Soul Searching

Uma coisa pode ser considerada como unanimidade entre os artistas: é a insatisfação com o próprio trabalho.

Há sempre uma busca incessante por alguma expressão pessoal, uma forma de traduzir visualmente o que se pensa e sente, e ficamos como o cachorro correndo atrás do próprio rabo, tentando alcançar o que já existe de alguma forma em nós mesmos. Uma definição interessante para esta busca pessoal é chamada de “Soul Searching”.

A insatisfação é uma mola propulsora, e é algo muito positivo, que nos leva a novas buscas, novas aventuras e questionamentos e não quero que chegue o dia de alcançar todos os objetivos, porque tudo perderia o propósito. Os objetivos devem ser alvos móveis, e uma vez atingido, um novo padrão, maior e mais alto deve tomar seu lugar. A grande viagem é o caminho, e não o destino.

No mês de dezembro eu me dediquei totalmente aos estudos, como há muito tempo eu queria fazer, e trabalhei o traço, fiz estudos tonais, misturei técnicas, inventei, e me permiti ao erro, com muita convicção.

E no final fiz uma pintura sobre uma foto que tirei há muitos anos, em Ilhabela, que vai ser a primeira de uma série, que mostro aqui como parte desta experiência.

Este trabalho foi feito duas vezes, porque na primeira eu errei feio, e não consegui salvar a imagem. Foi bom para aprender com o processo, e não repetir o erro na segunda tentativa, que posto abaixo.

A pintura foi feita em Crescent Illustration Board, inicialmente com lápis pastel, seguido de aquarela e terminado com óleo, que tem se tornado um padrão para minhas finalizações, pela consistência que consigo alcançar com as cores, tanto nas transparências como nas coberturas com tinta opaca. O óleo não muda de tom, e dá um controle total sobre cada pincelada, mas curiosamente não funciona para mim como processo inicial, eu prefiro outras técnicas para fazer o “underpainting”, e depois dar acabamento com óleo.


Sketchtravel

Eu sempre admirei muito os artistas Dice Tsutsumi, Tadahiro Uesugi e Enrico Casarosa por sua Arte.

Neste video eu pude descobrir um outro aspecto – talvez ainda mais belo – sobre as pessoas por trás dos nomes e dos desenhos.

Mais do que me sentir inspirado pelas suas obras, eu me sinto inspirado pela generosidade e grandiosidade destes artistas, em elevar os seus projetos de vida a um patamar superior, humanitário, quase espiritual.

A imensa admiração que eu tinha por eles ganhou um layer a mais: o respeito.

SketchTravel Interviews from Curio on Vimeo.

SketchTravel from Curio on Vimeo.

Sketchtravel | Tadahiro Uesugi Promo from Curio on Vimeo.

Gravuras com desconto de 10% na loja SketchJazz

Até a meia-noite de amanhã, terça-feira dia 20, todas as Gravuras do site SketchJazz! estarão com 10% de desconto.
As compras podem ser feitas no cartão, em até 12 vezes sem juros.

“The Blues in Sketches” nesta terça, no Paribar

No Dia 6 de dezembro vai haver a inauguração da expo-relâmpago dos sketches feitos durante o Paribar Blues Festival.

O grupo de desenhistas do SketchJazz! esteve presente nos dois meses do 1º Paribar Blues Festival, e parte das imagens produzidas ao vivo, durante as apresentações, poderá ser vista na expo “The Blues in Sketches”



As reproduções estarão expostas por uma semana, e algumas delas estarão à venda na noite de inauguração, à partir das 19:30h.

Os 23 artistas participantes são: Alexandre Eschenbach, Arthur Porto, Bernardo França, Bianca Mendes, Carol Lefèvre, Christian Von Ameln, Dwari Barbuscia, Eduardo Bajzek, Fabio P. Corazza, Fernanda Paradela, Fernanda Vaz de Campos, Gilberto Valadares, Gustavo Rinaldi, Iara Furuse Abigalil, Joel Lobo, José Marconi Bezerra de Souza, Julius Schadeck, Leo Gibran, Leonardo Obara, Mauricio Pirilo, Montalvo Machado, Sam Hart e Tiago Silva. Todas feitas durante os shows do festival.

Confira o blog do grupo em http://www.sketchjazz.org/

PARIBAR
TEL. 11- 3237-0771
Praça Dom José Gaspar, 42
República – São Paulo – SP
CEP  01047 – 010
http://pbfestival.wordpress.com/

Doodle (rabisco): Elogio ou ofensa?

To teachers and parents who think that doodling is a waste of time: “YOU ARE WRONG!” Live with that.

Sunni Brown – Tedx UT – The Doodle Revolution from Sunni Brown on Vimeo.

Pela inclusão da atividade “Desenho” no Simples Nacional

Se existe um bom motivo para os desenhistas se unirem por uma causa, é este.

Você certamente já passou ou vai passar pela dificuldade de enquadrar sua micro-empresa no imposto “Simples Nacional” porque simplesmente não existe a definição da atividade de Desenhista, Ilustrador e afins que te dê o direito legal de pagar seus impostos com este benefício, que é dado, acreditem, para as EDITORAS.

Uma editora pode, porque o governo reconhece a atividade, mas desenho não existe aos olhos tributários da Nação.

Existe um Abaixo Assinado circulando na rede, e esta é a nossa oportunidade de fazer a nossa parte, e lutar pelos nossos direitos.

Direito de pagar impostos justos, proporcionais e sem gambiarras, optando pela categoria “DESENHISTA PROFISSIONAL”..

Eu vou assinar, tuitar, compartilhar e postar em tudo que é lugar.

Se você é desenhista e se orgulha disto, poderia fazer o mesmo.

Abaixo-assinado Simples Nacional – PLS 00467/2008 – Inclusão da atividade de desenho

Exmo. Sr. Senador José Pimentel
Relator do PLS 00467/2008 – Complementar
Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal

Excelentíssimo Senhor

Somos desenhistas profissionais.

Ao nos apresentar assim com apenas três palavras, dizemos muito pouco do longo caminho que tivemos de percorrer para nos profissionalizar, e dos serviços que prestamos à sociedade.

Foram muitos anos de estudos e principalmente de treinamento, porque o simples pendor para o traço não qualifica as pessoas para o exercício dessa atividade.

Não é exagero dizer que estamos presentes em boa parte das atividades humanas, principalmente naquelas que mais de perto dizem respeito à criatividade e à educação.

— Estamos nos livros infantis, primeiros passos para o aprendizado cognitivo. A editora que nos contrata para desenhá-los vende-os para as livrarias. Sobre o preço do livro não recai nenhum imposto (art 150, da CF). Sobre o nosso serviço recaem todos os tributos porque o nosso pequeno estúdio não pode se abrigar sob as asas protetoras do Simples Nacional.

— As editoras da maior parte dos livros adotados nos ensinos fundamental, médio e superior também se valem dos nossos serviços. Sobre os livros vendidos não recaem impostos, mas nós que os desenhamos recolhemos o IRPJ sob a modalidade do lucro presumido, muito mais onerosa do que a modalidade de recolhimento a que se obrigam as pequenas e médias empresas que podem optar pelo Simples Nacional.

— O comércio de figurinhas em bancas de jornal abriga-se, quanto ao recolhimento tributário, sob a imunidade constitucional de que gozam os livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (Decisão do Superior Tribunal de Justiça). O desenhista que recebeu a encomenda de desenhá-las não goza de nenhuma isenção tributária.

— O proprietário de três padarias que, em conjunto, faturam R$ 3.600.000,00 anuais, tem seus negócios enquadrados no Simples Nacional. O pequeno estúdio de desenho / ilustração, a quem o dono das padarias encomendou o desenho do logotipo do seu negócio, recolherá, guardadas as devidas proporções, tributos muito mais elevados do que aqueles que serão recolhidos pelas três padarias. Ressalte-se que os estúdios faturam, em média, algo em torno de R$ 100.000,00 anuais.

— Raramente as editoras mantêm desenhistas / ilustradores no seu quadro de pessoal porque nem sempre têm livros para ilustrar. Essa circunstância faz com que os ilustradores trabalhem por conta própria, e se vejam na contingência de constituir pessoa jurídica porque as editoras que eventualmente os contratam exigem que os desenhos lhes sejam entregues acompanhados de nota fiscal de serviços. Não podendo se beneficiar do regime do Simples Nacional, a pequenina empresa do desenhista / ilustrador obriga-se a recolher os mesmos tributos que são exigidos de empresas de médio e grande porte (modalidade lucro presumido).

Ao ressaltarmos essas contradições, não nos move a intenção de criticar as decisões tomadas anteriormente, porque tudo tem seu tempo e sua hora. Queremos, tão somente, oferecer subsídios para o aperfeiçoamento do instituto das microempresas e empresas de pequeno porte. Temos consciência de que o pretendido aperfeiçoamento faz parte do processo democrático.

Eminente Senador

Poderíamos ilustrar esta correspondência com um sem número de exemplos e considerações, entretanto, a julgar pela atuação parlamentar de V. Excia, notadamente na presidência da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, e nas áreas de empreendedorismo e educação, estamos convictos de que essas poucas palavras são suficientes para ressaltar a conveniência, até mesmo por ser questão de justiça, da inclusão de todas as modalidades de desenho no rol das atividades que podem usufruir dos benefícios tributários do Simples Nacional. A nossa atividade é edificante.

Em resumo, submetemos ao elevado juízo de V. Excia a possibilidade de se manifestar favoravelmente, no relatório que lhe cabe enviar aos demais membros da Comissão de Assuntos Econômicos, quanto à inclusão da atividade de desenho / ilustração dentre aquelas que podem ser enquadradas no Simples Nacional.

Com respeito e consideração, subscrevemo-nos, atenciosamente,
Os signatários

R.I.P. Sketchcrawl, Modelo Vivo e Workshops na Sketcheria

Durante 7 anos eu recebi muita gente nos Workshops realizados aqui no estúdio, centenas, muitos deles se tornaram os melhores amigos que tenho hoje, e tenho certeza que a troca de conhecimento, técnicas e estudos foi intensa.

Foi uma época muito legal, produtiva e divertida, que vai sempre trazer boas lembranças.

Mas alguma coisa mudou. Os interesses e as prioridades mudaram, as pessoas mudaram, as necessidades são outras e chegou a hora de reconhecer que aquele tempo acabou.

Fizemos duas edições inesquecíveis dos Workshops em Maresias, um com 26 inscritos e outro no ano seguinte com 10 pessoas. Neste ano não rolou, e ninguém percebeu. Ainda bem, um mico a menos pra pagar.

O Sketchcrawl começou com um recorde de participantes em janeiro de 2009, foram 120 pessoas quando eu esperava umas 20, e no segundo encontro, 3 meses depois, num sábado de Páscoa, 154 pessoas compareceram. Durante dois anos tivemos uma atividade intensa, até enfrentando chuvas torrenciais, numa turma de 32 corajosos e encharcados colegas, mas que foi esfriando, perdendo o impulso, até que o encontro não conseguia reunir mais que uma dúzia de amigos.

Pulamos o Sketchcrawl de 3 meses atrás, e ninguém se deu conta. Eu deveria ter lido melhor as entrelinhas, mas tentei reunir o pessoal novamente, desta vez numa livraria, dentro de uma galeria, para evitar uma chuvinha chata que persistiu o dia todo. Dois colegas compareceram, e fizemos uma versão pocket do Sketchcrawl. Foi ótimo, botamos os papos em dia, resolvemos metade dos problemas do mundo, rimos um bocado, mas eu me peguei pensando que se eles também tivessem outros compromissos mais importantes, eu teria feito o Sketchcrawl sozinho. Sem problemas, já fiz isto na Flórida, e foi ótimo, produtivo e silenciosamente divertido.

E assim vai ser a partir de agora. O evento continua como sempre foi, internacional, comandado pelo Enrico Casarosa, firme forte e bonito.

O Sketchcrawl vai seguir adiante com quem quiser, se quiser.

Da minha parte chega de e-mails, Newsletters, posts, chamadas e tuitadas. Eu vou sozinho, sem planejamento, só  pra desenhar, pra contemplar a cidade e curtir a minha própria companhia. Quem quiser que faça o mesmo, procure as datas no site do Enrico, poste as próprias imagens, e tudo bem, é cada um por si, porque eu não vou organizar mais este evento.

Na verdade este é um insight que eu já deveria ter tido há muito tempo.

Desde que os workshops do início do ano tiveram que ser cancelados, por falta ou desistência dos inscritos. Treinamentos bem legais, como o de Processos Criativos (gestalt, semiótica e exercícios de gatilhos criativos) ou dos “ismos” do design e da ilustração, tiveram que ser cancelados, porque tivemos apenas UM inscrito em um deles, e ZERO no outro.

Era um sinal, uma alerta amarelo, mas eu achei que fosse apenas uma infeliz coincidência, um momento onde os interessados pudessem estar agendados com outras prioridades, deixa pra próxima…

Mas eu notei que outros treinamentos esbarraram no mesmo destino, com poucos interessados, e com um número de inscritos abaixo do mínimo, outros workshops também foram cancelados.

O alerta passou para a cor laranja.

Mas modelo vivo ninguém descarta, todo mundo curte, todo mundo vai e… mas… peraí…

O Modelo da Meia-Noite no Bistecão começou bombando no ano passado, a galera parava durante uma hora pra desenhar a modelo, e o número de interessados foi diminuindo, boa parte da galera continuava na balada, conversando, se divertindo, e o interesse pela modelo era compartilhado apenas por meia dúzia de gatos pingados, até que michou de vez. E ela ficava lá, praticamente sozinha, lindamente iluminada, enquanto a festa continuava como se ela não estivesse ali.

As sessões de modelo no Bistecão acabaram há 5 meses, e ninguém sentiu falta.

Este foi outro alerta, apitando alto na minha cara, enquanto eu mentia para mim mesmo, acreditando que era apenas outra infeliz coincidência.

Na verdade uns 3 colegas repararam e perguntaram o que aconteceu. Michou, foi isto que aconteceu. Acabou o interesse.

Uma mulher posando no Bistecão não motiva mais ninguém a desenhar, nem de graça.

Mas como eu sou teimoso, idealista, persistente e chato como poucos, e custo muito a enxergar o que está escancarado na minha cara, resolvi investir em uma nova tentativa, reunindo o pessoal em uma série de sessões de modelo vivo na Pintar. Pra facilitar mesmo, eu forneceria o papel Marrakech, os pastéis, a orientação com exercícios pré-determinados, um slide-show cuidadosamente escolhido, em sessões de 5 horas, a R$ 40,00 cada, se feitas num pacote de descontos.

A modelo cobra de R$ 70,00 a 90,00 por hora.

Eu deveria cobrar algum valor pelo meu tempo, pela minha experiência, pelo material fornecido, mas não. Preferi facilitar ao máximo e trabalhar a custo zero.

Tivemos 3 inscritos.

Se tivéssemos 10 pessoas daria pra pagar a modelo, os funcionários da loja, os pastéis, os papéis e nada mais. Não sobraria grana pra cobrir a minha gasolina, nem mesmo o cafezinho.

Alerta vermelho.

Mudaram os tempos, mudaram os interesses, mudaram as pessoas, mudou tudo, mas eu não tinha me dado conta do quanto.

A ficha me caiu feito um piano na cabeça quando eu vi uma reportagem na TV sobre o Zombie Walk, onde pessoas se fantasiam de zumbis e saem às ruas, brincando de mortos-vivos.

Eram 6000 pessoas na rua, vestidas de carniça.

Esta imagem mudou totalmente o meu ponto de vista a respeito dos interesses espontâneos da humanidade, e eu, pretensioso como sou, concluí que a idiotice humana está em alta.

Somos 7 bilhões de pessoas, e a maioria são intolerantes com as diferenças humanas.

O apocalipse zumbi não vai ser de mortos-vivos comendo os vivos, vai ser dos idiotas comendo os não-idiotas.

E o curioso é que ninguém se acha idiota, então tenta destruir o outro, todos que são, pensam ou agem de forma diferente dele próprio.

Toda guerra é assim. A velha dicotomia “nós contra eles”. O velho discurso “nós somos bons, eles são os inimigos, ruins, desprezíveis e devem ser mortos”.

Exatamente como eu estou fazendo aqui neste texto, atacando os zumbis, diferentes de mim, organizados, divertidos, e unidos.

Na verdade eu sou o idiota, porque eu tive apenas 3 inscritos no workshop, enquanto eles reuniram 6000 pessoas na rua, num evento bizarro, mas muito bem sucedido.

Apocalipse now.

Um tanto chocado com a visão de mamanjos levando a sério a brincadeira de zumbis no meio da rua, e curioso com as estatísticas, fiz uma pesquisa no Google:

No Pants Day (SP) = 500 pessoas
Marcha das Vagabundas (SP) = 500 pessoas
Marcha contra Belo Monte (SP) = 500 pessoas
Marcha da Maconha (SP) = 1.500 pessoas
Marcha da Liberdade (SP) = 2.500 pessoas
Marcha Fora Ricardo Teixeira (SP) = 4.000 pessoas
Zombie Walk (SP) = 6.000 pessoas
Marcha para Cristo (SP) = 2.000.000 de pessoas
Parada Gay (SP) = 3.000.000 de pessoas
Virada Cultural (SP) = 4.000.000 de pessoas

Sketchcrawl em abril (SP) = 12 pessoas
Modelo da Meia-Noite (SP) = não acontece há 5 meses e ninguém notou
Workshops em janeiro (SP) = de 0 a 2 inscritos, de um mínimo de 5 (cancelados)
Workshop em março (SP) = 6 pessoas
Sketchcrawl em julho (SP) = não aconteceu e ninguém notou
Sketchcrawl outubro (SP) = 3 pessoas
Modelo Vivo na Pintar (SP) = 3 inscritos (cancelado)

Com a inevitável conclusão que o idiota aqui sou eu, é a hora de rever os conceitos e priorizar as coisas.

Família é prioridade.
Trabalho é prioridade.
Amigos são prioridade.

Ensinar tudo que sei, sem lucro algum, certamente não é prioridade. Nunca deveria ter sido. Onde eu estava com a cabeça?

Basta do vício hedonista de fazer tudo pensando no benefício dos outros e pelo futuro da profissão.

Eu reconheço o meu vício porque eu gosto muito dos workshops, porque geram uma energia muito boa, criativa, positiva.

Mas os números não mentem, acabou o interesse, o paciente morreu e ninguém vai reclamar o corpo.

O pessoal quer mesmo é flash-mob, pão e circo, balada, festa, farra e putaria. E isto eu não posso nem quero oferecer.

A partir de agora, ao menos para mim, o prazer de reunir pessoas vai continuar, mas desta vez vai ser coisa entre amigos.

EXPLORE. 5 dias de treinamento online com os maiores feras da ilustração.

Nos próximos 5 dias o TAD – The Art Department – oferece o EXPLORE, um treinamento em sala virtual através do sistema E-luminate, que comporta full-screen para as apresentações em video e slideshow, além de interatividade escrita e via áudio com os inscritos.

As apresentações contam com alguns dos maiores nomes da ilustração americana, com demonstrações digitais e convencionais, dicas e orientações valiosas.

Os participantes poderão assistir ao vivo e terão links para rever os treinamentos posteriormente quantas vezes quiser.

Eu me inscrevi, e com uma lista de instrutores desta, por 75 dólares, eu não perderia esta oportunidade por nada.

MEDIA
with John English & George Pratt
DIGITAL PAINTING
with Jon Foster
STILL LIFE PAINTING
with John English & Brent Watkinson
LANDSCAPE PAINTING
with John English & Francis Livingston
INDUSTRIAL DESIGN
with Josh Nizzi

FIGURE I
with Jane Radstrom, Francis Vallejo & Marshall Vandruff
HEAD PAINTING
with Vanessa Lemen
SKETCHBOOK I
with Sterling Hundley & Ron Lemen
ENTERTAINMENT DESIGN
with Jason Manley & Ron Lemen

Off-Topic total. Ranzinza eu sempre fui. Agora fiquei velho, me segura!

Zona de Spoiler: Depois de uma discussão com a colega Caroline Gabriel Pedro, acho que se tornou necessário esclarecer o óbvio neste post, para evitar generalizações e superficialidades:

Afirmar que eu sei que há estudantes que estudam chega a ser ridículo, de tão redundante, mas é verdade. Estou falando de exceções aqui, mais especificamente dos estudantes da USP que tomaram a Reitoria de assalto, e de seu séquito de seguidores.

É claro, é óbvio que eu tenho consciência que a USP é uma referência positiva no ensino, não apenas em escala nacional, mas no mundo todo. Mas a USP não é um Olimpo, nem é uma Cidade no sentido literal da palavra, com legislação e regras próprias, e correndo o risco de ser redundante pela segunda vez, digo o que todo mundo já sabe: A Cidade Universitária está inserida na Cidade de São Paulo, e é claro que segue e obedece as mesmas Leis Municipais.

Eu me sinto o profeta do óbvio, mas em um caso tão surreal e tão dissociado do mundo cotidiano, é preciso se agarrar às realidades mais primordiais, mais primitivas, para não sair delirando, como os estudantes em protesto na USP.

Não me espantaria em nada ver estes mesmos meninos protestando contra a Lei da Gravidade, tentando revogá-la, depois de fumar um beck.

______________________

Uma hora eu tinha que admitir, talvez para mim mesmo, que a idade chegou, com tudo de bom e de ruim que ela traz.

Não estou com reumatismo, gota ou artrite, é outra coisa. A ruptura acontece quando você entra em conflito com a geração 20 anos mais jovem que a sua.

Você enxerga as situações e analisa fatos com base nas experiências vividas e através de outras, absorvidas através de outras pessoas, livros, filmes, jornais, etc.

Conversar sobre determinados assuntos com quem não tem estes referenciais pode se tornar uma infinita queda de braço, simplesmente porque há aqueles não conseguem (ou não querem) compreender.

E a conversa fica parecendo o papo de um velho ranzinza com um adolescente teimoso. Pra quem assiste de fora, deve dar vontade de bater nos dois, eu imagino.

Não que idade seja um referencial de razão ou que realmente represente alguma diferença intelectual, tem muito garoto de 20 anos com maturidade, experiência e sabedoria, enquanto outros tropeçam nos 50 anos como moleques inconsequentes.

Eu acho que a idade e a maturidade tem mais a ver com um estado mental e as experiências pessoais do que com uma condição física ou cronológica.

Mas no dia em que você encara um conflito de gerações e bate de frente com parte desta galera, alguns com metade da sua idade, a ficha cai.

“Veeeeelho! Você é tão velho, seu velho!”

No momento em que falta articulação ou sustentação no argumento, este é o primeiro xingamento que a moçadinha soluça quando você bota um deles na parede.

É a ofensa suprema, a pior palavra do vocabulário, quando este é muito limitado, é claro.

Algo equivalente a “Feio, bobo, cara de pastel!”, entre crianças de 5 anos de idade.

E por mais que tente explicar com detalhes, fatos, comparações e exemplos que um cortador de unha é diferente de uma guilhotina, alguns mais pirracentos preferem negar as evidências, a coisa se torna uma questão de honra, orgulho e amor próprio, e desatam a falar sem escutar uma palavra que você diz, só pra não admitir que perdeu o argumento.

Neste dia a visão do abismo entre as gerações aparece clara na sua frente.

Eles falam de “Ditadura”, “Fascismo” e “Liberdade” dentro dos limites da experiência que tem a respeito destes termos. E sejamos realistas, estas palavras soam muito fracas quando faladas por quem não viveu ou leu o suficiente.

Falta referência para saber o que é uma “Ditadura”. Falta a estes meninos ler um pouco da História Recente do Brasil, porque o que aconteceu há 20 anos já está sendo esquecido, o que dirá puxar pelos últimos 30 ou 40 anos? “Eu nem era nascido”, muitos dizem, como se não fosse obrigação deles saber o que aconteceu antes do glorioso dia do seu nascimento.

Como o universo gira ao redor de seus umbigos, nenhum deles acha necessário saber de “fatos velhos”. Tudo que aconteceu antes de 2005 é “velho” para eles.

Não sabem que muitos estudantes, como eles, foram perseguidos, presos, exilados ou morreram assassinados porque falaram o que não podia ser falado na época.  Se estes pirralhos de hoje podem publicar charges e caricaturas do presidente sem comer cana ou terem suas unhas arrancadas com alicate, dependurados de cabeça pra baixo num pau-de-arara, pelados, molhados e tomando choque elétrico no saco, é porque outros tantos passaram por isto, e com seu sangue conquistaram alguma “LIBERDADE” para a geração do século 21.

Seus putos, mal-agradecidos! Vocês não sabem o quanto devem aos seus colegas estudantes do final dos anos 60!

Volta aqui que eu vou quebrar a bengala nos teus cornos, seu pirralho!

(eu ia postar outro video, detalhando os métodos de tortura nos quartéis da época, mas o conteúdo era tão pesado que me fez mal, e eu troquei por este aqui)

Tem gente hoje em dia que não sabe quem foi Zélia Cardoso de Melo, PC Farias, e pouco se lembram de Fernando Collor de Mello. Muitos trafegam pela Rodovia Castello Branco sem se dar conta da absurda homenagem a um dos piores carniceiros que já comandaram este país.

E ficam com cara de interrogação ao ouvir nomes como Wladimir Herzog, Newton Cruz, Erasmo Dias, Leônidas Pires Gonçalves, Jarbas Passarinho, Garrastazu Médici ou Ernesto Geisel. Muitos não saberiam dizer qual destes foi assassinado nos porões do DOI-CODI, nem quem foi que arrotou as terríveis palavras “Às favas com os escrúpulos da Consciência”, ao assinar o AI-5.

Se não sabem nem o que foi o AI-5, como podemos esperar que saibam o que foi o DOI-CODI, o SNI e o MR-8?

Sabe quem foi Erasmo Dias, neném? Sabe o que ele fez com 3000 pessoas, (2000 destes eram estudantes) da PUC em 1977?

E estes moleques vem choramingando mimimi de “Ditadura”, quando a PM prende 3 maconheiros na USP.

Não quero fazer um julgamento raso, nem tenho poder ou direito para isto, mas da mesma maneira que muitos não tem a menor ideia do que a palavra “Ditadura” significa, também suponho que muitos devam saber muito bem do que estou falando, e provavelmente tenham estudado mais e melhor do que eu para entender o que se passou nos anos 60 e 70, porque tudo que eu sei daquela época é o que eu li ou aprendi convivendo com quem viveu aqueles anos.

Eu nasci em 1966, não vivi a Ditadura na carne, e apesar de ter lembranças dos tanques de guerra na rua, eu não tinha idade para pegar em armas, portanto não fui preso nem torturado, mas conheci gente que foi. Conheci gente que perdeu os pais, conheci uma jornalista que entrevistou os pais que perderam seus filhos, e ela me contou fatos horríveis sobre os anos de chumbo.

A minha bronca é com os moleques que se acham oniscientes, onipotentes e infalíveis, e usam os argumentos mais absurdos e ridículos para defender suas miragens. Se fossem ao menos justificáveis, poderiam ser chamadas de “ideologias”, mas não são.

O episódio da guerra entre os estudantes da USP e a PM demonstra a diferença entre a proteção de uma incubadeira e o mundo exterior . O ambiente universitário é temporário e respeitando as devidas proporções, bem mais protegido do que o ambiente social da cidade. É uma incubadeira para marmanjos. Que tipo de mundo aguarda os neófitos recém saídos do isolamento acadêmico? Contas, contas e mais contas, intercaladas com impostos, taxas e alíquotas.

Bem-vindos ao mundo real, meninos.

Acabou a festa, acabaram as notas, provas, TCC, etc. A reprovação aqui deste lado dos muros não dá mais DP, mas corte de luz, de água, gás e telefone, com requintes de ter seu título protestado em cartório, despejo, apreensão de bens, suspensão de crédito, etc.

Os meninos (no sentido mais pejorativo e redutivo do termo) da USP querem a descriminalização da maconha e o fim da PM, como pode ser lido neste post. Que fofinhos! E vão fazer o quê depois? Exterminam a PM e botam o quê no lugar? Plantam flores? Ou inauguram barzinhos descolados com um cardápio variado de cannabis, como os de Amsterdam, no lugar de cada delegacia?

Isto tem um jeitão de golpe de Estado, me parece a tomada do poder por força bruta, e uma vez conquistados os objetivos, estes meninos deverão dar prosseguimento aos fatos, com a instituição de novas regras, de um novo poder, talvez um novo formato de Governo. Como pretendem conduzir a sociedade a partir daí? Qual é o master plan? Fumar um beck e sair dando risada não é uma alternativa aceitável. Eu quero ver o business plan inteiro, com projeções para os próximos 5, 10, 20 e 50 anos, com gráficos estatísticos e com fundamentação em pesquisas confiáveis.

Quero uma resposta concreta e plausível, por favor.

Ou melhor ainda, me apresente um novo plano de Governo, mas não me venha com ismos, sem frescuras ou palavras de efeito em academiquês arcaico. Eu quero um planejamento viável com detalhes relevantes, demonstrados com objetividade e clareza.

Você não é o fodão das galáxias, o espertão da turma?
Mostra aí, vai que é bom.

Me mostra qual é o seu plano, mano!
Mas faça isto antes de executá-lo, né ô babaca?

Eu já me cansei de debater este assunto neste post do Facebook, e não vou me repetir aqui, mas algumas pérolas merecem ser citadas, para aqueles que não terão paciência de ler aquele debate.

Os mesmos meninos que lutam ferozmente pela descriminalização da maconha não souberam responder o que fazer com usuários e portadores de outras substâncias como haxixe e ópio, por exemplo. Como enquadrar um usuário que for apanhado fumando um baseado mix de maconha-haxixe ou um freebase de maconha-cocaína? Vai meio-preso ou fica meio-solto?

Não souberam responder também se devemos dar alta a todos os doentes da rede pública ao transformar os hospitais em centros de rehabilitação de drogados.

Ignoraram a minha pergunta quando eu quis saber como ficaria o trânsito com a liberação da maconha, com o inevitável aumento de acidentes e atropelamentos.

E como ficaria a sociedade sem a PM? Pra quem você liga se assaltarem a sua casa? Pro teu amigo traficante? Me explica, eu quero entender. Vamos cair na anarquia total? Cada um por si? Guerra civil? #comofas?

Teve um que argumentou que se maconha é proibida, deveriam proibir também o açúcar e a gordura, porque matam também. Tem outro que confia mais na Al-Jazeera do que no jornalismo brasileiro. Me mandaram um link de um site comunista-trotskista, furiosamente favorável à ocupação da Reitoria, com as charges mais idiotas, tendenciosas e rasas que eu já vi na minha vida.

Em 20 anos estes caras estarão ocupando cargos de poder, de decisão, e colocarão em prática os planos que audaciosamente planejam hoje.

Eu estou velho, e talvez não esteja mais aqui para ver a merda pegar no ventilador, mas uma coisa é certa: com uma liderança desnorteada como estas, não só eles, mas a sociedade como um todo está fudida.

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Para os que se interessarem em alguma leitura posterior sobre o tema:

Balanço da invasão da FFLCH
Texto de autoria do professor Mario Viaro, da Letras-FFLCH

Visita à reitoria invadida
Márcio Becker Góis
Graduando em Filosofia – 2º ano – FFLCH – USP
Graduado em Artes Cênicas – ECA – USP

Manifestação pela desocupação da reitoria!
Nós, estudantes da USP, estamos cansados de viver à sombra de um movimento estudantil que não ouve nossas vozes e não nos representa. (sic)

http://www.implicante.org/
Na USP, mais flagrantes de semi-analfabetismo, tráfico e “tempos ÁUREOS de ditadura”

http://www.implicante.org/
Não aceita a polícia? Mesmo fascismo de quem quer acabar com o Congresso…

http://papodehomem.com.br/
8 mentiras que você anda lendo sobre a PM na USP

http://uspsico.blogspot.com/

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Canceladas as sessões de modelo vivo na Pintar – SP

Caros todos

Estão canceladas as 6 sessões de modelo vivo na loja Pintar.

Mesmo fornecendo o material artístico e trabalhando com ZERO de margem de lucro, em sessões de 5 horas aos sábados, ficamos muito abaixo do limite mínimo de 10 inscritos.

É uma pena, no final todos perdem com isto, e as possibilidades de haver outras sessões se tornam bastante remotas.

Abraços,

Montalvo

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Tirando do forno um projeto que já vem sendo preparado há meses: Sessões de modelo vivo na loja da Pintar, na Pompéia, em São Paulo.

Teremos um número mínimo de 10 pessoas, podendo chegar a 25, porque o salão é grande e comporta a todos confortavelmente.

O formato será o mesmo realizado no estúdio Semente Una, do colega Victor Farat, no início deste ano, (COM MATERIAL INCLUSO) em uma sessão de 5 horas, divididas da seguinte forma:

- PRIMEIRA PARTE – Aquecimento, alinhamento de técnicas, propostas e objetivos (14:00hs às 16:45hs)
- Modelos projetados no telão em Data-Show, estudos utilizando lápis e canetas em papel Chamex A4 / Nupastels em papel jornal

- 15 minutos de intervalo para o café das 16:45hs às 17:00hs

- SEGUNDA PARTE – Desenho de modelo vivo, em sessões de 2, 5 e 10 minutos (17:00hs às 19:00hs)
- Modelo vivo, nu e vestida, com iluminação cruzada (com 2 lâmpadas halógenas, montadas em tripés) estudos utilizando Nupastels em papel Marrakech e papel jornal

DATAS E HORÁRIOS
Novembro – dias 5, 12, 19 e 26 (sábados)
Dezembro – dias 3 e 10 (sábados)
Das 14:00hs às 19:00hs

VALORES
- Pacote de 4 sessões em Novembro, reservas até o dia anterior à primeira sessão: R$ 160,00 (inscrição avulsa, no dia: R$ 50,00)

- Pacote de 2 sessões em Dezembro, reservas até o dia anterior à primeira sessão: R$ 80,00 (inscrição avulsa, no dia: R$ 50,00)

Os inscritos deverão trazer de 30 a 50 folhas de papel Chamex A4 (ou similar), canetas, lápis e materiais que achar confortável para estudos pequenos (Tintas não são recomendadas nestas sessões).

Material fornecido durante as sessões: 3 cores de Nupastels, Papel Marrakech (cor Avelã) tam. A4 e A3, papel jornal tam. A3, foamboards e grampos para apoio.

Ao término das sessões, o material excedente ou não utilizado deverá ser devolvido ao instrutor.

As inscrições poderão ser feitas na Loja Pintar da Rua Cotoxó, nº 110 – Pompéia (3873-0099) ou no formulário abaixo.

As maravilhas da tecnologia e as desgraças da burocracia

Chega um dia que você compra, todo feliz, o seu iPhone, e sonha com um iPad.

Aí chega outro dia feliz em que você compra o iPad e tem a impressão que pode acompanhar a evolução digital, junto com o resto do mundo.

Você entra na iTunes Store e compra um aplicativo aqui, outro ali, a maioria por menos de um dólar e pensa que faz parte da economia mundial, e consciente que ainda que seja de uma forma bastante modesta e limitada, tem acesso ao que as pessoas estão criando de interessante no resto do mundo.

Aí um dia você encontra um video super bacaninha, de uma animação inglesa para um joguinho de iPhone e iPad como este:

E é claro, você clica lá pra comprar a bagaça e percebe que todos são iguais, mas você não é tão igual como deveria ser.

Você é um brasileiro, morando na corrupta e burocrática Terra da Banana, não se esqueça disto!

O seu cadastro na iTunes Store tem um endereço brazuca, que não é bom o suficiente para acessar todos os itens das lojas internacionais, mesmo que seu cartão o seja.

Aí você vai atrás do problema, entra em contato com o desenvolvedor do jogo, e descobre um entrave burocrático entre você e o aplicativo:

A LOJA BRASILEIRA DIFERENCIA “GAMES” DE “ENTERTAINMENT”.

We would love to make our games available in all countries, but unfortunately there is no “games” category in certain stores due to local government classification requirements. We’re aware that some other developers get around this by classifying their games as “entertainment”, but this is something we have reluctantly chosen not to do. If your country is one that does not offer a “games” category, we suggest you contact your government representative and share your concerns.
Countries we’re aware of where this is the case are South Africa, Korea and Brazil.

Alexandra Peters (Official Rep)
over 2 years ago

Apenas produtos classificados como “Entertainment” podem ser comercializados aqui, porque estes são livres de classificação etária. A categoria “Games” implicaria em um filtro burocrático separado em idades, e por isto é um sub-setor, dentro de Entertainment.

Se o desenvolvedor inscreve seu produto como GAME na iTunes Store, ele pode vender para o mundo inteiro, exceto para o Brasil, Coréia do Sul, África do Sul e outros países “em desenvolvimento”, para usar um eufemismo evitando o termo “atrasados”.

Agora nos resta sentar e esperar que algum burocrata de terno Armani receba uma propina adequada para proceder ao desembargo desta barreira burocrático-financeira, para que os JOGOS sejam vendidos em um setor de JOGOS na loja tupiniquim da iTunes Store.

Eu sei que é um problema ridiculamente pequeno, egoísta e até mesmo mesquinho, eu quero comprar um joguinho para brincar com meu filho.

Mas o desejo de consumo é a espinha dorsal de um mecanismo comercial internacional que movimenta bilhões de dólares ao redor do mundo, e algum desgraçado ainda não recebeu a propina suficiente para liberar este tipo de compra aqui no Brasil.

Um dia liberam a grana pra este safado e o consumidor brasileiro nem vai perceber a diferença, porque o clic dele vai levar a compra direta, sem entraves ou bloqueios, vai baixar o aplicativo, pagar, usar e pronto, como fazem os cidadãos do resto do mundo.

O amigo e colega de trincheira Fernando Mosca editou um video que se encaixa como uma luva neste caso, confira:

 

Convite: Segunda Vernissage S!J

O SketchJazz! reúne seus parceiros e convida os amigos para mais uma Vernissage, desta vez em um restaurante japonês, o A&C Sushi, em Santana, que está no roteiro gastronômico do Restaurant Week.

Neste novo encontro, temos a honra de contar com um novo artista, Marcelo Gomes, mestre das técnicas mistas, ninja dos pastéis.

Venha conferir ou rever os trabalhos de Arthur D’Araújo, Alexandre Eschenbach, Eduardo Bajzek, Fabio P. Corazza, Gustavo Rinaldi, Joel Lobo, Leo Gibran, Marcelo Gomes, Montalvo Machado e Zé Otávio.

O Vernissage será na terça-feira, dia 13 de Setembro de 2011, a partir das 19:00hs.

As obras permanecerão expostas ao longo do mês, durante o horário de funcionamento do A&C Sushi: Seg à Sex – 12 às 15hs e 19 às 0hs ,Sáb – 12 às 15hs e 19 às 0h00 , Dom – 12 às 18hs

ENTRADA GRATUITA

Rua Maria Curupaiti, 212 – Santana – Próximo à Avenida Brás Leme, pouco antes do Campo de Marte – São Paulo, SP

Localização no GoogleMaps

www.sketchjazz.org
www.acsushi.com.br/

Papo de músico III – Círculo das Quintas com um relógio de ponteiros

ZONA DE SPOILER:
Esta série de posts sobre música é um resumo dos papos sobre estudos musicais que tenho de vez em quando com alguns amigos, e daquela promessa que fica no ar: “Passa lá em casa, eu te mostro este material…”.
O convite continua valendo, mas o que eu queria mostrar já está na mão, e quem sabe de quebra ajuda mais alguns colegas a encaixar as peças quadradas nos buracos quadrados.

O Círculo das Quintas é o GPS do mundo musical. É uma espécie de bússola marombada com poderosos esteróides que pode te orientar (musicalmente ao menos) na velha questão: “Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?”

O fundamento está em memorizar em uma sequência lógica as 12 notas entre uma oitava e outra, de forma que você possa acessar mentalmente as relações entre elas, seja em intervalos, armaduras de clave, relativas menores, campo harmônico, substituição e progressão de acordes, etc, resolvendo muitas das questões essenciais para um músico.

Tudo isto poderia ser entuchado miolos adentro pelos métodos mais convencionais da boa e velha decoreba, que são um passeio no bosque para um ou outro privilegiado que tem memória fotográfica e poderia ser um espião da CIA ao invés de tentar a sorte como músico. Para as pessoas normais, tudo isto pode ser compreendido aos poucos, mas com uma lógica muito clara, até que se consiga visualisar todas as notas em seus lugares em um processo simples e muito parecido com aprender a ler as horas em um relógio de ponteiros.

Supondo que você já conheça a nomenclatura convencional das notas C, D, E, F, G, A, B, decorar o Círculo das Quintas não vai ser uma tarefa insana, e acredite, se você tem um interesse sério no universo musical, vai valer muito a pena.

Como as informações no Círculo das Quintas são sobrepostas, como layers em Photoshop, este seria o Background:

A associação direta das posições das notas com os ponteiros do relógio vai facilitar muito as coisas:

A ordem das notas neste diagrama obedece a um princípio muito simples: toda nota no sentido horário é a quinta da anterior. No sentido contrário é uma quarta da anterior. Partindo de C, a quinta é G e a quarta é F.

Quando eu tive esta aula, o professor terminou a aula desenhando o Círculo das Quintas no caderno, me explicou esta regra e me disse: “semana que vem eu quero isto aqui decorado”.

Eu passei a semana tentando decorar tudo de uma vez, e é claro, quebrei a cara. Ele me perguntou qual era a quinta de G, eu gaguejei e errei.

Usando outra metodologia, eu consegui ensinar a mesma coisa para meu filho, em uma semana, e ele nunca mais errou. Primeiro que eu não passei uma tarefa na pressão, nem despejei tudo numa tacada só. No primeiro dia ensinei apenas duas notas (C e A), suas posições no relógio e seus nomes (Do e Lá). No dia seguinte eu ensinei mais duas ou três notas, algumas brincadeiras no caminho para ajudar a memorização e matamos esta charada, rápido e fácil.

Dá pra começar direto com os quatro pontos cardeais da nossa super-bússola, e decorar isto de um dia para outro:

Um outro macete que eu acabei ensinando pra ele foi associar as teclas pretas, que tem dois nomes, com alguma pessoa ou objeto real, para que ele lembrasse de “algo” e não de letras aleatórias. Neste caso, FIGA para a posição das 6:00hs e Denise, uma amiga da família na posição das 9:00hs. Como eu sabia que ele esqueceria a nomenclatura, como todo ser humano normal, eu dava um empurrãozinho, lembrando das figuras, e ele respondia no ato.

Assim que estas notas estiverem claras na memória, o passo seguinte é decorar as outras por quadrantes, sem pressa, e tendo a certeza de fixar totalmente cada fase antes de encarar a próxima.

É claro que vai ficar mais fácil usar a mesma associação de ideias com as outras notas sustenidas e bemóis, como memorizar um CD todo colorido na posição de C#/Db, Gabriel na posição do G#/Ab, etc.

Eu acabei inventando uma brincadeira com o filhote: “Que notas são?”
Arredondando os horários para encaixar no diagrama, 11:05 são F:G, 15:30 são A:F#, e assim por diante. É um ótimo truque pra memorizar as posições com precisão e rapidez.

Muito bem, neste ponto você já conhece o Círculo das Quintas de cabo a rabo, já sabe reconhecer também as quartas, e daí?

Daí que ele serve também para se associar outros intervalos importantes, marcados em bold. Ter estes intervalos tatuados na memória pode ser um recurso muito útil para a construção, substituição e progressão de acordes, inversões ou escrita musical, acelerando o processo e evitando a “contagem” de semitons, uma tarefa tediosa, demorada e nem sempre certeira.

Por exemplo, a sexta de C é A e o trítono é F#.
Girando o diagrama para colocar a tônica (T) na posição de 3:00hs calculando a sexta de A, você encontra F# e o trítono será D#.


Outra mandracaria está nas Relativas Menores, uma espécie de irmã gêmea das escalas maiores, porque suas notas se sobrepõem exatamente quando tocadas em tom menor. A diferença está em sua tônica, ou seja, onde cada uma delas começa. Encontrar de imediato quem é a Relativa Menor de quem, na raça, pode ser um saco.

Mas se você girar o Círculo para a esquerda (maiúsculas para tons maiores, minúsculas para tons menores), tudo se encaixa: A Relativa Menor de C é a, e a Relativa Maior de c é D#.

Até este ponto deu pra brincar enquanto ensinava meu filho, mas eu parei por aqui pra não deixar a coisa se tornar muito chata. O resto ele vai aprender em uma escola de música, com um professor de verdade.

Há vários outros macetes, mas já que estamos falando dos principais, achar a Armadura de Clave, também chamada de Ordem dos Sustenidos e Bemóis ou Key Signatures, me parece ser um dos grandes recursos deste diagrama.

Esta é a escala de Si maior com seus sustenidos, ou acidentes:

E aqui a mesma escala, com os acidentes “embutidos” na armadura:

O conceito pode ser encontrado em mais detalhes aqui.

Por exemplo, você pode usar o Círculo das quintas definir rapidamente, de cabeça, as armaduras de qualquer pauta.

Basta associar os sustenidos de 1 a 7 em ordem crescente no sentido horário, e os bemóis no sentido oposto:

Note que C não tem sustenidos ou bemóis em sua escala maior, e aparece no topo com uma armadura sem acidentes.

No lado direito, G aparece com um sustenido, D com dois, A com 3, etc.

À esquerda F tem um bemol, A# tem dois, D# tem 3, e assim sucessivamente.

Outra curiosidade é a ordem em que estes acidentes aparecem grafados na pauta: F C G D A E B na ordem dos sustenidos, e o reverso na ordem dos bemóis: B E A D G C F. Esta é a mesma sequência das notas no Círculo das Quintas.

Se você tem um instrumento MIDI conectado com seu computador, clique na imagem para baixar um brinquedinho interessante no seu PC ou Mac. Um Círculo das Quintas interativo, com reconhecimento de acordes e alguns outros recursos bacanas que eu não citei aqui, como o Campo Harmônico e sua ligação com os Modos Gregorianos.
Para que tudo isto serve, e como fazer música com toda esta informação continua sendo um mistério insondável para mim. Por mais que eu ame a música e queira me aproximar dela subindo e descendo escalas, com cãibras ao inverter acordes e cometendo todos os erros possíveis com grande regularidade e perfeição, eu não toco nada de fato, mas eu adoro estudar as relações entre as complexas peças que formam o quebra-cabeças musical.

O ser humano é um bicho esquisito, tem gente que estuda idiomas mortos, outros colecionam escaravelhos, e eu estudo música.

Quem sabe na próxima encarnação eu possa usar tudo isto intuitivamente, e tocar algo decente.

Papo de músico II – montando Modos Gregorianos com dominós

ZONA DE SPOILER:
Eu sei que neste post haverão 2 tipos de leitores: os que tem algum interesse por estudos musicais, e os que vão achar tudo isto um tremendo papo de louco.
Aos segundos, minhas desculpas, logo mais a gente volta a falar de desenho, ok?

As escalas são um passo inevitável para qualquer estudante de música, e a prática depende de memorização de cada uma delas, seus formatos e intervalos.

Decorar os 7 modos gregorianos, mais a harmônica e melódica menores, escalas exóticas, etc, pode se tornar um pesadelo se não houver alguma lógica ou coerência nas sequências das notas. Alguns professores explicam as diferenças entre uma e outra com base nos graus, umas tem terça menor, outras tem trítono, etc, mas ainda assim não facilita muito as coisas.

Certa vez eu encontrei na web um arquivo em TXT, entre tablaturas de guitarra e outros estudos, que esclareceu todas estas dúvidas para mim, e quem sabe pode ajudar de alguma forma os leitores da Sketcheria que estudam música.

O princípio é muito simples: os Modos Gregorianos são sequências de 8 notas com intervalos diferentes em cada um deles. Os tetracordes são a mesma coisa, só que com 4 notas.

O mais interessante é que os 4 primeiros tetracordes formam a primeira metade dos Modos Gregorianos Jônico, Dórico, Frígio e Lídio, e as combinações destes, aos pares, formam os 7 modos de maneira muito mais lógica e coerente do que a tediosa tarefa de decorar todas as notas em lugares diferentes.

E tudo se resume a tons inteiros e semi-tons, representados neste diagrama por letras “x”, ao lado ou em cima umas das outras.

Para criar uma memória visual para cada um destes modos e ensinar um pouco de música para meu filho, eu usei a mesma ideia das letras “x” usando pedras de dominó, acrescentando uma tônica (a pedra numerada do dominó) para iniciar a sequência com 4 notas.

Nestes exemplos eu estou partindo de Fá, que forma uma clara visualização no teclado para se entender o conceito, depois é aplicar em outras regiões, nas 12 notas. Depois de fritar uns neurônios e repetir bastante os movimentos, chega uma hora que fica intuitivo, você cria a memória muscular necessária para tocar o tetracorde em qualquer região.

Quando estes 4 tetracordes estiverem memorizados e treinados, a combinação em pares vai formar os Modos Gregorianos. Sem terror, sem maratonas de memorização.

Repare que os 3 primeiros padrões se repetem, separados por um intervalo de um tom inteiro entre a primeira e a segunda metade, por isto os pontos na pedra do dominó são iguais: 1-1, 2-2, 3-3 .

O quarto modo, o Lídio, é extendido, um folgadão que ocupa um espaço a mais, e por isto a segunda metade dele, o modo Jônico, tem que ser colado num intervalo de apenas um semitom entre as duas metades. Os números da pedra inicial indicam que o Lídio é formado pelo 4º e pelo 1º modos.

O Lócrio é a combinação do 3º e 4º modos, o Frígio e o Lídio, aquele cara espaçoso, e para caber tudo em 8 notas colamos as duas metades novamente com um intervalo de um semitom.

Desta forma fica mais fácil compor as duas metades mudando as pedras de lugar como referência, e pensando apenas nos intervalos durante os estudos, não em todas as notas de cada escala.

Compreender e nomear os intervalos me pareceu o grande truque para praticar os Modos Gregorianos. Se os modos me fossem apresentados simplesmente como 4 células fundamentais, e não como um bicho de 7 cabeças diferentes, os estudos certamente não seriam tão intimidadores.

No caso do piano, o bicho tem 7 cabeças vezes 12, entre uma oitava e outra, porque cada nota inicial da escala vai criar desenhos únicos e complexos na sequência das teclas. Com apenas 4 tetracordes em mente, basta olhar para o teclado e enxergar dois deles a partir de uma determinada nota, sem se preocupar com o desenho da escala, que surge naturalmente.

Só pra completar o conceito, o 5º tetracorde, chamado de Cigano ou Gipsy, tem um intervalo de 3 semitons no meio (indicado pela pedra inclinada), que soa claramente como música árabe, e forma a segunda metade da escala Harmônica Menor.

A escala Melódica Menor tem um charme especial, ela sobe com um formato e desce com outro.

No próximo post a gente vai dar um passeio pelo Círculo das Quintas, uma espécie de bússola super marombada para se localizar no plano musical.

Papo de músico I – Causos de um músico frustrado

Faz tempo que eu não posto aqui na Sketcheria, tenho colaborado em outros dois blogs – SketchJazz e Notan – então vou mandar um off-topic, na verdade uma série deles, sobre música.

Como todo adolescente, eu também já quis ter uma banda de rock um dia, mas entre vários amigos pilhados, só eu entrei numa escola de música e levei a brincadeira adiante.

A minha surpresa foi encontrar um professor que tocava muito melhor que a maioria dos meus ídolos da época, e acabou abrindo a minha cabeça para outros estilos musicais a golpes de guitarra, ao melhor estilo El Kabong!

O Aldo nunca foi um cara bonzinho, muita gente tinha medo dele até, mas eu curtia a metodologia dele, suas estórias bizarras com um lado místico, enfim, eu aprendi muito com ele, em uma época de formação de personalidade, e acho que absorvi um pouco do tempero dele na minha maneira de resolver certos problemas. O meu lado Mr. Hyde, ou Montalvo-online, tem muito sotaque do Aldo, principalmente quando o modo “puto” está ON.

Foram dois anos de muito estudo, descobertas, entusiasmo e frustração. Reconheci que eu nunca seria músico, não tinha jeito pra coisa mesmo, e o melhor que eu poderia fazer era ser um bom ouvinte.

Mas eu sempre gostei da teoria musical, dos exercícios e da lógica por trás daquela linguagem, era um quebra-cabeça de gente grande, terrivelmente difícil pra mim, mas era exatamente por isto que me fascinava.

Passados 20 anos sem chegar perto de uma guitarra, eu acabei comprando um piano em um daqueles “Família Vende Tudo”, por uma pechincha. E me motivei a voltar a estudar música, aos poucos, no meu tempo, e mesmo tendo perdido a maioria do material de estudo daqueles anos, não foi difícil recuperar os assuntos na internet. O que eu não esperava, e foi um choque mesmo, era a quantidade imensa de conteúdo, websites, fóruns, softwares e literatura especializada.

Tem gente que chega pra mim e diz que não consegue desenhar nem uma casinha. Pois é, eu sou assim com a música, mas eu continuo tocando meus garranchos, teimosamente. Sorte dos vizinhos que eu não comprei um saxofone.

Comecei a recuperar e colecionar todo o material que eu eventualmente poderia estudar, e cataloguei por assunto: Modos Gregorianos, Acordes, Círculo das Quintas, Leitura e Escrita, Harmonização, etc. É muita coisa pra uma vida só, eu jamais vou conseguir consumir tudo o que eu adquiri em tão pouco tempo, mas vou comendo pelas bordas, transcrevendo para o piano o que eu consigo fazer.

Eu sou ilustrador, penso visualmente, e isto é uma muleta bem pesada para quem quer estudar música, eu não entendo os conceitos se não tiver uma lógica visual para eu me apoiar.

Como aprender escalas, visualmente? Aquele papo de “tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom” era fácil, mas aquela era só a primeira coisa a ser aprendida, escala maior, modo Jônico, beleza… Mas haviam outros 6 modos, depois tinha harmônica menor, melódica menor, escala cigana, hindustam, paquistanesa e o caramba a quatro, pra fazer em 12 tons cada uma! E cada nota tem uma atribuição tonal: Tônica, Super-tônica, Mediante, Dominante, Sub-dominante, Aaaah!

Na guitarra até que ia, era decorar o desenho das notas e transpor pra frente e para baixo, dava pra encarar. Mesmo sem entender lhufas do que eu estava fazendo e com uma dificuldade enorme em achar as notas no meio do braço pra frente, eu conseguia cumprir com os exercícios.

Mas aí entra o piano na estória, e nas teclas haviam boas e más notícias. Todas as escalas, intervalos, acordes e principalmente as notas eram reconhecíveis logo de cara, claras como o dia, que beleeeeza! Mas isto tinha um custo alto, não adiantava mudar o desenho das escalas pra frente e pra trás, cada nota tem um formato diferente para a mesma escala, e o mesmo acontece para os acordes, ou seja, o problema que beirava o insuperável ficou 12 vezes mais complexo!

Parecia uma insanidade, nenhum ser humano normal consegue decorar tudo aquilo vezes 12! Tava na cara que um pianista tem que ser um maldito gênio pra conseguir se virar naquele universo em branco e preto… deu vontade de vender o piano, juro.

Mas eu sou teimoso, e um dia tropecei em um fórum muito interessante, de Jazz, com PDFs, tablaturas, midis, e muito material legal.

Ali eu encontrei uma chave que destrancaria as portas que me pareciam intransponíveis: Os Tetracordes (oooooohhh – musiquinha de anjos). É claro! todos os Modos Gregorianos tem 8 notas, os tetracordes tem 4, e todo aquele enigma dos infernos se resume a umas poucas combinações de tetracordes! O lance não é decorar as escalas inteiras em 12 tons diferentes, e sim entender como se encaixam os 4 padrões principais de intervalos. É igual montar uma ponte com lego!

Entendi, caramba! 20 anos depois, mas entendi! Por quê ninguém me falou isto antes, pô!

Se tudo ficou lógico, claro e quase óbvio para mim, que sou um jumento musical, tenho certeza que para os amigos mais inteligentes, que estudam música e tem algum talento ou aptidão para a coisa, vai parecer ridículo.

Grande coisa, eu descobri que as peças quadradas entram nos buracos quadrados, e as cilíndricas entram nos buracos redondos… dããã.

Mas para os seres humanos normais e limitados como eu, vai ser um passeio divertido, estudar os Modos Gregorianos com peças de dominó e o Círculo das Quintas usando um relógio de ponteiros.

Assunto para os próximos dois posts na Sketcheria.

Camiseta nova na Sketcheria. É só encomendar.

Tamanhos P – M – G
R$ 35,00

Ei, ilustradores! Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

O Carlos escreveu um comentário aqui na Sketcheria, dizendo que eu estou amargo, e defendeu o direito dos “moleques” em trabalhar / desenhar “just for fun”.

O comentário dele me motivou a escrever este outro post, sobre o mesmo tema: quem são os ilustradores da nova safra, e para onde vão conduzir este arrastão do mercado da ilustração?

No domingo eu tropecei por acaso no constrangedor video do Luiz Iria arrebanhando novos cordeirinhos para o abate na Editora Abril:

E assisti, estarrecido, o video institucional da Editora chamando novos talentos para o alistamento nas frentes de batalha. O video parece estar dirigido a um público que acabou de se submeter a uma lobotomia.

E eu me pego aqui pensando:

Há mais de 10 anos foi criada a ilustrasite, lista do Yahoo que durou 7 anos, com mais de 30.000 e-mails trocados entre mais de 1400 participantes, sobre o tema ilustração. Hoje tem a ilustragrupo, que presta o mesmo serviço.

A SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil – tem 8 anos, uma exposição anual seguida de uma semana de palestras, cursos e workshops, centenas de associados e uma outra lista específica para o tema ilustração.

Tem o Guia do Ilustrador, PDF gratuito, baixado mais de 50.000 vezes no mundo inteiro.

Tem a Revista Ilustrar, também gratuita, com 20.000 downloads por edição, em sua 23ª edição.

Tem Bistecão Ilustrado, Pupunha Ink, Sketchcrawl, SketchJazz, Urban Sketchers e trocentos outros encontros ilustrados, “just for fun”.

Tem workshops, cursos, DVDs, treinamentos especializados, palestras, viagens temáticas para ilustradores e dezenas de outros eventos pelo Brasil afora.

E aí chegam os “moleques” da nova safra de artistas e despencam no mercado como uma chuva de meteoros, publicando de qualquer jeito, assinando qualquer contrato, desesperados para “fazer portfolio” e “ter nome”, pagando de moderninhos e descolados ilustradores da nova geração.

Será que eles acompanharam todo este movimento que eu listei, ou estudaram alguma coisa sobre o mercado onde atuarão, antes de “virarem” ilustradores?

Será que todo novo ilustrador que despenca na Terra carrega em seu meteorito uma micro-empresa formada, com nota-fiscal, boleto bancário e um kit de contratos que o defendam?

Será que pelo menos leram o Guia, a Revista Ilustrar e os milhares de e-mail das listas, discutindo a responsabilidade que cada um tem na profissão de ilustrador?

Será que leram o “Pricing and Ethical Guidelines” da GAG – Graphic Artists Guild ou “The Education of an Illustrator“, do Marshall Arisman e Steven Heller?

Será que sabem ao menos o que é a GAG e quem são estes dois caras?

Será que sabem o que é a IPA – Illustrators Partnership of America?

Saberiam por acaso quem é Brad Holland e o sangue que ele já deu para lutar em favor dos ilustradores no mundo inteiro?

Será que já deram as caras ao menos uma vez nos encontros ilustrados, pra conhecer seus colegas, criar vínculos, esclarecer dúvidas, trocar telefones e entender um pouco mais sobre o mercado que estão trabalhando?

Será que já pararam pra pensar o que estão fazendo com o próprio mercado que pretendem atuar agora e no futuro?

Duvido.

“WORK FOR FUN”, “WORK FOR FREE”, “WORK FOR LOVE”

(Extraído de uma discussão iniciada no Facebook)

Este post foi editado, depois de muita polêmica sobre a imagem que originou o assunto. O tema “work for fun” merece questionamento e debate, portanto vou manter o foco no combate a esta filosofia, e não no estúdio ou nos artistas que criaram a ilustração em questão.

Esta é uma decisão pessoal, tomada depois de muita reflexão sobre os propósitos que defendo, e entre eles não está o ataque pessoal a quem quer que seja. Minha questão é quanto a esta ideologia danosa a imagem dos ilustradores, e não aos ilustradores em si.

O propósito desta edição no post é despersonalizar a crítica, mas manter o assunto em debate.

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“WORK FOR FUN”, “WORK FOR FREE”, “WORK FOR LOVE”

Antes de mais nada, é preciso entender e separar o que é ter prazer no seu ofício, amar a profissão, do que é trabalhar comercialmente em troca de satisfação.

Trabalho é comissionado, envolve custos, prazos e responsabilidades, e principalmente gera lucros na cadeia produtiva, por isto não deve ser gratuito.

O prazer e a satisfação são bonus muito bem-vindos, e fazem da profissão de ilustrador uma das mais gratificantes e sedutoras de todas.

Mas trabalho é trabalho. Não precisa ser uma tortura nem auto-flagelo, seria ótimo que todo trabalho fosse um passeio no bosque, mas isto é uma utopia.

“WORK FOR FUN” é um conceito danoso ao artista, porque não se trabalha “EM TROCA DE” diversão, que é a tradução literal de “WORK FOR”.

“WORK WITH FUN”, “WORK HAVING FUN” ou “ENJOY YOUR WORK” é unir o melhor de dois mundos, trabalho e diversão, somando os dois e não trocando um pelo outro.

Outro dia um cliente me pediu correções, eu dei um orçamento e ele respondeu:

“De graça o que você pode fazer?”.

Eu respondi:

“De graça eu leio o seu e-mail”.

Eu não me sinto bem representado ao chamar os artistas que trabalham em troca de prazer ou satisfação de “colegas de trabalho”.

É esta filosofia que está FUDENDO com a profissão.

Nenhum pedreiro, padeiro, pagodeiro, maestro ou até mesmo um malabarista de esquina “works for fun”.

NOBODY WORKS FOR FUN, GODDAMIT!

Não quero dizer que “fun” seja errado ou proibido, absolutamente.

“Draw for fun” é a proposta de todos os encontros ilustrados, a gente vai pros botecos, desenha por horas, só pra curtir.

MAS NÃO É TRABALHO!

Quando nos reunimos para desenhar em grupo não estamos “working for fun”, é uma atividade para resgatar o prazer de desenhar, para desenvolver e melhorar o traço, mas não envolve cliente, compromisso, prazo ou terceiros.

Ninguém ganha dinheiro com nosso prazer ou “amor à Arte”, por assim dizer.

Tem colega colocando a ilustração como meio de vida a caminho da extinção quando trabalha em troca da visibilidade, por diversão, pelo prazer de ver publicado.

A filosofia do “work for fun”, dita por um artista comercial, um ilustrador, é por princípio um suicídio comercial.

Há clientes que procuram convencer o artista que ele não precisa de dinheiro, já que tem prazer no que faz, que há lucros secundários, investimento no portfolio, no “nome”, na carreira… mas isto é papo de quem quer enrolar o outro, é um golpe sujo, anti-ético e imoral.

A nossa profissão está perdendo respeito, poder de negociação e tudo que sustenta um artista como meio de vida por causa dos artistas que defendem a filosofia de “trabalhar por diversão”.

Há mil outras maneiras de se divertir, mas para a maioria delas é preciso TER DINHEIRO, porque elas CUSTAM DINHEIRO.

Vai no cinema e tenta pegar um ingresso “just for fun”.

Vai no Hopi Hari e tenta dar uma volta na montanha russa, só porque é gostosinho.

Esta filosofia não existe no mundo real.

Trabalhar com prazer, sim.

Trabalhar por prazer, não.

Cláudio Gil em Sampa = Caligrafia em Sampa

O mestre calígrafo Cláudio Gil volta a São Paulo para mais duas atividades imperdíveis:

Increva-se pelo telefone 3873-0099 ou pelo e-mail pintar@pintar.com.br, contatos diretos da Loja Pintar, na Rua Cotoxó, 110, onde serão apresentados os workshops, ou escreva para eukalligrapho@gmail.com e esclareça suas dúvidas diretamente com o instrutor.

 

Um brinde aos presentes e ausentes

Há pouco mais de uma semana recebi a ligação de um amigo, há muito tempo afastado. Não que a amizade tivesse se perdido, apenas deixamos que os caminhos da vida nos levassem a lugares diferentes.

A ligação do Eder Sandoli trazia uma notícia devastadora: um amigo nosso – parceiro dele no “Duo Quase Acúsico” – o músico Renato Santoro, estava no hospital e a situação não era boa. Um câncer extremamente agressivo estava levando nosso amigo embora, cedo demais, como a morte costuma fazer com as pessoas que brilham demais.

Eu fui ver o Renato no dia seguinte, e pudemos conversar, lembrar de estórias antigas, ele me mostrou as fotos das filhas no celular, rimos um pouco, mas a gente sabia, no olhar, o que aquele encontro significava.

Hoje o telefone tocou cedo, e pela primeira vez eu queria que fosse uma operadora de telemarketing, vendendo alguma coisa, cobrando qualquer coisa, que fosse um trote ou engano, mas não era.

O “alô” do Eder, naquela hora, já era uma notícia.

Elvis has just left the building.

 

A minha amizade com o Eder tem quase 20 anos, e com o Renato quase 30, e não nos víamos há alguns anos. Tempo precioso desperdiçado com “coisas importantes”, obrigações, tarefas, trabalhos, compromissos, tudo tão sério, tão inadiável.

Aquela cerveja prometida com o Renato não vai mais ser brindada, e junto com ela, momentos preciosos nunca mais serão vividos.

Eu me pergunto hoje se havia mesmo tanta coisa importante a se fazer nos últimos 7 ou 8 anos, a ponto de não sobrar um único fim de tarde para sentar num boteco fuleiro e passar uma ou duas horas falando besteira, rindo das coisas boas e ruins, contando o que aconteceu e deixou de acontecer, e celebrar a vida que se tem, enquanto a temos.

E fico pensando quantas vezes a gente se deixa levar pelas “coisas importantes” e insuportavelmente chatas da vida como filas de banco, repartições públicas, trabalho e outras tantas obrigações que naquele momento eram prioritárias, e que agora parecem ridículas e insignificantes quando comparadas aos momentos preciosos que acontecem na companhia das pessoas que nos fazem sentir realmente vivos.

O Renato sempre foi uma destas pessoas que beberam a vida em grandes goles, com um senso de humor único, ácido, rápido e inteligente, sempre acompanhado de uma risada explosiva, contagiosa.

O espaço emocional que o Renato ocupava na vida de todos que tiveram o privilégio e a alegria de conviver com ele era muito intenso, ninguém esquecia dele, ninguém conseguiria, ele era de uma presença muito marcante e sua falta será profundamente sentida. Já está sendo.

Eu sempre me lembro dele brindando, numa expressão séria por uma fração de segundo, dizendo: “Aos presentes e ausentes” em meio a horas de gargalhadas, daquelas de fazer os músculos da cara e do estômago doer.

Como vai ser doloroso pensar nele, ao fazer o mesmo gesto.

Este foi o e-mail que enviei ao Eder, naquele mesmo dia .

Eder,

Foi um choque saber do estado de saúde do Renato, e tenho a impressão que este choque não vai passar. A gente vai acabar se acostumando com a cicatriz emocional, mas ela nunca vai fechar totalmente.

Hoje soube do falecimento de um ilustrador que eu admirei a vida inteira, Kazuhiko Sano, um gênio, um mágico.

A morte está rondando, sempre esteve.

Um amigo deste artista, outro Mestre das imagens, escreveu no final do post em seu blog:

“Hello students of Kazu
I have to pass on the sad news to you that your beloved teacher Kazu passed away this morning. He was at home, at peace and did not experience any pain.
As you go forwards in your art career, remember that the most valuable thing you have is time. Please use it well.”

E é verdade, o que temos de mais precioso é o tempo.

Tempo que eu lamento ter perdido nestes últimos anos, e não ter insistido em tomar aquela cerveja prometida, em forçar aquele encontro que ficou para outro dia, que nunca vai chegar.

Estou triste e com medo de enfrentar o inevitável, ver o Renato uma última vez, sabendo o que vem depois.

Vai ser doloroso rever os amigos, depois de tanto tempo, neste contexto.

A gente conviveu por muitos anos, foram tempos bons, engraçados, que fazem parte das minhas melhores lembranças.

Sinto muito pela família dele, das filhas que vão crescer sem a sua companhia, apenas vivendo as memórias do que ele foi, e por sua mãe, que vai sofrer a terrível inversão da ordem natural das coisas, vendo um filho partir antes dela. Esta é provavelmente a pior das perdas.

Fico no aguardo do seu contato, e do local onde está internado o nosso amigo.

Abraço,

Montalvo

 

Eu fiz a ilustração da capa do Duo Quase Acústico, um dos meus primeiros trabalhos em tela, e que foi o laboratório para muita coisa que produzo hoje. O original não está mais emoldurado, está montado em partes, em dois dos meus sketchbooks, e hoje eles ganham um novo significado, mais memórias, estórias e lembranças.

Vernissage SketchJazz – O Retorno

No último sábado tivemos o prazer de receber cerca de 400 pessoas na Vernissage do SketchJazz, em uma festa onde tudo deu certo, do vinho e salgadinhos servidos, passando pelo show especial do Amleto Barboni, Marcos Ottaviano e Wagner Vasconcelos, que agitaram a galera ao som de Jazz e Blues da melhor qualidade, ao lançamento do site http://www.sketchjazz.org, que modéstia à parte, ficou lindão.

Foram meses de trabalho, investimos sem patrocinador em um projeto movido a idealismo, e logo mais vamos divulgar o video que o Paulo Aielo da DRC está editando para o evento.

Isto vai merecer um post a parte, mas o fato é que nós gostamos tanto de receber os amigos, que decidimos fazer um repeteco da exposição, em uma versão pocket neste sábado, das 11:00hs às 20:00hs.

Se você não pode vir na noite de abertura, pode vir agora, ver as obras originais, rever os amigos e até escolher o cardápio!

Desta vez não tem boca-livre, senão a gente quebra a banca!

Traga os comes e bebes que for consumir, coisa simples, uns quitutes de padoca e alguma bebida, e passe uma tarde agradável com a gente.

O endereço é: Rua Jorge Americano, 103 – Lapa – SP (paralela à Av. Cerro Corá, quase esquina com a R. Pio XI)

SketchJazz, um ano de desenho e música.

Na verdade o SketchJazz é a união de 3 coisas distintas: Primeiro foi o desenho, depois veio a música e aí se somaram os amigos.

Imagine 3 minorias bastante improváveis, alinhadas em um projeto despretensioso, idealista, começando com artistas dispostos a sair da toca e desenhar fora do ambiente do estúdio. Dentro destes poucos, encontre os que curtem Jazz, e garimpe neste pequeno grupo quem ainda esteja disposto a organizar os encontros, enviar convites, criar uma página no Facebook e sair semanalmente para desenhar os músicos em casas de Jazz de São Paulo.

Por incrível que pareça, foi exatamente isto que aconteceu, e este grupo de ilustradores paulistas já realizou 37 encontros em apenas um ano de existência, confira a lista de lugares nesta página do Facebook.

Em um destes encontros 12 desenhistas ocuparam as 3 mesas da primeira fila no All of Jazz, uma pequena casa de espetáculos especializada neste gênero no Itaim Bibi.

Até agora imagens estavam sendo postadas na galeria de fotos do Facebook, mas os participantes queriam mais, e estão inaugurando um website com loja online e galeria de pinturas sobre o tema Jazz, onde artes originais e reproduções de alta qualidade poderão ser vistas e compradas.

A comemoração do primeiro ano do SketchJazz acontece neste sábado, no estúdio do fotógrafo Gustavo Arrais, na Rua Jorge Americano, 103 – Lapa.

A partir das 19:00hs de sábado, serão expostas 28 obras originais e fotos feitas pelo nosso anfitrião, em uma Vernissage que contará com um show ao vivo de um trio de Jazz e Blues que os artistas do SketchJazz já vem acompanhando desde o início: os guitarristas Amleto Barboni e Marcos Ottaviano, acompanhados pelo bateristas Wagner Vasconcelos se apresentarão as 21:00hs com o show “A Night at Maxwell Street”, um trabalho de coletânea de Blues dos anos 20 até os tempos modernos, e o melhor, tudo isto vai ser gratuito.

Venha conferir esta festa e o trabalho destes artistas das imagens e da música neste sábado, e acompanhe a partir da próxima semana o grupo no site http://sketchjazz.org/ e ao vivo nos bares de Jazz da cidade.

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Off topic na Sketcheria. On topic no SketchJazz

Este é mais um off-topic musical aqui na Sketcheria, coisa que faço de tempos em tempos.

O documentário de Jazz “Icons Among Us” tem uma passagem musical que ficou soando na minha cabeça por dias.

Era tão bonito que chegava a incomodar, eu queria mais, os fragmentos musicais ecoando na minha memória pediam para ouvir aquela música inteira. Até que eu fui atrás, encontrei o nome do compositor nos créditos do video, e valeu a pena, foi uma descoberta preciosa.

Descobrir Avishai Cohen certamente me inspirou a escrever e compartilhar com os amigos, com sua musicalidade rica, consistente e incrivelmente bela, mas vou fazer isto em um blog mais apropriado, que será lançado na noite da Vernissage do SketchJazz, no dia 4 de Junho.

Mas este é apenas um teaser para o site/blog do SketchJazz, um espaço dedicado à música e desenho, onde você vai saber um pouco mais sobre este músico espetacular.

O solo de baixo no meio deste video é outra preciosidade, uma verdadeira pintura musical.

Off topic exclusivo para não cristãos

ATENÇÃO – ZONA DE SPOILER

Se você é católico apostólico romano, um cristão de verdade, que segue os preceitos da igreja como manda a Bíblia, este post não é para você.

Vai por mim, se você tem uma fé inabalável e deseja preservá-la, leia os outros posts do blog, ou feche a página de vez, assim preservamos nossa amizade e respeito mútuos, e podemos conviver em paz, sem que você se choque e/ou se ofenda pela minha maneira de escrever sobre este assunto.

Comentários de leitores furiosos podem eventualmente ser moderados ou não publicados, dependendo do conteúdo, e não quero discutir isto pessoalmente.

Claro que é apenas, e nada além, da minha opinião pessoal sobre o tema religião, e como este blog é uma janela aberta do meu estúdio, tenho visto alguns documentários sobre este assunto, e quero compartilhar alguns pensamentos com os visitantes.

Mas apenas os agnósticos ou os mais tolerantes, por favor.

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Outro dia eu estava assistindo na TV uma comédia stand-up de Bill Maher, chamada “But I’m not wrong”, e por mais engraçado e agressivo que possa parecer, ele realmente não está errado. Confira neste video, legendado em português:

Se quiser ver o programa todo (em inglês), aqui tem um playlist no Youtube.

Comentando sobre o tema com um colega, ele me recomendou o video “Religulous”, também realizado pelo Bill Maher, nesta outra playlist, com legendas em português:

Uma coisa leva a outra, e eu encontrei o video do George Carlin, e mesmo não concordando integralmente com ele, a sua visão sobre Deus e religião tem muita coisa engraçada, e porquê não dizer, verdadeira.

Eu fui criado em uma família católica, não tive escolha até a minha adolescência, senão aprender algumas preces, ir à igreja de vez em quando, nada muito fervoroso, nem a primeira comunhão eu fiz, mas isto foi uma opção minha, eu já não concordava com muita coisa nas aulas de catecismo.

Já nas aulas de História, eu me interessava bem mais, pelos fatos e conexões entre eles, e já na adolescência eu me vi horrorizado pelos feitos macabros da Santa Inquisição. Aquilo era para mim muito mais aterrorizante do que os quadros de Hyeronimus Bosch descrevendo o inferno, porque eram fatos reais, um verdadeiro e incontestável inferno na Terra.

Séculos de perseguição, torturas, violações, e muito, muito sangue, em nome de Deus.

Isto era para mim o maior dos paradoxos, como podem matar em nome de Deus? Só porque as pessoas tinham outras crenças, e mesmo os cristãos eram levados ao julgamento implacável da Inquisição e sofriam as torturas mais pavorosas, até que confessassem exatamente o que queriam seus algozes.

Inaceitável. Eu perdi a pouca fé que me haviam plantado, e me senti muito melhor e mais leve em não seguir aquela religião desumana e cruel, com um logotipo onde um homem sangra até a morte em um ritual de sacrifício humano.

Depois de ver o Bill Maher descascando o nabo nos costumes religiosos com bom humor, eu acabei encontrando uma playlist no YouTube muito bem organizada, o documentário “God a delusion” e “O vírus da fé”, ambos de Richard Dawkins, que faz o mesmo mas sem humor, apenas com fatos contundentes, montanhas de evidências e depoimentos, alguns completamente patéticos, de ministros evangélicos americanos.

Aí vem o pessoal reacionário e cegamente fanático da FoxNews tentando enxovalhar o Richard Dawkins publicamente, só que o tiro saiu pela culatra, com o repórter perdendo a linha e se expondo ao ridículo, se é que se pode chamar o fundamentalista redneck Billy O’Reily de jornalista, o que me parece uma ofensa para a categoria:

A sequência do playlist inclui outro documentário, nada engraçado: “Arquivos secretos da Inquisição”, que me motivou a escrever este post, centrado no que ocorreu na uma pequena vila francesa de Montaillou, em 1308.

Se eu ainda fosse católico até hoje, deixaria de ser depois deste video. É impossível (para mim ao menos) aceitar e seguir dogmas e preceitos fundamentados em tortura, morte, vergonha, culpa e dominação totalitarista e absolutista, com fins políticos, hierárquicos e sócio-econômicos. Não há nada de divino ou santificado, nem ao menos respeitável ou aceitável nisto.

Fala sério, eu não tenho crucifixo em casa, é um símbolo de tortura.

Se Cristo tivesse sido decapitado, qual seria o símbolo da igreja católica? Uma guilhotina? Não, este instrumento de execução foi inventado mais de 1700 anos depois. Seria um machado, talvez.

Já pensou como seriam macabras as igrejas enfeitadas como um machado no topo? Como seriam os terços e decorações cristãs em geral, com machadinhos? Cristo apareceria sem cabeça ou sem corpo nas pinturas religiosas?

E se tivesse sido morte por apedrejamento, como era comum naquela época? Um cascalho seria o símbolo cristão a embelezar as igrejas.

Suponha que o tivessem condenado à terrível morte por empalamento, o símbolo cristão seria um poste pontiagudo, os palitos de dente seriam símbolos religiosos, e o personagem não ostentaria uma figura tão graficamente marcante como um homem crucificado, no entanto seria uma cena grotesca de sofrimento e morte lenta, da mesma forma.

É revoltante pensar em qualquer instrumento de tortura e morte como símbolo de devoção e amor espiritual, mas a humanidade se acostumou com o símbolo da cruz, que foi criada com o mesmo propósito, uma ferramenta de execução.

É angustiante ver seu filho de 3 anos perguntar porquê tem um homem morto e sangrando dentro de uma vitrine, na altura dos olhos dele, na entrada de uma igreja.

E não teria como ser diferente, em uma religião fundamentada no trágico fim de seu líder, transformando um crime hediondo em um fato emblemático, icônico, a ser venerado em profunda reverência.

Eu já vi senhoras beijando os pés de uma estátua de Cristo, crucificado, em tamanho natural, sangrando e olhando para baixo, em agonia.

Que nojo, eu hem? Ninguém tem medo de pegar sapinho? Eu acho que devem haver maneiras mais respeitosas e higiênicas de se reverenciar uma estátua.

Na História Bíblica de Ló, supostamente o único bom homem da cidade, ele entrega as duas filhas aos desejos dos sodomitas para preservar o traseiro dos seus visitantes, oa anjos enviados de Deus para uma “auditoria”.

Que pai exemplar, não? “Podem estuprar minhas filhas, numa boa, contanto que não encostem nos meus amigos”.

No final da estória, depois que sua mulher vira sal (???) ao olhar para trás (um sinal de questionamento, de contestação ao dogma), o próprio Ló acaba cometendo incesto com suas filhas. Isto porque ele era o único cara que prestava na região!

Que estorinha mal contada, que pornô de terceira, hem?

E esta estória continua sendo contada como fato verídico em igrejas e escolas de fundamentos criacionistas até hoje!

Imagine um post em um blog religioso, com o inocente título: HISTÓRIAS da “Tia BIDINHA” “LÓ e a Destruição de SODOMA e GOMORRA” – que começa assim:

Olá crianças! Está tudo bem com vocês? As aulas já começaram de novo e precisam estudar direitinho! Hoje, a “Tia Bidinha” vai contar a história de um homem chamado: LÓ que está na Bíblia, nos capítulos 18 e 19 do Livro de Gênesis. Acompanhe com atenção!

A Bíblia para crianças! A Tia Bidinha vai contar esta putaria desenfreada para as criancinhas, que lindo!

Note o olhar sexy e sedutor da tiazinha blogueira de Cristo, na foto da direita. Eu não deixaria meu filho estudar com ela, você deixaria?

A esta altura já deve ter leitor me considerando um ateu, incrédulo, herege, infiel… acendam as fogueiras!

Não é verdade. Eu acredito em uma força criadora que deu origem à vida e ao Universo como um todo, mas como algo além da compreensão, sem nome, sem forma, sem império e sem seguidores fanáticos, sem pais desnaturados, estupradores e assassinos seriais a seu serviço.

Isto me basta como fé, e eu vou coletando coerências aqui e ali, entre religiões, estudos científicos, metafísica, espiritualismo, etc, até encontrar a minha crença pessoal.

Por exemplo, há na religião Hindú uma saudação muito bonita: as pessoas se cumprimentam em reverência, dizendo apenas “Namastê”, que significa “Deus em mim saúda o Deus em você”, (seja lá qual for o Deus da sua fé interior).

Esta é uma forma de respeito e tolerância religiosa tão profunda e repleta de significado, e que teria poupado milhões e milhões de vidas se fosse utilizada conscientemente através dos séculos.

Respeito mútuo, tolerância, aceitação, isto deveria ser o preceito básico de todas as religiões. Somos diferentes na cor, na forma, no pensamento e nas emoções, porque não aceitar e conviver com outras religiões?

O que a Inquisição fez em nome de Cristo foi muito pior, mais grave e com mais fatalidades do que os terroristas fizeram em 11 de setembro, e ninguém precisa ser um historiador para saber que a imensa maioria das guerras da humanidade foram por intolerância religiosa.

O nazismo fez 6 milhões de vítimas, mas eu acredito que este tenha sido o segundo Holocausto. O primeiro foi promovido pela Santa Inquisição, durante séculos e com incontáveis vítimas, entre mortos e torturados, condenados sem direito a defesa, nos campos de concentração cristãos, espalhados por todo o mundo.

Os Maias, Incas e Astecas, povos evoluídos, com mais de 3.500 anos de existência e conhecimentos profundos de aritmética, engenharia, e até astronomia foram aniquilados até o último cidadão em nome do cristianismo (e do ouro, é claro), sob as tenebrosas figuras de Francisco Pizarro e Hernán Cortéz, entre tantos outros cristãos fervorosos, soldados impiedosos que cumpriram plenamente sua violenta missão de limpeza étnica, estupros, saques e pilhagem em nome de Deus.

Isto tudo é um resumo do que eu sinto e penso sobre este tema polêmico, mas fascinante, que é a diversidade humana, e dentro dela as religiões.

Mas eu estaria sendo contraditório se não aceitasse que os outros tivessem uma fé diferente da minha. O que não me serve pode ser adequado para outros. Eu particularmente não aceito e não sigo os dogmas da igreja e do cristianismo, baseado no que aprendi sobre os fatos históricos, mas isto não me impede de ter amizade e respeito por pessoas que pensam de outra forma, contanto que as linhas não se cruzem.

Assim como eu defendo a tolerância e respeito as opções religiosas, sexuais, políticas e filosóficas de cada indivíduo, exijo o mesmo deles.

Tolerância, sim. Catequização não.

Aliás, tem uma música cantada por Gilberto Gil e Marisa Monte chamada “Life Gods”, lindíssima, apenas nomes de divindades, sem dogma, sem nada, apenas os diversos nomes de Deus, em diversas línguas, de várias religiões. Esta canção soa para mim como um mantra de unificação e tolerância sectária, a essência do sincretismo religioso.

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N’kukluk’mba    Oxalá
Odin    Manitoo    Xuedeh
Aggayun    Göt    Baoh
Allah

Tupan    N’Olorun    Tamnarah
Golorud    Ualereh
Zambyn    Zeus    Ruwatah
Iesu    Jah    Shalam-Tzieh

Amaterasu    Bathalah
Mandarah    Unguleveh
Khrisnha    Efozu
Amma

Yambah    Oshun    Asdulai
Kalah    Okut    Nyaambeh
Aquaan    Akuah
Jesus    Rah    Yelen-Dayeh

Tentei    Dio
Asher    Dieu    Dios    Ymanah
Kami    So-Ko
Lubnah    Theos    Yallah

Maomeh    Juremah
Shiva    Shangoh
Butzimmy    Yumallad
Yaoh

Dumnezteu    Banarah
Gaya    Munetoh
Aton    Amon    Iemanjá
Erê    Yaoh

Iansã    Adonay
Brahma    Gedepoh
Tzikem-Boo    Atzilah
Yaoh

D’Olodum    Yamanah
Oxóssi    Shido
Buda    Gee    Jeová
Erê    Yaoh

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Para quem ainda não assistiu, fica aqui mais um documentário pra se pensar sobre o tema: Zeitgeist.

 

 

“Fuck you, pay me!” (Por gentileza, queira efetuar o depósito)

Na era do bom-mocismo e do politicamente correto, o título original pode parecer um tanto agressivo, por isto eu fiz como nas dublagens nacionais, só pra brincar com o fato. Basta ligar a TV para ver traduções do tipo: “Oh, shit!” legendado como “Oh, meu Deus!”.

O Creative Mornings é um evento internacional que acontece mensalmente em São Francisco, Los Angeles, Nova Iorque e Zurique, incluindo uma palestra de 20 minutos e um café.

Milton Glaser, Andrew Zuckerman entre outros grandes nomes foram convidados, e seus videos estão disponíveis no site.

A apresentação de Mike Monteiro da Mule Design e seu advogado Keith Levine me impressionou, e quem me conhece sabe que isto é óbvio, pela pegada deles na defesa feroz do que é seu por direito: propriedade intelectual, pagamento justo, no prazo, negociação honesta e valorização do profissional de criação visual.

Foi por acreditar nesta filosofia que eu me determinei a legendar este video em português, e gostaria que ele fosse visto por profissionais e estudantes de design, ilustração, fotografia, cinema, jornalismo, etc, e até mesmo os clientes, para que todos saibam onde ficam os limites de uma relação comercial.

O contrato protege as duas partes, como é dito no filme.

Fique à vontade para copiar, blogar, tuitar, facebookar, apresentar ou recomendar o video, este é o link para o embed, no rodapé do preview. O texto integral pode ser baixado neste link.

O video tem 38 minutos, e sei que muitos vão reclamar que não tem este tempo todo para perder com uma palestra online, que não tem paciência pra isto, que é um papo chato, etc.

Para estes, eu não tenho muito a dizer, só lamento que vão perder uma chance de crescer profissionalmente e financeiramente, mas quem sou eu pra obrigar alguém a melhorar de vida?

Assistir demora menos e é muito menos trabalhoso que gastar as 20 horas de trabalho que eu investi neste video, entre tradução e edição do material, mais as tantas outras horas que amigo o André Valente passou traduzindo na segunda metade do texto, voluntariamente, para que este material esteja disponível para o público brasileiro.

Enfim, cada um sabe o que faz com seu tempo.

Espero que aproveitem o que Mike Monteiro e Keith Levine tem a compartilhar, e desejo, assim como o palestrante, que os designers deixem de ser a “parte de baixo” da relação comercial.

Sucesso a todos.

Já saiu a Revista Ilustrar nº 22

Nesta edição você vai conferir os trabalhos de Lupe Vasconcelos, Miss Bugs, Alexandre Eschenbach, Rogério Vilela, Laurent Cardon, e a coluna de Renato Alarcão.

Brad Holland, em férias, volta a escrever sua coluna na próxima edição.

Baixe seu exemplar gratuitamente pelo site http://www.revistailustrar.com/ ou clicando na imagem abaixo:

Workshop de Capitais Romanas na Sketcheria (dia 7 de maio)

ATENÇÃO, A DATA FOI ALTERADA, O WORKSHOP ACONTECE NO DIA 7 DE MAIO.

O calígrafo Cláudio Gil traz no outro fim-de-semana o workshop de Capitais Romanas, realizado no Estúdio Sketcheria, no Brooklin – São Paulo.

São 12 vagas e as atividades começam no sábado, DIA 7 DE MAIO, pela manhã.

Confira as informações na imagem abaixo, e mais detalhes pelo e-mail eukalligrapho@gmail.com .

Ilustradores brasileiros no programa Starte da Globonews

É tão bom ver as coisas dando certo nesta terra, que dá vontade de compartilhar e mostrar a todos que nem só de problemas vive o ilustrador brasileiro.

Eloar Guazelli, Andrés Sandoval e Ivan Zigg são entrevistados por Bianca Ramoneda no Starte, em uma reportagem longa, dedicada à Arte da Ilustração, com todas as letras maiúsculas que esta Arte merece, tratando a profissão com inteligência, seriedade e bom humor na medida certa.

Fayga Ostrower também é citada, em sua fase figurativa, como grande ilustradora que foi, antes de migrar completamente para o abstracionismo.

Esta matéria fez meu dia, espero que faça o seu também.

Sketchcrawl emendando na Virada Cultural, outravez!

Neste sábado, 16 de Abril, acontece o 31º Worldwide Sketchcrawl, a 10ª participação brasileira no evento mundial.

Pela segunda vez o evento coincide com a Virada Cultural, e vamos emendar uma festa na outra, é claro!

Vamos nos encontrar a partir do meio-dia no coreto da Bovespa, na rua São Bento, em frente ao prédio que já foi do Banespa, da Prefeitura, enfim, aquele lá do cartão postal. Pra quem não se localiza por prédios ou ruas, apenas por botecos, o local fica em frente a Cervejaria São Jorge, na parte alta do calçadão da Avenida São João.

Tá fácil, não tem como errar.

Dali seguiremos para as ruas próximas, ali no calçadão mesmo, na região dos bancos, Bolsa de Valores, etc, que é um local repleto de lugares altamente desenháveis, retornando ao final da tarde para um choppinho no São Jorge, mas ali é cada um pagando a sua conta.

Confira a programação da Virada Cultural neste link, vai ter coisa boa pra se assistir, como Edgar Winter no palco Júlio Prestes as 20:00hs, Ronnie Cuber e Hammond Grooves no palco Líbero Badaró as 21:00hs e neste mesmo local vai rolar Eumir Deodato, a 01:00hs, enfim, é um super evento, prato cheio para os indormíveis!

Workshop de Caligrafia Experimental em Sampa

O Estúdio Sketcheria – Brooklin SP – recebe novamente o Mestre Calígrafo Cláudio Gil para uma nova edição do workshop de Caligrafia Experimental neste domingo, dia 17 de Abril.

Inscrições e informações pelo e-mail eukalligrapho@gmail.com