despejou um caminhão de entulho, traiu a minha confiança abrindo questões estritamente familiares para o grupo, falou do meu pai, e acredite, me sugeriu mais apego com a religião. Justo pra quem? Chegou ao ridículo a citar versos de Santo Agostinho, em tom de lição de moral, como se isto fosse boa referência para alguma coisa.

Pra quem não sabe, Santo Agostinho era um misógino falastrão que, entre outras coisas, dizia:

“Mulheres não deveriam ser educadas ou ensinadas de nenhum modo. Deveriam, na verdade, ser segregadas já que são causa de horrendas e involuntárias ereções em santos homens.”

“Ora, uma serva ou uma escrava nunca tem muitos senhores, mas um senhor tem muitas escravas. Assim, nunca ouvimos dizer que mulheres santas tivessem servido a vários maridos e sim que muitas serviram a um só marido. Isso não é contraditório à natureza do casamento.”

“É Eva, a tentadora, que devemos ver em toda mulher. Não consigo ver que utilidade a mulher tem para o homem, tirando a função de ter filhos.” – Santo Agostinho

Cada um escolhe os seus heróis, não é mesmo?

Estas eram as sugestões de um ex-sócio, que descambou para ofensas pessoais diretas, “ad-hominem”, fugindo completamente de um assunto exclusivamente profissional, técnico, que nada tinha a ver com meu pai ou a minha fé, ou a falta dela.

Toda a ética, moral, respeito, confiança e o sigilo de questões familiares, de cunho pessoal e confiadas em amizade fraterna, foram jogadas no lixo pelo meu ex-sócio, que tentou me denegrir como pessoa – não como profissional ou colega, note bem – , na frente dos nossos parceiros de exposição, fugindo completamente do assunto em questão, que era o SketchJazz.

O Fabio perdeu a linha totalmente, respondendo descontrolado, com palavrões, de forma irreconhecível, que dispensou na época, e dispensa até hoje, qualquer comentário.

O silêncio e o afastamento que se seguiram, por parte da maioria dos parceiros da expo, mostrou que o corporativismo e a preservação do grupo por meio do silêncio foi mais importante e mais forte do que a nossa amizade e o senso de justiça.

Desta forma eu acabei me afastando, não apenas do SketchJazz, mas de todos os encontros ilustrados, workshops, redes sociais e dos ilustradores em geral. Não havia mais clima, eu não consigo mais distinguir a amizade sincera da tolerância social entre os meus iguais.

Os desafetos se apresentam para mim com muito mais nitidez, afinal as atitudes odiosas sempre escurecem o ambiente com suas cores turvas, inconfundíveis.

O mal estar na presença do Fabio se tornou pesado, insuportável, a ponto dele sair tropeçando em cadeiras e atropelando quem estivesse na sua frente, desastradamente, para sair às pressas da mesa que eu me aproximava, na última vez em que nos vimos. A elegância britânica deu lugar ao avesso da educação, ao negativo das boas maneiras, uma figura estabanada, irreconhecível.

É claro que tudo isto estaria protegido na esfera pessoal, e morreria comigo e com os participantes desta pequena ópera bufa, se a faxina não se repetisse de forma tão acintosa, varrendo para baixo do tapete, intencionalmente, toda a dedicação que tive na criação do SketchJazz, onde eu recebia Joel, Fabio e todos os outros convidados com abraços e sorrisos, nos primeiros e despretensiosos encontros.

Aliás, como sempre fiz em todos os outros eventos que promovi.

Há mais de um ano são eles quem conduzem o espetáculo, e o fazem muito bem por sinal, mas negar por escrito o meu DNA na legítima paternidade do evento é um ato egocêntrico, vaidoso, mesquinho, inconsequente e de aspectos morais bastante questionáveis.

Por mais que eu não goste tenho que ser coerente e realista, os méritos são de quem faz. E eles conduzem muito bem, mesmo não tendo criado o evento.

É extremamente lamentável que tenhamos chegado a este ponto, e revirar esta sujeira é profundamente doloroso para mim. Chegar ao ponto de abrir tudo isto de forma pública pode trazer resultados imprevisíveis, mas assim como foi pública a mentira, que seja pública também a verdade, toda ela, seja boa ou má, perfumada ou fedorenta.

Eu poderia relevar tudo isto, aceitar as perdas, encarar a derrota e tocar a vida adiante, demonstrando grandiosidade e humildade cristã. Acontece que eu não sou grande, nem humilde, nem cristão.

Posso ser extremamente generoso, gentil, de riso fácil e abraço apertado, nunca bati em ninguém, mas no campo das ideias, não apanho sem revidar. Neste aspecto, ninguém vai me ver oferecer a outra face.

Traído pela minha incontrolável sinceridade, hoje eu me vejo distante de um grupo de amigos conquistados ao longo de muitos anos, e mesmo com tudo o que dediquei aos colegas artistas, novatos ou veteranos, vejo meu nome numa lista negra, do lado de fora da panelinha dos ilustradores. De nada adiantou dedicar mais de uma década da minha vida ao cultivo das amizades, à promoção de encontros ilustrados, festas, encontros, treinamentos, interatividade entre profissionais e amigos, e de manter as portas da minha casa e do meu estúdio abertas a todos, recebendo cada um deles com um sorriso amigo e um abraço fraterno, até mesmo os que hoje fazem todo tipo de esforço para apagar meu nome de tudo o que ajudei a construir.

Há os que nasceram para agregar e os nasceram para dividir.

Há os que nasceram para viver no mundo artificial das aparências, que se alimentam da opinião alheia, da vaidade extrema, e que são capazes de fazer qualquer coisa, mas qualquer coisa MESMO, em busca da auto-indulgência, da satisfação do ego e da embriaguez da popularidade.

Por mais caro que este harakiri social possa me custar, eu sou um escravo da verdade, e estou disposto a me sacrificar por ela.

Tudo o que está escrito aqui é verdadeiro e sincero até a última letra.

Há fotos, postagens, twits, e-mails e testemunhas que sustentam cada palavra.

Eu posso repetir cada linha de cor, olhando nos olhos de qualquer colega, advogado ou juiz.

Mas sei que haverão os bons-moços, polidos, requintados e elegantes, que preferem a versão Polyanna do SketchJazz, publicada na Revista Ilustrar.

Pelo menos agora há duas versões, e você pode escolher em qual acreditar.

Demorei 45 anos para encontrar a minha turma. Eu sei o que fiz por eles, e com eles.

Do meio do nada, dois caras do meu time me quebram as pernas num carrinho maldoso, pelas costas, eu tomo o cartão vermelho, rasgam a minha carteirinha de sócio, queimam os arquivos, e ainda ficam com a minha bola.

Pense bem, seja sincero com você mesmo, e tente responder:

É honesto apropriar-se do alheio e assumir, numa publicação respeitada no meio, a autoria do que não criou?

É justo fazer isto com um colega de profissão, que ensinou algumas das técnicas que ambos utilizam?

É ético colocar numa lista negra quem dedicou uma década de sua vida à instrução, defesa e evolução profissional de centenas de colegas?

É digno omitir, consciente e deliberadamente das páginas da revista, quem colaborou com ela, traduziu textos e ajudou a divulgá-la, em todas as edições, desde o número 1?

É correto punir quem nunca te fez mal?

É realmente necessário escalar uma escadaria de cabeças, com o auxílio de muletas, para alcançar a notoriedade?

Vale a pena fazer qualquer coisa, mesmo, para conquistar seus minutos de fama?

Pode ser difícil admitir, mas você sabe todas as respostas.

Pode-se enganar a todos, menos a própria consciência.

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Links do assunto no Facebook:

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“Eu sou o lado esquerdo do cérebro. Sou um cientista. Um matemático. Eu amo o que é familiar. Eu categorizo. Eu sou preciso, linear, analítico, prático e estratégico. Estou sempre no controle. Um mestre das palavras e da linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou ordem e lógica. Eu sei exatamente quem sou.”

“Eu sou o lado direito do cérebro. Sou criatividade. Um espírito livre. Eu sou paixão, ansiedade, sensualidade. Eu sou o som de gargalhadas estrondosas. Sou o gosto. A sensação de areia sob os pés descalços. Sou movimento. Cores vívidas. Eu sou o ímpeto de pintar numa tela em branco. Sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu sinto. Eu sou tudo o que eu queria ser.”

(via Sandra Ronca)

Chegamos à beira do abismo. E tem gente dando um passinho à frente.

O meu pior pesadelo já se tornou uma realidade: Muitos profissionais de ilustração, animação e fotografia já trabalham para grandes clientes a custo ZERO aqui no Brasil.

De trabalhos “no risco” a projetos que dão “projeção”, “divulgação” e “portfolio”, a revoltantes concursos picaretas de toda espécie, trabalhos voluntários e projetos colaborativos, passando por imagens publicadas sem a autorização ou o conhecimento do artista, o valor ZERO não é mais uma figura de expressão ou um exagero, já podemos ouvir o barulho de colegas nossos se estabacando no fundo do poço.

Com esta realidade devastando o mercado como um tornado, e à beira do abismo da concorrência a custo ZERO, só nos resta imaginar quem será o louco de dar um passinho adiante, e pagar para trabalhar.

Nah, impossível. Quem seria louco a ponto de pagar grandes quantias para trabalhar?

O plano já está feito, pronto para ser executado. Estudantes pagarão 105 mil dólares para fazer parte da equipe de produção da Digital Domain.

Curiosamente a Digital Domain é a mesma empresa criada por James Cameron, que recebeu uma carta aberta dos artistas de efeitos visuais (semanas antes de receber diversas premiações na Academia, em Hollywood, por Avatar) para que citasse em seu discurso alguma palavra que valorizasse os artistas, que tem sua parcela de contribuição em diversos Oscar, ano após ano, enquanto veem seus salários serem diluídos e enxugados a cada novo filme produzido.

James Cameron, com a estatueta dourada nas mãos, ignorou completamente o pedido de seus colegas, e agradeceu somente aos que interessavam diretamente à ele.

Leia o texto abaixo, traduzido do site Cartoon Brew, que também foi reproduzido pelo CG Hub, num alerta enviado pelo colega Eduardo Schaal.

O CEO da Digital Domain, John Textor tem grandes planos para o seu novo estúdio de animação em Port St. Lucie, na Flórida, chamado Tradition Studios. Já escrevemos sobre os ambiciosos planos de grandes produções deste estúdio, ainda não eram conhecidas eram as formas pelas quais Textor pretende realizar seus filmes. Seu plano é convencer estudantes a pagar para a Digital Domain, e trabalhar sem salário.

O blog VFX Soldier obteve um discurso no qual Textor fala aos investidores, em Novembro passado, revelando como a nova escola de animação da companhia, a Digital Domain Institute será integrada com o Tradition Studio. Textor disse à sua audiência:

“Com as aulas começando no espaço educacional, o que é interessante é a relação entre o estúdio digital e a faculdade. Não é apenas o primeiro de uma variedade de opções que já conversamos anteriormente, mas 30% da força de trabalho no nosso estúdio digital na Flórida não será apenas gratuito, com trabalho estudantil, mas será um trabalho que na realidade nos pagará pelo privilégio de fazerem parte de nossos filmes.

Este foi o elemento controverso desta questão e as primeiras discussões com o Departamento de Educação, porque soa como se estivéssemos tirando vantagem dos estudantes. Mas nós fomos capazes de persuadir até mesmo a comunidade acadêmica, se não fizermos algo para reduzir dramaticamente os custos na nossa indústria, não somente os nossos, mas de diversos outros setores neste país, nós perderemos estas indústrias, perderemos estes empregos. E nossa indústria estava indo muito rapidamente para a India e a China.”

Em outras palavras, os estudantes pagarão até U$ 105,000.00 pelo “privilégio” de trabalhar nas produções da Digital Domain, sendo a primeira delas The Legend of Tembo.

Conforme a VFX Soldier destaca: Uma coisa é trabalhar por baixos valores, outra coisa é trabalhar de graça, mas é inimaginável esperar que se pague para trabalhar de graça“.

Se tudo isto soa um tanto suspeito, é porque é mesmo. A Animation Guild de Los Angeles investiga se a Digital Domain pode estar em violação das leis de trabalho federais e estaduais. Eles tentaram a comunicação com diversas agências governamentais, inclusive o Departamento de Estado da Educação, mas sem sucesso até o momento. Leis de trabalho federais, no entanto, estariam a favor dos artistas, uma vez que são claramente estipuladas as cláusulas que dizem que estagiários não podem “realizar trabalho produtivo” (ou seja, trabalho na linha de produção de um filme) sem ser compensados pelo valor mínimo e horas extras (O valor mínimo, vale dizer, é de U$ 7.67 por hora na Flórida).

Como os programas de educação em animação proliferam nos Estados Unidos e a competição se intensifica por um número restrito de postos de trabalho, os estúdios se encontram numa posição de explorar jovens artistas mais agressivamente do que nunca.

Se é o caso da Titmouse realocar seu estúdio para 3.000 milhas de distância para evitar o pagamento aos seus funcionários de valores estabelecidos pelo sindicato ou da Digital Domain fazer as pessoas pagarem para trabalhar em seus filmes, há muitas brechas legais que os estúdios podem explorar para salvar um trocadinho aqui e ali, nas costas de suas equipes de produção.

E alguns CEOs de grandes estúdios estão tão orgulhosos deles mesmos, que se gabam publicamente sobre como estão se safando desta situação.

(Fotografia de Debbie and John Trextor via TCPalm.com)

Direitos de uso limitados a 5 anos – Nossa pauta tramitando no Governo!

É um momento decisivo nos rumos da nossa profissão, um avanço na manutenção dos nossos Direitos Autorais e de propriedade intelectual.

É muito importante que você entre no link da câmara, vote a favor do projeto de lei que limita o uso de Propriedade Intelectual a 5 anos (matando de vez a Cessão Eterna) e envie uma mensagem de apoio ao deputado (em link logo abaixo da enquete).

Eu sugeri remover a necessidade da presença de um advogado na negociação. Peço que façam o mesmo.

Temos que nos ajudar.

Por favor, repassem esta comunicação!

(Note que isto não é spam, é uma proposta de ação coletiva. É o corporativismo do bem, que precisa ser aplicado neste momento tão importante)

O texto abaixo é da ilustradora Thais Linhares, empenhada há muitos anos nesta batalha.

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“Amigos, entrem no site da camara e falem diretamente com o autor do projeto que limita os contratos em 5 anos. Parece que pouca gente está compreendendo a importância imensa desta alteração.

A prática da cessão integral trancou milhares de fotos, imagens, roteiros, personagens, obras, contos… nas gavetas de grandes jornais e editoras. Até hoje há toda uma categoria de publicação que impõe a cessão por prazo infinito.

Se esse projeto passa, estamos salvos da pressão econômica destes grupos. Lembro que a maior casa publicadora do país, a Record, é uma que OBRIGA o ilustrador a ceder integralmente suas artes, para grande prejuízo não só do mesmo, mas de TODOS, visto que é muito barato para a editora comprar a arte de um iniciante, e depois reutiliza-la repetidamente sem nem pagar ao autor original e nem precisar contratar um outro ilustrador para novo trabalho.

Minhas artes para o Taro do N Naiff venderam mais de 100.000 exemplares. Custaram uma mixaria para a Record, “cuja verba para tal projeto era apertadíssima e blablabla”. Façam a gentileza de compreender que não é justo que nem eu, nem niguém, seja eternamente punido pela própria estupidez em assinar um contrato de cessão integral e penar eternamente que minha próprias artes me façam concorrência em um mercado onde rola milhões…mas nem um centavo pra quem criou.

O projeto do deputado Luciano Castro é MUITO IMPORTANTE, vem de encontro a uma das maiores demandas dos autores que se vêem amarrados a esses contratos vergonhosos.

SOCORRO, imploro que os colegas ajudem nesta hora. Entrem em contato com o deputado, apoiem, sugiram aperfeiçoamentos, espalhem em suas redes, comentem, divulguem, demonstrem interesse político por algo que realmente vai ter um efeito positivo em nossa produção.

Comuniquei-me com ele já suas vezes, levando a ressalva de que a presença obrigatória de um advogado pode trazer mais problemas do que benefícios. Coisa do tipo das que podem acabar prejudicando a aprovação do projeto todo.

É essencial que demonstremos INTERESSE e UNIÃO nesta hora.
Ou, na boa. Não sei o que estive fazendo estes anos todos na AEILIJ.”

O site é:

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409757-TRANSMISSAO-DE-DIREITOS-AUTORAIS-PODERA-SER-LIMITADA-A-CINCO-ANOS.html

E para escrever para o deputado:

http://www2.camara.gov.br/participe/fale-conosco/fale-com-o-deputado/fale_conosco_form_deputado http://tl.gd/gl4qa8

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Este foi o texto que eu enviei para o Deputado Luciano Castro:

Caro Deputado Luciano Castro,

Quero parabenizá-lo pelo seu Projeto de Lei 2910/11, prevendo a limitação de direitos autorais a 5 anos.

Este é um grande avanço para as negociações, e uma luta antiga dos autores, escritores, ilustradores, fotógrafos e criadores em geral.

No entanto, gostaria de solicitar uma revisão no item que obriga a intermediação de um advogado para a assinatura de cada contrato, fato que oneraria as partes, e na maioria dos casos favoreceria aos contratantes, por motivos de acessibilidade destes num corpo jurídico, e pelos valores pagos aos fornecedores, que não comportariam, em sua maioria, a contratação de um profissional jurídico.

Os contratos podem ser firmados entre as partes com reconhecimento de firma em cartório, o que atestaria sua legitimidade, e existem modelos que podem ser baixados na rede facilmente hoje em dia.

Agradeço a sua atenção e desejo sucesso na conclusão deste valioso avanço na defesa da Propriedade Intelectual e dos autores.

Atenciosamente,

Montalvo Machado – ilustrador – SP

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Meus heróis não morreram de overdose.

De tempos em tempos amargamos a perda de alguns grandes heróis, é o ciclo da vida, e não há nada que possamos fazer a este respeito, a não ser prestar nossas homenagens e jamais esquecer quem eles foram e o que fizeram.

Entre os ilustradores se foram recentemente estão Bernie Fuchs, Frank Frazetta, Kazuhiko Sano, Jeffrey Catherine Jones e Moebius, artistas que sempre admirei profundamente desde a minha infância, verdadeiros super-heróis de carne e osso, que me inspiraram e motivaram por uma vida inteira.

Até hoje me pego pensando, ao ver suas imagens, como eu gostaria de poder desenhar ou pintar como eles, coisa de fã, quem é artista conhece a sensação.

Como eu não os conheci pessoalmente, a minha dor é pela perda dos símbolos, os mitos que eles representam, e me sinto órfão de alguma forma, confrontado com a realidade que jamais os encontrarei, e que nenhuma nova arte será produzida por eles.

Outras perdas monumentais, irrecuperáveis, são aqueles que de alguma forma colaboraram na construção das minhas referências intelectuais, morais, artísticas, ou que me fizeram rir, chorar, pensar, sonhar e me emocionar profundamente.

Estas pessoas iluminadas se tornam parte da vida de cada um que os segue, e o que somos hoje se deve, em parte, ao que eles representaram – ou ainda representam – muito para nós.

Eu jamais vou esquecer o dia em que Ayrton Senna se foi, assim como Frank Zappa, Stevie Ray Vaughan, Henfil, Raphael Rabello, Carl Sagan e Christopher Hitchens.

Em 2003 o mundo perdeu Sérgio Vieira de Mello, e eu pude assistir a um documentário produzido pela HBO em sua memória. Naquela época eu já sabia quem ele era, e saber da sua morte foi devastador para mim.

O documentário, premiado no Sundance Film Festival, infelizmente não foi apresentado em rede aberta, no horário nobre, em seu próprio país, e também não está disponível na íntegra na web.

Este é um relato impressionante de um diplomata que fez a diferença no mundo. Respeitado e reconhecido como um grande humanista, corajoso pacifista e habilidoso negociador em países em conflito, Sérgio trabalhava em campo, pisando em campos minados, em contato direto com os povos mais surrados do mundo, no Cambodja, Timor Leste, diversos países da África, e por fim no Iraque, onde foi morto num atentado terrorista, em 2003.

Ele foi um herói para o mundo, e inacreditavelmente esquecido pela maioria dos brasileiros.

Sérgio era Representante Especial do Secretário Geral pelos Direitos Humanos da ONU, Kofi Annan, que foi convidado para inaugurar o Memorial Sérgio Vieira de Mello.

Aqui em São Paulo um túnel recebeu seu nome, mas pouco ou nada se diz a respeito de quem ele foi, ou o que ele fez. É uma homenagem, tem seu valor, sua simbologia, mas é muito menor do que seria justo, comparativamente aos seus feitos pelo mundo inteiro.

Podemos no entanto, nos sentir gratos pela HBO ter o interesse e a dedicação que não tivemos para preservar a memória, os atos e a história deste homem memorável, porque ele foi com todos os méritos, um cidadão do mundo. O orgulho de haver uma pessoa assim não é dos brasileiros, é da espécie humana, porque ele atuava muito além das fronteiras. O fato dele ter nascido no Brasil foi apenas uma contingência, sua família viajava o mundo inteiro devido ao cargo de seu pai, também diplomata.

Falar sobre diplomatas, músicos, escritores e cientistas falecidos não é exatamente o assunto deste blog, mas eu me sinto na obrigação de preservar e celebrar os feitos dos meus heróis pessoais. Eu sou a soma de fragmentos do que cada um deles deixou como legado, e a minha gratidão por tudo que eles fizeram é imensamente maior que um post na Sketcheria.

Quando é que conseguiremos, como Nação, aprender a dar valor a quem tem valor?

Até quando o povo brasileiro permitirá ser induzido a glorificar celebridades instantâneas, caras, bocas e bundas, cujas biografias não valem um parágrafo?

É preciso saber escolher os heróis, porque eles se tornam os ideais que perseguimos, os padrões – ainda que inatingíveis – para os quais apontamos nossas metas, ou ao menos nossos valores e ideais.

E não se deve esquecer quem foram, nem o que fizeram, porque devemos o que somos às pessoas que admiramos.

“My message is very simple: Never forget the real challenges and the real rewards are out there in the fields. Where there’s people suffering, where people need you.” – Sérgio Vieira de Mello